<?xml version='1.0' encoding='UTF-8'?>
<rss xmlns:atom="http://www.w3.org/2005/Atom" xmlns:media="http://search.yahoo.com/mrss/" version="2.0">  <channel> <title>galileu</title> <link>https://revistagalileu.globo.com/</link> <description>Galileu</description> <language>pt-BR</language> <copyright>© Copyright Globo Comunicação e Participações S.A.</copyright> <atom:link href="https://pox.globo.com/rss/galileu/" rel="self" type="application/rss+xml"/> <image> <url>https://s2-home-globo.glbimg.com/02STlZZgd_48kL_lkpEIbvukPM4=/144x0/http://i.s3.glbimg.com/v1/AUTH_afd7a7aa13da4265ba6d93a18f8aa19e/pox/gcom.png</url> <title>galileu</title> <link>https://revistagalileu.globo.com/</link> <width>144</width> <height>144</height> </image>  <item> <title>"Sexto sentido” pet: como animais podem identificar emoções e doenças</title>  <atom:subtitle>Cães e gatos têm adaptações evolutivas que tornam seus sentidos muito mais aguçados que os de humanos, tornando-os capazes de notar condições que nos passam despercebidas</atom:subtitle>  <link>https://revistagalileu.globo.com/ciencia/biologia/noticia/2026/08/sexto-sentido-pet-como-animais-podem-identificar-emocoes-e-doencas.ghtml</link> <guid isPermaLink="true">https://revistagalileu.globo.com/ciencia/biologia/noticia/2026/08/sexto-sentido-pet-como-animais-podem-identificar-emocoes-e-doencas.ghtml</guid> <description>  <![CDATA[ <img src="https://s2-galileu.glbimg.com/Hl1rSedkRkNELBe0-_vetbwZaPk=/i.s3.glbimg.com/v1/AUTH_fde5cd494fb04473a83fa5fd57ad4542/internal_photos/bs/2026/i/K/tT1Jy3RpeakWYLhxiH5g/image2.jpg" /><br /> ]]>    Além de serem sinônimo de conforto e amizade para muitos humanos, os pets têm habilidades que parecem quase como um “sexto sentido”: eles podem saber estamos tristes, ajudar na detecção precoce de câncer ou até auxiliar em tratamentos para depressão e ansiedade. Mas como isso acontece? 
Cães e gatos são mais sensitivos que seres humanos quando o assunto é audição, olfato e detecção de mudanças químicas. Isso faz com que eles vejam, farejem e “sintam” coisas que podem passar completamente despercebidas para nós.
Um exemplo fascinante é o que cachorros podem ser treinados para “farejar” alguns tipos de cânceres, incluindo de mama, de bexiga e melanoma. O olfato é um sentido bem mais especial para os caninos do que para humanos, de forma que eles possuem cerca de 300 milhões de receptores olfativos na região nasal, enquanto nós temos uma média de 5 milhões.
A camada de muco que costuma ficar no focinho dos cães também é muito importante para reter e dissolver as partículas de cheiro do ar
Ivan Radic/Flickr
Há também o chamado recesso olfativo, ausente em humanos ou outro primatas e que se localiza atrás dos olhos dos cães. A estrutura é responsável por separar o oxigênio que vai para o pulmão das partículas de cheiro, essas que são processadas pelo cérebro. Um estudo divulgado pela revista científica Science descreveu que, mesmo após a expiração do animal, o odor não é expelido. 
“O que acontece é que, quando a doença começa a se desenvolver, assim como outras condições, já existe uma série de alterações no corpo. São alterações físicas, hormonais, e também mudanças na rotina e no comportamento das pessoas”, diz Renata Roma, psicoterapeuta e pesquisadora na Universidade de Saskatchewan, no Canadá, em entrevista à GALILEU.
É a partir da capacidade de detectar odores específicos em concentrações incrivelmente baixas que os cães se tornam poderosos aliados na identificação de cânceres e outras doenças como mal de Parkinson e malária. Um outro estudo, publicado em 2023 na revista científica Cancers, sugere que cães farejadores diagnosticam câncer de pulmão através de gases exalados, tendo uma taxa de diagnóstico o treinamento com amostras de respiração do que com as de tecido e urina.
Como destaca este artigo do The Conversation escrito pela professora de ciências animais da Universidade Nottingham Trent, Jacqueline Boyd, esses “cães de biodetecção” são inicialmente treinados para associar odores a uma recompensa, como um brinquedinho ou petiscos. Condicionados, eles irão tomar atitudes de aviso em resposta a seus tutores caso farejem alterações físicas e comportamentais.
Esse é o caso de Chilli, um cachorro de Londres que está em treinamento pelo Medical Detection Dogs para se tornar um cão farejador de infecções por Pseudomonas, um gênero de bactérias oportunistas. Confira um vídeo da instituição sobre o treinamento de Chilli:
Bichanos também sentem
Bichanos também têm sua porção de “superpoderes”, sendo capazes de detectar alterações no corpo humano, especialmente aquelas associadas às emoções de seus donos. Não é coincidência que gatos parecem “entender” as tristezas de um dia ruim, ficando fisicamente próximos e atentos aos nossos movimentos.
Especialista na relação entre saúde emocional, infância e vínculos com animais, Roma explica que esses seres são extremamente observadores. O tom da nossa voz, as microvariações da nossa expressão, a mudança na postura e até o ritmo de respiração podem ser notados por eles como parte de alterações de humor.
Publicado na revista científica Animal Cognition, um estudo com 12 gatos e seus tutores demonstrou que os bichanos tinham comportamentos específicos em diferentes estados de humor de seus donos, sendo que o mesmo não ocorria quando os gatos estavam juntos a estranhos. É como se eles aprendessem nossos próprios padrões de comportamento.
Apesar de não serem tão enérgicos quanto cães, gatos demonstram afeto e sentem o estado de seus donos de forma muito semelhante
Linnaea Mallette/Public Domain Pictures
“Quando juntamos tudo isso: percepção sensorial refinada, leitura de comportamento e processos de sincronização conseguimos entender essas ‘habilidades’ de forma científica, sem precisar recorrer a explicações sobrenaturais”, complementa Roma, que destaca que, mesmo com pesquisas promissoras, o campo de estudo ainda precisa avançar bastante.
Amigo do homem pré-histórico
Obviamente, essas formas de animais se conectarem com humanos não é algo que surgiu do nada. No caso dos cães, há um processo de domesticação que já dura mais de 15 mil anos, segundo um recente estudo publicado na revista científica Nature, responsável por encontrar o mais antigo registro genético de cães domésticos.
Não conseguimos editar diretamente o DNA dos caninos, mas a seleção artificial feita pela domesticação de lobos ancestrais resultou na predominância de características fisiológicas e sociais que priorizam atividades de caça, pastoreio e, claro, a companhia. Uma das teorias que explicam o porquê da sensitividade de gatos ser mais sútil é justamente o menor tempo de domesticação – entre 4 mil e 10 mil anos atrás.
Outras diferenças também podem ser observadas entre raças de uma mesma espécie, como destaca André Cavalieri, fundador da Dog Corner e especialista em comportamento animal. Raças como bloodhound, beagle e pastor alemão tem um desempenho melhor na detecção de odores, enquanto o border collie é ótimo para a atividade de pastoreio.
O bloodhound é considerado uma das raças de cachorro com o melhor faro do mundo e é muito utilizado em missões de rastreamento. Suas orelhas alongadas e pele rugosa também ajudam a reter as partículas de cheiro no ambiente
John Leslie/Wikimedia Commons
“Essas adaptações não surgiram para ‘prever’ nada, mas para responder com eficiência a mudanças no ambiente e nos indivíduos ao redor. No contexto de detecção de doenças, o fator mais determinante não é apenas a raça, mas o treinamento estruturado, que permite ao animal identificar padrões específicos com alta precisão”, diz Cavalieri em entrevista à GALILEU.
Aliados para a vida saudável
Além dos grandes serviços que os pets nos oferecem como sensores de doenças e emoções, eles podem nos trazer outros benefícios simplesmente por estarem presentes na nossa rotina. Diferentes pesquisas já relataram que ter cães, gatos e outros animais de estimação tem como resultado a melhoria na saúde física e mental.
Leia mais notícias:
Eles ajudam a aliviar a solidão da rotina e lidar com sintomas de ansiedade, da mesma forma que num estudo das universidades de Genebra, Zurique e Lausanne indicam que ter um cão ou gato de estimação ajuda a frear o envelhecimento cerebral. No estudo, enquanto os donos de cachorros apresentaram uma melhor retenção de memória imediata e tardia, os donos de gatos demonstraram um declínio mais lento em capacidades como fluência verbal.
“Para crianças, por exemplo, a convivência com pets ajuda no desenvolvimento de habilidades sociais importantes, como a empatia. Sabemos que crianças que convivem com animais de estimação, especialmente quando são tratados como membros da família, tendem a crescer com um olhar mais inclusivo”, complementa Roma. Ela ressalta que nossos companheiros participam muito da nossa sociabilidade, facilitando interações e ajudando na criação de vínculos com outras pessoas.  </description>  <media:content url="https://s2-galileu.glbimg.com/Hl1rSedkRkNELBe0-_vetbwZaPk=/i.s3.glbimg.com/v1/AUTH_fde5cd494fb04473a83fa5fd57ad4542/internal_photos/bs/2026/i/K/tT1Jy3RpeakWYLhxiH5g/image2.jpg" medium="image"/>   <media:description>Segundo dados de 2024, o Brasil possui a terceira maior população de pets do mundo, com cerca 150 a 160 milhões de animais de estimação espalhados pelo país</media:description>   <media:credit>Reprodução/Magnific</media:credit>  <category>galileu</category> <pubDate>Sat, 29 Aug 2026 20:00:17 -0000</pubDate>  </item>  <item> <title>Como o desmatamento impulsiona vetores de Chagas e leishmaniose na Amazônia</title>  <atom:subtitle>Trabalhos em área rural do Acre mostram que a perda de cobertura florestal e o tempo de ocupação da terra alteram a ecologia dos insetos transmissores, elevando o risco dessas enfermidades</atom:subtitle>  <link>https://revistagalileu.globo.com/ciencia/meio-ambiente/noticia/2026/08/como-o-desmatamento-impulsiona-vetores-de-chagas-e-leishmaniose-na-amazonia.ghtml</link> <guid isPermaLink="true">https://revistagalileu.globo.com/ciencia/meio-ambiente/noticia/2026/08/como-o-desmatamento-impulsiona-vetores-de-chagas-e-leishmaniose-na-amazonia.ghtml</guid> <description>  <![CDATA[ <img src="https://s2-galileu.glbimg.com/jcMWFwCGskag0Swi1iGTIvkjq_c=/i.s3.glbimg.com/v1/AUTH_fde5cd494fb04473a83fa5fd57ad4542/internal_photos/bs/2026/E/c/7MpAtuSCqQQC53XdQ22A/59075.jpg" /><br /> ]]>    Pesquisas realizadas no Acre evidenciam diferentes efeitos do desmatamento na dinâmica da leishmaniose e da doença de Chagas na Amazônia. Os cientistas descobriram que áreas devastadas há mais tempo concentram maior abundância de mosquitos-palha, transmissores do protozoário do gênero Leishmania. Também mostraram que paisagens com menor cobertura florestal aumentam a probabilidade de barbeiros estarem infectados pelo parasita da doença de Chagas, sobretudo próximo a moradias.
Esses resultados – frutos de investigação liderada pelo biólogo Gabriel Laporta, do Centro Universitário Faculdade de Medicina do ABC (FMABC), e publicados nas revistas Parasites &amp; Vectors e PLOS One – ajudam a compreender mecanismos de transmissão de infecções endêmicas e podem contribuir para aprimorar a vigilância epidemiológica na região. Eles se somam a um terceiro trabalho, divulgado em 2025 pelo mesmo grupo, que detectou maior risco de malária em áreas parcialmente degradadas, com 50% de cobertura.
Essa tríade de estudos sobre a relação entre mudanças no uso da terra na floresta tropical e transmissão de doenças reforça a importância de incorporar indicadores ambientais a estratégias de saúde.
Além de malária e leishmaniose serem consideradas endêmicas na Amazônia, elas estão na lista de doenças tropicais negligenciadas (DTNs), juntamente com a de Chagas. A Organização Mundial da Saúde (OMS) classifica as DTNs como um problema de saúde pública, com cerca de 1,4 bilhão de pessoas afetadas. No entanto, recebem menos atenção e financiamento do que outras condições.
Nos trabalhos, os cientistas avaliaram a relação entre humanos e insetos vetores em diferentes paisagens – desde florestas preservadas até totalmente desmatadas – para investigar impactos das mudanças ambientais e o risco de infecções. Foram realizados levantamentos de campo em 20 pontos de um assentamento rural em Cruzeiro do Sul nos anos de 2022 e 2024. Considerado o segundo maior município do Acre (a noroeste do Estado, na margem esquerda do rio Juruá), o local tem enfrentado pressão constante de desmatamento.
“Embora a relação entre a perda de floresta e o aumento do risco de zoonoses já seja tratada, ainda precisamos de dados empíricos sobre como o desmatamento se associa mecanicamente a doenças vetoriais [infecções causadas por parasitas, vírus ou bactérias e transmitidas por invertebrados]. O projeto usa um assentamento rural no Acre como modelo de estudo, mas é possível fazer inferência para outras regiões da Amazônia. Com isso, a mensagem geral é: precisamos restaurar”, conta Laporta, autor correspondente dos artigos.
As pesquisas tiveram financiamento da FAPESP por meio de projetos e bolsa, além do Programa Iniciativa Amazônia+10, que visa apoiar pesquisa científica e desenvolvimento tecnológico sobre a floresta.
Agora, Laporta está buscando responder à mensagem dos trabalhos: deu início a uma nova etapa do estudo, com o objetivo de restaurar áreas degradadas com espécies nativas amazônicas para medir, ao longo do tempo, as variáveis de saúde. O primeiro passo foi digitalizar imagens do local e, com base em modelos parametrizados, fazer simulações da evolução de casos de malária após um processo de restauração. Também tem buscado o apoio da comunidade para desenvolver o trabalho de forma colaborativa – moradores vão ficar responsáveis pelo plantio.
“Já sabemos que existe um mecanismo que leva ao acometimento de doenças graves, com tratamento complicado em alguns casos. Não adianta somente desvendar o mecanismo ou a associação entre as coisas. É preciso criar maneiras de agir. Queremos fazer um estudo de intervenção ambiental, promovendo a restauração da floresta, para analisar o que acontece. É um projeto de longo prazo, mas precisamos ter ambição”, diz o biólogo à Agência FAPESP.
Os resultados
Para realizar o estudo sobre leishmaniose cutânea, os cientistas acompanharam áreas com diferentes coberturas florestais e avaliaram a transformação da paisagem associada a taxas de transmissão e de infecção. Também coletaram mosquitos-palha (flebotomíneos) e descobriram que Nyssomyia antunesi é a espécie dominante.
A leishmaniose é uma doença parasitária transmitida pela picada de fêmeas de mosquitos-palha infectadas por Leishmania. Além da forma cutânea (ou tegumentar), que provoca feridas na pele, podendo evoluir para lesões nas mucosas do nariz e da boca, há a visceral, que afeta órgãos internos e, em casos graves, leva à morte. O tratamento é feito com medicamentos específicos, dependendo da gravidade e das condições do paciente.
Em Cruzeiro do Sul, a taxa média anual de incidência de leishmaniose cutânea é de três casos por 10 mil habitantes (inferior às observadas em áreas mais desmatadas do Estado), afetando principalmente jovens do sexo masculino das zonas rurais.
A pesquisa indicou que a abundância de mosquitos-palha está mais ligada a quando ocorreu o desmatamento (ocupação humana) do que à cobertura florestal, já que os vetores conseguiram se estabelecer e permanecer por anos em ambientes modificados. Com isso, a quantidade de mosquitos-palha aumenta gradualmente à medida que os assentamentos se estabilizam e as atividades humanas persistem com o passar dos anos.
“Esse resultado me surpreendeu bastante. Achava que encontraríamos mais risco e abundância de flebotomíneos nas áreas de floresta, onde é mais úmido”, avalia Laporta. O biólogo destaca a importância de incluir o histórico de uso da terra nas ações de controle do vetor em áreas de transmissão de leishmaniose cutânea.
Foram realizados levantamentos de campo em 20 pontos de um assentamento rural em Cruzeiro do Sul nos anos de 2022 e 2024. Segundo maior município do Acre, o local tem enfrentado pressão de desmatamento
Francisco Leitão
Perto, não necessariamente dentro de casa
Em relação à doença de Chagas, o estudo mostrou que não é preciso que o barbeiro “colonize” as residências para que o risco aumente. Normalmente, o inseto se esconde em frestas de paredes nas casas, em entulhos ou em móveis parados por muito tempo.
Porém, o trabalho detectou que barbeiros (triatomíneos) infectados pelo parasita Trypanosoma cruzi ficam em palmeiras próximas às residências conforme o desmatamento aproxima as pessoas do ciclo silvestre do vetor.
“Os triatomíneos se escondem em dobras na base da folha da palmeira e fazem a hematofagia [alimentam-se de sangue] nos animais silvestres, hospedeiros do Trypanosoma cruzi. Depois, os insetos voam para as casas e têm contato com seres humanos. Vimos que a distância da palmeira até a casa é modulada pelo desmatamento. Em paisagens muito desmatadas, essa distância importa para a frequência de triatomíneos contaminados. Quanto menor a distância, maior a probabilidade de encontrá-los”, explica Laporta.
Para essa investigação, o grupo de cientistas selecionou, em cada local de amostragem, uma palmeira (da espécie Attalea) próxima a uma residência para coletar os barbeiros e analisou a contaminação dos insetos pelo parasita. De acordo com o estudo, o desmatamento remodela as interações hospedeiro-vetor-parasita, aumentando o risco de transmissão silvestre-humana.
A doença de Chagas é uma infecção transmitida de várias formas: pela ingestão de bebidas e alimentos contaminados com o parasita, ou pelas fezes do barbeiro infectado, quando entram em contato com feridas na pele ou mucosas após a picada.
Os sintomas mais comuns são febre por mais de uma semana, dor de cabeça, fraqueza intensa, inchaço no rosto e nas pernas. Com o tempo, se não houver tratamento adequado, podem surgir problemas no coração e no sistema digestivo. O principal medicamento é o benznidazol, fornecido pelo Sistema Único de Saúde (SUS).
Para desenvolver o projeto, o grupo conta com cientistas de várias especialidades – incluindo estatística, biologia molecular, veterinária e entomologia, responsáveis, por exemplo, por dissecar mosquitos-palha e barbeiros.
“Os trabalhos ficam melhores quando conseguimos discutir e interpretar as informações sob diferentes ângulos. Além disso, procuramos contribuir para a formação de novos pesquisadores, trazendo desde alunos da iniciação científica até os de mestrado e pós-doutorado. Essa heterogeneidade, com a mistura dos que estão em formação e seniores, agrega aspectos interessantes”, conclui Laporta.
Este artigo foi publicado originalmente pela Agência FAPESP  </description>  <media:content url="https://s2-galileu.glbimg.com/jcMWFwCGskag0Swi1iGTIvkjq_c=/i.s3.glbimg.com/v1/AUTH_fde5cd494fb04473a83fa5fd57ad4542/internal_photos/bs/2026/E/c/7MpAtuSCqQQC53XdQ22A/59075.jpg" medium="image"/>   <media:description>A investigação detectou que barbeiros infectados pelo parasita Trypanosoma cruzi ficam em palmeiras próximas às residências conforme o desmatamento aproxima as pessoas do ciclo silvestre do vetor</media:description>   <media:credit>Wandercleyson Abreu</media:credit>  <category>galileu</category> <pubDate>Sat, 29 Aug 2026 18:00:15 -0000</pubDate>  </item>  <item> <title>Novo telescópio da Nasa vai mapear área do espaço 100 vezes maior que o Hubble</title>  <atom:subtitle>Observatório será lançado neste domingo (30) e chega com promessa de registrar partes do espaço ainda incompreendidas pelos astrônomos</atom:subtitle>  <link>https://revistagalileu.globo.com/ciencia/noticia/2026/08/novo-telescopio-da-nasa-vai-mapear-area-do-espaco-100-vezes-maior-que-o-hubble.ghtml</link> <guid isPermaLink="true">https://revistagalileu.globo.com/ciencia/noticia/2026/08/novo-telescopio-da-nasa-vai-mapear-area-do-espaco-100-vezes-maior-que-o-hubble.ghtml</guid> <description>  <![CDATA[ <img src="https://s2-galileu.glbimg.com/5ZDu7EXRSeA5SOah2NXu4HcMH3g=/i.s3.glbimg.com/v1/AUTH_fde5cd494fb04473a83fa5fd57ad4542/internal_photos/bs/2026/e/M/xtUUZZSzSr97k2QGu9sw/image3.png" /><br /> ]]>    No domingo (30), a NASA (a agência espacial norte-americana) lançará o Telescópio Espacial Nancy Grace Roman com a promessa de mudar a maneira como os astrônomos estudam o universo. O novo observatório poderá mapear áreas do céu com um campo de visão cerca de 100 vezes maior do que o do Telescópio Espacial Hubble, responsável por importantes descobertas como a idade exata do universo e a expansão do cosmos.  
A expectativa é que as operações científicas comecem em janeiro de 2027. A partir daí, Roman deverá procurar mundos distantes, estrelas moribundas, aglomerados de galáxias e bilhões de outros objetos cósmicos. E, de quebra, pode ajudar a responder duas das perguntas mais difíceis da cosmologia contemporânea: do que são feitas a matéria escura e a energia escura?
Tanto o espelho do Roman mede 2,4 metros de diâmetro, a mesma medida que tem o espelho do Hubble. Mas, então, qual seria a diferença entre eles? Na verdade, leitor da GALILEU, o segredo está no tamanho das suas janelas. 
O novo observatório terá um Instrumento de Campo Amplo, o que quer dizer que ele será capaz de registrar especificidades dos cosmos nunca antes vistas. Isso acontece porque o próprio Hubble, quando comparado ao potencial do Roman, observou pouco do que há no “grande quintal” extraterrestre: algo em torno de 0,1% do céu noturno. 
No entanto, isso não significa que um telescópio substituirá o outro. O Hubble é excelente para observar pequenas regiões com grande detalhamento, enquanto Roman foi projetado para cobrir áreas enormes com mais rapidez. Como os dois conseguem detectar luz infravermelha, suas observações poderão ser combinadas para estudar o universo em diferentes escalas.
O que observar no espaço?
Enxergar mais céu aumenta as chances de encontrar raridades. Afinal, Roman poderá identificar objetos próximos da Terra e outros localizados a distâncias cósmicas, reunindo informações sobre estrelas em seus estágios finais de vida, novos planetas e até aglomerados de galáxias.
Mas, hoje, os cientistas têm demonstrado especial atenção àquilo que os olhos humanos – e, por vezes, nem os maquinários – são capazes de enxergar. Trata-se da matéria escura que, por não emitir luz, é quase impossível de ser avistada. Porém, algo que a “entrega” em meio à escuridão é como a sua gravidade influencia a maneira como galáxias e outras estruturas se organizam.
A matéria e a energia escuras formam cerca de 95% do universo, mas continuam a ter a sua natureza desconhecida pelos cientistas
PxHere
Outro integrante extraterrestre invisível é a energia escura. Ela está associada à expansão acelerada do universo. Somada à energia escura, ambas representam a maior parte do conteúdo cósmico. Isso quer dizer que tudo o que os cientistas já sabem sobre os cosmos é pouco se comparado ao que eles sabem (ou melhor, não sabem) sobre a matéria e a energia escuras. 
Para investigar esses componentes, pesquisadores pretendem usar as enormes quantidades de dados que Roman produzirá. Uma das técnicas envolve as chamadas lentes cinemáticas, que combinam imagens do telescópio com medições espectroscópicas para tentar determinar com maior precisão como a matéria está distribuída pelo universo.
O desafio é que transformar uma quantidade gigantesca de galáxias em respostas sobre a natureza do cosmos exige não apenas telescópios, mas também supercomputadores. Depois que o Roman identificar galáxias, calcular suas posições e medir diferentes características espaciais, os astrônomos poderão transformar essas informações em grandes catálogos e aplicar modelos físicos para descobrir o que eles dizem sobre a estrutura e a evolução dos corpos celestes.
É nesse ponto que entrarão os supercomputadores, afinal, é uma quantidade cósmica de informações que precisarão ser processadas. Os cálculos deverão ajudar a transformar os catálogos de galáxias em mapas e, a partir deles, estimar propriedades como a quantidade de matéria escura e energia escura existentes.
“Essa infraestrutura nos levará dos catálogos à interpretação cosmológica”, explicou Tim Eifler, líder do projeto, em comunicado. Ele ainda destacou que quando Roman começar a enviar seus dados, uma multidão de cientistas também estará olhando para eles, e não apenas um grupo seleto de cientistas.
O que mais daria para fotografar?
Quase todos os exoplanetas conhecidos foram descobertos indiretamente, quase um “sem querer querendo”. Em muitos casos, os astrônomos perceberam que um planeta existia porque ele provoca uma pequena queda no brilho de sua estrela ao passar diante dela.
A meta do Roman é encontrar exoplanetas ativamente, nada de deixar ao acaso. Tanto que o telescópio tentará fotografar diretamente planetas distantes. Para isso, o coronógrafo da sua estrutura usará uma combinação de máscaras, prismas, filtros, detectores e espelhos deformáveis para bloquear a luz extremamente intensa das estrelas. A ideia é reduzir o brilho da estrela hospedeira o suficiente para que os objetos muito mais fracos ao seu redor possam aparecer.
Exoplanetas é o nome dado a qualquer planeta que não orbite o Sol, a principal estrela da Via Láctea
Wikimedia Commons
O instrumento foi projetado para detectar planetas que podem ser até 100 milhões de vezes mais fracos que suas estrelas. Se funcionar como esperado, seu desempenho poderá ser de 100 a 1.000 vezes superior ao de coronógrafos espaciais existentes. Isso não quer dizer que o Roman encontrará vida alienígena, mas que a sua tecnologia poderá encontrar sinais de vida em outros sistemas planetários.
O problema é que, antes de conseguir observar esses mundos, cientistas precisarão descobrir onde estão os melhores alvos. Nesse caso, os astrônomos passam a contar com o auxílio de outros pesquisadores, sobretudo aqueles responsáveis por estudar atmosferas, climas e sistemas planetários para que seja possível prever onde estão esses novos mundos.

Por trás dessa preparação há uma questão prática, uma vez que o tempo de observação de um telescópio espacial é precioso. Como o coronógrafo estará tentando encontrar objetos extremamente fracos ao lado de estrelas muito brilhantes, os pesquisadores precisam calcular quanto tempo será necessário para detectar cada candidato sem desperdiçar tempo da missão.
Enquanto alguns cientistas estudam as atmosferas, outros vão analisar a estrutura dos sistemas extrassolares e identificar quais estrelas são melhores para calibrar o instrumento. Além disso, os astrônomos também poderão investigar buracos negros supermassivos, lentes gravitacionais, formação de galáxias, reionização e poeira cósmica.  </description>  <media:content url="https://s2-galileu.glbimg.com/5ZDu7EXRSeA5SOah2NXu4HcMH3g=/i.s3.glbimg.com/v1/AUTH_fde5cd494fb04473a83fa5fd57ad4542/internal_photos/bs/2026/e/M/xtUUZZSzSr97k2QGu9sw/image3.png" medium="image"/>   <media:description>O Telescópio Espacial Nancy Grace Roman está prestes a fornecer aos astrônomos uma visão do universo com a mesma nitidez do Telescópio Espacial Hubble, só que em uma escala muito maior</media:description>   <media:credit>NASA/ScienceDaily</media:credit>  <category>galileu</category> <pubDate>Sat, 29 Aug 2026 17:00:15 -0000</pubDate>  </item>  <item> <title>Essência popular de vapes pode fazer mal ao desenvolvimento do feto, diz estudo</title>  <atom:subtitle>Vanilina utilizada nos cigarros eletrônicos pode estar relacionada à dificuldades para engravidar e ao aborto espontâneo. É o que aponta um novo estudo</atom:subtitle>  <link>https://revistagalileu.globo.com/saude/noticia/2026/08/essencia-popular-de-vapes-pode-fazer-mal-ao-desenvolvimento-do-feto-diz-estudo.ghtml</link> <guid isPermaLink="true">https://revistagalileu.globo.com/saude/noticia/2026/08/essencia-popular-de-vapes-pode-fazer-mal-ao-desenvolvimento-do-feto-diz-estudo.ghtml</guid> <description>  <![CDATA[ <img src="https://s2-galileu.glbimg.com/obtjDIRw90zy8wNo-Xfk2AI4vtY=/i.s3.glbimg.com/v1/AUTH_fde5cd494fb04473a83fa5fd57ad4542/internal_photos/bs/2026/e/K/7VvM1jRhCJWLROLl7DyQ/image3.png" /><br /> ]]>    Pesquisadores da Universidade da Califórnia (Estados Unidos) descobriram que a vanilina, um aromatizante químico comumente usado nos cigarros eletrônicos, pode interferir no desenvolvimento embrionário dos fetos. O estudo que descreve a descoberta foi publicado na revista científica Human Reproduction em 12 de agosto.
Em comunicado, Prue Talbot, da Universidade da Califórnia, afirmou que o escasso conhecimento sobre como o uso de vapes pode afetar o desenvolvimento de embriões motivou a realização da pesquisa. Os exames laboratoriais foram feitos com o uso de células-tronco embrionárias humanas, sendo essas semelhantes às células encontradas em embriões humanos com cerca de três semanas de desenvolvimento.
A equipe de cientistas destacou que os testes não foram realizados em gestantes. Isso quer dizer que os resultados obtidos pelo estudo não podem comprovar que os mesmos efeitos ocorrem em gestações ou em embriões em desenvolvimento.
Acontece que Talbot e seus colegas propuseram investigar como os produtos químicos encontrados nos aerossóis dos vapes podem influenciar o desenvolvimento humano inicial e que tipos de danos celulares podem resultar disso. “Nos concentramos na vanilina porque ela é frequentemente usada em líquidos para cigarros eletrônicos, geralmente em altas concentrações, e porque sabíamos que as células embrionárias possuem um canal chamado TRPV4 em suas superfícies, que provavelmente se ligaria à vanilina”.
Foi então que os pesquisadores expuseram as células-tronco embrionárias cultivadas em placas de laboratório à concentrações que incluíram valores nanomolares e micromolares de vanilina. Além disso, eles também testaram as células com uma substância inibidora da ligação entre a vanilina e o TRPV4.
Resumo dos principais resultados obtidos pelos pesquisadores do estudo
BioRender/Human Reproduction
Talbot contou que um dos resultados observados pela equipe foi de que o canal TRPV4 é significantemente afetado pela vanilina. Porém, antes de te explicar como, leitor da GALILEU, precisamos dar uma “voltinha” em outras explicações da biologia humana.
A começar que as células-tronco embrionárias são pluripotentes, o que quer dizer que elas podem se desenvolver em quase qualquer outro tipo de célula do corpo (não à toa elas são utilizadas à rodo em diferentes procedimentos cirúrgicos). Durante o desenvolvimento embrionário normal, elas são as responsáveis por dar origem à três tipos de células: endoderme, ectoderme e mesoderme. 
“Descobrimos que concentrações micromolares tendiam a matar as células [e] concentrações nanomolares faziam com que as células perdessem a pluripotência”, disse Talbot. “A vanilina também fez com que as células-tronco se diferenciassem em endoderme, em vez de ectoderme ou mesoderme” e é a partir desse ponto que a descoberta foi feita, afinal, essas alterações são potencialmente muito graves e podem impedir o desenvolvimento saudável dos embriões.
Além disso, os cientistas também descobriram que concentrações nanomolares de vanilina ocasionam o influxo do cálcio. O mineral, por sua vez, ativa eventos subsequentes que também resultam na perda da pluripotência e na diferenciação das células-tronco embrionárias em endoderma.
Qual é a relação com o desenvolvimento embrionário?
Sem levar em consideração as diferenças intelectuais, anatômicas e das fases da vida, podemos generalizar que os bebês são uma versão em miniatura dos adultos. Essa comparação quer dizer que, necessariamente, os mini-humanos possuem tecidos, órgãos, músculos e todo o combo que têm direito.
Agora, toda essa constituição depende daqueles tipos primários de células e, claro, das células-tronco do embrião. Em outras palavras, se um feto não conseguisse formar o ectoderma, o sistema nervoso não se desenvolveria. Já sem o mesoderma, muitos outros tecidos, incluindo os músculos, também não se formariam adequadamente.
Imagine só o que aconteceria com esses pequenos seres humanos se possuíssem apenas o endoderma, já que é o único tipo de célula formada quando há vanilina no organismo.
É durante o desenvolvimento embrionário que o três tipos principais de células (endoderme, mesoderme e ectoderme) formam as principais estruturas do corpo humano
Wikimedia Commons
Então, por que gestantes continuam a fumar vape mesmo durante a gestação? Bem, há uma série de explicações, desde fatores psicológicos até comportamentais, mas vamos nos deter em apenas uma explicação: falta de informação. “As [pessoas] gestantes nem sempre conhecem os produtos químicos presentes nos cigarros eletrônicos”, explicou Talbot.

Por isso mesmo, a equipe não somente aconselha que o uso de vapes seja interrompido durante a gestação, mas também reforça a necessidade de se ter mais políticas regulatórias para os produtores, como a obrigatoriedade da inclusão dos ingredientes utilizados na embalagem do produto.
Frente a essas possíveis mudanças, os cientistas têm testado outras substâncias químicas presentes nos cigarros eletrônicos. Em análises anteriores, eles descobriram que o mentol contribuí para doenças respiratórias e, agora, estão investigando os efeitos do WS-23, um composto químico sintético refrescante usado nos vapes.  </description>  <media:content url="https://s2-galileu.glbimg.com/obtjDIRw90zy8wNo-Xfk2AI4vtY=/i.s3.glbimg.com/v1/AUTH_fde5cd494fb04473a83fa5fd57ad4542/internal_photos/bs/2026/e/K/7VvM1jRhCJWLROLl7DyQ/image3.png" medium="image"/>   <media:description>Pesquisadores alertam que os efeitos da vanilina, essência popular na produção dos cigarros eletrônicos, ainda precisam ser estimados quanto ao tempo de exposição ao longo de dias, semanas, meses ou anos</media:description>   <media:credit>Wikimedia Commons</media:credit>  <category>galileu</category> <pubDate>Sat, 29 Aug 2026 15:00:15 -0000</pubDate>  </item>  <item> <title>Comida processada pode aumentar em 30% o risco de câncer de próstata </title>  <atom:subtitle>Pesquisa avaliou relação entre tumores de próstata e o consumo de alimentos processados em uma amostra de cerca de 17 mil homens americanos; veja mais</atom:subtitle>  <link>https://revistagalileu.globo.com/saude/noticia/2026/08/comida-processada-pode-aumentar-em-30percent-o-risco-de-cancer-de-prostata.ghtml</link> <guid isPermaLink="true">https://revistagalileu.globo.com/saude/noticia/2026/08/comida-processada-pode-aumentar-em-30percent-o-risco-de-cancer-de-prostata.ghtml</guid> <description>  <![CDATA[ <img src="https://s2-galileu.glbimg.com/F9POM-A4Mn77pF0IIZNSrr4k9V4=/i.s3.glbimg.com/v1/AUTH_fde5cd494fb04473a83fa5fd57ad4542/internal_photos/bs/2026/d/w/vU6s3bTYGbeigxuYy3gA/peter-secan-kkxbw9exn30-unsplash.jpg" /><br /> ]]>    Refrigerantes, cereais industrializados, salgadinhos e carnes processadas fazem parte do grupo dos alimentos ultraprocessados, tipicamente feitos com gorduras refinadas, óleos, açúcares, amidos, sais e aditivos químicas. Uma nova pesquisa da Universidade Atlântica da Flórida sugere que homens que consumem esse tipo de comida ​podem ter um risco até 30% maior de desenvolver câncer de próstata.
Várias pesquisas têm associado o consumo excessivo de alimentos ultraprocessados ​​a problemas de saúde, como câncer, alterações no metabolismo, aumento da inflamação e do estresse oxidativo, além de mudanças na microbiota intestinal. Contudo, ainda não se sabe se esses alimentos estão especificamente associados ao câncer de próstata. 
O estudo, publicado em 7 de agosto no The American Journal of Medicine, analisou dados de mais de 17 mil homens americanos com 18 anos ou mais que participaram no Inquérito Nacional de Saúde e Nutrição (NHANES) entre 2003 e 2023. 
Os pesquisadores analisaram dois registros alimentares de 24 horas de cada participante e calcularam a porcentagem de calorias diárias provenientes desses alimentos. Os voluntários foram então divididos em quatro grupos, desde aqueles que obtiveram menos de 20% de suas calorias de alimentos ultraprocessados ​​até aqueles que obtiveram mais de 44%. 
Em comparação com os homens no grupo de menor consumo de UPF (polipropileno ultraprocessado), aqueles nos três grupos de maior consumo apresentaram um risco 29% maior de câncer de próstata. Já os homens nos dois grupos de maior consumo apresentaram um risco 30% maior. 
Ajuste de parâmetros 
Quando os cientistas ajustaram os dados considerando a idade, raça e etnia, tabagismo e situação de pobreza dos participantes, o aumento do risco variou de 24% a 31%. "Entre homens adultos nesta população nacionalmente representativa dos EUA, aqueles que consumiram maiores quantidades de UPFs apresentaram riscos significativamente maiores de desenvolvimento subsequente de câncer de próstata", disse Charles H. Hennekens, autor sênior da pesquisa, em comunicado. 
Os autores da pesquisa descrevem seus achados como mais uma evidência de que as prioridades da indústria alimentícia podem entrar em conflito com as necessidades da população americana. Algo parecido acontece com o tabaco, cujos perigos para a saúde começaram a ser investigados em meados do século passado, mas décadas se passaram antes das primeiras políticas voltadas para reduzir o tabagismo. 
 "Essas descobertas somam-se às evidências emergentes de que os alimentos processados têm importantes efeitos adversos à saúde e reforçam a necessidade de estudos observacionais em larga escala e ensaios randomizados para testar adequadamente a hipótese", considera Hennekens. 
Em todo o mundo, quase 1,5 milhão de homens foram diagnosticados com câncer de próstata em 2022, de acordo com a Agência Internacional de Pesquisa sobre o Câncer. Além disso, cerca de 400 mil homens morreram da doença somente naquele ano. 
"Todos os profissionais de saúde devem incentivar os pacientes a adotarem práticas de estilo de vida saudáveis ​​e terapias baseadas em evidências, além de ajudá-los a reduzir o consumo de alimentos ultraprocessados", diz o pesquisador. "Pacientes e seus profissionais de saúde devem considerar essa descoberta como parte de esforços mais amplos para promover escolhas alimentares mais saudáveis".  </description>  <media:content url="https://s2-galileu.glbimg.com/F9POM-A4Mn77pF0IIZNSrr4k9V4=/i.s3.glbimg.com/v1/AUTH_fde5cd494fb04473a83fa5fd57ad4542/internal_photos/bs/2026/d/w/vU6s3bTYGbeigxuYy3gA/peter-secan-kkxbw9exn30-unsplash.jpg" medium="image"/>   <media:description>Novo estudo relacionou risco de câncer de próstata e o consumo de alimentos ultraprocessados</media:description>   <media:credit>Peter Secan/Unsplash</media:credit>  <category>galileu</category> <pubDate>Sat, 29 Aug 2026 13:53:32 -0000</pubDate>  </item>  <item> <title>Por que alguns homens têm mais dificuldade para perder peso? Estudo analisou</title>  <atom:subtitle>Pesquisa aponta que programas tradicionais de dieta são vistos como restritivos e associados ao público feminino. Desafios, competição e apoio de parceiros podem ser alternativas mais atraentes; entenda</atom:subtitle>  <link>https://revistagalileu.globo.com/saude/noticia/2026/08/por-que-alguns-homens-tem-mais-dificuldade-para-perder-peso-estudo-analisou.ghtml</link> <guid isPermaLink="true">https://revistagalileu.globo.com/saude/noticia/2026/08/por-que-alguns-homens-tem-mais-dificuldade-para-perder-peso-estudo-analisou.ghtml</guid> <description>  <![CDATA[ <img src="https://s2-galileu.glbimg.com/ZOq7UqN7T4ydEPuert4-X8mHxFQ=/i.s3.glbimg.com/v1/AUTH_fde5cd494fb04473a83fa5fd57ad4542/internal_photos/bs/2024/1/6/AuGFOhTACxDsTWrqfIBA/pexels-victorfreitas-949129.jpg" /><br /> ]]>    Programas tradicionais de perda de peso podem não estar conversando com uma parcela do público masculino. É o que indica um novo estudo, publicado em 26 de agosto na revista PLOS One, que investigou as motivações, experiências e preferências de homens que já tinham passado por iniciativas de emagrecimento ou planejavam perder peso.
O estudo, liderado pela Universidade Anglia Ruskin, na Inglaterra, é descrito pelos pesquisadores como o primeiro estudo acadêmico a investigar especificamente as motivações dos homens para perder peso, suas experiências pessoais e quais abordagens consideram mais atraentes. Para isso, foram entrevistados 24 homens do Reino Unido, todos com 30 anos ou mais e com experiência com sobrepeso.
Uma das principais barreiras identificadas foi a própria ideia de “dieta”. Os participantes frequentemente associavam o termo à restrição e à privação de alimentos de que gostavam. Por isso, mostravam-se relutantes em aderir a estratégias que consideravam exigir sacrifícios significativos. Como destaca um comunicado, um dos entrevistados chegou a definir a palavra “dieta” como negativa justamente por estar relacionada, em sua visão, à ideia de restrição.
Outro ponto recorrente foi a percepção de que fazer dieta é uma atividade predominantemente feminina. Segundo os participantes, o assunto aparece com frequência em redes sociais, revistas e outros meios de comunicação voltados às mulheres, mas não seria um tema tão presente nas conversas entre homens. Para alguns deles, participar de conversas e programas percebidos dessa maneira poderia provocar constrangimento e desconforto.
De acordo com os autores, os homens entrevistados eram mais propensos a rejeitar programas que considerassem direcionados às mulheres ou excessivamente restritivos. A receptividade aumentava, porém, quando a perda de peso era apresentada como um desafio competitivo ou como uma atividade compartilhada com a parceira.
O apoio dos cônjuges apareceu como outro elemento importante para manter o envolvimento com as mudanças a longo prazo. Muitos participantes disseram que seus parceiros tiveram papel central nas alterações de alimentação e eram vistos como pessoas com mais conhecimento e experiência sobre dietas. Para um dos participantes, por exemplo, o apoio da esposa foi um fator decisivo para conseguir continuar com o processo de dieta.
Com base nesses relatos, os pesquisadores sugerem que iniciativas voltadas ao público masculino poderiam apresentar a perda de peso de uma maneira diferente dos programas tradicionais. Em vez de enfatizar a ideia de “dieta”, uma possibilidade seria apostar em desafios pessoais, progresso visível, recompensas iniciais e elementos de competição. Esportes e atividades físicas voltadas para força ou resistência também poderiam ser incorporados.

Em comunicado, Justin Roberts, professor de Fisiologia Nutricional e coautor principal do estudo, afirmou que iniciativas desse tipo poderiam tornar os programas mais atraentes para os homens. Segundo ele, resultados rápidos e ganhos estéticos podem funcionar como estímulos iniciais antes mesmo de questões específicas de saúde. O pesquisador também aponta que programas destinados a casais ou que incluam um colega ou mentor podem ser particularmente úteis.
Os autores, no entanto, reconhecem que o estudo tem limitações. A pesquisa foi realizada com apenas 24 homens do Reino Unido, e estudos futuros com grupos maiores e mais diversos poderiam ampliar a compreensão sobre os comportamentos relacionados à perda de peso.  </description>  <media:content url="https://s2-galileu.glbimg.com/ZOq7UqN7T4ydEPuert4-X8mHxFQ=/i.s3.glbimg.com/v1/AUTH_fde5cd494fb04473a83fa5fd57ad4542/internal_photos/bs/2024/1/6/AuGFOhTACxDsTWrqfIBA/pexels-victorfreitas-949129.jpg" medium="image"/>   <media:description>Dados recentes do NHS England mostram que 70% dos homens na Inglaterra estão com sobrepeso ou vivem com obesidade, em comparação com 62% das mulheres</media:description>   <media:credit>Unsplash</media:credit>  <category>galileu</category> <pubDate>Fri, 28 Aug 2026 21:22:28 -0000</pubDate>  </item>  <item> <title>Novo colírio criado na Espanha restaurou a visão de ratos cegos</title>  <atom:subtitle>Tratamento experimental usa moléculas ativadas pela luz para substituir parte da função de fotorreceptores perdidos; técnica ainda precisa ser testada em humanos</atom:subtitle>  <link>https://revistagalileu.globo.com/saude/noticia/2026/08/novo-colirio-criado-na-espanha-restaurou-a-visao-de-ratos-cegos.ghtml</link> <guid isPermaLink="true">https://revistagalileu.globo.com/saude/noticia/2026/08/novo-colirio-criado-na-espanha-restaurou-a-visao-de-ratos-cegos.ghtml</guid> <description>  <![CDATA[ <img src="https://s2-galileu.glbimg.com/6Y_xXsBoI9smdo_xNQZjh_Ysmko=/i.s3.glbimg.com/v1/AUTH_fde5cd494fb04473a83fa5fd57ad4542/internal_photos/bs/2026/N/p/BTLRmHQRSsvlJjrWFZ2w/image1.jpg" /><br /> ]]>    Um novo colírio experimental desenvolvido por pesquisadores na Espanha restaurou a visão em ratos com degeneração da retina. O tratamento usa pequenas moléculas ativadas pela luz para substituir parte da função dos fotorreceptores, células responsáveis por detectar a luz e iniciar o processamento visual.
Os resultados, publicados em julho no Journal of the American Chemical Society, foram obtidos em modelos animais de degeneração macular relacionada à idade e retinose pigmentar. A estratégia não envolve terapia gênica nem implantes e, segundo os pesquisadores, poderá futuramente ser administrada de forma tópica, como um colírio.
Uma “prótese molecular”
Em doenças degenerativas da retina, os fotorreceptores morrem aos poucos. Parte do circuito nervoso localizado abaixo dessas células, porém, pode permanecer intacta — embora deixe de receber os sinais necessários para transmitir informações visuais ao cérebro. É justamente esse circuito remanescente que o novo tratamento tenta reativar. A técnica pertence à chamada fotofarmacologia, que utiliza medicamentos cuja atividade pode ser controlada pela luz.
Os pesquisadores desenvolveram uma família de moléculas chamada prosthe6, capaz de atingir os neurônios bipolares ON, células que normalmente recebem sinais dos fotorreceptores. “Essas moléculas não curam a cegueira, porque não atuam na causa da degeneração dos fotorreceptores. Mas são notavelmente eficazes na restauração da visão, e o fazem usando uma abordagem muito simples e potencialmente amigável para o paciente”, explica em comunicado o líder do estudo, Pau Gorostiza, pesquisador da Instituição Catalã de Pesquisa e Estudos Avançados no Instituto de Bioengenharia da Catalunha. 
A ideia é fazer com que essas moléculas funcionem como uma espécie de “prótese molecular”. Quando atingidas pela luz, elas mudam de estrutura e desencadeiam sinais na retina, substituindo parte da função que era desempenhada pelos fotorreceptores perdidos.
“Nosso objetivo era restaurar a visão usando um mecanismo molecular o mais próximo possível do funcionamento da retina saudável”, afirma Rosalba Sortino, pesquisadora de pós-doutorado no IBEC e coautora principal do estudo. “Em vez de contornar o processamento retiniano, buscamos reativá-lo exatamente no mesmo nível do circuito retiniano onde se encontram as células fotorreceptoras perdidas.”
Ratos cegos voltaram a evitar a luz
Os pesquisadores testaram a estratégia primeiro em larvas de peixe-zebra com deficiência visual. As moléculas restauraram os movimentos sacádicos dos olhos, um reflexo relacionado à percepção visual.
Depois, a equipe avaliou o tratamento em ratos com modelos de DMRI e retinose pigmentar. Um dos testes observou um comportamento natural dos animais: camundongos saudáveis costumam preferir ambientes escuros e evitar locais muito iluminados.
Os animais com degeneração da retina haviam perdido essa preferência. Depois de receberem a prosthe6, porém, voltaram espontaneamente a escolher áreas escuras.
Segundo os pesquisadores, o resultado indica que os animais conseguiram detectar diferenças de luminosidade e usar essa informação para orientar seu comportamento sem necessidade de treinamento.
Dois compostos, prosthe6-12 e prosthe6-15, apresentaram resultados especialmente promissores. A resposta foi observada tanto após injeção diretamente no olho quanto depois da aplicação tópica das moléculas em forma de colírio.
Outro ponto considerado importante foi a intensidade da luz necessária para ativar o tratamento. As moléculas funcionaram em níveis semelhantes aos encontrados em ambientes internos e ao ar livre em um dia nublado, sem exigir dispositivos que amplifiquem a luz.
Ainda falta testar em humanos
Apesar dos resultados, o colírio está longe de ser um tratamento disponível para pessoas. Os experimentos realizados até agora foram feitos em animais, e os pesquisadores ainda precisam avaliar a segurança, a duração do efeito e a formulação antes de avançar para possíveis ensaios clínicos.
A equipe estuda atualmente maneiras de prolongar a duração da resposta visual e aperfeiçoar a formulação. A tecnologia também foi patenteada e está sendo desenvolvida com apoio da Eyelumina, empresa derivada em formação.
“Transformar isso em uma terapia é um processo longo e trabalhoso”, diz Gorostiza. “Mas os resultados mostram que existe uma possibilidade realista de restaurar a visão de alta qualidade com medicamentos, de forma não invasiva, reversível e com um mecanismo independente da desordem retiniana específica ou da mutação genética, para alcançar a maioria dos pacientes.”
Se a estratégia funcionar em humanos, poderá representar uma alternativa às abordagens atualmente estudadas para doenças degenerativas da retina, como terapia gênica, optogenética e próteses eletrônicas. Por enquanto, porém, a promessa permanece restrita aos resultados obtidos em modelos animais.  </description>  <media:content url="https://s2-galileu.glbimg.com/6Y_xXsBoI9smdo_xNQZjh_Ysmko=/i.s3.glbimg.com/v1/AUTH_fde5cd494fb04473a83fa5fd57ad4542/internal_photos/bs/2026/N/p/BTLRmHQRSsvlJjrWFZ2w/image1.jpg" medium="image"/>   <media:description>Novo tratamento usa pequenas moléculas ativadas pela luz para substituir parte da função dos fotorreceptores</media:description>   <media:credit>azerbaijan_stockers/Magnific</media:credit>  <category>galileu</category> <pubDate>Fri, 28 Aug 2026 20:47:17 -0000</pubDate>  </item>  <item> <title>Como cientistas estão usando narvais para coletar dados do ambiente</title>  <atom:subtitle>Mamíferos marinhos equipados com sensores alcançaram áreas remotas dos fiordes da Groenlândia e revelaram a presença de água do Atlântico em regiões pouco estudadas</atom:subtitle>  <link>https://revistagalileu.globo.com/ciencia/noticia/2026/08/como-cientistas-estao-usando-narvais-para-coletar-dados-do-ambiente.ghtml</link> <guid isPermaLink="true">https://revistagalileu.globo.com/ciencia/noticia/2026/08/como-cientistas-estao-usando-narvais-para-coletar-dados-do-ambiente.ghtml</guid> <description>  <![CDATA[ <img src="https://s2-galileu.glbimg.com/hLb1kgoOWNtO69F-iX-LODomCUE=/i.s3.glbimg.com/v1/AUTH_fde5cd494fb04473a83fa5fd57ad4542/internal_photos/bs/2026/P/f/J4wPlVSFKXVtsRtH0CUg/narvaly-u-beregov-zemli-frantsa-iosifa.jpg" /><br /> ]]>    Seis narvais (Monodon monoceros) equipados com sensores ajudaram cientistas a obter dados inéditos sobre temperatura, salinidade e profundidade das águas em Scoresby Sound, na costa leste da Groenlândia. O maior sistema de fiordes do mundo é uma das regiões menos conhecidas do ponto de vista oceanográfico, em grande parte porque os navios de pesquisa enfrentam dificuldades para alcançar áreas tão remotas no Polo Norte. 
“Os narvais têm estado em partes dos fiordes onde muito poucas medições foram feitas. E lá, a 300 km da costa, encontramos vestígios de água do Atlântico. É algo completamente novo que possamos demonstrar”, explica Mads Peter Heide-Jørgensen, professor do Instituto de Recursos Naturais da Groenlândia e responsável pelo estudo, em comunicado. Os detalhes das novas descobertas foram descritos em um artigo publicado nessa quarta-feira (26) na revista Science Advances. 
Coletores de dados animais 
Os narvais são mamíferos marinhos adaptados a águas frias e regiões de difícil acesso. Ao receberem sensores, eles podem funcionar como uma espécie de plataforma móvel de monitoramento: enquanto realizam seus deslocamentos habituais, os equipamentos registram características da água por onde passam. 
Um sensor CTD acoplado a um narval
Mads Peter Heide-Jørgensen
Esse método permite alcançar lugares que seriam difíceis ou caros de investigar com embarcações. Na região estudada, essa capacidade foi especialmente importante porque o oceano é formado por uma mistura de diferentes massas de água. Uma delas é a Água Polar, fria e originária do Ártico. A outra é a Água Intermediária Atlântica, que é mais quente e salgada e chega à região a partir do Oceano Atlântico. 
“Agora, de repente, temos medições de locais que podemos usar em nossos modelos, o que nos dá uma visão muito mais completa do oceano. É absolutamente fantástico usar os animais dessa maneira”, destaca Susanne Ditlevsen, professora da Universidade de Copenhague e coautora da pesquisa, também no comunicado. 
Água quente chega às geleiras 
Para entender melhor o que estava acontecendo em Scoresby Sound, os pesquisadores combinaram as medições feitas pelos narvais com registros oceanográficos históricos do WOD (Banco de Dados Mundial dos Oceanos). Com esses dois conjuntos de informações, a equipe elaborou um modelo que relaciona temperatura, salinidade e profundidade. 
Uma equipe de campo marcando um narval
Carsten Egevang
Os resultados indicaram uma mudança na composição das águas do sistema de fiordes. A camada de água atlântica ficou mais espessa, enquanto a camada superior de água polar se tornou mais fina.  
Mas mais importante do que isso, os pesquisadores ainda identificaram que a água atlântica, relativamente quente, consegue alcançar bacias profundas localizadas em frente às geleiras, a centenas de quilômetros para dentro dos fiordes. “Esta é a água que ajuda a derreter as geleiras. Basicamente estamos mostramos como a água quente tem contribuído para acelerar o processo de perda de gelo nas geleiras”, observa Heide-Jørgensen. 
Implicações para os estudos climáticos 
O significado dos resultados vai além do acompanhamento das águas do leste da Groenlândia. Segundo os pesquisadores, as novas medições também podem melhorar os modelos climáticos usados para estudar e prever mudanças no clima. 

Isso é relevante porque o derretimento das geleiras e da camada de gelo da Groenlândia libera grandes volumes de água doce no oceano. A mudança pode afetar a circulação oceânica e, consequentemente, influenciar padrões climáticos que vão muito além do Ártico. 
“Nos grandes modelos climáticos usados para prever as mudanças climáticas futuras, o derretimento das geleiras desempenha um papel fundamental”, avalia Ditlevsen. “Por isso, é crucial que aprimoremos nossa compreensão sobre esse fenômeno, principalmente porque a Groenlândia contém uma quantidade enorme de gelo.”  </description>  <media:content url="https://s2-galileu.glbimg.com/hLb1kgoOWNtO69F-iX-LODomCUE=/i.s3.glbimg.com/v1/AUTH_fde5cd494fb04473a83fa5fd57ad4542/internal_photos/bs/2026/P/f/J4wPlVSFKXVtsRtH0CUg/narvaly-u-beregov-zemli-frantsa-iosifa.jpg" medium="image"/>   <media:description>Os narvais conseguiram coletar dados em áreas que navios de pesquisa raramente ou nunca alcançam devido ao gelo marinho e à dificuldade de acesso</media:description>   <media:credit>Wikimedia Commons</media:credit>  <category>galileu</category> <pubDate>Fri, 28 Aug 2026 19:00:59 -0000</pubDate>  </item>  <item> <title>Estátua de pessoa montando leopardo com 11 mil anos é achada em ocupação humana antiga</title>  <atom:subtitle>Artefato encontrado no sul da Turquia pode desvendar o significado da relação entre humanos e animais na região</atom:subtitle>  <link>https://revistagalileu.globo.com/ciencia/noticia/2026/08/estatua-de-pessoa-montando-leopardo-com-11-mil-anos-e-achada-em-ocupacao-humana-antiga.ghtml</link> <guid isPermaLink="true">https://revistagalileu.globo.com/ciencia/noticia/2026/08/estatua-de-pessoa-montando-leopardo-com-11-mil-anos-e-achada-em-ocupacao-humana-antiga.ghtml</guid> <description>  <![CDATA[ <img src="https://s2-galileu.glbimg.com/jftcRA9z9jSRtruC3zOlT0buZOo=/i.s3.glbimg.com/v1/AUTH_fde5cd494fb04473a83fa5fd57ad4542/internal_photos/bs/2026/2/0/qBBFCqTMShkZ2WTHigIw/image2.png" /><br /> ]]>    Há cerca de 11 mil anos, alguém decidiu fazer uma estátua para eternizar uma cena que hoje, parece ainda mais inusitada: uma pessoa sentada nas costas de um leopardo. A escultura, que possui cerca de 70 centímetros de altura, foi encontrada por arqueólogos em Karahantepe, no sul da Turquia. Mas, o que também chama atenção é que a peça foi encontrada em seu local original, dentro de uma estrutura circular.
A descoberta aconteceu durante as escavações realizadas como parte do Projeto Patrimônio para o Futuro. Segundo Mehmet Nuri Ersoy, ministro da Cultura e Turismo da Turquia, a escultura foi produzida em um estilo “diferente de tudo o que já se viu” e, considerando que o sítio já é conhecido por esculturas enigmáticas de humanos e animais, isso não é pouca coisa.
Permitida a entrada de quase todos os animais
As escavações em Karahantepe começaram em 2019 e, desde então, o sítio arqueológico tem revelado novas estruturas e artefatos a cada temporada de explorações. O achado deste ano estava escondido dentro de uma construção circular com cerca de três metros de diâmetro, algo nunca visto antes.
O piso da estrutura era coberto por pedras e, ao longo de uma das paredes, havia uma plataforma. Foi ali que os arqueólogos encontraram a escultura posicionada no mesmo lugar em que aparentemente foi deixada. 
A obra combina duas figuras em uma única composição: de um lado, há uma pessoa sentada e, do outro, o leopardo que serve de apoio para ela. O resultado das figuras é uma cena bastante diferente das representações convencionais de animais encontradas em outros sítios neolíticos. Afinal, além de ter sido encontrada onde foi possivelmente deixada há 11 milênios, a representação recém-descoberta parece inverter um padrão já conhecido na arqueologia de Karahantepe. Veja abaixo:
Diferente das estátuas anteriormente encontradas na região, a recém-descoberta mostra um ser humano montado em um leopardo
Ministério da Cultura e Turismo da Turquia
A cena parece ser uma espécie de versão espelhada do “animal montado sobre um humano”, típico das estátuas já encontradas. Ao contrário do que se era esperado encontrar – isto é, o leopardo por cima do ser humano –, a nova obra apresenta uma inversão onde o ser humano é quem está montado no felino.
Mas, você, leitor da GALILEU, deve estar se perguntando: por que leopardos? Olha, ao que tudo indica, esses animais foram escolhidos a dedo. Acontece que esses predadores eram comuns na região e, provavelmente, representavam um desafio considerável para os caçadores. Fortes, perigosos e difíceis de enfrentar, poderiam ter adquirido um significado simbólico associado à coragem, à força ou à habilidade de quem conseguisse domá-los.
No entanto, ainda não dá para dizer que a pessoa representada na estátua recém-descoberta seja um herói, um caçador ou alguma figura de importância ritual. A relação que existia entre as espécies ainda permanece como uma incógnita aos arqueólogos 
Melhor amigo do leopardo
Karahantepe faz parte de uma paisagem arqueológica importante para entender os primeiros capítulos da vida sedentária humana. O assentamento foi construído por volta de 9750 a.C., na região de Şanlıurfa, onde também está localizado Göbekli Tepe, outro dos mais antigos sítios monumentais conhecidos.

E há um detalhe que torna essa descoberta mais interessante: os habitantes desses assentamentos pareciam ter uma queda por representar humanos e animais selvagens, seja de forma separada ou em conjunto.
Em 2022, pesquisadores encontraram em Sayburç, na região de Şanlıurfa, uma cena esculpida com dois leopardos, um touro e um homem segurando o próprio pênis. Já em 2023, arqueólogos encontraram em Karahantepe uma enorme estátua de aproximadamente 11 mil anos que representa um homem segurando o próprio pênis, possivelmente associada a um ancestral importante. Algo semelhante aparece no chamado Homem de Urfa, uma escultura em tamanho real encontrada perto de Göbekli Tepe em 1993.  </description>  <media:content url="https://s2-galileu.glbimg.com/jftcRA9z9jSRtruC3zOlT0buZOo=/i.s3.glbimg.com/v1/AUTH_fde5cd494fb04473a83fa5fd57ad4542/internal_photos/bs/2026/2/0/qBBFCqTMShkZ2WTHigIw/image2.png" medium="image"/>   <media:description>Arqueólogos desenterraram uma estátua de um homem montado em um leopardo em um sítio neolítico localizado no sul da Turquia</media:description>   <media:credit>Ministério da Cultura e Turismo da Turquia</media:credit>  <category>galileu</category> <pubDate>Fri, 28 Aug 2026 18:32:45 -0000</pubDate>  </item>  <item> <title>Por que macacos jogam pedras nas mesmas árvores há anos? Estudo descobriu; vídeos</title>  <atom:subtitle>O hábito de acumular pedras arremessando-as é um comportamento raro, potencialmente cultural, observado em quatro grupos de chimpanzés selvagens na África Ocidental. Estudo investigou por quê</atom:subtitle>  <link>https://revistagalileu.globo.com/colunistas/the-conversation/coluna/2026/08/por-que-macacos-jogam-pedras-nas-mesmas-arvores-ha-anos-estudo-descobriu-videos.ghtml</link> <guid isPermaLink="true">https://revistagalileu.globo.com/colunistas/the-conversation/coluna/2026/08/por-que-macacos-jogam-pedras-nas-mesmas-arvores-ha-anos-estudo-descobriu-videos.ghtml</guid> <description>  <![CDATA[ <img src="https://s2-galileu.glbimg.com/KfI2X0YU9DUhyM9CUiM8nVhElRE=/i.s3.glbimg.com/v1/AUTH_fde5cd494fb04473a83fa5fd57ad4542/internal_photos/bs/2026/u/Z/Wu9fZzRnmwrg0fPPfTSA/macaco-lancando-pedras.jpg" /><br /> ]]>    Ao caminhar pela paisagem de savana e bosque do Parque Nacional de Boé, na Guiné-Bissau, é possível encontrar uma árvore marcada por cicatrizes retorcidas e com um amontoado de pedras em sua base.
Mesmo que os chimpanzés tenham deixado o local, saiba que você deu sorte mesmo assim, pois se deparou com evidências de um comportamento raro — e potencialmente cultural — desses animais: o arremesso cumulativo de pedras.
Gravações em vídeo mostram chimpanzés-do-oeste selvagens — geralmente machos adultos — arremessando pedras contra árvores específicas e retornando a elas repetidamente para realizar esse comportamento.
Ao arremessar, os chimpanzés emitem o chamado "pant-hoot" — um sinal de comunicação alto e de longo alcance — e, por vezes, golpeiam repetidamente a árvore com as mãos e os pés, em um comportamento conhecido como "percussão em raízes tabulares".
Acabamos de retornar de uma área de estudo de campo na Guiné-Bissau, onde coletamos dados para investigar o contexto social e ecológico do arremesso cumulativo de pedras, buscando entender o que esses chimpanzés tentam comunicar.
Dada a nossa proximidade evolutiva com os chimpanzés, esperamos que o arremesso cumulativo de pedras possa nos ajudar a compreender o surgimento da comunicação complexa e do uso de ferramentas de pedra ao longo da evolução humana.
Um comportamento cultural
O "pant-hoot" (som característico) e a percussão em raízes tabulares fazem parte das exibições dos chimpanzés machos, o que sugere que o arremesso cumulativo de pedras pode representar uma modificação desse comportamento comum. Trata-se, provavelmente, de um comportamento cultural, devido à sua distribuição restrita e ao fato de que a disponibilidade de pedras e árvores não garante a existência de um local de arremesso cumulativo de pedras.
Pesquisas anteriores sugerem que o comportamento de acumular pedras arremessadas tem, provavelmente, caráter comunicativo ou pode até mesmo ter um propósito simbólico, com esses locais demarcando pontos importantes dentro do território dos chimpanzés.
No entanto, ainda não sabemos qual é o significado desses locais de acúmulo de pedras para os próprios chimpanzés, nem por que eles realizam essa prática. Embora alguns primatas utilizem ferramentas de pedra para obter alimento — como, por exemplo, para quebrar nozes —, o acúmulo de pedras arremessadas é um exemplo raro de uso de ferramentas de pedra em um contexto social. Até o momento, esse comportamento foi observado em apenas quatro grupos de chimpanzés na África Ocidental.
Montando acampamento
Viajamos para o remoto território dos chimpanzés de Boé, na Guiné-Bissau, e estabelecemos nossa base em Béli, um pequeno vilarejo onde a organização não governamental holandesa Chimbo mantém uma instalação, em colaboração com a população local. Pesquisadores visitantes e turistas podem se hospedar no local e utilizar um espaço de trabalho abastecido por energia solar.
Partindo de Béli, percorremos 22 quilômetros — entre trechos de bicicleta e caminhada — pela região de savana e bosque para montar um acampamento de campo com nossos dois assistentes de campo, Djei Baldé e Balu Séra, e uma estudante de mestrado do Laboratório de Comportamento de Grandes Símios, Taylor Tippett.
Os chimpanzés de Boé que exibem esse comportamento não estão habituados à presença humana; eles não estão acostumados com pessoas, o que significa que não podemos observá-los a pé, pois eles fogem. Por isso, coletamos dados comportamentais utilizando armadilhas fotográficas e equipamentos de gravação.
A autora Ammie Kalan e o assistente de campo Balu Séra instalaram uma câmera de monitoramento perto de um local de acúmulo de pedras arremessadas
Taylor Tippett/Reprodução
Instalamos duas câmeras de vídeo em cada local de acúmulo de pedras arremessadas e posicionamos estrategicamente os dispositivos de gravação para captar áudio das áreas ao redor desses locais.
Nosso acampamento ficava às margens do Fefine, um grande rio que mantém seu fluxo mesmo durante a estação seca. Em uma paisagem de savana arborizada, onde as fontes de água são escassas, rios como o Fefine são fundamentais tanto para a vida selvagem quanto para os seres humanos. Registramos a presença de vários de nossos vizinhos nas câmeras instaladas perto da margem do rio.
Um hipopótamo captado pela câmera junto ao rio, perto do nosso acampamento
Robyn Nakano
Ninhos de chimpanzés
Em um dia típico, acordávamos por volta das 6h30 e tomávamos um café da manhã leve antes de seguir para um conjunto de dois a cinco locais. Lá, substituíamos os cartões SD e as baterias das câmeras, verificávamos se os equipamentos estavam funcionando corretamente e coletávamos quaisquer dados adicionais necessários, incluindo medições da árvore e escaneamentos 3D de pedras arremessadas contra ela, para posterior análise.
Ao longo do trajeto, registrávamos observações de ninhos de chimpanzés, vestígios de alimentação, vocalizações e avistamentos.
Os dados de vídeo e áudio que coletamos nos permitirão investigar os aspectos sociais do comportamento de acumulação de pedras arremessadas, incluindo a idade e o sexo do indivíduo que arremessa a pedra e do público (outros chimpanzés nas proximidades que possam reagir ao arremesso). Essas informações podem nos ajudar a determinar o que os chimpanzés estão tentando comunicar.
Constatamos que a maioria dos locais identificados inicialmente pelo Programa Pan-Africano — e revisitados por nossa equipe em 2017 — continuava em uso durante nossa recente expedição a campo; isso significa que os chimpanzés podem utilizar esses locais por mais de uma década.
Nosso acampamento, com uma cobertura construída por nossos guias
Taylor Tippett
A ameaça da mineração de bauxita
Como muitas espécies de primatas enfrentam ameaças decorrentes de atividades humanas, comportamentos culturais e a manutenção de ricos repertórios culturais podem ajudá-las a se adaptar a mudanças ambientais e contribuir para a conservação.
Além de sua potencial importância comunicativa e de seu valor intrínseco como comportamento cultural, o hábito de acumular e arremessar pedras envolve uma cultura material duradoura dos primatas; a perda desse hábito representaria o apagamento de um patrimônio desses animais.
Infelizmente, o habitat dos chimpanzés na Guiné-Bissau está ameaçado por indústrias extrativistas, particularmente pela mineração industrial. Durante o trabalho de campo, encontramos perfurações resultantes da exploração de bauxita.
A mineração de bauxita representa uma oportunidade significativa de crescimento econômico e desenvolvimento para a Guiné-Bissau. No entanto, também pode causar a destruição do habitat e poluição, com efeitos gravemente prejudiciais para os chimpanzés, a vida selvagem e as populações locais — tal como já ocorreu na vizinha Guiné.
A fiscalização e a regulamentação ambientais são extremamente necessárias, especialmente diante dos desafios adicionais impostos pela instabilidade política na Guiné-Bissau.
A bauxite mining site in 2017 near the village of Sangaredi in Guinea
Ammie Kalan
Ao estudar e chamar a atenção para comportamentos culturais dos chimpanzés, como o arremesso cumulativo de pedras, esperamos apoiar a conservação desses animais e a manutenção da biodiversidade de forma mais ampla, bem como a preservação de materiais culturais de primatas para futuras pesquisas e atividades educacionais.
Este artigo foi escrito por Robyn Nakano, doutoranda no Laboratório de Comportamento de Grandes Símios da Universidade de Victoria e Ammie Kalan, professor assistente do Departamento de Antropologia da Universidade de Victoria, e publicado originalmente no site The Conversation.  </description>  <media:content url="https://s2-galileu.glbimg.com/KfI2X0YU9DUhyM9CUiM8nVhElRE=/i.s3.glbimg.com/v1/AUTH_fde5cd494fb04473a83fa5fd57ad4542/internal_photos/bs/2026/u/Z/Wu9fZzRnmwrg0fPPfTSA/macaco-lancando-pedras.jpg" medium="image"/>   <media:description>Vídeo mostra chimpanzé arremessando rochas em árvore de floresta na Guiné-Bissau. Novo estudo descobriu por que isso acontece</media:description>   <media:credit>Hjalmar S. Kühl et al/YouTube</media:credit>  <category>galileu</category> <pubDate>Fri, 28 Aug 2026 16:00:33 -0000</pubDate>  </item>  <item> <title>Descobertas no interior de SP pegadas de mamífero gigante da era dos dinossauros</title>  <atom:subtitle>Marcas preservadas na Formação Botucatu sugerem que animal de cerca de 1,55 metro viveu há 130 milhões de anos em uma região que, à época, era um enorme deserto</atom:subtitle>  <link>https://revistagalileu.globo.com/ciencia/arqueologia/noticia/2026/08/descobertas-no-interior-de-sp-pegadas-de-mamifero-gigante-da-era-dos-dinossauros.ghtml</link> <guid isPermaLink="true">https://revistagalileu.globo.com/ciencia/arqueologia/noticia/2026/08/descobertas-no-interior-de-sp-pegadas-de-mamifero-gigante-da-era-dos-dinossauros.ghtml</guid> <description>  <![CDATA[ <img src="https://s2-galileu.glbimg.com/Tp3GWO_to9SRPiJjfkLGc3mXvzc=/i.s3.glbimg.com/v1/AUTH_fde5cd494fb04473a83fa5fd57ad4542/internal_photos/bs/2026/G/7/RfAUq3RDS1UB8BRkQhMw/big-mammal-l.webp" /><br /> ]]>    Pegadas encontradas na Formação Botucatu, no interior de São Paulo, indicam que mamíferos surpreendentemente grandes já circulavam entre os dinossauros há cerca de 130 milhões de anos. As maiores marcas chegam a 11,4 cm de comprimento e 13,4 cm de largura e, segundo os pesquisadores, podem ter sido deixadas por um animal de aproximadamente 1,55 m de comprimento — tamanho muito superior ao esperado pelos cientistas para os mamíferos que viveram antes da extinção dos dinossauros. 
A descoberta pode mudar a visão tradicional sobre os mamíferos do período Mesozoico, frequentemente retratados como animais pequenos e discretos, semelhantes a musaranhos ou esquilos atuais. Pelas características das pegadas, o bicho seria comparável em porte a um cão grande ou, possivelmente, até a um puma. 
O estudo foi encabeçado por pesquisadores da UEMG (Universidade do Estado de Minas Gerais), da UFRN (Universidade Federal do Rio Grande do Norte), da UERJ (Universidade do Estado do Rio de Janeiro), do UniSATC (Centro Universitário SATC) e da UFSCar (Universidade Federal de São Carlos). Osdetalhes foram descritos em um artigo publicado no dia 1º de agosto no Journal of South American Earth Sciences. 
Pegadas apontam para um mamífero de grande porte 
A principal evidência está no formato das marcas deixadas no solo. Embora não seja possível identificar com certeza qual espécie produziu as pegadas, os pesquisadores afirmam que elas se parecem com versões ampliadas de pegadas atribuídas a mamíferos e não correspondem aos padrões conhecidos para dinossauros ou crocodilos. 
Outro indício é a distância entre as marcas, que revela uma passada de aproximadamente 40 cm. A combinação entre o tamanho, o formato e o espaçamento das pegadas permitiu aos cientistas estimarem as dimensões do bicho que as produziu. 
Provisoriamente, a equipe classificou os vestígios como pertencentes à família Chelichnopodidae, um grupo definido a partir de pegadas de mamíferos. Eles, porém, optaram por não atribuir as marcas a uma espécie em particular. 
Um gigante em meio aos dinossauros  
A descoberta também desafia uma imagem muito difundida sobre a vida durante a chamada era dos dinossauros. Durante muito tempo, acreditou-se que os primeiros mamíferos eram predominantemente pequenos animais que ocupavam espaços ecológicos secundários e precisavam evitar predadores maiores. 
Ortofotos da trilha (A), desenho interpretativo do contorno (B), mapa de elevação em cores falsas (C) e mapa de inclinação com relevo sombreado de baixo ângulo (D) e trilhas individuais (E–G)
Buck et al.
Há evidências de que alguns mamíferos do período já caçavam dinossauros, mas os exemplos conhecidos envolviam animais bem menores. O novo achado levanta a possibilidade de que mamíferos de porte considerável também tenham ocupado posições mais relevantes na cadeia alimentar. 
As pegadas não permitem determinar diretamente a dieta do animal. Ainda assim, os autores consideram plausível que ele fosse onívoro. Nesse cenário, poderia ter se alimentado de mamíferos menores, invertebrados e outros recursos disponíveis e, eventualmente, até de dinossauros jovens ou de pequeno porte. 
Falta encontrar os ossos 
Apesar da importância das pegadas, os pesquisadores destacam que elas não respondem a todas as perguntas. Uma impressão deixada no solo pode revelar o tamanho aproximado, a forma dos pés e aspectos da locomoção de um animal, mas não mostra características como o formato do crânio, dos dentes ou do esqueleto. 
Há ainda uma dificuldade adicional. Os próprios autores observam que as condições em que muitas pegadas de vertebrados foram preservadas na Formação Botucatu podem ter simplificado suas formas e apagado detalhes anatômicos mais finos.  
“Este é, na verdade, um dos aspectos mais intrigantes da nossa descoberta”, aponta Hermínio Ismael de Araújo-Júnior, autor correspondente do estudo, ao portal IFLScience. “Atualmente, não se conhecem fósseis corporais de mamíferos do Jurássico ou do Cretáceo Inferior no Brasil, e o registro esquelético de mamíferos do Cretáceo Inferior em Gondwana como um todo é extremamente escasso. Isso torna as pegadas de Botucatu particularmente importantes.” 
Para o pesquisador, a própria natureza desértica da Formação Botucatu pode ajudar a explicar essa ausência. As mesmas condições que favoreceram a preservação das pegadas talvez não tenham sido ideais para conservar ossos e carcaças. “As melhores perspectivas podem estar em depósitos que representem ambientes locais mais favoráveis dentro desse ecossistema, ou temporalmente próximos a ele, onde as carcaças tiveram maior probabilidade de serem enterradas e preservadas”, destaca Araújo-Júnior. 
Registro pode estar incompleto 
A descoberta também abre uma possibilidade inesperada: a de que grandes mamíferos mesozoicos já tenham sido encontrados, mas não reconhecidos como tais. 

Segundo os pesquisadores, a visão tradicional de que os mamíferos do Mesozoico eram quase sempre pequenos pode ter influenciado a interpretação de fósseis fragmentários ou pegadas excepcionalmente grandes. 
Por enquanto, portanto, o animal permanece sem um nome e sem um esqueleto conhecido. Mas as marcas preservadas nas rochas da Formação Botucatu são suficientes para indicar que, em meio aos gigantes que dominavam os ecossistemas do passado, havia pelo menos um mamífero de dimensões muito maiores do que os cientistas imaginavam até então.  </description>  <media:content url="https://s2-galileu.glbimg.com/Tp3GWO_to9SRPiJjfkLGc3mXvzc=/i.s3.glbimg.com/v1/AUTH_fde5cd494fb04473a83fa5fd57ad4542/internal_photos/bs/2026/G/7/RfAUq3RDS1UB8BRkQhMw/big-mammal-l.webp" medium="image"/>   <media:description>Ilustração artística mostrando o maior mamífero conhecido da era dos dinossauros, capaz de caçar facilmente um dinossauro jovem</media:description>   <media:credit>Júlia d'Oliveira/Elsevier</media:credit>  <category>galileu</category> <pubDate>Fri, 28 Aug 2026 15:28:11 -0000</pubDate>  </item>  <item> <title>China suspende resgates na fronteira com Nepal devido a risco de nova enchente</title>  <atom:subtitle>Autoridades indicam que lago recém-formado após deslizamento de terra pode transbordar e provocar novos acidentes na região já devastada</atom:subtitle>  <link>https://revistagalileu.globo.com/ciencia/meio-ambiente/noticia/2026/08/china-suspende-resgates-na-fronteira-com-nepal-devido-a-risco-de-nova-enchente.ghtml</link> <guid isPermaLink="true">https://revistagalileu.globo.com/ciencia/meio-ambiente/noticia/2026/08/china-suspende-resgates-na-fronteira-com-nepal-devido-a-risco-de-nova-enchente.ghtml</guid> <description>  <![CDATA[ <img src="https://s2-galileu.glbimg.com/1pxrZ6CTxOd4um7VzF419MnUnFk=/i.s3.glbimg.com/v1/AUTH_fde5cd494fb04473a83fa5fd57ad4542/internal_photos/bs/2026/z/H/K3SPK0TWW6QM6cHq5IdQ/gettyimages-2292288290.jpg" /><br /> ]]>    A China suspendeu temporariamente as operações de resgate na região de fronteira com o Nepal e o Tibete diante do risco de uma segunda inundação, provocada pelo possível transbordamento de um lago formado após um deslizamento de terra. A elevação do nível da água levou equipes de emergência a deixar áreas consideradas perigosas, em meio ao temor de novos deslizamentos de terra e avalanches. Mais tarde, porém, as autoridades chinesas informaram que o risco estava sob controle e que as operações de resgate haviam sido retomadas. 
A nova ameaça surgiu apenas dois dias depois da enchente repentina que atingiu o Himalaia na quarta-feira (26) e matou centenas de pessoas, além de deixar milhares desaparecidas no Nepal e no Tibete. A FICV (Federação Internacional das Sociedades da Cruz Vermelha e do Crescente Vermelho) estima que cerca de 93 mil pessoas possam ter sido afetadas pelo desastre. 
“Nós estamos, obviamente, muito preocupados com a segunda inundação”, afirmou David Fisher, chefe da delegação da organização no Nepal, em coletiva de imprensa, segundo a BBC. A FICV lançou ainda um apelo de emergência para arrecadar 25 milhões de francos suíços (cerca de R$ 160 milhões), destinados à resposta imediata e ao salvamento de vidas, e informou ter mobilizado sua rede internacional. 
Enchentes no Nepal
Lago formado por destroços aumenta alerta 
O principal foco de preocupação está em um chamado “lago de barreira”, uma massa de água que se forma quando pedras, terra, gelo e outros detritos bloqueiam o curso de um rio. O fenômeno pode ser perigoso porque a água fica represada atrás da barreira e pode ser liberada de maneira repentina caso a estrutura ceda. 
Nesse caso, o bloqueio ocorreu na confluência dos rios Chhochen Khola e Purepu Tsangpo, perto do pico Langtang Lirung, na mesma região associada à geleira cujo colapso teria desencadeado a primeira inundação. 
Nesta sexta-feira (28), o lago já acumulava cerca de 2,5 milhões de metros cúbicos de água, de acordo com a BBC. As autoridades chinesas estimavam ainda que outros 3 milhões de metros cúbicos poderiam chegar ao local nos dias seguintes, aumentando a pressão sobre a barreira natural. O Ministério de Recursos Hídricos da China classificou como “alto” o risco de rompimento. 
O jornal The New York Times informou que as chuvas previstas para os três dias seguintes poderiam elevar o volume do lago para mais de 176 milhões de pés cúbicos, ou cerca de 5 milhões de metros cúbicos de água. Tal volume é equivalente a aproximadamente 2 mil piscinas olímpicas. 
O temor, no entanto, não se restringe ao transbordamento do lago. Uma nova descarga de água poderia atingir encostas que já foram enfraquecidas pela primeira enchente e provocar novos deslizamentos de terra e avalanches. 
Especialistas veem risco, mas descartam cenário igual ao inicial 
Especialistas em geleiras e recursos hídricos alertam que parte da montanha permanece instável e pode desabar. Novos blocos de gelo ou rocha que caiam no lago ou no rio poderiam agravar a situação. Ainda assim, a avaliação é de que uma eventual inundação provocada pelo lago provavelmente não teria a mesma dimensão da tragédia de quarta-feira, porque a formação é recente e relativamente rasa. 
Pesquisadores também destacam que o perigo pode continuar mesmo depois de a água baixar. As equipes de resgate precisam estar preparadas para possíveis ondas secundárias e novos deslizamentos, já que as paredes do vale foram erodidas e estão mais vulneráveis. 
Os especialistas avaliam ainda que não há condições práticas para esvaziar o lago artificialmente. Embora seja tecnicamente possível abrir um canal de drenagem com escavadeiras, o acesso ao local é difícil e não existem estradas adequadas para transportar máquinas pesadas até a área, de acordo com a BBC. 
Por isso, uma das possibilidades apontadas pelos pesquisadores é que a água escoe aos poucos. A redução do volume pode ocorrer naturalmente com o fim da temporada de degelo, fazendo com que o lago diminua gradualmente. 
A previsão de fortes chuvas e tempestades nos próximos dias aumentou a preocupação das autoridades chinesas, já que novas precipitações podem fazer o lago subir ainda mais. O jornal The Times of India relatou que o volume de água continuava crescendo e que as equipes chinesas chegaram a recuar para áreas mais seguras diante do risco de rompimento da barreira.  
O país mobilizou uma equipe de engenharia de oito integrantes para realizar levantamentos aéreos e modelagem em três dimensões do lago. Além disso, autoridades nepalesas alertaram para possíveis bloqueios em outros trechos dos rios Bhote Koshi e Trishuli e recomendaram que a população permaneça afastada dos cursos d’água até novo aviso. 
Centenas de mortos e milhares de desaparecidos 
A nova ameaça acontece em meio ao esforço para localizar vítimas da enchente repentina que atingiu a região na quarta-feira. De acordo com os números reunidos pelo The Times of India, ao menos 469 pessoas morreram no Nepal e 977 permaneciam desaparecidas, enquanto 1.545 haviam sido resgatadas. 
O jornal Al Jazeera apresentou uma contagem diferente, com pelo menos 389 mortos no Nepal e três no condado de Gyirong, no Tibete, onde 558 pessoas continuavam desaparecidas, incluindo 260 estrangeiros. As divergências refletem a atualização contínua dos balanços oficiais à medida que as equipes conseguem chegar a áreas isoladas. 
A primeira enchente foi atribuída por cientistas ao colapso de parte de uma geleira nas montanhas próximas a Langtang Lirung. O gelo e as rochas atingiram o rio e formaram temporariamente uma espécie de barragem natural. Quando essa barreira cedeu, uma grande onda de água e detritos avançou pelos vales. 
Segundo o Al Jazeera, a onda atingiu o rio Lhende Khola e, posteriormente, o Bhote Koshi e o Trishuli, levando lama, pedras e água para áreas do Nepal. Pontes e estradas foram destruídas, e comunidades inteiras ficaram cobertas de lama e escombros. 
Resgate enfrenta rios altos e acesso difícil 
As operações de busca mobilizaram milhares de soldados, policiais e equipes de emergência, além de helicópteros, drones e cães de busca. A combinação de mau tempo, rios ainda elevados, estradas destruídas e grande quantidade de lama dificulta o acesso às áreas mais atingidas e torna a própria operação de resgate mais arriscada. 
O The New York Times destaca que os socorristas passaram a estar entre os grupos mais expostos ao perigo de uma nova inundação, justamente porque trabalham em áreas próximas aos rios e às encostas instáveis. 
Mesmo com a retomada dos resgates após a avaliação de que o risco imediato do lago estava sob controle, as autoridades continuam monitorando o nível da água, as condições meteorológicas e a estabilidade das encostas. 

