‘Copacabana e o cheiro de maresia’: livro resgata memórias do bairro nos anos 1950 e 1960, antes da duplicação da Avenida Atlântica
Jornalista e professora Rose Esquenazi lança obra de autoficção na sexta-feira, na Livraria Travessa do Shopping Leblon; livro reúne lembranças da infância e de um bairro que viveu profundas transformações
Antes de se firmar como um dos endereços mais icônicos do Rio, Copacabana foi o quintal dos sonhos de infância da jornalista Rose Esquenazi. Nas décadas de 1950 e 1960, quando a Avenida Atlântica ainda não havia sido duplicada, o bairro era cenário de brincadeiras na rua, tardes na praia e descobertas que hoje sobrevivem na memória da autora. É esse cenário que ela resgata em "Copacabana e o cheiro de maresia", da Ipê das Letras, livro de autoficção que será lançado nesta sexta-feira, a partir das 19h, na Livraria Travessa do Leblon, na Zona Sul do Rio.
Ao longo da narrativa, Rose reúne lembranças das brincadeiras na rua, dos dias na praia e da rotina no colégio público. Entre as recordações está o antigo Lido, onde havia um lago com pequenos peixes ornamentais. Certa vez, alguns exemplares pescados pelo irmão da autora foram parar dentro de uma garrafa de licor e só foram descobertos dias depois, quando a mãe serviu a bebida a uma visita.
As memórias também passam pelos domingos dos anos 1960, quando as crianças deixavam a praia mais cedo para voltar para casa a tempo do almoço e do Teatrinho Trol, programa infantil exibido pela extinta TV Tupi.
— Aos domingos, nos anos 60, a praia ficava vazia mais cedo. As crianças corriam para casa a tempo de almoçar e assistir ao Teatrinho Tro. Eram histórias de bruxas, princesas e príncipes, castelos e florestas. Os atores eram maravilhosos, Norma Blum, Roberto de Cleto, Zilka Salaberry, Neide Aparecida — lembra.
Segundo a autora, as apresentações eram feitas ao vivo no início do programa e a estrutura dos estúdios da TV Tupi fazia parte do espetáculo.
— No começo, era tudo ao vivo e ninguém poderia imaginar a correria que acontecia nos estúdios. Tinha até bichos de verdade, além de folhagens e árvores inteiras que chegavam inteiras na emissora que ficava na Urca.
O livro acompanha também mudanças que alteraram a paisagem e a dinâmica do bairro. A duplicação da Avenida Atlântica, no início dos anos 1970, modificou o ciclo das ondas, enquanto a derrubada de casas e mansões abriu espaço para novos moradores mais próximos do mar. Além disso, a presença de artistas e músicos ligados à Bossa Nova e a chegada de turistas de diferentes partes do mundo ajudaram a consolidar Copacabana como um dos endereços mais cobiçados do país.
Neta de imigrantes do Leste Europeu, Rose Esquenazi dedicou mais de 40 anos ao jornalismo. Ao longo da carreira, passou pelo GLOBO, Jornal do Brasil, O Dia e Última Hora, além das revistas Caras e Fatos&Fotos. Também lecionou disciplinas no curso de Comunicação da PUC-Rio por quase quatro décadas.
Publicado pela Editora Ipê das Letras, "Copacabana e o cheiro de maresia" (Editora Ipê das Letras, 225 páginas, R$ 68,00) será lançado a partir das 19h desta sexta-feira, na Livraria Travessa do Shopping Leblon. A autora participará de uma conversa com o público.
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