Ingrid Silva: A bailarina carioca de grandes saltos no Brasil e no exterior encara novo desafio como coreógrafa, criando obras sobre identidade, pertencimento e memória
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A bailarina Ingrid Silva, de 37 anos, tem uma carreira marcada por grandes saltos: começou na dança aos 8 anos e passou por importantes companhias brasileiras, como a Escola de Dança Maria Olenewa, a de Deborah Colker e o Grupo Corpo, até que chegou à americana Dance Theatre of Harlem, de Nova York, onde ficou por 18 anos e atuou como primeira bailarina. Deu um novo passo em 2024, tornando-se coreógrafa. Vem criando espetáculos com "humanidade" e "elementos da cultura brasileira", como ela mesma define.
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— Eu parto de uma página em branco. Preciso criar um universo inteiro, pensar na narrativa, na música, na movimentação, nos bailarinos, na iluminação, nos figurinos e na forma como tudo isso conversa com o público. Gosto de criar obras que falem sobre pessoas, emoções, identidade, pertencimento e memória —explica.
O novo desafio não amedrontou a bailarina de Benfica, que chamou a atenção quando executou seus primeiros plié e jeté em um projeto social na Mangueira. Em 2020, foi a primeira bailarina negra brasileira a estampar a capa da revista Vogue (posou nua e grávida). No ano seguinte, a revista Forbes Brasil a colocou na lista das "20 Mulheres de Sucesso". Em 2025, foi convidada a discursar na ONU para celebrar o Dia Internacional da Mulher. E este ano, o jornal The New York Times a incluiu em uma reportagem sobre mulheres em posição de liderança pelo mundo.
— Se eu olhar para a menina que cresceu no subúrbio do Rio e começou a dançar por um projeto social, jamais imaginaria viver tudo o que vivi —admite.
Pintando sapatilhas
No exterior, a carreira deslanchou e a militância também. Ingrid passou 11 anos (2008 a 2019) pintando com base de maquiagem as próprias sapatilhas com o tom de sua pele, até que elas passassem a ser fabricadas assim. Esses calçados viraram peças de valor artístico: desde 2020, um deles está no acervo do Museu Nacional de Arte Africana Smithsonian, em Washington.
— Durante muitos anos tentei me encaixar em padrões que não me representavam. Com o tempo, entendi que minha maior força estava justamente na minha identidade —diz ela, que narrou sua trajetória na biografia "A sapatilha que mudou meu mundo" (2021) e no livro infantil "A bailarina que pintava suas sapatilhas" (2023).
Mirando sempre novos caminhos, há alguns anos, Ingrid fundou o podHer, uma organização internacional para conectar mulheres, e o Blacks in Ballet, que cria oportunidades para bailarinos negros. Atualmente, ela está desenvolvendo uma linha de meias-calças em diferentes tonalidades de pele. Além disso, acompanha os passos da filha Laura, de 5 anos, e já ensaia o que dizer à menina se ela decidir seguir o mesmo caminho profissional.
— É para ela nunca permitir que ninguém defina o tamanho dos seus sonhos. O balé é maravilhoso, mas não pode determinar quem você é como pessoa —ensina Ingrid.