A preocupação agora é evitar que uma segunda onda atinja comunidades e equipes de emergência antes que a região consiga se recuperar dos efeitos da primeira enchente. O alerta também se estende às áreas rio abaixo, onde qualquer novo deslizamento ou rompimento de barreira pode provocar uma elevação rápida e perigosa dos níveis dos rios. 
Dessa forma, embora o risco imediato tenha sido considerado controlado pelas autoridades chinesas, a ameaça ainda não foi completamente eliminada. A evolução do lago, as chuvas previstas e a estabilidade das montanhas serão determinantes para definir se a região enfrentará ou não uma nova onda de inundação.  </description>  <media:content url="https://s2-galileu.glbimg.com/1pxrZ6CTxOd4um7VzF419MnUnFk=/i.s3.glbimg.com/v1/AUTH_fde5cd494fb04473a83fa5fd57ad4542/internal_photos/bs/2026/z/H/K3SPK0TWW6QM6cHq5IdQ/gettyimages-2292288290.jpg" medium="image"/>   <media:description>Enxurrada repentina no Nepal deixa centenas de desaparecidos em distrito na fronteira do Himalaia</media:description>   <media:credit>Ezra Arcayan/Getty Imagens</media:credit>  <category>galileu</category> <pubDate>Fri, 28 Aug 2026 15:13:25 -0000</pubDate>  </item>  <item> <title>Cyberbullying raramente vem de forma isolada e funciona como extensão da violência escolar</title>  <atom:subtitle>Estudo da Unifesp aponta que adolescentes envolvidos em múltiplos contextos de violência têm risco 11 vezes maior de adoecimento mental, reforçando a urgência de integrar o combate ao bullying à prevenção do uso de drogas nas escolas</atom:subtitle>  <link>https://revistagalileu.globo.com/saude/noticia/2026/08/cyberbullying-raramente-vem-de-forma-isolada-e-funciona-como-extensao-da-violencia-escolar.ghtml</link> <guid isPermaLink="true">https://revistagalileu.globo.com/saude/noticia/2026/08/cyberbullying-raramente-vem-de-forma-isolada-e-funciona-como-extensao-da-violencia-escolar.ghtml</guid> <description>  <![CDATA[ <img src="https://s2-galileu.glbimg.com/9pZYLbEtCP_kNUg6JhBTuSaJJ_Q=/i.s3.glbimg.com/v1/AUTH_fde5cd494fb04473a83fa5fd57ad4542/internal_photos/bs/2025/y/Q/MUIhxVTZW99Tugj6qABQ/cell.png" /><br /> ]]>    Um novo estudo realizado com 4,2 mil adolescentes revelou que o cyberbullying raramente acontece de forma isolada, funcionando quase sempre como uma extensão das agressões físicas e verbais que já ocorrem no ambiente escolar. Ao mapear os perfis de envolvimento dos estudantes, a pesquisa conduzida na Universidade Federal de São Paulo (Unifesp) descobriu que as fronteiras entre vítimas e agressores muitas vezes se misturam em um ciclo de violência que atravessa os mundos físico e digital.
Mais do que mapear as agressões, o levantamento traz um alerta preocupante: jovens presos a essa rede de múltiplos contextos de bullying apresentam uma forte associação com o sofrimento psicológico e o uso de substâncias como álcool e cigarro. Os dados foram publicados na revista Psychiatry Research.
Participaram da pesquisa estudantes do 7º ano do ensino fundamental até o 3º ano do ensino médio. Por meio de análises estatísticas, o trabalho identificou três perfis de adolescentes. A maior parte deles (48%) compõe um grupo que não apresenta relação relevante com nenhum tipo de violência. Logo em seguida, representando 46% da amostra, estão os jovens que sofrem bullying na escola com frequência e, em alguns casos, também o praticam, mas raramente se envolvem com o cyberbullying. Por fim, uma parcela menor (6%) forma o perfil mais complexo: os chamados vítimas-agressores em múltiplos contextos, que tanto sofrem quanto praticam agressões de maneira combinada, transitando intensamente entre o ambiente físico e o mundo on-line.
Embora seja o menor, este terceiro grupo é o que concentra as maiores vulnerabilidades. Mais da metade (52,4%) dos jovens classificados como vítimas-agressores em múltiplos contextos apresentam sintomas psicológicos em nível clínico, contra 12,5% entre os que não têm envolvimento com bullying – 11 vezes mais chance. Há maior associação com o uso de álcool, tabaco e outras drogas – sete em cada dez já beberam alguma vez na vida, e o uso de cigarro é quase três vezes mais frequente do que entre os colegas sem envolvimento em casos de agressão.
“A pesquisa mostra que a violência acontece com o mesmo jovem na escola e pela internet, apontando que o cyberbullying costuma ser uma extensão do conflito presencial. Temos que olhar para esse jovem envolvido em múltiplos contextos com muita atenção. Não é só o bullying. Inclui questões de saúde mental e o consumo de bebidas alcoólicas e outras drogas. Não tem como desconectar. Esse estudo reforça a evidência de que, no Brasil, não dá para fazer um programa apenas voltado à saúde mental, outro à prevenção ao uso de drogas e um terceiro contra o bullying, como muitas vezes vemos em escolas. Tudo está ligado”, diz a professora Zila Sanchez, chefe do Departamento de Medicina Preventiva da Unifesp e coordenadora do trabalho.
Nesse sentido, o estudo reforça a necessidade de programas escolares que integrem prevenção à violência, cuidados com a saúde mental e combate ao consumo de bebidas alcoólicas e outras drogas.
Como identificar
Sanchez explica que mudanças de comportamento típicas da adolescência tendem a ser passageiras. Porém, o sinal de alerta surge quando isolamento, agressividade, irritabilidade ou atitudes transgressoras se tornam frequentes e prejudicam os estudos, a convivência ou outras áreas da vida dos jovens.
De acordo com a professora, para classificar como bullying, o comportamento precisa ser recorrente e não se limita à agressão física. Pode envolver exclusão social, humilhações, ocultação de objetos, comentários sobre a aparência física e outros tipos de insultos. “A violência física acaba sendo a minoria, e há intervenção da escola para conter. Mas é preciso um olhar para o bullying de forma ampla. Os casos vão desde excluir com frequência o estudante das brincadeiras ou conversas, fazendo com que ele prefira ficar dentro da sala de aula mesmo durante o intervalo, até insultos pela aparência, pelo peso e outras características. Isso muitas vezes não é diagnosticado pela escola”, afirma à Agência FAPESP.
Desde 2024, o bullying e o cyberbullying passaram a ser considerados crimes pela legislação brasileira (Lei nº 14.811, de 12 de janeiro de 2024), tipificados, respectivamente, como “intimidação sistemática” e “intimidação sistemática virtual”, mediante violência física ou psicológica de modo intencional e repetitivo. Em casos de condenação, as penas variam de multa a reclusão de até quatro anos.
De acordo com o 20º Anuário Brasileiro de Segurança Pública, produzido pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública (FBSP), houve 4.549 registros policiais de bullying contra crianças e adolescentes em 2025 no Brasil, um crescimento de 68,2% em relação ao ano anterior. E outras 677 notificações de cyberbullying, aumento de 61,4% no mesmo período. Especialistas sinalizam que esse dado tende a refletir os casos mais graves, que extrapolam a escola, e que o salto é consequência da aplicação da nova lei, não somente um aumento da violência.
No entanto, a Pesquisa Nacional de Saúde do Escolar (PeNSE 2024), do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), revela uma tendência de crescimento do número de estudantes que declararam sofrer bullying no país – passou de 23%, em 2019, para 27% em 2024. Com isso, quatro em cada dez alunos de 13 a 17 anos afirmam já ter sido vítimas de agressão na escola.
Perfil observado
Um dos diferenciais da pesquisa foi buscar identificar padrões de comportamento dos adolescentes, analisando as associações com sintomas psicológicos, uso de drogas e fatores sociodemográficos. Além da avaliação por questionários on-line, os cientistas fizeram análises estatísticas, identificando agrupamentos probabilísticos que ajudam a compreender como diferentes formas e papéis da violência tendem a ocorrer juntos na amostra (classes latentes). Normalmente, estudos desse tipo usam uma abordagem centrada em recortes isolados – só agressão na internet ou só física – e dados separados.
Os resultados por gênero revelam que as meninas aparecem mais entre as vítimas de bullying, enquanto os meninos predominam no grupo de envolvimento em múltiplos contextos. Adolescentes mais novos e estudantes negros e pardos têm mais chance de estar no grupo de maior risco, o que reforça, segundo os pesquisadores, a importância de considerar desigualdades sociais e raciais nas estratégias de prevenção.
Um dos achados chamou a atenção: o tempo de tela não foi um fator de diferença entre os grupos, mesmo com a maioria dos estudantes passando quatro horas ou mais por dia on-line.
“Não conseguimos diferenciar, pela quantidade de horas, impactos entre os que estão expostos ao cyberbullying e os que não estão a nenhum tipo de violência. É muito mais pelo grupo com quem eles se envolvem no WhatsApp, por exemplo, que, em geral, é o mesmo da escola. Muitas vezes os pais pensam que tirar das telas protege os filhos. A proteção não é só pelo controle de tempo, mas pelo que o adolescente está fazendo, com quem interage e o que está acontecendo”, afirma Sanchez.
Ao tratar do papel dos pais, a professora lembra outro estudo, publicado por seu grupo com base em dados da mesma amostra, que revelou que as atitudes dos genitores continuam sendo um dos fatores mais relevantes na prevenção ao consumo de álcool e drogas entre jovens. Os dados indicam que a forma como os responsáveis educam seus filhos pode amenizar significativamente o risco, até mesmo em famílias em que os cuidadores usam essas substâncias, incluindo cigarro, vapes (cuja comercialização é proibida no Brasil) e maconha. A redução do risco torna-se mais significativa quando a relação entre as gerações é marcada por vínculo, presença, diálogo e regras claras.
As pesquisas coordenadas por Sanchez fazem parte do Prev.Action, Projeto Temático financiado pela FAPESP que avalia estratégias de prevenção ao uso de álcool entre adolescentes de quatro municípios no interior de São Paulo – Cordeirópolis, Iracemápolis, Salesópolis e Biritiba-Mirim. A FAPESP também apoiou o trabalho mais recente por meio de bolsas de Doutorado ao biomédico Augusto Henrique Roiz Druziani, primeiro autor do artigo, e de Pós-Doutorado a Luís Eduardo Soares dos Santos.
Da ciência à gestão pública
Ao analisar como é tratada a integração entre escola, família e serviços de saúde em programas de prevenção ao bullying, a problemas de saúde mental e ao uso de drogas pelos jovens, os pesquisadores detectaram lacunas em políticas públicas.
Parte desses achados contribuiu para a criação do Prisma, um programa implantado em 2026 no Estado de São Paulo, voltado a estudantes do 8º e 9º ano do ensino fundamental, com o objetivo de prevenir o uso de álcool e outras drogas, além de reduzir a violência no ambiente escolar.
O Prisma está sendo testado em 36 escolas estaduais de seis cidades, com a participação de quase 5 mil adolescentes. Os professores recebem formação, materiais didáticos e acompanhamento durante a aplicação. Já os jovens têm 12 aulas de prevenção ao uso de drogas, ao bullying e ao cyberbullying, além de educação emocional. Os primeiros resultados devem estar disponíveis após o acompanhamento previsto para o fim do ano.
“A semente começa com esse estudo financiado pela FAPESP para que a gente desenvolva um programa em parceria com o Estado. A pesquisa possibilitou testar na ponta uma política pública. O estudo identificou lacunas, orientou o aprimoramento das intervenções e levou seus resultados para a prática escolar”, conta Sanchez, que também está coordenando o programa.
Este artigo foi publicado originalmente pela Agência FAPESP  </description>  <media:content url="https://s2-galileu.glbimg.com/9pZYLbEtCP_kNUg6JhBTuSaJJ_Q=/i.s3.glbimg.com/v1/AUTH_fde5cd494fb04473a83fa5fd57ad4542/internal_photos/bs/2025/y/Q/MUIhxVTZW99Tugj6qABQ/cell.png" medium="image"/>   <media:description>Estudo com com 4,2 mil adolescentes revelou que o cyberbullying raramente acontece de forma isolada, funcionando quase sempre como extensão das agressões físicas e verbais que já ocorrem no </media:description>   <media:credit>Reprodução/Freepik</media:credit>  <category>galileu</category> <pubDate>Fri, 28 Aug 2026 12:06:04 -0000</pubDate>  </item>  <item> <title>Brasil constrói sua primeira armadilha de íons frios para computação quântica</title>  <atom:subtitle>Tecnologia desenvolvida no IFSC-USP mantém partículas de estrôncio isoladas e abre caminho para a produção, manipulação e emaranhamento de qubits</atom:subtitle>  <link>https://revistagalileu.globo.com/ciencia/noticia/2026/08/brasil-constroi-sua-primeira-armadilha-de-ions-frios-para-computacao-quantica.ghtml</link> <guid isPermaLink="true">https://revistagalileu.globo.com/ciencia/noticia/2026/08/brasil-constroi-sua-primeira-armadilha-de-ions-frios-para-computacao-quantica.ghtml</guid> <description>  <![CDATA[ <img src="https://s2-galileu.glbimg.com/Y3kRx5lLK8LK5N7yII3TgbqzsG4=/i.s3.glbimg.com/v1/AUTH_fde5cd494fb04473a83fa5fd57ad4542/internal_photos/bs/2026/l/d/5ABVWQQkiU2NHpFKtVLA/59058.jpg" /><br /> ]]>    Pesquisadores do Instituto de Física de São Carlos da Universidade de São Paulo (IFSC-USP) conseguiram, pela primeira vez no Brasil, aprisionar íons frios em uma armadilha, utilizando apenas campos elétricos para manter átomos eletricamente carregados confinados em uma região muito pequena do espaço. O experimento, realizado com íons de estrôncio, representa um passo inicial para o desenvolvimento no país de uma das principais plataformas utilizadas na computação quântica.
O experimento foi liderado por Amilson Rogelso Fritsch, Jovem Pesquisador apoiado pela FAPESP no âmbito do Programa QuTIa, sigla de Quantum Technologies Initiative. Os resultados foram obtidos apenas 18 meses depois do início do projeto.
“Como os íons possuem carga elétrica, eles podem ser puxados ou empurrados por campos elétricos. Nossa armadilha gera forças capazes de impedir que eles escapem em qualquer direção. Isso foi obtido por meio de um campo elétrico que oscila a aproximadamente 18 megahertz, isto é, 18 milhões de vezes por segundo. A oscilação é tão rápida que os íons simplesmente não conseguem acompanhar as sucessivas mudanças do campo. O efeito médio das forças mantém as partículas confinadas e alinhadas no eixo central da armadilha”, descreve Fritsch.
O sistema empregado é chamado de “Armadilha de Paul”. Recebeu esse nome em homenagem ao físico alemão Wolfgang Paul (1913-1993) – que não deve ser confundido com o físico austríaco Wolfgang Pauli (1900-1958), um dos “papas” da teoria quântica. Na década de 1950, Paul desenvolveu a técnica de confinar partículas carregadas por meio de campos elétricos oscilantes, o que fez com que fosse contemplado, em 1989, com o Prêmio Nobel de Física. 
Outra estratégia também empregada no aprisionamento de íons é a "Armadilha de Penning", já utilizada pelo grupo liderado por Claudio Lenz Cesar, professor da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ). Diferentemente da Armadilha de Paul,  a Armadilha de Penning não se baseia em campos elétricos oscilantes, mas, sim, em um campo elétrico estático associado a campo magnético.
“Nosso experimento, baseado na Armadilha de Paul, começa com átomos neutros de estrôncio, de cada um dos quais é arrancado um elétron por meio de feixes de laser, produzindo íons positivos. Estes são colocados em uma câmara de ultra-alto vácuo. Isso é fundamental, porque colisões com moléculas do ar poderiam expulsá-los da armadilha ou perturbar os delicados estados quânticos que se pretende controlar. Os eletrodos que formam a armadilha ficam dentro da câmara, embora o conjunto opere à temperatura ambiente”, informa Fritsch.
A armadilha foi inteiramente construída no Brasil e instalada em um laboratório do IFSC-USP. A expectativa é avançar da captura dos íons para a sua manipulação como bits quânticos, ou qubits, e realizar as primeiras operações de processamento quântico já nos próximos meses. “Agora, com o sucesso no aprisionamento de íons, a pesquisa brasileira está no mapa. Esse é um dos hardwares necessários para o desenvolvimento da computação quântica”, entusiasma-se o físico Vanderlei Bagnato, professor titular do IFSC-USP e coordenador do Centro de Pesquisa em Óptica e Fotônica (CEPOF), que foi até junho um Centro de Pesquisa, Inovação e Difusão (CEPID) apoiado pela FAPESP.
A computação quântica pode ser implementada por diferentes plataformas físicas. Entre as mais desenvolvidas, estão os circuitos supercondutores e os íons aprisionados. Neste último caso, o próprio átomo ionizado funciona como suporte físico da informação. Estados internos bem definidos do íon podem representar os valores 0 e 1 e, graças às propriedades da mecânica quântica, também as superposições possíveis desses dois estados. Vários íons podem ainda ser emaranhados, permitindo operações que não têm equivalente direto nos computadores convencionais.
O emaranhamento faz com que dois ou mais qubits passem a compartilhar um único estado quântico, de modo que as operações realizadas sobre um deles modifiquem a configuração do conjunto. Esse recurso pode ser usado para construir portas lógicas – elementos fundamentais em qualquer processamento computacional.
“Essa capacidade superior não significa que computadores quânticos venham simplesmente substituir os atuais ou sejam mais rápidos para qualquer tarefa. Seu grande potencial está em determinadas classes de problemas para as quais fenômenos como superposição e emaranhamento possam ser explorados computacionalmente. Um exemplo particularmente importante é a simulação de átomos e moléculas, com possíveis aplicações no desenvolvimento de novos materiais e fármacos”, esclarece Bagnato.
Para chegar a esse ponto, porém, é preciso primeiro resolver um problema aparentemente elementar: manter um átomo individual parado e isolado durante tempo suficiente para escrever, processar e ler informação nele. “Se ele não for mantido assim, não há como utilizá-lo como elemento de armazenamento e processamento de informação”, resume Bagnato.
Imagem real dos íons aprisionados (foto: Amilson Rogelso Fritsch)
Reprodução
Gaiola feita de campos elétricos
Foi justamente essa etapa que a equipe brasileira conseguiu realizar, com sua versão da “Armadilha de Paul”. Na direção transversal, os íons são confinados por um campo elétrico que oscila em alta frequência. Como o campo muda de sentido muito rapidamente, os íons não conseguem simplesmente acompanhá-lo e escapar: seu movimento médio fica restrito à região central da armadilha. Na direção longitudinal, ou axial, entra em ação um outro campo elétrico, estático, que impede que as partículas saiam pelas extremidades. Quando vários íons são capturados, esse confinamento os mantém na região central, enquanto suas cargas positivas fazem com que se repilam mutuamente. O resultado é uma pequena cadeia: uma sequência de íons alinhados, separados uns dos outros por poucos micrômetros.
“Nas imagens que obtivemos, cada ponto luminoso corresponde a um único íon de estrôncio aprisionado. O que vemos não é uma representação gráfica do experimento, mas íons reais”, pontua Fritsch. Ele acrescenta que o número de partículas pode ser controlado de acordo com o experimento. “Para determinadas aplicações, interessa trabalhar com um único íon; para computação quântica, podem ser formadas cadeias com vários deles. Como os íons se repelem eletricamente e permanecem individualizados, é possível manipular cada um deles separadamente com feixes de laser, realizando operações sobre íons específicos sem atuar diretamente sobre os demais.”
A partir desse controle individual, uma partícula aprisionada pode começar a se transformar em unidade de processamento de informação. “Em uma descrição simplificada, dois estados internos do íon são escolhidos para representar os valores 0 e 1. O estado fundamental pode corresponder ao 0 e um determinado estado excitado, ao 1. Um laser com frequência precisamente ajustada permite promover a transição entre os dois. Se houvesse apenas a possibilidade de colocar cada íon em 0 ou 1, não haveria nisso, em princípio, nada de especificamente quântico do ponto de vista computacional. O salto ocorre porque o laser também permite preparar o íon em uma superposição dos dois estados”, explica Fritsch.
Uma maneira intuitiva e frequentemente utilizada em artigos de divulgação para explicar a diferença entre a computação clássica e a computação quântica é comparar o bit clássico a uma moeda já pousada sobre a mesa: ela mostra cara ou coroa. O qubit se parece mais com a moeda enquanto gira e bamboleia antes de pousar – com a ressalva de que a superposição quântica não corresponde simplesmente a um estado definido que ainda desconhecemos. Seu estado contém simultaneamente componentes correspondentes a 0 e 1, em proporções que determinam a probabilidade de cada resultado.
Ao fazer a medida, porém, nunca se obtém uma mistura dos dois: o resultado é sempre 0 ou 1. Na descrição convencional da mecânica quântica, diz-se que, no ato da medida, a superposição “colapsa” em um desses dois estados. Se o mesmo estado for preparado e medido muitas vezes, ora se obterá 0, ora se obterá 1. A frequência com que cada resultado aparece permite determinar as probabilidades que caracterizavam a superposição antes da medida. Assim, se determinado estado tiver 70% de probabilidade de resultar em 0 e 30% de resultar em 1, uma única medida dará apenas 0 ou 1; mas, preparando e medindo o mesmo estado mil vezes, espera-se obter aproximadamente 700 resultados 0 e 300 resultados 1.
Com vários qubits, entra em cena outra propriedade essencial: o emaranhamento, que cria correlações quânticas entre eles. Isso significa que o computador pode deixar de tratar cada qubit como uma unidade independente e passar a operar sobre o conjunto como um único sistema quântico. A superposição faz com que esse sistema comporte várias combinações possíveis de 0 e 1; o emaranhamento estabelece relações entre essas combinações, de modo que elas deixam de variar independentemente umas das outras. O algoritmo manipula então essas possibilidades correlacionadas e faz com que suas amplitudes quânticas interfiram: algumas se reforçam e outras se cancelam. O cálculo é construído justamente para que, ao final, aumente a probabilidade dos resultados que contêm a informação procurada e diminua a dos demais. Quando o sistema é medido, a superposição colapsa e um resultado é obtido. Para determinados problemas, essa maneira de organizar e filtrar possibilidades pode proporcionar uma grande vantagem sobre a computação clássica.
Antes disso, porém...
Os íons precisam ser fortemente resfriados. No sistema desenvolvido no IFSC, lasers são utilizados para reduzir a agitação dos íons a níveis correspondentes a temperaturas inferiores a um milikelvin – ou seja, algo nas imediações do zero absoluto. “Mais importante do que a temperatura em si”, comenta Fritsch, “é levar o movimento dos íons para muito próximo de seu estado quântico fundamental. Isso permite que os pulsos de laser empregados para escrever e manipular a informação atuem de maneira controlada, sem que o movimento térmico das partículas embaralhe o processo”.
O estrôncio é especialmente conveniente porque apresenta diferentes transições eletrônicas úteis para essas tarefas. Uma transição relativamente larga possibilita que o íon absorva e reemita muitos fótons, propriedade importante para o resfriamento e para sua detecção. Outra transição, extremamente estreita, pode funcionar como uma espécie de memória: o estado excitado persiste por tempo suficiente para que a informação seja manipulada e posteriormente lida.
Todo esse controle é realizado com lasers focalizados, uma tecnologia consolidada no CEPOF. Como os íons de uma cadeia ficam separados por alguns micrômetros, é possível, em princípio, dirigir um feixe a um deles sem realizar exatamente a mesma operação nos vizinhos. Pulsos de duração controlada mudam o estado quântico de cada partícula; sequências mais elaboradas permitem criar superposições e, posteriormente, emaranhar os qubits.
Uma competência que faltava
O resultado tem também uma dimensão de capacitação científica. O Brasil já acumulou experiência considerável em áreas próximas, como resfriamento e aprisionamento de átomos neutros. Contudo, de acordo com Bagnato, faltava desenvolver no país a capacidade experimental de trabalhar com íons aprisionados voltada para esse tipo de aplicação.
A infraestrutura já existente no CEPOF foi decisiva para acelerar o trabalho. O grupo de São Carlos tem longa experiência em resfriamento de átomos e dispõe de equipamentos e conhecimentos em óptica, lasers e sistemas de vácuo que também são necessários para trabalhar com íons. “A infraestrutura que o grupo tem aqui torna possível que isso ocorra de forma mais rápida do que aconteceria em uma universidade que não tivesse essa tradição”, afirma Bagnato.
O projeto começou em dezembro de 2024. Grande parte dos primeiros 18 meses foi consumida pela compra e instalação dos equipamentos e pela construção da própria armadilha. O primeiro resultado concreto foi justamente a produção e o confinamento dos íons de estrôncio e sua observação. Ainda não há artigo científico publicado sobre o experimento.
O Programa QuTIa é uma iniciativa da FAPESP voltada à formação de competências em tecnologias quânticas. Fritsch foi contemplado com o Auxílio Jovem Pesquisador (JP) exatamente para implantar no IFSC-USP essa nova linha experimental. Segundo o cientista, os resultados são promissores e é esperada uma consolidação do projeto ainda maior, dando início a essa nova área de pesquisa na USP.
Este conteúdo foi publicado originalmente pela Agência FAPESP  </description>  <media:content url="https://s2-galileu.glbimg.com/Y3kRx5lLK8LK5N7yII3TgbqzsG4=/i.s3.glbimg.com/v1/AUTH_fde5cd494fb04473a83fa5fd57ad4542/internal_photos/bs/2026/l/d/5ABVWQQkiU2NHpFKtVLA/59058.jpg" medium="image"/>   <media:description>Representação do dispositivo utilizado no experimento de armadilha de íons frios</media:description>   <media:credit>Amilson Rogelso Fritsch/Reprodução</media:credit>  <category>galileu</category> <pubDate>Thu, 27 Aug 2026 23:00:23 -0000</pubDate>  </item>  <item> <title>Descoberto inseto de 324 milhões de anos que tinha 24 patas</title>  <atom:subtitle>Fóssil encontrado nos EUA pode ajudar a explicar como os ancestrais dos insetos passaram de muitas pernas para apenas seis nos animais modernos</atom:subtitle>  <link>https://revistagalileu.globo.com/ciencia/biologia/noticia/2026/08/descoberto-inseto-de-324-milhoes-de-anos-que-tinha-24-patas.ghtml</link> <guid isPermaLink="true">https://revistagalileu.globo.com/ciencia/biologia/noticia/2026/08/descoberto-inseto-de-324-milhoes-de-anos-que-tinha-24-patas.ghtml</guid> <description>  <![CDATA[ <img src="https://s2-galileu.glbimg.com/O7sQkK51HTXJkeVc6D-a4RAVHoo=/i.s3.glbimg.com/v1/AUTH_fde5cd494fb04473a83fa5fd57ad4542/internal_photos/bs/2026/A/z/BMcSiqTKGbyg6KIHN4pQ/inseto-24-patas.jpg" /><br /> ]]>    Os insetos são conhecidos por uma característica que está até no próprio nome do grupo ao qual pertencem: são hexápodes, ou seja, animais com seis patas. Mas seus ancestrais mais antigos eram bem diferentes. Um fóssil encontrado no Texas, nos Estados Unidos, revela uma criatura de 324 milhões de anos que tinha 24 membros.
Descrito em estudo publicado em 26 de agosto na revista Nature, o fóssil pertence a uma nova espécie, Chosha praecursor, que tinha cerca de 49 milímetros de comprimento e viveu no período Carbonífero, há aproximadamente 324 milhões de anos. A descoberta pode ajudar a esclarecer como os primeiros insetos evoluíram até apresentar o corpo tal como ele é nas espécies atuais.
Apesar das 24 "patas", apenas seis parecem ter sido usados no passado efetivamente para a locomoção. Eles estavam ligados ao tórax, como ocorre nos insetos modernos. A diferença é que C. praecursor também apresentava apêndices nos segmentos de 1 a 9 do abdômen.
Essas estruturas abdominais tinham extremidades modificadas que se pareciam mais com remos do que com patas. Para os pesquisadores, isso sugere que o animal tinha um estilo de vida semiaquático, possivelmente vivendo em ambientes de transição entre a terra e a água.
“É curioso”, disse o primeiro autor do estudo, Erik Tihelka, à Science News. “Chamamos os insetos de ‘hexápodes’, que significa seis patas. Mas acontece que os originais tinham muito mais.”
De muitas patas a seis
A equipe analisou outros dois fósseis além do exemplar de C. praecursor e descobriu que os três pertenciam a um grupo ancestral de insetos primitivos. Os fósseis ajudam a preencher uma lacuna na história evolutiva inicial desses animais.
Todos os insetos modernos possuem seis patas locomotoras presas ao tórax e não apresentam membros no abdômen. A anatomia de C. praecursor indica, portanto, que a configuração de seis patas não estava presente desde o início da evolução do grupo.
Representação do inseto extinto Chosha praecursor
Erik Tihelka et.al/Nature
Os pesquisadores propõem que os ancestrais dos insetos eram pancrustáceos que possuíam apêndices adicionais ao longo do corpo. Ao longo da evolução, essas estruturas teriam sido modificadas e, nos insetos que passaram a viver de forma mais independente da água, acabaram sendo completamente perdidas.
A perda dos membros abdominais pode ter sido uma das principais mudanças que permitiram aos primeiros insetos se adaptar à vida terrestre. O novo fóssil oferece uma rara oportunidade de observar uma etapa intermediária desse processo.
O nome da espécie também faz referência à antiguidade dessa história. Chosha deriva de ch'osh, palavra navajo (etnia indígena americana) para “inseto”. Segundo os autores, a escolha remete a um mito de criação navajo no qual as primeiras massas de terra eram ocupadas por antigas criaturas semelhantes a insetos, cujos descendentes posteriormente povoaram a Terra.  </description>  <media:content url="https://s2-galileu.glbimg.com/O7sQkK51HTXJkeVc6D-a4RAVHoo=/i.s3.glbimg.com/v1/AUTH_fde5cd494fb04473a83fa5fd57ad4542/internal_photos/bs/2026/A/z/BMcSiqTKGbyg6KIHN4pQ/inseto-24-patas.jpg" medium="image"/>   <media:description>Representação artística do inseto Chosha praecursor, que viveu há 324 milhões de anos e contava com 24 patas</media:description>   <media:credit>Erik Tihelka et.al/Nature</media:credit>  <category>galileu</category> <pubDate>Thu, 27 Aug 2026 22:25:21 -0000</pubDate>  </item>  <item> <title>Anomalia no polo sul de Marte faz planeta ser mais quente em uma metade</title>  <atom:subtitle>Análise da gravidade do planeta indica que o interior do hemisfério sul é até 400 °C mais quente que o norte e pode ajudar a explicar diferenças entre as duas metades de Marte</atom:subtitle>  <link>https://revistagalileu.globo.com/ciencia/espaco/noticia/2026/08/anomalia-no-polo-sul-de-marte-faz-planeta-ser-mais-quente-em-uma-metade.ghtml</link> <guid isPermaLink="true">https://revistagalileu.globo.com/ciencia/espaco/noticia/2026/08/anomalia-no-polo-sul-de-marte-faz-planeta-ser-mais-quente-em-uma-metade.ghtml</guid> <description>  <![CDATA[ <img src="https://s2-galileu.glbimg.com/QFCSSy1iWc9PeQqJ4KPz2_kaiJE=/i.s3.glbimg.com/v1/AUTH_fde5cd494fb04473a83fa5fd57ad4542/internal_photos/bs/2026/Q/T/P9tFQAQ9WkPBFXb2echg/thermal-anomaly-discov.jpg" /><br /> ]]>    Pesquisadores dos EUA descobriram que Marte esconde uma diferença que não pode ser vista da superfície: seu interior é muito mais quente no hemisfério sul do que no norte. Uma nova análise indica que o manto (região interna) da região meridional do planeta pode ser entre 200°C e 400°C mais quente que a metade norte, e apresentar partes parcialmente derretidas. A descoberta ajuda a esclarecer a história geológica de Marte e os períodos em que o planeta pode ter apresentado condições favoráveis à vida.
A pesquisa, publicada em 26 de agosto na revista Nature, foi liderada por Alexander Berne, pesquisador da Universidade do Arizona, nos Estados Unidos. Para investigar o interior marciano, os cientistas recorreram a dados de gravidade coletados ao longo de décadas por três missões: Mars Global Surveyor, Mars Odyssey e Mars Reconnaissance Orbiter.
O que a gravidade revela sobre Marte
O método usado pelos pesquisadores é chamado de tomografia de maré, uma técnica que aproveita pequenas variações na velocidade das espaçonaves causadas por mudanças no campo gravitacional de Marte. Essas alterações estão relacionadas, entre outros fatores, à influência gravitacional do Sol sobre o planeta, que varia ao longo das estações por causa da órbita ligeiramente elíptica de Marte e da inclinação de seu eixo de rotação.
Ao reunir essas informações, os pesquisadores conseguiram reconstruir um modelo do interior do planeta. Segundo Berne, os cientistas costumam considerar que o interior de corpos planetários apresenta uma estrutura aproximadamente simétrica em todas as direções. "À medida que obtemos mais dados gravitacionais, podemos determinar as complexidades tridimensionais da estrutura interna de um planeta”, disse o pesquisador, em comunicado.
A diferença encontrada no interior também acompanha uma característica bastante evidente da superfície marciana. O hemisfério sul de Marte é marcado por montanhas elevadas e grandes crateras, enquanto o norte é formado principalmente por regiões baixas e planas. Agora, os pesquisadores descobriram que essa divisão entre os hemisférios também se manifesta na temperatura do interior do planeta.
Possível explicação para outros mistérios marcianos
A anomalia térmica pode ajudar a explicar fenômenos já observados em Marte. Um deles são as anomalias magnéticas encontradas em minerais ricos em ferro no hemisfério sul. Segundo os pesquisadores, uma região mais quente no manto meridional poderia estar relacionada a um campo magnético forte o suficiente para produzir diferenças magnéticas entre as duas metades do planeta.
O achado também pode estar relacionado a dados da missão InSight da NASA, que detectou anteriormente que as ondas sísmicas se dissipam mais rapidamente no sul de Marte. Uma explicação para esse comportamento seria justamente a presença de temperaturas mais elevadas nessa região.
"A dicotomia que observamos entre o norte e o sul é importante para a compreensão do tema, pois fornece informações sobre processos que podem ter influenciado a hidrologia de Marte, incluindo a formação de bacias que podem ter armazenado água", afirma Amirhossein Bagheri, pesquisador do Caltech e coautor do artigo, em comunicado.

Por que o sul de Marte é tão quente?
Ainda não há uma resposta definitiva para a origem da anomalia térmica, mas os pesquisadores consideram algumas possibilidades. Uma delas é que um grande impacto no passado tenha liberado calor na região norte. Outra hipótese envolve movimentos de convecção — processo de transferência de calor — que teriam ocorrido espontaneamente no manto do hemisfério sul. Também é possível que formações geológicas espessas tenham funcionado como uma espécie de barreira, dificultando a saída do calor acumulado no interior do planeta.
Por enquanto, o estudo revela mais uma peça da complexa história de Marte. A diferença térmica entre os hemisférios não apenas mostra que o interior do planeta é mais irregular do que se imaginava, mas também pode ajudar os cientistas a entender como se formaram suas características geológicas, magnéticas e hidrológicas ao longo do tempo.  </description>  <media:content url="https://s2-galileu.glbimg.com/QFCSSy1iWc9PeQqJ4KPz2_kaiJE=/i.s3.glbimg.com/v1/AUTH_fde5cd494fb04473a83fa5fd57ad4542/internal_photos/bs/2026/Q/T/P9tFQAQ9WkPBFXb2echg/thermal-anomaly-discov.jpg" medium="image"/>   <media:description>Representação artística do núcleo quente de Marte. Novo estudo aponta que temperatura é maior na porção sul</media:description>   <media:credit>NASA/Theophilus Britt Griswold</media:credit>  <category>galileu</category> <pubDate>Thu, 27 Aug 2026 20:48:21 -0000</pubDate>  </item>  <item> <title>Filhote de canguru é flagrado vagando por rua na Inglaterra; veja vídeo</title>  <atom:subtitle>Filhote foi visto antes do amanhecer em Liskeard, na Cornualha; motorista pensou que animal fosse um cachorro antes de perceber que se tratava de um marsupial</atom:subtitle>  <link>https://revistagalileu.globo.com/sociedade/curiosidade/noticia/2026/08/filhote-de-canguru-e-flagrado-vagando-por-rua-na-inglaterra-veja-video.ghtml</link> <guid isPermaLink="true">https://revistagalileu.globo.com/sociedade/curiosidade/noticia/2026/08/filhote-de-canguru-e-flagrado-vagando-por-rua-na-inglaterra-veja-video.ghtml</guid> <description>  <![CDATA[ <img src="https://s2-galileu.glbimg.com/8g8RqWnbgfMGhiWLv-ABe_ls2Ss=/i.s3.glbimg.com/v1/AUTH_fde5cd494fb04473a83fa5fd57ad4542/internal_photos/bs/2026/R/e/YxD6sTTiiKeV7VuU8hEg/images-5-.jpeg" /><br /> ]]>    Um filhote de canguru-de-cauda-curta foi flagrado saltitando por uma das principais ruas de Liskeard, cidade da Cornualha, no sudoeste da Inglaterra, antes do amanhecer de segunda-feira (24). O animal foi visto por um motorista por volta das 5h30, quando as ruas ainda estavam escuras.
Scot Weller, dono da confeitaria Original Cornish Pasties, contou à BBC que inicialmente pensou ter visto um cachorro. “A princípio, pensei que fosse parecido com um pastor alemão, por causa das cores escuras e das orelhas grandes”, relatou. Foi só quando percebeu que o animal estava pulando que identificou o marsupial.
Weller decidiu seguir o canguru lentamente para acompanhar seu trajeto e avisar as autoridades. Imagens registradas por uma câmera mostram o animal saltitando no meio da estrada.
Segundo o relato, o canguru passou pela loja Spar, parou algumas vezes para olhar ao redor e, depois que um carro ultrapassou Weller, atravessou a rua e entrou em uma viela na direção de um supermercado Co-op.
O motorista afirmou que o animal parecia estar bem e telefonou para as autoridades. A Polícia de Devon e Cornwall informou que recebeu relatos sobre um canguru-de-cauda-curta na Dean Street e realizou buscas na região, mas não conseguiu localizá-lo.
Cangurus selvagens no Reino Unido
Os cangurus-de-cauda-curta são mamíferos de pequeno a médio porte, embora os maiores possam chegar a 1,8 metro de comprimento da cabeça à cauda. Suas patas traseiras são fortes e adaptadas para saltar e alcançar altas velocidades. Elas também podem ser usadas para desferir golpes potentes quando os animais se sentem ameaçados por predadores ou durante disputas entre machos.
Apesar de não serem nativos do Reino Unido, os cangurus-de-cauda-curta são considerados uma espécie estabelecida na natureza no país, segundo a RSPCA, organização britânica de proteção animal.
De acordo com a entidade, a presença desses animais está relacionada principalmente a fugas de exemplares mantidos em cativeiro. Como algumas pessoas também mantêm cangurus em coleções particulares, não está claro se o animal visto em Liskeard estava perdido ou havia escapado de uma propriedade.
A RSPCA recomenda que pessoas que encontrarem um canguru-de-cauda-curta na natureza mantenham distância e não tentem se aproximar. A orientação é observar o animal de longe e acionar a organização caso ele esteja ferido ou precise de ajuda.
O vídeo a seguir mostra as imagens do canguru visto na Inglaterra: 
Initial plugin text  </description>  <media:content url="https://s2-galileu.glbimg.com/8g8RqWnbgfMGhiWLv-ABe_ls2Ss=/i.s3.glbimg.com/v1/AUTH_fde5cd494fb04473a83fa5fd57ad4542/internal_photos/bs/2026/R/e/YxD6sTTiiKeV7VuU8hEg/images-5-.jpeg" medium="image"/>   <media:description>Filhote de canguru é flagrado saltitando por rua na Inglaterra</media:description>   <media:credit>Original Cornish Pasties/Reprodução</media:credit>  <category>galileu</category> <pubDate>Thu, 27 Aug 2026 18:03:10 -0000</pubDate>  </item>  <item> <title>Funcionários de aérea morrem de malária na Alemanha; causa pode ser mosquito que chegou em avião</title>  <atom:subtitle>Surto raro no Aeroporto de Frankfurt infectou seis trabalhadores. As autoridades locais investigam a origem do inseto e alertam para o risco de diagnóstico tardio</atom:subtitle>  <link>https://revistagalileu.globo.com/saude/noticia/2026/08/funcionarios-de-aerea-morrem-de-malaria-na-alemanha-causa-pode-ser-mosquito-que-chegou-em-aviao.ghtml</link> <guid isPermaLink="true">https://revistagalileu.globo.com/saude/noticia/2026/08/funcionarios-de-aerea-morrem-de-malaria-na-alemanha-causa-pode-ser-mosquito-que-chegou-em-aviao.ghtml</guid> <description>  <![CDATA[ <img src="https://s2-galileu.glbimg.com/s2ZbVu8-AAXVTB0jeTEGdgTxr_M=/i.s3.glbimg.com/v1/AUTH_fde5cd494fb04473a83fa5fd57ad4542/internal_photos/bs/2026/X/H/lcG2cmRyO1mHMklIW7qg/airplanes-and-ground-crew-at-frankfurt-airport.jpg" /><br /> ]]>    Dois funcionários do Aeroporto de Frankfurt, na Alemanha, morreram após contraírem malária em um surto considerado raro pelas autoridades de saúde locais. Ao todo, seis trabalhadores do aeroporto foram infectados, e a principal hipótese é que a doença tenha sido transmitida por mosquitos que chegaram ao país em uma aeronave procedente de uma região onde a malária é comum.  
O surto foi identificado inicialmente em julho, quando trabalhadores começaram a adoecer entre os dias 4 e 6 daquele mês. O Instituto Robert Koch, agência federal alemã de saúde pública, informou que o caso é pouco comum. As autoridades de Frankfurt agora investigam como os funcionários foram infectados e se houve participação de um único mosquito ou de vários insetos. 
A Fraport, empresa responsável pela administração do aeroporto, afirmou estar abalada com as mortes. “Estamos chocados e profundamente tristes com a perda de nossos colegas, e nossos pensamentos estão com suas famílias e amigos”, disse a empresa, em comunicado enviado à CNN. Os outros quatro trabalhadores infectados se recuperaram. 
Malária aeroportuária 
Apesar de raro, esse tipo de ocorrência tem até nome: malária aeroportuária. Ela normalmente ocorre quando um mosquito infectado sobrevive durante uma viagem de avião e, depois de chegar ao destino, pica uma pessoa e transmite o parasita responsável pela infecção. 
Neste caso, as autoridades acreditam que o mosquito pertença ao gênero Anopheles sp., também conhecido no Brasil como mosquito-prego. Apenas as fêmeas desse grupo são capazes de transmitir a malária, ao picar uma pessoa infectada e posteriormente outra pessoa. 
Frankfurt é o aeroporto mais movimentado da Alemanha, e já foi vítima de um surto de malária aeroportuária
Wikimedia Commons
A doença não passa diretamente de uma pessoa para outra. “Para a população de Frankfurt, o risco é considerado muito, muito baixo. A doença não é transmissível de pessoa para pessoa, mas sempre por mosquitos”, informaram as autoridades de saúde de Frankfurt em carta enviada à BBC News. 
Para lidar com a crise, armadilhas para mosquitos foram instaladas no aeroporto. Os insetos capturados serão examinados em laboratório para identificar a espécie e tentar determinar sua origem. A análise genética será realizada pelo Instituto de Medicina Tropical de Antuérpia, na Bélgica. 
Atraso nos diagnósticos 
Na Alemanha, a maioria dos casos de malária ocorre entre pessoas que viajaram para locais onde a doença é endêmica (isso é, onde ela circula regularmente). Por isso, quando alguém sem histórico recente de viagem apresenta sintomas, a malária pode não ser a primeira hipótese dos profissionais de saúde. 
A Fraport orientou os funcionários a informarem aos médicos que trabalham no Aeroporto de Frankfurt e que houve registro de casos de malária no local. A recomendação, segundo a empresa, é facilitar a realização dos exames e a indicação do tratamento adequado.  
O último caso de transmissão de malária em um aeroporto alemão também foi registrado na cidade de Frankfurt. O episódio ocorreu há cerca de três anos, em 2023. 
Riscos da malária 
A malária é uma doença infecciosa causada pelo parasita Plasmodium sp., transmitido pela picada de fêmeas infectadas do mosquito Anopheles sp. Não passa diretamente de pessoa para pessoa. No Brasil, a maioria dos casos ocorre na região amazônica.  

Seus principais sintomas incluem febre alta, calafrios, tremores, suor excessivo, dor de cabeça, náuseas, vômitos e cansaço. Sem diagnóstico e tratamento rápidos, a doença pode evoluir para convulsões, alteração da consciência, dificuldade para respirar, choque e hemorragias, podendo levar à morte. Crianças, gestantes e pessoas infectadas pela primeira vez têm maior risco de desenvolver formas graves. 
Como lembra o Ministério da Saúde, a malária tem cura e o tratamento é oferecido gratuitamente pelo SUS (Sistema Único de Saúde). Em regiões endêmicas, a prevenção à doença envolve o uso de repelente, roupas que cubram braços e pernas, mosquiteiros e telas em portas e janelas.  </description>  <media:content url="https://s2-galileu.glbimg.com/s2ZbVu8-AAXVTB0jeTEGdgTxr_M=/i.s3.glbimg.com/v1/AUTH_fde5cd494fb04473a83fa5fd57ad4542/internal_photos/bs/2026/X/H/lcG2cmRyO1mHMklIW7qg/airplanes-and-ground-crew-at-frankfurt-airport.jpg" medium="image"/>   <media:description>Aeronaves e serviços de apoio em terra no Aeroporto de Frankfurt</media:description>   <media:credit>Wikimedia Commons</media:credit>  <category>galileu</category> <pubDate>Thu, 27 Aug 2026 17:51:59 -0000</pubDate>  </item>  <item> <title>Estudo em naufrágio romano de 2,2 mil anos reconstrói trajetória da embarcação</title>  <atom:subtitle>Vestígios microscópicos encontrados no revestimento do casco ajudam a reconstruir onde a embarcação foi construída e reparada ao longo do Adriático</atom:subtitle>  <link>https://revistagalileu.globo.com/ciencia/arqueologia/noticia/2026/08/estudo-em-naufragio-romano-de-22-mil-anos-reconstroi-trajetoria-da-embarcacao.ghtml</link> <guid isPermaLink="true">https://revistagalileu.globo.com/ciencia/arqueologia/noticia/2026/08/estudo-em-naufragio-romano-de-22-mil-anos-reconstroi-trajetoria-da-embarcacao.ghtml</guid> <description>  <![CDATA[ <img src="https://s2-galileu.glbimg.com/rqNc2IIbsSnfo8dcr8CArC6mnUQ=/i.s3.glbimg.com/v1/AUTH_fde5cd494fb04473a83fa5fd57ad4542/internal_photos/bs/2026/k/j/2DWwgkSdCtKZKO8432QQ/https-www.frontiersin.org-files-articles-1758862-xml-images-fmats-13-1758862-g001.webp" /><br /> ]]>    Um navio romano naufragado há cerca de 2,2 mil anos está ajudando pesquisadores a identificarem não apenas antigas técnicas de construção naval, mas também parte da trajetória percorrida pela própria embarcação. A chave para essa descoberta está no pólen preservado em seu revestimento impermeabilizante. Ao identificar os tipos de plantas presentes nesses resíduos microscópicos, os cientistas conseguiram obter pistas sobre onde o casco foi construído, revestido e posteriormente reparado. 
Chamado de Ilovik-Paržine 1, o barco tinha aproximadamente 21 metros de comprimento e afundou no século 2 a.C., na região da costa da atual Croácia, no Mar Adriático. Descoberto em 2016 durante expedições no local, ele já foi estudado por diferentes equipes. Mas, agora, cientistas da França e da Croácia inovaram ao analisar dez amostras provenientes do material que cobria a madeira de sua crosta e, assim, identificaram diferentes etapas de aplicação do revestimento.  
Os resultados do projeto foram descritos no formato de um artigo científico publicado em abril na revista Frontiers in Materials. “Na arqueologia, pouca atenção é dada aos materiais orgânicos de impermeabilização. No entanto, eles são essenciais para a navegação marítima e fluvial e são verdadeiros testemunhos das tecnologias navais do passado”, afirma a arqueometrista Armelle Charrié-Duhaut, primeira autora do estudo e pesquisadora da Universidade de Estrasburgo, na França, em comunicado. 
Piche, cera de abelha e uma técnica antiga 
Os pesquisadores descobriram que o revestimento do Ilovik-Paržine 1 era composto principalmente por piche, um material produzido a partir de resinas de coníferas, como os pinheiros. O material era aquecido e aplicado sobre o casco para ajudar a impedir a entrada de água. 
Em uma das amostras, porém, apareceu uma combinação diferente: piche misturado a cera de abelha. A formulação, conhecida em fontes antigas como zopissa, deixava o revestimento mais flexível e facilitava sua aplicação quando estava quente. 
A análise molecular funcionou como uma espécie de “impressão digital” dos materiais. Moléculas características de plantas da família dos pinheiros indicaram que o piche usado na embarcação tinha origem em coníferas.  
Tal técnica também ajudou a esclarecer uma possível circulação de conhecimentos entre diferentes povos. Vale lembrar que a zopissa era associada à tradição da construção naval grega, e sua presença em um navio romano construído séculos depois sugere a transferência de técnicas pela região do Mediterrâneo.  
Pólen como uma espécie de mapa 
A descoberta mais reveladora, no entanto, estava no que ficou preso ao piche. Por ser pegajoso, o material pode capturar grãos de pólen transportados pelo ar. Esses grãos são produzidos pelas plantas durante sua reprodução e, quando preservados por milhares de anos, podem funcionar como indícios da paisagem existente em determinado lugar. 
Conforme a equipe examinou os tipos e a quantidade relativa de pólen nas amostras, percebeu-se que o material era originado de ambientes variados. Entre as plantas identificadas estavam azinheiras, pinheiros, oliveiras, aveleiras, amieiros e freixos, espécies compatíveis com diferentes áreas costeiras e vales do Mediterrâneo e do Adriático. 
Pequenas quantidades de pólen de abeto e faia também chamaram a atenção. Essas árvores são comuns em áreas montanhosas e são compatíveis com regiões do nordeste do Adriático, incluindo zonas próximas à Ístria e à Dalmácia, mais perto do local onde o navio acabou naufragando. O resultado sugere que o revestimento não foi necessariamente preparado e aplicado em um único lugar. 
Quatro ou cinco camadas contam a história do navio 
A análise estatística apontou a existência de quatro a cinco lotes distintos de revestimento no casco. A parte central e a popa apresentavam um mesmo tipo de material, enquanto três lotes diferentes foram identificados na proa. 
Para os pesquisadores, essa diferença pode ser consequência de reparos realizados em momentos distintos. Em outras palavras, o casco teria recebido novas camadas de proteção ao longo da vida útil da embarcação, possivelmente em diferentes portos ou estaleiros. 
Tal interpretação complementa pesquisas anteriores. A análise do lastro (material pesado colocado no fundo do navio para ajudar a manter sua estabilidade) havia apontado para Brindisi, na costa sudeste da atual Itália, como provável local de construção da embarcação. 
Os resultados do pólen são compatíveis com essa hipótese para algumas das camadas. Outras, porém, parecem estar relacionadas a ambientes encontrados na costa nordeste do Adriático, indicando que o navio pode ter sido revestido ou reparado depois de chegar a outras regiões. 
“Algumas regiões do Adriático possuem características particulares que levaram as populações locais a desenvolver um estilo específico de construção naval”, aponta Charrié-Duhaut. “Somente estudos como o nosso oferecem uma visão geral dessas tradições, que testemunham um conhecimento genuíno e diversas formas de tradição.” 
Testemunho da manutenção em alto-mar 
O estudo também ajuda a responder uma pergunta aparentemente simples: como os antigos mantinham seus navios em condições de navegar por longas distâncias? A resposta está nas sucessivas camadas de revestimento encontradas no casco. 

Embora fosse esperado que uma embarcação de madeira precisasse de manutenção, comprovar essa prática arqueologicamente é difícil quando os materiais utilizados desaparecem com o tempo. Nesse caso, a preservação do piche foi essencial. Além de proteger a madeira da água do mar, o material manteve em seu interior sinais da paisagem por onde passou — na forma de grãos de pólen. 
“Por mais que pareça óbvio que navios que navegam longas distâncias precisem de reparos, demonstrar isso não é tarefa fácil”, defende Charrié-Duhaut. “O pólen tem sido muito útil na identificação de diferentes revestimentos cujos perfis moleculares eram idênticos.”  </description>  <media:content url="https://s2-galileu.glbimg.com/rqNc2IIbsSnfo8dcr8CArC6mnUQ=/i.s3.glbimg.com/v1/AUTH_fde5cd494fb04473a83fa5fd57ad4542/internal_photos/bs/2026/k/j/2DWwgkSdCtKZKO8432QQ/https-www.frontiersin.org-files-articles-1758862-xml-images-fmats-13-1758862-g001.webp" medium="image"/>   <media:description>Vista da escavação da área da proa do naufrágio Ilovik-Paržine 1. Em primeiro plano, pode-se ver a carga de toras e ânforas</media:description>   <media:credit>Adriboats/L. Damelet/CNRS/CCJ</media:credit>  <category>galileu</category> <pubDate>Thu, 27 Aug 2026 15:18:27 -0000</pubDate>  </item>  <item> <title>Hamster que corre 70 km por semana na rodinha faz sucesso no Strava</title>  <atom:subtitle>A pequena Mollie virou sensação entre os corredores graças ao seu tutor, que deu um jeito de registrar suas corridas noturnas na rodinha e colocá-las no aplicativo; entenda</atom:subtitle>  <link>https://revistagalileu.globo.com/sociedade/curiosidade/noticia/2026/08/hamster-que-corre-70-km-por-semana-na-rodinha-faz-sucesso-no-strava.ghtml</link> <guid isPermaLink="true">https://revistagalileu.globo.com/sociedade/curiosidade/noticia/2026/08/hamster-que-corre-70-km-por-semana-na-rodinha-faz-sucesso-no-strava.ghtml</guid> <description>  <![CDATA[ <img src="https://s2-galileu.glbimg.com/3hyMyxqHPjU8bb8rreJakmHlBCE=/i.s3.glbimg.com/v1/AUTH_fde5cd494fb04473a83fa5fd57ad4542/internal_photos/bs/2026/l/L/GDcgi6S7qtCKYP55jsBQ/default.jpeg" /><br /> ]]>    Mollie, uma hamster fêmea de 10 meses que vive em Utrecht, na Holanda, está chamando a atenção da comunidade de corredores no Strava ao registrar, em média, 10 km de corrida todas as noites na própria rodinha. Segundo os registros do aplicativo, o animal já alcançou a marca de 11,15 km em uma única noite e chega perto dos 70 km de corrida por semana.  
A popularidade da pequena corredora também surpreendeu seu dono, o físico Thijs de Buck. Depois de criar um sistema para medir os movimentos do hamster e enviar os dados automaticamente ao aplicativo, ele viu Mollie acumular cerca de mil “kudos” por corrida. No Strava, os “kudos” funcionam de maneira parecida com as curtidas de outras redes sociais. 
“Eu treinei para uma maratona por uns seis meses e me esforcei bastante, pelo menos eu achei. Recebi uns 40 ‘kudos’, que são como os ‘likes’ no Strava. Mas a Mollie está recebendo uns mil por cada corrida, toda noite. Não é justo”, brinca Buck, em entrevista à rádio CBC.  
Registros no Strava 
Para acompanhar os exercícios de Mollie, Buck instalou um ímã na roda de aproximadamente 65 cm e um sensor. O apetrecho permite identificar cada volta completada pelo equipamento. Os dados são registrados por um pequeno computador, que calcula a distância alcançada pelo animal. 
Depois, as informações são transformadas em sinais de atividade esportiva e enviadas automaticamente ao Strava todas as manhãs. Esse sistema permite ainda acompanhar a velocidade do hamster. Segundo os dados, as corridas ocorrem a uma velocidade média de 5 km/h. 
As estatísticas de Mollie são carregadas no Strava todas as manhãs
Mollie/Strava
A brincadeira ganhou uma dimensão curiosa já que Buck também gosta de correr. Ele conta que decidiu monitorar Mollie justamente porque queria descobrir quanto exercício ela fazia durante a noite: “Me incomodava um pouco não saber nada sobre o que o hamster estava fazendo, quantos quilômetros ele percorria, a que velocidade ele corria”. 
Os números, porém, acabaram colocando o dono em uma situação inusitada. “Ela está me vencendo”, afirma Buck. “Quase 70 km por semana, o que eu acho que muitas pessoas que treinam para maratona ficariam felizes em atingir.” 
Da curiosidade à fama 
Apesar de parecer extraordinário para os padrões humanos, o comportamento de Mollie não é necessariamente incomum entre hamsters. De acordo com o TecMundo, esses animais têm hábitos predominantemente noturnos, ou seja, costumam dormir durante o dia e permanecer ativos à noite. 
Na natureza, hamsters passam boa parte do período noturno percorrendo longas distâncias em busca de alimento e para evitar predadores. Por isso, correr durante horas na roda pode fazer parte de um comportamento esperado do animal. Mollie, com seu pelo preto, nariz rosado e patas pequenas, apenas ganhou uma forma inusitada de transformar esse hábito em estatísticas esportivas. 

Buck afirma que não esperava transformar Mollie em uma celebridade quando começou o projeto. Mas as publicações da hamster no Strava logo atraíram a atenção de outros usuários e até renderam destaque na revista Runner’s World – veículo que, como o nome sugere, é especializado em corrida. 
“Aparentemente, as pessoas gostam de correr, gostam de animais de estimação [e] gostam de coisas superdimensionadas”, resumiu o físico. Enquanto Mollie continua acumulando quilômetros durante a noite, seu dono parece ter aceitado a nova realidade: o hamster não só corre mais, como também é muito mais popular no aplicativo.  </description>  <media:content url="https://s2-galileu.glbimg.com/3hyMyxqHPjU8bb8rreJakmHlBCE=/i.s3.glbimg.com/v1/AUTH_fde5cd494fb04473a83fa5fd57ad4542/internal_photos/bs/2026/l/L/GDcgi6S7qtCKYP55jsBQ/default.jpeg" medium="image"/>   <media:description>Mollie, a hamster, tem mais de 5 mil seguidores no aplicativo de corrida Strava</media:description>   <media:credit>Thijs de Buck</media:credit>  <category>galileu</category> <pubDate>Thu, 27 Aug 2026 13:57:55 -0000</pubDate>  </item>  <item> <title>É perigoso usar carregador de celular público? Entenda o que é "juice jacking"</title>  <atom:subtitle>Ao conectar o cabo USB em seu celular, um usuário poderia, ao menos teoricamente, também ser alvo de vírus ou programas maliciosos. Mas qual é a chance real de isso acontecer no dia a dia?</atom:subtitle>  <link>https://revistagalileu.globo.com/tecnologia/noticia/2026/08/e-perigoso-usar-carregador-de-celular-publico-entenda-o-que-e-juice-jacking.ghtml</link> <guid isPermaLink="true">https://revistagalileu.globo.com/tecnologia/noticia/2026/08/e-perigoso-usar-carregador-de-celular-publico-entenda-o-que-e-juice-jacking.ghtml</guid> <description>  <![CDATA[ <img src="https://s2-galileu.glbimg.com/w5qoxRNKX8Qw9NQY89fEuPghRgg=/i.s3.glbimg.com/v1/AUTH_fde5cd494fb04473a83fa5fd57ad4542/internal_photos/bs/2023/U/v/niLwU4Rgq7cCr9DlD46g/andreas-haslinger-w9z87k4hv08-unsplash.jpg" /><br /> ]]>    Imagine este cenário: você está no aeroporto, atrasado para o embarque e com apenas 3% de bateria no celular. Perto do portão, encontra uma estação de carregamento USB, conecta o aparelho e respira aliviado. Minutos depois, sem você perceber, seu celular pode ter sido comprometido: por meio da conexão aparentemente inocente, um invasor agora tem acesso aos seus documentos, fotos e mensagens. Quando você finalmente desconecta o cabo e embarca, talvez leve consigo não apenas um celular com a bateria cheia, mas um invasor escondido dentro dele.
Esse tipo de ataque tem nome: juice jacking, uma técnica que transforma uma necessidade banal, recarregar o celular, em uma possível porta de entrada para criminosos. O termo foi cunhado pelo jornalista Brian Krebs em 2011 quando, durante a DEF CON (conferência de hackers nos EUA), ele testemunhou um grupo de pesquisadores realizar um teste demonstrando que ataques assim eram possíveis. Esse tipo de teste é comum na área de tecnologia e é chamado de “prova de conceito” - ou seja, é plausível que alguém mal-intencionado consiga armar um esquema do tipo.
O funcionamento é relativamente simples: utilizando uma porta USB ou um cabo adulterados, um invasor pode se aproveitar de vulnerabilidades no sistema operacional do telefone. Caso consiga acesso, ele pode cometer diversos atos maliciosos: roubar dados, instalar malware e até tentar criar uma forma de controle sobre o aparelho. 
A descoberta dessa técnica gerou uma resposta imediata das big techs: as novas versões de iOS (Apple) e Android (Google) passaram a contar com medidas para prevenir esses ataques, em especial a solicitação de consentimento do usuário antes que uma conexão de transferência de dados com um computador seja efetuada.
Pelos próximos anos, o juice jacking virou motivo de alerta nas redes: muitos sites e autoridades (como o FBI) passaram a emitir alertas expressos para que as pessoas não carregassem seus celulares em tomadas públicas e que não usassem cabos que não fossem os seus próprios. Parecia realmente um aviso importante: a necessidade de recarregar o celular é geral e constante, portanto a ideia de que bandidos tentariam se aproveitar disso faz todo o sentido.
Só que a realidade mostra que não é bem assim: até 2025, não houve casos documentados de invasões reais por juice jacking, com exceção das provas de conceito. Moral da história? É até possível que a história do início do texto aconteça. Só que é extremamente improvável (tanto que você não precisa se preocupar tanto com isso).
Um perigo corriqueiro, mas só no conceito
Uma investigação do site Ars Technica publicado em 2023 observou que não há casos documentados de juice jacking em estações de carregamento públicas afetando dispositivos iOS ou Android modernos. A própria Apple informou ao veículo que não tinha conhecimento de quaisquer ataques desse tipo ocorrendo na prática.
“Em linhas gerais, se ninguém consegue apontar um exemplo real de isso acontecendo de fato em espaços públicos, então não é algo com que o público em geral precise se preocupar”, disse ao site Mike Grover, pesquisador que desenvolve ferramentas de hacking ofensivo. A conclusão do Ars Technica é que um civil só deveria se preocupar com isso se ele já fosse alvo de hackers por outro motivo — uma situação em que, presume-se, a pessoa já estaria se cuidando contra ataques simples como esse.
Ao longo dos anos, outros grupos de hackers pesquisadores fizeram descobertas similares ou análogas ao juice jacking, como o “video jacking”, que consegue obter dados a partir do que é mostrado na tela, e o “ChoiceJacking”, em que o hardware malicioso consegue permitir a transferência de dados sem a necessidade de interações com o usuário. Mas todos permanecem com o mesmo status: são provas de conceito e não ataques reais.
Problemas de verdade
Especialistas afirmam que existem ameaças muito mais sérias para o usuário comum do que o juice jacking. Elas incluem redes wi-fi públicas maliciosas, que podem ser usadas para instalar malware nos celulares, QR Codes falsos colados em cima dos reais e cabos comprometidos (capazes de fornecer acesso ao sistema) vendidos pela internet ou distribuídos gratuitamente para vítimas desavisadas.
Em linhas gerais, a melhor prática fora de casa continua sendo levar seu próprio carregador e seu próprio cabo e, quando possível, utilizar powerbank em vez de plugues públicos. Não especificamente por causa do juice jacking, mas como medida de segurança geral. Também é importante manter o sistema do seu celular atualizado, utilizar senhas fortes e variadas para diferentes apps e evitar ao máximo utilizar pontos públicos de wi-fi.  </description>  <media:content url="https://s2-galileu.glbimg.com/w5qoxRNKX8Qw9NQY89fEuPghRgg=/i.s3.glbimg.com/v1/AUTH_fde5cd494fb04473a83fa5fd57ad4542/internal_photos/bs/2023/U/v/niLwU4Rgq7cCr9DlD46g/andreas-haslinger-w9z87k4hv08-unsplash.jpg" medium="image"/>   <media:description>O uso de carregadores USB públicos desperta a dúvida: é possível colocar seu celular em risco? Veja por que ter um problema do tipo não é lá muito provável</media:description>   <media:credit>Andreas Haslinger/Unsplash</media:credit>  <category>galileu</category> <pubDate>Wed, 26 Aug 2026 22:01:09 -0000</pubDate>  </item>  <item> <title>Poluição do ar altera tecidos bucais e agrava periodontite</title>  <atom:subtitle>Pesquisa com camundongos indica que a exposição ao material particulado fino aumenta o estresse oxidativo, intensifica respostas inflamatórias e exacerba a destruição dos tecidos que dão suporte aos dentes</atom:subtitle>  <link>https://revistagalileu.globo.com/saude/noticia/2026/08/poluicao-do-ar-altera-tecidos-bucais-e-agrava-periodontite.ghtml</link> <guid isPermaLink="true">https://revistagalileu.globo.com/saude/noticia/2026/08/poluicao-do-ar-altera-tecidos-bucais-e-agrava-periodontite.ghtml</guid> <description>  <![CDATA[ <img src="https://s2-galileu.glbimg.com/eHnHIiGdbdiidQLYuv4GN96JRtM=/i.s3.glbimg.com/v1/AUTH_fde5cd494fb04473a83fa5fd57ad4542/internal_photos/bs/2024/A/0/fwObKUQPSfuX6VEJPJkA/pexels-chris-leboutillier-6675078.jpg" /><br /> ]]>    Os danos causados pela poluição do ar vão além do sistema cardiorrespiratório e atingem diretamente a saúde bucal. Um estudo com camundongos conduzido no Brasil demonstrou, pela primeira vez, que a exposição ao material particulado fino (PM2,5) – um dos principais poluentes urbanos – provoca alterações na boca e agrava a destruição dos tecidos periodontais, responsáveis pela sustentação dos dentes.
No experimento apoiado pela FAPESP, os animais foram colocados em ambiente controlado e expostos ao ar poluído captado na região da avenida Doutor Arnaldo, zona oeste da capital paulista, por períodos de 30 e 60 dias. De acordo com resultados publicados na revista Air Quality, Atmosphere &amp; Health, as alterações inflamatórias e estruturais nos tecidos bucais já se mostraram expressivas no primeiro mês de contato com o poluente.
Os pesquisadores observaram que a exposição ao PM2,5 agravou a inflamação nos tecidos periodontais e intensificou a perda óssea alveolar, processo que compromete a estrutura de suporte dentário. Essa degradação é uma das principais características da periodontite, doença inflamatória associada à destruição dos tecidos de suporte dos dentes e à perda dentária em adultos.
“Já está bem documentado que a poluição afeta diferentes órgãos. Como a cavidade oral está constantemente exposta ao ambiente externo, imaginávamos que ela também pudesse ser afetada pela poluição. O que não esperávamos era observar alterações tão expressivas nos tecidos bucais”, afirma Luis Carlos Spolidorio, professor da Faculdade de Odontologia da Universidade Estadual Paulista (FOAr-Unesp), campus de Araraquara, que coordenou a investigação.
A pesquisa foi desenvolvida durante o mestrado de Álvaro Formoso Pelegrin, sob orientação de Spolidorio, e contou com a participação de Jhonatan de Souza Carvalho, também da FOAr-Unesp, e de Victor Yuji Yariwake, do Instituto de Ciências Biomédicas da Universidade de São Paulo (ICB-USP).
Sinais de inflamação
Segundo os autores, os achados mais surpreendentes foram observados na mucosa que reveste a língua. “Mesmo em animais sem inflamação periodontal induzida, identificamos alterações importantes na mucosa oral, incluindo espessamento do tecido que reveste a língua [epitélio], aumento da deposição de queratina [proteína que atua como barreira de proteção e que, em excesso, indica que o tecido está tentando se defender de uma agressão] e maior número de mastócitos degranulados [células do sistema imunológico que liberaram substâncias inflamatórias no local]. Esses resultados sugerem que a mucosa oral pode ser particularmente sensível aos efeitos da poluição atmosférica”, afirma Spolidorio.
Além das alterações estruturais, o estudo mostrou aumento da produção de sinalizadores inflamatórios (citocinas) e de estresse oxidativo tanto na língua quanto nos tecidos periodontais. De acordo com os pesquisadores, esse conjunto de alterações indica que a exposição ao PM2,5 promove um ambiente biológico favorável ao desenvolvimento e à intensificação de processos inflamatórios.
O estresse oxidativo ocorre quando há um desequilíbrio entre a produção de radicais livres (moléculas instáveis que agridem as células) e a capacidade de defesa antioxidante do organismo, resultando em danos diretos aos tecidos. Esse mecanismo tem sido apontado como uma das principais vias pelas quais a poluição atmosférica pode afetar os tecidos bucais e contribuir para o agravamento de doenças periodontais.
“Demonstramos, de forma experimental e controlada, que a mucosa da cavidade bucal sofre alterações quando exposta ao material particulado fino. Esse achado representa um avanço importante, uma vez que estudos anteriores se limitavam a apontar correlações descritivas entre poluição atmosférica e doenças bucais. Com o nosso estudo, conseguimos elucidar os mecanismos celulares e moleculares que ligam a exposição ao poluente às alterações observadas na cavidade oral”, explica o pesquisador.
Spolidorio afirma que a poluição atmosférica pode afetar a saúde bucal por diferentes mecanismos. “As partículas inaladas podem entrar diretamente em contato com a mucosa oral, desencadeando respostas inflamatórias locais. Outra forma seria como consequência do impacto da poluição nos pulmões, essas partículas podem induzir inflamação sistêmica e estresse oxidativo, afetando órgãos e tecidos distantes, incluindo a cavidade oral”, explica.
Os resultados abrem caminho para mais estudos. “O trabalho é um ponto de partida para outras frentes de pesquisa na odontologia e na oncologia. Apesar de os resultados em camundongos serem coerentes com dados epidemiológicos, ainda é necessário realizar estudos clínicos para confirmar os mecanismos e a relação causal em humanos. Também temos interesse em repetir o experimento com fêmeas para investigar possíveis diferenças imunológicas e inflamatórias relacionadas ao sexo biológico”, conta.
Os autores ressaltam que os cuidados tradicionais com a saúde bucal continuam sendo fundamentais. “Embora não seja possível eliminar completamente os efeitos biológicos da exposição à poluição atmosférica, é fundamental controlar os fatores de risco já conhecidos para as doenças bucais. Escovar os dentes adequadamente, utilizar fio dental regularmente, manter uma alimentação saudável e realizar acompanhamento odontológico periódico continuam sendo medidas essenciais para preservar a saúde bucal”, diz Spolidorio.
Segundo o pesquisador, os resultados também reforçam a necessidade de políticas públicas voltadas à melhoria da qualidade do ar. “A prevenção dos efeitos da poluição depende tanto de cuidados individuais quanto de estratégias coletivas de proteção à saúde. À medida que compreendemos melhor os impactos da poluição atmosférica sobre diferentes órgãos e tecidos, torna-se cada vez mais evidente a importância de reduzir a exposição da população aos poluentes atmosféricos”, conclui.
Este artigo foi publicado originalmente pela Agência FAPESP  </description>  <media:content url="https://s2-galileu.glbimg.com/eHnHIiGdbdiidQLYuv4GN96JRtM=/i.s3.glbimg.com/v1/AUTH_fde5cd494fb04473a83fa5fd57ad4542/internal_photos/bs/2024/A/0/fwObKUQPSfuX6VEJPJkA/pexels-chris-leboutillier-6675078.jpg" medium="image"/>   <media:description>Estudo encontrou evidências de que a emissão de gases tóxicos na atmosfera tem ligação com problemas bucais</media:description>   <media:credit>Pexels</media:credit>  <category>galileu</category> <pubDate>Wed, 26 Aug 2026 21:45:01 -0000</pubDate>  </item>  <item> <title>Por que a urina fica mais amarela quando você não bebe água?</title>  <atom:subtitle>Entenda os mecanismos fisiológicos que definem se a sua próxima ida ao banheiro terá tons amarelados ou mais próximos do transparente</atom:subtitle>  <link>https://revistagalileu.globo.com/saude/noticia/2026/08/por-que-a-urina-fica-mais-amarela-quando-voce-nao-bebe-agua.ghtml</link> <guid isPermaLink="true">https://revistagalileu.globo.com/saude/noticia/2026/08/por-que-a-urina-fica-mais-amarela-quando-voce-nao-bebe-agua.ghtml</guid> <description>  <![CDATA[ <img src="https://s2-galileu.glbimg.com/ldKpzoKiVzAuFSeZhz4Fn9Ak3n4=/i.s3.glbimg.com/v1/AUTH_fde5cd494fb04473a83fa5fd57ad4542/internal_photos/bs/2026/p/m/jAgC8zSDuX0zdIvRrFfw/urina.jpg" /><br /> ]]>    Quando se trata de urina, vale a regra clássica: quanto mais escura a cor amarelada, mais desidratado você está. Isso não significa que fazer xixi amarelo-escuro seja sinal de emergência, e sim que, nesses casos, é prudente beber água para permitir a reidratação do corpo.
A urina possui um pigmento chamado urocromo que é responsável por sua cor amarelada. Quando o corpo está bem hidratado, o urocromo fica mais diluído na água e a urina apresenta uma coloração mais clara. Quando o corpo está menos hidratado, o urocromo fica mais concentrado, criando a aparência de uma urina mais escura.
Isso pode ser notado em casa: o primeiro xixi do dia, que nós soltamos após passar várias horas dormindo (e portanto sem ingerir água), costuma ser mais escuro do que os xixis de outros momentos. 
Em geral, porém, a urina quase sempre vai apresentar algum tom amarelado, geralmente pálido. Isso é normal e saudável. Uma pesquisa recente da Universidade da Califórnia em San Diego apontou que a urina mais desidratada pode até mesmo apresentar tons discretos de verde, o que é curioso do ponto de vista biológico. 
Portanto, vale a dica: se o seu xixi estiver muito escuro, vale beber água para trazer seu corpo de volta à normalidade. Esse é um conselho especialmente precioso se você pretende praticar exercícios: a desidratação aguda durante a atividade física pode levar a prejuízos no desempenho cognitivo e motor e também aumentar as sensações de tensão, fadiga e ansiedade.
Outras cores
Não é só a concentração do urocromo que tem impacto na cor. “Além dos tons de amarelo, existem algumas condições médicas, medicamentos ou situações em que a urina pode assumir praticamente qualquer cor imaginável”, afirma a urologista Dra. Katherine Rodriguez Mahon.
Confira alguns desses fatores:
Suplementos vitamínicos (especialmente vitamina B2/riboflavina): pode trazer um tom amarelo neon
Fenazopiridina: analgésico comum usado em tratamentos urológicos, pode trazer um tom alaranjado
Azul de metileno: composto químico utilizado no tratamento para a meta-hemoglobinemia, pode trazer um tom azul ou verde
Antibióticos: alguns medicamentos dessa classe, como o metronidazol, podem trazer tons marrons
Alimentos específicos: alguns vegetais, como beterraba e ruibarbo, podem trazer tons avermelhados; enquanto a Vitamina C pode trazer tons de amarelo fluorescente ou laranjas
Porfirias: um grupo de doenças metabólicas raras, geralmente hereditárias, que podem trazer um tom vermelho-arroxeado à urina quando exposta à luz
Infecções do trato urinário: podem trazer uma aparência turva e um aspecto branco-leitoso
Doenças hepáticas: podem alterar a cor da urina para um tom de âmbar escuro ou marrom. Isso ocorre quando há excesso de bilirrubina conjugada no sangue, que pode ser filtrada pelos rins e eliminada na urina, deixando-a mais escura
Outras doenças: Cálculos renais, alguns tipos de câncer e outras doenças às vezes deixam a urina com aparência avermelhada devido à presença de sangue  </description>  <media:content url="https://s2-galileu.glbimg.com/ldKpzoKiVzAuFSeZhz4Fn9Ak3n4=/i.s3.glbimg.com/v1/AUTH_fde5cd494fb04473a83fa5fd57ad4542/internal_photos/bs/2026/p/m/jAgC8zSDuX0zdIvRrFfw/urina.jpg" medium="image"/>   <media:description>O que a cor da sua urina fala sobre a sua saúde? Entenda porque um tom de amarelo forte demais indica problema</media:description>   <media:credit>Pexels</media:credit>  <category>galileu</category> <pubDate>Wed, 26 Aug 2026 21:38:06 -0000</pubDate>  </item>  <item> <title>Solidão pode estimular consumo de álcool, mostra estudo em ratos</title>  <atom:subtitle>Pesquisa com camundongos identificou via cerebral associada a um maior risco de dependência química entre indivíduos do sexo masculino que se sentem solitários</atom:subtitle>  <link>https://revistagalileu.globo.com/saude/noticia/2026/08/solidao-pode-estimular-consumo-de-alcool-mostra-estudo-em-ratos.ghtml</link> <guid isPermaLink="true">https://revistagalileu.globo.com/saude/noticia/2026/08/solidao-pode-estimular-consumo-de-alcool-mostra-estudo-em-ratos.ghtml</guid> <description>  <![CDATA[ <img src="https://s2-galileu.glbimg.com/KHhqS0DO4xdHIM4-jae843TJ4xs=/i.s3.glbimg.com/v1/AUTH_fde5cd494fb04473a83fa5fd57ad4542/internal_photos/bs/2026/Q/a/avcdAiR3yDIwrYK6I6Ng/arifur-rahman-mrsd40oyt-m-unsplash.jpg" /><br /> ]]>    Cientistas identificaram um mecanismo cerebral inédito que pode ajudar a explicar por que o consumo de álcool pode aumentar entre solitários. A descoberta, registrada nesta terça-feira (25), na revista Nature Neuroscience, é parte de um estudo conduzido em camundongos. 
“Este é o primeiro estudo a identificar um circuito cerebral específico que explica como o isolamento social pode levar ao aumento do consumo de álcool em homens, representando um grande avanço para a área”, diz em comunicado a primeira autora do estudo, Reesha Patel, professora assistente de psiquiatria geral e neurociência na Faculdade de Medicina Feinberg da Universidade Northwestern, nos Estados Unidos. 
Isolamento em cobaias 
Para simular o isolamento social que acontece com pessoas na idade adulta, um grupo de camundongos machos e fêmeas foi transferido para alojamentos individuais. Enquanto isso, outro grupo de roedores permaneceu na companhia uns dos outros. 
Para todos os animais foi oferecido diariamente por uma hora uma solução de água com 15% de álcool. Ao longo de duas semanas, os machos solitários aumentaram a ingestão da solução, enquanto as fêmeas solitárias diminuíram o consumo.  
As cobaias foram monitoradas durante o experimento com microscópios em miniatura, que registraram a atividade de células cerebrais específicas enquanto os animais se moviam e escolhiam se iriam beber álcool. Essas células formam um circuito que conecta a amígdala basolateral, responsável por processar sinais emocionais e de estresse, ao córtex pré-frontal medial, que regula a tomada de decisões. 
“Nosso trabalho mostra que uma via específica se torna hiperativa durante o isolamento e aumenta diretamente o consumo de álcool, e que homens e mulheres utilizam estratégias neurais diferentes quando estão sozinhos”, explica Patel. “Isso pode ajudar a explicar as diferenças de longa data entre os sexos em transtornos neuropsiquiátricos.” 
Circuito da solidão 
Em seguida, a equipe testou se essa via cerebral apenas refletia o consumo de álcool ou se o causava.  Para isso, os pesquisadores utilizaram pulsos de luz para ativar artificialmente o circuito em camundongos machos não isolados. Isso fez com que seus cérebros respondessem ao álcool como se eles estivessem solitários. Porém, quando o mesmo circuito foi silenciado, eles diminuíram a ingestão da solução alcóolica. 
Patel diz não ter certeza por que o isolamento aumentou o consumo de álcool nos camundongos machos, mas o reduziu em fêmeas. No entanto, ela observou que as diferenças entre os sexos observadas no estudo refletem padrões de algumas pesquisas anteriores com humanos.
 "Essas descobertas fornecem um alvo biológico muito mais claro para a compreensão e, eventualmente, para o tratamento do abuso de álcool decorrente do isolamento, um problema que está se tornando cada vez mais comum", considera a pesquisadora. 
Agora, os cientistas desejam entender o que ativa esse circuito durante o isolamento social e como regiões cerebrais subsequentes, incluindo o córtex pré-frontal medial, contribuem para esse efeito. Além disso, eles querem investigar a fundo as diferenças observadas entre os sexos em humanos e se elas têm algo a ver com questões hormonais.  </description>  <media:content url="https://s2-galileu.glbimg.com/KHhqS0DO4xdHIM4-jae843TJ4xs=/i.s3.glbimg.com/v1/AUTH_fde5cd494fb04473a83fa5fd57ad4542/internal_photos/bs/2026/Q/a/avcdAiR3yDIwrYK6I6Ng/arifur-rahman-mrsd40oyt-m-unsplash.jpg" medium="image"/>   <media:description>Solidão rearranja o cérebro e pode estimular consumo de álcool, sugere estudo com camundongos</media:description>   <media:credit>Arifur Rahman/Unsplash</media:credit>  <category>galileu</category> <pubDate>Wed, 26 Aug 2026 21:04:29 -0000</pubDate>  </item>  <item> <title>Estudo em túmulo de "vampira" da Polônia dá pistas sobre sua identidade</title>  <atom:subtitle>Jovem que viveu no século 17 foi enterrada com foice no pescoço para impedir que voltasse dos mortos; pesquisadores tentam descobrir por que ela foi alvo de ritual incomum</atom:subtitle>  <link>https://revistagalileu.globo.com/ciencia/arqueologia/noticia/2026/08/estudo-em-tumulo-de-vampira-da-polonia-da-pistas-sobre-sua-identidade.ghtml</link> <guid isPermaLink="true">https://revistagalileu.globo.com/ciencia/arqueologia/noticia/2026/08/estudo-em-tumulo-de-vampira-da-polonia-da-pistas-sobre-sua-identidade.ghtml</guid> <description>  <![CDATA[ <img src="https://s2-galileu.glbimg.com/JL9SD08BdFHWe4ZoCB2qPruHsRI=/i.s3.glbimg.com/v1/AUTH_fde5cd494fb04473a83fa5fd57ad4542/internal_photos/bs/2026/k/p/gAMlxOS6SVCfRt3CwqqA/1000045520.avif" /><br /> ]]>    Quando arqueólogos encontraram uma sepultura de cerca de 400 anos perto da vila de Pień, no norte da Polônia, em 2022, deram de cara com uma cena macabra: o esqueleto de uma jovem tinha uma foice de ferro posicionada sobre o pescoço e um cadeado preso ao dedão do pé. A combinação sugere que quem a enterrou queria garantir que ela permanecesse na sepultura mesmo depois da morte. Conhecida pelos pesquisadores como Zosia, a jovem tinha entre 17 e 19 anos quando morreu, em torno de 1620 e 1674.
A descoberta, publicada em 30 de julho na revista Journal of Archaeological Science: Reports, chamou atenção internacional e até apareceu no documentário Campo de Vampiros de 2024, que acompanhou pesquisadores na tentativa de reconstruir o rosto da jovem. Agora, cientistas responsáveis pelas escavações publicaram a primeira análise sistemática de seus restos mortais, combinando arqueologia, DNA antigo e análises de isótopos para investigar quem era Zosia, de onde veio e por que sua comunidade parece ter temido que ela retornasse dos mortos.
Xô, assombração!
Como destaca a CNN, a foice sobre o pescoço da jovem não parece ter sido colocada ali por acaso. Segundo os pesquisadores, sua posição permitiria que a lâmina decapitasse Zosia caso ela tentasse se levantar. Já o cadeado triangular preso ao dedão do pé funcionaria como outra forma de mantê-la ligada à sepultura.
Um ponto curioso é que os dois objetos provavelmente foram colocados em momentos diferentes. O cadeado estava presente desde o enterro inicial, enquanto a foice teria sido acrescentada posteriormente, antes que o corpo terminasse de se decompor. Os arqueólogos chegaram a essa conclusão porque as articulações do esqueleto estavam preservadas em sua posição original. Se a sepultura tivesse sido aberta depois de o corpo se decompor completamente, seria esperado que os ossos tivessem se deslocado.
“Era incomum haver duas precauções, dois métodos para demonstrar que esse esqueleto deveria ser mantido na sepultura — então o medo de o corpo voltar à vida era maior”, disse Dariusz Poliński, professor do Instituto de Arqueologia da Universidade Nicolau Copérnico e autor principal do estudo, à CNN.
Os pesquisadores encontraram também uma descoloração esverdeada no palato (céu da boca) da jovem, provavelmente provocada por um objeto contendo cobre e ouro que havia sido colocado dentro de sua boca ou nariz depois da morte. A composição não correspondia à de moedas conhecidas, e os autores do estudo consideram que o posicionamento do objeto também pode ter feito parte de uma prática destinada a afastar forças demoníacas.
Os restos mortais da jovem com uma foice enferrujada posicionada sobre o pescoço
Journal of Archaeological Science: Reports
Cadeado encontrado próximo ao pé da jovem
Journal of Archaeological Science: Reports
Um cemitério para rejeitados
Zosia não era a única pessoa enterrada de maneira incomum no local. O cemitério de Pień, utilizado durante aproximadamente quatro gerações no século 17, tinha 101 sepulturas daquele período. Várias apresentavam características consideradas desviantes ou atípicas.
Havia, por exemplo, uma criança enterrada de bruços, um esqueleto colocado em uma posição semelhante à de uma crucificação e sepulturas com pedras ao redor do crânio. Também foram encontrados outros indivíduos enterrados com foices e cadeados.
A localização do cemitério pode ajudar a explicar esses enterros. O local ficava afastado da vila, em uma encosta próxima a um cruzamento e longe de igrejas ou capelas. Para os pesquisadores, essas características indicam que o espaço pode ter funcionado como um local destinado a pessoas rejeitadas pela sociedade, independentemente de seu status social.
Segundo a equipe, entre os grupos que poderiam receber esse tipo de sepultamento estavam suicidas, hereges, forasteiros sem cidadania local, mendigos e pessoas que morreram de forma considerada trágica. O local provavelmente era protestante, já que não foram encontrados objetos religiosos como cruzes e medalhas, comuns em sepultamentos católicos.
Linhagem de Zosia
Uma das perguntas dos pesquisadores era se a jovem poderia ter vindo de outra região e, por isso, ter sido vista como uma estranha pela comunidade. Para investigar a questão, eles analisaram o DNA mitocondrial e os isótopos presentes nos restos mortais. Ainda assim, as evidências não foram conclusivas.
As assinaturas químicas encontradas nos dentes indicam que Zosia provavelmente passou a infância na região de Pień, já que os sinais químicos associados à alimentação e à água eram semelhantes aos encontrados em outros indivíduos enterrados no mesmo cemitério.
Enquanto isso, o DNA mitocondrial, que é herdado pela linhagem materna, sugeriu que Zosia poderia ter parentes femininas próximas que tivessem uma ancestralidade ligada a populações escandinavas. No entanto, os pesquisadores ressaltam que essa mesma linhagem pode ter outras origens geográficas na Europa, e o fato de ela aparecer em diferentes populações torna a informação insuficiente para determinar de onde a jovem ou sua família vieram. Além disso, os cientistas não conseguiram recuperar o DNA nuclear da jovem, que poderia fornecer informações muito mais detalhadas sobre sua ancestralidade.
Uma jovem de família rica
Embora pudesse ter sido rejeitada ou temida pela comunidade, Zosia aparentemente não era uma pessoa de origem humilde. Próximo ao crânio foram encontrados vestígios de um tecido de seda que provavelmente fazia parte de um adorno usado na cabeça, como um chapéu ou gorro. O tecido continha fios de metal feitos de ouro e prata puros.
Restos de tecido foram encontrados perto da mandíbula (item A) e do osso occipital, que fica na parte posterior e inferior do crânio (item B)
Journal of Archaeological Science: Reports
A descoberta é particularmente significativa porque, segundo os pesquisadores, até mesmo as vestimentas funerárias do rei Sigismundo III Vasa e da rainha Constança de Habsburgo, enterrados na mesma época em Cracóvia, no sul da Polônia, não apresentavam fios de ouro puro. Isso sugere que Zosia pertencia a uma família rica.
Ainda assim, os pesquisadores não encontraram sinais de violência ou de uma doença que pudesse explicar sua morte. Estudos anteriores levantaram a possibilidade de que ela tivesse um hemangioma, um tipo de tumor vascular benigno, no esterno. A condição poderia ter provocado dor ou uma deformação no peito, mas a pesquisa mais recente não encontrou evidências de que alguma alteração patológica ou trauma tenha causado sua morte.
Uma possível vampira?
Para Poliński, Zosia pode ter sido responsabilizada por infortúnios que atingiam frequentemente as comunidades da região, como doenças e fome. Na época, acontecimentos desse tipo podiam ser associados à atividade sobrenatural dos mortos, como destaca a Popular Science.

