Por Redação g1


Inundação no Nepal deixa quase 400 desaparecidos

Um terremoto de magnitude 4,4, com epicentro a 10 quilômetros de profundidade, foi registrado pelo Serviço Geológico dos Estados Unidos (USGS) na região de fronteira entre o Nepal e o Tibete, na China, pouco antes da enchente repentina que atingiu a área nesta quarta-feira (26). O desastre deixou mortos e desaparecidos.

ATUALIZAÇÃO: O USGS corrigiu a informação divulgada inicialmente e afirmou que não houve terremoto antes da avalanche. Segundo o órgão, as ondas sísmicas registradas pelos sistemas foram, na verdade, provocadas pelo próprio deslizamento de terra.

Autoridades locais não estabeleceram, até o momento, uma relação direta entre o tremor e o rompimento que atingiu o rio Bhote Koshi — mas a proximidade temporal entre os dois eventos chamou atenção e é um dos pontos apurados nas investigações que começam agora.

De acordo com o Serviço Geológico dos Estados Unidos (USGS), o tremor foi registrado às 8h37 da manhã. Minutos antes de as imagens de segurança registrarem a avalanche que arrasta gelo e rochas que atingem a passagem de terra entre os dois países.

Uma combinação de imagens de satélite mostra os vales perto da fronteira entre o Nepal e a China em 25 de agosto de 2026, antes das inundações devastadoras (T), e em 26 de agosto de 2026, após o desastre (B). — Foto: Reuters

A suspeita é de que o tremor tenha desencadeado uma avalanche de gelo e rochas no rio Lhende Khola, do lado nepalês, provocando as inundações.

A região havia passado por intensas chuvas antes, que estava congeladas e represadas. Com o tremor, esse gelo foi rompido e a água liberada com intensidade. Isso explica a enchente repentina na região, sem que qualquer órgão ambiental pudesse prever.

De acordo com especialistas, o que chama atenção no tremor registrado nesta manhã é a profundidade: a 10 quilômetros esse é considerado um terremoto raso.

➡️ Quanto mais próximo da superfície é o foco de um tremor, menos distância as ondas de choque percorrem até chegar ao solo e às construções, e menos energia se dissipa no caminho. Na prática, isso significa que a força da trepidação chega quase intacta à superfície, atingindo o que está ao redor com mais intensidade.

Risco de uma segunda enchente

Parte do gelo e das rochas que se desprenderam no rio Lhende Khola não desceu completamente — formou um novo bloqueio mais acima, no curso do rio, antes de chegar às áreas já atingidas.

Esse tipo de barreira funciona como uma represa improvisada: a água continua se acumulando atrás dela até que a pressão seja suficiente para rompê-la de novo, liberando outro volume repentino de água e detritos rio abaixo. É esse cenário que as autoridades monitoram agora.

O risco também não fica restrito ao Nepal. O Lhende Khola nasce nas montanhas do Himalaia e desce em direção às planícies, alimentando outros rios que atravessam a fronteira até a Índia. Por isso, alertas de cheia foram emitidos nos estados indianos de Bihar e Uttar Pradesh — regiões que ficam a centenas de quilômetros do ponto do desastre, mas que recebem a água que desce da cordilheira.