Maioria dos candidatos ao governo apoiados pelo PL deixa Flávio fora da estreia da propaganda eleitoral
Dos 22 postulantes aos governos estaduais que contam com apoio do partido, 14 não exibiram nem citaram presidenciável no primeiro programa; entre os oito que usaram Flávio, exposição variou de pedido de voto a fotografias
A maioria dos candidatos aos governos estaduais apoiados pelo PL deixou Flávio Bolsonaro (PL-RJ) fora da estreia da propaganda eleitoral na televisão nesta sexta-feira. Dos 22 nomes que contam com o partido do presidenciável em suas coligações, 14 não exibiram imagens nem fizeram menções ao senador no primeiro programa. Entre os oito que recorreram a Flávio, a exposição variou: houve pedido de voto, defesa explícita da candidatura presidencial e, em outros casos, apenas fotografias ou referências mais genéricas ao apoio da família Bolsonaro.
A ausência reúne situações políticas distintas. Há desde candidatos que receberam o apoio do PL em acordos estritamente estaduais e não fazem campanha para Flávio, casos de Ciro Gomes (PSDB), no Ceará, ACM Neto (União), na Bahia, e JHC (PSDB), em Alagoas, até aliados nacionais do presidenciável e integrantes do próprio PL que optaram por deixá-lo fora da largada. Estão nesse grupo Tarcísio de Freitas (Republicanos), em São Paulo, Marcos Rogério (PL), em Rondônia, Arthur Henrique (PL), em Roraima, Álvaro Dias (PL), no Rio Grande do Norte, Ricardo Marques (PL), em Sergipe, e Zucco (PL), no Rio Grande do Sul.
O resultado da estreia mostra um dos limites enfrentados por Flávio para converter a capilaridade eleitoral do PL nos estados em palanques para sua candidatura à Presidência. O partido montou uma rede ampla de alianças para os governos estaduais, inclusive com políticos que não integram o bolsonarismo e, em alguns casos, não apoiam o senador para presidente. Mas a opção de deixá-lo fora da primeira propaganda alcançou também candidatos alinhados nacionalmente ao presidenciável.
Isso ficou evidente em São Paulo. Tarcísio, que participa da estratégia nacional de Flávio e é um dos principais aliados do senador, concentrou sua estreia em realizações da própria gestão e não levou o candidato presidencial ao primeiro programa. A mesma escolha foi feita por Zucco. No Rio Grande do Sul, o candidato do PL recorreu à própria trajetória, lembrou o convite feito por Jair Bolsonaro para entrar na política, mas não mencionou Flávio.
No Ceará, Bahia e Alagoas, a explicação é diferente. Ciro, ACM Neto e JHC não colocaram Flávio em suas propagandas e tampouco fazem campanha para ele. Aliados envolvidos nas articulações ressaltam que os entendimentos com o PL foram construídos em torno das disputas estaduais e não incluíram compromisso de apoio na eleição presidencial. No Ceará, a campanha de Ciro já havia antecipado ao GLOBO que o primeiro programa não faria referência a nenhum candidato ao Planalto e que o ex-ministro estaria “100% focado no Ceará”.
Oito recorrem a Flávio
Entre os oito candidatos que associaram suas campanhas a Flávio já na estreia, também não houve uma estratégia uniforme. O presidenciável apareceu, foi citado ou teve seu apoio ressaltado nas propagandas de Maria do Carmo (PL), no Amazonas; Efraim Filho (PL), na Paraíba; Wellington Fagundes (PL), em Mato Grosso; Eduardo Riedel (PP), em Mato Grosso do Sul; Flávio Roscoe (PL), em Minas Gerais; Douglas Ruas (PL), no Rio de Janeiro; Sergio Moro (PL), no Paraná; e Jorginho Mello (PL), em Santa Catarina.
No Paraná, Moro fez uma das defesas mais explícitas da candidatura presidencial de Flávio. Ao dividir a disputa estadual entre adversários ligados a Lula e seu próprio campo político, pediu diretamente votos para o senador e o apresentou como a única alternativa competitiva contra o petista.
— O jogo no Paraná está claro. De um lado, os aliados do Lula, PT, PT e a esquerda radical. Do outro lado, os amigos do Lula, o Centrão na veia, o PSD e o MDB, que aqui no Paraná se apresentam como “sabor direita”. É por isso que eu peço seu voto e a sua confiança no 22 para o Flávio Bolsonaro, o único candidato com chances reais de vencer — afirmou Moro.
Em Minas, Roscoe também fez uma associação direta. Ao apresentar seu campo político ao eleitor, o candidato se referiu a Flávio como seu “xará” e “próximo presidente da República”. A escolha colocou a disputa presidencial já na largada de uma campanha estadual em que Roscoe também explora a proximidade com o deputado federal Nikolas Ferreira (PL-MG) e lançou o slogan “Minas é Flávio”, em referência aos dois candidatos.
Jorginho Mello seguiu caminho semelhante em Santa Catarina e pediu votos para Flávio. No Mato Grosso, Wellington Fagundes levou o presidenciável ao programa e reforçou a identificação de sua candidatura com o campo bolsonarista. Eduardo Riedel, por sua vez, também fez referência a Flávio na estreia, depois de já ter reafirmado publicamente o apoio ao senador na disputa pelo Planalto.
No Amazonas, Maria do Carmo optou por uma referência mais ampla e afirmou contar com o apoio de toda a família Bolsonaro. Na Paraíba, Efraim Filho não fez de Flávio um personagem central da peça, mas exibiu imagens do candidato presidencial para marcar visualmente a aliança entre os dois.
No Rio, Douglas Ruas também optou pela associação visual, sem citar Flávio em sua fala. Uma fotografia do candidato ao governo ao lado do senador e de Jair Bolsonaro aparece na propaganda, mas os pouco mais de dois minutos disponíveis foram usados principalmente para apresentar Ruas, ainda pouco conhecido pelo eleitorado.
Na peça, o candidato conta sua trajetória a partir da infância em São Gonçalo e de sua experiência na polícia e na gestão pública. O programa contrapõe o “Rio do cartão-postal”, da orla e das praias, ao que chama de “Rio Real”, formado pela Baixada, São Gonçalo, zonas Norte e Oeste e interior, e usa a segurança pública como principal eixo de apresentação.
— Meu nome é Douglas Ruas, tenho 37 anos, sou filho do Rio que não sai na novela — afirma.
Aliados de Flávio dizem que a exposição reduzida não representa resistência ao presidenciável, mas uma decisão de apresentar primeiro o candidato ao governo. A aposta no entorno do presidenciável é de que a associação ganhe espaço nos próximos programas.
No Senado, Flávio também fica fora de estreias
Flávio também não foi citado na estreia de todos os candidatos ao Senado que contam com seu apoio. Entre eles estão nomes de peso, como a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro, no Distrito Federal, e o ex-presidente da Câmara Arthur Lira (PP), em Alagoas, que deixaram o presidenciável fora do primeiro programa.
A ex-primeira-dama disse concorrer como uma missão dada por seu marido e exibiu imagens ao lado de Bolsonaro.
Nesse caso, porém, a comparação com as disputas estaduais exige uma ressalva. O tempo reservado à propaganda dos candidatos ao Senado é menor, o que reduz o espaço disponível para associações com candidatos à Presidência.