O termo “vampiro”, no entanto, é uma associação posterior. Esses enterros considerados desviantes eram realizados na Polônia e em outras regiões da Europa, mas a palavra não era amplamente utilizada para descrevê-los até o século 18. Com o tempo, muitos desses sepultamentos passaram a ser conhecidos como “enterros de vampiros”.
No caso de Zosia, a foice e o cadeado parecem ter servido, de acordo com as crenças da época, para impedir que ela voltasse para ameaçar os vivos. Agora, os pesquisadores pretendem analisar outros sepultamentos do mesmo cemitério para entender por que algumas pessoas eram tratadas dessa maneira, e, principalmente, o que fez uma jovem aparentemente rica se tornar alguém que sua comunidade queria manter, a qualquer custo, dentro do próprio túmulo.  </description>  <media:content url="https://s2-galileu.glbimg.com/JL9SD08BdFHWe4ZoCB2qPruHsRI=/i.s3.glbimg.com/v1/AUTH_fde5cd494fb04473a83fa5fd57ad4542/internal_photos/bs/2026/k/p/gAMlxOS6SVCfRt3CwqqA/1000045520.avif" medium="image"/>   <media:description>O corpo da jovem, sepultado há cerca de 400 anos, foi encontrado em um cemitério destinado a pessoas marginalizadas na Polônia</media:description>   <media:credit>Łukasz Czyżewski/Journal of Archaeological Science: Reports</media:credit>  <category>galileu</category> <pubDate>Wed, 26 Aug 2026 20:08:38 -0000</pubDate>  </item>  <item> <title>Cachorros podem usar piscadas como forma de se comunicar, sugere estudo</title>  <atom:subtitle>Pesquisadores na Itália analisaram o comportamento de 35 cães diante de vídeos de pessoas piscando e observaram mudanças na frequência das piscadas</atom:subtitle>  <link>https://revistagalileu.globo.com/ciencia/biologia/noticia/2026/08/cachorros-podem-usar-piscadas-como-forma-de-se-comunicar-sugere-estudo.ghtml</link> <guid isPermaLink="true">https://revistagalileu.globo.com/ciencia/biologia/noticia/2026/08/cachorros-podem-usar-piscadas-como-forma-de-se-comunicar-sugere-estudo.ghtml</guid> <description>  <![CDATA[ <img src="https://s2-galileu.glbimg.com/6X2TxZGRRcdKDJOK5i0ubup08PQ=/i.s3.glbimg.com/v1/AUTH_fde5cd494fb04473a83fa5fd57ad4542/internal_photos/bs/2026/9/S/B6ubRDQ9KxKiFoIitv6Q/elham-fidani-y-jtixo5a1k-unsplash.jpg" /><br /> ]]>    Você já imaginou se pudesse conversar com seu cachorro? Bom, além dos latidos, ele já conversa com você de uma forma mais sutil: as piscadelas de olhos. É o que revela uma pesquisa publicada nesta quarta-feira (26) por pesquisadores da Universidade de Parma, na Itália, na revista Royal Society Open Science. 
O estudo indica que os cachorros não só se comunicam piscando, como também piscam com mais frequência quando veem seus donos piscando. Pesquisas anteriores já haviam mostrado que os cães piscam quando assistem a vídeos de outros cães piscando e quando interagem com seus tutores, porém, essas investigações envolviam cenários complexos que dificultavam distinguir o ato de piscar espontâneo de respostas a comandos ou movimentos corporais. 
No novo estudo, os pesquisadores avaliaram o ato de piscar isoladamente em 35 cães que reagiriam a vídeos de pessoas, sendo 17 fêmeas e 18 machos. Cada animal assistiu a dois vídeos de 40 segundos com três pessoas cada. No primeiro vídeo, o dono, um homem desconhecido e uma mulher desconhecida piscavam uma vez a cada três segundos. No segundo vídeo, as três pessoas olhavam para a frente sem piscar. 
Cada sessão foi gravada e analisada com um sistema especializado nos movimentos faciais dos cães, permitindo contar cada movimento da pálpebra quadro a quadro.
Cães piscam para quem conhecem 
Com isso, a equipe observou que os cachorros piscavam mais quando expostos aos vídeos de pessoas piscando, especialmente quando viam seus donos piscando. Assim, os cientistas concluíram que a frequência com que um cão pisca é influenciada tanto pelo próprio comportamento de piscar quanto pela relevância social da pessoa envolvida, ou seja, se o animal está interagindo com o dono ou um estranho. 
Mas isso não significa necessariamente que os cachorros imitam o piscar de olhos do dono. Não houve indícios de que os cães fossem mais propensos a piscar dentro de 1,5 segundos após o piscar de olhos de uma pessoa, fosse ela seu tutor ou um desconhecido. 
Na verdade, os cientistas acreditam que os animais piscam mais para refletir que estão atentos, sob o efeito de um mimetismo automático ou passando por processos sociais mais amplos. "Nossos resultados sugerem que o piscar de olhos pode desempenhar um papel no repertório comportamental dos cães em contextos sociais", considera a equipe. 
Os autores esperam que o estudo abra caminho para futuras investigações sobre como as taxas de piscadas e a sincronização variam em diferentes contextos sociais dos cães, considerando ambientes variados e parceiros da mesma e de outras espécies.  </description>  <media:content url="https://s2-galileu.glbimg.com/6X2TxZGRRcdKDJOK5i0ubup08PQ=/i.s3.glbimg.com/v1/AUTH_fde5cd494fb04473a83fa5fd57ad4542/internal_photos/bs/2026/9/S/B6ubRDQ9KxKiFoIitv6Q/elham-fidani-y-jtixo5a1k-unsplash.jpg" medium="image"/>   <media:description>Cachorros podem usar o piscar de olhos como um sinal social sutil</media:description>   <media:credit>Elham Fidani/Unsplash</media:credit>  <category>galileu</category> <pubDate>Wed, 26 Aug 2026 18:00:23 -0000</pubDate>  </item>  <item> <title>Usar vapes de nicotina ajuda a parar de fumar? Esta pesquisa diz que sim</title>  <atom:subtitle>Revisão de 80 estudos indica que dispositivos com nicotina podem aumentar as chances de abandonar o cigarro, mas especialistas ressaltam que isso não significa ausência de riscos à saúde</atom:subtitle>  <link>https://revistagalileu.globo.com/saude/noticia/2026/08/usar-vapes-de-nicotina-ajuda-a-parar-de-fumar-esta-pesquisa-diz-que-sim.ghtml</link> <guid isPermaLink="true">https://revistagalileu.globo.com/saude/noticia/2026/08/usar-vapes-de-nicotina-ajuda-a-parar-de-fumar-esta-pesquisa-diz-que-sim.ghtml</guid> <description>  <![CDATA[ <img src="https://s2-galileu.glbimg.com/BXqyWm70tsMZFbXkLaoFIq2ivg0=/i.s3.glbimg.com/v1/AUTH_fde5cd494fb04473a83fa5fd57ad4542/internal_photos/bs/2023/s/o/LSuK62QCGvFKRigCSbUA/21903.jpg" /><br /> ]]>    Uma nova revisão científica reforça uma possibilidade que há anos provoca debate na área da saúde: o potencial dos vapes com nicotina em ajudar fumantes a abandonarem os cigarros convencionais. Publicada nesta quarta-feira (26) na revista Cochrane Database of Systematic Reviews, a pesquisa, que analisa os resultados de 80 ensaios clínicos e os dados de quase 30 mil pessoas, calculou que quem utilizou esses dispositivos tiveram 61% mais chances de deixarem de fumar do que os participantes submetidos a terapias de reposição de nicotina, como pelo uso de adesivos e gomas.  
Em termos práticos, a equipe, formada por pesquisadores do Reino Unido, Estados Unidos, Austrália e Nova Zelândia, indica que o efeito equivale a aproximadamente quatro pessoas a mais conseguindo abandonar o cigarro a cada grupo de 100 fumantes. A conclusão, no entanto, exige ressalvas importantes, já que não aponta o hábito de usar vape como uma prática saudável.  
Na verdade, o que a revisão confirma é que, para quem já fuma e está tentando parar, o cigarro eletrônico com nicotina pode funcionar melhor do que algumas estratégias mais tradicionais. Mas os efeitos do uso prolongado desses aparelhos ainda permanecem cercados de incertezas e, por isso, não se trata de uma abordagem recomendada pelas autoridades de saúde nem pelos médicos especialistas. 
Nicotina muda a equação 
Um dos dados mais relevantes do trabalho aparece na comparação entre os próprios cigarros eletrônicos. Os aparelhos que continham nicotina tiveram resultados superiores aos dispositivos sem a substância, ainda que a diferença tenha sido menor do que aquela observada em relação às terapias de reposição de nicotina. Segundo os pesquisadores, foram cerca de dois abandonos adicionais do cigarro a cada 100 pessoas nessa comparação.  
Isso ajuda a explicar por que o cigarro eletrônico pode funcionar como uma espécie de substituto comportamental para alguns fumantes. O aparelho preserva gestos associados ao ato de fumar — levar o dispositivo à boca, inalar e exalar o aerossol — enquanto entrega nicotina sem reproduzir exatamente a queima do tabaco. A estratégia, portanto, tenta atacar simultaneamente a dependência química e parte do hábito adquirido ao longo dos anos.  
Mas existe uma contradição no centro desse mecanismo, uma vez que a substância que pode facilitar a saída do cigarro é justamente aquela responsável pela dependência da nicotina. Por isso mesmo que a revisão não responde por quanto tempo seria adequado manter o vape nem estabelece qual seria a melhor maneira de abandonar posteriormente o dispositivo.  
Todos os vapes não estão no mesmo saco 
Outro ponto que pode passar despercebido na leitura dos resultados é o tipo de produto considerado pelos pesquisadores. Os ensaios reunidos pela equipe avaliaram cigarros eletrônicos regulamentados contendo nicotina.  
Isso exclui, por exemplo, produtos clandestinos, de composição desconhecida e aqueles que incorporam outras substâncias ativas, como o THC (psicoativo da maconha). Em outras palavras, não é possível estender automaticamente os resultados para qualquer aparelho vendido informalmente.  
A diferença não é apenas burocrática. Em nota sobre o tema, a SBPT (Sociedade Brasileira de Pneumologia e Tisiologia) chama atenção para a variedade de substâncias presentes nos dispositivos e para os efeitos provocados pelo aquecimento desses componentes. A entidade alerta que o aerossol inalado pode conter compostos tóxicos e partículas capazes de atingir o sistema respiratório e o cardiovascular.  
Jamie Hartmann-Boyce, um dos autores da revisão, também fez essa distinção. “Os cigarros eletrônicos sem licença são potencialmente perigosos, apresentando problemas como baterias instáveis e substâncias químicas nocivas”, afirma ele, em entrevista à BBC News. O pesquisador defende que eventuais usuários recorram apenas a produtos submetidos a testes e aprovados pelas autoridades reguladoras.  
Risco não desaparece porque não há fumaça 
Uma das armadilhas do debate em relação aos vapes é transformar a comparação com o cigarro convencional em uma espécie de selo de segurança. Mas não é isso que os resultados mostram. 
Cigarros eletrônicos podem até não produzir a fumaça resultante da queima do tabaco, mas geram aerossol a partir do aquecimento de líquidos. Segundo a SBPT, esse processo pode eliminar substâncias químicas irritantes e tóxicas, além de partículas finas, que também são consumidas pelo usuário. A entidade relaciona o uso dos dispositivos a alterações respiratórias e cardiovasculares e a outros impactos sobre o organismo.   
O Einstein Hospital Israelita também reúne evidências sobre consequências que vão além dos pulmões. Entre os problemas associados aos vapes estão alterações na função pulmonar, prejuízos ao desempenho durante exercícios e danos à saúde bucal. Estudos citados pela organização apontam, por exemplo, maior ocorrência de cáries, inflamações das gengivas e outras alterações na boca entre usuários desses dispositivos.  
Os riscos a longo prazo do uso de cigarros eletrônicos ainda não estão claros, e o NHS (Serviço Nacional de Saúde do Reino Unido) afirma que crianças e não fumantes nunca devem usar cigarros eletrônicos
Vaporesso/Unsplash
Tais riscos ganham peso quando se considera que os cigarros eletrônicos são relativamente recentes. Para várias doenças relacionadas ao tabaco convencional, pesquisadores dispõem de décadas de acompanhamento. Para os vapes, não há o mesmo histórico. É justamente essa lacuna que impede conclusões definitivas sobre o que pode acontecer depois de muitos anos de exposição. 
Por mais que a nova revisão não tenha identificado evidências de danos graves de curto prazo provocados pelo uso de cigarros eletrônicos com nicotina nos estudos avaliados, os autores consideram necessária a realização de pesquisas maiores e mais longas para esclarecer a segurança no decorrer dos anos.  
Vapes no Brasil 
A discussão proposta a partir do estudo ganha contornos ainda mais específicos por causa da legislação brasileira. A Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) mantém proibidas a fabricação, a importação, a comercialização, a distribuição, o armazenamento, o transporte e a propaganda dos dispositivos eletrônicos para fumar. 
Suas normas também reforçam que os aparelhos não podem ser usados em recintos coletivos fechados. A própria Anvisa esclarece, porém, que a regulamentação não criou uma proibição geral do uso individual; só a venda e a importação continuam proibidas. 

Esse cenário é importante porque a pesquisa publicada não equivale a uma autorização sanitária. O fato de os ensaios clínicos encontrarem benefício na cessação do tabagismo não muda, por si só, a política brasileira para os dispositivos. 
A SBPT defende justamente a manutenção da proibição. Na avaliação da entidade, impedir a comercialização é uma forma de dificultar a entrada desses produtos no mercado e, sobretudo, de reduzir sua exposição entre adolescentes.  </description>  <media:content url="https://s2-galileu.glbimg.com/BXqyWm70tsMZFbXkLaoFIq2ivg0=/i.s3.glbimg.com/v1/AUTH_fde5cd494fb04473a83fa5fd57ad4542/internal_photos/bs/2023/s/o/LSuK62QCGvFKRigCSbUA/21903.jpg" medium="image"/>   <media:description>O cigarro eletrônico (também conhecido como vape) é um dispositivo que possui uma bateria e uma solução líquida que contém diferentes produtos químicos</media:description>   <media:credit>Pexels</media:credit>  <category>galileu</category> <pubDate>Wed, 26 Aug 2026 17:41:06 -0000</pubDate>  </item>  <item> <title>Como é o campeonato alemão de luta de dedo, que acontece todos os anos na Baviera</title>  <atom:subtitle>Disputa tradicional da Baviera reúne cerca de 150 competidores em duelos de força, técnica e resistência, nos quais um único dedo pode decidir o vencedor</atom:subtitle>  <link>https://revistagalileu.globo.com/sociedade/curiosidade/noticia/2026/08/como-e-o-campeonato-alemao-de-luta-de-dedo-que-acontece-todos-os-anos-na-baviera.ghtml</link> <guid isPermaLink="true">https://revistagalileu.globo.com/sociedade/curiosidade/noticia/2026/08/como-e-o-campeonato-alemao-de-luta-de-dedo-que-acontece-todos-os-anos-na-baviera.ghtml</guid> <description>  <![CDATA[ <img src="https://s2-galileu.glbimg.com/eJQ-0ifvl5bJcItxuxfRZNv8hTw=/i.s3.glbimg.com/v1/AUTH_fde5cd494fb04473a83fa5fd57ad4542/internal_photos/bs/2026/g/7/U5jQhpSs23Shp6QKxWLg/die-gartenlaube-1868-b-085.jpg" /><br /> ]]>    Na pequena vila de Pflugdorf-Stadl, na Baviera, sul da Alemanha, cerca de 150 competidores participaram no último domingo (23) do 65º Campeonato Alemão de Luta de Dedos, uma modalidade tradicional da região alpina conhecida em alemão como Fingerhakeln. Nela, dois participantes sentam-se frente a frente, prendem os dedos médios em uma pequena tira de couro e tentam puxar o adversário para o próprio lado da mesa. 
A disputa exige força, técnica e resistência. Não à toa, enquanto algumas lutas podem terminar em poucos segundos, outras, com participantes mais experientes, costumam até chegar perto de um minuto. Na categoria sênior, o título ficou com Ferdinand Seitz, que descreveu a dor provocada pelo esforço como “insuportável”, em entrevista à Euronews. Segundo o competidor, porém, outras modalidades esportivas também podem ser igualmente brutais. 
Regras da disputa 
O funcionamento do Fingerhakeln é direto. Cada atleta se senta em um dos lados de uma mesa especialmente preparada para a competição. Os dois colocam o dedo médio em lados opostos de uma pequena alça de couro e aguardam o sinal do árbitro. Quando a disputa começa, ambos puxam com toda a força para tentar levar o adversário para o seu lado. Veja vídeo: 
Nas regras oficiais, existe uma linha de referência sobre a mesa. A vitória ocorre quando o competidor consegue puxar o dedo do oponente para além desse limite. O sistema de competição é semelhante a um mata-mata, mas com a diferença de que o atleta só é eliminado depois de sofrer duas derrotas. 
O tamanho e a preparação da mesa também são padronizados. Em seu site, a associação de praticantes Schlierachgauer Fingerhakler informa que a mesa usada nos combates tem 1,09 metro de comprimento, 74 centímetros de largura e 79 centímetros de altura, além de áreas acolchoadas para reduzir o risco de lesões. 
Ilustração extraída de uma edição de 1868 do jornal alemão Die Gartenlaube, em que é possível identificar duas pessoas em uma disputa de Fingerhakeln
Wikimedia Commons
Força concentrada em um único dedo 
Embora a regra seja fácil de explicar, o esforço físico está longe de ser trivial. O competidor precisa não apenas de força nos dedos, mas também de coordenação corporal para manter a posição e resistir ao movimento do adversário. 

Antes das lutas, os participantes fazem aquecimento e alongamentos específicos. A preparação é importante porque a tensão concentrada no dedo pode provocar ferimentos. Registros anteriores da competição mostram que deslocamentos dos dedos e lesões em tendões estão entre os riscos mais comuns da modalidade. 
O equipamento utilizado, apesar de pequeno, segue regras específicas. A federação bávara estabelece uma tira de couro de cerca de 10 centímetros de comprimento e de 6 a 8 milímetros de espessura para as categorias adultas. 
Tradição dos Alpes 
A luta de dedos surgiu na região dos Alpes há mais de um século e continua especialmente popular na Baviera. A modalidade faz parte de uma tradição rural e comunitária que, ao longo do tempo, deixou de ser apenas uma disputa informal de força e passou a contar com associações, árbitros, categorias e campeonatos regulares.   
Sua organização atual é bastante estruturada. O campeonato possui diferentes divisões por idade e peso, incluindo categorias de peso leve, médio, meio-pesado e pesado, além das classes destinadas aos mais velhos. Nas competições oficiais organizadas pela federação bávara, porém, apenas homens podem participar das disputas de adultos.  </description>  <media:content url="https://s2-galileu.glbimg.com/eJQ-0ifvl5bJcItxuxfRZNv8hTw=/i.s3.glbimg.com/v1/AUTH_fde5cd494fb04473a83fa5fd57ad4542/internal_photos/bs/2026/g/7/U5jQhpSs23Shp6QKxWLg/die-gartenlaube-1868-b-085.jpg" medium="image"/>   <media:description>Competidores se enfrentam durante o 64º Campeonato Alemão de Luta de Dedos (conhecido em alemão como *Fingerhakeln*) em 2025, em Rosenheim, Alemanha. O esporte é tradicional na Baviera e na Áustria, remontando ao século 17</media:description>   <media:credit>Sebastian Widmann/Getty Images</media:credit>  <category>galileu</category> <pubDate>Wed, 26 Aug 2026 15:55:21 -0000</pubDate>  </item>  <item> <title>Cemitério com dentes de tubarões extintos é achado no meio de deserto egípcio</title>  <atom:subtitle>Fósseis revelam que a região já foi coberta por um mar tropical rico em nutrientes, onde pelo menos sete espécies do predador marinho viviam há dezenas de milhões de anos</atom:subtitle>  <link>https://revistagalileu.globo.com/ciencia/arqueologia/noticia/2026/08/cemiterio-com-dentes-de-tubaroes-extintos-e-achado-no-meio-de-deserto-egipcio.ghtml</link> <guid isPermaLink="true">https://revistagalileu.globo.com/ciencia/arqueologia/noticia/2026/08/cemiterio-com-dentes-de-tubaroes-extintos-e-achado-no-meio-de-deserto-egipcio.ghtml</guid> <description>  <![CDATA[ <img src="https://s2-galileu.glbimg.com/uk289WFkrdmQq4dIpHd3_xHr3Lk=/i.s3.glbimg.com/v1/AUTH_fde5cd494fb04473a83fa5fd57ad4542/internal_photos/bs/2026/A/n/26LaFQTOiAJzQ4d9OJtg/egypts-deserts-were-on.jpg" /><br /> ]]>    O que hoje é uma das regiões áridas do Egito já foi um ambiente marinho repleto de vida. Pesquisadores encontraram no Planalto de Abu-Tartur, no Deserto Ocidental do país, 14 dentes fossilizados que pertenciam a cinco espécies extintas de tubarões. Com as espécies identificadas anteriormente no mesmo local, o número chega a pelo menos sete na região. 
Esses fósseis estavam preservados em camadas de fosfato da Formação Duwi, uma estrutura geológica que se formou quando a área estava coberta por um mar tropical durante o Cretáceo Superior, entre cerca de 100 e 66 milhões de anos atrás. O estudo, publicado no dia 18 de agosto na revista Cretaceous Research, amplia o conhecimento sobre a diversidade dos tubarões que habitavam o norte da África naquele período.  
Um deserto que já foi mar 
É difícil imaginar tubarões nadando onde hoje predominam areia e rochas. Mas, como lembra a Phys.org, durante o Cretáceo, o planeta era mais quente e o nível dos oceanos era mais alto. Parte do que atualmente corresponde ao norte da África ficava submersa. 
No Planalto de Abu-Tartur, essa antiga paisagem marinha deixou grandes depósitos de fosfato. A chamada fosforita é uma rocha rica em fósforo que costuma se formar em ambientes marinhos com elevada produtividade biológica, ou seja, locais onde há grande quantidade de matéria orgânica circulando pelo ecossistema. 
Os fósseis da Formação Duwi já indicavam a existência de um ambiente com peixes, tartarugas marinhas e répteis marinhos. Pesquisas anteriores também haviam encontrado dentes de dois grupos de tubarões. O novo trabalho voltou à região para procurar outros vestígios e encontrou mais 14 dentes. 
Cinco espécies ampliam o registro 
Os dentes encontrados tinham formas bastante diferentes. Alguns eram longos e finos, semelhantes a agulhas; outros eram largos e serrilhados, mais adequados para cortar. Havia ainda dentes curvos e estruturas laterais pequenas, chamadas cúspides. 
Como os esqueletos de tubarões são formados principalmente por cartilagem, material que raramente se fossiliza bem, os dentes costumam ser uma das principais pistas usadas pelos paleontólogos para reconhecer espécies antigas. Para identificar os fósseis de Abu-Tartur, os pesquisadores compararam seus formatos com registros científicos e exemplares preservados em museus. 
A análise apontou cinco espécies extintas: Cretalamna cf. maroccana, Scapanorhynchus cf. raphiodon, Serratolamna cf. serrata, Squalicorax bassanii e Squalicorax pristodontus. Todas são novos registros para Abu-Tartur. Duas delas, Serratolamna serrata e Squalicorax bassanii, nunca haviam sido registradas no Egito. 
Uma das descobertas chamou atenção especial. Scapanorhynchus raphiodon, um parente antigo do atual tubarão-duende (Mitsukurina owstoni), pode representar o primeiro registro conhecido dessa espécie na África e talvez também o mais recente encontrado no registro fóssil. Os próprios pesquisadores, porém, ressaltam que essa conclusão ainda precisa ser confirmada com novos exemplares e revisões taxonômicas. 
Ecossistema rico e diverso 
Apesar do apelido de “cemitério de tubarões”, os fósseis não indicam necessariamente que os animais tenham vivido juntos e morrido ao mesmo tempo, destaca o portal Science Alert. A camada de fosfato é um depósito chamado de seção condensada, isso significa que houve pouco acúmulo de sedimentos por um longo período.  
Nesse cenário, restos de animais de diferentes épocas e ambientes podem acabar reunidos na mesma camada de rocha. O resultado é uma espécie de registro acumulado do tempo. Os dentes preservados representam diferentes momentos e diferentes habitats, e não uma única tragédia que teria matado dezenas de tubarões simultaneamente. 
Ainda assim, a diversidade encontrada oferece uma pista importante sobre aquele antigo ecossistema. Para sustentar vários tipos de tubarões e outros grandes predadores, o ambiente precisava ter uma ampla oferta de alimento. 

Uma das hipóteses levantadas pelos pesquisadores é a ocorrência de ressurgência, fenômeno em que águas profundas, frias e carregadas de nutrientes sobem em direção à superfície. Esses nutrientes podem estimular a proliferação do plâncton, organismos microscópicos que formam a base de muitas cadeias alimentares marinhas. 
A partir daí, o alimento circula pelo ecossistema: pequenos organismos alimentam peixes e invertebrados, que por sua vez sustentam predadores maiores. Os diferentes formatos dos dentes também sugerem que os tubarões poderiam ocupar nichos ecológicos distintos, isto é, desempenhar papéis diferentes no mesmo ambiente. 
Janela para um mundo perdido 
Os pesquisadores também associam diferentes espécies a diferentes partes do antigo ambiente marinho. Segundo o estudo, a presença de Squalicorax sp. pode estar relacionada a áreas costeiras ou de águas relativamente rasas, enquanto Scapanorhynchus sp. pode indicar ambientes mais profundos, próximos à margem externa da plataforma continental.  
Outros tubarões reforçariam a hipótese de águas abertas e relativamente estáveis. O conjunto, portanto, não é apenas uma coleção de dentes. Ele ajuda a reconstruir como eram os mares que cobriam partes do norte da África em um período em que os continentes tinham outra configuração e o clima global era muito diferente do atual.  </description>  <media:content url="https://s2-galileu.glbimg.com/uk289WFkrdmQq4dIpHd3_xHr3Lk=/i.s3.glbimg.com/v1/AUTH_fde5cd494fb04473a83fa5fd57ad4542/internal_photos/bs/2026/A/n/26LaFQTOiAJzQ4d9OJtg/egypts-deserts-were-on.jpg" medium="image"/>   <media:description>Dentes fósseis de tubarões antigos, localizados na Formação Duwi, no Egito. No passado, local foi casa para grandes peixes</media:description>   <media:credit>Tarek Yassin et al.</media:credit>  <category>galileu</category> <pubDate>Wed, 26 Aug 2026 14:44:33 -0000</pubDate>  </item>  <item> <title>Diagnóstico tardio dificulta combate ao câncer de cabeça e pescoço</title>  <atom:subtitle>No Brasil, mais de 80% dos pacientes chegam ao tratamento em estágio avançado, o que reduz as chances de cura</atom:subtitle>  <link>https://revistagalileu.globo.com/saude/noticia/2026/08/diagnostico-tardio-dificulta-combate-ao-cancer-de-cabeca-e-pescoco.ghtml</link> <guid isPermaLink="true">https://revistagalileu.globo.com/saude/noticia/2026/08/diagnostico-tardio-dificulta-combate-ao-cancer-de-cabeca-e-pescoco.ghtml</guid> <description>  <![CDATA[ <img src="https://s2-galileu.glbimg.com/iMJKyhS5Qg3XchE3UqTJrL_qjw8=/i.s3.glbimg.com/v1/AUTH_fde5cd494fb04473a83fa5fd57ad4542/internal_photos/bs/2023/v/c/btTeYwTuGBZqdH1L37Pg/ernily-gupznplbsli-unsplash.jpg" /><br /> ]]>    Os cânceres de cabeça e pescoço reúnem tumores que acometem diferentes estruturas faciais e da garganta, como boca, língua, laringe, fossas nasais, seios da face, glândulas salivares, tireoide, paratireoides e pele da região. Apesar das particularidades de cada doença, todas compartilham um desafio preocupante: o diagnóstico tardio. 
Cerca de 80% dos casos no Brasil são identificados apenas em estágios avançados, segundo um estudo de 2025 do Instituto Nacional de Câncer (Inca). “São vários fatores que explicam essa proeminência dos diagnósticos tardios no Brasil", observa o cirurgião Renan Bezerra Lira, coordenador da pós-graduação em Cirurgia Robótica de Cabeça e Pescoço do Einstein Hospital Israelita. Muitas vezes, não há sintomas significativos nos estágios iniciais da doença, o que pode fazer os tumores se desenvolverem silenciosamente. “Além disso, há bastante desinformação ou falta de conscientização sobre essa doença tanto na população como entre profissionais de saúde”, completa Lira.
Esse cenário contribui para os pacientes demorarem a buscar atendimento. Mesmo quando o fazem, muitas vezes não recebem a atenção adequada. “Em muitos casos, os sintomas iniciais são confundidos com problemas de saúde mais simples, como dor de garganta, afta ou rouquidão”, afirma o médico Carlos Eduardo Santa Ritta Barreira, coordenador das Comissões de Cirurgia de Cabeça e Pescoço da Sociedade Brasileira de Cirurgia Oncológica (SBCO).
O problema do diagnóstico tardio não ocorre só no Brasil, por isso a ciência tem buscado criar ferramentas que possibilitem identificar de maneira ágil formas agressivas de cânceres de cabeça e pescoço. Um estudo publicado em março identificou possíveis biomarcadores de tumores de células escamosas que surgem nessa região. Contudo, a melhora nos índices de diagnóstico não virá apenas da tecnologia: tem que passar também pela conscientização.
Fatores de risco
Para evitar tumores de cabeça e pescoço, é recomendado não fumar e não consumir bebidas alcoólicas e drogas. Também é essencial evitar a exposição solar excessiva, sobretudo sem proteção física e de filtro na pele e nos lábios. Fatores hereditários, contato com solventes, poeira de madeira e radiação também podem estar associados a alguns tipos de câncer.
Mas o maior motivo de preocupação é o papilomavírus humano (HPV), que pode ser sexualmente transmissível e é um dos principais fatores de risco para tumores na região bucal e na garganta. “O câncer de cabeça e pescoço que mais cresceu em incidência nos últimos anos foi o carcinoma de orofaringe, a parte da garganta onde estão as amígdalas, a campainha e parte de trás da língua”, relata Renan Lira. “Esse tipo de tumor está muito relacionado ao vírus HPV, é uma doença que praticamente não dá sintomas nas fases iniciais e pode acometer adultos jovens sem fatores de risco aparentes.” 
A boa notícia é que a infecção pode ser prevenida por meio da vacinação, disponível na rede pública para crianças e adolescentes de 9 a 14 anos. Também é importante usar preservativos em relações sexuais, incluindo o sexo oral. 
O crescimento dos tumores de orofaringe é alto entre homens de 40 a 60 anos, muitos sem histórico de tabagismo, o que modifica o perfil da doença. Os casos de câncer de tireoide também sobem, principalmente em mulheres de 30 a 60 anos. A explicação seria uma melhora nas técnicas de diagnóstico. “Agora temos exames de imagem mais refinados para a detecção de nódulos pequenos que nos permitem interceder mais cedo”, afirma Barreira.
Atenção aos sintomas
Os sinais de alerta dos cânceres de cabeça e pescoço que afetam a boca incluem ferida ou afta que não cicatriza em duas semanas; aparecimento de caroços, manchas brancas ou vermelhas na gengiva, na língua ou na parte interna da bochecha, mesmo que indolores; dente que amolece sem motivo ou dentadura que, de repente, não encaixa mais; e sangramento persistente sem causa aparente. 
Quando o tumor acomete a garganta e o pescoço, os principais sinais são rouquidão por mais de três semanas; dor de garganta persistente, sobretudo de um lado só; dor ao engolir ou sensação de algo entalado por mais de duas semanas; e caroços palpáveis ou visíveis que não diminuem. Já no nariz, os sintomas incluem obstrução ou sangramento persistente. 
Qualquer alteração por mais de 15 dias merece avaliação médica. "Quem apresentar esses sintomas deve procurar assistência médica e, caso o quadro persista sem diagnóstico ou melhora, insistir em uma reavaliação”, recomenda o médico do Einstein. Quanto antes o tratamento começar, maiores as chances de cura.
O tratamento dos cânceres de cabeça e pescoço passou por avanços nos últimos anos. As cirurgias se tornaram menos invasivas e mais precisas, o que aumentou a sobrevida de pacientes, especialmente aqueles com acesso a procedimentos como a cirurgia robótica. A precisão também diminuiu a necessidade de técnicas reconstrutivas após a retirada dos tumores ou de protocolos de quimioterapia e radioterapia pós-cirúrgica. 
Este artigo foi publicado originalmente pela Agência Einstein.  </description>  <media:content url="https://s2-galileu.glbimg.com/iMJKyhS5Qg3XchE3UqTJrL_qjw8=/i.s3.glbimg.com/v1/AUTH_fde5cd494fb04473a83fa5fd57ad4542/internal_photos/bs/2023/v/c/btTeYwTuGBZqdH1L37Pg/ernily-gupznplbsli-unsplash.jpg" medium="image"/>   <media:description>Entenda quais são as características dos cânceres de cabeça e pescoço - e por que o diagnóstico tardio é um problema</media:description>   <media:credit>EMI/Unsplash</media:credit>  <category>galileu</category> <pubDate>Tue, 25 Aug 2026 21:41:40 -0000</pubDate>  </item>  <item> <title>Por que ser fã de heavy metal pode aumentar sua tolerância à dor, segundo estudo</title>  <atom:subtitle>Pesquisa feita durante fesrtival Wacken Open Air, na Alemanha, indica que a experiência de ouvir heavy metal pode aumentar a tolerância à dor sem diminuir a sensação de incômodo</atom:subtitle>  <link>https://revistagalileu.globo.com/ciencia/noticia/2026/08/por-que-ser-fa-de-heavy-metal-pode-aumentar-sua-tolerancia-a-dor-segundo-estudo.ghtml</link> <guid isPermaLink="true">https://revistagalileu.globo.com/ciencia/noticia/2026/08/por-que-ser-fa-de-heavy-metal-pode-aumentar-sua-tolerancia-a-dor-segundo-estudo.ghtml</guid> <description>  <![CDATA[ <img src="https://s2-galileu.glbimg.com/3x2fCmbOiviTxGH72SspWdeRj14=/i.s3.glbimg.com/v1/AUTH_fde5cd494fb04473a83fa5fd57ad4542/internal_photos/bs/2026/n/l/4vWD1mROOGb9sKsUFJrg/original.webp" /><br /> ]]>    Para quem está acostumado a passar horas em meio a guitarras distorcidas, baterias aceleradas e vocais agressivos, suportar o barulho pode parecer fácil. Mas pesquisadores descobriram outro possível efeito associado à experiência de um festival de heavy metal: fãs do gênero conseguiram tolerar por mais tempo uma situação dolorosa após participarem de um evento do tipo.
O estudo, publicado em 20 de agosto na revista Scientific Reports, foi realizado durante o Wacken Open Air, festival de heavy metal realizado anualmente no norte da Alemanha. Em 2023, a pesquisadora Lydia Schneider, do Instituto Max Planck de Ciências Cognitivas e Cerebrais Humanas, e o pesquisador Tom Fritz foram ao evento para investigar se a experiência de ouvir músicas que expressam emoções como raiva poderia alterar a maneira como as pessoas lidam com a dor.
Ao todo, 122 fãs de metal participaram do experimento. Eles tiveram a frequência cardíaca e a variabilidade da frequência cardíaca monitoradas por eletrocardiograma e, em seguida, precisaram colocar a mão e o antebraço em um recipiente com água extremamente fria. Os pesquisadores compararam os resultados dos participantes que já estavam no festival havia algum tempo com os de um grupo de controle formado por frequentadores que haviam chegado antes do início dos shows, como aponta a revista Popular Science.
O resultado foi curioso, já que, depois de vivenciar a experiência do festival, os participantes conseguiram manter a mão na água gelada por mais tempo. Isso, porém, não significa que a dor tenha ficado mais fraca. “Os participantes não acharam a dor menos desagradável durante o festival, nem se mostraram menos sensíveis a ela; em vez disso, conseguiram suportá-la por um período de tempo maior”, explicou Schneider, em comunicado.
Segundo a pesquisadora, o resultado pode indicar uma maior aceitação de sensações desagradáveis. Em vez de alterar a intensidade com que a dor era percebida, a experiência parece ter aumentado a resiliência dos participantes diante dela — ou seja, eles teriam conseguido adiar por mais tempo a reação de retirar o braço da água gelada.
Lydia Schneider com um participante do experimento durante o festival
MPI CBS
A relação também é interessante porque a pesquisa partiu de uma questão ligada à raiva. Os cientistas queriam investigar se um gênero musical que frequentemente expressa emoções desagradáveis, especialmente a raiva, poderia influenciar a experiência da dor. A hipótese ganha importância porque, segundo a equipe, a raiva reprimida pode contribuir para intensificar a experiência dolorosa em pessoas com dor crônica.

Em comunicado, Fritz destaca que a descoberta pode ter implicações para o uso da música em contextos relacionados à dor. Segundo ele, em situações clínicas, músicas costumam ser utilizadas para provocar sentimentos positivos e relaxamento.
Mas, para pessoas que sentem raiva relacionada à própria dor, ouvir uma música que permita expressar essa emoção, em vez de tentar mascará-la com sensações positivas, poderia ser uma alternativa a ser investigada. “Quando se trata de extravasar a raiva, você não necessariamente quer ouvir música relaxante”, disse o pesquisador. Que tal armar um bate-cabeça da próxima vez que precisar desestressar, leitor?  </description>  <media:content url="https://s2-galileu.glbimg.com/3x2fCmbOiviTxGH72SspWdeRj14=/i.s3.glbimg.com/v1/AUTH_fde5cd494fb04473a83fa5fd57ad4542/internal_photos/bs/2026/n/l/4vWD1mROOGb9sKsUFJrg/original.webp" medium="image"/>   <media:description>Pesquisadores realizaram experimento com participantes ao longo de vários dias em festival alemão em 2023</media:description>   <media:credit>MPI CBS</media:credit>  <category>galileu</category> <pubDate>Tue, 25 Aug 2026 21:26:01 -0000</pubDate>  </item>  <item> <title>TikTok pode confundir jovens sobre conteúdos de saúde mental, diz estudo</title>  <atom:subtitle>Pesquisa mostra critérios na rede social que podem dificultar diferenciação de informações confiáveis de conselhos enganosos sobre o tema; entenda</atom:subtitle>  <link>https://revistagalileu.globo.com/tecnologia/noticia/2026/08/tiktok-pode-confundir-jovens-sobre-conteudos-de-saude-mental-diz-estudo.ghtml</link> <guid isPermaLink="true">https://revistagalileu.globo.com/tecnologia/noticia/2026/08/tiktok-pode-confundir-jovens-sobre-conteudos-de-saude-mental-diz-estudo.ghtml</guid> <description>  <![CDATA[ <img src="https://s2-galileu.glbimg.com/DrgYo2nkCe1jUFcYKfk5IKl_rQc=/i.s3.glbimg.com/v1/AUTH_fde5cd494fb04473a83fa5fd57ad4542/internal_photos/bs/2026/g/j/B5RaCjSTWLAIyW2ZKMWQ/robin-worrall-fpt10lxk0cg-unsplash.jpg" /><br /> ]]>    Um estudo da Universidade de Birmingham, na Inglaterra, investigou como pessoas de 16 a 25 anos avaliam conteúdos sobre saúde mental no TikTok. A pesquisa aponta que o próprio design da plataforma pode dificultar o pensamento crítico e a distinção entre informações confiáveis e conteúdos enganosos.
Publicado em 21 de agosto na revista Digital Health, o trabalho identificou três desafios principais: a dificuldade de diferenciar conteúdos com os quais os jovens se identificam daqueles que são confiáveis; a percepção de que o TikTok é “divertido, mas falso”; e a influência do funcionamento do algoritmo sobre a capacidade de avaliar criticamente o que aparece na tela.
Para chegar às conclusões, os pesquisadores realizaram entrevistas e discussões em grupo com jovens de escolas e faculdades de diferentes regiões da Inglaterra. O estudo foi financiado pelo Conselho de Pesquisa Econômica e Social (ESRC).
Identificação pode pesar mais que credibilidade
Segundo os pesquisadores, os participantes não costumavam avaliar apenas se uma informação parecia verdadeira. A identificação com quem produzia o conteúdo também tinha grande peso. Em muitos casos, os jovens consideravam mais confiável um criador com quem se identificavam ou que parecia autêntico do que alguém que apresentava credenciais profissionais na área da saúde.
Embora vários participantes afirmassem tentar verificar a credibilidade dos influenciadores, os critérios utilizados nem sempre eram relacionados à formação profissional. Número de seguidores, comentários e a própria apresentação visual do conteúdo apareciam como sinais de confiabilidade.
Outro aspecto identificado pelos pesquisadores foi a própria percepção que os jovens têm do TikTok. Os participantes descreviam a plataforma principalmente como um espaço de entretenimento, e não como uma fonte destinada ao aprendizado ou à busca de informações sérias.
Por isso, conteúdos sobre saúde mental podiam ser vistos com uma espécie de ressalva: eram considerados “divertidos, mas falsos”. O problema é que essa desconfiança não necessariamente impedia que os usuários consumissem ou compartilhassem esse material. Ao mesmo tempo em que reconheciam que informações enganosas poderiam circular na plataforma, eles também precisavam decidir rapidamente em quais conteúdos acreditar.
“Os jovens não são usuários passivos das redes sociais; eles são ponderados e muitas vezes céticos em relação ao que veem. Mas nossa pesquisa mostra que o design do TikTok torna muito mais difícil aplicar esse pensamento crítico na prática. O que mais importa para eles é a identificação, não apenas a confiabilidade, e isso cria riscos reais quando se trata de aconselhamento sobre saúde mental”, afirmou em comunicado Ruth Page, professora da Universidade de Birmingham e pesquisadora principal do estudo.
Algoritmo favorece consumo rápido
O funcionamento do feed também foi apontado como um fator importante. Os vídeos são apresentados de maneira contínua, e um conteúdo sobre saúde mental pode ser imediatamente seguido por outro completamente diferente. Para os pesquisadores, essa dinâmica favorece um consumo rápido e passivo e deixa pouco espaço para que o usuário pare, reflita e avalie a informação que acabou de receber.
Os participantes relataram tentar “treinar” o algoritmo por meio de curtidas, interações ou simplesmente pulando conteúdos que não queriam ver. Ainda assim, muitos consideraram o sistema inconsistente, com materiais considerados prejudiciais continuando a aparecer.
Outro estudo, publicado separadamente, analisou 27 mil vídeos do TikTok e encontrou problemas semelhantes. Os pesquisadores observaram que influenciadores de bem-estar frequentemente recomendam suplementos para problemas de saúde mental. A análise também apontou falta de conteúdo útil e envolvente sobre o tema voltado a homens jovens e mostrou que vídeos produzidos por usuários nem sempre oferecem informações adequadas para quem busca apoio ou orientação.
Debate sobre segurança nas redes
Os resultados foram divulgados em um momento de discussão sobre novas regras de segurança online no Reino Unido. O governo britânico se prepara para implementar novas restrições destinadas a proteger jovens nas plataformas digitais, incluindo medidas relacionadas ao uso noturno, restrições para jovens de 16 e 17 anos a partir da primavera local de 2027, e uma proibição nacional das redes sociais para menores de 16 anos.
O estudo, porém, não foi desenvolvido para avaliar essas políticas especificamente. A conclusão central da pesquisa é que combater a desinformação sobre saúde mental entre jovens pode exigir mais do que produzir conteúdo correto. Também seria necessário considerar como as plataformas direcionam a atenção, constroem sinais de credibilidade e estimulam o engajamento.
“Se levamos a sério o apoio ao bem-estar dos jovens, precisamos ir além da expectativa de que eles lidem com isso sozinhos. Isso significa uma melhor alfabetização midiática que reflita como as plataformas realmente funcionam, sistemas mais claros para verificar fontes confiáveis e maior responsabilização pelo design dos próprios ambientes de mídia social”, afirmou Page.  </description>  <media:content url="https://s2-galileu.glbimg.com/DrgYo2nkCe1jUFcYKfk5IKl_rQc=/i.s3.glbimg.com/v1/AUTH_fde5cd494fb04473a83fa5fd57ad4542/internal_photos/bs/2026/g/j/B5RaCjSTWLAIyW2ZKMWQ/robin-worrall-fpt10lxk0cg-unsplash.jpg" medium="image"/>   <media:description>O design do TikTok dificulta que os jovens pensem criticamente sobre o conteúdo de saúde mental que veem</media:description>   <media:credit>ROBIN WORRALL/Unsplash</media:credit>  <category>galileu</category> <pubDate>Tue, 25 Aug 2026 21:16:58 -0000</pubDate>  </item>  <item> <title>Museu Natural de Londres vai abrir galeria secreta fechada desde a 2ª Guerra</title>  <atom:subtitle>Espaço histórico, inacessível ao público há mais de oito décadas, será reaberto em setembro com uma mostra que reúne peças para contar a relação humana com o mundo natural</atom:subtitle>  <link>https://revistagalileu.globo.com/ciencia/noticia/2026/08/museu-natural-de-londres-vai-abrir-galeria-secreta-fechada-desde-a-2a-guerra.ghtml</link> <guid isPermaLink="true">https://revistagalileu.globo.com/ciencia/noticia/2026/08/museu-natural-de-londres-vai-abrir-galeria-secreta-fechada-desde-a-2a-guerra.ghtml</guid> <description>  <![CDATA[ <img src="https://s2-galileu.glbimg.com/AzI8M1nyakOM1PLlu4b3dCX1DkM=/i.s3.glbimg.com/v1/AUTH_fde5cd494fb04473a83fa5fd57ad4542/internal_photos/bs/2026/z/0/WEO574SBaUE9hRBDii9A/upper-mammals-gallery-1911-credit-the-trustees-of-the-natural-history-museum-london.jpg.thumb.1920.1920.png" /><br /> ]]>    O Museu de História Natural de Londres, no Reino Unido, reabrirá em 16 de setembro uma galeria que está fechada ao público desde 1943, quando acontecia a 2ª Guerra Mundial. O espaço, localizado no segundo andar do edifício principal Waterhouse, receberá a exposição Nature and Us (“Natureza e Nós”, em português), que reunirá 50 objetos e espécimes para explorar a relação entre os seres humanos e a natureza. 
Entre as peças selecionadas estão um modelo em miniatura de um dinossauro do Crystal Palace, que mostra como a vida pré-histórica era imaginada no passado; Jenny, o esqueleto vitoriano de uma foca-monge, que aborda a exploração de animais para entretenimento; e um brinquedo de Star Wars da década de 1980 coberto por briozoários, pequenos animais aquáticos que vivem em colônias e podem se fixar em diferentes superfícies. Outro destaque é um machado de mão de 400 mil anos.  
Exposição interativa e experimental 
Ao reunir objetos científicos, históricos e do cotidiano, a exposição propõe uma reflexão sobre como a natureza está presente na vida humana e como essa relação se transforma ao longo do tempo. As peças foram selecionadas justamente para mostrar diferentes aspectos dessa conexão. 
Galeria de Osteologia em 1893 na sala, antes de ela ser fechada
The Trustees of the Natural History Museum London
Parte da experiência poderá ser vivenciada diretamente pelos visitantes, como por meio da interação com uma réplica da mandíbula de um dos primeiros cães domesticados conhecidos na Grã-Bretanha, com cerca de 14.300 anos. A peça ajuda a ilustrar a longa história de convivência entre seres humanos e cães e permite ao público observar de perto uma evidência desse processo. 
A mostra também terá um caráter experimental. Ela permanecerá aberta por 18 meses, como uma etapa de preparação para a futura galeria permanente, prevista para 2029. Nesse período, os visitantes poderão compartilhar suas impressões e sugerir quais histórias, objetos e temas consideram mais relevantes. As contribuições deverão ajudar o Museu a definir o conteúdo e a abordagem do espaço definitivo. 
Fechamento do espaço 
O espaço funcionou originalmente como galeria de osteologia, dedicada à exposição de esqueletos, e como galeria de mamíferos. Durante a Segunda Guerra Mundial, porém, o herbário do Museu foi danificado e esse local foi adaptado de forma a receber as coleções botânicas. 
Com a transferência do herbário, a sala ficou apenas com seus armários
The Trustees of the Natural History Museum London
Com isso, a sala deixou de funcionar como área aberta ao público. Armários de madeira originais do herbário permaneceram no ambiente, preservando marcas da época em que a galeria era utilizada como espaço de armazenamento e pesquisa. 
“Reabrir esta galeria extraordinária é um momento emocionante para o Museu”, afirma Doug Gurr, diretor do Museu, em comunicado à imprensa. “Pela primeira vez em mais de 80 anos, os visitantes poderão entrar neste belo espaço histórico e explorar nossa relação em constante transformação com o mundo natural.” 
Renovação do Museu 
A reabertura faz parte da campanha NHM150, projeto de transformação do Museu em South Kensington que prevê a inauguração de uma nova galeria ou a revitalização de um espaço existente a cada ano até 2031. 

Tal estratégia pretende ampliar o acesso às coleções científicas da instituição e levar suas pesquisas a um público maior. Entre os objetivos anunciados estão conquistar mais 1 milhão de visitantes por ano e envolver 10 milhões de crianças em idade escolar, famílias e outros públicos. 
A iniciativa dá sequência à galeria Fixing Our Broken Planet (“Consertando Nosso Planeta Quebrado”), inaugurada em 2025. Segundo o Museu, o espaço já recebeu 3 milhões de visitantes.  </description>  <media:content url="https://s2-galileu.glbimg.com/AzI8M1nyakOM1PLlu4b3dCX1DkM=/i.s3.glbimg.com/v1/AUTH_fde5cd494fb04473a83fa5fd57ad4542/internal_photos/bs/2026/z/0/WEO574SBaUE9hRBDii9A/upper-mammals-gallery-1911-credit-the-trustees-of-the-natural-history-museum-london.jpg.thumb.1920.1920.png" medium="image"/>   <media:description>Fotografia da sala em 1911, quando era conhecida como Galeria dos Mamíferos Superiores</media:description>   <media:credit>The Trustees of the Natural History Museum London</media:credit>  <category>galileu</category> <pubDate>Tue, 25 Aug 2026 20:59:16 -0000</pubDate>  </item>  <item> <title>Cientistas conseguem manter mini cérebros vivos por 5 anos e quebram recorde</title>  <atom:subtitle>Resultados podem ajudar a investigar fases mais avançadas do desenvolvimento cerebral e mecanismos envolvidos em doenças neurológicas</atom:subtitle>  <link>https://revistagalileu.globo.com/ciencia/noticia/2026/08/cientistas-conseguem-manter-mini-cerebros-vivos-por-5-anos-e-quebram-recorde.ghtml</link> <guid isPermaLink="true">https://revistagalileu.globo.com/ciencia/noticia/2026/08/cientistas-conseguem-manter-mini-cerebros-vivos-por-5-anos-e-quebram-recorde.ghtml</guid> <description>  <![CDATA[ <img src="https://s2-galileu.glbimg.com/1oCJPUZqdXuMzJ8LMCed8Y2qy7c=/i.s3.glbimg.com/v1/AUTH_fde5cd494fb04473a83fa5fd57ad4542/internal_photos/bs/2026/g/P/GjzcJZRByd69Avul6vQg/ft9a1821.jpg" /><br /> ]]>    Uma equipe formada por cientistas da Universidade Harvard e do Broad Institute, ambos nos Estados Unidos, conseguiu manter organoides cerebrais humanos vivos em laboratório por mais de cinco anos, um período cerca de três vezes maior que o recorde anterior. O resultado, descrito em um artigo publicado na semana passada na revista Nature, mostra também que essas estruturas continuam a amadurecer e reproduzem etapas importantes do desenvolvimento do cérebro humano. 
Os chamados “minicérebros” são pequenos aglomerados tridimensionais de células cultivados em laboratório. Eles não são cérebros completos nem têm consciência, mas funcionam como modelos simplificados que permitem observar processos biológicos que seriam muito difíceis de estudar diretamente em uma pessoa. Cada organoide analisado no novo trabalho continha mais de 1 milhão de células do córtex cerebral, a camada externa do cérebro ligada a funções como percepção, pensamento e memória. 
Anteriormente, o recorde de longevidade para uma estrutura semelhante era de 694 dias, o equivalente a quase dois anos, registrado em 2021 por pesquisadores da Universidade da Califórnia em Los Angeles e da Universidade Stanford, também nos Estados Unidos. Essa nova marca abre a possibilidade de acompanhar fases mais avançadas do desenvolvimento cerebral, algo que a maioria dos estudos com organoides não conseguia fazer porque essas estruturas costumavam sobreviver apenas semanas ou meses. 
“Não sabíamos até que ponto o desenvolvimento e a maturação do tecido cerebral humano poderiam ocorrer fora do contexto do cérebro normal dentro da cabeça”, afirma Paola Arlotta, professora de Harvard e autora sênior do estudo, em comunicado à imprensa. “Este trabalho mostrou que é realmente possível não apenas fazer com que esses organoides sobrevivam em cultura, mas também continuem a mudar, se desenvolver e amadurecer por períodos de tempo nunca antes alcançados.” 
Marcas do desenvolvimento 
Uma das descobertas mais curiosas do estudo foi a capacidade das células de conservar marcas de sua trajetória de desenvolvimento. Para acompanhar sua evolução, os pesquisadores examinaram 34 organoides em oito momentos diferentes, entre seis meses e cinco anos de cultivo.  
Ao reunir esses dados com pesquisas anteriores, chegaram a informações de cerca de 110 organoides e quase 425 mil células individuais. A equipe observou ainda que as células reproduziam uma sequência molecular semelhante àquela registrada no desenvolvimento do cérebro humano durante a gestação e nos primeiros anos de vida. 
Visão mais detalhada da cultura em uma placa de Petri
Carlos Sanchez/Equipe de Fotografia da Faculdade de Artes e Ciências de Harvard
Um dos indicadores usados foi a metilação do DNA, um conjunto de alterações químicas que ajuda a regular quais genes ficam ativos ou inativos. Como essas mudanças seguem uma sequência relativamente previsível ao longo do desenvolvimento, elas podem ser utilizadas como uma espécie de “relógio” biológico. “O relógio de metilação nos mostrou que esses organoides estavam basicamente fazendo coisas que o cérebro convencional faria”, aponta Arlotta. 
A equipe foi além e misturou células de diferentes idades em um mesmo organoide. Quando receberam sinais para produzir novos neurônios, as células mais jovens seguiram o caminho esperado para os estágios iniciais do desenvolvimento. Já as células mais antigas avançaram diretamente para formas mais maduras, equivalentes a etapas que normalmente apareceriam dois ou três meses depois. “Ficamos um pouco chocados com os resultados. Gosto de chamar isso de ‘distorção temporal’ do desenvolvimento — eles avançaram rapidamente”, explica a especialista. 
Produção dos mini cérebros 
Para criar os organoides, os pesquisadores partiram de células obtidas de um doador humano. Por meio de uma amostra de sangue, essas células podem ser reprogramadas em células-tronco pluripotentes (células capazes de dar origem a muitos tipos diferentes de tecidos). 
Em seguida, sinais químicos orientam essas células para que se transformem em células do cérebro. Cultivadas em condições específicas, elas se organizam em estruturas tridimensionais que reproduzem parcialmente características do córtex cerebral. 
Organoides cultivados em laboratório têm aproximadamente o mesmo tamanho que um grão de pimenta
Carlos Sanchez/Fotógrafo da equipe da Faculdade de Artes e Ciências de Harvard
Os modelos são chamados de organoides porque imitam alguns aspectos de um órgão real, mas não tem a complexidade de um cérebro humano. Ele não possui, por exemplo, a interação normal com vasos sanguíneos, sistema imunológico, hormônios e outros órgãos do corpo. Ainda assim, o estudo mostrou que, mesmo sem essas estruturas, os organoides foram capazes de seguir vários padrões de desenvolvimento observados no cérebro humano. 
“O cérebro não se desenvolve isoladamente. É um órgão de incrível complexidade que interage com muitos outros sistemas. Não era garantido que nosso modelo simplificado correspondesse ao desenvolvimento natural de tantas maneiras”, indica Irene Faravelli, uma das coautoras do projeto, em um segundo comunicado. 
Neurônios sobreviveram graças às condições de cultivo 
Manter os organoides vivos durante anos exigiu mudanças nas condições de laboratório. Os neurônios, células responsáveis pela transmissão dos sinais nervosos, são particularmente frágeis e tendem a diminuir em número com o passar do tempo. Já os astrócitos, células de suporte que ajudam a proteger e sustentar os neurônios, são mais resistentes. 
Para melhorar a sobrevivência das células nervosas, os pesquisadores utilizaram um meio de cultivo líquido capaz de estimular a atividade elétrica dos neurônios e acrescentaram um suplemento de aminoácidos que funcionou como uma fonte adicional de energia. Depois de nove meses, os organoides cultivados nessas condições apresentavam mais neurônios e conexões mais densas entre eles.  
Um mosaico composto de uma seção de um organoide imunomarcado para diferentes marcadores de tipos celulares, colorido artificialmente em diferentes tonalidades
Irene Faravelli e Noelia Antón-Bolaños
Após um ano, todos os organoides submetidos ao novo meio apresentavam intensos surtos de atividade elétrica. Os pesquisadores conseguiram registrar esse funcionamento durante dois anos. As estruturas também apresentaram o surgimento e a maturação de células de suporte, além da formação de conexões duradouras entre neurônios. 
A principal importância do trabalho, porém, não está apenas no recorde de longevidade. Quanto mais tempo um organoide permanece vivo, mais fases do desenvolvimento humano os pesquisadores podem observar. “Com os organoides, começamos observando os processos iniciais e agora estamos cada vez mais perto de processos que ocorrem mais tarde no desenvolvimento”, afirma Faravelli.  
Próximos passos do estudo 
Espera-se que esses modelos possam ajudar cientistas a investigar como o cérebro se forma e o que acontece quando esse processo dá errado. Também existem planos de usá-los para estudar doenças neurológicas, testar medicamentos e comparar respostas de células derivadas de diferentes pessoas. 
“Podemos desvendar todo um espectro da biologia do cérebro humano que não víamos antes”, destaca Arlotta. “Mostramos que é possível — uma prova de princípio — mas claramente precisamos descobrir como usar o conhecimento recém-adquirido para possibilitar a compreensão de estágios posteriores do desenvolvimento sem ter que esperar anos para que os organoides cresçam.” 

Manter culturas celulares frágeis durante tantos anos é caro e trabalhoso, e esperar anos para observar cada etapa limitaria a utilidade da técnica. Por isso, o objetivo agora é entender como usar essas estruturas para alcançar mais rapidamente estágios específicos do desenvolvimento cerebral.  
“Não queremos ver até onde podemos chegar”, avalia Arlotta. “Sabemos que podemos ir muito longe, e acho que podemos fazer muito com o que já conquistamos. Agora precisamos descobrir como fazer isso acontecer mais rápido.”  </description>  <media:content url="https://s2-galileu.glbimg.com/1oCJPUZqdXuMzJ8LMCed8Y2qy7c=/i.s3.glbimg.com/v1/AUTH_fde5cd494fb04473a83fa5fd57ad4542/internal_photos/bs/2026/g/P/GjzcJZRByd69Avul6vQg/ft9a1821.jpg" medium="image"/>   <media:description>Uma pilha de placas de Petri no laboratório, cada uma contendo uma cultura de organoide</media:description>   <media:credit>Carlos Sanchez/Equipe de Fotografia da Faculdade de Artes e Ciências de Harvard</media:credit>  <category>galileu</category> <pubDate>Tue, 25 Aug 2026 15:19:09 -0000</pubDate>  </item>  <item> <title>Esta cobra foi a 1ª no mundo a ser tratada (e curada) com eletroquimioterapia</title>  <atom:subtitle>Procedimento combinou cirurgia e quimioterapia com pulsos elétricos para tratar tumor na mandíbula de Jodie Foster, uma píton-reticulada do Zoológico de Chester, na Inglaterra</atom:subtitle>  <link>https://revistagalileu.globo.com/ciencia/biologia/noticia/2026/08/esta-cobra-foi-a-1a-no-mundo-a-ser-tratada-e-curada-com-eletroquimioterapia.ghtml</link> <guid isPermaLink="true">https://revistagalileu.globo.com/ciencia/biologia/noticia/2026/08/esta-cobra-foi-a-1a-no-mundo-a-ser-tratada-e-curada-com-eletroquimioterapia.ghtml</guid> <description>  <![CDATA[ <img src="https://s2-galileu.glbimg.com/40SojyetQDuypQ75N3eCt6eUKkc=/i.s3.glbimg.com/v1/AUTH_fde5cd494fb04473a83fa5fd57ad4542/internal_photos/bs/2026/H/e/X5k7jdScuN07V1v2t9uw/screenshot-2026-08-24-at-171648.webp" /><br /> ]]>    Uma píton-reticulada de 4,5 metros do Zoológico de Chester, na Inglaterra, tornou-se a primeira cobra conhecida a ser tratada com eletroquimioterapia contra o câncer. O procedimento, feito em outubro de 2025 e anunciado recentemente, foi considerado um sucesso: desde então, o animal se recuperou e está livre da doença.
Batizada Jodie Foster, a píton chegou ao zoológico há cerca de 20 anos, informa a Smithsonian Magazine. O nome surgiu de suas iniciais de registro, “JF”, que originalmente significavam “fêmea juvenil” (juvenile female). 
Há cerca de dois anos, porém, Jodie Foster passou a comer menos e ficou letárgica. Exames identificaram um tumor maligno em sua mandíbula, que foi removido pelos veterinários. Cerca de um ano depois, entretanto, um novo tumor apareceu no mesmo local.
A píton Jodie Foster
Chester Zoo
Segundo o Zoológico de Chester, o câncer dificultava cada vez mais a alimentação da cobra e ameaçava sua vida. Uma nova cirurgia, sozinha, provavelmente não seria suficiente.
Anestesiada, a píton passou por uma operação de aproximadamente 90 minutos. Para manter sua temperatura corporal estável durante o procedimento, a equipe utilizou cobertores aquecidos e ar quente. 
“Decidimos repensar um pouco o que íamos fazer”, disse Charlotte Bentley, veterinária do Zoológico de Chester, ao podcast “Global News”, da BBC. “Foi então que tivemos a ideia de fazer uma cirurgia combinada com eletroquimioterapia para lhe dar o melhor resultado possível.”
Como funciona a eletroquimioterapia?
A técnica combina quimioterapia com pulsos elétricos curtos e intensos aplicados diretamente no local do tumor. A eletricidade aumenta temporariamente a permeabilidade das células, facilitando a entrada dos medicamentos quimioterápicos no tecido canceroso.
O método começou a ser utilizado em humanos na década de 1990 e também passou a ser empregado na medicina veterinária, inclusive no tratamento de animais como cães e gatos.
Píton passou por uma operação de aproximadamente 90 minutos para tratamento de tumo na mandíbula
Chester Zoo
No caso de Jodie Foster, o tamanho do animal exigiu uma adaptação incomum. Com cerca de 50 quilos e 4,5 metros de comprimento, ela precisou ser acomodada sobre duas mesas cirúrgicas unidas. Anestesiada, a píton passou foi operada por aproximadamente 90 minutos. Para manter sua temperatura corporal estável, a equipe utilizou cobertores aquecidos e ar quente.
“Conseguimos remover parte da mandíbula dela e, em seguida, colocamos um medicamento quimioterápico no tecido restante”, explicou Ian Ashpole, veterinário de conservação do Zoológico de Chester, à Associated Press. “Depois, realizamos a eletroquimioterapia, que consiste em inserir pequenos eletrodos de metal no tecido e aplicar pulsos elétricos. Isso ajuda a romper as células cancerígenas, melhorando a absorção do medicamento quimioterápico.”
Cobra voltou a comer normalmente
Após o procedimento, a recuperação de Jodie Foster foi considerada completa. Sua boca cicatrizou rapidamente, ela retomou a alimentação normal e voltou a ganhar peso. O zoológico afirma que a píton recuperou seu comportamento habitual e voltou a ser uma criatura “vibrante e enérgica”.
“A eletroquimioterapia é um tratamento emergente, e esta foi a primeira vez que foi usada em uma cobra”, disse, em comunicado, Jose Alvarez Picornell, veterinário da Universidade de Liverpool que ajudou a planejar o tratamento.
Jodie Foster se recuperou completamente da cirurgia
Chester Zoo
“Conseguimos desenvolver um plano que não só beneficiou Jodie Foster, como também contribuirá para a comunidade veterinária em geral”, acrescentou. “Publicaremos formalmente os detalhes do procedimento para que colegas veterinários de todo o mundo possam aprender com a nossa abordagem e aprimorá-la.”
O caso pode ajudar a ampliar o conhecimento sobre o uso da eletroquimioterapia em répteis, especialmente em situações nas quais a cirurgia convencional não é suficiente para controlar um tumor. Confira no vídeo a seguir mais detalhes sobre o procedimento na píton:  </description>  <media:content url="https://s2-galileu.glbimg.com/40SojyetQDuypQ75N3eCt6eUKkc=/i.s3.glbimg.com/v1/AUTH_fde5cd494fb04473a83fa5fd57ad4542/internal_photos/bs/2026/H/e/X5k7jdScuN07V1v2t9uw/screenshot-2026-08-24-at-171648.webp" medium="image"/>   <media:description>A equipe combinou duas mesas cirúrgicas para acomodar o longo corpo da cobra, que pesava 50 kg</media:description>   <media:credit>Zoológico de Chester</media:credit>  <category>galileu</category> <pubDate>Tue, 25 Aug 2026 15:04:47 -0000</pubDate>  </item>  <item> <title>Túmulo de nobre enterrado com cachorro e cavalo é encontrado na Rússia; fotos</title>  <atom:subtitle>Descoberta de uma rara câmara funerária do século 10 revela armas e equipamentos de montaria, reforçando indícios sobre a presença de uma elite militar na região</atom:subtitle>  <link>https://revistagalileu.globo.com/ciencia/arqueologia/noticia/2026/08/tumulo-de-nobre-enterrado-com-cao-e-cavalo-e-encontrado-na-russia-fotos.ghtml</link> <guid isPermaLink="true">https://revistagalileu.globo.com/ciencia/arqueologia/noticia/2026/08/tumulo-de-nobre-enterrado-com-cao-e-cavalo-e-encontrado-na-russia-fotos.ghtml</guid> <description>  <![CDATA[ <img src="https://s2-galileu.glbimg.com/Lr5swn02zxqTkTesBMEEPYBO5UI=/i.s3.glbimg.com/v1/AUTH_fde5cd494fb04473a83fa5fd57ad4542/internal_photos/bs/2026/l/J/bTkvaITQ69PRBSxqBQQw/kamera-copy.jpg" /><br /> ]]>    Pesquisadores encontraram uma rara câmara funerária de madeira do século 10 no cemitério medieval de Gnezdilovo, próximo a Suzdal, na Rússia, com os restos mortais de um homem de 25 a 35 anos enterrado ao lado de um cavalo e de um cachorro. A descoberta também revelou armas e equipamentos de montaria, conjunto que indica a posição elevada do homem em sua comunidade e lança novas pistas sobre a organização política do nordeste da Rússia medieval.   
A estrutura funerária, preservada de forma incomum, ficava a cerca de 1 metro de profundidade e media 3,1 metros por 2,7 metros. A equipe responsável pela investigação ainda encontrou no espaço vestígios de paredes feitas com tábuas verticais, um piso de madeira e restos de um teto. Detalhes do achado foram descritos em comunicado publicado pelo Instituto de Arqueologia da Academia Russa de Ciências e pelo Museu Histórico Estatal no dia 15 de agosto. Veja fotos abaixo:
Galerias Relacionadas
Homem da elite militar 
O corpo do homem foi localizado na parte sul da câmara, estendido com a cabeça voltada para a direção oeste. Na parte norte estavam os restos de um cavalo e de um cachorro, também orientados para o oeste. Perto do corpo foram identificados dois botões de peso e uma fíbula de prata em forma de ferradura, peça usada para prender a roupa. Uma faca de ferro apareceu junto ao quadril esquerdo, enquanto um machado de batalha, ainda com restos do cabo, estava próximo à perna direita. 
Entre o homem e o cavalo, os arqueólogos encontraram uma ponta de lança com fragmentos da haste, estribos e um freio de cavalo com elementos de chifre. Também foi localizada uma pequena balança, usada para pesagens, além de uma fivela de cilha. Segundo os pesquisadores, esse último objeto pode indicar a presença de uma sela feita de materiais orgânicos que não sobreviveram ao tempo. 
O conjunto sugere que o indivíduo era um cavaleiro ligado à elite militar. O site Live Science destaca que a quantidade e a natureza dos objetos funerários apontam para um homem de alto status social bastante elevado - provavelmente, um nobre. 
Tradição funerária rara 
A sepultura pertence ao que os arqueólogos chamam de túmulo de câmara, uma espécie de cripta subterrânea construída com madeira para receber o morto e seus bens. Esse tipo de funeral é associado à elite da Europa setentrional e da Rússia Antiga, especialmente a partir do século 10. 
Segundo o comunicado, essa tradição chegou à Rus' no final do século 9, juntamente com imigrantes da Escandinávia. Em vez de uma simples cova, o morto era colocado em uma estrutura construída no subsolo, muitas vezes acompanhado por armas, equipamentos de guerra e objetos que ajudavam a marcar sua condição social. 
As descobertas desse tipo são pouco numerosas. Conforme a estimativa do pesquisador de São Petersburgo K. A. Mikhailov citada no comunicado, pouco mais de 80 sepulturas em câmaras haviam sido examinadas em toda a história da arqueologia medieval na Rússia, distribuídas por apenas nove necrópoles, ou seja, grandes áreas utilizadas como cemitérios. 
Por isso, a câmara de Gnezdilovo é considerada especialmente relevante. Ao contrário de várias sepulturas conhecidas por escavações antigas e registros incompletos, ela estava intacta e preservou tanto os restos mortais quanto um conjunto expressivo de objetos funerários. 
Descoberta muda entendimento sobre Suzdal 
A importância da descoberta vai além da preservação dos objetos. Até agora, a maior parte das sepulturas em câmara identificadas pelos arqueólogos estava ligada a antigos centros urbanos ou proto-urbanos da Rus', regiões que concentravam relações de poder e estruturas administrativas. Suzdal e a área conhecida como Opolye de Suzdal ganharam destaque histórico mais tarde que centros como Ladoga, Gnezdovo e Kyiv. Além disso, os sepultamentos com armas e equipamentos de cavaleiro já conhecidos na região de Suzdal eram, em geral, datados do século 11. 
A nova câmara, porém, recua essa evidência para o século 10. Para os pesquisadores, isso demonstra que a região já era ocupada e frequentada por membros de uma elite ligada ao poder militar e administrativo antes do que se imaginava. 
A câmara funerária recém-descoberta faz parte de uma campanha mais ampla de pesquisas em Gnezdilovo. Sete anos de trabalho transformaram o cemitério em uma fonte importante para o estudo da sociedade do nordeste da Rus'. 

