Pesquisador Carlos Monteiro exalta as universidades públicas brasileiras ao receber o Prêmio Faz Diferença 2025 Ciência e Saúde
Epidemiologista foi eleito uma das pessoas mais influentes por jornal americano diante de pesquisas sobre alimentos sintéticos
Por O GLOBO — Rio de Janeiro
Atualizado
O professor e pesquisador da Faculdade de Saúde Pública da Universidade de São Paulo (USP) Carlos Monteiro recebeu, nesta quinta-feira, o Prêmio Faz Diferença 2025 na categoria Ciência e Saúde. O pesquisador foi uma das primeiras vozes, ainda em 2009, a estabelecer o conceito dos ultraprocessados e alertar sobre os riscos de uma dieta baseada nesse tipo de alimento. A premiação foi realizada na Casa Firjan, no Rio de Janeiro, e teve apresentação dos colunistas do GLOBO Ancelmo Gois e Míriam Leitão.
- Prêmio Faz Diferença 2025: veja a lista completa de vencedores
Ao receber o prêmio, Monteiro exaltou a independência dos pesquisadores das universidades públicas brasileiras.
— Sou fã da imprensa brasileira. Queria agradecer ao GLOBO e às pessoas que julgaram que nosso trabalho faz diferença. Aos meus colegas do Nupens, onde o conceito (de ultraprocessados) foi formado. Agradeço a USP, onde fiz minha formação acadêmica e onde trabalho há cinquenta anos — disse Monteiro. — Frequentemente me perguntam como essa descoberta aconteceu fora do circuito das grandes universidades como Cambridge, Oxford, Harvard. O principal motivo é que a USP pertence ao sistema de universidades públicas do Brasil, onde os pesquisadores são pagos pelo poder público, e onde as pesquisas são financiadas por agências de fomento públicas. Essa condição permite que temas que interessem à sociedade sejam pesquisados com total independência — disse ele, que recebeu o troféu das mãos de Adriana Dias Lopes, editora de Saúde de O GLOBO, e Bernardo Mello Franco, colunista do jornal.
Veja fotos da cerimônia de entrega do Prêmio Faz Diferença 2025
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Prêmio Faz Diferença 2025 - Gilberto Gil, eleito Personalidade do Ano — Foto: Alexandre Cassiano / Agência O Globo
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Vencedor na categoria Livros, o gestor cultural Afonso Borges recebe o Prêmio Faz Diferença 2025 da editora executiva do GLOBO Letícia Sander e do colunista Merval Pereira — Foto: Alexandre Cassiano / Agência O Globo
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A editora de Mundo Leda Balbino e o colunista Lauro Jardim entregam o Prêmio Faz Diferença 2025 categoria Mundo aos representantes do Centro Brasileiro de Relações Internacionais (Cebri) Julia Dias Leite, diretora-presidente da instituição, e José Pio Borges, presidente do Conselho Curador. — Foto: Guito Moreto / Agência O Globo
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Representando o Museu do Amanhã, Cristiano Vasconcelos, diretor executivo do museu, e Ricardo Piquet, diretor-geral do Instituto de Desenvolvimento e Gestão (IDG), recebem o Prêmio Faz Diferença 2025 categoria Rio do editor de Rio do GLOBO Rafael Galdo e do presidente da Light Alexandre Nogueira — Foto: Guito Moreto / Agência O Globo
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O pesquisador Carlos Monteiro recebe o Prêmio Faz Diferença 2025 categoria Ciência e Saúde da editora de Saúde do GLOBO Adriana Dias Lopes e do colunista Bernardo Mello Franco — Foto: Alexandre Cassiano / Agência O Globo
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O promotor Lincoln Gakiya, do Gaeco do MP-SP, é recebe o Prêmio Faz Diferença 2025 categoria Brasil do editor executivo do GLOBO Paulo Celso Pereira e do editor de Política e Brasil Thiago Prado — Foto: Guito Moreto / Agência O Globo
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O mesatenista Hugo Calderano agradece o Prêmio Faz Diferença 2025 categoria Esportes em vídeo, por não poder comparecer à cerimônia de premiação — Foto: Alexandre Cassiano / Agência O Globo
