Vanessa Galli: Cientista estuda os impactos das mudanças climáticas na agricultura e o potencial da biotecnologia em buscar alternativas
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Atualizado
Foi na pequena Aratiba, cidade gaúcha de seis mil habitantes no extremo norte do estado, que Vanessa Galli ouviu, pela primeira vez, que deveria se dedicar à biologia. O conselho veio de uma professora, que também lecionava matemática — matérias favoritas de Vanessa. Para convencer a aluna, disse que seria a biologia que a ajudaria a compreender melhor o mundo, desde o funcionamento do corpo humano até animais e plantas.
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O argumento funcionou: Vanessa se tornaria a primeira pessoa da família a cursar uma universidade federal. Aos 39 anos, duas décadas mais tarde, é professora adjunta da Universidade Federal de Pelotas (UFPel), onde coordena o Laboratório de Biotecnologia Celular e Molecular Vegetal e o grupo de pesquisa em genômica vegetal. Da bancada de pesquisa de Vanessa vão sair plantas mais resistentes às alterações climáticas. E mais nutritivas.
O trabalho sobre os impactos das mudanças climáticas na agricultura e o potencial da biotecnologia em buscar alternativas para minimizá-los rendeu a Vanessa o reconhecimento da Academia Brasileira de Ciências. Ela foi eleita membro afiliada —uma distinção para jovens cientistas— para o período de 2025-2029.
— O grande desafio das próximas décadas será produzir alimentos suficientes para uma população crescente, utilizando menos água, menos defensivos agrícolas e enfrentando condições climáticas cada vez mais imprevisíveis —revela.
Resposta à falta de água
Para ela, a ciência e a biotecnologia têm um papel fundamental nesse cenário, seja desenvolvendo plantas mais resistentes ou alimentos mais nutritivos:
— Investir em pesquisa hoje é investir na capacidade de alimentar as próximas gerações com qualidade, segurança e respeito aos recursos naturais.
Uma das principais linhas de pesquisa tenta entender como as plantas respondem à falta de água e ao excesso de sal no solo, problemas decorrentes das mudanças climáticas:
— A agricultura é responsável por grande parte do consumo de água doce no mundo e, por isso, desenvolver variedades de plantas que mantenham sua produtividade utilizando menos água é fundamental.
No laboratório, os pesquisadores também querem entender como ocorre o amadurecimento de frutos e como respondem ao ataque de fungos. E usam o morango como modelo, uma fruta delicada, que precisa ser colhida já madura e que estraga rapidamente. Ao compreender os mecanismos que controlam a maturação e a resistência aos fungos, buscam desenvolver tecnologias capazes de aumentar o tempo de prateleira dos alimentos, reduzir perdas e tornar a cadeia de produção mais eficiente e sustentável:
— Os próximos passos do nosso trabalho são transformar todo o conhecimento que produzimos ao longo dos últimos anos em aplicações práticas que possam chegar ao campo e beneficiar diferentes culturas agrícolas. O morangueiro é um excelente modelo experimental, mas esperamos que os mecanismos que identificamos possam contribuir para o melhoramento de outras frutas, hortaliças e outras culturas de grande importância para a alimentação mundial.