Quase uma centena de sepulturas já foi examinada no local. Apenas em 2026, os pesquisadores identificaram outros 15 enterramentos em três áreas da necrópole. A maioria era formada por sepultamentos simples, feitos em covas voltadas para o oeste. Alguns haviam sido originalmente cobertos por montes funerários, estruturas de terra que foram destruídas ao longo dos séculos pela atividade agrícola. 
Na parte sudoeste do cemitério, também foram encontradas sepulturas femininas com anéis de prata, colares de contas de vidro, cornalina e cristal, além de pingentes produzidos com moedas da Europa Ocidental e Oriental e uma peça em formato de cavalo. Entre os enterramentos considerados masculinos, outro destaque foi o de um jovem sepultado com um machado de batalha.  </description>  <media:content url="https://s2-galileu.glbimg.com/Lr5swn02zxqTkTesBMEEPYBO5UI=/i.s3.glbimg.com/v1/AUTH_fde5cd494fb04473a83fa5fd57ad4542/internal_photos/bs/2026/l/J/bTkvaITQ69PRBSxqBQQw/kamera-copy.jpg" medium="image"/>   <media:description>Sepultamento em câmara ardente de um homem com um cavalo, armas e equipamento equestre</media:description>   <media:credit>Instituto de Arqueologia da Academia Russa de Ciências e Museu Histórico Estatal</media:credit>  <category>galileu</category> <pubDate>Tue, 25 Aug 2026 13:11:22 -0000</pubDate>  </item>  <item> <title>App de Harvard ajuda pessoas com deficiência visual a desviar de obstáculos</title>  <atom:subtitle>Ideia é ser mais acessível do que as ferramentas usadas normalmente, como bengalas e cães-guias</atom:subtitle>  <link>https://revistagalileu.globo.com/tecnologia/noticia/2026/08/app-de-harvard-ajuda-pessoas-com-deficiencia-visual-a-desviar-de-obstaculos.ghtml</link> <guid isPermaLink="true">https://revistagalileu.globo.com/tecnologia/noticia/2026/08/app-de-harvard-ajuda-pessoas-com-deficiencia-visual-a-desviar-de-obstaculos.ghtml</guid> <description>  <![CDATA[ <img src="https://s2-galileu.glbimg.com/BOwedGEFgtFTFbo0B8xXdSgdlKY=/i.s3.glbimg.com/v1/AUTH_fde5cd494fb04473a83fa5fd57ad4542/internal_photos/bs/2026/K/2/EUUIAySKKTwQAZ4cBlxw/img-6284.jpeg" /><br /> ]]>    Pesquisadores da Universidade Harvard, nos EUA, criaram um aplicativo para celular para ajudar pessoas com deficiência visual. O objetivo do app Mobilio, nome dado à ferramenta, é auxiliar a locomoção com mais rapidez e segurança, substituindo métodos como bengalas e cães-guias. Um estudo foi publicado na revista científica Nature Biomedical Engineering nesta segunda-feira (24),
O programa usa IA e conjuntos de áudios personalizados para dar instruções precisas e confiáveis de direção, e orientar o usuário ao longo de trajetos e detectar obstáculos a serem desviados. As três funcionalidades foram desenvolvidas à dedo: a equipe de cientistas entrevistou 112 pessoas com deficiência visual completa ou parcial para compreender as suas principais necessidades. 
Celular na manga
Você, leitor da GALILEU, já deve ter feito uma lista mental de todas as ferramentas que existem e cumprem, há décadas, o mesmo propósito do Mobilio. Afinal, há as bengalas, os cães-guias e os dispositivos eletrônicos de auxílio à locomoção. Até mesmo o GPS pode entrar em campo nesta conversa.
Acontece, porém, que nem todas as pessoas com deficiência visual têm condições e acesso a essas ferramentas. O celular, então, acessível a qualquer pessoa, desponta como um auxiliar mais promissor.
O uso do aplicativo possibilitará que mais pessoas com deficiência visual possam caminhar pelas ruas com segurança e autonomia
Wikimedia Commons
O Mobilio também utiliza sensores de unidade de medição inercial – isto é, dados que medem como o corpo está se movendo, o que engloba aceleração e velocidade – e à orientação. Contudo, o grande destaque é que a ferramenta utiliza um modelo de visão computacional personalizado que analisa a transmissão ao vivo da câmera a partir da perspectiva de um pedestre para encontrar caminhos transitáveis.
Esse ponto de vista é um avanço tecnológico significativo. Isso porque a maioria dos conjuntos de dados referentes à cenas de rua disponíveis publicamente foram capturados por veículos automobilísticos, não incluindo as necessidades dos pedestres. 
De modo à consertar a antiga classificação da infraestrutura “escaneada” pelos carros e incluir o grupo, Raymond Liu, da Harvard, decidiu resolver o problema. Para isso, ele treinou um modelo de segmentação semântica especificamente em imagens da perspectiva do pedestre. Foi graças a essa iniciativa que o aplicativo reconhece, com precisão, calçadas, faixas, ruas e outras superfícies que podem aparecer durante a caminhada.
O aplicativo Mobilio é capaz de detectar obstáculos e indicar ao usuário qual é a melhor direção a se tomar
Nature Biomedical Engineering
O acompanhamento do app acontece de maneira contínua. Em vez de depender apenas de instruções de voz, o aplicativo emite bipes que indicam direções a partir da esquerda ou da direita do usuário. Conforme a pessoa caminha, o sistema observa o quanto ela consegue seguir essas orientações e ajusta automaticamente os sons e os padrões de tom para encontrar a forma mais eficiente de guiá-la. 
Testes e futuro
Para descobrir se a ferramenta funciona na prática, os pesquisadores recrutaram 14 voluntários – todos com deficiência visual – e pediram que eles percorressem ambientes externos e internos com obstáculos. Primeiro, os participantes deveriam usar o Google Maps com navegação passo a passo e uma bengala e, depois, deveriam repetir as tarefas, mas, dessa vez, com o Mobilio e a bengala.
Os resultados chamaram atenção. No percurso externo, quem utilizou o Mobilio completou a caminhada cerca de 13% mais rápido. Já no ambiente interno, os contatos com obstáculos diminuíram aproximadamente 41%. Em relação à capacidade de conduzir os usuários ao destino sem grandes erros, o desempenho do aplicativo foi comparável ao de um guia humano.

Liu disse que essa etapa é crucial para o desenvolvimento do projeto. Para ele, não é possível prever completamente como alguém irá reagir à tecnologia, especialmente quando se considera a diversidade de experiências e necessidades dentro da deficiência visual.
E os testes estão longe de terminar. Os próximos passos da equipe envolvem colocar o aplicativo diante de uma variedade maior de ambientes reais na região de Boston. A intenção é descobrir se o sistema consegue manter seu desempenho em situações mais diversas e se pode se encaixar de maneira natural nos hábitos cotidianos de quem o utiliza.  </description>  <media:content url="https://s2-galileu.glbimg.com/BOwedGEFgtFTFbo0B8xXdSgdlKY=/i.s3.glbimg.com/v1/AUTH_fde5cd494fb04473a83fa5fd57ad4542/internal_photos/bs/2026/K/2/EUUIAySKKTwQAZ4cBlxw/img-6284.jpeg" medium="image"/>   <media:description>Em vez de depender apenas de instruções de voz, o aplicativo emite bipes que indicam direções a partir da esquerda ou da direita do usuário</media:description>   <media:credit>Nature Biomedical Engineering</media:credit>  <category>galileu</category> <pubDate>Mon, 24 Aug 2026 22:58:52 -0000</pubDate>  </item>  <item> <title>Por que as memórias ficam menos nítidas conforme envelhecemos</title>  <atom:subtitle>Estudo mostra que envelhecimento modifica a forma como lembranças são recuperadas: detalhes específicos se perdem, enquanto informações gerais ganham espaço</atom:subtitle>  <link>https://revistagalileu.globo.com/ciencia/noticia/2026/08/por-que-as-memorias-ficam-menos-nitidas-conforme-envelhecemos.ghtml</link> <guid isPermaLink="true">https://revistagalileu.globo.com/ciencia/noticia/2026/08/por-que-as-memorias-ficam-menos-nitidas-conforme-envelhecemos.ghtml</guid> <description>  <![CDATA[ <img src="https://s2-galileu.glbimg.com/vdL5HCWgSsFFLTi4zMSOwn-T8BQ=/i.s3.glbimg.com/v1/AUTH_fde5cd494fb04473a83fa5fd57ad4542/internal_photos/bs/2026/h/R/blIMb6Q0qAopK7552LoQ/pexels-shvets-production-7545395.jpg" /><br /> ]]>    Com o passar dos anos, lembrar de uma experiência do passado pode se tornar mais complexo do que simplesmente “abrir um arquivo” guardado na memória. Segundo um novo estudo feito por pesquisadores da Universidade de East Anglia, na Inglaterra, o envelhecimento está associado não apenas à perda de detalhes das lembranças, mas também a mudanças na maneira como diferentes tipos de memórias são recuperadas.
A pesquisa, publicada em 27 de julho na revista Psychology and Aging, indica que, conforme envelhecem, as pessoas tendem a se lembrar menos de elementos específicos de acontecimentos passados, como imagens, sons e emoções associados a determinado momento. No entanto, informações mais gerais e interpretações sobre essas experiências ganham espaço. Assim, uma lembrança vívida e específica pode dar lugar a uma versão mais ampla do que aconteceu.
“À medida que envelhecemos, nossas memórias tendem a se tornar menos detalhadas e mais gerais, focando na história como um todo em vez de momentos específicos”, explica o professor Louis Renault, da Escola de Psicologia da Universidade de East Anglia, e principal autor do estudo, em comunicado. Segundo ele, essa transformação está relacionada a alterações na forma como o cérebro recupera informações.
Diferentes tipos de memória
Para investigar o fenômeno, os pesquisadores analisaram as chamadas memórias autobiográficas — experiências pessoais que ajudam a construir a história de vida de cada pessoa. Elas podem ser lembranças de acontecimentos únicos e específicos, como uma festa de aniversário, ou experiências gerais e recorrentes, como o trajeto habitual até o trabalho.
Participaram do estudo 74 pessoas: 37 estudantes e 37 adultos mais velhos. Os voluntários receberam palavras-chave, como “mercado”, e foram convidados a recordar os dois tipos de memória.
Primeiro, eles precisavam recuperar cada categoria separadamente. Depois, foram instruídos a alternar entre lembranças específicas e categóricas. A segunda tarefa exigia maior controle cognitivo, já que os participantes precisavam mudar constantemente o tipo de memória que estavam buscando. Os pesquisadores avaliaram tanto se os participantes seguiam corretamente as instruções quanto o nível de detalhes apresentado em cada resposta.
Alternar entre memórias pode ser mais difícil
A capacidade de alternar entre os dois tipos de lembrança teve um custo para participantes de todas as idades. O desempenho da memória diminuiu quando era necessário mudar de uma categoria para outra, como apontam os autores.
Os adultos mais velhos, porém, foram particularmente afetados na recuperação de memórias repetitivas e corriqueiras. Quando precisavam alternar entre os diferentes tipos de lembrança, tiveram menor precisão ao recordar experiências como o trajeto para o trabalho.
Já as memórias de acontecimentos específicos, como uma festa de aniversário, foram menos afetadas pela tarefa de alternância. Para os pesquisadores, isso sugere que determinados mecanismos de recuperação podem ser mais vulneráveis ao envelhecimento quando a pessoa precisa lidar simultaneamente com diferentes demandas cognitivas.
Menos detalhes, mais conhecimento geral
A diferença mais marcante apareceu quando os cientistas analisaram o conteúdo das lembranças. Ao recordar acontecimentos específicos, os participantes mais velhos apresentaram narrativas com menos detalhes ligados às características sensoriais e emocionais da experiência.
Isso significa que elementos como imagens, sons e emoções associados ao momento tendem a aparecer com menos riqueza. Ao mesmo tempo, os adultos mais velhos apresentaram mais detalhes "semânticos" — informações gerais ou interpretações relacionadas ao acontecimento.
O mesmo padrão apareceu nas memórias categóricas. Em vez de preservar tantos detalhes ligados a uma experiência particular, as lembranças passaram a depender mais de um conhecimento generalizado sobre aquele tipo de situação.
Para os pesquisadores, os resultados mostram que o envelhecimento da memória é mais complexo do que um simples processo de esquecimento. A questão não seria apenas quantas informações permanecem armazenadas, mas também como elas são acessadas e expressas.
“Quando os idosos recordam eventos, a riqueza dessas memórias pode ser reduzida”, afirmou Renoult, em comunicado. De acordo com o pesquisador, essa transformação pode refletir alterações nos sistemas cerebrais envolvidos na recuperação de informações contextuais detalhadas e no gerenciamento de tarefas cognitivas complexas.

As mudanças também podem ter consequências no cotidiano. Situações que exigem alternar rapidamente entre diferentes tipos de lembranças ou adaptar o pensamento  — como contar histórias, tomar decisões e resolver problemas — podem se tornar mais difíceis com a idade.
Por outro lado, depender mais de informações gerais não necessariamente representa apenas uma desvantagem. Segundo a equipe de pesquisa, memórias mais generalizadas podem contribuir para a formação de conhecimento, o reconhecimento de padrões e uma comunicação mais eficiente. Assim, embora detalhes de experiências passadas possam ficar menos vívidos, parte do conhecimento extraído dessas experiências permanece.
Agora, os autores esperam que os resultados da pesquisa contribuam para novas abordagens voltadas à promoção de um envelhecimento cognitivo mais saudável.  </description>  <media:content url="https://s2-galileu.glbimg.com/vdL5HCWgSsFFLTi4zMSOwn-T8BQ=/i.s3.glbimg.com/v1/AUTH_fde5cd494fb04473a83fa5fd57ad4542/internal_photos/bs/2026/h/R/blIMb6Q0qAopK7552LoQ/pexels-shvets-production-7545395.jpg" medium="image"/>   <media:description>74 pessoas, entre estudantes e adultos mais velhos participaram do estudo. Em ambos os grupos, o desempenho da memória diminuiu quando os participantes precisaram alternar entre os tipos de lembrança</media:description>   <media:credit>Pexels</media:credit>  <category>galileu</category> <pubDate>Mon, 24 Aug 2026 21:25:25 -0000</pubDate>  </item>  <item> <title>Por que astronautas têm tantos problemas para ir ao banheiro no espaço</title>  <atom:subtitle>Cientistas investigaram como o metabolismo muda durante viagens espaciais; fermentação de proteínas é a principal causa para a prisão de ventre extraterrestre</atom:subtitle>  <link>https://revistagalileu.globo.com/ciencia/noticia/2026/08/por-que-astronautas-tem-tantos-problemas-para-ir-ao-banheiro-no-espaco.ghtml</link> <guid isPermaLink="true">https://revistagalileu.globo.com/ciencia/noticia/2026/08/por-que-astronautas-tem-tantos-problemas-para-ir-ao-banheiro-no-espaco.ghtml</guid> <description>  <![CDATA[ <img src="https://s2-galileu.glbimg.com/oDpxCx4MWB2tlgiHf7ieeOlTrTw=/i.s3.glbimg.com/v1/AUTH_fde5cd494fb04473a83fa5fd57ad4542/internal_photos/bs/2026/4/2/Ys1lNvSriIjVUyfTJdIg/picture1.jpg" /><br /> ]]>    Para algumas pessoas, evacuar (ou “fazer cocô”, como preferir) não está entre as tarefas mais simples. Isso pode acontecer porque a timidez ganha da vontade biológica, ou pela falta da ingestão de água e de fibras. E também quando você está no espaço: para além da gravidade zero e dos alimentos desidratados, os astronautas também lidam com uma série de problemas gastrointestinais. 
Cientistas da NASA, a agência espacial americana, e da Universidade de Copenhague (Dinamarca) analisaram 52 amostras sanguíneas de tripulantes espaciais. Eles descobriram que muitas das mudanças no intestino ocorrem assim que os astronautas entram em um ambiente de microgravidade. A análise foi publicada na revista científica Nature Communications em 29 de junho.
E o problema é sério: se aqui, na Terra, ficar sem ir ao banheiro por dois ou três dias já é um sinal de alerta, imagine no espaço? Além de desconfortável, a constipação tem potencial de desencadear problemas de saúde, como alterações de humor e possíveis danos renais. 
Por que isso acontece?
Durante décadas, os cientistas sabiam que ir ao espaço era quase um sinônimo – e uma declaração pública – de que o “número 2” seria um incômodo por tempo indeterminado. O problema é que as causas para esse evento ainda eram um mistério. Afinal, como eles poderiam comer e não chegar ao final do processo com a evacuação das fezes?
A verdade é que essa primeira etapa do processo de alimentação é pouco afetada pela gravidade, principalmente com os músculos do esôfago empurrando a comida para o estômago, onde as coisas começam a azedar. Aqui, o bolo alimentar fica livre para flutuar já que, devido à microgravidade do espaço, os fluidos do corpo tendem a se deslocar e redistribuir. 
Sem a gravidade de 1G (uma taxa convencional de aceleração de cerca de 9,8 m/s²), característica da Terra, é quase impossível forçar que o conteúdo do estômago continue onde está. Como um dos resultados desse problema, os tripulantes lidam com os “arrotos úmidos”, isto é, uma mistura de ar, líquido e até partículas de comida.
A astronauta Serena Auñón-Chancellor demonstra o funcionamento do banheiro da Estação Espacial Internacional
NASA
Se você, leitor, acompanha a GALILEU com frequência, deve ter percebido o aumento na publicação de notícias referentes à transplantes fecais – e se você tiver ficado com nojinho do nome, não culpo você. Esse tipo de procedimento, ao contrário do que o nome pressupõe, não é a doação e o recebimento de fezes, mas de parte do microbioma intestinal.
São essas as principais bactérias responsáveis por começar a fermentar as proteínas no intestino e, assim, levar ao fim da prisão de ventre. A fermentação proteica ocorre quando as bactérias intestinais começam a decompor proteínas em vez de fibras, porque as fibras da dieta já foram consumidas. Isso não é anormal e acontece com muitas pessoas no mundo.
A falta de gravidade  faz com que os alimentos se movam mais lentamente pelo intestino. O problema se soma ao aumento no ritmo de fermentação das proteínas. Na Terra, essa fermentação ocorre em níveis menores, de modo à proporcionar um ambiente intestinal mais saudável.
“Observamos alterações nas amostras de sangue dos astronautas que indicam que as bactérias intestinais começam a fermentar proteínas em maior grau do que o normal poucas semanas após a chegada dos astronautas ao espaço, e essa alteração continua até o retorno deles à Terra”, contou Giorgia La Barbera, pesquisador Universidade de Copenhague envolvido no estudo, ao site IFLScience.
O que são metabólitos?
Para além de querer conhecer as causas para o quadro de constipação entre os astronautas, a equipe de pesquisadores também tinha como objetivo analisar os metabólitos sanguíneos dos tripulantes. Metabólitos são pequenas moléculas na circulação sanguínea que revelam como funciona o metabolismo daquele corpo.

Tratam-se de partículas importantes e que podem ser usadas como pistas para outros aspectos da saúde humana. A fermentação de proteínas mencionada, por exemplo, está associada à danos renais, alterações de humor e redução da capacidade de concentração. Todos esses efeitos podem ser investigados a partir dos metabólitos.
As descobertas oriundas de análises como essa revelam como a digestão pode levar à consequências para todo o corpo humano, incluindo o cérebro. Afinal, poucas coisas mexem mais com a cabeça do que problemas na hora de se aliviar, não é mesmo?  </description>  <media:content url="https://s2-galileu.glbimg.com/oDpxCx4MWB2tlgiHf7ieeOlTrTw=/i.s3.glbimg.com/v1/AUTH_fde5cd494fb04473a83fa5fd57ad4542/internal_photos/bs/2026/4/2/Ys1lNvSriIjVUyfTJdIg/picture1.jpg" medium="image"/>   <media:description>Mudanças no trato digestivo humano, sobretudo no intestino, ocorrem assim que a tribulação entra na zona de microgravidade espacial, o que torna o ato de ir ao banheiro um tanto complicado</media:description>   <media:credit>Frans Wej/Jean Beaufort/Elionas2</media:credit>  <category>galileu</category> <pubDate>Mon, 24 Aug 2026 19:57:47 -0000</pubDate>  </item>  <item> <title>Qual o anabolizante mais perigoso que existe?</title>  <atom:subtitle>Uso de esteroides anabolizantes androgênicos para fins estéticos é proibido no Brasil. Entenda quais são os riscos do uso dessas substâncias</atom:subtitle>  <link>https://revistagalileu.globo.com/saude/noticia/2026/08/qual-o-anabolizante-mais-perigoso-que-existe.ghtml</link> <guid isPermaLink="true">https://revistagalileu.globo.com/saude/noticia/2026/08/qual-o-anabolizante-mais-perigoso-que-existe.ghtml</guid> <description>  <![CDATA[ <img src="https://s2-galileu.glbimg.com/yx3qL0wYwrgOfmguLTNtN19KI48=/i.s3.glbimg.com/v1/AUTH_fde5cd494fb04473a83fa5fd57ad4542/internal_photos/bs/2024/K/j/l97sIFRGecEjlJmWIGQQ/alora-griffiths-uq9csv9ejyw-unsplash.jpg" /><br /> ]]>    Segundo dados recentes da Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária), a venda de anabolizantes com testosterona (o hormônio masculino ligado ao ganho de massa muscular) aumentou 670% nos últimos cinco anos. Essas substâncias, que são administradas por via oral ou injetável, estimulam o crescimento celular, ajudando a aumentar a quantidade de tecidos diversos, como o muscular e o ósseo. No Brasil, esses produtos não podem ser prescritos para fins estéticos e a venda exige sempre prescrição médica.
Não existe um consenso científico de que haja um único anabolizante "mais perigoso". O risco depende de vários fatores, como dose, duração do uso, combinação com outras drogas, predisposição genética e qualidade do produto, já que muitos dos anabolizantes vendidos no mercado paralelo são falsificados.
Dito tudo isso, a resposta: a trembolona costuma ser citada por vários profissionais da saúde como uma das mais perigosas e talvez a mais nociva de todas. Esse produto é um fármaco veterinário e não tem liberação para uso humano. Ele costuma ser usado em conjunto com outros anabolizantes perigosos, como a oximetolona (vendida pelo nome comercial Anadrol), e pode causar danos severos ao corpo, inclusive potencialmente levando à morte.
Os principais problemas da trembolona incluem:
hipertrofia e fibrose do músculo cardíaco
lesões renais e hepáticas
aumento severo da pressão arterial
piora acentuada do colesterol (redução do HDL e aumento do LDL)
alterações psiquiátricas (ansiedade, agressividade e insônia)
supressão quase completa da produção natural de testosterona
Mas a trembolona está longe de ser a única substância perigosa nesse meio. Outras vilãs famosas são a metandrostenolona (Dianabol), a já citada oximetolona (Anadrol) e o estanozolol (Winstrol) — esta última tem fama de “mais leve”, mas pode ser tão danosa quanto as demais. A boldenona, também muito famosa no Brasil, é conhecida por estar entre os anabolizantes que mais causam hipertensão arterial (pressão alta), o que é particularmente perigoso para os rins.

De modo geral, os esteroides anabolizantes androgênicos (EAA) são extremamente prejudiciais às funções cardiovascular, hepática, renal e hematológica, além de causar transtornos psiquiátricos. Há vários casos de morte súbita e AVC relatados em jovens que faziam uso dessas substâncias.
Para quem deseja ganhar músculo, o recomendado é acompanhamento médico e nutricional aliado à prática de exercícios, sem utilizar anabolizantes que não tenham indicação médica.  </description>  <media:content url="https://s2-galileu.glbimg.com/yx3qL0wYwrgOfmguLTNtN19KI48=/i.s3.glbimg.com/v1/AUTH_fde5cd494fb04473a83fa5fd57ad4542/internal_photos/bs/2024/K/j/l97sIFRGecEjlJmWIGQQ/alora-griffiths-uq9csv9ejyw-unsplash.jpg" medium="image"/>   <media:description>Uso de anabolizantes com testosterona aumentou 670% nos últimos cinco anos, segundo dados da Anvisa</media:description>   <media:credit>Alora Griffiths/Unsplash</media:credit>  <category>galileu</category> <pubDate>Mon, 24 Aug 2026 18:49:17 -0000</pubDate>  </item>  <item> <title>Gato com 29 dedos devido a condição rara quebra recorde nos EUA; veja </title>  <atom:subtitle>Com anomalia genética chamada polidactilia, gato da raça maine coon têm 11 dedos a mais que o número padrão para um felino doméstico</atom:subtitle>  <link>https://revistagalileu.globo.com/sociedade/curiosidade/noticia/2026/08/gato-com-29-dedos-devido-a-condicao-rara-quebra-recorde-nos-eua-veja.ghtml</link> <guid isPermaLink="true">https://revistagalileu.globo.com/sociedade/curiosidade/noticia/2026/08/gato-com-29-dedos-devido-a-condicao-rara-quebra-recorde-nos-eua-veja.ghtml</guid> <description>  <![CDATA[ <img src="https://s2-galileu.glbimg.com/O5yyynBd8Yyd3EtlRBV5WXhxaa0=/i.s3.glbimg.com/v1/AUTH_fde5cd494fb04473a83fa5fd57ad4542/internal_photos/bs/2026/P/L/3YMklNSHqv5knND57l4Q/784079548-2514135412412779-2250918799534091805-n.jfif" /><br /> ]]>    Um gato da raça maine coon nascido em Illinois, nos Estados Unidos, virou recordista mundial por uma característica inusitada: os 29 dedos que ele possui nas patas. Trata-se do maior número já registrado em um felino pelo Guinness World Records. 
O nome escolhido para o gatinho recordista chama atenção: "Erebus Anomaly". Erebus faz referência ao deus da escuridão da mitologia grega (e provavelmente se inspirou na cor preta do bichano ao nascer, como você pode ver na foto abaixo). Já "anomaly" tem a ver com alteração genética que explica seus dedos extras, a polidactilia. 
A polidactilia é relativamente comum em gatos, especialmente os da raça maine coon. Enquanto um gato doméstico costuma ter 18 dedos — cinco em cada pata dianteira e quatro em cada traseira —, os polidáctilos geralmente têm 19 ou um pouco mais. Erebus, porém, levou a característica ao extremo.
Kendra e Hunter, responsáveis pelo criadouro Blue Northern Maine Coons, perceberam os dedos extras logo após o nascimento, e suspeitaram que o filhote poderia estabelecer um recorde. Após passar pela verificação do Guinness, Erebus foi oficialmente reconhecido como o gato com mais dedos já documentado.
O recorde anterior, de 28 dedos, pertencia a Jake, um gato canadense nascido em 2002. No início deste ano, Toby, de Michigan, também ganhou fama por também ter 28.
Polidactilia causa problemas aos gatos?
Na maioria dos casos, a polidactilia não representa risco de problemas graves de saúde. Ainda assim, gatos com dedos extras devem ser acompanhados por um veterinário para verificar possíveis alterações. Entre elas estão a hipoplasia radial, condição em que o osso rádio cresce menos que a ulna e pode provocar deformidades nas patas.
Também é importante ficar atento às unhas dos dedos extras, especialmente quando eles ocupam a posição semelhante à dos polegares. Por não sofrerem desgaste natural, essas unhas podem crescer excessivamente, machucar o animal ou ficar presas em tecidos, podendo até ser arrancadas.
Gato Erebus Anomaly nasceu com 29 dedos
Reprodução/WFRV
Para ajudar no desgaste das garras, a recomendação é disponibilizar arranhadores em diferentes pontos da casa. Em alguns casos, também pode ser necessário aparar as unhas com orientação veterinária. Essas medidas, porém, são importantes para gatos em geral, não apenas para os polidáctilos.
Os felinos com dedos a mais são comumente mais encontrados no oeste da Inglaterra, País de Gales, Canadá e leste dos Estados Unidos. O maior número notado nessas regiões é frequentemente atribuído aos tempos em que viajavam em navios transcontinentais, segundo aponta o site The Spruce Pets. 
Acredita-se que os gatos polidáctilos na Inglaterra foram transportados pelo Oceano Atlântico, onde acasalaram com gatos não polidáctilos e disseminaram a característica genética. Assim como muitas raças de gatos (incluindo gatos pretos e tricolores), os gatos polidáctilos eram símbolos de boa sorte para marinheiros. 
O romancista americano Ernest Hemingway também desenvolveu um grande carinho por esses  gatinhos com vários dedos após ganhar de presente um gato branco polidáctilo chamado Bola de Neve de um capitão de navio.
Após sua morte em 1961, a casa de Hemingway, em Key West, na Flórida, foi transformada em um museu e lar para seus amados gatos. Atualmente, a colônia felina abriga cerca de 50 descendentes de sua matilha original, e aproximadamente metade deles são polidáctilos.
 O vídeo a seguir mostra mais imagens de Erebus Anomaly, o gato de 29 dedos. Veja:  </description>  <media:content url="https://s2-galileu.glbimg.com/O5yyynBd8Yyd3EtlRBV5WXhxaa0=/i.s3.glbimg.com/v1/AUTH_fde5cd494fb04473a83fa5fd57ad4542/internal_photos/bs/2026/P/L/3YMklNSHqv5knND57l4Q/784079548-2514135412412779-2250918799534091805-n.jfif" medium="image"/>   <media:description>Erebus Anomaly é um gatinho da raça Maine Coon com 29 dedos (e muita fofura!)</media:description>   <media:credit>BlueNorthern Maine coons/Facebook</media:credit>  <category>galileu</category> <pubDate>Mon, 24 Aug 2026 18:28:20 -0000</pubDate>  </item>  <item> <title>OnlyFans e criptomoeda para marmotas arrecadam R$ 600 mil e financiam pesquisas</title>  <atom:subtitle>Projeto que acompanha animais selvagens no Colorado (EUA) há mais de seis décadas encontrou solução inusitada após enfrentar cortes de financiamento</atom:subtitle>  <link>https://revistagalileu.globo.com/ciencia/meio-ambiente/noticia/2026/08/onlyfans-e-criptomoeda-para-marmotas-arrecadam-r-600-mil-e-financiam-pesquisas.ghtml</link> <guid isPermaLink="true">https://revistagalileu.globo.com/ciencia/meio-ambiente/noticia/2026/08/onlyfans-e-criptomoeda-para-marmotas-arrecadam-r-600-mil-e-financiam-pesquisas.ghtml</guid> <description>  <![CDATA[ <img src="https://s2-galileu.glbimg.com/EPTGeLJwAjyAVTisJK3BYi50ThQ=/i.s3.glbimg.com/v1/AUTH_fde5cd494fb04473a83fa5fd57ad4542/internal_photos/bs/2026/9/g/r2tt3zRDuB3piLsQ3ZBA/yellow-bellied-marmot-yosemite-national-park-california-usa.jpg" /><br /> ]]>    Quando os cortes de financiamento ameaçaram encerrar um estudo científico com mais de 60 anos de duração, seus pesquisadores buscaram uma solução pouco convencional: colocar marmotas no OnlyFans. Agora, a iniciativa ganhou um reforço ainda mais inusitado. Uma criptomoeda criada por apoiadores do projeto já rendeu dezenas de milhares de dólares e ajudou a garantir a continuidade da pesquisa por pelo menos mais um ano.
O Rocky Mountain Biological Laboratory Marmot Project acompanha marmotas-de-barriga-amarela selvagens no Colorado, nos Estados Unidos, desde 1962. Considerado um dos estudos de mamíferos mais longos do mundo, o projeto monitora aspectos como reprodução, dinâmica populacional, comportamento, evolução e fisiologia dos animais.
Neste ano, porém, a pesquisa quase chegou ao fim após ser atingida por cortes de financiamento da administração de Donald Trump. Sem recursos suficientes, os líderes do projeto, Daniel Blumstein, da Universidade da Califórnia em Los Angeles (UCLA), e Julien Martin, da Universidade de Ottawa, no Canadá, começaram a procurar maneiras alternativas de manter o trabalho.
Marmotas no OnlyFans
Em entrevista ao site IFLScience, Martin afirmou que a ideia de criar uma conta no OnlyFans surgiu de uma combinação de “muito tempo livre para pensar, muita televisão e desespero”. Pouco antes do início da temporada de pesquisa, Blumstein havia assistido à série Margo's Got Money Troubles (Margô Está em Apuros, em português), sobre uma mãe solteira que cria uma conta na plataforma (que conta com grande presença de conteúdo adulto) para conseguir dinheiro.
Enquanto observava a neve e pensava em como conseguir recursos para o projeto, o pesquisador teve a ideia: criar um OnlyFans, mas dedicado às marmotas. Ele apresentou a proposta aos estudantes envolvidos na pesquisa, que gostaram da sugestão.
Assim nasceu o OnlyMarms, uma conta totalmente livre de conteúdo sexual. Em vez disso, as publicações mostram as marmotas vivendo em seu habitat, correndo por paisagens rochosas e entrando em suas tocas. A iniciativa arrecadou cerca de US$ 6 mil (cerca de R$ 30 mil, na cotação atual) — dos quais aproximadamente 20% ficam com a plataforma. O dinheiro, no entanto, não era suficiente para manter a pesquisa. Aí surgiu uma nova ideia.
Uma criptomoeda entra em cena
Depois que o OnlyMarms ganhou atenção da mídia, Martin e Blumstein começaram a receber uma série de e-mails estranhos. “Eles estavam sinalizando todos os sinais de alerta possíveis sobre spam ou phishing [golpe virtual para roubar dados]. Eu pensei: 'Eles vão esvaziar minha conta se eu clicar em qualquer coisa'”, explicou Martin à IFLScience.
Após receber pelo menos 20 mensagens, ele decidiu ler uma delas com mais atenção. Descobriu, então, que um grupo anônimo de negociadores de criptomoedas — que não se sentiram confortáveis em doar pela plataforma OnlyFans — havia criado uma memecoin chamada $OnlyMarms para servir como doações externas. A criptomoeda, inspirada em memes e na cultura online, arrecadou mais de US$ 88 mil (cerca de R$ 450 mil, na cotação atual) em duas semanas, como destaca o jornal The Guardian.
Os criadores da moeda ofereceram aos pesquisadores as chamadas “taxas de criação”, que são cobradas a cada transação realizada com a criptomoeda. Segundo Martin, esses recursos já somavam pelo menos US$ 120 mil (cerca de R$ 618 mil, na cotação atual) e foram assegurados em uma moeda estável, sem ficarem sujeitos à volatilidade do mercado. Além disso, todo o dinheiro das taxas é destinado diretamente aos pesquisadores, funcionários e estudantes do projeto, sem repasse aos criadores ou investidores originais da criptomoeda.
“Estou completamente impressionado com o fato de essa cultura da internet, da qual mal sei algo, ter arrecadado tanto dinheiro. É fascinante e chocante para mim”, disse Martin, ao The Guardian.
Dinheiro para mais um ano
Manter o projeto custa aproximadamente US$ 100 mil por ano (cerca de R$ 515 mil, na cotação atual). Por isso, os recursos arrecadados devem garantir pelo menos mais uma temporada de pesquisas.
O acompanhamento de longo prazo permite aos cientistas observar como as marmotas respondem às mudanças no ambiente. Os pesquisadores estão atualmente na 11ª geração de animais acompanhados e já registraram alterações associadas ao aquecimento global.

Segundo Martin, as marmotas aumentaram de massa corporal à medida que os verões ficaram mais longos e os invernos mais curtos. Por outro lado, uma quantidade recorde de neve reduzida no Colorado no último inverno foi acompanhada por uma grande mortalidade dos animais. Como as marmotas hibernam em tocas, a cobertura de neve funciona como uma camada de isolamento, assim, sem ela, muitas acabam morrendo de frio.
Apesar do sucesso inesperado da campanha, os pesquisadores reconhecem que OnlyFans e memecoins não são uma solução definitiva para o problema de financiamento científico. A aposta funcionou para salvar o projeto das marmotas, mas não substitui fontes estáveis de recursos. Ainda assim, por enquanto, fotos de roedores e uma criptomoeda criada na internet deram à pesquisa um tempo a mais para continuar existindo.
Confira mais sobre a ideia do pesquisador Daniel Blumstein no vídeo abaixo:  </description>  <media:content url="https://s2-galileu.glbimg.com/EPTGeLJwAjyAVTisJK3BYi50ThQ=/i.s3.glbimg.com/v1/AUTH_fde5cd494fb04473a83fa5fd57ad4542/internal_photos/bs/2026/9/g/r2tt3zRDuB3piLsQ3ZBA/yellow-bellied-marmot-yosemite-national-park-california-usa.jpg" medium="image"/>   <media:description>Mãe e filhote de marmota-de-barriga-amarela (Marmota flaviventris). Animais ganharam "Onlyfans" próprio nos EUA</media:description>   <media:credit>Patrícia Bacchetti/Wikimedia Commons</media:credit>  <category>galileu</category> <pubDate>Mon, 24 Aug 2026 18:04:38 -0000</pubDate>  </item>  <item> <title>Cientistas transformam plástico em biscoito comestível impresso em 3D</title>  <atom:subtitle>Enriquecido com vitamina A e com sabor baunilha, alimento poderá abastecer astronautas em futuras missões espaciais, além de pessoas em zonas de desastre</atom:subtitle>  <link>https://revistagalileu.globo.com/ciencia/noticia/2026/08/cientistas-transformam-plastico-em-biscoito-comestivel-impresso-em-3d.ghtml</link> <guid isPermaLink="true">https://revistagalileu.globo.com/ciencia/noticia/2026/08/cientistas-transformam-plastico-em-biscoito-comestivel-impresso-em-3d.ghtml</guid> <description>  <![CDATA[ <img src="https://s2-galileu.glbimg.com/HHi7YzWjC1Ly5wrHDqjOng8u8EI=/i.s3.glbimg.com/v1/AUTH_fde5cd494fb04473a83fa5fd57ad4542/internal_photos/bs/2026/f/H/ICO9E9SnuWaXOP5hjlOA/082426-plastic-cookies.jpg" /><br /> ]]>    Uma receita de biscoito pode levar farinha, açúcar, leite... e, agora, plástico. Pesquisadores programaram leveduras para transformar resíduos plásticos e agrícolas em proteínas comestíveis e moléculas aromatizantes, criando um doce a partir do lixo. A novidade veio a público durante a reunião da Sociedade Americana de Química (ACS), que acontece entre 23 e 27 de agosto, em Chicago, nos Estados Unidos.
Desenvolvido em pesquisa financiada pelo programa Deep Space Food Challenge da NASA, o biscoito serve não apenas como um novo método para reciclagem, mas também poderá se tornar alimento em zonas de desastre ou até mesmo em missões espaciais. 
Especialistas da Universidade do Sul de Illinois utilizaram plástico PET (tereftalato de polietileno), talos e folhas descartados de plantas de milho e outras biomassas, submetendo-os a um processo patenteado chamado dissolução hidrotérmica oxidativa. Frequentemente usado na fabricação de garrafas de refrigerante e água, esse tipo de plástico contém moléculas com alto teor de carbono que poderiam ser reconstruídas em proteína. 
Só que, em vez de fazerem a reconstrução com reações químicas e solventes em laboratório, os cientistas decidiram utilizar micro-organismos. “Os micróbios são muito inteligentes. Então, estamos usando suas características para resolver os problemas que criamos", diz em comunicado o professor associado da Universidade do Sul de Illinois, Lahiru Jayakody.
Em parceria com a estudante de pós-graduação Sandhya Jayasekara, o professor programou diversas leveduras, incluindo a levedura usada em panificação, para converter moléculas presentes em resíduos plásticos e agrícolas em proteínas, vitaminas e aromatizantes. 
A equipe utilizou água e oxigênio em alta temperatura e pressão para decompor o material resistente em pedaços acessíveis aos microrganismos. Depois, esses pedaços foram oferecidos às leveduras , que os transformam em uma variedade de novos ingredientes alimentares, incluindo proteínas, gorduras e ácidos. Por fim, os cientistas adicionaram fibras, amido e adoçante à mistura, processada em uma impressora 3D para sair no formato de biscoitos. 
Vitaminado e sabor baunilha
Apelidadas de µBites (“microbites”), as guloseimas ainda aguardam aprovação institucional para realizar testes de sabor, embora testes preliminares tenham demostrado que elas são seguras para consumo. Os biscoitos receberam notas altas em aroma, com a maioria dos participantes concordando que os comeriam em situações de recursos limitados. 
Para deixar o alimento mais gostoso, Jayasekara criou leveduras capazes de produzir mais aditivos alimentares. A levedura de padeiro produz aroma de baunilha a partir de biomassa vegetal, enquanto uma cepa diferente transforma o etilenoglicol do PET em betacaroteno, que o organismo converte em vitamina A.  "Estamos usando microrganismos para desenvolver o biscoito e torná-lo um produto mais atraente e fácil de consumir", afirma o pesquisador.  
Agora, os cientistas esperam produzir mais ingredientes usando microrganismos, incluindo o amido, as fibras e o adoçante adicionados no biscoito. O doce deve estar disponível para consumo público daqui alguns anos, podendo ser usado em ambientes extremos, como em submarinos ou até mesmo colônias na Lua ou em Marte. 
 “A demanda global por alimentos deve aumentar de 35% a 56% até o ano de 2050, e cerca de 30% da população mundial estará em risco de passar fome no futuro. Acredito que a solução para isso seja o uso de microrganismos”, conclui Jayasekara. 
O vídeo a seguir mostra mais detalhes sobre o desenvolvimento do biscoito. Veja:  </description>  <media:content url="https://s2-galileu.glbimg.com/HHi7YzWjC1Ly5wrHDqjOng8u8EI=/i.s3.glbimg.com/v1/AUTH_fde5cd494fb04473a83fa5fd57ad4542/internal_photos/bs/2026/f/H/ICO9E9SnuWaXOP5hjlOA/082426-plastic-cookies.jpg" medium="image"/>   <media:description>Este biscoito é feito com resíduos vegetais e plástico. Mas e o sabor? Veja o que disseram voluntários</media:description>   <media:credit>Sociedade Americana de Química (ACS)</media:credit>  <category>galileu</category> <pubDate>Mon, 24 Aug 2026 16:09:45 -0000</pubDate>  </item>  <item> <title>Sintomas do Alzheimer podem ser confundidos com depressão. Entenda como distinguir</title>  <atom:subtitle>Isolamento, alterações de comportamento e falhas de memória, ao contrário do que muita gente pensa, não são naturais do envelhecimento. Veja como reconhecer sinais que podem acelerar o diagnóstico</atom:subtitle>  <link>https://revistagalileu.globo.com/saude/noticia/2026/08/sintomas-do-alzheimer-podem-ser-confundidos-com-depressao-entenda-como-distinguir.ghtml</link> <guid isPermaLink="true">https://revistagalileu.globo.com/saude/noticia/2026/08/sintomas-do-alzheimer-podem-ser-confundidos-com-depressao-entenda-como-distinguir.ghtml</guid> <description>  <![CDATA[ <img src="https://s2-galileu.glbimg.com/sNpC4GvdcmYnO9QdIiCwVsdbWSk=/i.s3.glbimg.com/v1/AUTH_fde5cd494fb04473a83fa5fd57ad4542/internal_photos/bs/2026/k/n/SipYeBStOCumrLkG1Fng/man-person-people-senior-citizen-elder-family-601065-pxhere.com.jpg" /><br /> ]]>    Perder o interesse por atividades que antes davam prazer, afastar-se da convivência social, ficar mais irritado ou começar a esquecer informações importantes podem parecer apenas uma coleção de consequências da idade. Mas, em alguns casos, esses sinais escondem condições que precisam de diagnóstico e tratamento, como quadros de depressão e Alzheimer.
O problema é que tanto a depressão quanto as demências podem aparecer de maneiras diferentes. A depressão na terceira idade, por exemplo, nem sempre vem acompanhada de tristeza evidente. E o Alzheimer, por sua vez, não se resume apenas à perda de memória, mas também à alterações de comportamento, autonomia e até de personalidade. 
No Brasil, um estudo publicado em 2024 com dados da Pesquisa Nacional de Saúde que 11,8% das pessoas com 60 anos ou mais tenham depressão. O levantamento analisou 22.728 participantes e também constatou que o quadro ocorre mais entre as mulheres, em destaque para aquelas que já possuem uma série de doenças crônicas.
Alzheimer em pele de depressão
A depressão pode assumir um disfarce na velhice. Em vez de choro ou tristeza escancarados, podem aparecer sinais de irritabilidade, ansiedade e cansaço. Somado a isso, também há as queixas físicas, alterações do sono e do apetite, dificuldade de concentração e uma perda gradual do interesse pela própria rotina que, por vezes, é atribuída simplesmente ao envelhecimento. 
Quando esses sinais permanecem por mais de duas semanas, uma avaliação profissional pode ajudar a descobrir o que está acontecendo. Também merece atenção o isolamento social, já que esse comportamento pode servir como uma métrica para tanto o surgimento quanto o agravamento da depressão.
Sintomas de depressão, problemas de tireoide e deficiências vitamínicas podem levar idosos, familiares e amigos a atribuir mudanças ao Alzheimer
PxHere
Outro motivo para a depressão em idosos passar despercebida é que o quadro também pode afetar funções cognitivas. Dificuldade de concentração e queixas de memória podem aparecer em pessoas deprimidas. Acontece que essas queixas também são características da demência e, por vezes, são erroneamente interpretadas como tais. 
Mas que hábitos, afinal, deveria, preocupar? Esquecer ocasionalmente onde deixou um objeto ou demorar para lembrar uma palavra, por exemplo, podem ser hábitos associados ao envelhecimento natural. Por outro lado, mudanças que interferem na vida cotidiana, na capacidade de realizar tarefas conhecidas, na comunicação ou na autonomia precisam ser investigadas mais a fundo.
Quando se é esquecido…
A doença é a forma mais comum de demência e responde por cerca de 60% a 70% dos casos, segundo a OMS (Organização Mundial da Saúde). Além das alterações de memória, podem surgir dificuldades para encontrar palavras, resolver problemas, tomar decisões, realizar tarefas habituais e compreender situações. 
Junto disso, existe uma série de alterações biológicas que ajudam a explicar o porquê da doença não poder ser reduzida ao simples esquecimento. A principal delas é justamente a definição de Alzheimer a partir dos aspectos biológicos: o acúmulo proteico do paciente leva à formação de placas entre as células nervosas, que com o tempo perdem a sua associação com as demais células cerebrais. 
Porém, nem toda pessoa que apresenta problemas de memória tem Alzheimer. Além da depressão, deficiência de vitamina B12, alterações da tireoide e determinados medicamentos podem contribuir para alterações cognitivas e precisam ser investigadas. 
A proteína-tau, estrutura interna que dá forma aos neurônios, sofre alterações químicas, muda de forma, se acumula em emaranhados tóxicos e destrói as células cerebrais, causando a perda de memória e o avanço do Alzheimer
Wikimedia Commons
Alzheimer: sim ou não?
O cenário brasileiro ainda sofre com os subdiagnósticos. Dados do Atlas da Doença de Alzheimer estimam que até 80% dos casos de demência no país permaneçam sem diagnóstico. O relatório ainda aponta falhas na identificação dos primeiros sinais e dificuldades de acesso à avaliação especializada.

Como acréscimo a todas as problemáticas, familiares e amigos do paciente também lidam com a condição e essa participação é um dos detalhes que rotula o Alzheimer como um problema de saúde pública. Por exemplo, as mulheres são as mais afetadas pela demência e também respondem pela maior parte das horas de cuidado informal não somente no Brasil, mas também no cenário global. 
No Brasil, o Atlas aponta que as famílias assumem grande parte do peso econômico também é arcado pelas famílias, com 73% dos custos totais relacionados à demência, enquanto cuidadores informais podem dedicar até 10 horas por dia ao cuidado.  </description>  <media:content url="https://s2-galileu.glbimg.com/sNpC4GvdcmYnO9QdIiCwVsdbWSk=/i.s3.glbimg.com/v1/AUTH_fde5cd494fb04473a83fa5fd57ad4542/internal_photos/bs/2026/k/n/SipYeBStOCumrLkG1Fng/man-person-people-senior-citizen-elder-family-601065-pxhere.com.jpg" medium="image"/>   <media:description>Ainda que incurável, o Alzheimer não é um quadro médico que evolui de um dia para o outro, sendo ainda possível que a pessoa diagnosticada interaja bem socialmente com os seus entes queridos por mais alguns anos</media:description>   <media:credit>PxHere</media:credit>  <category>galileu</category> <pubDate>Mon, 24 Aug 2026 15:42:43 -0000</pubDate>  </item>  <item> <title>Estudo em 102 cidades revela mais de 40 mil novos vírus; lista inclui SP</title>  <atom:subtitle>Estudo com participação brasileira analisou amostras de estações de metrô, hospitais, agências bancárias, solo e esgoto de 31 países. Triagem genética usou ferramenta desenvolvida por pesquisador da USP</atom:subtitle>  <link>https://revistagalileu.globo.com/saude/noticia/2026/08/estudo-em-102-cidades-revela-mais-de-40-mil-novos-virus-lista-inclui-sp.ghtml</link> <guid isPermaLink="true">https://revistagalileu.globo.com/saude/noticia/2026/08/estudo-em-102-cidades-revela-mais-de-40-mil-novos-virus-lista-inclui-sp.ghtml</guid> <description>  <![CDATA[ <img src="https://s2-galileu.glbimg.com/ZV3UopqrFIG4Oqs1viNrXoHbHnY=/i.s3.glbimg.com/v1/AUTH_fde5cd494fb04473a83fa5fd57ad4542/internal_photos/bs/2026/A/A/vMStZ1TCAvCZYL8m423g/pexels-sejio402-29226623.jpg" /><br /> ]]>    Um mapeamento em escala global revelou a existência de dezenas de milhares de vírus desconhecidos pela ciência que circulam em ambientes de grande fluxo humano, como estações de transporte, hospitais e redes de esgoto. Detalhado em artigo publicado em julho na revista Nature Communications, o estudo analisou 2.922 amostras recolhidas em 102 cidades de 31 países – incluindo São Paulo. A partir desses dados, uma equipe internacional com participação brasileira consolidou o UPVAtlas (sigla em inglês para Atlas de Vírus de RNA Urbanos e Periurbanos), catalogando 54.945 espécies virais, das quais cerca de 77% nunca haviam sido descritas. O trabalho joga luz sobre uma imensa e inexplorada diversidade biológica, revelando a complexidade dos microrganismos invisíveis no cotidiano das cidades.
Os vírus de RNA, que foram foco da pesquisa, são aqueles que guardam suas instruções genéticas em moléculas de RNA, e não de DNA. Entre eles estão os causadores de doenças como dengue, zika, gripe, febre amarela e COVID-19 – e é justamente daí que vem boa parte do que se sabe sobre o grupo.
“Nós conhecíamos vários vírus causadores de doenças, mas subestimávamos muito a diversidade viral na natureza. Quando você procura um vírus a partir de uma doença, já existe um viés, porque todos os vírus que não causam doenças acabam sendo ignorados. A partir do momento em que conseguimos analisar o que está presente em uma amostra sem esse viés, temos uma visão mais ampla da diversidade viral”, diz Antônio Pedro Camargo, professor do Departamento de Bioquímica do Instituto de Química da Universidade de São Paulo (IQ-USP) e um dos autores do estudo. Camargo integra o Centro de Pesquisa em Biologia de Bactérias e Bacteriófagos (CEPID B3), um Centro de Pesquisa, Inovação e Difusão apoiado pela FAPESP.
Metatranscriptoma
A maior parte do material – 1.862 das 2.922 amostras – foi coletada pelo consórcio MetaSUB, que investiga o microbioma de ambientes urbanos. As coletas ocorreram entre março e julho de 2020, durante a pandemia de COVID-19, e seguiram um protocolo padronizado: um tipo de cotonete (swab) era esfregado em superfícies de contato frequente, como corrimãos, bancos e máquinas de bilhetes. As outras amostras foram recuperadas de um banco público de dados de sequenciamento e cobrem o entorno das cidades, como solo, sedimento, água doce, esgoto e estufas.
Os materiais foram analisados por metatranscriptômica, técnica que permite sequenciar simultaneamente o conjunto de moléculas de RNA presentes em uma amostra. “Imagine que você pega um punhado de terra. Ali tem bactéria, vírus de bactéria [bacteriófagos], outros microrganismos, insetos, tudo o que você possa imaginar”, exemplifica Camargo. Em vez de isolar cada organismo, os pesquisadores extraem e sequenciam todo o conjunto de RNA da amostra.
O resultado é um volume grande de fragmentos sem identificação. “Você vai ter um monte de pedaços de genomas e não sabe, a princípio, de que se trata. São só sequências de letras. O desafio é saber: cada pedacinho de genoma na amostra corresponde a quê? É uma bactéria? É um vírus? Se é um vírus, qual tipo?”, descreve o pesquisador.
Essa triagem foi feita com auxílio do geNomad, ferramenta de bioinformática desenvolvida por Camargo. O programa, segundo ele, “permite processar milhões de sequências de fragmentos de material genético e determinar quais correspondem a genomas de vírus”.
Para organizar o que havia sido encontrado, os pesquisadores compararam as sequências de uma enzima presente em todos os vírus de RNA – a RdRP (RNA polimerase dependente de RNA), responsável pela replicação do vírus – e reconstruíram as relações de parentesco entre eles. Alguns se mostraram tão diferentes de tudo o que já havia sido descrito que os autores propuseram criar novas categorias para acomodá-los: dois filos, além de uma nova classe e vários agrupamentos que seguem sem classificação. A proposta é preliminar. “Isso é tudo computacional. Você precisa de mais informações para dizer formalmente que esses são de fato grupos completamente novos”, pondera Camargo.
O levantamento, contudo, revelou apenas uma parte da real diversidade microbiana. As curvas de acumulação – que medem quantos vírus inéditos aparecem a cada nova coleta analisada – não estabilizaram em praticamente nenhum tipo de amostra, sinal de que os quase 55 mil vírus catalogados representam apenas uma fração do que existe nesses locais.
“Há uma diversidade viral muito grande, maior do que a gente já conhecia. Acho que esse é o ponto principal do artigo”, opina Camargo.
Hospedeiros
A descoberta não significa que as cidades estejam repletas de novos vírus capazes de causar doenças em seres humanos. Só foi possível propor um potencial hospedeiro para cerca de um terço das sequências e, nesse conjunto, mais da metade corresponde a vírus que infectam bactérias.
Uma parcela pequena, porém, tem potencial de infectar vertebrados. Ao cruzar os dados com a base The Global Virome in One Network (VIRION), que reúne associações documentadas entre vírus e vertebrados, os autores identificaram 60 vírus com alta probabilidade de infectar humanos e 47 de acometer outros mamíferos. Dos 60, 19 vieram de ambientes urbanos e 34 de amostras de origem animal.
A pesquisa também identificou 166 bacteriófagos – vírus especializados em atacar e destruir bactérias – com histórico de infecção em quatro linhagens do grupo ESKAPE, que reúne microrganismos de importância clínica, como Staphylococcus aureus. Segundo o estudo, esse conjunto pode abrir uma linha de investigação sobre o uso desses vírus no combate a esses patógenos, por meio da chamada fagoterapia.
Vigilância
De modo geral, superfícies urbanas, como ruas, bancos, estações e lojas, apresentaram diversidade viral menor que a de ambientes naturais, como solo e sedimento – indício, segundo os autores, de que a atividade humana tende a homogeneizar essas comunidades. O esgoto foi a exceção: exibiu uma das maiores diversidades do levantamento, o que reforça seu potencial para o monitoramento ambiental.
Entre as amostras de hospitais, as cidades de São Paulo e Islamabad, no Paquistão, apresentaram abundância maior de vírus de famílias patogênicas para vertebrados do que Baltimore, nos Estados Unidos, e Seul, na Coreia do Sul. Camargo pede cautela na leitura desses dados: “É muito difícil inferir qualquer explicação biológica a partir disso. Pode ser só amostragem”. O próprio estudo reconhece a limitação: há países representados por um único tipo de ambiente, o que impede separar o efeito do local do efeito do país.
Ao reunir sequências de diferentes cidades e ambientes em um mesmo catálogo, o UPVAtlas cria um ponto de partida para comparações futuras: será possível confrontar o que existe em uma cidade hoje com o que existirá em dez anos e investigar como as comunidades virais mudam conforme o ambiente e a localização.
Para Camargo, conhecer essa diversidade é importante justamente porque os vírus estão em constante evolução. “Esse processo está intimamente relacionado à capacidade que eles têm de infectar organismos, porque os vírus só sobrevivem se forem capazes de se reproduzir nas células de hospedeiros”, diz.
O artigo Diversity and distinctive characteristics of the global RNA virome in urban and peri-urban environments pode ser lido neste link.  </description>  <media:content url="https://s2-galileu.glbimg.com/ZV3UopqrFIG4Oqs1viNrXoHbHnY=/i.s3.glbimg.com/v1/AUTH_fde5cd494fb04473a83fa5fd57ad4542/internal_photos/bs/2026/A/A/vMStZ1TCAvCZYL8m423g/pexels-sejio402-29226623.jpg" medium="image"/>   <media:description>O estudo revelou uma diversidade viral muito maior do que a registrada nas bases de dados, incluindo dois possíveis novos filos e uma possível nova classe de vírus de RNA</media:description>   <media:credit>Sergei Starostin/Pexels</media:credit>  <category>galileu</category> <pubDate>Mon, 24 Aug 2026 14:06:03 -0000</pubDate>  </item>  <item> <title>Baleias têm espécie de "impressão digital" de manchas? Estudo investigou</title>  <atom:subtitle>Fotos feitas por turistas e guias locais sobre os padrões de cores e as calosidades permitem que pesquisadores localizem baleias-francas-austrais na Patagônia</atom:subtitle>  <link>https://revistagalileu.globo.com/ciencia/noticia/2026/08/baleias-tem-especie-de-impressao-digital-de-manchas-estudo-investigou.ghtml</link> <guid isPermaLink="true">https://revistagalileu.globo.com/ciencia/noticia/2026/08/baleias-tem-especie-de-impressao-digital-de-manchas-estudo-investigou.ghtml</guid> <description>  <![CDATA[ <img src="https://s2-galileu.glbimg.com/YsxKJH7pEeTJ38VFadeCHNmgcyw=/i.s3.glbimg.com/v1/AUTH_fde5cd494fb04473a83fa5fd57ad4542/internal_photos/bs/2026/7/m/HeNu4MSIWVZBUztU0AuQ/image2.png" /><br /> ]]>    Uma fotografia tirada durante um passeio de observação de baleias pode parecer apenas mais um registro de um encontro com a vida selvagem. Na Península Valdés, na Patagônia argentina, porém, uma imagem assim pode ter valor científico suficiente para revelar a idade de uma baleia, identificar sua mãe e até conectar gerações de uma mesma família separadas por décadas.
Isso acontece porque as baleias-francas-austrais (Eubalaena australis) carregam na cabeça uma espécie de “digital”, algo semelhante ao que nós temos na ponta dos nossos dedos das mãos e dos pés. São padrões individuais de calosidades que permitem aos pesquisadores reconhecer uma baleia e acompanhar sua trajetória ao longo da vida. A técnica, conhecida como fotoidentificação, sustenta um dos mais antigos programas de pesquisa de cetáceos baseado nesse método, com informações sobre mais de cinco mil indivíduos.
O problema é que nem sempre os cientistas conseguem enxergar essas marcas com clareza. É aí que entram os guias de observação de baleias e a chamada ciência cidadã: fotografias feitas por pessoas que estão no mar estão ajudando os pesquisadores a preencherem lacunas no histórico das baleias-francas-austrais.
Impressão digital alternativa
Desde 1970, o Southern Right Whale Research Program acompanha as baleias que visitam a Península Valdés por meio de levantamentos aéreos. Fotografias feitas a partir de aviões e, mais recentemente, drones permitem identificar animais, além de registrar informações como sexo, idade, condição corporal e presença de filhotes.
As calosidades são fundamentais nesse trabalho. Embora pareçam rugas ou protuberâncias espalhadas pela cabeça, seus padrões variam de uma baleia para outra e podem ser utilizados como uma verdadeira carteira de identidade. É graças a essas características que os pesquisadores conseguem reconhecer um animal quando ele reaparece anos depois.
O Instituto de Conservación de Ballenas (ICB) participa do programa desde 1996, em colaboração com a Ocean Alliance. A continuidade das observações transformou o catálogo em uma espécie de arquivo de famílias de baleias, capaz de reunir informações sobre nascimento, reprodução, sobrevivência e parentesco ao longo de décadas.
As calosidades na parte superior da cabeça das baleias-francas-austrais possuem padrões únicos de indivíduo para indivíduo, assim como a digital dos seres humanos
Instituto de Conservación de Ballenas
O problema é que as baleias-francas-austrais recém-nascidas possuem cabeças menores e, portanto, padrões de calosidades que ainda estão em desenvolvimento. Por isso, suas características podem não aparecer com detalhes suficientes nas fotografias aéreas.
Na prática, isso significa que muitos animais passam pelo primeiro ano de vida sem serem oficialmente identificados. Fotografias feitas de perto, a partir de embarcações de turismo, podem então se transformar em peças fundamentais para reconstruir esse período perdido.
Foi justamente para aproveitar esse potencial que, em 2016, o ICB criou uma iniciativa de ciência cidadã, com uma ideia simples: incorporar ao catálogo científico fotografias feitas pelos próprios profissionais que acompanham as baleias diariamente durante os passeios. Mais de 460 mil fotografias foram enviadas pelos guias, contribuindo para a identificação de 278 baleias que ainda não faziam parte do catálogo e de outras 122 já conhecidas, mas que não haviam sido registradas nos levantamentos aéreos.
Remexendo o baú
Entre as milhares de imagens recebidas, uma fotografia feita em 2007 pelo guia e fotógrafo Stephen Johnson ajudou os pesquisadores a solucionar um mistério familiar. A imagem mostrava uma baleia ainda filhote nadando ao lado da mãe. Anos depois, aquele mesmo animal apareceu nos levantamentos aéreos de 2008 e 2016. O problema era saber exatamente quando havia nascido e quem era sua mãe.
A foto respondeu essas dúvidas e o filhote foi identificado como A2226 e posteriormente relacionado à fêmea A0645 como sua mãe. Com isso, os pesquisadores conseguiram determinar seu ano de nascimento e reconstruir parte de sua história.
Outra história também contou com o apoio desses registros. Em 1994, um filhote de baleia-franca-austral foi fotografado durante um levantamento aéreo. Seu padrão de calosidades ainda não era nítido o suficiente para uma identificação detalhada, mas havia algo que o tornava impossível de confundir: uma coloração incomum, predominantemente branca com manchas pretas, uma característica da espécie conhecida como morfogris.

O animal recebeu o nome de Espuma e, no ano seguinte, voltou a ser fotografado, dessa vez de perto, o que permitiu registrar detalhes da pigmentação que não apareciam nas imagens aéreas.
Depois desse reencontro, Espuma desapareceu por 22 anos, até que, em 2017, uma baleia de coloração semelhante foi monitorada por satélite. A comparação entre as fotografias antigas e as imagens mais recentes revelou que o animal conhecido naquele momento como “Mariposa” era, na verdade, Espuma. A descoberta também permitiu encaixá-la em uma árvore genealógica que já reúne cinco gerações de sua família no catálogo do ICB.
À esquerda, fotografia de Espuma tirada em 1995. À direita, registro de Espuma feito 22 anos após a primeira imagem, em 2017
Rafael Benegas; Siguiendo Ballenas  </description>  <media:content url="https://s2-galileu.glbimg.com/YsxKJH7pEeTJ38VFadeCHNmgcyw=/i.s3.glbimg.com/v1/AUTH_fde5cd494fb04473a83fa5fd57ad4542/internal_photos/bs/2026/7/m/HeNu4MSIWVZBUztU0AuQ/image2.png" medium="image"/>   <media:description>Turistas e guias turísticos da Península Valdés, no sul da Argentina, têm contribuído com a identificação entre as baleias-francas-austrais com outros membros familiares</media:description>   <media:credit>Stephen Johnson</media:credit>  <category>galileu</category> <pubDate>Sun, 23 Aug 2026 20:00:15 -0000</pubDate>  </item>  <item> <title>Por que a resposta a vacinas varia de pessoa para pessoa?</title>  <atom:subtitle>Pessoas sem histórico de doenças crônicas, transplantes ou cânceres podem apresentar uma resposta imunológica mais forte do que demais pacientes</atom:subtitle>  <link>https://revistagalileu.globo.com/saude/noticia/2026/08/por-que-a-resposta-a-vacinas-varia-de-pessoa-para-pessoa.ghtml</link> <guid isPermaLink="true">https://revistagalileu.globo.com/saude/noticia/2026/08/por-que-a-resposta-a-vacinas-varia-de-pessoa-para-pessoa.ghtml</guid> <description>  <![CDATA[ <img src="https://s2-galileu.glbimg.com/SrMbt2H6SETSH-hCR4dbZqT40jc=/i.s3.glbimg.com/v1/AUTH_fde5cd494fb04473a83fa5fd57ad4542/internal_photos/bs/2026/z/H/HnNsdbQCGXQufCxGSB0g/vacinacao-contra-covid-19-no-hc-50852865793-.jpg" /><br /> ]]>    Um novo estudo publicado na revista científica Cell Press Blue investigou uma questão persistente na imunologia: por que nem todas as pessoas têm respostas imunológicas às vacinas? 
Acontece que, antes mesmo da vacina entrar no seu corpo, o sistema imunológico já pode possuir pistas em relação à intensidade da resposta. Isso foi descoberto pelos pesquisadores da ASU (Universidade Estadual do Arizona, nos Estados Unidos) após analisarem os anticorpos – estes retirados de 8.687 amostras de sangue de 4.089 pessoas – contra 185 antígenos.
Frente à quantidade de dados e informações para serem observadas, a equipe decidiu utilizar a IA (inteligência artificial) para analisar padrões em amostras coletadas antes e depois da imunização contra a Covid-19. Esse processo se deu pela identificação de “assinaturas de anticorpos” (o que passaremos a chamar de “biomarcadores”) que ajudaram a distinguir pacientes com forte resposta à vacina daqueles com resposta fraca. 
É essa subversão tomada pela pesquisa que a tornou ainda mais interessante. Afinal, ao invés de medir se o sistema imunológico produziu anticorpos após a vacinação, a equipe da ASU buscou saber se padrões já presentes no sangue poderiam prever as respostas antes. Para isso, fatores como idade, sexo, genética, doenças prévias e condições de saúde foram levados em consideração.
O objetivo é que os cientistas, com o auxílio da tecnologia, consigam prever quem provavelmente responderá bem a uma vacina mesmo antes de a receber. “Isso sugere que algumas pessoas podem estar mais preparadas imunologicamente do que outras”, disse Joshua LaBaer, da ASU, em comunicado. 
O que o estudo descobriu?
Além de incluírem o SARS-CoV-2 como um dos antígenos testados, os pesquisadores também selecionaram outros vírus e bactérias associados a doenças autoimunes. Não à toa, entre os participantes, havia pessoas com doenças ou tratamentos relacionados à supressão imunológica, como HIV, mieloma múltiplo, transplantes e cânceres. 
A partir disso, eles descobriram que vários participantes imunossuprimidos eram mais propensos a apresentar respostas atenuadas à imunização contra a Covid-19. Em teoria, isso quer dizer que, pessoas com condições que comprometem o sistema imunológico geralmente apresentam maior risco de respostas mais fracas, mas, o que foi observado na pesquisa foi que alguns pacientes com esse mesmo perfil apresentaram respostas fortes.
Cerca de 5% a 6% dos participantes saudáveis da competição apresentam respostas fracas à vacinação
Cell Press Blue
Também foi descoberto que níveis mais elevados de certos anticorpos – estando estes já presentes no organismo antes da vacinação – estavam associados a respostas mais fortes à vacina contra a Covid-19. 
A esses anticorpos, os cientistas batizaram como “sentinelas”, uma vez que eles podem funcionar como uma espécie de sinal da preparação imunológica de cada pessoa. No entanto, isso não significa que estejam necessariamente combatendo o vírus contra o qual a vacina foi desenvolvida. Na prática, eles podem apenas refletir a capacidade do sistema imunológico de reagir diante de um novo estímulo.
Mas a equipe foi além: em vez de observar somente alguns desses marcadores, os pesquisadores quiseram descobrir se a “impressão digital” completa dos anticorpos de uma pessoa poderia revelar quem teria maior probabilidade de apresentar uma resposta vacinal fraca. Para isso, a IA analisou padrões presentes em todo o painel de anticorpos e, assim, construiu um perfil imunológico mais amplo.

Os resultados são um panorama muito mais abrangente das experiências imunológicas que o organismo acumulou ao longo da vida. E apesar da potencialidade, ainda é cedo para transformar essas descobertas em uma ferramenta clínica, já que as revelações recentes precisam ser validadas em estudos futuros. 
Caso os achados sejam confirmados, os chamados anticorpos “sentinelas” poderão ajudar em diferentes etapas da vacinação. Entre as possibilidades estão o direcionamento de testes de novas vacinas, o desenvolvimento de imunizantes mais eficazes e a identificação de pessoas com maior risco de apresentar respostas imunológicas insuficientes.  </description>  <media:content url="https://s2-galileu.glbimg.com/SrMbt2H6SETSH-hCR4dbZqT40jc=/i.s3.glbimg.com/v1/AUTH_fde5cd494fb04473a83fa5fd57ad4542/internal_photos/bs/2026/z/H/HnNsdbQCGXQufCxGSB0g/vacinacao-contra-covid-19-no-hc-50852865793-.jpg" medium="image"/>   <media:description>O antígeno da Covid-19, o SARS-CoV-2, foi usado para realizar os primeiros testes nos voluntários de novo estudo sobre eficácia de vacinas</media:description>   <media:credit>Wikimedia Commons</media:credit>  <category>galileu</category> <pubDate>Sun, 23 Aug 2026 18:00:19 -0000</pubDate>  </item>  <item> <title>Cientistas se inspiram em elefantes da África para criar construções menos quentes</title>  <atom:subtitle>Sem suor, mas com rugas que “armazenam” água, maneira de se refrescar dos elefantes como fonte de inspiração o desenvolvimento de novos sistemas de azulejos para os edifícios</atom:subtitle>  <link>https://revistagalileu.globo.com/tecnologia/noticia/2026/08/cientistas-se-inspiram-em-elefantes-da-africa-para-criar-construcoes-menos-quentes.ghtml</link> <guid isPermaLink="true">https://revistagalileu.globo.com/tecnologia/noticia/2026/08/cientistas-se-inspiram-em-elefantes-da-africa-para-criar-construcoes-menos-quentes.ghtml</guid> <description>  <![CDATA[ <img src="https://s2-galileu.glbimg.com/IY12l26O-rdKHoKLyT8Kbvbmmac=/i.s3.glbimg.com/v1/AUTH_fde5cd494fb04473a83fa5fd57ad4542/internal_photos/bs/2026/J/5/Lbk65FQsqk8A5koZMreA/elephant-playing-in-water.jpg" /><br /> ]]>    Em um cenário de mudanças climáticas, falar (ou melhor, reclamar) sobre a previsão do tempo virou rotina. O calor é, com certeza, o maior alvo das reclamações, até porque ele vem acompanhado de um desconfortável infernal, como o sol de rachar, a fadiga e o suor.
Mesmo que seja considerado nojento por muitas pessoas, o suor é um mecanismo que evita o superaquecimento do organismo e o mantém equilibrado. Trata-se de um dos sistemas de resfriamento mais eficientes que existe, mas nem todos os animais têm a capacidade de transpirar, como o elefante africano (Loxodonta africana), que suporta o calor intenso da savana africana graças às suas rugas, ou seja, às fissuras na pele que retém água. 
Inspirados por essa pele rachada, pesquisadores da Universidade da Pensilvânia (Estados Unidos) desenvolveram uma telha de cimento de baixo custo que resfria edifícios devido à captura e à evaporação lenta da água que entra em contato com a sua superfície. A ideia tem como objetivo tornar os edifícios em ambientes termodinamicamente equilibrados. 
A telha, na verdade, é um azulejo à base de cimento que captura, retém e evapora lentamente a água, permitindo o resfriamento de determinados locais sem que sejam necessários ventiladores ou peças de móveis complexas. Os principais detalhes de desenvolvimento e resultados foram publicados na revista científica Advanced Materials em 20 de abril.
Que calor!
Capturar água para permitir sua evaporação e usar essa mudança de fase para dissipar o calor parece simples, certo? A equipe de cientistas, no entanto, descobriu que é uma missão desafiadora, até porque a maioria dos materiais de construção convencionais continuam a ser péssimos nesse processo de resfriamento. As gotas de água que se acumulam nos azulejos dos de hoje se acumulam ou escorrem pela superfície antes de conseguirem resfriar com eficiência.
Então, o grande desafio dos pesquisadores era encontrar uma maneira de guiar cada gota para maximizar seu potencial. Foi a partir disso que eles decidiram estudar as fissuras, ou melhor, as rachaduras que, antes, eram um símbolo de fragilidade ou deterioração e, agora, podem servir como “canais capilares” dos edifícios.
As cientistas desenvolveram azulejos economicamente mais sustentáveis e inspirados no sistema de refrigeração dos elefantes, com interiores presos e semelhantes aos favos de mel
Eric Sucar/Universidade da Pensilvânia
Em comunicado, Shu Yang, da Universidade da Pensilvânia, explicou que os azulejos verdadeiramente resfriam a “pele” da construção. Somado a isso, o novo sistema é considerado passivo, já que, diferente dos ares-condicionados mecânicos, não consomem combustíveis fósseis e não contribuem com o acúmulo de calor externo.
E as diferenças de temperatura foram significativas. Sob aquecimento por infravermelho e irrigação periódica, a temperatura sob esses azulejos permaneceu estável em 32ºC. Nas construções com argamassa e “rachaduras”, a temperatura subiu para os 42ºC, enquanto nas estruturas sem as fissuras chegou a atingir os 52ºC.
Como o azulejo foi feito?
Para produzir os azulejos inspirados na pele do elefante africano, os pesquisadores começaram o processo com uma mistura de cimento comum e um material poroso chamado “terra diatomácea” (TD), feito de algas fossilizadas.
O material foi moldado em finas placas e deixado para hidratar de forma parcial. Após essa etapa, ele é seco sob condições controladas e, à medida que encolhe nesse processo, a tensão se acumula até ser liberada ao longo de padrões pré-definidos. É aqui que é formada a malha de fissuras, ao invés de um conjunto aleatório de fraturas. 
Os ares-condicionados são muito utilizados como sistemas de resfriamento de ambientes fechados, mas são aparelhos que contribuem com a poluição do meio ambiente
PxHere
A diferenciação entre as fissuras e as rachaduras foram percebidas pelos cientistas no decorrer da confecção da telha. “Os poros microscópicos dentro do material atuam como pequenos reservatórios que absorvem rapidamente cada gota, enquanto a rede de fissuras projetada funciona como um sistema de canais que redistribui essa água pela superfície. É realmente a combinação dessas duas características que permite que a telha retenha a água em vez de perdê-la”, explicou Kun-Hao Yu, da Universidade de Syracuse (Estados Unidos).
No novo sistema, as fissuras permitem que a água seja absorvida com rapidez quando entra em contato com a superfície do edifício. Ao penetrar, ela é redistribuída por toda a placa (cujo formato se assemelha ao de um favo de mel) mesmo em direções inclinadas e contra a gravidade.
Graças à essa disseminação interna, a placa permanece úmida por mais tempo, o que torna possível uma evaporação igualmente mais prolongada e refrescante. Esse resfriamento se mantém constante por até incríveis 20 horas, uma vez que a geometria hexagonal força a água a seguir um caminho em zigue-zague lateral e não escorrer para baixo.
Azulejo no horizonte
Agora que a equipe de cientistas compreende como a água se move no interior desses ladrilhos, Yu afirmou que a água poderá começar a ser gerenciada com mais precisão. A exemplo, será possível que os edifícios sejam “abastecidos” ou “borrifados” com água para refrescar o ambiente interno em dias cuja previsão do tempo indica dias de calor extremo. 