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A cantora e compositora Marisa Monte agradece em vídeo a conquista do Prêmio Faz Diferença 2025 categoria Ela — Foto: Alexandre Cassiano / Agência O Globo
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O cantor e compositor João Gomes, premiado na categoria Música do Prêmio Faz Diferença 2025, mandou um vídeo de agradecimento — Foto: Alexandre Cassiano / Agência O Globo
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O diretor Kleber Mendonça Filho agradece em vídeo o Prêmio Faz Diferença 2025 categoria Cinema — Foto: Alexandre Cassiano / Agência O Globo
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CINEMA - O ator Wagner Moura enviou um vídeo para agradecer o Prêmio Faz Diferença 2025 categoria Cinema — Foto: Foto: Alexandre Cassiano
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Vencedor na categoria Artes Cênicas, o ator Othon Bastos. O filho do ator recebe o Prêmio Faz Diferença 2025 do editor de Cultura do GLOBO Marcelo Balbio e da colunista Malu Gaspar — Foto: Alexandre Cassiano / Agência O Globo
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CINEMA - Vencedores: André Miranda (editor executivo), Ana Claudia Esteves (gerente de publicidade e mídia da Petrobras) e Nena Gonzalez. — Foto: Foto: Alexandre Cassiano
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A atriz Débora Bloch recebe o Prêmio Faz Diferença 2025 categoria TV e Séries das colunistas Patrícia Kogut e Vera Magalhães — Foto: Alexandre Cassiano / Agência O Globo
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Vencedora na categoria Educação, a professora Débora Garofalo recebe o Prêmio Faz Diferença 2025 de Flávia Barbosa, editora executiva do GLOBO, e de Thiago Bronzatto, diretor da sucursal de Brasília — Foto: Alexandre Cassiano / Agência O Globo
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Vencedora na categoria Economia, a pesquisadora da Embrapa Mariangela Hungria recebe o Prêmio Faz Diferença 2025 de José Roberto Marinho, vice-presidente do Conselho de Administração do Grupo Globo, e de Luciana Rodrigues, editora de Economia — Foto: Alexandre Cassiano / Agência O Globo
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Eleito Personalidade do Ano, Gilberto Gil recebe o Prêmio Faz Diferença 2025 de João Roberto Marinho, presidente do Conselho de Administração do Grupo Globo, e de Alan Gripp, diretor de redação — Foto: Guito Moreto / Agência O Globo
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Prêmio Faz Diferença 2025 - Categoria Indústria - Futuro do Rio: Michelin. — Foto: Alexandre Cassiano
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Monteiro criticou também o que chamou de as “novas formas de ultraprocessados”: as casas de apostas e redes sociais:
— O consumo de ultraprocessados contribui para doenças que afetam todo nosso sistema imunológico. Representa uma das principais causas preveníveis de mortes precoce. Esse consumo é uma fonte de núcleos extraordinários como bets, redes sociais e cigarros, outros negócios que geram doenças. A produção de ultraprocessados é dominada por gigantescas companhias transnacionais, que, com poder econômico, cooptam agências regulatórias e políticas que deveriam regulá-las. São os mercadores da dúvida. Infelizmente, nas universidades americanas e inglesas, os financiamentos de suas pesquisas têm origem nas companhias de alimentos ultraprocessados, mas não na USP, não no Brasil — ele disse.
Segundo o Núcleo de Pesquisas Epidemiológicas em Nutrição e Saúde (Nupens), fundado por Monteiro, os ultraprocessados já fazem parte de mais de 21% da dieta dos brasileiros. O número ainda é abaixo de países como Austrália e EUA, onde os produtos alcançam 42% e 58%, respectivamente, do consumo total de calorias por dia. Ainda assim, o número chama a atenção pelo crescimento.
O Faz Diferença é uma realização do jornal O GLOBO, com patrocínio da Firjan SESI e apoio da Petrobras, Light e Naturgy.









