Renan Santos na TV Globo: como o candidato se saiu na entrevista? Veja as notas e avaliações dos colunistas do GLOBO
Após Zema e Caiado, postulante à Presidência da República pelo Missão foi o terceiro dos seis que serão sabatinados ao longo da semana logo após o Jornal Nacional
A TV Globo deu início, na última segunda-feira, à série de entrevistas diárias com os candidatos à Presidência da República, transmitidas ao vivo sempre após a exibição do Jornal Nacional. Até sábado, os seis postulantes mais bem colocados na última pesquisa Quaest serão sabatinados pelos jornalistas Renata Vasconcellos e César Tralli. Os respectivos ex-governadores de Minas Gerais e Goiás, Romeu Zema (Novo) e Ronaldo Caiado (PSD), foram os dois primeiros entrevistados. Nesta quarta-feira, foi a vez do candidato Renan Santos (Missão).
- Zema na TV Globo: Caiado na TV Globo: como o ex-governador se saiu na entrevista? Veja as notas e avaliações dos colunistas do GLOBO
- Com qual candidato a presidente você mais se identifica? Faça o teste do GLOBO e descubra
Na sabatina desta quarta, Renan teve performance descrita como "fluente" e "preparada" pelos colunistas do GLOBO, que questionaram, no entanto, a defesa de ideias autoritárias e extremistas, o que rendeu a ele uma nota média 2,6, numa escala que vai de 1 a 5. Quanto maior o número atribuído pelo jornalista, melhor a atuação do candidato. A nota final é calculada a partir de uma média das pontuações atribuídas por cada colunista ao entrevistado. Entre os demais candidatos, Zema foi avaliado com nota média 2, e Caiado, com 1,4.
Depois de Renan, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) será o entrevistado da quinta-feira, dia 26. Na sequência, virão Flávio Bolsonaro (PL), na sexta, dia 28; e Augusto Cury (Avante), no sábado, dia 29. A ordem foi definida por sorteio, com a presença de representantes dos partidos.
Veja a avaliação de cada colunista
Merval Pereira (Nota 3): "Pelo menos, Renan parece menos artificial do que os antecessores, e sua atuação leva alguma esperança a quem acreditar nele".
Vera Magalhães (Nota 4): "Renan Santos repaginou a forma para o conteúdo radical e autoritário que defende. Adequou seu tom ao ambiente da TV aberta, em que falou pela primeira vez a uma grande audiência. Demonstrou conhecimento sobre os temas e tem potencial de obter ganhos com a entrevista".
Lauro Jardim (Nota 2): "Renan Santos confirmou o que já sabia sobre ele: é um bom comunicador de ideias ruins e contraditórias. Foi, como costuma ser, rápido nas respostas e, especificamente nesta entrevista, não comportou-se como um 'clown', um Pablo Marçal 2.0".
Thomas Traumann (Nota 1): "Renan Santos defendeu bomba atômica, banho de sangue, estado de defesa, decretação de 'inimigos do povo', desrespeito a decisões do STF e se colocou como candidato a ditador".
Míriam Leitão (Nota 2): "Renan Santos fala com fluência e é assertivo, mas defende ideias autoritárias e até ditatoriais. Ele demonstra que estudou os temas dos quais fala, apesar de ter propostas que são inaplicáveis, mas fala delas com tanta convicção que pode até convencer. Não consegue esconder a sua misoginia e a do seu partido. Se saiu melhor, na maneira como fala, do que os candidatos anteriores, mas com ideias totalmente deletérias se aplicadas".
Bela Megale (Nota 2): "Renan Santos adotou tom ameno, tem respostas rápidas e fala clara para o eleitor, mas o conteúdo de suas propostas assusta. O candidato do Missão tem a bomba nuclear como principal política internacional, propõe estado de exceção nas favelas, diz que não cumprirá decisões judiciais que ele próprio julgar ilegais e terceiriza políticas ambientais e de combate à violência contra mulher aos estados e municípios".
Pablo Ortellado (Nota 4): "A entrevista com Renan Santos contrasta muito com as de Romeu Zema e Ronaldo Caiado. Ele se mostrou muito preparado e capaz de defender com detalhes suas propostas mais controversas, como a de fazer a bomba atômica, de implementar o direito penal do inimigo e descumprir decisões do STF. Sua performance quase excelente é assustadora: defendeu teses autoritárias perigosas com aparência de bom senso. A ambiguidade entre lemas autoritários inflamados (banho de sangue, desobedecer o Supremo) e defesas razoáveis nuançadas é um perigo: se eleito, o lema radical terá sido legitimado pelo voto".
Fabio Graner (Nota 3): "Renan Santos tem muitas ideias equivocadas, contraditórias e mostra constantemente flertar com o autoritarismo. Porém, foi para a bancada da TV Globo muito mais preparado para falar das suas ideias e propostas do que seus antecessores. Também se mostrou bem mais calmo e educado do que no debate, em que abusou dos xingamentos. Aproveitou a oportunidade para se tornar mais conhecido".