“Ao combinar esses materiais com previsões meteorológicas e sistemas automatizados de distribuição de água, poderíamos fornecer a quantidade exata de água, exatamente onde e quando for necessário, para maximizar o resfriamento e minimizar o consumo de água”, observou Yu.
É nesse sentido que o futuro da nova tecnologia se sobressai. Afinal, há na sua estrutura uma simplicidade enganosa que leva à desconfiança sobre a sua eficácia. Os pesquisadores demonstraram que a mistura de cimento desmineralizado pode ser aplicada em painéis de grande área, sugerindo um caminho para a fabricação economicamente viável.  </description>  <media:content url="https://s2-galileu.glbimg.com/IY12l26O-rdKHoKLyT8Kbvbmmac=/i.s3.glbimg.com/v1/AUTH_fde5cd494fb04473a83fa5fd57ad4542/internal_photos/bs/2026/J/5/Lbk65FQsqk8A5koZMreA/elephant-playing-in-water.jpg" medium="image"/>   <media:description>Elefantes não transpiram, mas contam com um mecanismo de acúmulo da água em suas rugas, que os mantêm frescos mesmo sob o sol quente</media:description>   <media:credit>Wikimedia Commons</media:credit>  <category>galileu</category> <pubDate>Sun, 23 Aug 2026 16:00:17 -0000</pubDate>  </item>  <item> <title>Mistério sobre rins de gatos é resolvido por novo estudo japonês</title>  <atom:subtitle>Pesquisadores identificam moléculas na urina que podem funcionar como uma espécie de “cartão de visitas” químico, permitindo que gatos reconheçam indivíduos pelo cheiro</atom:subtitle>  <link>https://revistagalileu.globo.com/ciencia/biologia/noticia/2026/08/misterio-sobre-rins-de-gatos-e-resolvido-por-novo-estudo-japones.ghtml</link> <guid isPermaLink="true">https://revistagalileu.globo.com/ciencia/biologia/noticia/2026/08/misterio-sobre-rins-de-gatos-e-resolvido-por-novo-estudo-japones.ghtml</guid> <description>  <![CDATA[ <img src="https://s2-galileu.glbimg.com/F_-02lgIkiujEBx21sPS3ZLF-f8=/i.s3.glbimg.com/v1/AUTH_fde5cd494fb04473a83fa5fd57ad4542/internal_photos/bs/2026/x/e/ijOKaHSYGdeIqoLb8MSQ/a-100-year-old-mystery.jpg" /><br /> ]]>    Para um gato, uma marca de urina pode ser muito mais do que um sinal de que outro animal passou por determinado lugar. Ela pode carregar informações sobre quem deixou aquele cheiro e, segundo um novo estudo publicado na revista Current Biology, parte dessa identidade pode estar armazenada nos próprios rins.
Uma equipe internacional liderada pela Universidade de Iwate, no Japão, identificou 13 ácidos graxos de cadeia ramificada presentes na urina de gatos domésticos. As combinações dessas moléculas variaram entre indivíduos, mas permaneceram relativamente estáveis em cada animal ao longo do tempo.
Um cheiro que permanece na memória
A comunicação por odores é comum entre mamíferos. Ao deixar urina, fezes ou secreções em determinado ambiente, um animal pode transmitir informações mesmo depois de ter ido embora. O problema é que muitas moléculas responsáveis pelo odor são voláteis: evaporam, se degradam ou sofrem alterações com o passar das horas.
Para investigar como os gatos poderiam preservar informações individuais em suas marcas de cheiro, os pesquisadores primeiro testaram se os animais eram capazes de diferenciar a urina de outros indivíduos. Por isso, nos experimentos, os gatos passaram a dedicar menos tempo a uma amostra depois de serem expostos repetidamente ao mesmo odor. Quando uma urina diferente era apresentada o interesse aumentava novamente. A resposta também pôde ser observada depois de intervalos de meses, indicando que os animais são capazes de manter uma memória de longo prazo dos odores urinários.
Os cientistas também observaram a chamada resposta de Flehmen, comportamento em que o gato abre a boca depois de cheirar algo. O gesto está relacionado à análise de informações químicas e foi mais frequente diante de urinas desconhecidas do que da própria urina.
“Após confirmarmos que os gatos conseguem distinguir odores individuais de urina, usamos a resposta de Flehmen como uma pista para identificar moléculas urinárias que podem contribuir para o reconhecimento de odores individuais”, explica Masao Miyazaki, professor da Universidade de Iwate e líder do estudo, em comunicado.
A assinatura química de cada gato
A partir dos experimentos comportamentais, os pesquisadores concentraram a análise em uma fração lipídica da urina e identificaram 13 ácidos graxos de cadeia ramificada, chamados no estudo de ácidos graxos bioativos. Além deles descobrirem que a proporção dessas moléculas não era igual entre os animais. Cada gato apresentava uma combinação característica, enquanto o perfil permanecia relativamente estável quando novas amostras eram coletadas do mesmo indivíduo.
Gatos com parentesco entre si tendiam a apresentar perfis mais semelhantes, mas ainda havia diferenças suficientes para preservar uma assinatura individual. Os compostos também apresentaram uma característica importante para a comunicação por cheiro: são relativamente persistentes. Em amostras mantidas a 25 °C, os perfis individuais permaneceram comparativamente estáveis por pelo menos 24 horas.
Esse comportamento pode ser vantajoso para um animal que utiliza marcas de cheiro no ambiente. Em vez de depender apenas de moléculas que desaparecem rapidamente, o gato poderia deixar uma espécie de “cartão de visitas” químico que permanece identificável por mais tempo.
Mas a descoberta mais inesperada aconteceu quando a equipe investigou a origem dessas moléculas. Os pesquisadores encontraram os ácidos graxos saturados nos rins dos gatos, mas não nos outros tecidos analisados. Também identificaram lipídios contendo esses compostos dentro de gotículas lipídicas no córtex renal. A presença dessas estruturas nos rins felinos é conhecida há mais de 100 anos. O que permanecia misterioso era justamente sua função.
Gatos possuem assinatura química na urina
Pexels
“Gotículas lipídicas nos rins dos gatos são conhecidas há mais de um século, mas o motivo de os gatos terem tantas delas permanece um mistério”, disse Miyazaki. “Nossas descobertas sugerem que uma de suas funções pode ser a de manter uma assinatura química estável na urina. Como os ácidos graxos saturados (AGS) armazenados nos lipídios renais são liberados na urina é uma questão importante para pesquisas futuras.”
Uma hipótese levantada pelo novo estudo é que essas gotículas funcionem como uma espécie de reservatório de lipídios. Ao armazenar os compostos, os rins poderiam ajudar a reduzir oscilações causadas por fatores como alimentação ou mudanças fisiológicas, contribuindo para manter relativamente constante o perfil químico eliminado na urina.
Ainda não está demonstrado, porém, que essa seja de fato a função das gotículas. Os pesquisadores destacam que uma das principais perguntas para estudos futuros é descobrir como esses lipídios armazenados nos rins chegam à urina.
Os gatos realmente reconhecem essas moléculas
A equipe foi além de identificar os compostos. Os experimentos indicaram que os próprios gatos conseguem perceber diferenças entre os perfis. Quando outros componentes lipídicos eram controlados experimentalmente e apenas a fração contendo os ácidos graxos doadores era modificada, os gatos que já estavam habituados à amostra voltavam a aumentar a frequência das cheiradas. Isso sugere que as diferenças na composição desses ácidos graxos são detectáveis pelos animais e podem participar do reconhecimento individual.
Os pesquisadores também procuraram sinais desse mecanismo em outros felinos. Compostos relacionados aos ácidos graxos e gotículas lipídicas renais foram encontrados em espécies como leões, tigres, leopardos, onças-pintadas, linces e o gato-de-iriomote.
As quantidades e distribuições das gotículas, assim como os perfis químicos, variaram entre as espécies. Também foram observadas diferenças entre populações geograficamente isoladas do gato-leopardo no Japão.
Os resultados levantam a possibilidade de que características relacionadas ao armazenamento desses lipídios sejam compartilhadas por diferentes membros da família dos felinos e tenham se diversificado ao longo da evolução. Entretanto, ainda falta descobrir se felinos selvagens realmente utilizam esses compostos para reconhecer indivíduos.
Diferente dos camundongos
O mecanismo proposto para os gatos também é interessante porque difere do que já foi observado em outros mamíferos. Em camundongos, por exemplo, proteínas urinárias são conhecidas por carregar informações individuais relativamente estáveis. Nos gatos, os pesquisadores propõem um sistema diferente: uma combinação de moléculas semivoláteis derivadas de lipídios, possivelmente abastecida por um reservatório localizado nos rins.
A descoberta oferece uma nova perspectiva sobre a comunicação química dos mamíferos. Em vez de depender de uma única substância, a identidade de um animal pode estar codificada na combinação e na proporção de várias moléculas.
Porém, os resultados são de pesquisa básica e não significam que seja possível identificar imediatamente um gato individual a partir de sua urina. Mas, se estudos futuros confirmarem que esses perfis permanecem específicos para cada animal, a descoberta poderá ter aplicações.
Uma delas seria o desenvolvimento de novas estratégias para compreender ou controlar odores de urina de gatos. Outra possibilidade, ainda mais distante, envolve a conservação de felinos selvagens.
Se a assinatura química puder ser associada de maneira confiável a indivíduos, amostras de urina deixadas no ambiente poderiam eventualmente servir como uma ferramenta não invasiva de monitoramento. Em espécies raras ou difíceis de observar diretamente, isso poderia ajudar pesquisadores a acompanhar a presença e a identidade de animais sem precisar capturá-los.  </description>  <media:content url="https://s2-galileu.glbimg.com/F_-02lgIkiujEBx21sPS3ZLF-f8=/i.s3.glbimg.com/v1/AUTH_fde5cd494fb04473a83fa5fd57ad4542/internal_photos/bs/2026/x/e/ijOKaHSYGdeIqoLb8MSQ/a-100-year-old-mystery.jpg" medium="image"/>   <media:description>Um gato doméstico apresenta a resposta de Flehmen após cheirar urina. Pesquisadores usaram esse comportamento como uma pista para identificar ácidos graxos de cadeia ramificada que podem carregar informações olfativas estáveis ​​e específicas para cada indivíduo.</media:description>   <media:credit>Masao Miyazaki</media:credit>  <category>galileu</category> <pubDate>Sun, 23 Aug 2026 14:00:15 -0000</pubDate>  </item>  <item> <title>Novo tratamento permite queimar gordura sem perdas de músculos</title>  <atom:subtitle>Composto descoberto nos anos 1970 é capaz de bloquear a produção de lipídeos e aumenta o gasto energético sem levar à perda de massa muscular</atom:subtitle>  <link>https://revistagalileu.globo.com/saude/noticia/2026/08/novo-tratamento-permite-queimar-gordura-sem-perdas-de-musculos.ghtml</link> <guid isPermaLink="true">https://revistagalileu.globo.com/saude/noticia/2026/08/novo-tratamento-permite-queimar-gordura-sem-perdas-de-musculos.ghtml</guid> <description>  <![CDATA[ <img src="https://s2-galileu.glbimg.com/U7dzcnWfhfv9RCgHVPTIW48jAro=/i.s3.glbimg.com/v1/AUTH_fde5cd494fb04473a83fa5fd57ad4542/internal_photos/bs/2026/v/Y/8owxNCS4OJ4ggAT9MYfQ/images.jfif" /><br /> ]]>    Emagrecer é uma faca de dois gumes. Afinal, por um lado, há toda a determinação de queimar as gordurinhas e, do outro, o medo de perder músculos. Essa é a realidade dos usuários dos medicamentos chamados GLP-1 (os famosos Ozempic, Mounjaro e seus primos), que suprimem o apetite à níveis de reduzir a ingestão de alimentos e, como consequência, de nutrientes essenciais para o organismo.
Graças à uma nova pesquisa, publicada na revista científica Science Advances na última sexta-feira (21), esse conflito poderá chegar ao fim. Acontece que pesquisadores da Universidade da Califórnia em Berkeley (Estados Unidos) descobriram um possível tratamento para obesidade e diabetes que funciona a partir da aceleração do metabolismo do corpo, não limitando a ingestão de energia por meio da alimentação.
Velho conhecido
“O peso corporal responde a duas alavancas: ingerir menos calorias ou gastar mais energia. Os GLP-1s atuam quase que exclusivamente na primeira, então focamos na segunda”, afirmou Anders Näär, da Universidade da Califórnia em Berkeley, em comunicado.
A partir dessa decisão, os pesquisadores investiram nas investigações de como aumentar o gasto energético. Foi aí que eles começaram os testes com um composto molecular chamado ácido 5-tetradeciloxi-2-furoico ou “TOFA”, descoberto na década de 1970 e conhecido por ser capaz de bloquear a produção de lipídios como colesterol e triglicerídeos. 
No novo estudo, a equipe de pesquisadores ainda descobriu que o TOFA também pode ativar receptores celulares PPARα e PPARδ. Eles ativam genes que permitem às células absorver gordura e queimá-la para obter energia.
Os camundongos obesos que receberam o composto no estudo apresentaram uma queima de gordura sem a perda de músculos de forma significativa para a pesquisa
Divulgação/Centro Internacional de Fotografia
Quando ratos obesos ingeriram o composto, os resultados logo foram notados pela equipe, a começar pela perda de peso devido à gordura, mas não de massa muscular. 
Isso aconteceu porque o TOFA é eficaz na melhora da sensibilidade à insulina e no controle da glicose, na redução dos triglicerídeos e na melhora das características da doença hepática gordurosa. Em relação às ativações genéticas, a queima levou à marca de 18% mais energia no processo metabólico, sem alteração na atividade física ou aumento da temperatura corporal.
Apenas mais um?
Antes do sucesso com o TOFA, os cientistas tentaram administrar aos camundongos outros dois compostos. Um deles serviria para bloquear a produção de lipídios, enquanto o outro seria o responsável por aumentar o gasto energético. O problema? A combinação de ambos não “deu match” ou, em palavras mais formais, não era eficaz.

Muito diferente do nosso “dois em um” TOFA, que “parece desencadear uma resposta metabólica coordenada”, afirmou Justin Lee, também da Universidade da Califórnia em Berkeley. “Não se trata simplesmente de bloquear a síntese de lipídios. Ele também ativa vias de gasto energético que podem ajudar o corpo a lidar com o excesso de lipídios e glicose de forma mais eficaz”.
Essa eficácia, a propósito, não quer dizer que o composto poderá substituir por completo os medicamentos GLP-1s. Na verdade, ele funcionaria como um complemento, uma forma aditiva com os supressores. De acordo com os testes, a combinação levou a melhorias no peso corporal, no controle da glicose, nos níveis de insulina e nos triglicerídeos. Ainda assim, mais pesquisas precisam ser feitas.  </description>  <media:content url="https://s2-galileu.glbimg.com/U7dzcnWfhfv9RCgHVPTIW48jAro=/i.s3.glbimg.com/v1/AUTH_fde5cd494fb04473a83fa5fd57ad4542/internal_photos/bs/2026/v/Y/8owxNCS4OJ4ggAT9MYfQ/images.jfif" medium="image"/>   <media:description>Cientistas confirmaram que o TOFA é um aditivo eficaz ao uso de medicamentos supressores de apetite, ou melhor, os GLP-1s</media:description>   <media:credit>PxHere</media:credit>  <category>galileu</category> <pubDate>Sun, 23 Aug 2026 12:57:32 -0000</pubDate>  </item>  <item> <title>Abstenção de álcool pode elevar risco de consumo compulsivo, diz estudo com camundongos</title>  <atom:subtitle>Experimento identificou alterações na atividade de certas áreas do cérebro que podem estimular o desejo por álcool após um período der abstinência.</atom:subtitle>  <link>https://revistagalileu.globo.com/colunistas/the-conversation/coluna/2026/08/abstencao-de-alcool-pode-elevar-risco-de-consumo-compulsivo-diz-estudo-com-camundongos.ghtml</link> <guid isPermaLink="true">https://revistagalileu.globo.com/colunistas/the-conversation/coluna/2026/08/abstencao-de-alcool-pode-elevar-risco-de-consumo-compulsivo-diz-estudo-com-camundongos.ghtml</guid> <description>  <![CDATA[ <img src="https://s2-galileu.glbimg.com/BA3HyAI9CttRu0CFGhwMVFfoqYg=/i.s3.glbimg.com/v1/AUTH_fde5cd494fb04473a83fa5fd57ad4542/internal_photos/bs/2025/h/1/C0YIBORBuhZIHJlfnpFw/gettyimages-1246324593.jpg" /><br /> ]]>    Para algumas pessoas, a abstinência de álcool pode, posteriormente, aumentar o consumo compulsivo da substância. Nossa equipe de pesquisa descobriu que, em camundongos abstêmios, esse desejo de beber é precedido por alterações na atividade de uma determinada região do cérebro, apontando para possíveis novas oportunidades para identificar e ajudar as pessoas mais vulneráveis à recaída.
Embora a abstinência alcoólica esteja associada a melhores resultados de saúde, pesquisadores especializados em dependência teorizaram que as alterações cerebrais que ocorrem durante a abstinência podem aumentar o risco de recaída de uma pessoa.
Para explorar essa hipótese, estudamos como camundongos se comportavam após lhes termos dado acesso voluntário ao álcool por um longo período, seguido por um período de abstinência forçada. Descobrimos que um subgrupo dos camundongos desenvolveu ingestão de álcool resistente à aversão – ou seja, eles passaram a beber álcool mesmo com a quinina que adicionamos para torná-lo cada vez mais amargo. Além disso, em comparação com aqueles que não passaram pela abstinência forçada, esses camundongos consumiram quantidades ainda maiores do álcool extremamente amargo. Esses resultados sugerem que há possíveis desafios físicos associados à abstinência que contribuem para recaídas no transtorno por uso de álcool.
Em seguida, monitoramos a atividade de um conjunto específico de células em uma região do cérebro conhecida como núcleo do leito da estria terminal, ou BNST, na sigla em inglês. Pesquisadores já haviam constatado anteriormente que essa pequena estrutura está fortemente implicada nos sintomas do transtorno por uso de álcool, como ansiedade e depressão.
O BNST está localizado nas profundezas do cérebro
Rob Hurt/Wikimedia Commons
Descobrimos que permitir que camundongos abstinentes voltassem ao ambiente onde o álcool estava anteriormente disponível os levaria a tentar beber, mesmo que o bico contivesse apenas água. Essas tentativas estavam associadas à atividade no BNST. Camundongos abstinentes que haviam desenvolvido o gosto por álcool muito amargo apresentavam mais do que o dobro da atividade nessa área do cérebro em comparação com camundongos que não passaram por abstinência forçada.
É importante ressaltar que observamos atividade no BNST mesmo antes de darmos aos camundongos em abstinência acesso ao álcool amargo. Essa descoberta sugere que talvez seja possível identificar pessoas em risco de recaída por meio da análise da atividade do BNST quando alguém tem acesso ao álcool.
Por que isso é importante
O uso indevido de álcool é um dos principais desafios de saúde pública nos Estados Unidos e em grande parte do mundo. Embora essa condição esteja associada a uma ampla variedade de efeitos negativos para a saúde, o público subestima cronicamente sua gravidade.
As mortes associadas ao consumo de álcool em 2024 nos EUA foram 4,5 vezes maiores do que as mortes atribuídas aos opioides. Embora a redução de danos — um componente importante do tratamento do transtorno por uso de opioides — esteja sendo explorada no transtorno por uso de álcool, a abstinência continua sendo o pilar da maioria das abordagens para esse tipo de dependência.
Mais de 80% dos americanos com 12 anos ou mais consomem álcool em algum momento de suas vidas, e cerca de 10% acabam desenvolvendo transtorno por uso de álcool. Esses 10% representam quase 30 milhões de americanos que precisam de tratamento.
Infelizmente, os profissionais de saúde não estão bem preparados para prever quem precisará de ajuda. Embora existam tratamentos aprovados pela Food and Drug Administration (FDA, a agência que regula alimentos e medicamentos nos EUA) para o transtorno por uso de álcool, o número de pessoas diagnosticadas com essa condição continua muito alto. Na verdade, esses números praticamente dobraram nos EUA desde 1999.
Desenvolver estratégias melhores para identificar quem corre risco de desenvolver transtorno por uso de álcool e ajudá-las a se orientar melhor na busca por tratamento.
O que ainda não se sabe
Não está claro o papel exato que a região do BNST do cérebro desempenha no comportamento relacionado ao transtorno por uso de álcool. Também não está claro o que impulsiona o aumento da atividade, nem quais populações específicas de células cerebrais dentro do BNST codificam essa atividade. Obter essas respostas poderia levar a novos alvos terapêuticos.
Próximos passos
Novas ferramentas da neurociência têm permitido que pesquisadores manipulem a atividade de neurônios específicos no cérebro de camundongos. Usando essas estratégias, nossa equipe está trabalhando para compreender o papel que o BNST desempenha no consumo de álcool, apesar das consequências prejudiciais.
Nossa colega Jennifer Blackford também está investigando a atividade do BNST nos cérebros de pessoas com transtorno por uso de álcool que estão no início da abstinência. Se sua equipe observar resultados semelhantes em pessoas, o próximo passo seria testar mais a fundo o uso do BNST como método de triagem em ensaios clínicos.
Este artigo foi escrito por Danny G. Winder, professor de Neurobiologia da Universidade de Massachussets (EUA), e Marie Doyle, pesquisadora na área de Neurobiologia da Universidade de Massachussets.  </description>  <media:content url="https://s2-galileu.glbimg.com/BA3HyAI9CttRu0CFGhwMVFfoqYg=/i.s3.glbimg.com/v1/AUTH_fde5cd494fb04473a83fa5fd57ad4542/internal_photos/bs/2025/h/1/C0YIBORBuhZIHJlfnpFw/gettyimages-1246324593.jpg" medium="image"/>   <media:description>Novo estudo feito com camundongos relacionou abstinência de álcool a consumo compulsivo</media:description>   <media:credit>NurPhoto/Getty Images</media:credit>  <category>galileu</category> <pubDate>Sat, 22 Aug 2026 20:00:16 -0000</pubDate>  </item>  <item> <title>Chineses já consumiam vinho há 2,3 mil anos, revelam achados</title>  <atom:subtitle>O achado também revela o uso predominante do painço e de outros cereais locais na fermentação da bebida, além de indicar que recipientes de bronze com vedação especial eram usados como oferendas funerárias para acompanhar os mortos</atom:subtitle>  <link>https://revistagalileu.globo.com/ciencia/arqueologia/noticia/2026/08/chineses-ja-consumiam-vinho-ha-23-mil-anos-revelam-achados.ghtml</link> <guid isPermaLink="true">https://revistagalileu.globo.com/ciencia/arqueologia/noticia/2026/08/chineses-ja-consumiam-vinho-ha-23-mil-anos-revelam-achados.ghtml</guid> <description>  <![CDATA[ <img src="https://s2-galileu.glbimg.com/yLp9UOLhgQBP5nxlRI9NtzqKbJc=/i.s3.glbimg.com/v1/AUTH_fde5cd494fb04473a83fa5fd57ad4542/internal_photos/bs/2026/k/s/vjKRJZRiKpM9eSmEYbTg/f512bb9b-1c6c-402b-8534-1b08f143008f-ac263074.jpg" /><br /> ]]>    Arqueólogos encontraram 3,7 litros de uma bebida alcoólica preservada há mais de dois milênios em um cemitério. A descoberta, foi feita no sítio arqueológico de Shanjiabao, localizado a dois quilômetros de um trecho da antiga Grande Muralha de Qin, no norte da China. Segundo os pesquisadores, ela oferece novas pistas sobre os ingredientes e as técnicas utilizadas para produzir essas bebidas à época.
O líquido estava dentro de um vaso de bronze em formato de cabeça de alho, encontrado na tumba nº 39 do cemitério. O recipiente permaneceu praticamente intacto graças a uma técnica de vedação com duas camadas: uma cobertura interna de tecido e outra externa feita de argila orgânica.
“Este pote de bronze utilizava uma técnica de vedação de dupla camada, com um revestimento interno de tecido e um revestimento externo de argila orgânica, o que permitiu que o vinho antigo, com mais de 2.000 anos, permanecesse praticamente intacto”, diz Wang Xiaoyang, chefe do projeto arqueológico do cemitério de Shanjiabao no Instituto de Relíquias Culturais e Arqueologia de Ningxia, em entrevista ao Chinese Social Sciences Today.
“Atualmente, trata-se da relíquia vinícola mais bem preservada e rica em informações do período do estado de Qin que foi publicamente divulgada na China.”, complementa.
As escavações no cemitério começaram em março de 2024, conduzidas pelo Instituto de Arqueologia de Ningxia. Ao todo, 183 túmulos do período dos Reinos Combatentes foram identificados, sendo 179 associados à cultura Qin. A localização sugere que o espaço poderia ter funcionado como um cemitério para soldados, suas famílias e outros moradores das fortificações instaladas ao longo da fronteira.
Receita secreta da bebida
Para descobrir o que havia dentro do recipiente, os pesquisadores analisaram amostras do líquido na Universidade do Noroeste. Eles identificaram 24 tipos de compostos, incluindo ácidos orgânicos, aminoácidos e carboidratos.
A composição dos ácidos orgânicos era compatível com a de uma bebida alcoólica de cereais semelhante ao vinho amarelo chinês envelhecido. A análise também descartou a possibilidade de se tratar de um vinho produzido a partir de frutas, como uvas.
O vaso de vinho de 3,6 mil anos fotografado no cemitério na China
Divulgação
O ingrediente predominante era o painço (Panicum miliaceum). Segundo a análise dos resíduos de amido, mais de 92% do material identificado tinha origem nesse cereal. O restante era composto por amidos provenientes de trigo e cevada.
O resultado é particularmente relevante porque revela quais cereais eram utilizados para produzir bebidas alcoólicas na região de Ningxia durante o período dos Reinos Combatentes. No norte da China, o painço era um ingrediente importante na produção de bebidas fermentadas, enquanto o arroz predominava em muitas regiões do sul. O painço também é uma cultura especialmente adaptada a ambientes secos e tem uma longa história de cultivo no norte da China, onde é consumido há milhares de anos.
Um brinde para a vida após a morte
Além do que revela sobre a produção de bebidas, a descoberta também ajuda a compreender os costumes funerários da época. O cemitério de Shanjiabao ficava próximo à Grande Muralha de Qin, uma das primeiras estruturas defensivas que posteriormente seriam incorporadas à extensa rede de muralhas associada à China imperial. Durante os Reinos Combatentes, postos militares e fortificações protegiam a fronteira do Estado de Qin, e soldados e suas famílias viviam nessas áreas.
A presença do vaso de bronze dentro da tumba levou aos pesquisadores entenderem que o recipiente pode ter sido colocado ali como oferenda para acompanhar o morto na vida após a morte. O vaso, considerado pelos arqueólogos uma peça valiosa, teria sido enterrado junto ao indivíduo em um contexto que sugere a importância da bebida. Embora não seja possível determinar com certeza quem era o ocupante da tumba, ele pode ter sido um dos soldados ou moradores que viviam nas proximidades da fronteira.
“A presença desse tipo de recipiente em uma tumba dessa região indica não apenas o valor simbólico da bebida, mas também sua possível função ritual no contexto funerário”, afirma o arqueólogo.
Uma cápsula do tempo
A preservação do líquido é um dos aspectos mais raros da descoberta. Bebidas alcoólicas antigas geralmente deixam apenas resíduos químicos em recipientes arqueológicos, tornando difícil reconstruir exatamente sua composição.
A análise permite investigar não apenas os ingredientes utilizados, mas também aspectos das técnicas de produção empregadas na época. Segundo os pesquisadores, o achado preenche uma lacuna no conhecimento arqueológico sobre a fabricação de bebidas alcoólicas na região de Ningxia durante os Reinos Combatentes. 
“Este estudo proporciona uma compreensão clara da utilização de cereais e das técnicas de fabricação de cerveja do povo Qin, contribuindo para a reconstrução da antiga tecnologia de fabricação de cerveja chinesa e também para o aprimoramento do processo de desenvolvimento”, destaca Chen Ruru, candidata a doutorado da Universidade do Noroeste e autora do estudo.  </description>  <media:content url="https://s2-galileu.glbimg.com/yLp9UOLhgQBP5nxlRI9NtzqKbJc=/i.s3.glbimg.com/v1/AUTH_fde5cd494fb04473a83fa5fd57ad4542/internal_photos/bs/2026/k/s/vjKRJZRiKpM9eSmEYbTg/f512bb9b-1c6c-402b-8534-1b08f143008f-ac263074.jpg" medium="image"/>   <media:description>Vaso de vinho de bronze bem preservado descoberto no cemitério de Shanjiabao, localizado a 2 km da Grande Muralha Qin</media:description>   <media:credit>Divulgação</media:credit>  <category>galileu</category> <pubDate>Sat, 22 Aug 2026 18:00:15 -0000</pubDate>  </item>  <item> <title>O que a história de Frankenstein ensina sobre os sistemas de reconhecimento facial</title>  <atom:subtitle>Estudos mostram que sistemas de reconhecimento facial usados na segurança pública erram muito mais para mulheres de pele escura do que para homens de pele clara. Isso acontece porque as câmeras destes sistemas não veem - apenas reconhecem padrões faciais pré-estabelecidos</atom:subtitle>  <link>https://revistagalileu.globo.com/colunistas/the-conversation/coluna/2026/08/o-que-a-historia-de-frankenstein-ensina-sobre-os-sistemas-de-reconhecimento-facial.ghtml</link> <guid isPermaLink="true">https://revistagalileu.globo.com/colunistas/the-conversation/coluna/2026/08/o-que-a-historia-de-frankenstein-ensina-sobre-os-sistemas-de-reconhecimento-facial.ghtml</guid> <description>  <![CDATA[ <img src="https://s2-galileu.glbimg.com/s5ZWyxTCFlzMkMnDuViq9navdjU=/i.s3.glbimg.com/v1/AUTH_fde5cd494fb04473a83fa5fd57ad4542/internal_photos/bs/2026/U/k/n8sV1VSPq8Iw6EFqoFrg/pexels-cottonbro-8090124.jpg" /><br /> ]]>    Foi em 1818 que a escritora inglesa Mary Shelley publicou Frankenstein, a história hoje universal da criatura costurada a partir de partes dissecadas de corpos diferentes. O que me assombra no romance não é o monstro, e sim o procedimento: um criador - um cientista - que a partir de fragmentos humanos gera uma nova forma de vida inteligente, mas depois se recusa a se responsabilizar por ela.
Como pesquisadora na área de computação, passei os últimos anos estudando uma tecnologia que repete esse procedimento: o reconhecimento facial, hoje instalado em estações de metrô, estádios, aeroportos e sistemas de segurança pública em todo o Brasil. A investigação resultou na minha dissertação de mestrado, defendida em maio de 2026 no Instituto de Computação da Unicamp, e no artigo derivado dela, Frankenstein in the Pipeline, publicado nos anais da ACM FAccT, principal conferência internacional revisada por pares sobre justiça e responsabilidade em sistemas algorítmicos, este ano realizada em Montreal, Canadá.
Neste texto, que inaugura a parceria de produção de conteúdo e divulgação científica celebrada entre o The Conversation Brasil e o nosso Instituto da Hora, gostaria de explicar o que encontrei e por que dei a esse fenômeno o nome de “epistemicídio computacional”.
O que um sistema desses realmente faz
Um sistema de reconhecimento facial não “vê” pessoas. Ele executa uma sequência fixa de operações que a computação chama de pipeline, uma linha de montagem em que cada estação transforma o material recebido da anterior.
Na primeira estação, a detecção, o sistema varre a imagem e decide se ali existe algo classificável como rosto. Na segunda, o recorte, isola essa região. Na terceira, o alinhamento, ajusta o recorte a um molde padronizado, com olhos, nariz e boca em posições esperadas. Na última, a vetorização, converte o resultado em um vetor, uma lista de centenas de números que passa a representar aquela pessoa dentro do sistema.
Duas consequências desse desenho estruturam a minha pesquisa. Tudo depende da primeira estação: um rosto que a detecção não encontra é uma pessoa que deixa de existir para o sistema. E o alinhamento exige um molde, o que pressupõe uma norma.
Para encaixar qualquer rosto em posições esperadas, o sistema precisa ter aprendido, com as milhões de imagens que analisou durante o seu treinamento, o que seria um “rosto típico”. Chamo essa norma implícita presente no processo de “rosto canônico”. Minha pesquisa sobre o tema nasce daí: os rostos que se afastam dessa norma são processados com a mesma confiabilidade?
O que a ciência já sabia
A existência de disparidades raciais nessas tecnologias não são hipótese nova. Em 2018, o estudo Gender Shades, das cientistas da computação Joy Buolamwini e Timnit Gebru, mostrou que sistemas comerciais de análise facial erravam muito mais para mulheres de pele escura do que para homens de pele clara. No ano seguinte, o NIST, o instituto nacional de padrões e tecnologia dos Estados Unidos, avaliou centenas de algoritmos e documentou diferenças de desempenho entre grupos demográficos na maioria deles.
A resposta da indústria a esses achados costuma seguir um raciocínio único: as disparidades seriam limitações de modelos antigos, corrigíveis com arquiteturas mais modernas e bases de treinamento maiores. Trata-se de uma hipótese legítima, e testável. Faltava submetê-la a um teste controlado, comparando famílias diferentes de modelos sob condições idênticas para verificar se as disparidades desaparecem com o avanço técnico. Foi o que decidi fazer.
Três criaturas, uma prova
Desenhei o experimento para isolar variáveis. Quando tudo se mantém constante e apenas a arquitetura muda, diferenças de resultado só podem vir da arquitetura, enquanto semelhanças apontam para algo anterior a todas elas.
Escolhi três modelos de famílias tecnológicas distintas. Os dois primeiros pertencem à linhagem YOLO, sigla em inglês para “você só olha uma vez”, modelos de detecção de objetos muito usados em câmeras e sistemas de vigilância por serem rápidos o bastante para operar em tempo real.
O YOLOv11 se apoia em redes neurais convolucionais, algoritmos inspirados no sistema visual humano que varrem a imagem com pequenos filtros em busca de bordas, texturas e formas, e que dominaram a visão computacional na última década.
O YOLOv12 acrescenta a essa base os mecanismos de atenção, que permitem ao modelo dar mais peso às regiões da imagem consideradas relevantes.
O terceiro, o RT-DETRv2, vem da família dos Transformers, arquitetura que processa a imagem relacionando todas as suas partes entre si ao mesmo tempo, serve de base a sistemas como o ChatGPT e costuma ser apresentada como o ‘estado da arte’ desta tecnologia.
Os três foram avaliados sobre o mesmo conjunto de dados, o Casual Conversations v2, construído pela Meta para avaliações de equidade. São 26.467 vídeos de 5.567 participantes pagos, que consentiram com o uso das imagens de seus rostos em pesquisas de justiça algorítmica, gravados em sete países, entre eles o Brasil.
Os participantes autodeclararam atributos como idade e gênero. Anotadores treinados classificaram o tom de pele aparente em escalas padronizadas. E as condições de captura, inclusive variações de iluminação, estão documentadas. Esse desenho me permitiu medir as taxas de falha de detecção separadamente para cada grupo, em vez de diluí-las numa média geral.
O resultado central: as três arquiteturas apresentam os mesmos padrões de disparidade por tom de pele, falhando de forma consistente para os mesmos grupos.
Se três máquinas de anatomias distintas erram nos mesmos rostos, o problema não pertence a nenhuma delas individualmente. Pertence ao que compartilham: o método de fabricação, com seus dados, seus moldes e sua definição implícita de rosto. Na prática, a promessa de que a próxima geração de modelos resolverá as disparidades não encontra apoio nos dados que recolhi na minha pesquisa. Cada geração herda o problema da anterior.
Por que chamo isso de ‘epistemicídio computacional’
Até aqui, o achado é empírico. O passo seguinte da dissertação é conceitual: que nome dar a esse fenômeno?
O vocabulário corrente fala em viés algorítmico, sugerindo um desvio técnico corrigível por calibração. Argumento que esse enquadramento descreve o erro, mas esconde o mecanismo que o produz e o que ele faz com as pessoas afetadas. A escolha de palavras tem ainda uma consequência institucional: tratado como bug, o problema permanece sob jurisdição exclusiva de quem fabrica os sistemas.
Minha alternativa parte do conceito de epistemicídio, desenvolvido pela filósofa brasileira Sueli Carneiro em sua tese de doutorado para nomear a desqualificação sistemática dos saberes e dos modos de existência de grupos racializados como parte constitutiva do racismo, não como acidente dele.
Na minha dissertação, estendo o conceito ao domínio técnico. “Epistemicídio computacional” é o processo pelo qual um sistema fabrica uma norma de rosto, impõe essa norma como critério de reconhecimento e nega existência computacional a quem escapa dela, sob a aparência de objetividade matemática.
O Frankenstein criado por Mary Shelley deixa então de ser ilustração e vira método de leitura. O romance me ofereceu uma estrutura analítica que a métrica de acurácia não captura: uma criatura montada de partes dissecadas, dotada de autoridade, sem ninguém que responda por ela.
O pipeline dos sistemas de reconhecimento facial reproduz essa estrutura. Disseca o rosto em fragmentos, remonta um substituto numérico e passa a operar com autoridade prática sobre vidas, sem auditoria externa, sem reprodutibilidade pública, sem canal de contestação para quem é classificado.
O que concluo, e o que não concluo
Meu estudo não defende o abandono de toda visão computacional, nem mede intenções de ninguém. O que sustento, com base nos dados, é mais específico. Quando o dano está no método, calibrar o resultado não o elimina: um sistema de identificação facial de altíssima acurácia, instalado sobre uma estrutura de segurança pública que já concentra abordagens em populações negras e periféricas, torna essa concentração mais rápida e mais difícil de contestar.
Defendo, por isso, o que chamo de recusa com precisão: recusar operações específicas, como a identificação facial na segurança pública, cujo dano independe da arquitetura, e investir no que chamo de “reparação computacional”: princípios para sistemas auditáveis, contestáveis e construídos com as populações que até aqui entraram nos bancos de dados apenas como matéria-prima.
As decisões sobre contratos, editais e leis de reconhecimento facial no Brasil estão sendo tomadas agora, longe do debate público. Esta parceria entre o nosso Instituto da Hora, que foca muitos de seus estudos na compreensão do racismo digital, e o The Conversation Brasil existe para encurtar essa distância: conhecimento científico que afeta a vida pública precisa circular em público.
A criatura imaginada por Mary Shelley mais de dois séculos atrás não se tornou monstruosa pelo material de que foi feita, e sim porque ninguém aceitou responder por ela. Divulgar e propor soluções para os erros cometidos por criaturas digitais que criamos e instalamos nas nossas cidades - com o poder de julgar e influenciar no destino de pessoas - é o trabalho que começa aqui.
Este artigo foi escrito por Nina da Hora, diretora Executiva do Instituto da Hora (IDH) e mestra em Ciência da Computação pela Unicamp (Universidade Estadual de Campinas), publicado originalmente pelo site The Conversation.  </description>  <media:content url="https://s2-galileu.glbimg.com/s5ZWyxTCFlzMkMnDuViq9navdjU=/i.s3.glbimg.com/v1/AUTH_fde5cd494fb04473a83fa5fd57ad4542/internal_photos/bs/2026/U/k/n8sV1VSPq8Iw6EFqoFrg/pexels-cottonbro-8090124.jpg" medium="image"/>   <media:description>Sistemas atuais de reconhecimento facial dão brecha para o viés racial que provoca injustiças, e que precisa ser corrigido com o desenvolvimento de tecnologias mais inclusivas</media:description>   <media:credit>Cottonbro Studio/Pexels</media:credit>  <category>galileu</category> <pubDate>Sat, 22 Aug 2026 16:00:20 -0000</pubDate>  </item>  <item> <title>Como dormir melhor pode alterar até a data da sua aposentadoria</title>  <atom:subtitle>Estudo finlandês aponta que a qualidade do sono na meia-idade pode influenciar o tempo de permanência no mercado de trabalho, especialmente entre pessoas com menor nível socioeconômico</atom:subtitle>  <link>https://revistagalileu.globo.com/ciencia/biologia/noticia/2026/08/como-dormir-melhor-pode-alterar-ate-a-data-da-sua-aposentadoria.ghtml</link> <guid isPermaLink="true">https://revistagalileu.globo.com/ciencia/biologia/noticia/2026/08/como-dormir-melhor-pode-alterar-ate-a-data-da-sua-aposentadoria.ghtml</guid> <description>  <![CDATA[ <img src="https://s2-galileu.glbimg.com/to8rk3G5Yom-8VCkl-9JIujMrXM=/i.s3.glbimg.com/v1/AUTH_fde5cd494fb04473a83fa5fd57ad4542/internal_photos/bs/2026/k/j/hZy1LOTTq5KJ4NBNZDww/vilkasss-ai-generated-8654600.jpg" /><br /> ]]>    Dormir mal pode ter consequências que vão além do cansaço no dia seguinte. Um estudo conduzido por pesquisadores da Universidade de Turku, na Finlândia, indica que problemas de sono na meia-idade estão associados a uma redução do tempo que as pessoas permanecem trabalhando depois dos 50 anos. Segundo os resultados, que possui distúrbios graves do sono podem ter, em média, quase oito meses a menos de vida profissional em comparação com aqueles que não apresentam problemas de sono.
A pesquisa analisou dados de participantes do Finnish Public Sector Study (FPS) e do Health and Social Support Study (HeSSup), programas com foco nos hábitos de sono de pessoas com mais de 50 anos. Os pesquisadores avaliaram tanto a duração do sono quanto a presença de sintomas como dificuldade para adormecer ou permanecer dormindo, despertar precoce e sensação de sono não reparador.
Para a análise, o tempo de sono noturno foi dividido em três categorias: curto, com menos de sete horas; médio, entre sete e 8,5 horas; e longo, de nove horas ou mais. Já os distúrbios do sono foram classificados de acordo com a frequência e intensidade dos sintomas relatados nas quatro semanas anteriores à avaliação.
Os resultados mostraram uma relação entre a gravidade dos distúrbios do sono e a duração da vida profissional. Em comparação com pessoas sem problemas de sono, aquelas com distúrbios moderados poderiam esperar trabalhar cerca de cinco meses a menos após os 50 anos. Entre os participantes com distúrbios graves, a redução chegava a aproximadamente oito meses.
O impacto também apareceu quando os pesquisadores consideraram a duração do sono. Pessoas que dormiam pouco ou dentro da faixa intermediária apresentaram uma expectativa de vida profissional de aproximadamente 13 anos e dois meses depois dos 50. Já aquelas que dormiam nove horas ou mais apresentaram cerca de 12 anos e cinco meses.
Isso não significa que dormir menos de sete horas necessariamente reduza a carreira profissional. A própria equipe ficou surpresa ao não encontrar diferenças significativas entre quem dormia pouco e quem dormia dentro da faixa considerada intermediária.
“Foi surpreendente não termos encontrado diferenças entre aqueles com curta duração do sono e aqueles com duração média do sono, ou seja, de 7 a 9 horas por noite, que é considerada a quantidade ideal”, Saana Myllyntausta diz departamento de psicologia e patologia da fala e da linguagem da Universidade de Turku, em entrevista ao The Guardian.
Ela acrescenta que, embora estudos anteriores tenham associado o sono curto a aposentadoria precoce, “a curta duração do sono foi associada, por exemplo, à aposentadoria precoce. Por outro lado, a longa duração do sono foi associada a uma menor expectativa de vida profissional e também a piores resultados de saúde, o que pode explicar a carreira profissional mais curta”.
Uma associação mais evidente apareceu no extremo oposto: dormir por períodos muito longos esteve relacionado a uma menor expectativa de vida profissional. Uma possível explicação é que o sono prolongado esteja relacionado a problemas de saúde que também podem dificultar a permanência no mercado de trabalho. O estudo, no entanto, não permite estabelecer que o excesso de sono seja diretamente responsável por encurtar a carreira.
Diferenças entre homens e mulheres
A pesquisa também identificou diferenças relacionadas ao sexo e ao tipo de ocupação. A maior expectativa de vida profissional, próxima de 14 anos depois dos 50, foi observada entre mulheres em ocupações profissionais que não apresentavam distúrbios do sono.
Na outra ponta estavam homens em empregos considerados rotineiros e que apresentavam distúrbios graves do sono. Nesse grupo, a expectativa de vida profissional ficou em torno de 12 anos e meio.
Os resultados sugerem que o sono não deve ser analisado isoladamente. Condições socioeconômicas, características do trabalho e outros fatores de saúde podem influenciar simultaneamente a qualidade do sono e a permanência no mercado de trabalho.
Sono e desigualdade social
Um dos pontos destacados pelos pesquisadores é justamente a importância de cuidar da saúde do sono entre pessoas em situação socioeconômica mais desfavorável. “Nossos resultados destacam a importância de promover a saúde do sono e tratar problemas de sono, principalmente entre pessoas de baixa condição socioeconômica, durante a meia-idade”, explica Myllyntausta.
Segundo a pesquisadora, “intervenções destinadas a tratar a insônia, oferecidas por serviços de saúde ocupacional ou intervenções no local de trabalho, como ações educativas ou de promoção da saúde relacionadas ao sono, demonstraram, em estudos anteriores, serem formas eficazes de promover um sono adequado entre adultos em idade ativa”.
A recomendação ganha relevância em um contexto no qual uma parcela significativa da população adulta relata dificuldades para dormir. Dados do Ministério da Saúde do Brasil apontam que 3 em cada 10 brasileiros (31,7%) têm sintomas de insônia.
Limitações do estudo
Ainda assim, os autores ressaltam que há limitações importantes. A pesquisa não conseguiu, por exemplo, considerar completamente outros fatores que também podem influenciar a permanência no mercado de trabalho. Entram aqui indicativos como condições de saúde física e mental, doenças preexistentes, comportamentos relacionados à saúde e características das ocupações, incluindo o trabalho em turnos. Novos estudos, que levem em conta aspectos como esses, poderão investigar a questão mais a fundo.  </description>  <media:content url="https://s2-galileu.glbimg.com/to8rk3G5Yom-8VCkl-9JIujMrXM=/i.s3.glbimg.com/v1/AUTH_fde5cd494fb04473a83fa5fd57ad4542/internal_photos/bs/2026/k/j/hZy1LOTTq5KJ4NBNZDww/vilkasss-ai-generated-8654600.jpg" medium="image"/>   <media:description>Pessoas de meia-idade em ambiente de trabalho, representando a relação entre sono e vida profissional após os 50 anos</media:description>   <media:credit>Vilkasss/ pixabay</media:credit>  <category>galileu</category> <pubDate>Sat, 22 Aug 2026 14:00:21 -0000</pubDate>  </item>  <item> <title>Vírus letal reduz em 83% população de pererecas em reserva da Mata Atlântica</title>  <atom:subtitle>Estudo apoiado pela FAPESP relata o primeiro caso de morte em massa de anfíbios causada por ranavirose na América do Sul. Patógeno também afeta répteis e peixes</atom:subtitle>  <link>https://revistagalileu.globo.com/ciencia/meio-ambiente/noticia/2026/08/virus-letal-reduz-em-83percent-populacao-de-pererecas-em-reserva-da-mata-atlantica.ghtml</link> <guid isPermaLink="true">https://revistagalileu.globo.com/ciencia/meio-ambiente/noticia/2026/08/virus-letal-reduz-em-83percent-populacao-de-pererecas-em-reserva-da-mata-atlantica.ghtml</guid> <description>  <![CDATA[ <img src="https://s2-galileu.glbimg.com/ViMtT7o8ELltGR1vcT7qwu96uNk=/i.s3.glbimg.com/v1/AUTH_fde5cd494fb04473a83fa5fd57ad4542/internal_photos/bs/2026/f/U/u3ByXPThAQ2vB3EmzLvw/59024.jpeg" /><br /> ]]>    Um patógeno altamente letal está por trás da morte em massa de girinos e do rápido declínio populacional de anfíbios na Mata Atlântica. Um grupo de pesquisadores apoiado pela FAPESP comprovou, pela primeira vez na América do Sul, que surtos recorrentes de ranavirose provocaram uma queda de 83% na reprodução da perereca-macaco (Phyllomedusa distincta) em uma lagoa de Santa Catarina. A doença é causada por um vírus que afeta também répteis e peixes.
O estudo, publicado ontem (20/08) na revista Biodiversity and Conservation, fornece a primeira evidência robusta de que o ranavírus é capaz de causar o colapso de populações silvestres sul-americanas, um risco de extinção já documentado na Europa. Os dados revelam ainda que essa ameaça se torna mais grave em períodos secos, com a baixa umidade do ar favorecendo os surtos da doença.
O ranavírus é facilmente encontrado infectando rãs-touro (Aquarana catesbeiana) em criações comerciais ou na natureza, geralmente sem causar doença. Nas últimas décadas, porém, aumentaram os relatos de mortandades suspeitas – possivelmente desencadeadas por esse patógeno – de espécies nativas nas Américas do Sul e do Norte. Pesquisadores e ambientalistas temem que outros casos de morte em massa causados pelo vírus estejam ocorrendo sem que ninguém saiba.
Nos girinos, a infecção avança de forma rápida e devastadora, causando a destruição e a necrose de tecidos em órgãos vitais, como o fígado. Os sinais clínicos visíveis a olho nu incluem inchaço abdominal (edema), vermelhidão extrema, úlceras e múltiplas hemorragias, que podem ocorrer inclusive dentro dos olhos dos animais.
“Apesar de várias mortes suspeitas documentadas no continente americano, é a primeira vez que se comprova a ranavirose, por meio de análises dos tecidos [histológicas] dos fígados dos animais e [da análise] dos vírus isolados deles, como causa das mortes em uma espécie nativa”, conta Aline Fonseca, que realizou o trabalho como parte de seu doutorado na Universidade Federal do Paraná (UFPR).
Em apenas uma lagoa de Santa Catarina, foram encontrados 324 girinos mortos entre 2024 e 2026, a imensa maioria confirmada como vítima de ranavirose
Germano Woehl Jr./Instituto Rã-Bugio
Ao menos três surtos
O primeiro evento de mortandade na lagoa ocorreu em janeiro de 2024, seguido por dois outros, entre novembro de 2024 e janeiro de 2025 e entre novembro de 2025 e março de 2026. No total, foram encontrados 324 girinos mortos, sendo 315 de perereca-macaco e nove da perereca-de-pijama Boana bischoffi.
Entre as pererecas-macaco, 279 (88,6%) testaram positivo para o ranavírus, enquanto as pererecas-de-pijama infectadas foram oito (88,9%). A carga viral das pererecas-macaco foi considerada alta, com quase 10 bilhões de cópias do vírus por microlitro de amostra, enquanto nas pererecas-de-pijama esse valor foi de cerca de 2 bilhões. O número de pererecas-de-pijama mortas, no entanto, foi considerado pequeno para caracterizar uma mortandade em massa.
Para comprovar os sinais clínicos da doença, 13 girinos tiveram os fígados analisados por histologia, técnica que verifica danos aos tecidos e às células usando um microscópio. As lesões encontradas confirmaram o quadro severo da infecção.
As mortes ocorreram na Reserva Particular do Patrimônio Natural (RPPN) Santuário Rã-Bugio, no município de Guaramirim, em Santa Catarina.
O estudo integra o projeto “Da história natural à conservação dos anfíbios brasileiros”, apoiado pela FAPESP e coordenado por Luís Felipe Toledo, professor do Instituto de Biologia da Universidade Estadual de Campinas (IB-Unicamp). Também financiaram o trabalho o Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq), do Brasil, e o Ministério da Ciência, Inovação e Universidades da Espanha.
Os girinos da perereca-macaco apresentaram vermelhidão compatível com hemorragia, além de inchaço abdominal. Testes moleculares confirmaram infecção por ranavírus como causa da morte
Germano Woehl Jr./Instituto Rã-Bugio
Declínio da população
Além de comprovar a ranavirose como causa das mortes, os pesquisadores compilaram dados do clima duas semanas antes e durante os eventos de mortandade, a fim de encontrar possíveis associações com os óbitos.
“Realizamos análises estatísticas que pudessem apontar mudanças ambientais e climáticas capazes de contribuir para as mortes, mas nenhum fator teve um peso tão significativo sobre o declínio da população como a ranavirose”, explica Karla Campião, professora da UFPR que orientou o doutorado de Fonseca e que obteve o financiamento do CNPq para o trabalho.
A constatação do declínio da população foi possível graças ao monitoramento contínuo da lagoa, realizado desde 1999 por Germano Woehl Jr. e Elza Nishimura Woehl, do Instituto Rã-Bugio para Conservação da Biodiversidade, que também assinam o estudo.
Diariamente no período reprodutivo, entre junho e fevereiro, são contadas quantas massas de ovos há em torno da lagoa. As massas são depositadas sobre folhas da vegetação, que são dobradas pela fêmea ao redor dos ovos, protegendo-os do ressecamento. Quando os ovos eclodem, os girinos caem diretamente na água.
No período de agosto de 2025 a fevereiro de 2026, logo depois das mortandades, o número de massas de ovos foi substancialmente menor do que nos mesmos meses entre 1999 e 2004. A partir dos dados, o declínio da população foi calculado em 83%.
Fêmea de perereca-macaco deposita ovos em uma folha, enquanto dois machos tentam acasalar com ela. Protegidos de predadores aquáticos, os ovos eclodem e os girinos caem na água para continuar o ciclo de vida
Germano Woehl Jr./Instituto Rã-Bugio
Vírus presente
Ainda que nenhum fator ambiental sozinho possa ser relacionado de forma significativa com as mortes ao longo dos anos, os pesquisadores apontam um aumento abrupto de risco de surto quando a umidade cai de 90% para 65% duas semanas antes da mortandade.
“Provavelmente, o vírus está presente no ambiente o tempo todo, sem causar doença, mas a baixa umidade pode fazer com que ele aumente a própria replicação e cause um surto. É sabido ainda que o sistema imune dos anfíbios pode ficar comprometido em baixas taxas de umidade, o que facilita a infecção”, sugere Fonseca.
Além disso, menos água no lago faz com que os girinos fiquem concentrados numa área menor, facilitando a transmissão do vírus de um indivíduo para outro.
O monitoramento da lagoa do Santuário Rã-Bugio segue sendo realizado. No futuro, as pesquisadoras da UFPR pretendem coletar amostras em áreas próximas para verificar a prevalência do ranavírus.
“Esse vírus também pode ser uma grande ameaça para a conservação dos anfíbios. Há mais de uma década estamos estudando o fungo quitrídio [Batrachochytrium dendrobatidis] como causador de mortandades e extinções de anfíbios. Porém, este vírus, que já está espalhado pela Mata Atlântica, pode também estar fazendo o mesmo. Assim, precisamos aprofundar os estudos para entender o real perigo decorrente da presença do ranavírus”, diz Toledo, da Unicamp.
Além de buscar pelo vírus em animais na natureza, o pesquisador ressalta a importância de verificar anfíbios depositados em museus de zoologia, a fim de saber o impacto do ranavírus no passado.
Em um trabalho recente, seu grupo detectou que o fungo quitrídio infectava anfíbios brasileiros já em 1916, antes mesmo da introdução da rã-touro no país. Até então, a espécie invasora era dada como a mais provável fonte do ingresso do fungo no Brasil.
“Talvez o ranavírus também esteja aqui há muito tempo. Resta saber o que mudou para ele se tornar uma ameaça”, encerra Toledo.
Este artigo foi publicado originalmente pela Agência FAPESP.  </description>  <media:content url="https://s2-galileu.glbimg.com/ViMtT7o8ELltGR1vcT7qwu96uNk=/i.s3.glbimg.com/v1/AUTH_fde5cd494fb04473a83fa5fd57ad4542/internal_photos/bs/2026/f/U/u3ByXPThAQ2vB3EmzLvw/59024.jpeg" medium="image"/>   <media:description>Endêmica da Mata Atlântica, a perereca-macaco (Phyllomedusa distincta) é uma das espécies que pode estar mais ameaçada do que se pensava pelo ranavírus</media:description>   <media:credit>Germano Woehl Jr./Instituto Rã-Bugio</media:credit>  <category>galileu</category> <pubDate>Sat, 22 Aug 2026 12:00:38 -0000</pubDate>  </item>  <item> <title>Cerâmicas de 3,6 mil anos podem ser um dos primeiros exemplos de “marca” da história</title>  <atom:subtitle>Produzidos em oásis da atual Arábia Saudita, vasos da Idade do Bronze tinham aparência padronizada, origem conhecida e chegaram a circular por centenas de quilômetros</atom:subtitle>  <link>https://revistagalileu.globo.com/ciencia/arqueologia/noticia/2026/08/ceramicas-de-36-mil-anos-podem-ser-um-dos-primeiros-exemplos-de-marca-da-historia.ghtml</link> <guid isPermaLink="true">https://revistagalileu.globo.com/ciencia/arqueologia/noticia/2026/08/ceramicas-de-36-mil-anos-podem-ser-um-dos-primeiros-exemplos-de-marca-da-historia.ghtml</guid> <description>  <![CDATA[ <img src="https://s2-galileu.glbimg.com/w1DFjZDzgZsfwkz6fT56TmuL2vw=/i.s3.glbimg.com/v1/AUTH_fde5cd494fb04473a83fa5fd57ad4542/internal_photos/bs/2026/p/N/QiJMSXRDqoyHOAtaWpAQ/bronze-age-pottery-in-arabia-brands-1.jpg" /><br /> ]]>    Muito antes de logotipos, embalagens e campanhas publicitárias, um conjunto de vasos produzidos há cerca de 3,6 mil anos pode ter desenvolvido algo parecido com uma “marca”. É o que sugere um novo estudo, publicado em 19 de agosto na revista PLOS One, que analisou cerâmicas encontradas no oásis de Qurayyah, no noroeste do atual território da Arábia Saudita.
Conhecidas como Cerâmica Pintada de Qurayyah, as peças apresentavam características que, segundo os pesquisadores ajudam a definir uma marca: identidade visual reconhecível, métodos de produção consistente, um local de produção bem estabelecido, circulação para outras regiões e uma reputação consolidada entre os compradores.
"No entanto, tratava-se de uma marca antiga em um mundo pré-capitalista. Então, por exemplo, o alcance geográfico ou a campanha publicitária e de marketing orquestrada para o lançamento de uma marca moderna certamente seriam diferentes", disse a pesquisadora Marta Luciani, da Universidade de Viena, ao IFLScience.
De acordo com o site Archaeology News, a pesquisa também ajuda a esclarecer a origem das peças. Durante muito tempo, esse tipo de cerâmica foi chamado de “cerâmica midianita”, nome que associava os objetos a uma região mais ampla. A análise de exemplares encontrados em Qurayyah, no entanto, indica que os vasos eram produzidos no próprio oásis. Amostras de sítios arqueológicos na Jordânia, incluindo Tell el-Kheleifeh e Pella, também ajudaram a confirmar as origens da cerâmica.
Escavações realizadas na Área R, um complexo funerário no antigo oásis de Qurayyah, onde centenas de vasos foram encontrados
Marta Luciani, Projeto Arqueológico Conjunto de Qurayyah
Os primeiros vasos
Os pesquisadores examinaram dezenas de fragmentos encontrados em diferentes camadas arqueológicas. Eles analisaram a maneira como as peças eram moldadas e queimadas, além dos minerais presentes na argila. Amostras extremamente finas dos materiais também foram observadas em microscópio de luz polarizada, enquanto testes químicos ajudaram a identificar elementos presentes na composição das cerâmicas.
Os resultados apontaram para uma longa cadeia de produção local. As primeiras versões das cerâmicas utilizavam matérias-primas disponíveis na região e técnicas desenvolvidas em Qurayyah. Embora os desenhos pintados apresentassem semelhanças com cerâmicas produzidas em outras partes do Mediterrâneo oriental e da Arábia, os pesquisadores não encontraram evidências de que fossem simplesmente cópias.
Ao longo das gerações, os ceramistas de Qurayyah desenvolveram suas próprias receitas, formatos e padrões decorativos. As características mudaram com o tempo, mas os materiais básicos e os métodos de produção permaneceram semelhantes, sendo usados em versões seguintes.
A versão bicolor
Cerca de quatro séculos depois do início da produção das primeiras cerâmicas, surgiu uma versão mais padronizada, que era transportada por centenas de quilômetros. Produzida em grande quantidade, uma das versões (batizada QPW 4 pelo estudo) apresentava um estilo visual reconhecível, marcado por uma decoração em duas cores. De acordo com os pesquisadores, esses vasos chegaram a assentamentos e locais ritualísticos distantes de Qurayyah, incluindo Tell el-Kheleifeh e o santuário de Timna, no sul do Levante, indicando que circulavam por diferentes partes da região.
Essa identidade visual somada aos métodos e locais de produção não significa, no entanto, que os artesãos de Qurayyah tenham planejado criar uma “marca” nos formatos atuais. Segundo a pesquisa, as primeiras cerâmicas provavelmente surgiram como uma produção local destinada a criar um produto diferenciado em um ambiente desértico. Com o passar das gerações, a continuidade da fabricação e a expansão do comércio teriam fortalecido a identidade dos vasos e sua associação com o local de origem.

A tradição ainda durou muito depois da QPW 4. Outras cerâmicas pintadas continuaram sendo produzidas durante a Idade do Ferro e chegaram até o século 4 a.C., indicando que a tradição da cerâmica do oásis se manteve por mais de um milênio.
Dessa forma, o estudo apresenta uma forma antiga de branding baseada não em rótulos ou embalagens, mas no próprio produto, que possuía uma aparência característica, uma produção padronizada, uma origem conhecida e uma circulação ampla. Isso contribuiu para transformar os vasos de Qurayyah em mercadorias reconhecíveis no comércio da Idade do Bronze.  </description>  <media:content url="https://s2-galileu.glbimg.com/w1DFjZDzgZsfwkz6fT56TmuL2vw=/i.s3.glbimg.com/v1/AUTH_fde5cd494fb04473a83fa5fd57ad4542/internal_photos/bs/2026/p/N/QiJMSXRDqoyHOAtaWpAQ/bronze-age-pottery-in-arabia-brands-1.jpg" medium="image"/>   <media:description>A cerâmica antiga feita há 3,6 mil anos no atual território da Arábia Saudita era caracterizada por seu design bicolor e apresentava imagens de animais e rituais humanos</media:description>   <media:credit>Marta Luciani, Projeto Arqueológico Conjunto de Qurayyah</media:credit>  <category>galileu</category> <pubDate>Fri, 21 Aug 2026 20:51:39 -0000</pubDate>  </item>  <item> <title>Uma das cópias mais antigas da Odisseia tem trecho "esquecido" por versões atuais</title>  <atom:subtitle>Fragmento de papiro com cerca de 2,3 mil anos preserva três versos ausentes do texto estabelecido hoje e revela como a epopeia circulava antes de ganhar uma forma mais padronizada</atom:subtitle>  <link>https://revistagalileu.globo.com/sociedade/historia/noticia/2026/08/uma-das-copias-mais-antigas-da-odisseia-tem-trecho-esquecido-por-versoes-atuais.ghtml</link> <guid isPermaLink="true">https://revistagalileu.globo.com/sociedade/historia/noticia/2026/08/uma-das-copias-mais-antigas-da-odisseia-tem-trecho-esquecido-por-versoes-atuais.ghtml</guid> <description>  <![CDATA[ <img src="https://s2-galileu.glbimg.com/0zIdtEQSq6iISnyb5sZmNPlhzqk=/i.s3.glbimg.com/v1/AUTH_fde5cd494fb04473a83fa5fd57ad4542/internal_photos/bs/2026/g/N/0clpvaR8y16Ht6F5Y8ZA/dc19d3f18e11ac54be92bc8b26e20da5b6346414-5120x7726.jpeg" /><br /> ]]>    A obra Odisseia, atribuída ao poeta grego Homero, sobreviveu por mais de dois milênios documentada em diferentes versões. Uma delas, preservada em um pequeno fragmento de papiro pertencente ao acervo do Museu Metropolitano de Arte (mais conhecido pelo apelido Met), em Nova York, nos Estados Unidos, guarda uma particularidade rara: três versos “esquecidos”, que não aparecem nas edições mais modernas. 
O fragmento, produzido no Egito entre 285 e 250 a.C., integra o Livro 20 da epopeia, e é considerado o primeiro fragmento da Odisseia produzido durante o período ptolomaico já descoberto. O papiro tem cerca de 2.300 anos de idade e está entre as cópias mais antigas conhecidas do poema que sobreviveram até o presente. Veja vídeo: 
Initial plugin text
Trecho perdido nas versões modernas
A passagem registrada no papiro ocorre em um momento decisivo da narrativa. Depois de passar dez anos longe de casa, Odisseu finalmente retorna a Ítaca, onde precisa recuperar o seu reino e enfrentar os homens que ocupam seu palácio enquanto tentam conquistar sua esposa, a rainha Penélope. 
Na cena, o herói tem uma noite inquieta antes do confronto. Atena, deusa associada à sabedoria e à estratégia, surge em sonho para tranquilizá-lo. Em seguida, um trovão lançado por Zeus é interpretado como um sinal favorável para a batalha que se aproxima.  
Jarro de terracota representando Odisseu com seu icônico arco e flecha
Metropolitan Museum of Art
É nesse trecho que estão os três versos que não fazem parte do texto atualmente considerado padrão. Isso ocorre porque, pelo papiro estar danificado bem nesse ponto, os especialistas ainda não conseguiram compreender, na íntegra, o que está escrito. 
Dificilmente a tradução desse material vai mudar o rumo da história que já conhecemos. No entanto, a sua existência é significativa para ressaltar como essa história circulou desde a Antiguidade até a atualidade.  
Quadro "Polifemo e Galateia em uma paisagem", que retrata outro personagem da Odisseia
Metropolitan Museum of Art
Diferentes versões da mesma história 
Basicamente, a explicação para a existência de múltiplas versões da Odisseia está na forma como esses poemas eram passados adiante. Composta por volta do século 8 a.C., a epopeia circulou inicialmente por meio da tradição oral.  
Assim, em vez de depender de um livro único, a história era recitada por bardos (artistas que apresentavam poemas e narrativas diante do público). Esse processo permitia pequenas “liberdades artísticas”, nas quais o intérprete podia acrescentar trechos, deixar outros de fora ou modificar determinadas passagens. 

Como destaca a revista Smithsonian, essas versões são, por vezes, descritas pelos pesquisadores como edições “selvagens” ou “excêntricas” da Odisseia. Algumas preservam versos ausentes de versões posteriores; outras registram menos trechos. Ainda assim, não costumam modificar de maneira relevante a trama.  </description>  <media:content url="https://s2-galileu.glbimg.com/0zIdtEQSq6iISnyb5sZmNPlhzqk=/i.s3.glbimg.com/v1/AUTH_fde5cd494fb04473a83fa5fd57ad4542/internal_photos/bs/2026/g/N/0clpvaR8y16Ht6F5Y8ZA/dc19d3f18e11ac54be92bc8b26e20da5b6346414-5120x7726.jpeg" medium="image"/>   <media:description>Um fragmento antigo de papiro da Odisseia de Homero, datado de aproximadamente 285 a 250 a.C., está agora em exibição na cidade de Nova York</media:description>   <media:credit>Metropolitan Museum of Art</media:credit>  <category>galileu</category> <pubDate>Fri, 21 Aug 2026 19:16:27 -0000</pubDate>  </item>  <item> <title>Harvard pagará R$ 273 mi a famílias de cadáveres vendidos no mercado ilegal por ex-funcionário</title>  <atom:subtitle>Ex-gerente do necrotério da instituição foi condenado a oito anos de prisão por roubar e vender partes de corpos de doadores que haviam sido entregues para fins de pesquisa</atom:subtitle>  <link>https://revistagalileu.globo.com/ciencia/noticia/2026/08/harvard-pagara-r-273-mi-a-familias-de-cadaveres-vendidos-no-mercado-ilegal-por-ex-funcionario.ghtml</link> <guid isPermaLink="true">https://revistagalileu.globo.com/ciencia/noticia/2026/08/harvard-pagara-r-273-mi-a-familias-de-cadaveres-vendidos-no-mercado-ilegal-por-ex-funcionario.ghtml</guid> <description>  <![CDATA[ <img src="https://s2-galileu.glbimg.com/Hxnf5wK3nkjRrWDzoYjZmh10YGk=/i.s3.glbimg.com/v1/AUTH_fde5cd494fb04473a83fa5fd57ad4542/internal_photos/bs/2026/Y/1/oniA5lShmSaza2CGu09Q/gettyimages-2273616251.jpg" /><br /> ]]>    No início deste mês de agosto, a Escola de Medicina de Harvard anunciou que pagará US$ 53 milhões (cerca de R$ 273 milhões) para encerrar ações coletivas movidas por familiares de doadores de corpos cujos restos mortais foram roubados e vendidos no mercado ilegal pelo ex-gerente do necrotério da instituição.
Segundo informa a agência Associated Press (AP), a decisão foi anunciada em uma uma carta à comunidade, redigida pelos decanos da faculdade, George Q. Daley e Bernard S. Chang. O documento classifica as ações do ex-gerente, Cedric Lodge, como "desprezíveis, abomináveis ​​e uma flagrante traição aos valores da comunidade médica". 
Além disso, o documento afirma que as ações de Lodge não refletem "a reverência" que Harvard têm "pelos indivíduos altruístas que doam seus corpos sem interesses”. Por fim, eles reafirmam sentirem profunda tristeza e empatia pelas famílias dos doadores. 
Investigação e condenação 
Os processos sobre as vendas foram movidos por 47 familiares de pessoas cujos restos mortais foram foram doados para fins de pesquisa e educação. Em vez disso, uma acusação feita em 2023 indica que os os cadáveres teriam sido maltratados e colocados à venda. 
Como resultado, Harvard pagará dois fundos de indenização coletiva. A instituição afirmou que tentou identificar as famílias dos doadores, cruzando as informações com registros que mostravam quando os restos mortais foram enviados para cremação no período em que Lodge estava no campus. Contudo, não foi possível determinar com precisão quais restos mortais foram roubados. O que se sabe é que as doações à Faculdade de Medicina aconteceram entre 1º de janeiro de 2018 e 31 de março de 2023.
No ano passado, Lodge foi condenado a oito anos de prisão por roubar e vender partes de corpos. Segundo as autoridades, ele integrava um esquema no qual enviava cérebros, pele, mãos e rostos de cadáveres para compradores na Pensilvânia e em outros estados americanos. 
Sua esposa, Denise Lodge, foi condenada a pouco mais de um ano de prisão por ajudá-lo. Outras seis pessoas que compraram restos mortais de doadores também se declararam culpadas e foram condenadas, segundo Harvard.
Lodge admitiu ter retirado partes dos cadáveres antes da cremação. Em um dos episódios, o ex-funcionário teria fornecido pele humana a um comprador que pretendia transformá-la em couro para encadernar um livro. 
Após o uso dos corpos em pesquisas ou aulas, Harvard normalmente os devolve às famílias ou providencia sua cremação. A universidade afirma que ele agiu sem seu conhecimento ou autorização.
Além da indenização, a Faculdade de Medicina de Harvard concordou em fornecer às famílias uma declaração condenando os crimes e um resumo das medidas adotadas para aprimorar o Programa de Doação de cadáveres. A instituição também pretende criar, a partir do ano que vem, uma bolsa anual para estudantes de medicina em homenagem aos doadores.  </description>  <media:content url="https://s2-galileu.glbimg.com/Hxnf5wK3nkjRrWDzoYjZmh10YGk=/i.s3.glbimg.com/v1/AUTH_fde5cd494fb04473a83fa5fd57ad4542/internal_photos/bs/2026/Y/1/oniA5lShmSaza2CGu09Q/gettyimages-2273616251.jpg" medium="image"/>   <media:description>Fachada da Escola de Medicina de Harvard, nos Estados Unidos</media:description>   <media:credit>Peterspiro/Getty Images</media:credit>  <category>galileu</category> <pubDate>Fri, 21 Aug 2026 18:53:02 -0000</pubDate>  </item>  <item> <title>Nova espécie de serpente é batizada em homenagem a Slash do Guns n' Roses</title>  <atom:subtitle>Ideia veio de de pesquisadora que é fã do artista desde a infância. Guitarrista, que é apaixonado por cobras, se pronunciou sobre a escolha de nome</atom:subtitle>  <link>https://revistagalileu.globo.com/ciencia/biologia/noticia/2026/08/nova-especie-de-serpente-e-batizada-em-homenagem-a-slash-do-guns-n-roses.ghtml</link> <guid isPermaLink="true">https://revistagalileu.globo.com/ciencia/biologia/noticia/2026/08/nova-especie-de-serpente-e-batizada-em-homenagem-a-slash-do-guns-n-roses.ghtml</guid> <description>  <![CDATA[ <img src="https://s2-galileu.glbimg.com/7GeLpFRatAL3GZs8LAMzkeqFYQY=/i.s3.glbimg.com/v1/AUTH_fde5cd494fb04473a83fa5fd57ad4542/internal_photos/bs/2026/v/Y/PCcUxWRy64hH1KAwkUdQ/cobra-do-slash.jpg" /><br /> ]]>    Uma equipe de pesquisadores liderada por Sara Ruane, especialista em herpetologia do Field Museum em Chicago, nos Estados Unidos, descobriu uma nova espécie de serpente-terrestre-papua. O nome escolhido para batizá-la, no entanto, é que chamou atenção: Lielaphis slashi - uma referência a Saul Hudson, o guitarrista Slash, da banda de rock americana Guns N' Roses. O artigo científico que descreve descoberta foi publicado em 11 de agosto na revista Zootaxa. 
Ruane explica que é fã de Guns N' Roses desde o primeiro ano do ensino fundamental. Ela lembra que, no quinto ano, disse à uma professora que gostaria de ser quando crescer herpetóloga, cientista que estuda répteis e anfíbios. 
"Quando eu tinha doze anos e recebi minha edição da revista Reptiles pelo correio, com uma foto do Slash segurando sua píton-reticulada de estimação na capa, eu pensei: 'Esse cara é muito legal'", relatou, em entrevista à revista Popular Science. A pesquisadora conta que releu recentemente a entrevista com Slash, onde o guitarrista fala que ama museus, zoológicos e história natural, e que, quando criança, ele saía para procurar cobras. 
Slash e Sara Ruane no Field Museum, com o exemplar da revista Reptiles Magazine de Sara, que traz Slash na capa
Sara Ruane/Arquivo pessoal
Welcome to the Jungle
Natural das florestas da Nova Guiné, ao norte da Austrália, a nova serpente marrom-avermelhada têm 71 centímetros de comprimento. A criatura rastejante foi avistada pela primeira vez em 2006, pelo coautor do estudo, Chris Austin, herpetólogo da Universidade Estadual da Louisiana, durante um estudo de campo noturno. Elas geralmente são encontradas após o pôr do sol, na base de árvores grandes, local onde costumam procurar por comida.
À princípio, não era possível determinar só pela aparência se a serpente pertencia à uma nova espécie, mas isso mudou após uma análise laboratorial. Os pesquisadores descobriram o habitat preferido da L. slashi  difere daquele de serpentes semelhantes. A criatura é difícil de ser flagrada na natureza, mas sua anatomia traz características únicas e não representa uma ameaça para humanos. 
“As cobras deste gênero geralmente têm dentes grandes na parte de trás da boca, que as cobras-terrestres da Nova Guiné podem usar para agarrar e comer pequenos lagartos de escamas escorregadias e os ovos de outros répteis; esta cobra não agarra e aperta sua presa como uma jiboia”, diz Ruane. 
Em comunicado enviado por -mail à revista Popular Science, Slash agradeceu a homenagem. “Como herpetófilo [fã de serpentes] de longa data, sinto-me extremamente honrado e grato por Lielaphis slashi, da Nova Guiné, ter sido nomeada em minha homenagem", escreveu o astro do hard rock. "Realmente emocionante, jamais imaginei que esse momento chegaria”.  </description>  <media:content url="https://s2-galileu.glbimg.com/7GeLpFRatAL3GZs8LAMzkeqFYQY=/i.s3.glbimg.com/v1/AUTH_fde5cd494fb04473a83fa5fd57ad4542/internal_photos/bs/2026/v/Y/PCcUxWRy64hH1KAwkUdQ/cobra-do-slash.jpg" medium="image"/>   <media:description>Cobra Lielaphis slashi, que recebeu nomem em homenagem a  Slash, guitarrista principal do Guns N' Roses</media:description>   <media:credit>Chris Austin/Zootaxa</media:credit>  <category>galileu</category> <pubDate>Fri, 21 Aug 2026 18:35:22 -0000</pubDate>  </item>  <item> <title>Experimento viral de "fantasminha de papel" surpreende crianças; entenda como funciona</title>  <atom:subtitle>Experimento que viralizou nas redes sociais parece mágica, mas pode ser explicado à luz da física. Veja como</atom:subtitle>  <link>https://revistagalileu.globo.com/ciencia/noticia/2026/08/experimento-viral-de-fantasminha-de-papel-surpreende-criancas-entenda-como-funciona.ghtml</link> <guid isPermaLink="true">https://revistagalileu.globo.com/ciencia/noticia/2026/08/experimento-viral-de-fantasminha-de-papel-surpreende-criancas-entenda-como-funciona.ghtml</guid> <description>  <![CDATA[ <img src="https://s2-galileu.glbimg.com/OFE71zXsE6Id_hESl52vTsM9xQE=/i.s3.glbimg.com/v1/AUTH_fde5cd494fb04473a83fa5fd57ad4542/internal_photos/bs/2026/J/O/UtbaJuS3KAJ1EOT0BwMA/captura-de-tela-2026-08-21-141534.png" /><br /> ]]>    Uma nova trend nas redes sociais envolve fazer pequenos fantasmas de papel que parecerem desafiar a gravidade. Nos vídeos, um papel recortado é colocado sobre uma superfície e, então, incendiado. Conforme as chamas avançam, o “fantasminha” começa a se levantar até sair voando para cima — um efeito que parece quase sobrenatural, mas pode ser explicado pela física.
Confira abaixo exemplos de pessoas reproduzindo a trend — quase sempre acompanhada de uma reação de surpresa nas crianças:
Initial plugin text
Initial plugin text
O segredo para esse experimento está na combinação entre calor, movimento do ar e diminuição da massa do papel. Quando o “fantasminha” é aceso, a combustão aquece intensamente o ar ao redor. O ar quente se torna menos denso que o ar mais frio e, por isso, tende a subir. Esse movimento é chamado de convecção, que ocorre quando o ar aquecido sobe enquanto o ar mais frio ocupa seu lugar.
Essa corrente de ar ascendente (que se move para cima) é importante porque o “fantasminha” é extremamente leve. Conforme o fogo avança pelo papel, ele aquece o ar próximo e cria uma corrente que se desloca para cima. Ao mesmo tempo, o próprio papel vai sendo consumido pelas chamas e perde massa. 
O resultado é que chega um momento em que ele fica leve o suficiente para que o efeito da corrente de ar e do empuxo —  um “empurrão” para cima que um fluido, como um líquido ou gás, exerce sobre um corpo — supere seu peso.
Esse processo é parecido com o que permite a um balão de ar quente subir. Dentro do balão, o ar aquecido fica menos denso que o ar atmosférico ao redor. Isso faz com que o conjunto sofra uma força resultante para cima. No caso do “fantasminha”, porém, não existe um balão cheio de ar quente: o papel queima ao mesmo tempo em que o ar ao seu redor é aquecido.
Há ainda outro detalhe que envolve o papel: ele vai desaparecendo durante o processo. No início, seu peso mantém o “fantasminha” preso à superfície. Mas, à medida que a combustão avança, parte do material é transformada em gases e produtos da combustão, reduzindo rapidamente a massa do que resta. Em determinado momento, o material fica tão leve que pode ser carregado pela corrente de ar ascendente.

É justamente essa combinação que produz o momento mais impressionante dos vídeos. Depois de queimar por alguns segundos, o pequeno fantasma se desprende e sobe repentinamente.
O experimento, no entanto, nem sempre dá certo - o que, por vezes, acaba frustrando as crianças. O resultado depende de fatores como o peso ou umidade do papel, o movimento do ar e o calor produzido pela chama. Se o papel for pesado demais ou a corrente de ar quente não for suficiente para fazê-lo subir, o “fantasminha” simplesmente queima no seu próprio lugar. Correntes de ar no ambiente, como as provocadas por ventiladores ou janelas abertas, também podem atrapalhar o efeito.
Confira abaixo o momento em que uma mãe enfrenta um perrengue até conseguir reproduzir o experimento:
Initial plugin text
Quer aprender a fazer o seu “fantasminha” voar também? Assista ao vídeo abaixo:  </description>  <media:content url="https://s2-galileu.glbimg.com/OFE71zXsE6Id_hESl52vTsM9xQE=/i.s3.glbimg.com/v1/AUTH_fde5cd494fb04473a83fa5fd57ad4542/internal_photos/bs/2026/J/O/UtbaJuS3KAJ1EOT0BwMA/captura-de-tela-2026-08-21-141534.png" medium="image"/>   <media:description>Entenda o efeito físico-químico que a nova trend das redes sociais explora para divertir crianças</media:description>   <media:credit>“Flying Tea Bag Ghosts!” por Emily Calandrelli/YouTube</media:credit>  <category>galileu</category> <pubDate>Fri, 21 Aug 2026 17:34:33 -0000</pubDate>  </item>  <item> <title>Certas árvores urbanas atrapalham o clima em vez de só ajudar, sugere estudo</title>  <atom:subtitle>Espécies comuns podem liberar substâncias que favorecem a formação de ozônio, sobretudo em períodos de calor intenso. Nova pesquisa indica necessidade de escolhas mais criteriosas no planejamento de cidades</atom:subtitle>  <link>https://revistagalileu.globo.com/ciencia/meio-ambiente/noticia/2026/08/certas-arvores-urbanas-atrapalham-o-clima-em-vez-de-so-ajudar-sugere-estudo.ghtml</link> <guid isPermaLink="true">https://revistagalileu.globo.com/ciencia/meio-ambiente/noticia/2026/08/certas-arvores-urbanas-atrapalham-o-clima-em-vez-de-so-ajudar-sugere-estudo.ghtml</guid> <description>  <![CDATA[ <img src="https://s2-galileu.glbimg.com/Em-zKRnZZmnmyycUgrUpl_dkHeY=/i.s3.glbimg.com/v1/AUTH_fde5cd494fb04473a83fa5fd57ad4542/internal_photos/bs/2026/A/F/Oc9nj6Q0e0MxDb8Cocnw/pexels-robertkso-35181614.jpg" /><br /> ]]>    Árvores ajudam a refrescar as cidades, armazenam carbono e oferecem abrigo para a fauna. Mas algumas espécies usadas com frequência na arborização urbana também podem contribuir para a formação de um poluente prejudicial à saúde. É o que aponta uma pesquisa publicada na última quarta-feira (19) na revista científico Science Advances. 
O estudo, feito em Pequim, na China, concluiu que a vegetação urbana teve participação maior do que a esperada na formação de ozônio no ar. O levantamento estima que, entre maio e julho de 2021, as árvores tenham respondido por cerca de 10% dos VOCs (compostos orgânicos voláteis na sigla em inglês) liberados na cidade.  
Mesmo emitindo menos compostos do que os humanas, a vegetação participou de 52% das reações químicas que levaram à formação do ozônio. “Os resultados nos surpreenderam tanto que, no início, não acreditamos neles”, afirma Bin Yuan, químico atmosférico da Universidade de Jinan e coautor do trabalho, em entrevista à revista Nature. 
Liberação de VOCs pelas plantas 
Segundo o estudo, algumas plantas tipicamente encontradas na paisagem urbana liberam VOCs, substâncias que evaporam para o ar e podem reagir com outros poluentes já presentes na atmosfera. Entre elas, o isopreno, um dos mais comuns, emitido por certas árvores durante o processo de fotossíntese. 
O problema não está no isopreno isoladamente, mas no que acontece depois. Quando esses VOCs se misturam com óxidos de nitrogênio (NOx), gases liberados principalmente por veículos e indústrias, ocorre uma reação química que, sob luz solar, leva à formação de ozônio próximo ao solo. 
Os álamos também são árvores conhecidas por liberar grandes quantidades de isopreno
Pexels
Esse tipo de ozônio é diferente daquele que existe naturalmente na alta atmosfera, onde forma a chamada camada de ozônio, responsável por proteger a Terra da radiação ultravioleta. No nível do chão, ele se torna um poluente que pode irritar os olhos e as vias respiratórias, bem como agravar problemas casos de asma e doenças pulmonares. 
Dentre as espécies que mais chamam atenção nesse processo estão salgueiros e álamos, comuns em áreas urbanas em certas regiões mais frias e de clima temperado, e conhecidos por liberar grandes quantidades de isopreno. Em Pequim, cerca de 35% das árvores foram classificadas como emissoras desse composto.  
A pesquisa também analisou outras 24 megacidades e encontrou cenários ainda mais intensos em alguns casos. Em Sydney, na Austrália, por exemplo, aproximadamente 65% das árvores avaliadas emitem isopreno.  
Quanto mais calor, maior o efeito 
O estudo mostra ainda que a temperatura é um fator decisivo para a emissão de VOCs. Quanto mais quente o ambiente, mais rapidamente esses compostos liberados pelas árvores participam das reações químicas que podem formar ozônio. A 35 °C, essa reatividade foi sete vezes maior do que a registrada a 20 °C. 
A equipe também analisou a influência da chamada “ilha de calor urbana”, fenômeno em que áreas com muitos prédios, ruas e estruturas de concreto e asfalto ficam mais quentes do que as regiões ao redor. Em Pequim, uma diferença de 0,8°C provocada por esse efeito poderia aumentar em 12% as emissões de isopreno pelas árvores durante o verão. 
Com o avanço das mudanças climáticas, esse cenário pode se tornar ainda mais relevante. Temperaturas mais altas e ondas de calor mais frequentes tendem a aumentar a liberação desses compostos e, em determinadas condições, favorecer a formação de ozônio. 

Devemos plantar menos árvores? NÃO!
Especialistas, porém, ressaltam que o resultado não significa que as cidades devam plantar menos árvores. Além do fato de nem todas as árvores colaborarem para esse efeito, o aumento da arborização urbana continua sendo importante para amenizar o aquecimento global e melhorar o bem-estar da população.  
É o que pontua o químico Derek Lowe em comentário sobre o artigo para a revista Science. Árvores seguem sendo "muito benéficas em ambientes urbanos, especialmente por proporcionarem sombra. Isso apenas indica que precisamos prestar mais atenção aos tipos de árvores que utilizamos e evitar o excesso daquelas que emitem isopreno". 
Lowe nota também que "a principal razão pela qual as emissões das árvores representam uma parcela tão significativa atualmente deve-se às leis de controle da poluição do ar, que reduziram as emissões de origem humana ao longo das décadas. Segundo o pesquisador, se a mesma questão fosse analisada, por exemplo, em 1950, a contribuição das árvores não pareceria tão expressiva. "Por fim, isso certamente não significa que possamos relaxar na regulamentação de nossas próprias emissões", completa.
A recomendação é que a escolha das espécies seja feita de forma mais criteriosa, levando em conta também seu impacto sobre a qualidade do ar. Em paralelo a isso, permanece a necessidade de reduzir as emissões de NOx, liberados principalmente pelo trânsito e pela indústria.  </description>  <media:content url="https://s2-galileu.glbimg.com/Em-zKRnZZmnmyycUgrUpl_dkHeY=/i.s3.glbimg.com/v1/AUTH_fde5cd494fb04473a83fa5fd57ad4542/internal_photos/bs/2026/A/F/Oc9nj6Q0e0MxDb8Cocnw/pexels-robertkso-35181614.jpg" medium="image"/>   <media:description>O salgueiro-chorão (Salix babylonica) é um dos exemplares de árvore que, por meio da fotossíntese, libera VOCs para a atmosfera. Compostos são nocivos ao ambiente</media:description>   <media:credit>Pexels</media:credit>  <category>galileu</category> <pubDate>Fri, 21 Aug 2026 15:44:23 -0000</pubDate>  </item>  <item> <title>Como um navio que naufragou há 133 anos virou problema em Santa Catarina</title>  <atom:subtitle>Destroços do Pallas, afundado em 1893 durante a Revolta da Armada, hoje impedem o aprofundamento de uma área do canal e condicionam planos de expansão do complexo portuário de Itajaí e Navegantes</atom:subtitle>  <link>https://revistagalileu.globo.com/sociedade/noticia/2026/08/como-um-navio-que-naufragou-ha-133-anos-virou-problema-em-santa-catarina.ghtml</link> <guid isPermaLink="true">https://revistagalileu.globo.com/sociedade/noticia/2026/08/como-um-navio-que-naufragou-ha-133-anos-virou-problema-em-santa-catarina.ghtml</guid> <description>  <![CDATA[ <img src="https://s2-galileu.glbimg.com/qtROJqV3U5rc6iO59_Dhl3hHl2Q=/i.s3.glbimg.com/v1/AUTH_fde5cd494fb04473a83fa5fd57ad4542/internal_photos/bs/2026/r/w/Ss1wztQsKgmE6z2hoxQQ/convenio-navio-pallas-foto-dales-hoeckesfeld-0029-90b910626f.jpeg" /><br /> ]]>    Um naufrágio que aconteceu há 133 anos voltou ao centro das discussões sobre o futuro do Complexo Portuário de Itajaí e Navegantes, no Litoral Norte de Santa Catarina. Os destroços do navio Pallas, localizados no fundo do rio Itajaí-Açu, representam hoje um grande obstáculo para o projeto de ampliação da capacidade de operação do porto, que tem como um de seus objetivos permitir a ancoragem de navios maiores. 
O Pallas se encontra entre as boias 9 e 11, próximo à Bacia de Evolução nº 2, onde as embarcações costumam fazer manobras para mudar de direção ou se posicionar antes de seguir pelo canal. Por isso, sua remoção é considerada essencial para que o espaço seja aprofundado para 16 metros e alargado para um diâmetro de 530 metros, o que deve melhorar as condições de manobra e reforçar a segurança da navegação. 
Desafio começa antes da retirada 
Apesar de a remoção ser tratada como uma necessidade para as obras portuárias, ainda não existe uma operação pronta para retirar o navio do fundo do rio. O primeiro passo é entender exatamente o que permanece submerso e em que condições está. Por isso, a Univali (Universidade do Vale do Itajaí), o Porto de Itajaí e a Autoridade Portuária Federal assinaram, em maio, um convênio para a realização de estudos técnicos no local.  
O investimento é avaliado em R$ 310 mil e prevê uma série de atividades. Inspeções subaquáticas devem permitir identificar a posição e o estado das estruturas metálicas e dos fragmentos de madeira. Sondagens, por sua vez, vão ajudar a equipe a compreender a relação dos destroços com o leito do rio. Já a análise estrutural servirá para avaliar como as partes remanescentes podem responder às técnicas utilizadas durante a retirada. 
Com esse conjunto de informações em mãos, os responsáveis esperam chegar a um plano sobre como o Pallas poderá ser removido – por inteiro, em grandes partes ou de forma fragmentada. A definição é relevante porque levantamentos anteriores apontaram que a embarcação se partiu ao meio, o que pode complicar as atividades de sua recuperação. 
Vale lembrar que a remoção do Pallas não é apenas uma operação de engenharia. Como se trata de uma embarcação histórica, os materiais retirados do rio precisam ter destinação definida. A Univali, em articulação com o Iphan (Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional) e a Marinha do Brasil deverá avaliar como lidar com partes metálicas, madeira e outros objetos eventualmente encontrados entre os destroços. 
Na prática, a retirada precisa conciliar dois objetivos: liberar uma área considerada estratégica para a atividade portuária e tratar adequadamente um conjunto de vestígios que pode ajudar a compreender um episódio do fim do século 19. Essa condição ajuda a explicar por que a fase de estudos é tão importante.  
Apresentação do desenho técnico do Pallas em evento de assinatura do convênio entre a Universidade do Vale do Itajaí, o Porto de Itajaí e a Autoridade Portuária Federal
Dales Hoeckesfeld/Univali
Naufrágio do Pallas 
Construído na Inglaterra em 1891, o Pallas pertencia à Companhia Frigorífica Fluminense e fazia a rota entre Rio de Janeiro e Buenos Aires, com escalas em Itajaí. A embarcação transportava cargas e passageiros e era considerada moderna para os padrões da época. 
O navio afundou em 23 de outubro de 1893, em meio à Revolta da Armada, conflito que opôs setores da Marinha brasileira ao governo do marechal Floriano Peixoto, então presidente da República. Segundo relatos históricos reunidos no comunicado à imprensa, o episódio também teve desdobramentos em Santa Catarina, onde ocorreram operações militares e confrontos ligados à revolta. 

Nesse contexto, o Pallas teria sido abordado e saqueado. Na sequência, ao entrar durante a noite no canal do rio Itajaí-Açu, a embarcação colidiu com pedras submersas nas proximidades do atual molhe norte e acabou afundando. 
O NSC Total, por sua vez, apresenta outra versão para o episódio. De acordo com o portal, o comandante do Pallas teria se recusado a apoiar os revoltosos que tentavam derrubar Floriano Peixoto. A recusa teria colocado o navio no centro das disputas políticas e militares que marcaram aquele momento.  </description>  <media:content url="https://s2-galileu.glbimg.com/qtROJqV3U5rc6iO59_Dhl3hHl2Q=/i.s3.glbimg.com/v1/AUTH_fde5cd494fb04473a83fa5fd57ad4542/internal_photos/bs/2026/r/w/Ss1wztQsKgmE6z2hoxQQ/convenio-navio-pallas-foto-dales-hoeckesfeld-0029-90b910626f.jpeg" medium="image"/>   <media:description>Pallas, navio naufragado há 133 anos em Itajaí (SC) é alvo de novo projeto para remoção</media:description>   <media:credit>Divulgação</media:credit>  <category>galileu</category> <pubDate>Fri, 21 Aug 2026 14:02:25 -0000</pubDate>  </item>  <item> <title>Pandemias, guerras e clima extremo: estamos preparados para o fim do mundo? Conheça histórias de sobrevivencialistas brasileiros </title>  <atom:subtitle>Pandemias, mudanças climáticas e tensões geopolíticas colocam à prova a capacidade humana de enfrentar grandes crises. Enquanto cientistas avaliam os riscos, mais pessoas recorrem ao sobrevivencialismo para se preparar para possíveis emergências</atom:subtitle>  <link>https://revistagalileu.globo.com/sociedade/noticia/2026/08/pandemias-guerras-e-clima-extremo-estamos-preparados-para-o-fim-do-mundo-conheca-historias-de-3-sobrevivencialistas.ghtml</link> <guid isPermaLink="true">https://revistagalileu.globo.com/sociedade/noticia/2026/08/pandemias-guerras-e-clima-extremo-estamos-preparados-para-o-fim-do-mundo-conheca-historias-de-3-sobrevivencialistas.ghtml</guid> <description>  <![CDATA[ <img src="https://s2-galileu.glbimg.com/P2wfCOrVKuLwoKQRPgPZ3PgYu30=/i.s3.glbimg.com/v1/AUTH_fde5cd494fb04473a83fa5fd57ad4542/internal_photos/bs/2026/U/z/hScDnWR221iRFr7fuzqA/site-mat-capa1.jpg" /><br /> ]]>    Durante milênios, a humanidade esteve certa de que o fim do mundo aconteceria por ação de divindades ou forças da natureza. Muito antes dos relatos bíblicos, ao menos desde 1800 a.C., os mesopotâmios já narravam um grande dilúvio enviado para exterminar a humanidade. Nas tradições zoroastrianas da antiga Pérsia, por exemplo, um cometa chamado Gochihr colide com a Terra e desencadeia uma destruição em escala global. No século 18, o físico Isaac Newton recorria a interpretações bíblicas para sugerir que o apocalipse poderia ocorrer por volta de 2060. 
Mas essa lógica mudou em 16 de julho de 1945. Naquele dia, o teste da primeira bomba atômica, Trinity, no deserto do Novo México (EUA), inaugurou uma nova era: pela primeira vez, a humanidade parecia ter o poder de provocar a própria extinção. O segredo durou poucas semanas. Em agosto, os bombardeios de Hiroshima e Nagasaki, no Japão, revelaram ao mundo o potencial devastador da nova arma. O impacto foi tamanho que levou o biólogo Paul Ehrlich, em 1968, a afirmar em seu livro The Population Bomb que a fome, os conflitos e a guerra nuclear varreriam o mundo ainda na década de 1970.
Estamos prontos para o fim do mundo?
Davi Augusto
Desde então, a lista de ameaças fabricadas pelo próprio ser humano só cresceu. Guerras nucleares, pandemias, mudanças climáticas e uma guerra das máquinas, viabilizada por inteligências artificiais (IA) fora de controle, estão entre os cenários possíveis. E esses cenários mobilizam cientistas, governos e centros de pesquisa dedicados ao estudo dos chamados riscos existenciais — aqueles capazes de comprometer a existência da humanidade.
Para o filósofo australiano Toby Ord, pesquisador da Universidade de Oxford, na Inglaterra, vivemos justamente o período mais perigoso da história da nossa espécie. Em seu livro The Precipice (O Precipício, 2020), ele descreve o momento atual como um “precipício”: uma fase em que a humanidade acumulou poder suficiente para comprometer seu próprio futuro. “Dos riscos naturais que sempre nos acompanharam aos riscos criados por nós mesmos, passando pelas novas ameaças que despontam no horizonte, cada passo nos levou para mais perto do precipício”, escreve.
Mas quão perto estamos, de fato, desse precipício? Qual é, afinal, a probabilidade de um desastre extinguir ou comprometer o futuro da humanidade? A resposta está longe de ser um consenso.
Ameaças no radar
Um dos termômetros mais conhecidos para medir quão próximos estamos de nossa própria extinção é o Relógio do Juízo Final, uma criação do Bulletin of the Atomic Scientists, grupo fundado por cientistas do Projeto Manhattan (que desenvolveu as primeiras armas nucleares). O relógio usa a distância até a meia-noite — que simboliza uma catástrofe global — para representar o grau de ameaça enfrentado pela humanidade. Na atualização mais recente, os ponteiros permaneceram a apenas 85 segundos desse horário simbólico, a menor distância desde sua criação, em 1947. 
Outra estimativa, do relatório do Escritório das Nações Unidas para a Redução do Risco de Desastres, calcula que a probabilidade de um desastre existencial até o fim deste século varia de 3,7% a 50%, a depender do cenário considerado. Já o extinto Instituto para o Futuro da Humanidade, da Universidade de Oxford (Inglaterra), que encerrou suas atividades em 2024, estimava esse risco em aproximadamente uma chance em seis — uma probabilidade comparável à de um jogo de roleta russa. 
Para Otto Barten, físico, engenheiro especializado em energia sustentável e diretor do Observatório de Riscos Existenciais, na Holanda, é muito mais provável que a humanidade sobreviva ao século 21, embora “a probabilidade de não sobrevivermos a este século seja significativamente maior do que em qualquer outro período da história”. Sua principal preocupação atual é o desenvolvimento de uma inteligência artificial geral (AGI), capaz de fazer qualquer tarefa intelectual desempenhada por humanos. Em 2014, quatro anos antes de morrer, o físico Stephen Hawking já alertava, em entrevista à BBC, que uma tecnologia desse tipo poderia representar uma ameaça à sobrevivência da nossa espécie. 
Hoje, empresas como Google DeepMind, OpenAI, Anthropic e xAI lideram a corrida para desenvolver sistemas de IA cada vez mais avançados. E isso também já envolve garantir que essas tecnologias permaneçam sob controle humano. Um alerta vermelho veio em julho de 2026: durante testes de segurança, sistemas autônomos de IA da OpenAI, criadora do ChatGPT, conseguiram “escapar” e fazer um ciberataque sem autorização. Na ocasião, eles se conectaram à internet de forma autônoma para invadir a biblioteca de modelos de IA Hugging Face em busca de informações — um sinal claro de insubordinação. A empresa afirmou que suspendeu os avanços na área para encontrar uma maneira de confinar suas IAs a ambientes de testes, que funcionam sem conexão à internet.
Gráfico mostra os principais riscos existenciais da humanidade
Davi Augusto
Além da AGI, Barten cita entre os principais riscos pandemias provocadas pela ação humana, mudanças climáticas e tecnologias que nem sequer foram inventadas. Em contrapartida, ameaças naturais, como supervulcões e impactos de asteroides, ocupam uma posição menos preocupante entre os pesquisadores da área. “Os riscos existenciais de origem natural merecem menos atenção relativa, pois suas probabilidades são menores e seu comportamento é comparativamente mais bem compreendido”, explica, em entrevista à GALILEU. 
Isso não significa, porém, que essas ameaças sejam ignoradas. Organizações como Serviço Geológico dos Estados Unidos monitoram continuamente a atividade de supervulcões em regiões como o Círculo de Fogo do Pacífico, uma das áreas vulcânicas mais ativas do planeta, e Yellowstone, nos Estados Unidos, onde está localizado um dos maiores sistemas vulcânicos conhecidos. Estima-se que a probabilidade anual de uma supererupção em Yellowstone é de apenas cerca de 1 em 730 mil.
“Isso pode dar à sociedade a impressão de que estamos vivendo um pré-fim do mundo, como se, a qualquer momento, pudesse haver um conflito atômico”
O mesmo ocorre com os asteroides. Agências espaciais rastreiam de perto milhares de objetos próximos da Terra, e a NASA afirma já ter identificado mais de 90% daqueles com mais de 1 quilômetro de diâmetro, nenhum deles com risco significativo de colisão nos próximos 100 anos. Em 2022, a agência realizou a missão DART (Double Asteroid Redirection Test), o primeiro teste bemsucedido de defesa planetária, ao colidir uma espaçonave contra a lua do asteroide Dimorphos e alterar sua trajetória. Em março de 2026, um estudo reforçou que a técnica pode ser uma estratégia eficaz para desviar asteroides potencialmente perigosos. 
A corrida pelos bunkers 
Se os riscos naturais hoje são considerados relativamente mais previsíveis, o mesmo não ocorre com as ameaças criadas pelo próprio ser humano, especialmente uma guerra nuclear. A invasão da Ucrânia pela Rússia, em 2022, reacendeu esse temor por envolver uma das maiores potências atômicas do mundo. Nos anos seguintes, novos focos de tensão — como o confronto entre Índia e Pa10 quistão e os ataques de Israel e dos Estados Unidos a instalações nucleares iranianas — reforçaram a percepção de instabilidade. 
A preocupação também aumentou com a modernização dos arsenais de países como Estados Unidos e China e o enfraquecimento dos acordos de controle de armas. Em fevereiro de 2026, expirou o New START, último tratado que limitava o número de ogivas nucleares estratégicas de Moscou e Washington.
Um dos reflexos mais visíveis desse cenário é o crescimento da indústria de bunkers. Com cerca de 8,8 milhões de habitantes, a Suíça concentra a maior densidade de abrigos nucleares: são mais de 370 mil estruturas — o equivalente a um bunker para cada 24 moradores. Desde 1963, uma lei determina que novos edifícios tenham um abrigo próprio ou, quando isso não é possível, que seus proprietários contribuam financeiramente para a manutenção de estruturas públicas.
Em junho de 2026, a empresa francesa de tecnologia Momentum Technologies fez barulho ao anunciar sua versão de cápsula de sobrevivência adaptada a contextos extremos. Feita de uma liga metálica naval de alta resistência e mais fácil de transportar do que rivais, a LifePod promete proteger contra ameaças balísticas, estilhaços, terremotos e ataques armados. A tecnologia ainda passa por testes de validação, mas deve chegar ao mercado em três versões, com preços que variam de R$ 170 mil a R$ 240 mil.
O mercado também ganhou força nos Estados Unidos. Apenas no último ano, movimentou cerca de US$ 137 milhões (R$ 847 milhões). O tema chamou ainda mais atenção após a revista Wired revelar que o fundador do Facebook e da Meta, Mark Zuckerberg, estaria investindo cerca de US$ 270 milhões (R$ 1,4 bilhão) em um complexo fortificado na ilha havaiana de Kauai, equipado com sistemas independentes de energia, abastecimento de água e produção de alimentos.
Para o economista e doutor em Relações Internacionais Igor Lucena, esse movimento reflete uma transformação mais ampla no cenário geopolítico. Na sua avaliação, a ordem liberal, baseada na cooperação econômica e em instituições multilaterais, vem cedendo espaço a uma lógica “neorrealista”, na qual a rivalidade entre Estados volta a orientar as relações internacionais. “Isso pode dar à sociedade a impressão de que estamos vivendo um pré-fim do mundo, como se, a qualquer momento, pudesse haver um conflito atômico”, afirma. 
No Brasil, porém, esse cenário é diferente. A probabilidade de um conflito nuclear é considerada baixa e, por isso, bunkers particulares continuam raros. Em 2020, a empresa RCI First estimou 63 em funcionamento no país, concentrados em bairros de alto padrão de São Paulo, como Morumbi, Jardins e Alto de Pinheiros. No mesmo ano, a arquiteta Isabella Cavallero mapeou 46 abrigos antiaéreos construídos no Rio de Janeiro durante a 2ª Guerra Mundial (1939–1945), no período do Estado Novo de Getúlio Vargas. Hoje, a maior parte dessas estruturas foi transformada em garagens.
Estamos prontos para o fim do mundo?
Davi Augusto
Quem se prepara para o pior 
É fato que crenças sobre o fim do mundo também mobilizam sobrevivencialistas — nome dado a quem se prepara para enfrentar não apenas guerras, mas diferentes tipos de emergências e cenários de colapso. Um estudo da Universidade da Colúmbia Britânica, no Canadá, com 3,4 mil participantes, mostrou que tanto pessoas religiosas como não religiosas refletem sobre o fim dos tempos e acreditam que as próprias ações terão papel decisivo nesse desfecho. Outra pesquisa, da Universidade Estadual da Pensilvânia, que avaliou a percepção de risco terrorista entre 520 americanos, concluiu que práticas sobrevivencialistas são impulsionadas menos pelo medo do que pelo desejo de lidar com a incerteza.
Preparações do Membro e Líder de Núcleo de São Paulo do grupo Preppers Brasil
Arquivo pessoal
O apreço dos americanos pela preparação, aliás, tem uma razão de ser. O movimento sobrevivencialista, afinal, remonta à 2ª Guerra, e ganhou força nos Estados Unidos com os programas de defesa civil da Guerra Fria. 
Mas, ainda que siga associado a cenários apocalípticos e teorias da conspiração — popularizados por séries de zumbis como The Walking Dead e The Last of Us —, o fato é que as motivações costumam ser muito mais pragmáticas. Um estudo publicado na revista Futures em 2021, com sobrevivencialistas finlandeses, mostrou que suas principais preocupações são desemprego, problemas de saúde, falta de moradia, desastres naturais e colapsos sociais.
Foi justamente uma crise econômica que levou o mestre escoteiro paulista Márcio Andrade, conhecido como “Batata”, a se preparar para o pior. Em 2008, ele e a mulher perderam quase todos os clientes da empresa de marketing que mantinham. “Num dia estávamos vendo um carro zero para comprar; no outro, sem dinheiro para pagar a conta de luz”, lembra. Pouco depois, veio a notícia de que a esposa estava grávida do primeiro filho.
Preparações do Membro e Líder de Núcleo de São Paulo do grupo Preppers Brasil
Arquivo pessoal
A partir daí, o sobrevivencialista começou a cultivar uma horta e a instalar sistemas de autossuficiência, registrando tudo em um blog, que mais tarde tornou-se o canal de YouTube Guia do Sobrevivente, que conta hoje com mais de 1,1 milhão de inscritos. Ele também ergueu um bunker com uma porta blindada de 400 kg em um terreno em Monte Alto, no interior paulista. Ao redor do abrigo subterrâneo, Batata mantém hortas, árvores frutíferas, galinheiro, tanque de peixes e sistemas próprios de geração de energia, água e comunicação.
Batata mostra seu bunker em Monte Alto, no interior paulista 
Arquivo Pessoal
Na prática, porém, os cenários esperados variam bastante, a depender dos riscos de cada região. O receio de eventos climáticos extremos é o que motiva, por exemplo, Julio Lobo e Tiago Azzolini, de 36 e 39 anos, fundadores do canal de YouTube Sobrevivencialismo. Eles relatam sua rotina para quase 3 milhões de inscritos em um rancho em Antônio Carlos (SC), onde construíram casas adaptadas para emergências, uma oficina de concreto que serve de abrigo e um contêiner com suprimentos. 
A dupla de amigos também mantém um estoque de lenha suficiente para pelo menos cinco anos e uma rede de comunicação offgrid entre famílias da região para ser usada em casos de queda de energia ou interrupção da internet. “Pensamos muito no conceito de abrigo contra tempestades, especialmente por estarmos em Santa Catarina e já termos vivido eventos como o ciclone-bomba”, diz Lobo, psicólogo.
O bunker e o estoque de sobrevivência de Batata
Arquivo Pessoal
Tiago, que atua como socorrista e bombeiro comunitário, especifica que a preparação serve também para casos de deslizamentos de terra e enchentes. Para ele e Lobo, porém, o sobrevivencialismo vai além da resposta a desastres: a vida no meio rural e a busca por autonomia também proporcionam qualidade de vida, ar puro e uma alimentação orgânica para suas respectivas famílias. “A nossa linha de pensamento é sobre viver melhor, não ficar pensando apenas no fim”, resume Azzolini.
Carnes conservadas compõem o estoque de sobrevivência de Batata
Arquivo pessoal
Ameaça biológica
A pandemia de Covid-19 deu novo fôlego ao sobrevivencialismo, ainda que por um período limitado. Raphael Cozzi, de 41 anos, líder do grupo Preppers Brasil (“Preparadores do Brasil”) lembra que o grupo, que hoje conta com cerca de 2 mil membros, chegou a receber quase 80 pedidos de entrada por dia, vindos de todo o país. “Muita gente ainda leva isso na brincadeira. Mas existe uma grande maioria que passou a se preparar mais [depois da Covid]”, afirma. 
Pouco antes do agravamento da crise sanitária, em janeiro de 2020, o carioca ampliou seu estoque de alimentos de um para quatro meses. 
Raphael Cozzi, de 41 anos, líder do grupo Preppers Brasil
Arquivo pessoal
O sobrevivencialista Batata conta que também se antecipou à chegada do coronavírus: comprou 100 máscaras N95 e reforçou os estoques de álcool em gel e luvas. Para ele, porém, a Covid-19 pouco mudou a visão estereotipada da sociedade sobre o sobrevivencialismo. “Tem esse papo do hype de atirar no zumbi, de virar o Rambo”, diz. Ele avalia que a pandemia foi “apenas um treino básico” para quem já segue esse estilo de vida. Contudo, o preparador conta que seu maior medo continua sendo o que a OMS (Organização Mundial da Saúde) chama de  “Doença X” — uma condição hipotética que pode ser 20 vezes mais mortal do que a Covid-19. Em 2024, durante a Cúpula Mundial de Governos, em Dubai, o diretor-geral da OMS, Tedros Adhanom, afirmou que uma ameaça desse tipo é “uma questão de quando, e não de se”.
“Muita gente ainda leva isso na brincadeira. Mas existe uma grande maioria que começou a se preparar mais [depois da Covid-19
A organização alerta para a possibilidade desde 2018, quando incluiu a “Doença X” na lista de agentes prioritários para pesquisa, ao lado do ebola e da síndrome respiratória aguda grave (SARS). Embora seja impossível prever quando ocorrerá, a comunidade científica considera bastante provável o surgimento de uma nova pandemia. “Não tem como ninguém saber se será daqui 5, 50, 100 ou 200 anos, mas muito provavelmente vai ocorrer”, afirma o infectologista Rodrigo Farnetano, da Rede Mater Dei de Saúde. 
Mochila de sobrevivência (bug out bag) de Raphael Cozzi
Arquivo pessoal
A preocupação foi reforçada em maio de 2026, com um novo surto de ebola na África. Na mesma época, casos de hantavírus registrados a bordo do cruzeiro MV Hondius, que percorria a Argentina, a Antártida e ilhas remotas do Atlântico Sul, também despertaram atenção. Especialistas, porém, avaliaram como baixo o risco de que qualquer um dos episódios evoluísse para uma pandemia, já que nenhuma das duas doenças se transmite com facilidade entre humanos. O ebola exige contato direto com fluidos corporais, enquanto o hantavírus é transmitido principalmente pela inalação de partículas de urina, fezes ou saliva de roedores infectados.
A mudança climática está, de certa forma, globalizando as doenças infecciosas
Isso não significa, porém, que a ameaça de novas pandemias esteja diminuindo. Para Farnetano, o risco de surtos virais de grande escala cresce impulsionado pela globalização, pela queda das coberturas vacinais e pela crise climática. “A dengue na Europa era uma doença importada [de países tropicais]”, observa. “Hoje, há transmissão endêmica no Mediterrâneo e no sul da Europa, com casos até em Paris. A mudança climática está, de certa forma, globalizando as doenças infecciosas.”
Na avaliação do pesquisador Renato Cordeiro, do Laboratório de Inflamação do Instituto Oswaldo Cruz (IOC/Fiocruz), o Brasil pode estar inclusive entre os principais epicentros de emergências sanitárias. Em artigo publicado no site The Conversation, ele destaca que a Amazônia abriga uma enorme diversidade de vírus ainda desconhecidos circulando na fauna silvestre — um risco potencialmente maior do que o representado por microrganismos preservados no permafrost (solo congelado). 
Raphael Cozzi
Arquivo Pessoal
Um estudo da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (FM-USP) reforça esse alerta. A pesquisa, publicada em fevereiro, mostrou que o vírus Sabiá, causador de uma febre hemorrágica altamente letal, circula silenciosamente no Brasil há pelo menos 142 anos. Identificado pela primeira vez em Cotia (SP), é o único vírus brasileiro no nível máximo de risco biológico, ao lado do ebola e do causador da doença de Marburg. Transmitido principalmente por roedores, sua existência evidencia uma preocupação crescente entre cientistas: a de que a degradação ambiental e climática aumente o contato humano com agentes infecciosos desconhecidos.
Estoque de comida e água de Raphael Cozzi
Arquivo pessoal
Apocalipse climático?
O surgimento de doenças é apenas um dos impactos da crise climática. Segundo o especialista em riscos existenciais Otto Barten, as mudanças climáticas estão entre as principais ameaças atuais. Ele diz que o aumento das emissões de gases de efeito estufa e do desmatamento, aliado ao enfraquecimento do compromisso internacional, agrava o cenário. Limitar o aquecimento global a menos de 2 °C, afirma, exige metas climáticas mais ambiciosas. “O Acordo de Paris sobre mudanças climáticas, por exemplo, deveria ser fortalecido, e não abandonado, se quisermos nos aproximar de um cenário de segurança climática”, defende. 
Os efeitos já aparecem nas perdas econômicas. Segundo o Escritório das Nações Unidas para a Redução do Risco de Desastres, os prejuízos diretos por desastres passaram de cerca de US$ 70 bilhões a US$ 80 bilhões por ano entre as décadas de 1970 e 2000 para aproximadamente US$ 202 bilhões anuais. Considerando os impactos indiretos e perdas em ecossistemas, o custo pode ultrapassar US$ 2,3 trilhões.
Preparação de membro do Preppers Brasil
Arquivo Pessoal
No Brasil, 95% dos municípios registraram ao menos um desastre nos últimos 13 anos, segundo a Confederação Nacional de Municípios (CNM). Nesse período, mais de 3,2 mil pessoas morreram e cerca de 494 milhões foram afetadas.
A previsão de um Super El Niño entre 2026 e 2027 pode agravar esse cenário. Segundo Pedro Camarinha, diretor substituto do Cemaden (Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais), o fenômeno deve intensificar ondas de calor no centro-oeste, agravar crises hídricas e queimadas no sudeste e aumentar o volume de chuvas no sul. “O que sabemos é que eventos que antes ocorriam a cada 50 ou 100 anos estão acontecendo a cada 20 ou 10 anos”, afirma. 
Apesar da frequência crescente desses eventos, o Brasil ainda investe muito mais em resposta do que em prevenção, segundo Paulo Ziulkoski, presidente da CNM. A confederação estima que, entre  2013 e 2025, os municípios acumularam R$ 785,4 bilhões em prejuízos provocados por desastres, enquanto os recursos federais somaram somente cerca de 1% desse valor (R$ 9,5 bilhões). “Manter o foco quase exclusivo na resposta e na recuperação significa agir apenas depois que o desastre já ocorreu, quando os custos são muito maiores e os danos à população, muitas vezes, irreversíveis”, diz. 
As enchentes que devastaram o Rio Grande do Sul em 2024 mostraram essas fragilidades. Durante a tragédia, Mely Paredes, ex-docente da UniRitter e mestre em Políticas Públicas, ajudou a criar a plataforma “Salve RS”, que reuniu pedidos de socorro e auxiliou na coordenação de mais de 21 mil resgates. Para ela, o episódio mostrou que o país ainda precisa de planos de resiliência capazes de garantir respostas mais rápidas às crises climáticas. “Muitos voluntários estavam chegando, mas não existia uma forma de conduzi-los para as áreas de resgate, porque o GPS não funcionava. Não existiam mais ruas”, lembra. 
Para o sociólogo Victor Marchezini, do Cemaden, a fragilidade das Defesas Civis municipais, a alta rotatividade das equipes e a desinformação dificultam a resposta aos desastres. Durante as crises, boatos e imagens antigas compartilhadas nas redes sociais sobrecarregam ainda mais as equipes de emergência. “É como se a Defesa Civil tivesse que lidar com a gestão da crise comunicacional e com a gestão do desastre ao mesmo tempo”, afirma. 
Preparações em hortas e permacultura dos membros do núcleo Sul do Preppers Brasil
Arquivo pessoal
Estamos prontos para a próxima crise?
Em diferentes partes do mundo, governos e instituições já se preparam para preservar sementes, informações e o patrimônio da humanidade diante de possíveis catástrofes globais. Na Noruega, o Cofre Global de Sementes de Svalbard reúne mais de 1,3 milhão de amostras de cultivos agrícolas de diversos países. Na mesma região no Ártico, o Arctic World Archive e o GitHub Arctic Code Vault armazenam documentos históricos, dados governamentais e códigos de software em estruturas projetadas para resistir por séculos. 
Para o especialista em Relações Internacionais Igor Lucena, a capacidade de resposta a uma calamidade global dependerá, sobretudo, da cooperação entre governos. Blocos econômicos podem facilitar o compartilhamento de recursos, enquanto países mais preparados tendem a responder melhor conforme suas características: a Nova Zelândia, pelo isolamento geográfico, favorece o controle de pandemias; Suíça, Suécia e Finlândia contam com maior solidez fiscal para enfrentar crises econômicas; e Estados Unidos e Israel dispõem de maior capacidade para conflitos armados. 
Já boa parte da América Latina, da África e do sudeste asiático enfrenta maiores dificuldades de coordenação institucional. O Japão, por sua vez, ilustra os benefícios do planejamento contínuo. “Se tiver um terremoto ou um maremoto gigantesco, em dois ou três dias está tudo resolvido [no território japonês]”, observa.
Preparação de membro do Preppers Brasil
Arquivo pessoal
A nível individual, a história é outra. O sobrevivencialista Raphael Cozzi argumenta que a maioria das pessoas não está preparada nem mesmo para crises relativamente comuns, como greves que prejudiquem o abastecimento (como a de caminhoneiros, que aconteceu no Brasil em 2018 e teve extensão nacional). Julio Lobo, Tiago Azzolini e Batata concordam que o erro mais frequente é negligenciar o básico: “É comum a pessoa se encantar com uma faca incrível ou uma mochila maravilhosa e nem sequer ter duas semanas de comida em casa”, diz Lobo.  </description>  <media:content url="https://s2-galileu.glbimg.com/P2wfCOrVKuLwoKQRPgPZ3PgYu30=/i.s3.glbimg.com/v1/AUTH_fde5cd494fb04473a83fa5fd57ad4542/internal_photos/bs/2026/U/z/hScDnWR221iRFr7fuzqA/site-mat-capa1.jpg" medium="image"/>   <media:description>Estamos prontos para o fim do mundo? Entenda quais são as chances de a humanidade sobreviver a um eventual apocalipse</media:description>   <media:credit>Davi Augusto</media:credit>  <category>galileu</category> <pubDate>Fri, 21 Aug 2026 11:44:14 -0000</pubDate>  </item>  <item> <title>Instituto que promoveu cloroquina para Covid-19 tem erros em 1/3 dos artigos produzidos</title>  <atom:subtitle>Análise identificou problemas éticos e legais em 853 de 2.674 estudos publicados por instituição francesa entre 1994 e 2024</atom:subtitle>  <link>https://revistagalileu.globo.com/saude/noticia/2026/08/instituto-que-promoveu-cloroquina-para-covid-19-tem-erros-em-13-dos-artigos-produzidos.ghtml</link> <guid isPermaLink="true">https://revistagalileu.globo.com/saude/noticia/2026/08/instituto-que-promoveu-cloroquina-para-covid-19-tem-erros-em-13-dos-artigos-produzidos.ghtml</guid> <description>  <![CDATA[ <img src="https://s2-galileu.glbimg.com/2TTZWlqYaao9VwYUtHI82zv4j90=/i.s3.glbimg.com/v1/AUTH_fde5cd494fb04473a83fa5fd57ad4542/internal_photos/bs/2026/S/1/TSDH7KQfehS3FstJS4iQ/pexels-cdc-library-3993212.jpg" /><br /> ]]>    Um instituto francês de pesquisa médica que ganhou notoriedade durante a pandemia de Covid-19 por promover a hidroxicloroquina como tratamento para a doença tem problemas éticos identificados em cerca de um terço de seus artigos científicos. Uma análise conduzida por uma equipe internacional de pesquisadores encontrou questões em 853 dos 2.674 trabalhos publicados pelo Institut Hospitalo-Universitaire Méditerranée Infection (IHU) entre 1994 e 2024.
Entre os estudos com problemas, 78 descrevem pesquisas biomédicas que aparentemente não cumpriram exigências da legislação francesa. A equipe também encontrou 343 artigos nos quais não havia registro de aprovação por um comitê de ética. Em dezenas de outros casos, as aprovações aparentemente foram obtidas apenas depois que as pesquisas já tinham começado.
Os pesquisadores identificaram ainda casos em que uma mesma aprovação ética teria sido reutilizada para diferentes estudos. Segundo a análise, publicada em 12 de agosto no periódico Research Integrity and Peer Review, as irregularidades encontradas vão além de questões burocráticas, já que problemas éticos podem comprometer a confiança do público na pesquisa e no próprio processo científico.
Segundo o jornal The Guardian, as descobertas já tiveram consequências para parte da produção científica do instituto. Nos últimos anos, 64 artigos foram retratados, enquanto outros 270 receberam uma “manifestação de preocupação” — sinalização utilizada quando existem questões importantes e consideradas confiáveis sobre um trabalho publicado. Diante dos resultados, a equipe responsável pela análise defende que os trabalhos do IHU sejam submetidos a uma revisão adicional. O objetivo é corrigir o registro científico sempre que necessário.
A equipe também levantou questionamentos sobre os mecanismos de supervisão da Universidade Aix-Marseille, principal responsável pela supervisão das atividades do instituto. Para a equipe, os resultados levantam dúvidas mais amplas sobre a governança e os mecanismos de fiscalização da universidade.
Segundo Lonni Besançon, professor assistente de visualização de dados na Universidade de Linköping, na Suécia, e integrante da equipe que realizou a análise, milhões de euros destinados à pesquisa podem ter sido desperdiçados devido às práticas consideradas inadequadas no IHU. Ele também afirmou que estudantes podem ter recebido treinamento inadequado sobre práticas científicas.
A universidade, por sua vez, afirmou em um comunicado que tomou as medidas que estavam sob sua responsabilidade depois de ser alertada sobre os problemas, em 2020. A instituição disse ter realizado sua própria investigação, encaminhado os resultados às autoridades competentes e colaborado com as apurações. Também afirmou ter reforçado seus mecanismos de prevenção, suporte e supervisão.
Instituto ganhou fama com hidroxicloroquina
A repercussão sobre os problemas éticos ganha uma dimensão maior porque o IHU esteve no centro de uma das principais controvérsias científicas da pandemia. Em março de 2020, o pesquisador francês Didier Raoult, fundador do instituto, e outros colegas publicaram um estudo afirmando que a hidroxicloroquina poderia ser eficaz contra a Covid-19, especialmente quando combinada ao antibiótico azitromicina. O trabalho ganhou enorme visibilidade e foi elogiado pelo então presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, que chamou a pesquisa de um “divisor de águas”.
O estudo, no entanto, também levantou questionamentos entre outros cientistas. Anthony Fauci, então integrante da força-tarefa da Casa Branca para a covid-19, afirmou que não havia evidências suficientes de que a hidroxicloroquina funcionava contra a doença e destacou que o estudo não havia sido realizado como um ensaio clínico controlado.

O artigo acabou sendo retratado em 2025 por razões éticas e científicas. Até então, porém, já havia se tornado um dos estudos mais conhecidos da pandemia, tendo sido citado milhares de vezes. Raoult deixou a direção do instituto em 2021, ao se aposentar. Na época, o pesquisador também estava sob pressão e era alvo de investigações. O pesquisador já havia defendido anteriormente seus trabalhos e criticado decisões de retratação.
Como apontou Besançon ao The Guardian, o estudo ajudou a disseminar a ideia de que existia uma cura para a Covid-19, contribuiu para a escassez de hidroxicloroquina e levou pesquisadores a direcionar esforços para investigar o medicamento em vez de outras possibilidades. O artigo também foi utilizado para alimentar teorias conspiratórias e discursos antivacina.  </description>  <media:content url="https://s2-galileu.glbimg.com/2TTZWlqYaao9VwYUtHI82zv4j90=/i.s3.glbimg.com/v1/AUTH_fde5cd494fb04473a83fa5fd57ad4542/internal_photos/bs/2026/S/1/TSDH7KQfehS3FstJS4iQ/pexels-cdc-library-3993212.jpg" medium="image"/>   <media:description>Ilustração do SARS-CoV-2, vírus causador da covid-19</media:description>   <media:credit>CDC/Pexels</media:credit>  <category>galileu</category> <pubDate>Thu, 20 Aug 2026 22:52:02 -0000</pubDate>  </item>  <item> <title>Ovelha fugitiva para dentro de ônibus e passa por lava-rápido na Alemanha; vídeo</title>  <atom:subtitle>Motorista do veículo só notou a presença após retornar para fazer a limpeza dos bancos dos passageiros. Assista ao momento</atom:subtitle>  <link>https://revistagalileu.globo.com/sociedade/noticia/2026/08/ovelha-fugitiva-para-dentro-de-onibus-e-passa-por-lava-rapido-na-alemanha-video.ghtml</link> <guid isPermaLink="true">https://revistagalileu.globo.com/sociedade/noticia/2026/08/ovelha-fugitiva-para-dentro-de-onibus-e-passa-por-lava-rapido-na-alemanha-video.ghtml</guid> <description>  <![CDATA[ <img src="https://s2-galileu.glbimg.com/8PIJqDfLYGqDQ1ISXoIZHwfnQ4M=/i.s3.glbimg.com/v1/AUTH_fde5cd494fb04473a83fa5fd57ad4542/internal_photos/bs/2026/A/s/XtS823QDakK9rG19bbBw/captura-de-tela-2026-08-20-184840.png" /><br /> ]]>    "Uma ovelha entrou em um ônibus" parece o início de uma piada ruim, daquelas que dificilmente tira uma risada. Mas acontece que esse evento raro aconteceu mesmo - mais precisamente na cidade de Lüdinghausen, na Alemanha. 
Após fugir do pasto, na semana passada, uma ovelha subiu à bordo de um ônibus estacionado pertencente à empresa RVM. Calma e silenciosa, a ovelha só foi descoberta pelo motorista quando este retornou ao veículo para fazer uma ronda em busca de lixo deixado pelos usuários. 
Segundo a RVM, várias ovelhas de um rebanho próximo haviam escapado e corrido pelo pátio durante o incidente. "Apenas uma delas escolheu o ônibus", disse um porta-voz.
E o mais cômico dessa situação é que ela não terminou por aí: em comunicado, funcionários da empresa disseram que antes de retornar para o seu dono, o fazendeiro Stefan Naber, o animal fez um passeio por um lava-jato gigante. 

Confira a seguir imagens da ovelha no interior do ônibus:
Initial plugin text
Nas imagens que você pode ver acima, acompanhadas de um áudio do motorista que percebeu a presença do mamífero invasor, é possível enxergar o animal se deslocando placidamente pelo corredor do veículo. Ela chega inclusive a subir nos bancos, até decidir repousar deitada no chão mesmo.
O ônibus precisou passar pelo interior do lava-rápido antes que a ovelha pudesse ser devolvida ao seu dono, segundo disse um porta-voz da polícia. Isso aconteceu porque veículo já estava posicionado para ser limpo e precisava atravessar as instalações para sair, explicou o porta-voz. Para evitar que a ovelha escapasse, policiais acompanharam o trajeto pelo sistema de lavagem até a área externa, onde o dono buscou o animal.
A presença da ovelha encantou os funcionários da RVM que até garantiram que a passageira será uma das estrelas na próxima edição da revista interna da empresa. De intrusa a modelo - uma baita mudança de patamar.  </description>  <media:content url="https://s2-galileu.glbimg.com/8PIJqDfLYGqDQ1ISXoIZHwfnQ4M=/i.s3.glbimg.com/v1/AUTH_fde5cd494fb04473a83fa5fd57ad4542/internal_photos/bs/2026/A/s/XtS823QDakK9rG19bbBw/captura-de-tela-2026-08-20-184840.png" medium="image"/>   <media:description>A ovelha embarcou no ônibus sem que ninguém percebesse, e acabou sendo escoltada pela polícia na Alemanha</media:description>   <media:credit>meine.rvm/Instagram</media:credit>  <category>galileu</category> <pubDate>Thu, 20 Aug 2026 22:29:41 -0000</pubDate>  </item>  <item> <title>Há 15 mil anos, humanos já incluíam cobras e lagartos no cardápio, revela estudo</title>  <atom:subtitle>Restos encontrados em um sítio arqueológico em Israel indicam que antigos natufianos caçavam e processavam répteis como fonte constante de alimento por milhares de anos</atom:subtitle>  <link>https://revistagalileu.globo.com/ciencia/arqueologia/noticia/2026/08/ha-15-mil-anos-humanos-ja-incluiam-cobras-e-lagartos-no-cardapio-revela-estudo.ghtml</link> <guid isPermaLink="true">https://revistagalileu.globo.com/ciencia/arqueologia/noticia/2026/08/ha-15-mil-anos-humanos-ja-incluiam-cobras-e-lagartos-no-cardapio-revela-estudo.ghtml</guid> <description>  <![CDATA[ <img src="https://s2-galileu.glbimg.com/cfiG0mmyyH_4VYK7Cx6koTQloN0=/i.s3.glbimg.com/v1/AUTH_fde5cd494fb04473a83fa5fd57ad4542/internal_photos/bs/2026/W/k/zh2KrmQCWxjme4Kzrbbg/natufian-people-ate-snakes-1-1.jpg" /><br /> ]]>    Muito antes do surgimento da agricultura, grupos humanos já começavam a mudar a maneira como viviam — e também o que colocavam no prato. Há cerca de 15 mil anos, integrantes da cultura natufiana passaram a abandonar o estilo de vida nômade e estabelecer comunidades menores e mais permanentes em regiões que hoje correspondem à Jordânia, Palestina e Israel. Nesse processo, cobras e lagartos se tornaram parte importante de sua alimentação, segundo um estudo publicado em 17 de agosto na revista Proceedings of the National Academy of Sciences.
A evidência vem de milhares de ossos de répteis encontrados no sítio arqueológico do Terraço de El-Wad, no Monte Carmelo, em Israel. O local reúne 20 camadas de ocupações humanas, datadas de aproximadamente 15 mil a 12 mil anos atrás.
Ao analisar os restos, pesquisadores identificaram marcas que indicam que alguns dos animais não chegaram ao local simplesmente por morrerem ali ou por terem sido capturados por outros predadores, na verdade, eles foram abatidos por humanos.
Marcas de ferramentas
Um dos principais indícios está nos ossos de cobras. Os pesquisadores encontraram marcas de facas de sílex — rocha sedimentar dura feita de quartzo — em pontos recorrentes das vértebras de espécies como a grande cobra-chicote (Dolichophis jugularis) e a cobra-de-Montpellier-oriental (Malpolon insignitus). A localização das marcas sugere que os animais foram deliberadamente abatidos e preparados para o consumo, como destaca a Popular Science.
Imagem microscópica de um osso de uma grande cobra-chicote (Dolichophis jugularis) mostrando marcas de corte
Maayan Lev
Os natufianos também aproveitavam o lagarto-de-vidro-europeu (Pseudopus apodus), um réptil sem pernas e com escamas resistentes. Como sua anatomia exigia uma forma diferente de processamento em comparação com as cobras, os vestígios desse animal ajudam a reforçar a ideia de que os répteis eram manipulados intencionalmente para servir de alimento. Seus ossos aparecem com frequência nas diferentes camadas do assentamento.
Em comunicado, a arqueóloga Maayan Lev, coautora do estudo, explicou que a escolha das presas provavelmente não era aleatória. Os grupos natufianos parecem ter dado preferência a animais relativamente grandes, lentos e pouco perigosos — características que tornavam os répteis menores mais fáceis de capturar e manusear, enquanto os maiores ofereciam uma quantidade maior de carne.
Para a pesquisadora, isso ajuda a explicar por que o lagarto-de-vidro era uma presa especialmente atraente. Cobras consideradas inofensivas também eram capturadas com frequência, enquanto víboras venenosas aparecem em quantidade muito menor nos vestígios arqueológicos.
Um cardápio constante
Como aponta o site Archaeology News, o hábito não parece ter sido passageiro. Os mesmos tipos de répteis foram selecionados durante diferentes fases de ocupação do sítio arqueológico do Terraço de El-Wad, e a caça a esses animais continuou por mais de 3 mil anos. Para os pesquisadores, isso aponta para uma escolha alimentar constante, e não para restos acumulados aleatoriamente por outros animais.
A descoberta também ajuda a entender como a alimentação acompanhou a mudança no modo de vida dos natufianos. Ao permanecerem por períodos maiores em um mesmo lugar, esses grupos passaram a depender mais dos recursos disponíveis nas proximidades. Lagartos e cobras podiam fornecer carne sem exigir grandes deslocamentos e esforços de caça.

A equipe ainda comparou os vestígios do Terraço de El-Wad com restos de répteis encontrados em sítios paleolíticos mais antigos da região. Nesses locais anteriores, os répteis aparecem em menor quantidade e pertencem a uma variedade maior de espécies pequenas. Já os sítios natufianos apresentam padrões mais semelhantes entre si, indicando escolhas compartilhadas sobre quais animais capturar e utilizar.
Assim, o estudo acrescenta uma nova parte à história da transição para comunidades mais sedentárias. Antes mesmo de a agricultura se desenvolver, os natufianos já modificavam suas estratégias de obtenção de alimento, explorando de forma planejada animais disponíveis no ambiente.  </description>  <media:content url="https://s2-galileu.glbimg.com/cfiG0mmyyH_4VYK7Cx6koTQloN0=/i.s3.glbimg.com/v1/AUTH_fde5cd494fb04473a83fa5fd57ad4542/internal_photos/bs/2026/W/k/zh2KrmQCWxjme4Kzrbbg/natufian-people-ate-snakes-1-1.jpg" medium="image"/>   <media:description>Arqueólogos realizaram escavações no Monte Carmelo, em Israel</media:description>   <media:credit>Reuven Yeshurun</media:credit>  <category>galileu</category> <pubDate>Thu, 20 Aug 2026 21:41:18 -0000</pubDate>  </item>  <item> <title>Maior tubarão luminoso do mundo usa brilho para caçar suas presas; estudo</title>  <atom:subtitle>Espécie conta com estruturas emissoras de luz espalhadas pela barriga, barbatanas e flancos, e conta com estratégia de caça sofisticada</atom:subtitle>  <link>https://revistagalileu.globo.com/ciencia/noticia/2026/08/maior-tubarao-luminoso-do-mundo-usa-brilho-para-cacar-suas-presas-estudo.ghtml</link> <guid isPermaLink="true">https://revistagalileu.globo.com/ciencia/noticia/2026/08/maior-tubarao-luminoso-do-mundo-usa-brilho-para-cacar-suas-presas-estudo.ghtml</guid> <description>  <![CDATA[ <img src="https://s2-galileu.glbimg.com/qIvV9k-nBmpGzzkB6hMLIWTJJ7g=/i.s3.glbimg.com/v1/AUTH_fde5cd494fb04473a83fa5fd57ad4542/internal_photos/bs/2026/O/5/4eBBZ3RCmOWjyRrcrQcQ/kitefin-shark-m.jpg" /><br /> ]]>    Com cerca de 1,8 metro de comprimento, o tubarão-kitefin (Dalatias licha) é considerado o maior vertebrado luminoso descoberto até hoje. A habilidade de brilhar no escuro é garantida pelos milhões de fotóforos – isto é, estruturas emissoras de luz – espalhados pela sua barriga, barbatanas e flancos. Mas, além do brilho, ele também é um expert em camuflagem, e consegue enganar presas na hora da caçada. É como se ele tivesse aprendido a usar uma lanterna que, ao mesmo tempo, funciona como capa de invisibilidade.
Normalmente, esse brilho todo serve para atrair presas ou para encontrar um parceiro. Mas pesquisadores da Universidade Católica da Lovaina (Bélgica) descobriram que os tubarões-kitefin fazem um uso diferenciado de sua barriga brilhante: eles manipulam de forma habilidosa os raios de luz que incidem da superfície para confundir seu jantar. 
A maioria das espécies que habitam as profundezas emite luz por baixo. Esta é uma forma de se camuflar de predadores que e evitar predadores que estejam se aproximando sorrateiramente. O D. licha, no entanto, adota uma estratégia diferente: nada para cima e tenta se misturar com a luz que vem de fora da água, o que o torna mais difícil de ser visto durante a caçada. 
Um novo estudo analisou esse comportamento e foi publicado no dia 6 de agosto na revista científica iScience.
O meu brilho você (não) quer
A equipe de cientistas capturou oito tubarões-kitefin, e usaram a pescaria farta como chance de observar como esses animais são exímios estrategistas na água. Para isso, os tubarões foram colocados e mantidos em tanques escuros, o que permitiu que os pesquisadores medissem o brilho emitido por suas peles e, posteriormente, a comparasse com o brilho da luz em profundidades entre 480 e 540 metros, onde costumam viver. 
Distribuição da luminescência no tubarão-kitefin e indicação da emissão do brilho em cinco posições do corpo
iScience
Não deu outra: os resultados revelaram que o brilho do animal correspondia à intensidade da luz que incidia na superfície da água. Somado a isso, foi possível constatar que os comprimentos de onda (aquela distância entre os dois “topos” consecutivos de uma onda de luz) eram correspondentes às cores azul e verde para os olhos humanos.
Essas cores lembram você de alguma coisa? Aos amantes de biologia marinha, a resposta está na ponta da língua: o azul, à cor emitida pelo oceano até os nossos olhos; e o verde, às partículas flutuantes que contêm clorofila (como as algas) e que podem estar circundando os tubarões. 
Estratégia sofisticada 
O tubarão-kitefin se posiciona acima de peixes menores -  e, com ajuda da angulação correta, acaba ficando invisível para eles. Trata-se de um ângulo em que a luz atinge o tubarão na posição vertical e, assim, acaba por ocultar sua silhueta do campo de visão das presas. 
Em grandes profundidades do mar, existe apenas uma pequena quantidade de luz vindo da superfície. O que o tubarão faz é acender o próprio corpo na intensidade certa, fazendo com que sua silhueta desapareça para quem está olhando de baixo.
A presa olha para cima e não percebe direito o predador. O tubarão se aproxima por cima e a sua luz lateral ajuda a iluminar o campo de caça. Então, acontece o ataque.

Essa tática de caça ficou conhecida pelos pesquisadores como “hipótese do holofote”. O “D. licha suprime simultaneamente sua silhueta quase vertical, vista pelas presas abaixo, e emite uma luminescência lateral ampla para iluminar o campo de visão da presa", explicam. 
Em resumo, em vez de entregar a sua posição, a emissão de luz acaba jogando a favor. Isso porque auxilia o tubarão a localizar presas nas profundezas, uma vez que a luz extra por ele emitida amplia seu campo de visão. Basta estar no ângulo correto. Complexo, não?  </description>  <media:content url="https://s2-galileu.glbimg.com/qIvV9k-nBmpGzzkB6hMLIWTJJ7g=/i.s3.glbimg.com/v1/AUTH_fde5cd494fb04473a83fa5fd57ad4542/internal_photos/bs/2026/O/5/4eBBZ3RCmOWjyRrcrQcQ/kitefin-shark-m.jpg" medium="image"/>   <media:description>A partir da análise das ondas emitidas pelo tubarão, pesquisadores observaram que o seu comprimento de onda corresponde às cores azul e verde</media:description>   <media:credit>iScience</media:credit>  <category>galileu</category> <pubDate>Thu, 20 Aug 2026 20:56:09 -0000</pubDate>  </item>  <item> <title>Você sabia que a arara-azul não é azul de verdade? Entenda o que dá cor à ave</title>  <atom:subtitle>Vídeos que viralizaram recentemente nas redes sociais reacenderam a curiosidade sobre a ave e revelaram o fenômeno físico por trás da sua aparência característica</atom:subtitle>  <link>https://revistagalileu.globo.com/ciencia/biologia/noticia/2026/08/voce-sabia-que-a-arara-azul-nao-e-azul-de-verdade.ghtml</link> <guid isPermaLink="true">https://revistagalileu.globo.com/ciencia/biologia/noticia/2026/08/voce-sabia-que-a-arara-azul-nao-e-azul-de-verdade.ghtml</guid> <description>  <![CDATA[ <img src="https://s2-galileu.glbimg.com/ovmUnZ8NyLBtaI-BlPxpqWLWFDM=/i.s3.glbimg.com/v1/AUTH_fde5cd494fb04473a83fa5fd57ad4542/internal_photos/bs/2026/y/t/WaDxUORamY1bQ35uTL1w/pexels-samuel-maisonet-79543-1462053.jpg" /><br /> ]]>    Símbolo da fauna brasileira, a arara-azul (Anodorhynchus hyacinthinus) ganhou destaque nas redes sociais com vídeos virais que explicam um fato já descrito pela ciência, mas ainda pouco conhecido pelo resto da população: a ausência de pigmento azul em suas penas. Estranho? Nem tanto. A coloração azul-cobalto típica resulta, na verdade, de um fenômeno físico conhecido como “cor estrutural”.  
Essa nova onda de interesse pelo assunto foi impulsionada, sobretudo, por publicações da estudante de biologia Sofia Rocato (@by_sofirocato) e do biólogo Filipe Rocha (@assimnanatureza). Juntos, seus vídeos já somam mais de 5 milhões de visualizações só no Instagram.  
Nos registros, os criadores explicam que a aparência azulada do animal é resultado da maneira como a luz interage com as estruturas microscópicas presentes na sua plumagem. Rocha, inclusive, aproveita a oportunidade para mostrar o que acontece quando uma pena da ave é colocada contra a luz. O registro prova que, em vez do azul intenso, a pena assume um tom que varia entre o cinza e o preto. Veja abaixo:
Initial plugin text
Azul se forma a partir da luz refletida 
O que acontece com as penas da arara-azul é chamado de cor estrutural. Em vez de a cor vir de um pigmento — como acontece, por exemplo, com a melanina que escurece cabelos pretos e castanhos humanos — o azul que vemos é produzido pela forma como a luz se comporta ao atingir a microestrutura da pena. 
Como nota o portal Xataca, essas penas são formadas por uma organização extremamente fina de queratina (uma proteína também presente em cabelos e unhas) e pequenas cavidades de ar. Essa combinação cria uma espécie de estrutura em camadas de escala microscópica.  
Na natureza, as araras-azuis podem ser observadas voando ou com mais facilidade andando pelo chão, penduradas nos cachos de frutos das palmeiras ou pousadas em galhos secos das árvores, ou ainda nos mourões de cercas e mangueiros
Instituto Arara Azul
Dessa forma, quando a luz do sol entra em contato com essa superfície, ela não é refletida de maneira simples. Parte da luz é absorvida, outra parte atravessa o material e uma parte final é espalhada de forma seletiva. É justamente esse “filtro natural” que faz com que o comprimento de onda associado ao azul seja o mais refletido e, portanto, o mais percebido pelos nossos olhos.  
Esse mesmo efeito também explica por que a cor pode mudar dependendo do ângulo de visão ou da iluminação. Isso porque, quando a luz não incide da forma ideal sobre a estrutura, o efeito de dispersão diminui e a pena pode parecer mais escura, acinzentada ou até preta. 
Initial plugin text
A melanina, por sua vez, está presente na base da estrutura e é responsável pela coloração escura “real” da pena. Especialistas ouvidos pelo programa Terra da Gente, da TV Globo, explicam que é por isso que a arara-azul pode ser entendida como uma ave de fundo escuro com um efeito óptico azul sobreposto. 
Tal característica a diferencia de outras espécies de araras, que apresentam pigmentos que contribuem diretamente para suas cores. Aquelas de penas amarelas e vermelhas, por exemplo, têm sua coloração associada a pigmentos chamados carotenoides, obtidos por meio da alimentação. Nas aves verdes, o efeito também pode envolver a combinação entre pigmento amarelo e a reflexão da luz azul.
Conservação da espécie 
Por mais que o fenômeno que voltou a circular nas redes seja antigo e já conhecido pela ciência, sua popularização ajuda a aproximar do público informações sobre a biologia da espécie. E existe uma razão importante para manter essa atenção. De acordo com o Instituto Arara Azul, a espécie é classificada como “vulnerável” à extinção pela IUCN (União Internacional para a Conservação da Natureza) e como “quase ameaçada” pelo Ministério do Meio Ambiente. 
A situação é resultado de um processo histórico de redução das populações. A arara-azul já foi comum em grande parte do Brasil, mas sofreu forte impacto principalmente com a captura ilegal de ovos, filhotes e adultos para o comércio de aves de estimação, a destruição e fragmentação de seu habitat e a caça e coleta de penas. Além disso, o bicho também enfrenta dificuldades próprias de sua biologia, como a baixa taxa reprodutiva, populações reduzidas e a dependência de ambientes específicos para encontrar alimento e locais adequados para reprodução.  

Foi nesse contexto que, em maio de 2003, o Ibama (Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis) criou o Comitê para Conservação e Manejo da Arara-Azul-Grande. O grupo reúne pesquisadores e instituições ligadas à espécie e tem como objetivo estabelecer estratégias de estudo, manejo e conservação, tanto na natureza quanto em cativeiro, além de propor ações para garantir populações geneticamente viáveis. Entre as medidas de conservação, destaca-se a proteção dos locais de reprodução.  
Hoje, os registros indicam três principais áreas de ocorrência do animal no território nacional: o Pantanal, o Brasil Central e a região Norte. Ao todo, estima-se que a espécie conte com aproximadamente 6.500 indivíduos em vida livre.  </description>  <media:content url="https://s2-galileu.glbimg.com/ovmUnZ8NyLBtaI-BlPxpqWLWFDM=/i.s3.glbimg.com/v1/AUTH_fde5cd494fb04473a83fa5fd57ad4542/internal_photos/bs/2026/y/t/WaDxUORamY1bQ35uTL1w/pexels-samuel-maisonet-79543-1462053.jpg" medium="image"/>   <media:description>Diferentemente do que sugere o seu nome, as araras-azuis, na verdade são pretas e isso fica mais evidente quando elas abrem suas asas ou estão voando</media:description>   <media:credit>Pexels</media:credit>  <category>galileu</category> <pubDate>Thu, 20 Aug 2026 17:28:03 -0000</pubDate>  </item>  <item> <title>Nova pele robótica detecta temperatura e pressão com eficiência inédita</title>  <atom:subtitle>Com dez vezes mais precisão do que os sensores atuais, tecnologia desenvolvida nos EUA pode ajudar pessoas amputadas a recuperar o tato por meio de próteses</atom:subtitle>  <link>https://revistagalileu.globo.com/tecnologia/noticia/2026/08/nova-pele-robotica-detecta-temperatura-e-pressao-com-eficiencia-inedita.ghtml</link> <guid isPermaLink="true">https://revistagalileu.globo.com/tecnologia/noticia/2026/08/nova-pele-robotica-detecta-temperatura-e-pressao-com-eficiencia-inedita.ghtml</guid> <description>  <![CDATA[ <img src="https://s2-galileu.glbimg.com/3ORH34FzSM3t2hMeaCamQuF9Qwo=/i.s3.glbimg.com/v1/AUTH_fde5cd494fb04473a83fa5fd57ad4542/internal_photos/bs/2026/z/e/CvvyWWSTeeYKJDok3zBA/low-res-img-4908.jpeg" /><br /> ]]>    Capaz de detectar pressão e temperatura, uma nova pele eletrônica foi desenvolvida por pesquisadores da Universidade Estadual de Washington, nos Estados Unidos. A tecnologia, que poderá ajudar futuramente amputados a recuperar a sensibilidade em suas próteses, foi registrada nesta quarta-feira (19) na revista Cell Reports Physical Science. 
A pele robótica é capaz de detectar parâmetros com dez vezes mais precisão do que os sensores de luvas atuais disponíveis no mercado. “Essa abordagem democratiza a produção de peles eletrônicas de grau médico, tornando o feedback tátil avançado viável para ampla adoção clínica”, considera em comunicado Hongyi Shen, estudante de pós-graduação na Escola de Engenharia Mecânica e de Materiais e autor do artigo. 
Avanço em relação a modelos anteriores
Embora já existam diferentes modelos de pele eletrônica, muitos são caros, apresentam baixa resolução de detecção e não se adaptam bem ao corpo, cobrindo apenas pequenas áreas. Outro desafio é o grande volume de dados gerado pelos sensores, que pode comprometer o funcionamento dos dispositivos. “Frequentemente, esses dispositivos são forçados a fazer concessões entre conforto e confiabilidade mecânica”, diz Shen
Para contornar essas limitações, os pesquisadores desenvolveram um sistema de sensores personalizável para próteses, capaz de reproduzir com mais precisão algumas das capacidades sensoriais da pele humana. Formados por camadas finas com sensores de temperatura e pressão, os módulos permitem detectar texturas e identificar propriedades dos materiais de maneira semelhante ao tato humano.
Para fabricá-los, a equipe combinou escaneamento, modelagem e impressão 3D. O método permite mapear os sensores de acordo com o formato de cada prótese e coletar dados detalhados durante a produção personalizada.
“O scanner basicamente escaneia a prótese e, com base na geometria, mapeamos nossos sensores como um sistema de sensoriamento multimodal com essa geometria”, disse Kaiyan Qiu, Professor Assistente da Família Berry na Escola de Engenharia Mecânica e de Materiais e autor correspondente do artigo. “Isso permite que nosso sistema de sensoriamento tenha cobertura perfeita sobre a região de forma livre nas próteses.” 
Hongyi Shen, à esquerda, estudante de pós-graduação na Escola de Engenharia Mecânica e de Materiais da Universidade Estadual de Washington, e a professora Kaiyan Qiu lideraram um projeto que desenvolveu uma pele eletrônica capaz de detectar pressão e temperatura
Sravanthi Yalamanchili/WSU
Os sensores são precisos e confiáveis, capazes de medir pressão e temperatura com alta densidade em superfícies planas ou curvas. Em vez de exigirem adesivos, os módulos de sensores se encaixam como peças de Lego. “Nosso principal método de fabricação, que utiliza impressão 3D e corte a laser, é relativamente simples, o que permite um custo relativamente baixo e praticidade”, disse Qiu.
Os pesquisadores também trabalham no desenvolvimento de um atuador que, no futuro, poderá converter os sinais captados pela pele eletrônica em estímulos para que pessoas amputadas reconheçam o que estão tocando. A proposta envolve transformar os sinais sensoriais em estímulos capazes de ativar nervos próximos.
Shen, que é um estagiário do programa NRT-LEAD, disse que sempre teve interesse em ajudar pessoas em ambientes de reabilitação e possui experiência em trabalho com sensores e impressão 3D. “Ao fazer isso, combinei meus interesses”, declarou ele. “Acredito que o que estamos fazendo neste projeto realmente ajudará, um dia, pessoas amputadas a terem uma vida mais fácil com o nosso dispositivo".  </description>  <media:content url="https://s2-galileu.glbimg.com/3ORH34FzSM3t2hMeaCamQuF9Qwo=/i.s3.glbimg.com/v1/AUTH_fde5cd494fb04473a83fa5fd57ad4542/internal_photos/bs/2026/z/e/CvvyWWSTeeYKJDok3zBA/low-res-img-4908.jpeg" medium="image"/>   <media:description>Uma mão robótica equipada com um módulo de sensores impresso em 3D, desenvolvido pela equipe de pesquisa da Universidade Estadual de Washington, nos EUA</media:description>   <media:credit>Foto de Sravanthi Yalamanchili/WSU</media:credit>  <category>galileu</category> <pubDate>Thu, 20 Aug 2026 17:24:20 -0000</pubDate>  </item>  <item> <title>57% dos brasileiros vivem em apenas 15% do território, calcula novo estudo</title>  <atom:subtitle>Novo cálculo, baseado em dados do Censo, reduz incertezas sobre o número de pessoas que vivem na Mata Atlântica</atom:subtitle>  <link>https://revistagalileu.globo.com/ciencia/meio-ambiente/noticia/2026/08/57percent-dos-brasileiros-vivem-em-apenas-15percent-do-territorio-calcula-novo-estudo.ghtml</link> <guid isPermaLink="true">https://revistagalileu.globo.com/ciencia/meio-ambiente/noticia/2026/08/57percent-dos-brasileiros-vivem-em-apenas-15percent-do-territorio-calcula-novo-estudo.ghtml</guid> <description>  <![CDATA[ <img src="https://s2-galileu.glbimg.com/pIUxOWxgEvrT-vwtRYX7i8P7fGw=/i.s3.glbimg.com/v1/AUTH_fde5cd494fb04473a83fa5fd57ad4542/internal_photos/bs/2026/O/c/UEnth3TvAiPGp9G2BFVQ/paisagem-urbana-3-.jpg" /><br /> ]]>    Um novo estudo do INMA (Instituto Nacional da Mata Atlântica), publicado no início de agosto nos Anais da Academia Brasileira de Ciências, sugere que mais de 116 milhões de brasileiros — o equivalente a 57% do país — vivem dentro dos limites da Mata Atlântica, que ocupa apenas 15% de todo o território nacional. Essa pesquisa atualiza a estimativa da população que vive no bioma com base no Censo Demográfico de 2022 e propõe critérios mais claros para definir a ocupação da área.
O levantamento revisa estimativas anteriores, que apontavam que 60% a 72% dos brasileiros estariam na Mata Atlântica. Segundo os responsáveis pelo estudo, a diferença nas estimativas está relacionada à falta de detalhamento dos critérios usados em cálculos anteriores. Não à toa, pelos novos critérios geográficos, a concentração parece ser ainda mais acentuada em algumas partes do país. No sudeste, por exemplo, agora se calcula que entre 83% e 85% da população viva nos limites do bioma.
Bioma é lar para maior parte dos brasileiros 
Apesar da associação frequente da Mata Atlântica às áreas de floresta, a maior parte das pessoas contabilizadas pelo estudo vive em cidades e regiões urbanizadas localizadas dentro dos limites do bioma. Algumas das maiores metrópoles brasileiras estão nessa área. O sudeste reúne mais da metade da população que vive na Mata Atlântica, e cerca de um terço de todos os brasileiros residentes no bioma está concentrado especificamente no estado de São Paulo. 
Embora ocupe cerca de 15% do território nacional, a região do bioma Mata Atlântica concentra a maior parte da população brasileira, incluindo algumas das maiores metrópoles do país
INMA
Essa característica faz da Mata Atlântica um território que não é apenas relevante para a conservação da biodiversidade, mas também diretamente relacionado ao cotidiano de milhões de pessoas. O bioma participa de processos que ajudam a garantir abastecimento de água, proteção do solo, regulação do clima e polinização. 
A alta concentração populacional em uma área relativamente pequena também aumenta a pressão sobre os recursos naturais. “Com mais de 116 milhões de habitantes distribuídos em uma área relativamente pequena, a Mata Atlântica enfrenta desafios como escassez hídrica e degradação de bacias hidrográficas, fragmentação florestal e vulnerabilidade a eventos climáticos extremos”, explica Mileide Formigoni, autora do estudo, em comunicado enviado à imprensa. 
Mudanças no cálculo
Uma das principais contribuições do novo estudo está na metodologia usada para chegar aos seus resultados. Os pesquisadores afirmam que muitas estimativas divulgadas nas últimas décadas não deixavam claro como os cálculos haviam sido feitos, o que dificultava avaliar sua precisão e reproduzir seus resultados. 
Dessa forma, para chegar a uma estimativa considerada mais consistente, o novo estudo combinou dados oficiais do Censo 2022 com dois referenciais reconhecidos para definir os limites da Mata Atlântica: a área estabelecida pela Lei da Mata Atlântica e o mapa elaborado pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística). 
Outro critério adotado foi considerar apenas cidades com pelo menos 50% de seu território dentro do bioma. “Esse procedimento reduz erros comuns, como considerar municípios com presença mínima do bioma como totalmente inseridos na área”, afirma Sérgio Lucena Mendes, coautor do levantamento. 
Impacto dos achados 
O novo cálculo reforça a dimensão urbana da Mata Atlântica e mostra que a conservação do bioma está diretamente ligada às condições de vida de uma parcela majoritária da população brasileira. A concentração de moradores em cidades e regiões densamente ocupadas coloca diferentes desafios para o planejamento urbano e ambiental, especialmente em um cenário de eventos climáticos extremos e pressão crescente sobre os recursos hídricos, como se vive atualmente. 

Ao estabelecer um método transparente e que pode ser repetido por outros pesquisadores, o estudo também busca fornecer uma base mais segura para a construção de políticas públicas. A proposta é que os dados sobre população, conservação ambiental, desenvolvimento urbano e adaptação às mudanças climáticas possam ser analisados de forma integrada. 
Para além da discussão sobre quantos brasileiros vivem na Mata Atlântica, o levantamento ainda chama atenção para o tamanho da dependência da população em relação aos serviços fornecidos pelo bioma. Em outras palavras, proteger a Mata Atlântica não diz respeito apenas às áreas de floresta remanescente, mas também envolve as condições ambientais de onde vive a maior parte dos habitantes do país.  </description>  <media:content url="https://s2-galileu.glbimg.com/pIUxOWxgEvrT-vwtRYX7i8P7fGw=/i.s3.glbimg.com/v1/AUTH_fde5cd494fb04473a83fa5fd57ad4542/internal_photos/bs/2026/O/c/UEnth3TvAiPGp9G2BFVQ/paisagem-urbana-3-.jpg" medium="image"/>   <media:description>Ao oferecer uma estimativa atualizada e metodologicamente consistente, o estudo contribui para qualificar o debate sobre conservação e uso sustentável da Mata Atlântica</media:description>   <media:credit>INMA</media:credit>  <category>galileu</category> <pubDate>Thu, 20 Aug 2026 15:33:21 -0000</pubDate>  </item>  <item> <title>Pessoas com mais de 100 anos têm alta quantidade deste tipo raro de célula</title>  <atom:subtitle>Pesquisa identifica aumento de células imunológicas raras após os 100 anos e levanta hipóteses sobre a capacidade de adaptação do organismo em idades extremas</atom:subtitle>  <link>https://revistagalileu.globo.com/saude/noticia/2026/08/pessoas-com-mais-de-100-anos-tem-alta-quantidade-deste-tipo-raro-de-celula.ghtml</link> <guid isPermaLink="true">https://revistagalileu.globo.com/saude/noticia/2026/08/pessoas-com-mais-de-100-anos-tem-alta-quantidade-deste-tipo-raro-de-celula.ghtml</guid> <description>  <![CDATA[ <img src="https://s2-galileu.glbimg.com/AAM37t5Nfd9TIuGE8aAABzFQsGE=/i.s3.glbimg.com/v1/AUTH_fde5cd494fb04473a83fa5fd57ad4542/internal_photos/bs/2026/R/A/ORHCoJTQy6M5hGkwILjg/pexels-pixabay-33786.jpg" /><br /> ]]>    Pessoas que chegam aos 110 anos ou mais (os chamados supercentenários) apresentam uma quantidade especialmente elevada de um tipo raro de célula de defesa do organismo. Segundo estudo publicado nessa quarta-feira (19) na revista Cell Reports, os linfócitos T citotóxicos CD4, mais conhecidos como CD4 CTLs, tornam-se mais abundantes à medida que a idade avança e parecem se multiplicar por meio de um processo chamado expansão clonal. 
Essas células fazem parte do sistema imunológico e têm a capacidade de destruir células que representam uma ameaça ao organismo. Isso inclui células infectadas, células envolvidas em processos inflamatórios e, em determinadas situações, células tumorais. A descoberta, no entanto, ainda não permite afirmar que uma maior quantidade de CD4 CTLs faça uma pessoa viver mais ou esteja diretamente relacionada à prevenção do câncer. 
“O envelhecimento imunológico não é simplesmente um processo de declínio”, explica Kosuke Hashimoto, professor da Universidade de Osaka, no Japão, e primeiro autor do estudo, em comunicado à imprensa. “A expansão seletiva de certas células T sugere que, mesmo em idade extremamente avançada, o sistema imunológico pode continuar a se adaptar aos desafios relacionados à idade.” 
Células raras que se tornam mais numerosas com a idade 
Os linfócitos T citotóxicos CD4 são uma população relativamente rara de células do sistema imunológico. Não à toa, eles são associados a características celulares de supercentenários. 
Para investigar esse fenômeno, os pesquisadores analisaram amostras de sangue de 28 pessoas divididas em três grupos: 70 a 99 anos, 100 a 109 anos e 110 anos ou mais. A proporção dessas células aumentou progressivamente entre as faixas etárias. As medianas foram de 4% no grupo mais jovem, 9,6% entre os centenários e 17,6% entre os supercentenários. 
Essa mesma tendência foi observada em uma análise mais ampla. Nesse caso, os pesquisadores utilizaram dados de cerca de 1.500 pessoas de diferentes idades, reforçando a associação entre o avanço da idade e a presença dessas células. 
Apesar disso, o fenômeno não é exclusivo de pessoas com mais de 100 anos. Um participante com menos de 100 anos apresentou a maior proporção de CD4 CTLs observada no estudo. 
“Clonagem” dessas células 
Para entender os resultados da pesquisa, é preciso explicar o que os pesquisadores chamam de expansão clonal. Quando uma célula T reconhece um alvo que pode representar uma ameaça, ela pode se multiplicar, produzindo várias células praticamente iguais e preparadas para enfrentar aquele alvo. 
Foi exatamente esse processo que ajudou a explicar o aumento dos CD4 CTLs entre os idosos analisados. O clone mais abundante representava, em média, 33,3% dessas células. Em uma das amostras, coletada de um centenário, um único clone correspondia a 53,8% dos CD4 CTLs. 
Representação gráfica do processo de clonagem das células CD4 CTLs, associadas à longevidade
Kosuke Hashimoto et al.
O achado sugere que essas células não estão apenas presentes em maior quantidade, mas podem estar participando ativamente de uma resposta do sistema imunológico. “Em conjunto, essas descobertas sugerem que o aumento não é simplesmente uma consequência passiva do envelhecimento, mas pode refletir uma resposta adaptativa a antígenos persistentes”, afirma Hashimoto, em entrevista à revista Scientific American. 
“Antígeno” é o nome dado a uma substância ou estrutura que o sistema imunológico consegue reconhecer como alvo e contra a qual pode montar uma resposta. Esses alvos podem estar relacionados a infecções, alterações celulares ou outros estímulos presentes no organismo. 
Possível relação com o câncer chama atenção 
Os pesquisadores também compararam as sequências dos receptores presentes nos clones mais abundantes de cada participante com informações disponíveis em um banco de dados público. Quase três dezenas de correspondências estavam associadas a pessoas com câncer, incluindo tumores de pulmão, mama e fígado.  
Como nenhum dos centenários e supercentenários estudados tinha diagnóstico desses tipos de câncer, os autores levantaram a hipótese de que a presença dessas células poderia refletir em respostas imunológicas precoces contra alterações que ainda não haviam provocado uma doença diagnosticável.  
“Alguns linfócitos T citotóxicos CD4 podem reconhecer alvos relacionados ao câncer, embora seus alvos exatos permaneçam desconhecidos”, aponta Hashimoto. Tal possibilidade chama atenção porque o envelhecimento está associado ao acúmulo de células anormais, incluindo células senescentes — células que deixaram de se dividir, mas permanecem no organismo — e células cancerosas. 
Sistema imunológico ainda capaz de se adaptar 
A interpretação dos resultados desse estudo, porém, deve ser feita com cautela. O trabalho examinou principalmente células T presentes na circulação sanguínea e não demonstrou que a abundância de CD4 CTLs seja a causa da longevidade extrema. Ainda são necessárias novas investigações para se determinar exatamente o que essas células fazem.  

Os próprios integrantes do projeto reconhecem essa necessidade, e já têm planos para os próximos estudos. Planeja-se, por exemplo, buscar quais são os alvos específicos dessas células e como elas se comportam nos tecidos, e não apenas no sangue. A equipe também pretende investigar por que algumas pessoas mais jovens apresentam concentrações elevadas de CD4 CTLs. 
“À medida que envelhecemos, células anormais, incluindo células senescentes e cancerosas, tornam-se mais comuns”, afirma o pesquisador. “Nossas descobertas sugerem que a adaptação imunológica a essas mudanças pode contribuir para uma longevidade excepcional.”  </description>  <media:content url="https://s2-galileu.glbimg.com/AAM37t5Nfd9TIuGE8aAABzFQsGE=/i.s3.glbimg.com/v1/AUTH_fde5cd494fb04473a83fa5fd57ad4542/internal_photos/bs/2026/R/A/ORHCoJTQy6M5hGkwILjg/pexels-pixabay-33786.jpg" medium="image"/>   <media:description>Ao estudar mais de 40.000 células imunológicas de 28 pessoas, os pesquisadores descobriram que essas células imunológicas "assassinas" aumentam gradualmente após os indivíduos atingirem os 100 anos de idade</media:description>   <media:credit>Pexels</media:credit>  <category>galileu</category> <pubDate>Thu, 20 Aug 2026 13:30:16 -0000</pubDate>  </item>  <item> <title>EUA lutam para manter em pé árvore de 300 anos que sobreviveu a guerra e raio</title>  <atom:subtitle>Carvalho, que também sobreviveu à queda de um raio há 50 anos, é uma das raras testemunhas das batalhas que marcaram a guerra pela independência dos EUA</atom:subtitle>  <link>https://revistagalileu.globo.com/ciencia/noticia/2026/08/eua-lutam-para-manter-em-pe-arvore-de-300-anos-que-sobreviveu-a-guerra-e-raio.ghtml</link> <guid isPermaLink="true">https://revistagalileu.globo.com/ciencia/noticia/2026/08/eua-lutam-para-manter-em-pe-arvore-de-300-anos-que-sobreviveu-a-guerra-e-raio.ghtml</guid> <description>  <![CDATA[ <img src="https://s2-galileu.glbimg.com/WPgL4wD3HntGnBH03mIDOcGzOGA=/i.s3.glbimg.com/v1/AUTH_fde5cd494fb04473a83fa5fd57ad4542/internal_photos/bs/2026/y/1/jVGUFaSK6pp4oAPsbpOQ/image.png" /><br /> ]]>    Um exemplar de carvalho-vivo (Quercus virginiana) com 13,7 metros de altura localizado no estado da Carolina do Sul, nos Estados Unidos, serviu como pano de fundo para um capítulo importante da história norte-americana. Com cerca de 300 anos, a árvore já existia no local de um dos últimos grandes conflitos da Guerra de Independência dos EUA, travados nas antigas colônias da porção sul do território. Trata-se da batalha de Eutaw Springs, que aconteceu em 1781.
A idade avançada da planta fez com que autoridades ambientais instalassem pesadas correntes e cabos de aço, que passaram a ficar enroladas em seu tronco e nos seus galhos. Funcionou - o que não significa que a vida do carvalho-vivo sobrevivente tenha seguido a vida de forma tranquila. Há cinco décadas, a árvore foi alvo de um raio há cinco décadas, que quase causou sua morte.
As mesmas medidas que salvaram a árvore anos atrás estão, agora, comprometendo a sua saúde. Em entrevista à Garden &amp; Gun, Aron Landsaw, da SavATree, explicou que “as correntes basicamente interrompem a circulação, impedindo que a árvore absorva água e nutrientes do solo”. 
Gravado no casco
A árvore está localizada em uma faixa de 16 mil m² preservada pelo American Battlefield Trust e pelo South Carolina Battleground Trust, organizações focadas na conservação de locais históricos nos EUA. Nessa região, historiadores afirmam que o carvalho-vivo estaria voltado para o centro do campo de batalha e que, ao seu redor, teriam sido construídos os acampamentos de ambos os lados do conflito.
As correntes e os cabos de aço que, há 50 anos, protegeram a árvore após essa ser atingida por um raio, agora ameaçam a sua sobrevivência
SavATree
Na tentativa de salvar a árvore, entusiastas da conservação ambiental subiram até o topo da copa da árvore para remover as correntes e os cabos de aço que estavam a “sufocando”. O grupo também removeu a madeira morta e, de quebra, instalaram um novo sistema de suporte estrutural para a proteger de futuras tempestades.
O cuidado não acabou por aí: a equipe decidiu deixar o ambiente mais habitável para a “idosa plus”. Para isso, o solo ao redor foi descompactado, isto é, ele foi “afrouxado”. Mas, o que é um solo compacto? Imagine da seguinte maneira: é como se você pegasse areia, a colocasse em um balde e a acertasse até que todos os grãos ficassem bem próximos uns dos outros, impedindo a passagem de ar, água e até das raízes. Normalmente, esse processo ocorre porque muitas pessoas, animais ou veículos podem ter passado pelo solo do carvalho-vivo.
A medida é essencial para ajudar as plantas a crescerem com força e sadias. Somado a isso, também foram injetados nutrientes essenciais – o famoso "NPK" que você talvez tenha ouvido falar nas aulas de biologia, que fazem referência aos macronutrientes nitrogênio, potássio e cálcio – na terra para incentivar a recuperação e o bem-estar da árvore.
Com o tempo, as correntes e os cabos se fundiram à casca, deixando a árvore “sufocada”
SavATree

Toda a movimentação à favor da tricentenária se deve, sobretudo, ao fato dela ser uma das poucas árvores que testemunhou a Guerra de Independência dos Estados Unidos que sobreviveu. Em outras palavras, isso quer dizer que ela se tornou um exemplar raro que precisa ser protegido como uma “sentinela da história”.
“Quando um visitante vem a Eutaw Springs, queremos que ele tenha essa conexão tangível e viva com a batalha”, disse Catherine Noyes, da American Battlefield Trust, em entrevista à WIS News 10. “E, ao ficar debaixo daquela árvore e poder vivenciar essa história, sentimos que isso realmente ajuda as pessoas a formar uma conexão poderosa com o que aconteceu aqui”.  </description>  <media:content url="https://s2-galileu.glbimg.com/WPgL4wD3HntGnBH03mIDOcGzOGA=/i.s3.glbimg.com/v1/AUTH_fde5cd494fb04473a83fa5fd57ad4542/internal_photos/bs/2026/y/1/jVGUFaSK6pp4oAPsbpOQ/image.png" medium="image"/>   <media:description>Estima-se que a árvore testemunha da Batalha de Eutaw Springs, um dos últimos conflitos entre americanos e colonos britânicos antes da independência do país norte-americano, tenha 300 anos</media:description>   <media:credit>SavATree</media:credit>  <category>galileu</category> <pubDate>Wed, 19 Aug 2026 21:05:37 -0000</pubDate>  </item>  <item> <title>Mulher de 65 anos para no hospital por estar "feliz demais"; estudo analisou caso</title>  <atom:subtitle>Caso raro de “síndrome do coração feliz” – variante da cardiomiopatia de Takotsubo – fez paciente apresentar sintomas semelhantes aos de um ataque cardíaco</atom:subtitle>  <link>https://revistagalileu.globo.com/ciencia/noticia/2026/08/mulher-de-65-anos-para-no-hospital-por-estar-feliz-demais-estudo-analisou-caso.ghtml</link> <guid isPermaLink="true">https://revistagalileu.globo.com/ciencia/noticia/2026/08/mulher-de-65-anos-para-no-hospital-por-estar-feliz-demais-estudo-analisou-caso.ghtml</guid> <description>  <![CDATA[ <img src="https://s2-galileu.glbimg.com/k0E8PjVqCjrDUPx5pgTQFw1mgYU=/i.s3.glbimg.com/v1/AUTH_fde5cd494fb04473a83fa5fd57ad4542/internal_photos/bs/2026/L/Q/VtARZBQJKT7R4xtIs9Pg/pexels-puwadon-sang-ngern-2168173-9666409.jpg" /><br /> ]]>    Uma mulher de 65 anos chegou ao pronto-socorro com dor no peito e falta de ar após participar do casamento da filha. Os sintomas, que tinham começado logo depois da celebração e durado três dias, pioravam durante atividades físicas. Os exames indicavam que algo estava errado com o coração, mas os médicos não encontraram artérias obstruídas. O que havia desencadeado o problema, na verdade, era uma emoção positiva intensa.
Segundo o relato do caso, descrito em um artigo científico publicado em julho na revista Oxford Medical Case Reports, a paciente, que estava no Catar, já tinha dores no peito sem causa identificada há meses. Exames anteriores apresentaram resultados normais, mas ela deixou de comparecer às consultas de acompanhamento. Depois do casamento da filha, porém, a dor voltou acompanhada de falta de ar, levando-a primeiro a uma clínica.
Um eletrocardiograma mostrou alterações na atividade elétrica do coração, um dos sinais que podem aparecer durante um ataque cardíaco. Por isso, ela foi encaminhada às pressas para o pronto-socorro de um hospital. Quando chegou, a dor já havia diminuído, mas um novo eletrocardiograma revelou outras alterações.
Um coração enfraquecido
Os exames de sangue mostraram níveis elevados de troponina, proteína que chega à corrente sanguínea quando há danos no músculo cardíaco. Um ultrassom também revelou que o ventrículo esquerdo, principal câmara de bombeamento do coração, não estava se contraindo adequadamente, como aponta o site Live Science.
A fração de ejeção — quantidade de sangue que o coração bombeia para o corpo a cada batimento — havia caído de 58%, registrada cinco meses antes, para 35% (o saudável é de 50% a 70%). O ventrículo esquerdo também apresentava uma dilatação na ponta, dando ao órgão um formato semelhante ao de um balão.
Os resultados poderiam indicar um ataque cardíaco. No entanto, uma angiografia mostrou que as artérias estavam desobstruídas. Uma radiografia confirmou o formato observado no ultrassom, enquanto uma ressonância magnética não encontrou sinais de danos permanentes provocados por um ataque cardíaco silencioso ou de cicatrizes no tecido cardíaco.
Diante dos resultados, os médicos diagnosticaram a paciente com cardiomiopatia de Takotsubo, também conhecida como cardiomiopatia de estresse ou “síndrome do coração partido”. A condição enfraquece temporariamente o músculo cardíaco, causando sua dilatação, e pode produzir sintomas muito semelhantes aos de um ataque cardíaco.
A cardiomiopatia de Takotsubo costuma estar associada a experiências emocionalmente negativas, como a morte de uma pessoa querida ou um diagnóstico grave. Mas emoções positivas intensas também podem desencadear a condição.
É o que caracteriza a chamada “síndrome do coração feliz”, uma forma rara de Takotsubo descrita pela primeira vez por pesquisadores em 2016. A ideia é que uma experiência de alegria ou excitação muito intensa possa ativar algumas das mesmas vias de resposta ao estresse envolvidas em situações negativas. No caso da paciente, o casamento da filha foi considerado o possível gatilho para o episódio.
Acredita-se que a cardiomiopatia Takotsubo esteja relacionada a uma descarga repentina de hormônios do estresse, como a adrenalina, que pode afetar temporariamente o funcionamento do coração. O diagnóstico exige descartar outras possíveis causas para os sintomas e verificar a ausência de obstruções arteriais significativas.
Felicidade também traz problemas
Como destaca o site ScienceAlert, a cardiomiopatia de Takotsubo representa cerca de 1% a 3% dos casos de síndromes coronarianas agudas, e a variante associada a emoções positivas é ainda mais incomum. Uma análise do Registro Internacional de Takotsubo, com dados de mais de 1,7 mil pacientes, identificou emoções positivas como gatilho em cerca de 4,1% dos casos em que havia um fator emocional envolvido. A grande maioria estava relacionada a luto, medo ou outras experiências angustiantes.
A síndrome do coração feliz também pode apresentar um padrão diferente de dilatação do músculo cardíaco, afetando mais frequentemente a região central ou a base do coração em vez da ponta. Esse padrão, no entanto, não foi observado na paciente do caso.

A mulher recebeu medicamentos usados no tratamento da insuficiência cardíaca, como betabloqueadores, e recebeu alta depois que seu quadro se estabilizou. Ela foi encaminhada para acompanhamento em uma clínica especializada e voltou às atividades cotidianas sem limitações. Em um exame posterior, a função de bombeamento do coração havia se recuperado para 56%, próximo do valor registrado antes do episódio.
Os autores destacam que alguns estudos sugerem que pessoas com cardiomiopatia de Takotsubo desencadeada por emoções positivas podem apresentar sintomas mais leves e melhores resultados durante a hospitalização do que aqueles pacientes em que o quadro é provocado por eventos negativos. Ainda assim, são necessários mais dados para confirmar essa diferença.  </description>  <media:content url="https://s2-galileu.glbimg.com/k0E8PjVqCjrDUPx5pgTQFw1mgYU=/i.s3.glbimg.com/v1/AUTH_fde5cd494fb04473a83fa5fd57ad4542/internal_photos/bs/2026/L/Q/VtARZBQJKT7R4xtIs9Pg/pexels-puwadon-sang-ngern-2168173-9666409.jpg" medium="image"/>   <media:description>Experiências que envolvem emoções positivas muito intensas podem ativar algumas das mesmas vias de resposta ao estresse envolvidas em situações negativas</media:description>   <media:credit>Puwadon Sang-ngern/Pexels</media:credit>  <category>galileu</category> <pubDate>Wed, 19 Aug 2026 20:10:46 -0000</pubDate>  </item>  <item> <title>Invasão de caranguejos na Itália ganha tentativa de solução inesperada: polvos</title>  <atom:subtitle>Projeto da Universidade de Bolonha já liberou 80 mil filhotes de molusco no Adriático para tentar conter a proliferação de caranguejos, que causa prejuízos milionários à pesca italiana</atom:subtitle>  <link>https://revistagalileu.globo.com/ciencia/biologia/noticia/2026/08/invasao-de-caranguejos-na-italia-ganha-tentativa-de-solucao-inesperada-polvos.ghtml</link> <guid isPermaLink="true">https://revistagalileu.globo.com/ciencia/biologia/noticia/2026/08/invasao-de-caranguejos-na-italia-ganha-tentativa-de-solucao-inesperada-polvos.ghtml</guid> <description>  <![CDATA[ <img src="https://s2-galileu.glbimg.com/ElvRo3eIZ23Rg8mX4INHQeNm2Nc=/i.s3.glbimg.com/v1/AUTH_fde5cd494fb04473a83fa5fd57ad4542/internal_photos/bs/2026/k/e/UL1k0XSBuxkSdviOTMCw/the-childrens-museum-of-indianapolis-atlantic-blue-crab.jpg" /><br /> ]]>    Uma equipe de cientistas italianos está apostando em um predador natural para tentar conter a expansão do caranguejo-azul (Callinectes sapidus) no mar Adriático, que banha a Irália. Desde junho, pesquisadores da Universidade de Bolonha já soltaram cerca de 80 mil filhotes de polvo-comum no litoral italiano, na esperança de que os animais ajudem a reduzir a população do crustáceo invasor, que vem causando prejuízos à pesca e à produção de mariscos.
“Escolhemos o polvo porque, na natureza, ele é um predador formidável de crustáceos”, disse à Agência France-Presse (AFP) Antonio Casalini, técnico em aquicultura e integrante da equipe responsável pelo projeto Octo-Blu. Lançada no ano passado com financiamento da região da Emília-Romanha, a iniciativa busca estabelecer uma população de polvos capaz de atuar como um opositor natural ao caranguejo-azul. 
As autoridades da Emília-Romanha estimaram que a espécie tenha causado quase 17 milhões de euros (cerca de R$ 100 milhões) em prejuízos desde 2022. 
Prejuízos à pesca
Originário da costa atlântica da América do Norte, o caranguejo-azul chegou ao Mediterrâneo há algumas décadas, provavelmente transportado pela água de lastro de navios. Nos últimos anos, porém, sua população aumentou de forma acelerada, favorecida, segundo autoridades e pescadores, pelo aquecimento das águas associado às mudanças climáticas.
Com garras afiadas e grande habilidade para abrir conchas, o crustáceo se tornou uma ameaça especialmente grave no nordeste da Itália, uma das principais regiões produtoras de amêijoas da Europa. Eles podem pesar até 1 quilo e são excelente nadadores, possuindo poucos predadores naturais na região. É justamente essa característica que os pesquisadores esperam alterar com a introdução dos polvos.
Como os polvos são soltos
Os pequenos polvos são criados em tanques de água salgada em um laboratório de Cesenatico, cidade portuária da Itália. Quando atingem o estágio adequado, os filhotes são retirados dos tanques aos milhares e transportados em grandes sacos plásticos até o mar.
Em algumas ocasiões, o transporte é feito no próprio barco de pesca de Sanulli. Os animais são então liberados próximos a recifes subaquáticos, onde os pesquisadores instalaram tocas artificiais feitas de cimento e argila. A estrutura oferece abrigo e aumenta as chances de sobrevivência dos filhotes.
Desde junho, cerca de 80 mil polvos já foram soltos. A equipe pretende chegar a aproximadamente 160 mil animais até o fim de agosto, já que uma única fêmea pode produzir milhões de ovos. “A ideia é estabelecer uma pequena comunidade perto da costa para que ela possa combater melhor a disseminação do caranguejo-azul”, explicou Casalini à AFP.
Estratégia tem limitações
Apesar da expectativa, os próprios pesquisadores reconhecem que a estratégia tem limitações. O polvo-comum não costuma habitar as águas rasas, quentes e arenosas características de algumas das áreas de lagoa onde os caranguejos-azuis provocam os maiores prejuízos. Por isso, o impacto dos polvos nesses ambientes pode ser limitado.
Outros especialistas apontam que o robalo poderia ser um predador mais eficiente dos caranguejos. A equipe da Universidade de Bolonha também investiga o uso de enguias, que se alimentam de ovos de crustáceos, como parte de uma estratégia complementar.
Ainda assim, os pesquisadores avaliam que, se a experiência funcionar e puder ser reproduzida em outras áreas, ela poderá contribuir para reduzir a quantidade de caranguejos-azuis e, consequentemente, seus impactos sobre o ecossistema e a atividade pesqueira.  </description>  <media:content url="https://s2-galileu.glbimg.com/ElvRo3eIZ23Rg8mX4INHQeNm2Nc=/i.s3.glbimg.com/v1/AUTH_fde5cd494fb04473a83fa5fd57ad4542/internal_photos/bs/2026/k/e/UL1k0XSBuxkSdviOTMCw/the-childrens-museum-of-indianapolis-atlantic-blue-crab.jpg" medium="image"/>   <media:description>Uma fêmea de caranguejo-azul-do-atlântico (Callinectes sapidus). Espécie se tornou um problema na Itália; entenda</media:description>   <media:credit>Wikimedia Commons</media:credit>  <category>galileu</category> <pubDate>Wed, 19 Aug 2026 19:32:59 -0000</pubDate>  </item>  <item> <title>Ancestral humano descoberto pela 1ª vez em 2008 era mais alto do que se imaginava</title>  <atom:subtitle>Estudos analisaram ossos encontrados no fundo do mar na Ásia e trouxeram novas pistas sobre a aparência e os hábitos alimentares desses misteriosos parentes dos humanos</atom:subtitle>  <link>https://revistagalileu.globo.com/ciencia/noticia/2026/08/ancestral-humano-descoberto-pela-1a-vez-em-2008-era-mais-alto-do-que-se-imaginava.ghtml</link> <guid isPermaLink="true">https://revistagalileu.globo.com/ciencia/noticia/2026/08/ancestral-humano-descoberto-pela-1a-vez-em-2008-era-mais-alto-do-que-se-imaginava.ghtml</guid> <description>  <![CDATA[ <img src="https://s2-galileu.glbimg.com/RzdjcokXEUdzd3o3uy0eEtB7RUQ=/i.s3.glbimg.com/v1/AUTH_fde5cd494fb04473a83fa5fd57ad4542/internal_photos/bs/2026/4/b/ZqBijzT9Sco5Xx1ko1aQ/captura-de-tela-2026-08-19-140654.png" /><br /> ]]>    Em 2008, o DNA encontrado em um osso do dedo mindinho descoberto na Caverna Denisova, na Sibéria, revelou a existência dos denisovanos, parentes evolutivos próximos dos neandertais e dos humanos atuais. Desde então, porém, poucos fósseis foram definitivamente associados a eles, dificultando a descoberta de como era o restante de seus corpos.
Agora, dois estudos pré-publicados em 8 de agosto no site bioRxiv, que ainda precisam ser revisados por cientistas independentes, analisaram um fêmur e parte de uma tíbia encontrados na Ásia - mais precisamente no fundo do Estreito de Penghu, entre Taiwan e as Ilhas Penghu. Os pesquisadores identificaram proteínas características dos denisovanos nos ossos e estimaram que os dois indivíduos tinham cerca de 1,80 e 1,90 metro de altura, respectivamente.
A estrutura chama atenção porque os denisovanos seriam consideravelmente mais altos do que muitos de seus contemporâneos. Homens neandertais tinham, em média, cerca de 1,68 metro, enquanto os Homo sapiens chegam a aproximadamente 1,75 metro.
Os novos fósseis também ajudam a entender a alimentação desses humanos arcaicos. A análise de isótopos de nitrogênio presente na tíbia indicou uma dieta predominantemente carnívora, semelhante à observada em neandertais europeus.
Pouco variedade no cardápio
Apesar de terem sido encontrados em uma região cercada pelo mar, os denisovanos analisados aparentemente não consumiam muitos peixes ou outros frutos do mar. Os isótopos de nitrogênio identificados no osso derivavam exclusivamente de herbívoros terrestres.
Esse resultado é especialmente interessante porque contrasta com a alimentação de grupos de Homo sapiens que chegaram ao sudeste asiático há cerca de 45 mil anos. Para os pesquisadores, embora a conclusão venha da análise de apenas um indivíduo, ela pode indicar que os denisovanos tinham uma dieta menos flexível do que os membros da nossa espécie que posteriormente ocuparam a região.
Os fósseis foram encontrados em um grande conjunto de ossos de animais retirados do fundo do Estreito de Penghu por uma rede de pesca industrial a cerca de 100 metros de profundidade, e aproximadamente 25 km da costa sul de Taiwan. O material foi adquirido por pesquisadores em 2010.
Como os ossos foram retirados do fundo do mar já misturados, sem serem associados a camadas sedimentares específicas, fica difícil determinar exatamente a quais períodos pertencem e quais restos poderiam estar relacionados entre si. Ainda assim, análises anteriores já tinham indicado a presença de denisovanos no conjunto. No ano passado, proteínas identificadas em uma mandíbula fossilizada de Penghu foram associadas ao grupo.
Denisovanos mais jovens já encontrados
A nova análise também trouxe uma surpresa sobre a idade dos fósseis. Em 2023, uma equipe liderada pelo paleontólogo Chris Stringer estimou, por meio de isótopos de urânio, que os ossos tinham aproximadamente 160 mil anos. A nova datação por radiocarbono, no entanto, aponta para uma idade muito mais recente, cerca de 45 mil anos.

Se a estimativa estiver correta, os restos estão entre os denisovanos mais jovens já datados com segurança. A descoberta também preenche uma lacuna no registro fóssil do grupo, situando esses indivíduos em uma época e região em que provavelmente tiveram contato e, possivelmente, se miscigenaram com membros da espécie Homo sapiens que se espalhavam pela Ásia.
Os denisovanos se separaram da linhagem que deu origem aos neandertais há cerca de 550 mil anos e viveram em diferentes partes da Ásia, da Sibéria ao Tibete e à China, até aproximadamente 40 mil a 30 mil anos atrás. Embora seus fósseis sejam raros, algumas populações humanas atuais carregam DNA herdado deles, evidência de que os dois grupos tiveram encontros e cruzamentos no passado. Agora, os pesquisadores esperam que os fósseis de Penghu ainda possam revelar outras pistas sobre esses parentes humanos.  </description>  <media:content url="https://s2-galileu.glbimg.com/RzdjcokXEUdzd3o3uy0eEtB7RUQ=/i.s3.glbimg.com/v1/AUTH_fde5cd494fb04473a83fa5fd57ad4542/internal_photos/bs/2026/4/b/ZqBijzT9Sco5Xx1ko1aQ/captura-de-tela-2026-08-19-140654.png" medium="image"/>   <media:description>Ossos do fêmur (acima) e da tíbia (abaixo) adquiridos por pesquisadores em 2010</media:description>   <media:credit>bioRxiv</media:credit>  <category>galileu</category> <pubDate>Wed, 19 Aug 2026 19:00:32 -0000</pubDate>  </item>  <item> <title>Urso entra em casa de mulher nos EUA e come frango frito; vídeo</title>  <atom:subtitle>Animal invadiu a residência enquanto moradora dormia e quebrou mesa de vidro onde estava o alimento. Assista</atom:subtitle>  <link>https://revistagalileu.globo.com/sociedade/curiosidade/noticia/2026/08/urso-entra-em-casa-de-mulher-nos-eua-e-come-frango-frito-video.ghtml</link> <guid isPermaLink="true">https://revistagalileu.globo.com/sociedade/curiosidade/noticia/2026/08/urso-entra-em-casa-de-mulher-nos-eua-e-come-frango-frito-video.ghtml</guid> <description>  <![CDATA[ <img src="https://s2-galileu.glbimg.com/e3YiZ-Hgb6HhWlJ7yyKCrnGUXi8=/i.s3.glbimg.com/v1/AUTH_fde5cd494fb04473a83fa5fd57ad4542/internal_photos/bs/2026/E/f/g7naKkRiWwQj2vVqdKVg/urso-invadiu.jpg" /><br /> ]]>    Um urso negro (Ursus americanus) entrou pela porta da frente da casa de uma mulher no estado do Kentucky, nos Estados Unidos, devorou sobras de frango frito e quebrou uma mesa de vidro — tudo isso enquanto ela dormia. O acontecimento inusitado foi relatado pela moradora em 15 de agosto ao canal televisivo FOX 56 News (WDKY). 
Kendra North, que se descreve como uma pessoa de sono pesado, disse às autoridades que não ouviu absolutamente nada enquanto o urso invadia sua casa. "Minha irmã começou a me ligar lá pelas cinco da manhã", lembrou North. "Recusei pelo menos duas vezes, e ela continuou ligando."
Eventualmente, ela desconfiou que algo poderia estar errado e decidiu atender o telefone. "Eu atendi a ligação e ela disse: 'Cara, tem um urso. Ele acabou de sair da sua casa e desceu as escadas. Ele veio e olhou para mim, bem nos olhos, do meu lado do quintal'", recorda. 
Invasor inesperado 
O urso, que teve seu peso estimado entre 270 e 320 kg, adentrou a casa de North e comeu restos de seu pedido da rede de fast food KFC (popular rede especializada em frango frito) que estavam sobre a mesa. "Minha mesa é de vidro bem grosso, e ela se estilhaçou completamente", disse. A irmã da moradora ouviu o móvel quebrar e pensou que um carro tivesse batido do lado de fora.
Acontece que North e seu companheiro haviam deixado a porta da frente aberta para a circulação de ar e esqueceram de fechá-la antes de irem dormir. O urso se aproveitou da situação para entrar em busca de comida. Veja no vídeo: 
Não foi a única vez que um urso invadiu a residência. Dois dias depois, North voltou a se deparar com um dos animais em sua varanda, enquanto preparava sanduíches de carne.
Problema recorrente
John Hast, coordenador do programa de ursos do Departamento de Pesca e Vida Selvagem do Kentucky, explicou à FOX 56 News (WDKY) que algumas medidas simples podem ajudar a evitar a aproximação dos animais. O problema principal envolve o lixo produzido pelos moradores.
 “Se você guarda ração para animais de estimação ou alimenta seus cachorros do lado de fora, pense nisso”, disse. “Certifique-se de não deixar nada na varanda, para que o urso não consiga entrar e encontrar uma refeição fácil.” Hast também recomenda que os moradores fiquem atentos a outras possíveis fontes de alimento quando houver relatos de ursos nas proximidades. “Se você recebeu relatos de ursos bem perto de casa, pense em onde está o seu lixo”, afirmou.
O encontro com o enorme mamífero serve agora como um lembrete para North redobrar os cuidados. Apesar do susto, a moradora não esconde o que mais lamentou após a visita inesperada: “Estou um pouco triste por causa do meu KFC”, brincou.  </description>  <media:content url="https://s2-galileu.glbimg.com/e3YiZ-Hgb6HhWlJ7yyKCrnGUXi8=/i.s3.glbimg.com/v1/AUTH_fde5cd494fb04473a83fa5fd57ad4542/internal_photos/bs/2026/E/f/g7naKkRiWwQj2vVqdKVg/urso-invadiu.jpg" medium="image"/>   <media:description>Urso invadiu casa de mulher nos Estados Unidos e se alimentou de frango frito</media:description>   <media:credit>FOX 56 News/YouTube</media:credit>  <category>galileu</category> <pubDate>Wed, 19 Aug 2026 16:17:07 -0000</pubDate>  </item>  <item> <title>Foguete de empresa de Elon Musk é resgatado 24 dias após cair no mar; fotos</title>  <atom:subtitle>Operação da SpaceX foi atrasada pelas condições do Oceano Índico, enquanto moradores da Ilha Christmas acompanharam de perto a retirada da estrutura</atom:subtitle>  <link>https://revistagalileu.globo.com/ciencia/espaco/noticia/2026/08/foguete-de-empresa-de-elon-musk-e-resgatado-24-dias-apos-cair-no-mar-fotos.ghtml</link> <guid isPermaLink="true">https://revistagalileu.globo.com/ciencia/espaco/noticia/2026/08/foguete-de-empresa-de-elon-musk-e-resgatado-24-dias-apos-cair-no-mar-fotos.ghtml</guid> <description>  <![CDATA[ <img src="https://s2-galileu.glbimg.com/7WMFrL4O4iB6YmpZ42u90ruuoG4=/i.s3.glbimg.com/v1/AUTH_fde5cd494fb04473a83fa5fd57ad4542/internal_photos/bs/2026/z/M/w2KdvBRN2mQp7miYXupw/hqanfrpwoaevbl-.jpeg" /><br /> ]]>    A SpaceX, empresa de exploração espacial de Elon Musk, recuperou um foguete que permaneceu por cerca de 24 dias no Oceano Índico, próximo à Ilha Christmas, território australiano situado a aproximadamente 1.500 km da costa da Austrália Ocidental. A informação foi divulgada pela ABC News, com base em dados fornecidos pela empresa e em relatos de moradores e especialistas. 
O veículo da SpaceX, identificado como Ship 40, tem cerca de 52 metros de comprimento e foi lançado em direção ao espaço no dia 24 de julho, a partir da Starbase, instalação da empresa no Texas (EUA). Depois de completar sua missão, ele fez um pouso controlado nas águas próximas à ilha. 
A presença da estrutura no litoral da Ilha Christmas chamou a atenção dos moradores, que acompanharam a operação a partir de diferentes pontos da região. Alguns, inclusive, chegaram a sair de barco pela região para observar o equipamento mais de perto.  
Foguete de empresa de Elon Musk é resgatado após 24 dias no mar
Recuperação do equipamento 
Toda a operação de recuperação foi coordenada pela SpaceX em conjunto com o governo federal australiano. O trabalho, porém, foi dificultado pelo mar agitado. Após ser retirado da área de mar aberto, o foguete foi rebocado para águas mais tranquilas. 
Após aproximadamente 24 dias no mar, a equipe de Recuperação da SpaceX guiou com sucesso a Starship para uma localização próxima à costa
Reprodução/X (@SpaceX)
Após a recuperação, a SpaceX afirmou, em sua conta na rede social X, que a equipe havia levado a Starship para uma área próxima à costa da Ilha Christmas. A empresa informou ainda que engenheiros seguiriam até o local para fazer análises adicionais. 
Problema do lixo espacial 
O resgate ocorre em meio a uma discussão maior sobre o crescimento da quantidade de objetos enviados ao espaço e os impactos de sua permanência fora da Terra ou mesmo de seu retorno. Diversos estudos projetam que, no futuro, cada vez mais deverão crescer as preocupações com quedas de lixo espacial na atmosfera do planeta. 

Na Austrália, episódios desse tipo já ocorreram, inclusive. Em julho, por exemplo, grandes objetos metálicos apelidados de "bolas espaciais" foram encontrados em uma praia no norte de Queensland. A Agência Espacial Australiana informou que os materiais provavelmente estavam relacionados a uma espaçonave usada em um lançamento.  
Da mesma forma, em outubro do ano passado, outros detritos foram encontrados perto de uma área de mineração em Newman, no norte da Austrália Ocidental. Segundo as investigações, esses eram possivelmente provenientes de um foguete chinês.  </description>  <media:content url="https://s2-galileu.glbimg.com/7WMFrL4O4iB6YmpZ42u90ruuoG4=/i.s3.glbimg.com/v1/AUTH_fde5cd494fb04473a83fa5fd57ad4542/internal_photos/bs/2026/z/M/w2KdvBRN2mQp7miYXupw/hqanfrpwoaevbl-.jpeg" medium="image"/>   <media:description>O mar agitado atrasou a operação de recuperação do foguete</media:description>   <media:credit>Reprodução/X (@SpaceX)</media:credit>  <category>galileu</category> <pubDate>Wed, 19 Aug 2026 15:59:47 -0000</pubDate>  </item>  <item> <title>Esta roupa está molhada ou apenas fria? Entenda por que você não consegue ver a diferença</title>  <atom:subtitle>Entenda o mecanismo fisiológico que explica por que é tão difícil entender se sua toalha no varal está molhada ou não</atom:subtitle>  <link>https://revistagalileu.globo.com/colunistas/the-conversation/coluna/2026/08/esta-roupa-esta-molhada-ou-apenas-fria-entenda-por-que-voce-nao-consegue-ver-a-diferenca.ghtml</link> <guid isPermaLink="true">https://revistagalileu.globo.com/colunistas/the-conversation/coluna/2026/08/esta-roupa-esta-molhada-ou-apenas-fria-entenda-por-que-voce-nao-consegue-ver-a-diferenca.ghtml</guid> <description>  <![CDATA[ <img src="https://s2-galileu.glbimg.com/ZZUrhMG9KpkQbBjqZh20LHQMJXU=/i.s3.glbimg.com/v1/AUTH_fde5cd494fb04473a83fa5fd57ad4542/internal_photos/bs/2026/P/k/qKBu25Tk29AUTSGz0Hxw/pexels-glauco-de-souza-santos-1729937151-27989893.jpg" /><br /> ]]>    É uma tarde fria de inverno, e você acabou de recolher a roupa do varal. De repente, você para. Será que estas roupas estão um pouco úmidas?
No cesto de roupa suja, sua mão consegue distinguir claramente as texturas de camisas de seda, blusas de lã e lençóis de algodão. Então, por que é tão difícil saber se a roupa está fria e úmida ou apenas fria?
Uma suposição plausível seria a de que nossas mãos estão dormentes devido ao frio, o que dificultaria a detecção da umidade. A realidade, porém, é menos intuitiva: os seres humanos simplesmente não possuem sensores especializados que respondam à "umidade".
É isso mesmo: sua pele, por si só, não consegue detectar se algo está úmido ou não.
Como sabemos se algo está molhado?
Nossa capacidade de captar informações sobre o ambiente externo começa nas terminações das células nervosas da nossa pele.
Existem moléculas especializadas na superfície dessas células nervosas, chamadas receptores sensoriais. Elas convertem informações do ambiente em um sinal biológico, que é amplificado em um impulso elétrico e transmitido ao longo das células nervosas até o cérebro.
Há inúmeros receptores sensoriais nas células nervosas que são ativados pelo frio, pelo calor ou por temperaturas elevadas a ponto de causar danos. Existem também receptores sensoriais que respondem a informações táteis precisas, como vibração, atrito ou estiramento.
Quando você coloca a mão em um cesto de roupa suja, todas as informações sobre temperatura e textura provêm dos receptores sensoriais correspondentes em sua mão.
Os sinais elétricos desencadeados por esses múltiplos estímulos também podem ser integrados no sistema nervoso central, incluindo o cérebro. Dessa forma, conseguimos formar uma percepção extraordinariamente rica em nuances do nosso ambiente.
É assim que surge a nossa sensação de algo estar molhado. Ela resulta da combinação de estímulos dos receptores de frio e de atrito, refinada pela associação com experiências anteriores.
Isso significa que nosso cérebro consegue detectar a umidade sem precisar de um receptor sensorial específico ativado pela presença de água. Basta um conjunto de estímulos sensoriais relacionados que, em conjunto, sejam compatíveis com o nosso conceito de "molhado".
Essa integração de informações estende-se até mesmo aos nossos outros sentidos (a aparência, o cheiro e o som do material) e utiliza o contexto relacionado (como "está chovendo agora?", por exemplo) para embasar nossa avaliação subconsciente sobre se algo está molhado.
Não é um sistema perfeito.
A eficácia da integração sensorial depende da qualidade das informações recebidas. Pode ser difícil perceber se as roupas estão úmidas em condições de frio, pois tanto o frio quanto a umidade ativam nossos receptores de frio.
Da mesma forma, em climas quentes, é muito mais fácil notar quando a pele ou as roupas estão úmidas, já que a evaporação provoca tanto um resfriamento local quanto uma leve alteração na pressão sobre a pele.
No entanto, podemos enfrentar desafios semelhantes ao tentar detectar a umidade em um ambiente aquecido. Experimente fechar os olhos durante um banho quente e ficar imóvel. Sem a evaporação ou o resfriamento decorrentes do contato da água com a pele submersa, pode ser difícil perceber conscientemente que essas partes estão molhadas — pelo menos até você tirar o braço da água e a pele esfriar à medida que a água evapora.
O fato de não possuirmos receptores específicos para a umidade não significa que nossa percepção de estar molhado seja uma ilusão criada pelo cérebro. A integração sensorial nos permite perceber uma característica consistente e tangível dos objetos.
Embora esse sentido possa, às vezes, não ser totalmente preciso, nossa percepção de umidade não é de todo pouco confiável. Pelo contrário: a precisão com que navegamos pelo ambiente, combinando informações de diferentes receptores sensoriais, é, francamente, impressionante.
Existe uma maneira de ajudar o seu cérebro.
Da próxima vez que estiver tentando descobrir se a roupa está úmida ou apenas fria, você pode experimentar algumas destas dicas.
Ajude o seu cérebro acrescentando mais contexto aos sinais recebidos pelas terminações nervosas da sua mão. Apertar ou esfregar a roupa para gerar mais atrito pode intensificar as informações mecânicas que influenciam nossa capacidade de detectar a umidade.
Você também pode tentar usar informações visuais — como variações na cor do tecido ao esticá-lo levemente — para adicionar um novo contexto sensorial.
Ou então, mudar a sensação de "frio e úmido" para "quente e úmido" — aquecendo uma pequena parte do material com um secador de cabelo (ou com o próprio hálito) — tornará muito mais fácil saber se a roupa está seca ou se você precisa estendê-la novamente.
Este artigo foi escrito em inglês e publicado originalmente no site The Conversation. A autoria é de Kate Poole, professora Associada de Fisiologia da Universidade de Nova Gales do Sul (Austrália) e Felix Aplin, professor do departamento de Fisiologia e Unidade de Neurociência Translacional, da Escola de Ciências Biomédicas da Universidade de Nova Gales do Sul.  </description>  <media:content url="https://s2-galileu.glbimg.com/ZZUrhMG9KpkQbBjqZh20LHQMJXU=/i.s3.glbimg.com/v1/AUTH_fde5cd494fb04473a83fa5fd57ad4542/internal_photos/bs/2026/P/k/qKBu25Tk29AUTSGz0Hxw/pexels-glauco-de-souza-santos-1729937151-27989893.jpg" medium="image"/>   <media:description>Úmido ou apenas frio? Entenda por que nosso cérebro nem sempre consegue responder essa dúvida</media:description>   <media:credit>Glauco de Souza Santos/Pexels</media:credit>  <category>galileu</category> <pubDate>Wed, 19 Aug 2026 15:54:51 -0000</pubDate>  </item>  <item> <title>Cobra surpreende família ao aparecer em carro em movimento nos EUA; vídeo</title>  <atom:subtitle>A presença de ratos ou ninhos de aves pode ter levado o réptil a se esconder no compartimento do motor</atom:subtitle>  <link>https://revistagalileu.globo.com/sociedade/curiosidade/noticia/2026/08/cobra-surpreende-familia-ao-aparecer-em-carro-em-movimento-nos-eua-video.ghtml</link> <guid isPermaLink="true">https://revistagalileu.globo.com/sociedade/curiosidade/noticia/2026/08/cobra-surpreende-familia-ao-aparecer-em-carro-em-movimento-nos-eua-video.ghtml</guid> <description>  <![CDATA[ <img src="https://s2-galileu.glbimg.com/m5acJuoQ8vCp8BGXF5Zy4GULhTU=/i.s3.glbimg.com/v1/AUTH_fde5cd494fb04473a83fa5fd57ad4542/internal_photos/bs/2026/P/s/KJAZtjQXOmzaeTMfKj5A/bb6e4a5689acc0f10c2df5a74bc45132.jpeg" /><br /> ]]>    Uma família do Tennessee, nos Estados Unidos, levou um susto durante um trajeto de carro quando uma cobra de aproximadamente 1,5 metro surgiu debaixo do capô e rastejou pela região do para-brisa enquanto o veículo ainda estava em movimento. O episódio ocorreu na Callis Road, perto de Lebanon, e foi registrado em vídeo pela própria motorista do veículo, Analissa Hensley. 
Hensley conta à WKRN que, na hora do encontro com o animal, estava com a família a caminho de Mt. Juliet para comprar equipamentos de futebol para a filha. Foi o seu marido quem primeiro percebeu a presença da serpente. Enquanto tentava encostar o carro no acostamento, a motorista viu a cobra se enrolar e cair em direção à estrada. Apesar do susto, o animal não atacou a família. Veja o registro no vídeo abaixo:
Refúgio dentro do carro 
Também em entrevista à WKRN, a bióloga Mallory Tate, da Agência de Recursos da Vida Selvagem do Tennessee, identificou pelas marcas vistas no vídeo que se tratava de uma cobra-rato-cinzenta. A espécie é bastante comum no estado do Tennessee e não apresenta veneno. 
A especialista aponta que a presença da cobra no carro pode estar relacionada à busca por alimento. Esses animais têm boa capacidade de detectar odores e costumam seguir o cheiro de pequenos mamíferos e aves. Se o veículo tivesse um ninho de pássaros ou mesmo de ratos, isso tenha chamado a atenção da serpente. 
Para além da oferta de alimento, o próprio carro pode proporcionar condições favoráveis para o réptil. Como o compartimento do motor é quente, protegido e possui espaços estreitos, ele parece um ambiente perfeito para o animal se esconder.  
Vale lembrar que as cobras são ectotérmicas, ou seja, dependem de fontes externas de calor para regular a temperatura do corpo. Por isso, áreas aquecidas, como a parte interna do motor, podem se tornar abrigos atraentes. 
Como evitar a presença de animais? 
De acordo com Tate, a melhor maneira de reduzir a possibilidade de encontrar uma cobra no veículo é eliminar aquilo que pode atraí-la. Manter o interior do carro limpo, sem restos de comida, embalagens ou lixo, ajuda a evitar a presença de roedores. 
A bióloga também recomenda não manter pilhas de madeira próximas de casa ou da garagem, já que esses locais podem servir de abrigo para ratos e cobras. Outra medida simples é verificar o compartimento do motor antes de viagens, principalmente quando o carro fica estacionado ao ar livre, em áreas rurais ou próximas a árvores. 

Embora o encontro tenha causado apreensão, Tate ressalta que a cobra-rato-cinzenta não oferece, em geral, risco de envenenamento às pessoas. Pelo contrário, a espécie pode ser útil no controle de populações de roedores. 
“Elas não são venenosas, não são perigosas para você, seus filhos, seus animais de estimação”, afirma a especialista. “Elas não querem nada com você. Assim como a maioria das pessoas não quer ter nada a ver com elas.”  </description>  <media:content url="https://s2-galileu.glbimg.com/m5acJuoQ8vCp8BGXF5Zy4GULhTU=/i.s3.glbimg.com/v1/AUTH_fde5cd494fb04473a83fa5fd57ad4542/internal_photos/bs/2026/P/s/KJAZtjQXOmzaeTMfKj5A/bb6e4a5689acc0f10c2df5a74bc45132.jpeg" medium="image"/>   <media:description>Uma cobra sai rastejando do capô de um carro no Tennessee</media:description>   <media:credit>WKRN News 2</media:credit>  <category>galileu</category> <pubDate>Wed, 19 Aug 2026 15:07:37 -0000</pubDate>  </item>  <item> <title>Projeto vai mudar rota de aviões para tentar frear aquecimento global</title>  <atom:subtitle>Teste no Atlântico Norte usará IA para orientar pequenos ajustes de altitude e evitar a formação de rastros de condensação que contribuem para as mudanças climáticas</atom:subtitle>  <link>https://revistagalileu.globo.com/ciencia/meio-ambiente/noticia/2026/08/projeto-vai-mudar-rota-de-avioes-para-tentar-frear-aquecimento-global.ghtml</link> <guid isPermaLink="true">https://revistagalileu.globo.com/ciencia/meio-ambiente/noticia/2026/08/projeto-vai-mudar-rota-de-avioes-para-tentar-frear-aquecimento-global.ghtml</guid> <description>  <![CDATA[ <img src="https://s2-galileu.glbimg.com/GBJEctSCHi8pRXCXsmTy0tOE008=/i.s3.glbimg.com/v1/AUTH_fde5cd494fb04473a83fa5fd57ad4542/internal_photos/bs/2026/f/Y/TW1reVSGGKqdTUWuXD5w/pexels-glacika67-31129390.jpg" /><br /> ]]>    Uma iniciativa liderada pelo Reino Unido vai testar, pela primeira vez, mudanças nas rotas de aviões para reduzir a formação de rastros de condensação — as linhas brancas deixadas por aeronaves no céu — e, com isso, diminuir o impacto climático da aviação. O programa, chamado Operação Blue Skies, utilizará previsões produzidas por IA (inteligência artificial) para identificar áreas da atmosfera onde esses rastros têm maior probabilidade de se formarem e, assim, orientar as aeronaves a fazerem pequenos ajustes de altitude. 
Os testes serão realizados no espaço aéreo de Shanwick, controlado pelo NATS, o serviço de controle de tráfego aéreo do Reino Unido, na porção leste do corredor do Atlântico Norte. A primeira fase está prevista para ocorrer já neste ano, a partir de novembro, e haverá uma segunda rodada a ser iniciada em novembro de 2027. A iniciativa conta com um orçamento robusto de £ 5 milhões (cerca de R$ 35 milhões, na cotação atual). 
Rastros de condensação aquecem o planeta 
Os rastros de condensação, conhecidos em inglês como contrails, surgem quando o vapor de água presente nos gases de escapamento dos motores a jato entra em contato com o ar muito frio e úmido das camadas superiores da atmosfera. O vapor se condensa e congela em torno de partículas emitidas pelos motores, formando cristais de gelo que podem permanecer no céu por horas. 
Tais formações têm efeitos diferentes sobre o clima. Durante o dia, podem refletir parte da radiação solar de volta para o espaço, produzindo algum resfriamento. Ao mesmo tempo, porém, também ajudam a reter o calor que seria dissipado para o espaço. No balanço geral, os rastros persistentes são considerados responsáveis por cerca de um terço do impacto climático da aviação. 
É justamente esse efeito que a Operação Blue Skies pretende reduzir. Segundo a modelagem utilizada no projeto, o espaço aéreo de Shanwick responde por aproximadamente 5% do aquecimento global relacionado aos rastros de condensação, e uma parcela significativa desse impacto ocorre no inverno do Hemisfério Norte, entre os meses de novembro e fevereiro. 
Aviões poderão mudar de altitude em até 600 metros 
Na prática, os controladores de tráfego aéreo poderão instruir algumas aeronaves a fazer pequenos ajustes de altitude para evitar regiões da atmosfera consideradas favoráveis à formação de rastros persistentes. Como destaca a revista New Scientist, essas mudanças poderão chegar a 600 metros, ou 2 mil pés. 
Essas orientações serão dadas pelos mesmos canais e procedimentos já utilizados no controle do tráfego aéreo. O acompanhamento poderá, inclusive, ajudar os pilotos a evitarem turbulência e outras condições meteorológicas adversas. 
A proposta não é redesenhar completamente os voos, mas fazer desvios pontuais dentro das operações normais. Os testes ocorrerão principalmente durante períodos de menor movimento e deverão somar 20 a 40 dias de operação em cada inverno, entre as temporadas 2026-2027 e 2027-2028. 
IA na previsão de rastros 
Estima-se que 10 mil voos deverão atravessar a área durante cada período de testes. Centenas deles precisarão ser redirecionados para que os pesquisadores tenham uma quantidade de dados suficiente para medir os resultados. Por isso, para decidir quais aeronaves precisam alterar a trajetória, o projeto contará com modelos de inteligência artificial desenvolvidos pelo Google.  
As ferramentas analisarão as condições atmosféricas e tentarão prever onde haverá maior probabilidade de formação de rastros persistentes. A lógica é relativamente simples: em vez de tentar eliminar os rastros depois que aparecem, a estratégia procura impedir sua formação ao evitar determinadas regiões da atmosfera. 
“Podemos prever as regiões que irão formar rastros de condensação persistentes que contribuem para o aquecimento global e podemos redirecionar os aviões para evitá-las”, afirma Marc Shapiro, porta-voz da Contrails.org, uma organização de pesquisa que participa do projeto, durante uma coletiva de imprensa em 17 de agosto. 
O projeto dá continuidade a testes anteriores das previsões de rastros feitas por inteligência artificial do Google. Nessas experiências, as informações foram usadas antes da decolagem e também no planejamento das rotas. A expectativa agora é verificar se a tecnologia funciona de forma coordenada em um espaço aéreo inteiro. 
Menos aquecimento, mesmo com algum combustível extra 
Uma das principais questões do experimento será descobrir se o benefício climático de evitar os rastros supera o aumento das emissões causado por eventuais mudanças de rota. Vale lembrar que alguns aviões poderão precisar consumir cerca de 100 kg adicionais de combustível ao atravessar a região devido aos desvios.  
Isso representa algumas centenas de quilos extras de dióxido de carbono (CO₂) por voo. Ainda assim, os especialistas responsáveis pelo projeto sugerem que o efeito climático dos rastros evitados pode ser muito maior. Estudos anteriores indicam que redirecionar uma aeronave pode reduzir a formação de rastros em 50% a 60%. A operação em escala maior permitirá testar se esse potencial se confirma em condições reais. 

A principal novidade da Operação Blue Skies é justamente a escala. Em experiências anteriores, as previsões de formação de rastros foram usadas para orientar voos individuais ou planejamentos antes da partida. Agora, as instruções serão aplicadas diretamente no tráfego de uma região inteira. Com isso, as companhias aéreas que estiverem operando na área de teste não poderão simplesmente optar por não participar, o que permitirá aos pesquisadores medirem o efeito da estratégia em uma situação próxima da operação cotidiana. 
“Esta é uma iniciativa inédita no mundo, e é a engenhosidade britânica que está na vanguarda”, destaca Keir Mather, ministro da Aviação, Assuntos Marítimos e Transporte de Carga do Reino Unido, em comunicado. Para ele, testar alterações nas rotas sobre o Atlântico pode contribuir para reduzir os rastros deixados pelos aviões e, ao mesmo tempo, estimular inovação e empregos no setor.  </description>  <media:content url="https://s2-galileu.glbimg.com/GBJEctSCHi8pRXCXsmTy0tOE008=/i.s3.glbimg.com/v1/AUTH_fde5cd494fb04473a83fa5fd57ad4542/internal_photos/bs/2026/f/Y/TW1reVSGGKqdTUWuXD5w/pexels-glacika67-31129390.jpg" medium="image"/>   <media:description>Os rastros de condensação são responsáveis ​​por grande parte do efeito de aquecimento global gerado pelos aviões</media:description>   <media:credit>Pexels</media:credit>  <category>galileu</category> <pubDate>Wed, 19 Aug 2026 13:19:38 -0000</pubDate>  </item>  <item> <title>O mineral que pode proteger contra a demência na velhice, segundo este estudo</title>  <atom:subtitle>Pesquisa de Harvard sugere que o lítio presente naturalmente no cérebro pode ter papel importante na proteção contra o envelhecimento cerebral e a doença de Alzheimer</atom:subtitle>  <link>https://revistagalileu.globo.com/saude/noticia/2026/08/o-mineral-que-pode-proteger-contra-a-demencia-na-velhice-segundo-este-estudo.ghtml</link> <guid isPermaLink="true">https://revistagalileu.globo.com/saude/noticia/2026/08/o-mineral-que-pode-proteger-contra-a-demencia-na-velhice-segundo-este-estudo.ghtml</guid> <description>  <![CDATA[ <img src="https://s2-galileu.glbimg.com/En7N2AkEYwLakaDjLx4K-r68wWk=/i.s3.glbimg.com/v1/AUTH_fde5cd494fb04473a83fa5fd57ad4542/internal_photos/bs/2026/T/c/3iiBMUTgqYdmKDCgr8Nw/man-outdoor-person-people-old-male-1172402-pxhere.com.jpg" /><br /> ]]>    Por que algumas pessoas desenvolvem Alzheimer enquanto outras, mesmo com alterações semelhantes no cérebro, permanecem cognitivamente saudáveis? Uma nova pesquisa da Escola de Medicina da Universidade Harvard, nos Estados Unidos, aponta uma possível peça desse quebra-cabeça: o lítio.
Publicado em 6 de agosto na revista Nature, o estudo sugere pela primeira vez que o mineral ocorre naturalmente no cérebro e desempenha um papel importante no funcionamento das células cerebrais. Os pesquisadores também descobriram que os níveis de lítio diminuem nos estágios iniciais do Alzheimer e que essa redução pode contribuir para o avanço da doença.
A pesquisa foi realizada ao longo de dez anos e combinou análises de tecidos cerebrais humanos, amostras de sangue e experimentos com camundongos.
Como o lítio está ligado ao Alzheimer?
Para investigar a relação entre o mineral e a doença, os cientistas analisaram cerca de 30 metais presentes no cérebro e no sangue de pessoas cognitivamente saudáveis, com comprometimento cognitivo leve ou com Alzheimer avançado.
O lítio foi o único que apresentou mudanças marcantes nos diferentes grupos. Pessoas cognitivamente saudáveis tinham níveis mais altos do mineral no cérebro, enquanto os níveis diminuíam significativamente em indivíduos com comprometimento cognitivo leve ou Alzheimer avançado. 
Os pesquisadores descobriram ainda que, nos estágios iniciais da doença, o lítio se liga às placas formadas pela proteína beta-amiloide. Esse processo reduz a quantidade do mineral disponível para exercer suas funções no cérebro.
A equipe replicou suas descobertas em amostras obtidas de diversos bancos de cérebros em todo os Estados Unidos. Os resultados corroboraram estudos populacionais anteriores que mostraram que níveis mais elevados de lítio no ambiente, incluindo na água potável, estavam associados a menores taxas de demência.
Na parte de cima: em camundongos com Alzheimer, a falta de lítio aumentou muito o acúmulo da proteína beta-amiloide no cérebro. Na parte de baixo: o mesmo aconteceu com a proteína tau, que forma os chamados emaranhados associados ao Alzheimer.
Laboratório Yankner
A falta de lítio acelerou o Alzheimer em camundongos
Os pesquisadores também reduziram a quantidade de lítio na alimentação de camundongos saudáveis. Como consequência, os animais apresentaram níveis cerebrais do mineral semelhantes aos observados em pessoas com Alzheimer.
A deficiência foi associada a inflamação no cérebro, perda de conexões entre neurônios e alterações relacionadas ao envelhecimento cerebral. Em modelos de Alzheimer, a redução do lítio acelerou a formação de placas beta-amiloides e estruturas relacionadas à proteína tau. Os animais também apresentaram perda de memória e danos em estruturas importantes dos neurônios, como sinapses, axônios e mielina.
O tratamento de camundongos com orotato de lítio, um composto que evita a formação de amiloide (fileira superior), reduziu os níveis de beta-amiloide (esquerda) e tau (direita) de forma muito mais eficaz do que o carbonato de lítio (fileira inferior).
Laboratório Yankner
Na etapa seguinte, os pesquisadores testaram diferentes compostos de lítio. O objetivo era encontrar uma substância que não fosse facilmente capturada pelas placas beta-amiloides.
O composto que apresentou os melhores resultados foi o orotato de lítio. Em camundongos, o tratamento reduziu alterações associadas ao Alzheimer, protegeu células cerebrais e restaurou a memória, inclusive em animais mais velhos com doença avançada.
Os pesquisadores também observaram que o composto funcionou em uma dose muito menor do que as utilizadas normalmente com medicamentos à base de lítio. Os animais tratados durante quase toda a vida adulta não apresentaram sinais de toxicidade.
Ainda não é tratamento para humanos
Apesar dos resultados, a equipe ressalta que os experimentos foram realizados principalmente em animais e ainda precisam ser confirmados em humanos por meio de ensaios clínicos.
O lítio já é utilizado como medicamento em algumas condições psiquiátricas, mas em doses mais altas pode causar efeitos tóxicos, especialmente em pessoas idosas. Por isso, os pesquisadores não recomendam que pessoas tomem lítio ou orotato de lítio por conta própria para prevenir Alzheimer. “É preciso ter cuidado ao extrapolar resultados de modelos em ratos”, afirmou em comunicado Bruce Yankner, autor sênior do estudo.
Se os resultados forem confirmados em humanos, uma possibilidade futura seria usar a medição dos níveis de lítio como uma forma de identificar pessoas com maior risco de desenvolver a doença. Os pesquisadores também esperam testar compostos capazes de manter o lítio disponível no cérebro sem que ele seja capturado pelas placas amiloides.  </description>  <media:content url="https://s2-galileu.glbimg.com/En7N2AkEYwLakaDjLx4K-r68wWk=/i.s3.glbimg.com/v1/AUTH_fde5cd494fb04473a83fa5fd57ad4542/internal_photos/bs/2026/T/c/3iiBMUTgqYdmKDCgr8Nw/man-outdoor-person-people-old-male-1172402-pxhere.com.jpg" medium="image"/>   <media:description>Estudo analisou a função desempenhada pelo mineral lítio na tarefa de garantir o bom funcionamento do cérebro</media:description>   <media:credit>PxHere</media:credit>  <category>galileu</category> <pubDate>Tue, 18 Aug 2026 22:09:22 -0000</pubDate>  </item>  <item> <title>Por que cada vez mais gente está trocando o celular por “dumbphones”</title>  <atom:subtitle>Como aponta um novo estudo, usuários têm criado barreiras físicas e digitais para minimizar o uso e a dependência dos smartphones. Entenda de onde vem esse desejo de se desconectar</atom:subtitle>  <link>https://revistagalileu.globo.com/tecnologia/noticia/2026/08/por-que-cada-vez-mais-gente-esta-trocando-o-celular-por-dumbphones.ghtml</link> <guid isPermaLink="true">https://revistagalileu.globo.com/tecnologia/noticia/2026/08/por-que-cada-vez-mais-gente-esta-trocando-o-celular-por-dumbphones.ghtml</guid> <description>  <![CDATA[ <img src="https://s2-galileu.glbimg.com/wiNfIKRoxnd_LaNO6XIsDqOAwKw=/i.s3.glbimg.com/v1/AUTH_fde5cd494fb04473a83fa5fd57ad4542/internal_photos/bs/2026/o/w/UHNHSqR8Wb97VV3AWsXg/image1.png" /><br /> ]]>    Você, leitor da GALILEU, já deve estar cansado de saber que não é o hábito de acordar e começar a mexer no celular não faz bem pra você. Acontece que, justamente por ter essa consciência, muita gente tem tentado desapegar do aparelho ou, no mínimo, usá-lo menos.
É isso o que revela um novo estudo, publicado na revista científica M/C. Esse desejo de interromper a relação próxima que as pessoas desenvolveram com os seus smartphones tem sido acompanhado por um outro hábito: o consumo. Dessa vez, os gastos são mais específicos, ou melhor, focados em produtos retrô, como os antigos fios espirais usados nos telefones fixos. 
“À primeira vista, esses produtos podem parecer divertidos ou nostálgicos, mas também apontam para algo mais significativo. As pessoas parecem estar buscando maneiras práticas de interromper o hábito constante de pegar e interagir com seus telefones”, afirmou Jess Hardley, da Universidade Edith Cowan (Austrália), em comunicado.
Saindo das telas
O movimento de desconexão não é exclusivo de uma faixa etária. No Brasil – e em outros países como a própria Austrália – o distanciamento dos celulares já começou como medida legal entre os menores de idade, afinal, o governo aprovou a proibição do uso dos aparelhos em salas de aula.
Com base em mais de uma década de pesquisas com usuários de smartphones, Hardley descobriu que muitas pessoas estão, de fato, tentando criar uma distância física dos próprios aparelhos. Uma das participantes, por exemplo, contou à pesquisadora que chegou a trancar o celular em uma gaveta no trabalho porque os jogos haviam se tornado uma “obsessão” e estavam prejudicando sua concentração.
“O que me interessou não foi apenas o fato de as pessoas quererem usar menos os seus telefones”, explicou Hardley. Para ela, o curioso é que muitas vezes esse desejo se transforma em uma ação concreta: colocar o aparelho em outro cômodo, trancá-lo ou simplesmente dificultar o acesso a ele.

Essa tentativa de tornar o celular menos acessível, no entanto, não para por aí. O estudo identificou um interesse crescente por eventos sem celulares, restrições de aplicativos e configurações de tela que a deixam menos atraente. Até bolsas com trava para celulares, usadas em shows e outros eventos, entram nessa lista.
A popularidade de eventos sem celular, das chamadas “prisões de celular” e até mesmo de acessórios retrôs indica que, depois de anos tratando o smartphone como um objeto que deveria estar sempre por perto, algumas pessoas começaram a questionar essa relação. 
Para a pesquisadora, entender porquê adultos estão experimentando voluntariamente diferentes formas de se afastar dos smartphones pode ajudar a explicar uma mudança maior na maneira como a sociedade enxerga a tecnologia. Você pode ler mais sobre essa tendência nesta reportagem da GALILEU.  </description>  <media:content url="https://s2-galileu.glbimg.com/wiNfIKRoxnd_LaNO6XIsDqOAwKw=/i.s3.glbimg.com/v1/AUTH_fde5cd494fb04473a83fa5fd57ad4542/internal_photos/bs/2026/o/w/UHNHSqR8Wb97VV3AWsXg/image1.png" medium="image"/>   <media:description>Os chamados “dumbphones” são aparelhos que só fazem ligações e mandam SMS, sem acesso às redes sociais, jogos ou à internet rápida</media:description>   <media:credit>Flickr</media:credit>  <category>galileu</category> <pubDate>Tue, 18 Aug 2026 21:54:16 -0000</pubDate>  </item>  <item> <title>4 pinturas da Renascença são saqueadas de museu durante festival na Itália</title>  <atom:subtitle>Ladrões aproveitaram a multidão durante uma tradicional procissão religiosa em Messina, na Sicília, para levar obras de Antonello da Messina</atom:subtitle>  <link>https://revistagalileu.globo.com/cultura/noticia/2026/08/4-pinturas-da-renascenca-sao-saqueadas-de-museu-durante-festival-na-italia.ghtml</link> <guid isPermaLink="true">https://revistagalileu.globo.com/cultura/noticia/2026/08/4-pinturas-da-renascenca-sao-saqueadas-de-museu-durante-festival-na-italia.ghtml</guid> <description>  <![CDATA[ <img src="https://s2-galileu.glbimg.com/6A8gbzX5m6fb_rIGP1PCAs7z66k=/i.s3.glbimg.com/v1/AUTH_fde5cd494fb04473a83fa5fd57ad4542/internal_photos/bs/2026/B/K/unQNJGRAuJ157xHGUncw/pintura.jpg" /><br /> ]]>    Quatro obras atribuídas ao pintor renascentista Antonello da Messina foram roubadas no último fim de semana do Museu Regional de Messina, na Sicília, Itália. Como destacou a Revista Smithsonian, o crime ocorreu enquanto dezenas de milhares de pessoas participavam da tradicional Procissão das Varas, um festival religioso que movimenta as ruas da cidade.
Os criminosos teriam aproveitado a grande concentração de pessoas como distração para entrar no museu sem acionar os sistemas de alarme. Entre as peças levadas estão três painéis do Políptico de São Gregório, retábulo produzido por Antonello em 1473. A obra originalmente era composta por seis painéis e representa a Virgem Maria e o menino Jesus, acompanhados por santos.
Nossa Senhora com o Menino Jesus ou do Rosário entre os Santos Gregório e Bento - Anjo Anunciando e Anunciação
Museu Regional de Messina
Os ladrões retiraram os cinco painéis que ainda permaneciam no museu e fugiram com três deles. Os outros dois foram encontrados do lado de fora, encostados em uma cerca, possivelmente abandonados durante a fuga.
Também foi roubada uma pequena pintura devocional de Antonello, conhecida como Tavoletta bifronte, que apresenta a Madona com o Menino Jesus de um lado e Cristo adulto do outro, acompanhado por um monge franciscano. Para chegar à obra, os criminosos quebraram uma vitrine.
“É uma perda extremamente grave e significativa”, disse Marisa Mercurio, diretora do museu, ao jornal britânico The Guardian. “Roubaram obras de enorme importância cultural, artística e simbólica, não só para Messina, mas para toda a Sicília. Tudo o que podemos fazer agora é esperar que sejam recuperadas o mais rápido possível.”
Obras têm importância histórica 
O roubo atinge duas das principais obras de Antonello que ainda permaneciam em sua cidade natal. O Políptico de São Gregório, pintado seis anos antes da morte do artista, em 1479, nunca havia deixado Messina.
O próprio retábulo já havia sofrido uma perda. Um de seus seis painéis originais foi destruído no terremoto de Messina de 1908, que devastou a cidade e matou milhares de pessoas.
Estima-se que apenas cerca de 40 obras de Antonello da Messina tenham sobrevivido até os dias atuais. Nascido em Messina por volta de 1430, o pintor é considerado um dos principais nomes do Renascimento no sul da Itália. “Antonello é o maior embaixador da nossa cidade porque tem Messina no nome”, afirmou Vincenzo Caruso, responsável pela área de cultura da cidade, ao The New York Times.
Antonello é tradicionalmente associado à introdução de técnicas e influências da pintura a óleo flamenca na Itália. Pesquisas mais recentes, porém, questionam essa interpretação. O artista provavelmente recebeu sua formação em Nápoles, onde teve contato com obras de pintores neerlandeses, como Jan van Eyck e Rogier van der Weyden.
Para a historiadora da arte Grazia Musolino, Antonello teve um papel fundamental ao aproximar duas tradições artísticas. O pintor “deu uma contribuição crucial ao Renascimento ao unificar dois aspectos muito importantes da arte renascentista: a obra dos artistas flamengos e a arte italiana”, afirmou ao Times.
A importância do artista também se refletiu no mercado de arte. No início deste ano, o governo italiano desembolsou US$ 14,9 milhões pela pintura Ecce Homo, de Antonello, pouco antes de a obra ser leiloada em Nova York. Já a pequena pintura devocional roubada do Museu Regional de Messina havia sido vendida em leilão em 2003 por cerca de US$ 410 mi (cerca de R$ 2,1 milhões).
O crime acontece poucos dias após a polícia italiana anunciar a recuperação de três obras roubadas em março da Fundação Magnani-Rocca, nos arredores de Parma. As pinturas, de Pierre-Auguste Renoir, Paul Cézanne e Henri Matisse, foram avaliadas juntas em mais de US$ 10 milhões (mais de R$ 52 milhões).  </description>  <media:content url="https://s2-galileu.glbimg.com/6A8gbzX5m6fb_rIGP1PCAs7z66k=/i.s3.glbimg.com/v1/AUTH_fde5cd494fb04473a83fa5fd57ad4542/internal_photos/bs/2026/B/K/unQNJGRAuJ157xHGUncw/pintura.jpg" medium="image"/>   <media:description>Ladrões roubaram três painéis (um dos quais está ilustrado à esquerda) do Políptico de São Gregório de Antonello da Messina . Também levaram uma pequena pintura devocional (vista à direita)</media:description>   <media:credit>Museu Regional de Messina</media:credit>  <category>galileu</category> <pubDate>Tue, 18 Aug 2026 21:36:34 -0000</pubDate>  </item>  <item> <title>Cientistas descobrem molécula liberada no exercício que fortalece músculos</title>  <atom:subtitle>Molécula produzida pelo organismo ajuda na adaptação muscular e pode, no futuro, contribuir para tratamentos contra fraqueza associada ao diabetes tipo 2</atom:subtitle>  <link>https://revistagalileu.globo.com/saude/noticia/2026/08/cientistas-descobrem-molecula-liberada-no-exercicio-que-fortalece-musculos.ghtml</link> <guid isPermaLink="true">https://revistagalileu.globo.com/saude/noticia/2026/08/cientistas-descobrem-molecula-liberada-no-exercicio-que-fortalece-musculos.ghtml</guid> <description>  <![CDATA[ <img src="https://s2-galileu.glbimg.com/mtM1S7sUbEzQraRECCujMOU1qfc=/i.s3.glbimg.com/v1/AUTH_fde5cd494fb04473a83fa5fd57ad4542/internal_photos/bs/2024/B/Z/p6HCvZTDq2S1VOtflAAw/pexels-daniel-reche-3601094.jpg" /><br /> ]]>    Uma molécula produzida naturalmente pelo organismo durante a prática de exercícios pode ser uma das responsáveis por fazer os músculos se fortalecerem e aumentarem a resistência. É o que aponta um novo estudo conduzido por pesquisadores da Universidade de Leeds, no Reino Unido.
O chamado ácido L-β-aminoisobutírico (L-BAIBA), é liberada pelos músculos durante a atividade física e funciona como um sinal que estimula alterações na estrutura e no metabolismo muscular. Segundo os pesquisadores, ela ajuda os músculos a se adaptarem ao exercício, tornando-os mais fortes, eficientes e resistentes à fadiga.
Os resultados foram publicados nesta terça-feira (18) na revista Nature Communications e indicam que a molécula também pode ter potencial terapêutico para combater danos musculares associados ao diabetes tipo 2.
O que acontece quando a molécula é administrada
Para entender o papel do L-BAIBA, os pesquisadores realizaram experimentos com camundongos. Os animais que receberam a molécula desenvolveram músculos maiores, melhor função muscular, maior resistência à fadiga e melhor desempenho físico do que aqueles que não foram tratados. A equipe também analisou animais com obesidade e diabetes tipo 2. Nesses modelos, o L-BAIBA ajudou a proteger os músculos contra a fraqueza e a disfunção associadas às condições.
O resultado é importante porque o diabetes tipo 2 pode estar relacionada à perda de massa e força muscular e a alterações no metabolismo dos músculos. Ao mesmo tempo, a fraqueza e a fadiga podem dificultar a prática de exercícios, que desempenham um papel importante no controle da doença.
“Esta pesquisa nos ajuda a compreender melhor como os músculos se adaptam ao exercício e identifica um novo alvo potencial para melhorar a saúde muscular”, afirmou Anna Morris, diretora adjunta de Estratégia de Pesquisa e Parcerias da Diabetes UK, em comunicado.
Uma “pílula do exercício”
A descoberta pode lembrar a ideia de uma espécie de “pílula do exercício”: um tratamento capaz de reproduzir no organismo alguns dos efeitos provocados pela atividade física. Mas os pesquisadores ressaltam que essa possibilidade ainda está distante. O estudo mostra que o L-BAIBA participa da resposta dos músculos ao exercício, mas ainda são necessárias novas pesquisas para determinar se a molécula poderá ser utilizada como tratamento em seres humanos.
Segundo Lee Roberts, professor de Fisiologia Molecular e Metabolismo da Universidade de Leeds e líder do estudo, aumentar os níveis de L-BAIBA poderia beneficiar pessoas que têm dificuldades para praticar atividades físicas. “Não podemos afirmar com certeza, mas é uma possibilidade”, disse o pesquisador à Newsweek.
A equipe considera que a molécula poderá, no futuro, ser investigada para condições caracterizadas por perda ou disfunção muscular. Entre as possibilidades mencionadas pelos pesquisadores estão o declínio muscular relacionado à idade, a insuficiência cardíaca e a caquexia (perda extrema de peso e enfraquecimento físico) associada ao câncer.
Um detalhe importante da descoberta é que os efeitos observados estão relacionados especificamente ao L-BAIBA, e não ao D-BAIBA, uma forma relacionada da molécula. Os pesquisadores identificaram o L-BAIBA como a versão envolvida em muitos dos efeitos de fortalecimento muscular observados nos experimentos com animais e em testes realizados em laboratório.
Além disso, os níveis de L-BAIBA no sangue de seres humanos estavam relacionados à aptidão aeróbica e aumentavam após sessões de exercícios de resistência e também depois de períodos mais longos de treinamento.
A molécula já havia sido investigada anteriormente por Roberts. Em 2014, um estudo liderado pelo pesquisador apontou efeitos benéficos da molécula sobre o metabolismo, incluindo o aumento da queima de gordura associada ao exercício. Atualmente, o L-BAIBA pode ser encontrado como suplemento nutricional. Os novos resultados ampliam essa compreensão ao mostrar que o L-BAIBA também está envolvido na maneira como os músculos se remodelam e respondem ao treinamento.
Exercício ainda é importante
Apesar do potencial terapêutico, os pesquisadores reforçam que, por enquanto, a atividade física continua sendo a melhor maneira de aumentar naturalmente a produção de L-BAIBA.

Segundo Roberts, exercícios aeróbicos e de resistência, como corrida, jogging e ciclismo, elevam os níveis da molécula. “A melhor maneira de aumentar o BAIBA é tentar praticar essas atividades com regularidade”, afirmou, à Newsweek.
Assim, a descoberta não significa que uma molécula já possa substituir a prática de exercícios. O que o estudo oferece é uma nova pista sobre um dos mecanismos responsáveis pelos benefícios da atividade física no organismo — e, futuramente, pode ajudar no desenvolvimento de tratamentos para pessoas que não conseguem se exercitar normalmente.  </description>  <media:content url="https://s2-galileu.glbimg.com/mtM1S7sUbEzQraRECCujMOU1qfc=/i.s3.glbimg.com/v1/AUTH_fde5cd494fb04473a83fa5fd57ad4542/internal_photos/bs/2024/B/Z/p6HCvZTDq2S1VOtflAAw/pexels-daniel-reche-3601094.jpg" medium="image"/>   <media:description>Pesquisadores apontam que exercícios aeróbicos e de resistência, como corrida, jogging e ciclismo, elevam os níveis da molécula L-BAIBA</media:description>   <media:credit>Pexels</media:credit>  <category>galileu</category> <pubDate>Tue, 18 Aug 2026 21:28:40 -0000</pubDate>  </item>  <item> <title>Como cientistas criaram clones fêmeas usando sangue de ratos machos</title>  <atom:subtitle>Técnica de edição genética retirou o cromossomo Y de embriões de camundongos e abriu uma possível nova frente para a reprodução e a conservação de espécies ameaçadas</atom:subtitle>  <link>https://revistagalileu.globo.com/sociedade/curiosidade/noticia/2026/08/como-cientistas-criaram-clones-femeas-usando-sangue-de-ratos-machos.ghtml</link> <guid isPermaLink="true">https://revistagalileu.globo.com/sociedade/curiosidade/noticia/2026/08/como-cientistas-criaram-clones-femeas-usando-sangue-de-ratos-machos.ghtml</guid> <description>  <![CDATA[ <img src="https://s2-galileu.glbimg.com/SeDiYQlWdFe8SzNOOE0p5U0STM8=/i.s3.glbimg.com/v1/AUTH_fde5cd494fb04473a83fa5fd57ad4542/internal_photos/bs/2026/c/E/hSM9WcSDyj5FEGKzcBjg/cloned-mice.jpeg" /><br /> ]]>    Cientistas no Japão conseguiram, pela primeira vez, transformar embriões de camundongos machos em fêmeas ao eliminar o cromossomo Y de suas células. Em outro experimento, a mesma estratégia permitiu produzir clones fêmeas a partir de células de camundongos machos, inclusive de material que havia sido congelado. 
A técnica, baseada na ferramenta de edição genética CRISPR, foi desenvolvida por uma equipe liderada por Takashi Ishiuchi, da Universidade de Yamanashi, e Shogo Matoba, do Centro de Pesquisa de BioRecursos RIKEN, ambos no Japão. Os resultados foram descritos em um artigo pré-publicado na plataforma bioRxiv, que ainda não foi revisado por cientistas independentes.  
Se comprovada, a técnica pode ter implicações importantes para a conservação de espécies que chegaram a situações extremas, nas quais restaram apenas um macho ou poucos indivíduos. Isso porque a clonagem convencional de um macho tende a produzir apenas descendentes machos, o que não resolve o problema de uma população que precisa de fêmeas para voltar a se reproduzir. 
Retirada do cromossomo Y 
Nos mamíferos, o sexo biológico é determinado, em geral, pelos cromossomos sexuais. As fêmeas têm dois cromossomos X, formando a combinação XX, enquanto os machos normalmente possuem um X e um Y, formando XY. 
O cromossomo Y contém informações fundamentais para o desenvolvimento das características sexuais masculinas. A equipe japonesa criou uma ferramenta baseada em CRISPR, chamada Y-CUT, para eliminar esse cromossomo das células masculinas. 
A ferramenta funciona como uma espécie de sistema de edição capaz de cortar uma região específica do DNA. Nesse caso, o alvo está em uma parte do cromossomo Y importante para que ele seja corretamente distribuído quando uma célula se divide, aponta a revista MIT Technology Review. 
Nos primeiros testes, os pesquisadores aplicaram o Y-CUT a embriões de camundongos machos. Depois da eliminação do Y, os embriões passaram a ter apenas um cromossomo X, uma condição chamada XO.  Transferidos para as fêmeas receptoras, eles deram origem a filhotes fêmeas. Segundo os pesquisadores, esses animais cresceram de maneira aparentemente saudável e eram férteis.  
De embriões modificados a clones 
O passo seguinte foi mais ambicioso. Os cientistas usaram uma técnica conhecida como transferência nuclear de células somáticas, um método de clonagem que consiste em retirar o núcleo de uma célula do animal doador e colocá-lo em um óvulo cujo próprio material genético foi removido. 
Esse núcleo contém o DNA que funciona como o conjunto de instruções genéticas do organismo. Em condições adequadas, o óvulo reconstruído pode começar a se desenvolver como um embrião geneticamente correspondente ao animal que forneceu a célula. 
Foi esse procedimento que permitiu à equipe produzir clones de camundongos machos. Em seguida, alguns desses embriões receberam o tratamento com Y-CUT. O resultado foi uma espécie de “clonagem de sexo duplo”: a partir de um único macho, os pesquisadores obtiveram clones machos e fêmeas.  
As fêmeas eram geneticamente idênticas ao animal original. Contudo, não possuíam o cromossomo Y. “Chamamos isso de clonagem de sexo duplo”, explica Matoba, em entrevista à revista NewScientist. O momento em que o camundongo original foi colocado diante de seus clones também marcou os pesquisadores. “Ele pôde ver a versão feminina de si mesmo, o que é como ficção científica”, relata Ishiuchi.  
Reprodução entre os clones 
Os experimentos foram além da aparência e da sobrevivência dos animais. Os pesquisadores relataram que machos e fêmeas clonados conseguiram acasalar e produzir filhotes aparentemente saudáveis. 
“Isso significa que a reprodução sexuada foi iniciada a partir de um único genoma masculino”, aponta Matoba. Segundo ele, os filhotes haviam sobrevivido por mais de um ano, até o momento relatado pela equipe, sem defeitos aparentes.  
Os cientistas também conseguiram gerar clones fêmeas usando células masculinas que haviam sido criopreservadas, ou seja, mantidas congeladas para preservação por longos períodos. Esse resultado chama atenção para a possibilidade de utilizar amostras armazenadas em chamados “zoológicos congelados” (bancos que guardam células, tecidos e outros materiais biológicos de animais de interesse científico). 
A ideia ganha força, sobretudo, quando aplicada a animais que estão perto da extinção. Em uma população muito pequena, perder todos os indivíduos de um dos sexos pode tornar a reprodução sexual impossível. A clonagem pode ajudar a recuperar indivíduos, mas há uma limitação: clonar um macho normalmente produz clones machos. 
Essa nova técnica poderia, em princípio, contornar esse problema ao transformar geneticamente os clones masculinos em fêmeas. Em alguns cenários, uma fêmea clonada é valiosa para a população, mas sua capacidade de gerar descendentes ao longo da vida é limitada. Um macho fértil, por outro lado, pode contribuir para um número muito maior de ninhadas. 
Técnica está longe de ser universal 
Apesar dos resultados, o método está em estágio inicial e tem limitações importantes. A primeira é que a técnica foi demonstrada em camundongos, e o comportamento de um animal XO não é necessariamente igual ao de outras espécies. Em camundongos, as fêmeas com apenas um cromossomo X podem ser férteis. Em diversos outros mamíferos, porém, a ausência de um segundo X está associada a problemas de desenvolvimento ou infertilidade.  

Há ainda outra limitação prática: o processo de clonagem depende de um óvulo sem o próprio núcleo, que precisa ser obtido de uma fêmea da mesma espécie ou de uma espécie suficientemente próxima. Isso significa que o método não resolve situações em que sobreviveram apenas machos e não há acesso a fêmeas capazes de fornecer os óvulos necessários. 
Para além disso, produzir muitos indivíduos geneticamente derivados de um único animal não elimina o problema da necessidade de diversidade genética. Vale lembrar que uma população formada por clones pode ser mais vulnerável a doenças ou a mudanças ambientais porque seus integrantes têm praticamente o mesmo conjunto de genes.  </description>  <media:content url="https://s2-galileu.glbimg.com/SeDiYQlWdFe8SzNOOE0p5U0STM8=/i.s3.glbimg.com/v1/AUTH_fde5cd494fb04473a83fa5fd57ad4542/internal_photos/bs/2026/c/E/hSM9WcSDyj5FEGKzcBjg/cloned-mice.jpeg" medium="image"/>   <media:description>Por meio da ferramenta Y-CUT, a equipe conseguiu eliminar o cromossomo Y das células masculinas, possibilitando o desenvolvimento de filhotes fêmeas</media:description>   <media:credit>Takashi Ichiushi e Shogo Matoba</media:credit>  <category>galileu</category> <pubDate>Tue, 18 Aug 2026 16:09:35 -0000</pubDate>  </item>  <item> <title>Quem é o marinheiro que está dando a volta ao Polo Norte sozinho em veleiro</title>  <atom:subtitle>Matt Rutherford enfrenta gelo, isolamento e condições extremas em uma travessia inédita pelo Oceano Ártico que também chama atenção para os efeitos do aquecimento do planeta</atom:subtitle>  <link>https://revistagalileu.globo.com/sociedade/curiosidade/noticia/2026/08/quem-e-o-marinheiro-que-esta-dando-a-volta-ao-polo-norte-sozinho-em-veleiro.ghtml</link> <guid isPermaLink="true">https://revistagalileu.globo.com/sociedade/curiosidade/noticia/2026/08/quem-e-o-marinheiro-que-esta-dando-a-volta-ao-polo-norte-sozinho-em-veleiro.ghtml</guid> <description>  <![CDATA[ <img src="https://s2-galileu.glbimg.com/2TFhNYBtfBs8chYEIvQpOCidYfw=/i.s3.glbimg.com/v1/AUTH_fde5cd494fb04473a83fa5fd57ad4542/internal_photos/bs/2026/a/k/ASONI4RSGEF6zclosSEg/download.jpeg" /><br /> ]]>    Matt Rutherford, um marinheiro de 45 anos dos Estados Unidos e fundador da organização sem fins lucrativos Ocean Research Project, tenta realizar um feito inédito: completar sozinho e sem assistência uma circunavegação do Oceano Ártico, em uma viagem de aproximadamente 18,5 mil km pelo Polo Norte. A expedição começou em 25 de junho, na costa oeste da Groenlândia, e leva o velejador por uma das regiões mais remotas e perigosas do planeta. 
A rota prevista passa pelo Atlântico Norte, segue pela costa ártica da Rússia e termina com a travessia da Passagem Noroeste, no Canadá. Essa passagem é uma rota marítima que atravessa o arquipélago canadense e conecta o Atlântico ao Pacífico pelo extremo norte do continente. Nunca ninguém completou esse percurso sem receber assistência. 
Dentro de seu veleiro de 12,8 metros Chimera, Rutherford precisará enfrentar o gelo marinho, as mudanças bruscas no tempo e até o isolamento. Em uma viagem desse tipo, até dormir pode ser arriscado. “Se cair na água, você basicamente morre”, afirmou o explorador, em entrevista à NPR. 
Risco de navegar em meio ao gelo 
O principal obstáculo da expedição, porém, não são os animais, mas o gelo. O velejador precisa encontrar caminhos entre áreas congeladas e, ao mesmo tempo, evitar que a formação de gelo impeça a passagem do barco. 
Chimera conta com instrumentos que ajudam nessa tarefa. O radar é capaz de identificar blocos maiores de gelo, enquanto binóculos térmicos auxiliam na localização de formações menores. Rutherford também leva uma balsa salva-vidas para uma eventual emergência. 
O veleiro de Rutherford, o Chimera, em uma viagem anterior
Matt Rutherford/Projeto de Pesquisa Oceânica
Contudo, mesmo com esses equipamentos, o risco aumenta conforme a viagem avança. Ele indica que o problema se torna mais grave com a chegada do outono, quando o gelo marinho começa a se formar novamente: “Agora tenho luz do dia 24 horas por dia. Como você consegue enxergar o gelo no escuro?”. 
A referência à luz permanente não é exagero. Durante parte do verão ártico, a região pode permanecer sob claridade praticamente contínua. Com a chegada dos meses mais frios, porém, os períodos de escuridão aumentam, tornando a navegação mais difícil. 
Corrida contra o relógio 
O calendário é outro adversário de Rutherford. Caso a expedição demore demais, o verão dará lugar a temperaturas mais baixas e o gelo poderá se fechar ao redor do veleiro. Nesse cenário, o barco pode ficar preso e a tentativa de circunavegação fracassar. 
Rutherford reconhece que a redução do gelo marinho ajudou a tornar a viagem possível. “O fato de eu poder tentar esta viagem se deve à menor quantidade de gelo. E há menos gelo porque o planeta está mais quente. O Ártico está mudando mais rápido do que qualquer outro lugar na Terra.” 
O percurso que Rutherford planeja fazer tem cerca de 10.000 milhas náuticas de extensão. Ninguém o completou sem assistência
Matt Rutherford/Projeto de Pesquisa Oceânica
Estima-se que a extensão do gelo marinho no Ártico diminuiu cerca de um terço desde o início da década de 1980. Isso não significa, no entanto, que a região tenha se tornado livre de obstáculos. 
“[A perda de gelo] não está em todos os lugares”, aponta Rutherford. “Ainda haverá alguns trechos de gelo muito densos com os quais terei que lidar mais adiante, que podem determinar o sucesso ou o fracasso da viagem”. As áreas próximas ao Alasca e ao leste da Sibéria estão entre suas principais preocupações. 
Exploração científica, com mobilização política 
Essa viagem não tem apenas um objetivo esportivo ou de aventura. Rutherford também usa a expedição para divulgar o trabalho do Ocean Research Project. Normalmente, ele comanda uma escuna usada em estudos sobre geleiras na Groenlândia. Desta vez, porém, a falta de financiamento levou o marinheiro a mudar de estratégia.  
A expectativa é que a travessia ajude a atrair novos doadores para a organização, que precisa, entre outras coisas, substituir o motor de sua embarcação de pesquisa. Dessa maneira, sua jornada reúne dois objetivos: completar uma travessia que nenhum marinheiro realizou sozinho e chamar atenção para as transformações do Ártico. 
A passagem pela costa norte da Rússia acrescenta uma camada extra de complexidade à expedição. Para navegar pela chamada Rota Marítima do Norte — corredor marítimo que acompanha o litoral russo e liga o Mar de Barents ao Oceano Pacífico —, Rutherford precisou obter autorização do governo russo. 

Durante o trajeto, ele também deverá manter contato frequente com as autoridades. O marinheiro afirmou que precisa informar sua posição diariamente a Moscou e comunicar ao FSB, o serviço de segurança russo, caso se aproxime demais da costa.  
A comunicação pode se tornar ainda mais difícil durante a passagem pela região. Rutherford prevê que o serviço de internet por satélite Starlink deixe de funcionar em algum momento dentro das águas russas, o que reduziria sua capacidade de comunicação durante semanas.  
Mesmo diante das incertezas, ele mantém o tom de quem sabe que a imprevisibilidade faz parte da aventura: “Não sei o que vai acontecer. Mas veja bem, isso não seria uma aventura se soubéssemos o final”, avalia. Por enquanto, a expedição segue em frente. O marinheiro já avançou por águas dos países nórdicos e entrou na região sob controle russo.  </description>  <media:content url="https://s2-galileu.glbimg.com/2TFhNYBtfBs8chYEIvQpOCidYfw=/i.s3.glbimg.com/v1/AUTH_fde5cd494fb04473a83fa5fd57ad4542/internal_photos/bs/2026/a/k/ASONI4RSGEF6zclosSEg/download.jpeg" medium="image"/>   <media:description>Matt Rutherford ao leme de seu veleiro. Ele espera ser o primeiro a circunavegar o Círculo Polar Ártico sozinho</media:description>   <media:credit>Matt Rutherford/Projeto de Pesquisa Oceânica</media:credit>  <category>galileu</category> <pubDate>Tue, 18 Aug 2026 15:16:53 -0000</pubDate>  </item>  <item> <title>16 múmias (e um cachorro) são encontrados em tumba egípcia usada por 300 anos</title>  <atom:subtitle>Achado no Egito revela como diferentes gerações reorganizaram um mesmo espaço funerário sem abandonar práticas e significados religiosos</atom:subtitle>  <link>https://revistagalileu.globo.com/ciencia/arqueologia/noticia/2026/08/16-mumias-e-um-cachorro-sao-encontrados-em-tumba-egipcia-usada-por-300-anos.ghtml</link> <guid isPermaLink="true">https://revistagalileu.globo.com/ciencia/arqueologia/noticia/2026/08/16-mumias-e-um-cachorro-sao-encontrados-em-tumba-egipcia-usada-por-300-anos.ghtml</guid> <description>  <![CDATA[ <img src="https://s2-galileu.glbimg.com/S0oAwIra2yA_7kAatyZ4PoSVPFI=/i.s3.glbimg.com/v1/AUTH_fde5cd494fb04473a83fa5fd57ad4542/internal_photos/bs/2026/A/n/zzb9DZSzOhSk86IefDMA/low-res-figure-3.jpg" /><br /> ]]>    Pelo menos 20 pessoas foram identificadas em uma mesma câmara funerária (TT 209) da Necrópole Tebana, perto da atual cidade egípcia de Luxor. O espaço foi utilizado por cerca de 300 anos e conta com mais de 400 túmulos. Os restos recém-encontrados incluem 16 múmias e um depósito com vestígios de pelo menos outros quatro indivíduos, que ainda estavam acompanhados por um cachorro mumificado. 
O conjunto foi analisado por pesquisadores da Universidade de La Laguna, da Espanha, e seus resultados foram detalhados na última segunda-feira (17) na revista Frontiers in Environmental Archaeology. 
“O estudo detalhado dos corpos não indica nem acúmulo caótico nem perda do ritual original ao longo do tempo. Em vez disso, havia uma lógica espacial na qual cada nova deposição era adaptada à presença de corpos anteriores — uma espécie de memória funerária nos processos de reutilização”, afirma Jared Carballo-Pérez, primeiro autor do estudo, em comunicado. 
Em sua análise, a equipe ainda sugere que a câmara era constantemente reorganizada ao longo dos séculos, sendo totalmente adaptada às novas pessoas que chegavam para serem enterradas no local. Em vez de simplesmente ocupar qualquer espaço que estivesse vazio, os responsáveis pelos sepultamentos pareciam ajustar a posição dos corpos e modificar a maneira de usar a área funerária. 
Espaço funerário reutilizado por gerações 
A tumba TT 209 foi construída durante a 25ª Dinastia egípcia, entre 754 e 656 a.C., e continuou a ser usada até o período ptolomaico, entre 305 e 30 a.C. Nesse intervalo, diferentes grupos retornaram ao mesmo espaço para fazer novos sepultamentos. 
Para reconstruir essa história, os pesquisadores escavaram a câmara, fotografaram as múmias e registraram por meio de desenhos e descrições a posição, a orientação e a relação de cada corpo com os demais e com as estruturas da tumba. Ao todo, foram identificados nove depósitos funerários, incluindo sepultamentos individuais e coletivos, além de objetos associados aos mortos. 
Evidências de perturbação e deslocamento afetando dois indivíduos mumificados na câmara lateral 3
Universidade de La Laguna/Jared Carballo-Pérez
Nos depósitos mais antigos, os enterros eram mais separados. Os corpos foram colocados em caixões e acompanhados de outros itens funerários, como redes e amuletos. “Os primeiros indivíduos enterrados aqui parecem ter sido de alta posição social, pois foram sepultados em caixões, com redes funerárias e amuletos, e com um conjunto contendo itens valiosos”, indica o egiptólogo Miguel Ángel Molinero Polo, coautor do estudo. 
Com o passar do tempo, a utilização da câmara parece ter se tornado mais intensa. No final da 25ª Dinastia e durante o período persa, os corpos começaram a ser colocados em espaços que ainda estavam disponíveis, o que aumentou a densidade dos sepultamentos. Em alguns casos, os pesquisadores identificaram mudanças na posição dos membros.  
Vista exterior da superestrutura do TT 209. O revestimento protetor e a homogeneização visual de suas paredes foram concluídos no final da temporada de 2026
José Miguel Barrios Mufrege
Corpos mais antigos costumavam ter os braços estendidos, enquanto em deposições posteriores aparecem braços dobrados. Cerca de dois terços dos sepultamentos analisados apresentavam sobreposição vertical, ou seja, um corpo colocado acima ou parcialmente sobre outro. A mudança, porém, não significa que os cuidados funerários tenham desaparecido.  
Segundo Molinero Polo, os corpos posicionados dessa maneira não tinham caixões, mas continuavam sendo cuidadosamente mumificados e podiam estar associados a vasos colocados em pé, indício de uma prática ritual específica. “Os corpos enterrados em sobreposição vertical não tinham caixões, mas foram cuidadosamente mumificados. Eles também podem ser associados a vasos em pé, o que indica um ritual específico não encontrado nas fases anteriores de utilização da tumba”, sugere. 
Rituais mudaram, mas não desapareceram  
Um dos achados mais incomuns está na parte sudeste da câmara, onde quatro múmias humanas e um cachorro mumificado foram enterrados em sobreposição vertical durante o período ptolomaico. O animal foi encontrado diretamente sobre os membros inferiores de um homem e de uma mulher. “Isso pode indicar uma relação próxima entre esses indivíduos humanos e o animal, uma ideia com a qual acho bastante fácil me identificar”, explica Carballo-Pérez.  
Outra possibilidade é de que o animal tenha exercido uma função simbólica no ritual funerário. “Isso também pode refletir uma mudança adicional na prática ritual, com um animal assumindo o papel de psicopompo, um auxiliar simbólico na jornada para a vida após a morte”, acrescenta Molinero Polo. Nesse contexto, “psicopompo” é o termo usado para designar uma figura que atua simbolicamente como guia dos mortos em sua passagem para o outro mundo. 
Detalhe da sobreposição e das relações espaciais entre os indivíduos em SC3 (TT 209). A figura mostra a posição relativa de vários indivíduos, destacando os contatos verticais diretos e as sobreposições parciais entre os corpos. M6 e M7 estão intimamente sobrepostos, com o canídeo (M9) posicionado sobre seus membros inferiores
J. Carballo-Pérez
Por fim, existe também uma pista na chamada posição osiriana, em que os braços são cruzados sobre o peito. O nome faz referência a Osíris, uma das principais divindades ligadas à morte, à ressurreição e ao além na religião egípcia. A presença dessa posição em sepultamentos posteriores reforça a interpretação de que a reutilização da câmara não representou simplesmente a perda de regras ou de respeito pelos mortos. Para os arqueólogos, as mudanças de disposição podem ter sido uma adaptação às condições do espaço e às práticas de cada período. 
Esse estudo também ajuda a questionar interpretações anteriores que classificavam determinados depósitos funerários como “desordenados”. De acordo com os autores, o que parece desorganização à primeira vista pode resultar de sucessivas decisões tomadas ao longo de séculos. “O que apresentamos significa que depósitos que antes eram considerados ‘desordenados’ podem ser reinterpretados”, conclui Carballo-Pérez. “Isso nos ajuda a desenvolver uma melhor compreensão dos comportamentos sociais por trás das práticas funerárias". 

Nem sempre é possível determinar com precisão qual corpo foi colocado primeiro ou qual foi a intenção exata de cada reorganização. A equipe explica que a câmara sofreu inundações repetidas, incêndios e novas entradas de pessoas, acontecimentos que deslocaram materiais e levaram detritos para dentro do espaço funerário.  
Mesmo com essas limitações, a sequência observada permite acompanhar uma transformação de longa duração. Com isso, para os pesquisadores, a principal conclusão é que a câmara não deve ser vista apenas como um local que foi ficando cheio. Ela funcionou como um espaço continuamente reativado, no qual cada novo sepultamento levava em conta, de alguma forma, os que já estavam ali.  </description>  <media:content url="https://s2-galileu.glbimg.com/S0oAwIra2yA_7kAatyZ4PoSVPFI=/i.s3.glbimg.com/v1/AUTH_fde5cd494fb04473a83fa5fd57ad4542/internal_photos/bs/2026/A/n/zzb9DZSzOhSk86IefDMA/low-res-figure-3.jpg" medium="image"/>   <media:description>Indivíduos mumificados da Câmara Lateral 3 da Tumba Tebana 209, mostrando variação na orientação do corpo e na posição dos braços</media:description>   <media:credit>Universidade de La Laguna/Jared Carballo-Pérez.</media:credit>  <category>galileu</category> <pubDate>Tue, 18 Aug 2026 13:52:22 -0000</pubDate>  </item>  <item> <title>Bafo de Ozempic existe mesmo? Entenda como uso do remédio está ligado a mau hálito</title>  <atom:subtitle>Pessoas que tomam remédios para emagrecer podem perceber que seu hálito está menos agradável do que de costume. Entenda por que isso acontece</atom:subtitle>  <link>https://revistagalileu.globo.com/saude/noticia/2026/08/bafo-de-ozempic-existe-mesmo-entenda-como-uso-do-remedio-esta-ligado-a-mau-halito.ghtml</link> <guid isPermaLink="true">https://revistagalileu.globo.com/saude/noticia/2026/08/bafo-de-ozempic-existe-mesmo-entenda-como-uso-do-remedio-esta-ligado-a-mau-halito.ghtml</guid> <description>  <![CDATA[ <img src="https://s2-galileu.glbimg.com/YImNElHBS_mcA4f2sweECTUGIMA=/i.s3.glbimg.com/v1/AUTH_fde5cd494fb04473a83fa5fd57ad4542/internal_photos/bs/2025/r/M/8sVFOhQnuWNa0EwgBEvg/rtrwegwerg245t.jpg" /><br /> ]]>    O mau hálito, conhecido cientificamente como halitose, não é um dos efeitos colaterais descritos pelo Ozempic ou por outros fármacos agonistas do GLP-1, como Wegovy e Mounjaro. Ainda assim, já há alguns anos, seus usuários têm reportado um cheiro ruim em seu hálito após usar o medicamento. A situação é tal que, em abril deste ano, o CEO da Hershey, fabricante de doces, relatou que as vendas de chicletes e balas de menta cresceram 8% no primeiro trimestre por causa desses agonistas.
Ainda não há estudos científicos revisados por pares sobre o tema. Mas uma pesquisa conduzida pela Novo Nordisk, multinacional dinamarquesa que fabrica o Ozempic, afirma que quase 9% das pessoas que utilizam semaglutida relatam arrotos. Essa pode ser uma das explicações para o fenômeno do “bafo de Ozempic”, mas, certamente, não é a única. Vamos aos motivos:
Arrotos
Acontecem porque os agonistas do GLP-1 atuam retardando a digestão, o que faz com que o bolo alimentar permaneça no estômago por mais tempo do que as quatro horas que seriam comuns. Essa permanência prolongada favorece a produção de gases, que podem ser eliminados por meio de arrotos. Como a massa orgânica não tem um cheiro agradável, os arrotos também fedem. 
Desidratação
Vômitos e diarreia são dois efeitos colaterais comuns do Ozempic e outros agonistas do GLP-1. É de conhecimento comum na medicina que esses sintomas podem levar à desidratação, o que faz a boca ficar seca, um dos gatilhos mais comuns para o mau hálito. "Mesmo em doses moderadas, os medicamentos à base de GLP-1 exigem cerca de 3,7 litros de água sem gás por dia para favorecer o metabolismo de gorduras e manter a hidratação adequada", afirmou ao site Fox News Digital a Dra. Sue Decotiis, especialista em perda de peso. "Pouquíssimos pacientes fazem isso ou recebem essa orientação".
Refluxo
A Doença do Refluxo Gastroesofágico (DRGE) ocorre quando o ácido do estômago retorna para o esôfago, irritando sua parede e causando azia e queimação. Ela piora o mau hálito porque também transporta compostos voláteis sulfurados (CVS), um tipo de dejeto bacteriano, para a boca. Como retardam o esvaziamento gástrico, os agonistas do GLP-1 podem favorecer ou agravar sintomas de refluxo em algumas pessoas.
Cetose
Segundo entrevista do gastroenterologista Christopher McGowan ao site Healthline, a cetose ocorre quando o corpo queima gordura para obter energia. Isso “frequentemente resulta em um hálito com odor adocicado, semelhante ao da acetona”, diz ele. “Manter um plano alimentar equilibrado, que inclua todos os macronutrientes, evitará isso”, recomenda.
Outros efeitos colaterais dos agonistas do GLP-1 relacionados à saúde oral incluem: gengivite, apodrecimento dos dentes, erosão do esmalte dentário, sensibilidade nos dentes e gosto ácido na boca. Pessoas com diabetes (público-alvo original desses medicamentos) são mais suscetíveis a problemas nos dentes.
Todos esses efeitos, incluindo o mau hálito, tendem a se amenizar com o tempo conforme o corpo se ajusta ao medicamento. Mas há medidas que o paciente pode tomar para ajudar:
Escovar os dentes e passar fio dental todos os dias.
Manter-se sempre bem hidratado, especialmente se estiver sofrendo com vômitos e diarreia.
Adotar uma dieta balanceada, com menos alimentos gordurosos (que levam mais tempo para ser digeridos) e mais proteínas magras, frutas e vegetais.
Não comer antes de dormir: o ideal é ter um intervalo de pelo menos três horas entre a última refeição e o momento de descansar.
Pessoas que estejam tomando esses medicamentos devem consultar seus dentistas regularmente para exames de rotina que garantam a saúde bucal e identifiquem precocemente cáries e doenças gengivais.  </description>  <media:content url="https://s2-galileu.glbimg.com/YImNElHBS_mcA4f2sweECTUGIMA=/i.s3.glbimg.com/v1/AUTH_fde5cd494fb04473a83fa5fd57ad4542/internal_photos/bs/2025/r/M/8sVFOhQnuWNa0EwgBEvg/rtrwegwerg245t.jpg" medium="image"/>   <media:description>Entenda como o mau hálito pode ter relação com o uso de remédios para emagrecer</media:description>   <media:credit>Thiébaud Faix/Unsplash</media:credit>  <category>galileu</category> <pubDate>Tue, 18 Aug 2026 13:33:51 -0000</pubDate>  </item>  <item> <title>Consumo diário de bebidas adoçadas aumenta chance de câncer de estômago; estudo</title>  <atom:subtitle>De acordo com levantamento, consumo recorrente de bebidas como refrigerantes e isotônicos tem potencial para desencadear o desenvolvimento de tumores; veja mais</atom:subtitle>  <link>https://revistagalileu.globo.com/saude/noticia/2026/08/consumo-diario-de-bebidas-adocadas-aumenta-chance-de-cancer-de-estomago-estudo.ghtml</link> <guid isPermaLink="true">https://revistagalileu.globo.com/saude/noticia/2026/08/consumo-diario-de-bebidas-adocadas-aumenta-chance-de-cancer-de-estomago-estudo.ghtml</guid> <description>  <![CDATA[ <img src="https://s2-galileu.glbimg.com/ctuf6c2IifUieTgJ15Xh4Vov1dM=/i.s3.glbimg.com/v1/AUTH_fde5cd494fb04473a83fa5fd57ad4542/internal_photos/bs/2026/8/z/qX1HecQUqV0mwEEFpSsA/image1.png" /><br /> ]]>    Um novo estudo publicado na revista científica Gastro Hep Advances nesta segunda-feira (17) revelou que consumir pelo menos uma bebida adoçada com açúcar (como refrigerantes e isotônicos) por dia está associada a um aumento do risco de desenvolver câncer de estômago. Trata-se da primeira pesquisa com evidências mais concretas sobre a relação entre essas bebidas e a doença. 
A pesquisa considerou dados de 112.284 voluntários, obtidos a partir dos estudos de longo prazo Nurses’ Health Study e do Health Professionals Follow-Up Study, ambos feitos nos Estados Unidos. Os participantes foram acompanhados por décadas e, ao fim das análises, 278 haviam desenvolvido a doença.
Mais um golinho não mata
Você, leitor da GALILEU, já sabe que o câncer não é uma doença de causas únicas e, em relação ao câncer de estômago, não seria diferente. Acontece que além de outros possíveis fatores de risco, os pesquisadores notaram que os participantes – tanto mulheres quanto homens – que consumiam pelo menos uma porção de uma bebida adoçada com açúcar por dia apresentaram um risco de 2,45 vezes maior de desenvolver o tumor.
Para dar seguimento ao estudo, a equipe definiu como bebidas adoçadas com açúcar as bebidas gaseificadas (os famosos refrigerantes), limonadas e bebidas esportivas. Nelas, a frutose é o seu principal componente, e que possui a maior associação de incidência para o câncer de estômago.
Entre as mulheres acompanhadas pelo Nurses’ Health Study, por exemplo, consumir mais de uma bebida adoçada com açúcar por dia esteve associado a um risco 3,04 vezes maior de câncer de estômago em comparação com aquelas que raramente consumiam. Por outro lado, após o controle de outros fatores, um maior consumo de bebidas adoçadas artificialmente não foi associado a uma maior incidência de câncer gástrico.

A infecção pela bactéria Helicobacter pylori é um dos fatores que aumenta o risco da doença se manifestar. A equipe também avaliou a presença da bactéria em um subgrupo de 940 participantes. Embora pouco mais de um terço desses participantes apresentasse evidências de infecção por H. pylori, não foi encontrada associação entre o consumo de bebidas adoçadas com açúcar.
Apesar das hipóteses, mais estudos são necessários, a começar pelo fato de que os participantes cujas dados foram observados eram predominantemente brancos, não existindo uma pluralidade de grupos raciais e étnicos. Essa falta de inclusão de diferentes pessoas é apontado como um ponto de limitação do estudo mais recente, que precisa ser investigada mais a fundo com novos estudos no futuro.  </description>  <media:content url="https://s2-galileu.glbimg.com/ctuf6c2IifUieTgJ15Xh4Vov1dM=/i.s3.glbimg.com/v1/AUTH_fde5cd494fb04473a83fa5fd57ad4542/internal_photos/bs/2026/8/z/qX1HecQUqV0mwEEFpSsA/image1.png" medium="image"/>   <media:description>Pesquisas anteriores já confirmavam que a ingestão de bebidas adoçadas com açúcar estavam associados a um aumento do risco de câncer colorretal, de mama e de fígado</media:description>   <media:credit>Public Domain Pictures</media:credit>  <category>galileu</category> <pubDate>Mon, 17 Aug 2026 22:02:38 -0000</pubDate>  </item>  <item> <title>Igreja de 1,7 mil anos achada sob lago é associada a marco da história cristã</title>  <atom:subtitle>Novo estudo argumenta que vestígios de construção anterior à uma basílica submersa podem corresponder à Igreja de São Neófitos. Estrutura teria sido feita no local onde ocorreu o Primeiro Concílio de Niceia</atom:subtitle>  <link>https://revistagalileu.globo.com/ciencia/arqueologia/noticia/2026/08/igreja-de-17-mil-anos-achada-sob-lago-e-associada-a-marco-da-historia-crista.ghtml</link> <guid isPermaLink="true">https://revistagalileu.globo.com/ciencia/arqueologia/noticia/2026/08/igreja-de-17-mil-anos-achada-sob-lago-e-associada-a-marco-da-historia-crista.ghtml</guid> <description>  <![CDATA[ <img src="https://s2-galileu.glbimg.com/N9Yy3ZmF64FQye_9wZEWxZAugjQ=/i.s3.glbimg.com/v1/AUTH_fde5cd494fb04473a83fa5fd57ad4542/internal_photos/bs/2026/8/3/nZLGtZRxytyZXEGbvXaQ/bursanin-iznik-ilcesinde-gol-kiyisindaki-bazilikadan-once-bu-alanda-insa-edilen-ve-birinci-kons.jpg" /><br /> ]]>    Arqueólogos encontraram vestígios de uma igreja com cerca de 1,7 mil anos sob uma basílica submersa no Lago İznik, na Turquia. Segundo a equipe responsável pelas escavações, a construção pode estar ligada ao Primeiro Concílio de Niceia, uma das reuniões mais importantes da história do cristianismo, realizada em 325 d.C. A interpretação, porém, ainda é contestada por especialistas não envolvidos nas investigações. 
A antiga cidade de Niceia, hoje İznik, sediou o concílio convocado pelo imperador romano Constantino I. Primeiro Concílio de Niceia reuniu bispos cristãos para discutir divergências teológicas e estabelecer o que se tornaria o Credo Niceno, uma das principais declarações da fé cristã.
Escavação da igreja na margem do Lago İznik, na Turquia
@mstafashnn/Instagram
A basílica atualmente submersa no lago foi descoberta em 2014. Desde 2015, arqueólogos escavam o local e vêm encontrando vestígios de uma construção menor sob a estrutura principal. Durante as pesquisas, foram identificados restos de paredes, pavimentação e uma base de coluna. O piso da igreja menor está cerca de 30 centímetros abaixo da estrutura da basílica.
Para o arqueólogo Mustafa Şahin, professor da Universidade Bursa Uludağ e responsável pelas escavações, os achados indicam que a construção menor corresponde a uma fase anterior da igreja. Em entrevista ao site Live Science, ele afirmou que acredita-se que esta possa ser a Igreja de São Neófitos. Já a estrutura maior seria a Igreja dos Santos Padres, construída posteriormente no mesmo local.
A hipótese se apoia também em registros históricos. Segundo Şahin, Eusébio de Cesareia, um dos participantes do concílio, descreveu o espaço de reunião como uma “casa de oração” ou uma pequena igreja — descrição que, para o arqueólogo, combina melhor com a construção recém-identificada do que com a grande basílica.
A cronologia também é compatível com essa interpretação. A equipe estima que a igreja menor tenha sido destruída por um terremoto em 368 d.C., e que a construção maior tenha sido feita no mesmo local depois de 380 d.C.
Local do concílio ainda é incerto
Apesar dos achados, não há consenso de que a igreja tenha sido efetivamente o local das reuniões do concílio, afinal a construção menor ainda não foi datada com precisão. A versão mais aceita, contada pelo bispo Eusébio de Cesareia, aponta que a sessão de abertura ocorreu no palácio imperial às margens do Lago de Niceia, e que o concílio durou três meses.
O historiador Charles Odahl, professor emérito da Universidade Boise State, nos EUA, também questionou a identificação. “Essa igreja subaquática ficava nas proximidades, mas não era o local das reuniões do concílio sob o reinado do imperador", pontuou, ao ser consultado pelo site Live Science.
O palácio imperial, no entanto, ainda não foi encontrado, e pode estar submerso no próprio Lago İznik. Veja mais imagens dos achados no post abaixo.
Initial plugin text
Além das estruturas, os arqueólogos encontraram um anel de ouro e um dedal. O anel apresenta desenhos de uma palmeira e de uma espada. Segundo Şahin, objetos semelhantes são conhecidos de períodos associados aos omíadas e abássidas.
Os achados podem estar relacionados ao cerco omíada de İznik, em 729. Para Şahin, as primeiras análises indicam que os objetos reforçam a hipótese de que membros do grupo tenham visitado a igreja durante o período.
Assim, as escavações já confirmaram a existência de uma igreja anterior à basílica, mas sua relação direta com o Primeiro Concílio de Niceia ainda não está comprovada. Novas escavações e análises poderão ajudar a determinar a função e a datação exata da construção.  </description>  <media:content url="https://s2-galileu.glbimg.com/N9Yy3ZmF64FQye_9wZEWxZAugjQ=/i.s3.glbimg.com/v1/AUTH_fde5cd494fb04473a83fa5fd57ad4542/internal_photos/bs/2026/8/3/nZLGtZRxytyZXEGbvXaQ/bursanin-iznik-ilcesinde-gol-kiyisindaki-bazilikadan-once-bu-alanda-insa-edilen-ve-birinci-kons.jpg" medium="image"/>   <media:description>Escavações em suposta área onde estava construída a Basílica de São Neófito</media:description>   <media:credit>@mstafashnn/Instagram</media:credit>  <category>galileu</category> <pubDate>Mon, 17 Aug 2026 21:21:41 -0000</pubDate>  </item>  <item> <title>Tempo de tela pode melhorar cognição? O que diz estudo que analisou crianças por 8 anos</title>  <atom:subtitle>Pesquisa finlandesa sugere que maior tempo de tela na infância pode estar associado a melhor desempenho cognitivo na adolescência, mas não estabelece relação de causa e efeito</atom:subtitle>  <link>https://revistagalileu.globo.com/ciencia/noticia/2026/08/tempo-de-tela-pode-melhorar-cognicao-o-que-diz-estudo-que-analisou-criancas-por-8-anos.ghtml</link> <guid isPermaLink="true">https://revistagalileu.globo.com/ciencia/noticia/2026/08/tempo-de-tela-pode-melhorar-cognicao-o-que-diz-estudo-que-analisou-criancas-por-8-anos.ghtml</guid> <description>  <![CDATA[ <img src="https://s2-galileu.glbimg.com/AsXjXt-XI9WprlSv1DnKurH4QkA=/i.s3.glbimg.com/v1/AUTH_fde5cd494fb04473a83fa5fd57ad4542/internal_photos/bs/2026/D/s/DQrEylQXKxHGMob6dJhw/kelly-sikkema-tqpgm1k6ebq-unsplash.jpg" /><br /> ]]>    O tempo que crianças e adolescentes passam diante de celulares, tablets, computadores e televisões é considerado um dos grandes vilões do desenvolvimento infantil. Mas um estudo finlandês, publicado na Pediatric Exercise Science, de oito anos encontrou um resultado traz uma perspectiva que contraria parte dessa expectativa. Crianças analisadas pelo levantamento que passaram mais tempo diante de telas ao longo da infância apresentaram, na adolescência, melhor desempenho em testes de processamento cognitivo.
Na conclusão, não significa que quanto mais tempo uma criança passar no celular, melhor será para o cérebro. Segundo os pesquisadores, o resultado pode estar relacionado principalmente ao que é feito durante o tempo de tela, e não simplesmente à quantidade de horas diante dos dispositivos.
“Não devemos encarar o tempo gasto em frente às telas apenas como prejudicial”, afirma Petri Jalanko, pesquisador de doutorado da Universidade de Jyväskylä, na Finlândia, em comunicado. Para ele, pais e professores devem incentivar o uso de dispositivos para atividades que estimulem o pensamento ativo, a resolução de problemas, a criatividade e a aprendizagem.
Resultados do estudo
A pesquisa faz parte do estudo PANIC, um projeto finlandês que acompanha a relação entre atividade física, nutrição e saúde infantil. Para a nova análise, os pesquisadores acompanharam 260 crianças (124 meninas e 136 meninos) durante oito anos. Ao final do período, os participantes tinham idade de 15,8 anos, em média.
Os cientistas investigaram como diferentes comportamentos ao longo da infância e da adolescência estavam relacionados ao funcionamento cognitivo posteriormente. Entre os fatores analisados estavam atividade física, comportamento sedentário e tempo diante das telas.
Para avaliar aspectos como aprendizagem, atenção e memória de trabalho, os adolescentes realizaram testes da bateria CogState. A atividade física e o comportamento sedentário foram avaliados tanto por questionários quanto por um dispositivo que combinava informações de frequência cardíaca e movimento.
O resultado que mais chamou atenção foi a associação entre maior tempo de exposição às telas desde a infância e melhor processamento cognitivo na adolescência. Por causa do estudo ter passado durante esses dois períodos de intenso desenvolvimento cerebral, foi possível observar também as diversas habilidades cognitivas sendo aprimoradas, com possíveis consequências para a trajetória escolar e profissional.
Tela não é sinônimo de atividade passiva
Os autores destacam que “tempo de tela” reúne atividades muito diferentes. Assistir passivamente a um vídeo por horas, por exemplo, não exige necessariamente o mesmo tipo de processamento mental que aprender um idioma, editar um vídeo, programar, pesquisar um assunto ou solucionar um problema em um jogo.
Mais tempo de tela na infância pode estar associado a melhor desempenho cognitivo na adolescência, segundo estudo finlandês de oito anos
nensuria/Freepik
Por isso, uma das hipóteses levantadas para explicar os resultados é justamente a natureza das atividades realizadas nos dispositivos. Segundo Jalanko, atividades digitais que envolvem aprendizagem, criatividade, resolução de problemas e outras formas de engajamento mental podem ajudar a explicar a associação observada.
Em vez de considerar apenas “quanto tempo” uma criança passa diante de uma tela, pode ser mais útil observar como esse tempo está sendo utilizado. Ainda assim, o estudo não permite afirmar que atividades de tela causaram diretamente um aumento na capacidade cognitiva.
Como fica a atividade física
A relação entre exercício e cognição não seguiu um padrão. Os pesquisadores encontraram diferenças de acordo com o sexo dos participantes e também dependendo da forma como a atividade física era medida. 
Entre as meninas, uma maior quantidade de atividade física de baixa intensidade desde a infância esteve associada a uma melhor memória de trabalho (memórias guardadas no curto prazo) na adolescência. Já entre os meninos, a participação mais frequente em atividades físicas supervisionadas ao longo da infância e adolescência esteve relacionada a uma melhor memória de trabalho.
Outro resultado inesperado apareceu quando os pesquisadores analisaram a atividade física não supervisionada. Níveis mais baixos desse tipo de atividade, relatados pelos próprios participantes, estiveram associados a um melhor processamento cognitivo.
Quando a atividade física e o tempo sedentário foram avaliados por meio do dispositivo que registrava movimento e frequência cardíaca, porém, não houve associação significativa com o processamento cognitivo. Uma possível explicação é que sensores conseguem registrar se uma pessoa está se movimentando e algumas características fisiológicas daquele momento, mas não conseguem identificar com precisão o que ela está fazendo. Uma criança pode estar sentada estudando, jogando um videogame que exige raciocínio ou simplesmente assistindo a vídeos e o sensor pode registrar todas essas situações de maneira semelhante.
Estudo não prova que mais tempo de tela melhora o cérebro
Apesar do resultado chamativo, os pesquisadores ressaltam trata-se de uma associação, e não de uma relação de causa e efeito. Isso significa que o estudo identificou uma relação entre maior tempo de tela e melhor processamento cognitivo, mas não demonstrou que aumentar o tempo diante de dispositivos fará com que uma criança desenvolva melhores habilidades cognitivas.
É possível, por exemplo, que outros fatores estejam envolvidos. Crianças com determinadas características cognitivas podem escolher atividades digitais específicas, ter maior acesso a recursos educacionais ou apresentar outros comportamentos que também influenciam os resultados.
Para entender essas relações, seriam necessários estudos de intervenção capazes de testar diretamente os efeitos de diferentes tipos de atividades. Os pesquisadores também defendem novas pesquisas sobre o papel da intensidade da atividade física e sobre possíveis diferenças entre meninos e meninas.
Afinal, o estudo não estabelece um número ideal de horas diante das telas. Seu principal alerta é contra uma interpretação simplista do chamado “tempo de tela”. Portanto, a mensagem, não é liberar o uso ilimitado de celulares, computadores ou videogames. Tampouco é abandonar a atividade física em favor das telas. “O ponto essencial aqui é o tipo de atividade que eles realizam durante esse tempo”, resume Jalanko.
A proposta dos pesquisadores é pensar em equilíbrio: manter crianças e adolescentes fisicamente ativos e, ao mesmo tempo, permitir que utilizem tecnologias de maneiras que possam estimular aprendizagem, criatividade, resolução de problemas e pensamento ativo. Em vez de tratar toda exposição à tela como equivalente, o estudo sugere que talvez seja necessário olhar com mais atenção para o conteúdo, o contexto e a finalidade desse uso.  </description>  <media:content url="https://s2-galileu.glbimg.com/AsXjXt-XI9WprlSv1DnKurH4QkA=/i.s3.glbimg.com/v1/AUTH_fde5cd494fb04473a83fa5fd57ad4542/internal_photos/bs/2026/D/s/DQrEylQXKxHGMob6dJhw/kelly-sikkema-tqpgm1k6ebq-unsplash.jpg" medium="image"/>   <media:description>Pesquisa mostra que o impacto das telas no desenvolvimento infantil depende do conteúdo e da forma de uso, e não apenas do número de horas diante dos dispositivos.</media:description>   <media:credit>Kelly Sikkema/ Unsplash</media:credit>  <category>galileu</category> <pubDate>Mon, 17 Aug 2026 20:31:23 -0000</pubDate>  </item>  <item> <title>Vídeo do TikTok leva a descoberta de peixe subterrâneo raro na Índia</title>  <atom:subtitle>Com apenas 4 centímetros, Gangaichthys indonepalicus vive na escuridão de águas subterrâneas e é o primeiro peixe estigobionte encontrado na bacia do rio Ganges</atom:subtitle>  <link>https://revistagalileu.globo.com/ciencia/noticia/2026/08/video-do-tiktok-leva-a-descoberta-de-peixe-subterraneo-raro-na-india.ghtml</link> <guid isPermaLink="true">https://revistagalileu.globo.com/ciencia/noticia/2026/08/video-do-tiktok-leva-a-descoberta-de-peixe-subterraneo-raro-na-india.ghtml</guid> <description>  <![CDATA[ <img src="https://s2-galileu.glbimg.com/ZTVjWxouwNVDNFvyHnQYWTGlQqE=/i.s3.glbimg.com/v1/AUTH_fde5cd494fb04473a83fa5fd57ad4542/internal_photos/bs/2026/P/6/8deIaBQBmnsspy0zv5bg/img-7939.jpg" /><br /> ]]>    Um vídeo publicado no TikTok em 2024 levou à descoberta de uma nova espécie de peixe subterrâneo no norte da Índia, na Ásia. Batizada Gangaichthys indonepalicus, a pequena criatura é o primeiro peixe adaptado à vida subterrânea (ou estigobionte) registrado na bacia do rio Ganges. Um artigo que descreve a nova espécie foi publicado na revista científica ZooKeys. 
Com cerca de 4 centímetros de comprimento, o animal pertence à família Chaudhuriidae, grupo conhecido popularmente como enguias-minhoca. A espécie apresenta características típicas de animais que vivem permanentemente em ambientes sem luz, como ausência de pigmentação, corpo translúcido e olhos extremamente reduzidos e recobertos por pele.
A história da descoberta começou quando pesquisadores encontraram nas redes sociais um vídeo que mostrava um pequeno peixe incomum emergindo de um poço artesiano próximo à fronteira entre a Índia e o Nepal. A aparência do animal chamou a atenção da equipe, especialmente porque não havia registros conhecidos de peixes estigobíticos naquela região.
“A morfologia singular do peixe no vídeo, e o fato de não haver registros de peixes estigobíticos na região, nos motivaram a rastrear a espécie para determinar sua identidade”, explicaram os pesquisadores no estudo, em comunicado.
Busca debaixo da terra
Para encontrar o animal, os cientistas identificaram possíveis poços artesianos e bombas manuais onde o peixe poderia estar vivendo. Então, precisaram obter autorização dos proprietários para coletar amostras e bombear a água manualmente para trazer os animais à superfície.
Poço artesiano de onde foi coletado um dos exemplares da nova espécie de peixe descoberta
Ishan Agarwal
O esforço finalmente deu resultado. O primeiro exemplar apareceu depois que aproximadamente 2 mil litros de água foram bombeados. Entretanto, o animal, foi danificado durante o processo e morreu imediatamente.
A equipe continuou a busca no mesmo poço. Depois de retirar outros 500 litros de água, encontrou um segundo exemplar e, desta vez, intacto. O animal foi posteriormente escolhido como holótipo, ou seja, o espécime de referência usado formalmente na descrição científica da espécie.
Um peixe adaptado à escuridão
As características do Gangaichthys indonepalicus revelam como a vida em ambientes subterrâneos pode moldar a anatomia dos animais. O seu corpo é translúcido e não apresenta pigmentação, enquanto os olhos são reduzidos e ficam escondidos sob a pele. O espécime também não possui costelas, outra característica que diferencia o animal de seus parentes conhecidos.
Para investigar sua anatomia em detalhes, os pesquisadores utilizaram tomografias computadorizadas de alta resolução. Análises genéticas também foram realizadas e confirmaram que o animal não correspondia a nenhuma espécie conhecida.
 Gangaichthys indonepalicus, nova espécie de enguia encontrada na Índia
Ishan Agarwal
Os resultados mostraram que não se tratava apenas de uma nova espécie, mas de um novo gênero dentro da família Chaudhuriidae. O gênero recebeu o nome Gangaichthys, uma combinação que significa “peixe do Ganges”. Essa escolha faz referência à importância do rio para a região. O Ganges é uma das principais fontes de água e sustento para milhões de pessoas e possui grande importância cultural e religiosa.
O nome da espécie, indonepalicus, faz referência à localização do animal. Isso porque a espécie foi encontrada em uma região próxima à fronteira entre Índia e Nepal. Para os pesquisadores, o caso também evidencia uma lacuna maior no conhecimento sobre a biodiversidade da Índia.
“A Índia é um país incrivelmente diverso, abrangendo enormes gradientes de clima e topografia e múltiplas regiões biogeográficas”, afirmou Ishan Agarwal, um dos pesquisadores envolvidos no estudo. “No entanto, existe uma enorme lacuna no conhecimento, com muitas outras espécies ainda por serem descobertas.”  </description>  <media:content url="https://s2-galileu.glbimg.com/ZTVjWxouwNVDNFvyHnQYWTGlQqE=/i.s3.glbimg.com/v1/AUTH_fde5cd494fb04473a83fa5fd57ad4542/internal_photos/bs/2026/P/6/8deIaBQBmnsspy0zv5bg/img-7939.jpg" medium="image"/>   <media:description>Os pesquisadores tiveram que bombear água na Índia para encontrar a espécie Gangaichthys indonepalicus</media:description>   <media:credit>Ishan Agarwal</media:credit>  <category>galileu</category> <pubDate>Mon, 17 Aug 2026 20:04:13 -0000</pubDate>  </item>  <item> <title>Homem retorna livro à biblioteca na Austrália com 150 anos de atraso; veja qual seria multa</title>  <atom:subtitle>Depois de passar décadas escondido dentro de uma caixa de chá, livro retorna à biblioteca australiana onde foi emprestado no século 19</atom:subtitle>  <link>https://revistagalileu.globo.com/sociedade/curiosidade/noticia/2026/08/homem-retorna-livro-a-biblioteca-na-australia-com-150-anos-de-atraso-veja-qual-seria-multa.ghtml</link> <guid isPermaLink="true">https://revistagalileu.globo.com/sociedade/curiosidade/noticia/2026/08/homem-retorna-livro-a-biblioteca-na-australia-com-150-anos-de-atraso-veja-qual-seria-multa.ghtml</guid> <description>  <![CDATA[ <img src="https://s2-galileu.glbimg.com/Njut2k6N0yaU2KWYpSqnDZKlQRM=/i.s3.glbimg.com/v1/AUTH_fde5cd494fb04473a83fa5fd57ad4542/internal_photos/bs/2026/v/6/gELFXQQBGNzUsjLZlQ9A/library-book.webp" /><br /> ]]>    Um exemplar de As Antiguidades de Atenas que estava "emprestado" desde a década de 1870 voltou recentemente para a Biblioteca de Kiama, na Austrália. O livro passou cerca de 150 anos longe das prateleiras da biblioteca — e, por boa parte desse tempo, ficou escondido dentro de uma antiga caixa de chá.
A história começou há cerca de 30 anos, quando uma família australiana reformava a própria casa e encontrou uma caixa de chá antiga que havia sido lacrada dentro de uma lareira. Dentro dela estava o livro, que acabou permanecendo guardado por décadas. O exemplar trata da arquitetura grega clássica e, apesar de apresentar danos causados pela água, está em condições consideradas surpreendentemente boas.
Recentemente, Ross Simmons, de 77 anos, começou a folhear o exemplar e percebeu um carimbo com o nome “Biblioteca Pública de Kiama”. Foi então que ele se deu conta de que o livro poderia ter sido emprestado pela instituição muito tempo atrás. Simmons levou o volume de volta à biblioteca, na cidade de Kiama, em Nova Gales do Sul, cerca de duas horas de Sydney. A gerente da instituição, Michelle Hudson, recebeu o livro e percebeu imediatamente que se tratava de um exemplar antigo.
Um empréstimo que atravessou gerações
A Biblioteca de Kiama foi fundada em 1872 e, nos primeiros anos, tinha menos de mil livros em seu acervo. Registros mostram que As Antiguidades de Atenas era o título de número 506 da coleção, como aponta a revista Smithsonian.
Não é possível saber exatamente quando ou por quem o livro foi retirado da biblioteca, porque os registros com os nomes dos antigos usuários foram perdidos. Ainda assim, funcionários estimam que o empréstimo tenha ocorrido em algum momento da década de 1870.
Simmons suspeita que o responsável possa ter sido um parente seu, John Simmons, que se tornou arquiteto depois de imigrar para a Austrália em 1857. Segundo ele, o livro pode ter permanecido na casa da família naquela época, embora essa seja apenas uma hipótese.
"Ele tinha bastante interesse em arquitetura, construção e edificação", disse Simmons, em entrevista à BBC News. E acrescentou que o livro atrasado "provavelmente estava em uma prateleira em sua casa" e era usado como referência por seu bisavô.
Uma multa bem salgada
Se o livro tivesse sido devolvido seguindo as regras vigentes no século 19, a conta seria bastante alta. Os antigos estatutos da biblioteca, impressos dentro do próprio livro, determinavam que os usuários poderiam ficar com uma obra por um mês. Depois desse período, seria cobrada uma multa de threepence (à época, moeda oficial do Reino Unido, substituída depois pela libra) por semana.
Estatuto da biblioteca, do século 19, fixado dentro do livro
Kiama Library
Segundo a biblioteca, 150 anos de atraso equivaleriam hoje a cerca de 28 mil dólares australianos (cerca de  R$ 103 mil, na cotação atual), considerando a inflação. Mas Simmons não precisará pagar a conta, já que a Biblioteca de Kiama não cobra mais multas por atraso.
As regras antigas também revelam alguns costumes curiosos da instituição. Na época, a maioria das famílias só podia pegar um livro emprestado por vez. Mas havia uma exceção: era possível retirar até três exemplares caso fosse comprovado que seis integrantes da família soubessem ler. Outra regra determinava que as pessoas que tentassem pegar livros emprestados enquanto estivessem embriagadas não teriam direito a recebê-lo.

Apesar de ter retornado à biblioteca, As Antiguidades de Atenas não poderá ser levado novamente para casa por outros leitores. A instituição decidiu incorporar o livro à sua coleção de história local, permitindo que visitantes interessados possam vê-lo pessoalmente. A decisão tem uma justificativa simples: os funcionários não querem esperar outros 150 anos para que o livro seja devolvido.
A história já chamou atenção de moradores da região, alguns até mesmo já viajaram cerca de 40 minutos para ver o exemplar. Para a biblioteca, o episódio representa uma história de sobrevivência do livro e de redenção de quem finalmente o devolveu. E o próprio título da obra — sobre as antiguidade de Atenas — acabou ganhando um significado apropriado para uma publicação que atravessou gerações.  </description>  <media:content url="https://s2-galileu.glbimg.com/Njut2k6N0yaU2KWYpSqnDZKlQRM=/i.s3.glbimg.com/v1/AUTH_fde5cd494fb04473a83fa5fd57ad4542/internal_photos/bs/2026/v/6/gELFXQQBGNzUsjLZlQ9A/library-book.webp" medium="image"/>   <media:description>Acredita-se que John Simmons, um aprendiz de pedreiro que ajudou na construção do Palácio de Westminster, na Inglaterra, tenha pegado o livro emprestado para ajudá-lo em sua carreira</media:description>   <media:credit>Kiama Library</media:credit>  <category>galileu</category> <pubDate>Mon, 17 Aug 2026 17:16:39 -0000</pubDate>  </item>  <item> <title>Seca intensa na Europa revela ponte romana do século 4 escondida no rio Danúbio</title>  <atom:subtitle>Estrutura romana foi construída durante o Império de Constantino I no século 4º d.C., e ligava os atuais territórios da Bulgária e da Romênia</atom:subtitle>  <link>https://revistagalileu.globo.com/ciencia/arqueologia/noticia/2026/08/seca-intensa-na-europa-revela-ponte-romana-do-seculo-4-escondida-no-rio-danubio.ghtml</link> <guid isPermaLink="true">https://revistagalileu.globo.com/ciencia/arqueologia/noticia/2026/08/seca-intensa-na-europa-revela-ponte-romana-do-seculo-4-escondida-no-rio-danubio.ghtml</guid> <description>  <![CDATA[ <img src="https://s2-galileu.glbimg.com/yYq0voMD7UUPPdShVmGvEsTkVbk=/i.s3.glbimg.com/v1/AUTH_fde5cd494fb04473a83fa5fd57ad4542/internal_photos/bs/2026/S/u/AD1109QO2EMnODls1i5g/news-20260814-bulgaria-bridge-foundations.jpg" /><br /> ]]>    O nível baixo do rio Danúbio, na Europa, revelou parte das fundações de uma das maiores pontes construídas durante a Antiguidade. Os vestígios pertencem à ponte de Constantino, o Grande, erguida no século 4º d.C. para conectar a cidade romana de Ulpia Oescus, na atual Bulgária, a Sucidava, do outro lado do rio, no território da atual Romênia.
A estrutura veio à tona nas proximidades da vila de Gigen, no norte da Bulgária, onde ficava Ulpia Oescus. Com mais de dois quilômetros de extensão, a ponte é considerada uma das maiores obras desse tipo construídas pelos romanos, e um importante exemplo da engenharia do período romano tardio.
A construção foi ordenada pelo imperador Constantino I e concluída em 328 d.C., permitia a travessia do Danúbio e integrava uma importante rota de comunicação entre diferentes partes do Império Romano. Apesar de sua dimensão e importância estratégica, a estrutura teve uma existência relativamente curta: pesquisadores acreditam que ela tenha sido destruída por volta de 367 d.C.
Vislumbre do passado
O reaparecimento da ponte ocorre em meio a um período de calor intenso e condições de seca que atingiram diferentes regiões da Europa durante o verão de 2026. Com a redução do volume de água de grandes rios, como o Danúbio e o Reno, tem deixado à mostra estruturas que normalmente permanecem submersas.
“Para os arqueólogos, estas são oportunidades extremamente valiosas, porque a natureza revela brevemente um objeto que normalmente permanece oculto sob as águas do Danúbio”, afirma Pavel Popov, do Museu Histórico Regional de Pleven, ao Greek Reporter. “Temos a rara oportunidade de observá-lo, documentá-lo e estudá-lo em seu ambiente real”.
Após a aparição, uma equipe do Museu Histórico Regional de Pleven realizou um levantamento dos restos expostos. Os pesquisadores utilizaram drones para produzir fotografias aéreas, mapear as estruturas e avaliar seu estado de conservação. Com esses registro pode ajudar os especialistas a compreender melhor tanto as técnicas utilizadas na construção da ponte quanto os processos que contribuíram para a preservação de seus vestígios ao longo de mais de 1.600 anos.  </description>  <media:content url="https://s2-galileu.glbimg.com/yYq0voMD7UUPPdShVmGvEsTkVbk=/i.s3.glbimg.com/v1/AUTH_fde5cd494fb04473a83fa5fd57ad4542/internal_photos/bs/2026/S/u/AD1109QO2EMnODls1i5g/news-20260814-bulgaria-bridge-foundations.jpg" medium="image"/>   <media:description>Uma imagem feita por drone mostra os alicerces de uma ponte da época romana que, há séculos, atravessava o rio Danúbio</media:description>   <media:credit>Museu Histórico Regional Pavel Popov/Pleven</media:credit>  <category>galileu</category> <pubDate>Mon, 17 Aug 2026 15:39:47 -0000</pubDate>  </item>  <item> <title>Maior avião elétrico do mundo voa pela primeira vez; veja vídeo</title>  <atom:subtitle>Maior aeronave elétrica a bateria já construída, Heart X1 realizou voo de 27 minutos nos Estados Unidos, alcançando mais de 300 metros de altitude. Assista ao momento</atom:subtitle>  <link>https://revistagalileu.globo.com/tecnologia/noticia/2026/08/maior-aviao-eletrico-do-mundo-voa-pela-primeira-vez-veja-video.ghtml</link> <guid isPermaLink="true">https://revistagalileu.globo.com/tecnologia/noticia/2026/08/maior-aviao-eletrico-do-mundo-voa-pela-primeira-vez-veja-video.ghtml</guid> <description>  <![CDATA[ <img src="https://s2-galileu.glbimg.com/tInehwhXvGS5n3IWVi-1VHwBkbI=/i.s3.glbimg.com/v1/AUTH_fde5cd494fb04473a83fa5fd57ad4542/internal_photos/bs/2026/m/t/IkoPGCRtWLfBjJy49C9w/x1-633.jpg" /><br /> ]]>    O avião Heart X1, da empresa sueco-americana Heart Aerospace, realizou seu primeiro voo na última quarta-feira (12), nos Estados Unidos. Com mais de 11,3 toneladas de peso de decolagem e 32 metros de envergadura, o modelo se tornou a maior aeronave totalmente elétrica movida a baterias já construída.
O voo aconteceu na base de testes da empresa no Aeroporto Internacional de Plattsburgh, no estado de Nova York. A missão tripulada durou 27 minutos, e o X1 chegou a 1.100 pés (cerca de 335 metros) de altitude. Durante o teste, o sistema de propulsão, que é totalmente elétrico, forneceu mais de 1 MegaWatt (MW) de potência.
O demonstrador X1 da Heart Aerospace realiza manobras de flare acima da pista antes do pouso no Aeroporto Internacional de Plattsburgh, ao final de seu primeiro voo em Nova York, em agosto de 2026.
Brian Jenkins
A aeronave foi testada sob um Certificado Especial de Aeronavegabilidade da Administração Federal de Aviação dos Estados Unidos (FAA), na categoria experimental. O voo incluiu procedimentos de táxi, decolagem, subida, manobras e pouso, com o objetivo de demonstrar a viabilidade da propulsão elétrica em uma escala próxima à de aeronaves comerciais.
Um dos destaques do teste foi o baixo consumo de energia. Segundo a Heart Aerospace, o voo de estreia custou em eletricidade somente US$ 5 (R$ 26,10, na atual cotação). A empresa afirma que o resultado demonstra o potencial da propulsão elétrica para reduzir os custos operacionais da aviação e diminuir a exposição das companhias aéreas às oscilações do preço dos combustíveis fósseis.
"Com o primeiro voo do X1, a Heart Aerospace demonstrou a viabilidade do voo elétrico na escala de uma aeronave comercial", disse em comunicado Anders Forslund, fundador e CEO da companhia. "Aeronaves comerciais elétricas têm o potencial de remodelar fundamentalmente a economia das companhias aéreas e até mesmo reduzir o custo das viagens aéreas para os passageiros."
Maquete da cabine com 30 assentos instalada a bordo da aeronave demonstradora X1 da Heart Aerospace para seu lançamento.
Patrik Olsson
X1 prepara caminho para avião de passageiros
O X1 foi desenvolvido para testar tecnologias, aerodinâmica e desempenho que serão utilizados no ES-30, futuro avião regional híbrido-elétrico da Heart Aerospace. O modelo terá capacidade para 30 passageiros e está sendo desenvolvido segundo as regras da FAA para aeronaves comerciais.
O início da operação do ES-30 está prevista para 2031. O avião poderá reduzir em mais de 40% os custos operacionais em comparação com aeronaves regionais convencionais, graças principalmente aos menores gastos com energia e manutenção.
Maquete da cabine de comando instalada a bordo da aeronave demonstradora X1 da Heart Aerospace para seu lançamento
Patrik Olsson
O projeto já conta com apoio de empresas como United Airlines, Air Canada e JSX. "A transição energética para a aviação exigirá uma série de soluções, desde eficiências operacionais a combustíveis de aviação sustentáveis ​​e, em última instância, o desenvolvimento de novas tecnologias de aeronaves", disse John Di Bert, Vice-Presidente Executivo e Diretor Financeiro da Air Canada.
O próximo passo do projeto é a construção do primeiro protótipo do ES-30. A aeronave está sendo desenvolvida na fábrica piloto da Heart Aerospace em Los Angeles, e os primeiros testes de voo estão previstos para 2028.
O avião demonstrador X1 da Heart Aerospace sobe após a decolagem em seu primeiro voo no Aeroporto Internacional de Plattsburgh, em Nova York, em agosto de 2026.
Heart Aerospace
"Por meio do programa X1, a Heart desenvolveu a capacidade de projetar, construir, testar, operar e aprimorar continuamente uma aeronave comercial elétrica totalmente nova", disse Ben Stabler, Diretor de Tecnologia. "Estamos levando essa capacidade completa diretamente para o ES-30, nossa primeira aeronave de produção e a base de uma plataforma tecnológica mais ampla para aviões comerciais elétricos". 
A seguir, veja o vídeo do primeiro voo da aeronave:  </description>  <media:content url="https://s2-galileu.glbimg.com/tInehwhXvGS5n3IWVi-1VHwBkbI=/i.s3.glbimg.com/v1/AUTH_fde5cd494fb04473a83fa5fd57ad4542/internal_photos/bs/2026/m/t/IkoPGCRtWLfBjJy49C9w/x1-633.jpg" medium="image"/>   <media:description>Heart X1, da empresa sueco-americana Heart Aerospace, realizou seu primeiro voo na última quarta-feira (12), nos Estados Unidos</media:description>   <media:credit>Brian Jenkins/Divulgação</media:credit>  <category>galileu</category> <pubDate>Mon, 17 Aug 2026 15:36:45 -0000</pubDate>  </item>  <item> <title>Tatuagens podem ser tóxicas? Entenda o que diz a ciência</title>  <atom:subtitle>Embora pesquisas científicas que investigaram o tema não sejam 100% conclusivas, o fato é que, sim, há riscos. Entenda por quê</atom:subtitle>  <link>https://revistagalileu.globo.com/saude/noticia/2026/08/tatuagens-podem-ser-toxicas-o-que-diz-a-ciencia.ghtml</link> <guid isPermaLink="true">https://revistagalileu.globo.com/saude/noticia/2026/08/tatuagens-podem-ser-toxicas-o-que-diz-a-ciencia.ghtml</guid> <description>  <![CDATA[ <img src="https://s2-galileu.glbimg.com/__01Ae3f8eWAgfYf93ZShV_wyRY=/i.s3.glbimg.com/v1/AUTH_fde5cd494fb04473a83fa5fd57ad4542/internal_photos/bs/2025/U/r/NnDFGjTBWLlqaFBgC3nw/benjamin-lehman-5t4qcgtalgu-unsplash.jpg" /><br /> ]]>    Tatuagens são um dos maiores símbolos culturais da vida moderna: estima-se que entre 12% e 32% de toda a população adulta mundial possua pelo menos uma. O termo vem de “tatau”, da língua falada no Taiti, onde era usada para descrever as marcas feitas nos corpos de nobres, sacerdotes e guerreiros. Quando os marinheiros ocidentais chegaram à Polinésia no século 18, tomaram para si a prática das tatuagens.
Mas será que a tinta é tóxica? Há muitos estudos apontando que sim, embora isso não signifique que as pessoas tatuadas estejam necessariamente sob risco. A resposta para essa pergunta tem mais nuances do que apenas “sim” ou “não”.
A tinta de uma tatuagem é composta de aproximadamente 100 substâncias diferentes, incluindo pigmento, solventes, estabilizantes, conservantes e impurezas do processo industrial. Os compostos mais preocupantes são os hidrocarbonetos aromáticos policíclicos (HAPs), as aminas aromáticas primárias (AAPs) e os metais pesados (como níquel, cromo, cádmio e arsênio) que podem ser encontrados nas tintas em diferentes concentrações. Muitas dessas substâncias foram desenvolvidas para uso industrial, como tinta de carro e toner de impressora, não para serem aplicadas na pele.
A exposição a essas substâncias está associada a doenças cardiovasculares, gastrointestinais e neurodegenerativas, além de um risco maior de vários tipos de câncer, incluindo de pulmão, rim, fígado, pele e bexiga — dependendo da substância específica. O risco pode variar muito de um fabricante para outro e até a cor pode ser um fator importante — há estudos que sugerem que pigmentos vermelhos estão desproporcionalmente associados a relatos de alguns tipos de câncer de pele, embora ainda não existam evidências suficientes para estabelecer uma relação de causa e efeito.
Aliás, é importante falar dos ratos porque é justamente aí que está um gargalo científico: a grande maioria dos problemas associados às substâncias citadas está relacionada ao uso oral, respiratório ou dérmico. O uso intradérmico, como o da tatuagem, ainda tem poucas pesquisas específicas. Falta estudar, por exemplo, os efeitos em humanos no longo prazo, já que a pessoa fica com a tatuagem pela vida toda.
Riscos analisados pelos cientistas
Mas isso não significa que os cientistas não estejam trabalhando. Os estudos que existem apontam uma associação crescente entre os compostos presentes nas tintas de tatuagem e riscos à saúde. 
O centro do problema está no fato de que a tinta não fica apenas onde foi injetada. Após a tatuagem, parte da tinta é capturada por macrófagos (células imunológicas de defesa) e outras células da pele, enquanto outra parte permanece dispersa entre fibroblastos na derme. Uma quantidade significativa se acumula nos nódulos linfáticos, a partir dos quais seus compostos podem contribuir para uma série de problemas, como câncer em diversos órgãos, linfoma não-Hodgkin e melanoma maligno.
Um estudo recente investigou essa jornada da tinta pelo sistema linfático. Ele constatou que, nos nódulos linfáticos, os macrófagos (células imunológicas de defesa), que são os que mais “comem” essa tinta, frequentemente sofrem morte celular, o que pode, em tese, enfraquecer a resposta a vacinas e aumentar a suscetibilidade ao câncer.
Não é só câncer
Apesar de o câncer ser uma ameaça no longo prazo, os riscos à saúde associados às tatuagens mais bem documentados são as reações alérgicas e inflamatórias. Algumas cores, especialmente as amarelas, vermelhas e verdes, podem provocar coceira persistente, dermatite, inflamações, inchaço e granulomas (pequenos nódulos causados pela reação imunológica).
Essas reações podem surgir meses ou anos após a realização da tatuagem e podem ser desencadeadas pela exposição ao Sol ou por alterações na função imunológica. Até mesmo a remoção da tatuagem pode ser um fator de risco, pois o processo de quebra do pigmento pode gerar substâncias menores e tóxicas. Pessoas com doenças autoimunes ou sistema imunológico debilitado podem ficar especialmente vulneráveis.
E as tatuagens Sak Yant?
Existe uma história difundida na internet de que as tatuagens Sak Yant seriam as únicas a utilizar uma tinta “pura”, livre de tóxicos. As Sak Yant são tatuagens baseadas em antigos yantras indianos e incorporam elementos das tradições hindu, animista e budista, com origens observadas em Tailândia, Camboja e Laos. São consideradas símbolos poderosos capazes de afastar influências negativas e, dentro da tradição, tidas como sagradas.
O costume milenar virou atração turística: muita gente faz uma em Bangkok, submetendo-se ao processo doloroso conduzido por monges budistas ou mestres espirituais. Celebridades como Angelina Jolie e Ed Sheeran possuem suas Sak Yant.
Segundo a crença, a receita da tinta seria secreta, às vezes descrita como contendo ervas, cinzas, carvão, óleos e até ingredientes exóticos. Não há evidência comprovada, porém, de que essa tinta seja especialmente segura ou completamente não tóxica. Pesquisadores que estudam Sak Yant observam que muitas histórias sobre “ingredientes mágicos” ou fórmulas secretas são exageradas e que, atualmente, muitos praticantes utilizam tintas comerciais comuns.
Regulamentação é importante
Apesar das evidências de que alguns componentes das tintas possam representar riscos, é preciso frisar que tatuagem não é veneno. O risco depende de vários fatores: composição da tinta, qualidade do fabricante, higiene do procedimento, tamanho da tatuagem e resposta individual do sistema imunológico, entre outros. Por isso, o ideal é sempre realizar a tatuagem em estúdios confiáveis e com profissionais responsáveis.
O assunto é tão relativamente inexplorado que até as regulamentações ainda são recentes. A Agência Europeia de Produtos Químicos (ECHA), por exemplo, só formalizou sua regulamentação em 2020, estabelecendo limites máximos de concentração para mais de 4.000 substâncias nas tintas para tatuagem. 
No Brasil, a Anvisa possui regulação para alguns produtos usados em tatuagens e bane alguns tipos de compostos químicos. Mas as normas e a fiscalização ainda são consideradas insuficientes.  </description>  <media:content url="https://s2-galileu.glbimg.com/__01Ae3f8eWAgfYf93ZShV_wyRY=/i.s3.glbimg.com/v1/AUTH_fde5cd494fb04473a83fa5fd57ad4542/internal_photos/bs/2025/U/r/NnDFGjTBWLlqaFBgC3nw/benjamin-lehman-5t4qcgtalgu-unsplash.jpg" medium="image"/>   <media:description>Será que a tinta usada nas tatuagens é tóxica? Entenda o que a ciência já sabe</media:description>   <media:credit>Benjamin Lehman/Unsplash</media:credit>  <category>galileu</category> <pubDate>Mon, 17 Aug 2026 13:00:26 -0000</pubDate>  </item>  <item> <title>Estudo identifica como o linfoma “desliga” células de defesa do organismo</title>  <atom:subtitle>Pesquisa revela que câncer bloqueia proteína essencial para maturação das células imunes, permitindo que a doença evolua de maneira agressiva</atom:subtitle>  <link>https://revistagalileu.globo.com/saude/noticia/2026/08/estudo-identifica-como-o-linfoma-desliga-celulas-de-defesa-do-organismo.ghtml</link> <guid isPermaLink="true">https://revistagalileu.globo.com/saude/noticia/2026/08/estudo-identifica-como-o-linfoma-desliga-celulas-de-defesa-do-organismo.ghtml</guid> <description>  <![CDATA[ <img src="https://s2-galileu.glbimg.com/UfQSqrQ3xpPReKZoc7Wmrw9eP_I=/i.s3.glbimg.com/v1/AUTH_fde5cd494fb04473a83fa5fd57ad4542/internal_photos/bs/2025/U/G/0NcdACTTOP5B8qvaAy9g/burkitt-lymphoma-touch-prep-wright-stain.jpg" /><br /> ]]>    O linfoma é um tipo de câncer que ataca o sistema linfático, responsável por produzir as células de defesa do organismo. Há mais de 60 tipos diferentes desse tumor, divididos em dois grandes grupos: Hodgkin e não Hodgkin. Uma das formas mais agressivas, o linfoma difuso de grandes células B (LDGCB), é também uma das mais frequentes na população: estima-se que 40% dos linfomas não Hodgkin sejam LDGCB, o que no Brasil representa quase 5 mil novos diagnósticos por ano, segundo o Instituto Nacional de Câncer (Inca).
“O LDGCB é um dos tipos mais agressivos por ter uma capacidade de crescimento muito rápido e por sua facilidade de ocorrer fora dos linfonodos”, explica o hematologista Guilherme Perini, do Centro de Excelência em Linfomas do Einstein Hospital Israelita. Daí por que a ciência tem se dedicado a estudar mais esses tumores. Um estudo publicado em março no Journal of Immunology encontrou respostas que podem ajudar a entender sua origem, agressividade e até indicar um caminho novo de tratamento.
Pesquisadores do Instituto de Pesquisa Josep Carreras, na Espanha, identificaram em células humanas in vitro e depois em animais um mecanismo pelo qual o linfoma consegue comprometer o sistema imunológico, facilitando a própria multiplicação. De acordo com os achados, o LDGCB age impedindo a expressão de uma proteína responsável pelo amadurecimento das células B, que produzem anticorpos e são uma das principais linhas de defesa do organismo.
Ao não receberem uma proteína chamada HDAC7, as células passam a se multiplicar descontroladamente. O estudo indica que a diminuição dessa proteína foi associada a um prognóstico ruim, possivelmente facilitando o avanço da doença. “O linfoma não ataca diretamente a proteína, mas diminui sua expressão de modo que essas células não conseguem chegar aos níveis adequados de HDAC7. Dessa maneira, elas ficam presas em um estado imaturo que as conduz a uma proliferação de forma descontrolada, agressiva e sem serem capazes de cumprir sua função como células de defesa", explica a pesquisadora Mar Gusi-Vives, uma das autoras do artigo, à Agência Einstein.
Uma maneira de entender o mecanismo é pensar que ele desativa “interruptores”. “A presença do tumor não altera a célula de defesa, mas muda como ela manifesta seus genes. Em condições normais e saudáveis, esse interruptor permanece ligado, já que tem um papel importante na maturação da célula. Mas as mutações cancerígenas parecem conseguir desligá-lo permanentemente, mesmo sem comprometer o DNA”, esmiúça Gusi-Vives.
Esse processo pode ajudar a explicar o que leva o LDGCB a avançar tão rapidamente. Mas a pesquisa também aponta como religar o “interruptor” desativado. Isso melhorou a saúde de animais com linfoma, além de mostrar bons resultados de redução de células tumorais. “Ao fazer a reexpressão dessa proteína, as células conseguiram retomar essa programação de amadurecimento que havia sido interrompida e se desenvolver para se tornarem células de defesa”, analisa Perini. “O linfoma surge exatamente quando há um erro na programação da célula, como um bug de computador. A pesquisa identificou a origem desse bug e mostrou que, quando você arruma esse pequeno problema no código, é possível fazer com que a célula volte ao normal.”
Longo caminho
Apesar dos resultados animadores, é preciso cautela. "Em pessoas, não é possível reintroduzir a proteína como fizemos em nível experimental”, avisa a pesquisadora. “Em pacientes, o que teremos que buscar é impedir que o tumor bloqueie a expressão da proteína.” 
Vale lembrar também que a trajetória de uma descoberta em animais até se tornar uma terapia eficaz em humanos é complexa. "Após a prova biológica, demonstrada no estudo, inicia-se um longo caminho para saber se isso pode se reverter em uma terapia. Para isso, a proteína usada tem de ser eficaz e ter pouco efeito em outras células normais”, explica o hematologista do Einstein. 
Atualmente, o tratamento do linfoma difuso de grandes células B combina quimioterapia e imunoterapia. Com diagnóstico precoce e terapias corretas, estima-se que 70% dos pacientes alcançam a remissão completa. Para os casos em que a doença resiste, uma alternativa promissora são as terapias celulares, como a CAR-T, que utiliza células do próprio paciente, modificadas geneticamente, para atacar células relacionadas ao câncer sanguíneo. "O futuro é a gente ter um arsenal de terapias cada vez mais variado, e novas armas são sempre bem recebidas nessa batalha", conclui Guilherme Perini. 
Este artigo foi publicado originalmente pela Agência Einstein  </description>  <media:content url="https://s2-galileu.glbimg.com/UfQSqrQ3xpPReKZoc7Wmrw9eP_I=/i.s3.glbimg.com/v1/AUTH_fde5cd494fb04473a83fa5fd57ad4542/internal_photos/bs/2025/U/G/0NcdACTTOP5B8qvaAy9g/burkitt-lymphoma-touch-prep-wright-stain.jpg" medium="image"/>   <media:description>Um linfoma visto em microscópio. Novo estudo descobriu como esse tipo de câncer é capaz de desligar as células de defesa do corpo</media:description>   <media:credit>Wikimedia Commons</media:credit>  <category>galileu</category> <pubDate>Sun, 16 Aug 2026 20:00:13 -0000</pubDate>  </item>  <item> <title>Como funciona o reconhecimento facial do celular? </title>  <atom:subtitle>A maioria dos celulares e sistemas de segurança utiliza modelos baseados em inteligência artificial. Entenda que características do seu rosto eles consideram</atom:subtitle>  <link>https://revistagalileu.globo.com/tecnologia/noticia/2026/08/como-funciona-o-reconhecimento-facial-do-celular.ghtml</link> <guid isPermaLink="true">https://revistagalileu.globo.com/tecnologia/noticia/2026/08/como-funciona-o-reconhecimento-facial-do-celular.ghtml</guid> <description>  <![CDATA[ <img src="https://s2-galileu.glbimg.com/WHOPyzMg4JJ3jKG42QNdP6Nakp4=/i.s3.glbimg.com/v1/AUTH_fde5cd494fb04473a83fa5fd57ad4542/internal_photos/bs/2026/w/V/P81WxqR1GwKjuyGcKcEg/pexels-cottonbro-5473956.jpg" /><br /> ]]>    Costumamos lembrar do reconhecimento facial todo dia porque ele se tornou uma parte essencial da segurança dos nossos celulares. Mas essa está longe de ser sua única função: o reconhecimento facial também está presente nos tagueamentos de fotos, nas verificações dos sistemas bancários e nos controles de segurança dos aeroportos, para ficarmos apenas em alguns exemplos.
Antigamente, esse reconhecimento era feito principalmente por meio de algoritmos analisadores de características. Esses programas analisavam o formato do rosto, mediam o tamanho das partes (nariz, olhos) e identificavam pontos-chave (pintas, pelos, cicatrizes). A vantagem desses algoritmos é que seu funcionamento era relativamente simples, tanto é que muitos celulares antigos ainda os utilizam. A desvantagem é que mudanças bruscas de ângulo e iluminação podem deixá-los confusos.
Hoje, a maioria dos celulares e sistemas de segurança utiliza modelos baseados em inteligência artificial, especialmente redes neurais profundas, que são mais sofisticadas. Eles tratam cada rosto como uma combinação de valores — uma mesma pessoa terá suas fotos com valores parecidos para todas as áreas, sendo que, ao mesmo tempo, esses valores serão diferentes (quando vistos em conjunto) dos atribuídos para outros indivíduos.
Esse método efetivamente transforma nossos rostos em vetores numéricos, permitindo um nível de reconhecimento que até mesmo ultrapassa o do olho humano. Tudo isso foi permitido por causa de ferramentas de deep learning treinadas com bilhões de fotos de bancos de dados. 
Dessa forma, em vez de a ferramenta pensar “deixa eu ver se esse nariz é igual ao da Giovana” e comparar foto por foto, ela cria uma representação matemática do rosto inteiro (o “vetor facial”, ou facial embedding), que resulta de milhares de características aprendidas. Depois, faz uma varredura e compara esse conjunto com outros registros armazenados no banco de dados.
Passo a passo
O reconhecimento facial é feito seguindo estas etapas:
Captura e detecção
Após a câmera fazer o registro da imagem, um algoritmo de deep learning processa o conteúdo para achar o rosto ali dentro — afinal, essa tecnologia não existe só para destravar o celular, mas também para detectar pessoas em fotos, encontrar suspeitos em multidões, etc. Por isso, é preciso eliminar todo o ruído, como o fundo, outras pessoas, rastros de movimento, objetos, etc. Quando o rosto é detectado com confiança suficiente, seguimos para o próximo passo.
Análise
O rosto é mapeado digitalmente e valores numéricos são atribuídos às características. Isso inclui, por exemplo, a profundidade das cavidades dos olhos, o formato das bochechas, o contorno dos lábios, etc. O sistema então converte todas essas informações em uma sequência de números ou pontos — o "vetor facial" que já citamos. Os modelos de deep learning atuais conseguem distinguir as características mais úteis para o reconhecimento e permitem que o sistema identifique uma pessoa mesmo que ela mude o penteado, deixe a barba crescer ou use óculos.
Reconhecimento
A impressão facial é então comparada com os registros guardados em um banco de dados. Como dissemos antes, a comparação não é feita foto por foto e sim entre valores numéricos obtidos após a análise de rosto, de modo a produzir resultados mais precisos. Nos celulares, esse banco de dados é armazenado localmente. Mas, para outros usos, há outros sistemas: o FBI dos EUA, por exemplo, tem um banco com 650 milhões de fotos, enquanto o Facebook treinou seu banco a partir de todas as imagens que já foram subidas em sua rede (centenas de bilhões).
Tomada de decisão
Se o rosto é reconhecido no banco de dados, a pessoa é identificada pelo sistema. A partir daí, ele toma uma decisão. Por exemplo: destravar o uso do celular. Ou então, no caso de um programa de segurança, apontar a identificação para o responsável.
É preciso lembrar que, no início, muitos sistemas de reconhecimento faziam seu processo apenas a partir de imagens 2D. Hoje em dia, mesmo nos celulares, já há tecnologias que utilizam imagens em 3D, como o Face ID da Apple. No caso dos smartphones, os aparelhos emitem pontos de luz infravermelha inofensivas sobre o rosto do fotografado e calculam o tempo que esses sinais demoram para voltar para o aparelho. Isso permite criar um mapa 3D do rosto, algo que, combinado às informações da imagem 2D, ajudam a produzir uma identificação mais precisa.
Em alguns contextos, imagens térmicas também podem ser utilizadas para o reconhecimento facial. Elas também detectam a radiação infravermelha, mas aquela produzida naturalmente pelos corpos dos seres humanos. Embora seja uma tecnologia não muito útil para aplicações cotidianas, ela é bastante utilizada em contextos militares e de vigilância.  </description>  <media:content url="https://s2-galileu.glbimg.com/WHOPyzMg4JJ3jKG42QNdP6Nakp4=/i.s3.glbimg.com/v1/AUTH_fde5cd494fb04473a83fa5fd57ad4542/internal_photos/bs/2026/w/V/P81WxqR1GwKjuyGcKcEg/pexels-cottonbro-5473956.jpg" medium="image"/>   <media:description>Entenda como a tecnologia de reconhecimento facial funciona</media:description>   <media:credit>Cottonbro studio/Pexels</media:credit>  <category>galileu</category> <pubDate>Sun, 16 Aug 2026 18:00:11 -0000</pubDate>  </item>  <item> <title>Teste genético muda rumo de câncer hereditário em família acompanhada por 20 anos</title>  <atom:subtitle>Relato de caso publicado na revista CA: A Cancer Journal for Clinicians mostra como a análise genética e o estudo de biologia molecular permitiram confirmar o diagnóstico, orientar cirurgias preventivas e definir estratégias de vigilância personalizada ao longo de gerações</atom:subtitle>  <link>https://revistagalileu.globo.com/saude/noticia/2026/08/teste-genetico-muda-rumo-de-cancer-hereditario-em-familia-acompanhada-por-20-anos.ghtml</link> <guid isPermaLink="true">https://revistagalileu.globo.com/saude/noticia/2026/08/teste-genetico-muda-rumo-de-cancer-hereditario-em-familia-acompanhada-por-20-anos.ghtml</guid> <description>  <![CDATA[ <img src="https://s2-galileu.glbimg.com/5xc5PoOgPp7-1AM3Y6G38JsMV0U=/i.s3.glbimg.com/v1/AUTH_fde5cd494fb04473a83fa5fd57ad4542/internal_photos/bs/2026/M/r/bIDHJZSPGQHiOJeQln6w/58975.jpeg" /><br /> ]]>    O engenheiro mineiro Marcos Vinicius Sampaio Vieira, de 56 anos, passou um mês na Itália para se despedir do irmão mais velho, morto em junho em decorrência de um câncer no intestino. A perda reacendeu uma história que passou despercebida por gerações da família Vieira e que só começou a ser investigada 21 anos antes, quando Marcos, aos 35 anos de idade, descobriu por acaso três nódulos na tireoide – um deles com quatro centímetros – durante uma consulta de rotina no cardiologista.
“Fui encaminhado ao endocrinologista e inicialmente acharam que era bócio, um aumento anormal da glândula tireoide, porque os exames hormonais estavam normais. Mas eu fiquei desconfiado e pedi uma punção”, lembra Vieira.
A biópsia indicou um tumor maligno aparentemente comum e 100% curável com cirurgia e iodoterapia. Mas só após a retirada da tireoide veio a revelação de que Marcos tinha um carcinoma medular, um câncer raro, agressivo e com forte caráter genético, que pode ter fator hereditário ou não.
Em 2005, depois de retirar a tireoide, ele passou por uma segunda intervenção para o esvaziamento cervical (limpeza dos gânglios linfáticos). O objetivo dessa cirurgia mais invasiva e que deixou Marcos por alguns meses com dificuldade de movimentar o braço era “limpar” a região do pescoço para analisar os linfonodos e verificar se a doença havia se espalhado.
“O resultado foi que eu não tinha metástase, o que era uma notícia maravilhosa. Então segui a minha vida”, relata.
Mas seguir a vida, no caso dele, significava vigilância constante. Três anos após a retirada da tireoide, Marcos apresentou alterações no exame de sangue e uma tomografia detectou lesões metastáticas no fígado. “Embora fosse algo que eu soubesse que podia acontecer, foi um momento muito difícil e que eu não esperava, pois nunca apresentei sintoma nenhum”, conta.
Como o carcinoma medular pode ser transmitido geneticamente, foi realizada uma investigação na família do engenheiro para saber se seu irmão, seus dois filhos e as duas sobrinhas poderiam desenvolver a mesma doença.
Os primeiros exames deram negativo para todos os parentes testados. Mas a sensação de segurança foi quebrada quando o irmão de Marcos passou a apresentar nódulos visíveis na tireoide. Novos testes foram realizados em centros de referência e as análises confirmaram que os resultados anteriores haviam sido falsos negativos e a família poderia desenvolver o mesmo tipo de câncer de Marcos.
Em 2010, já como voluntário de um grupo de pesquisa do Instituto do Câncer do Estado de São Paulo (Icesp), Marcos realizou um teste molecular que elucidou completamente o caso. Descobriu-se que o tumor na tireoide, diagnosticado como um carcinoma medular, foi ocasionado por uma mutação hereditária no gene RET, conhecida por ter penetrância quase total. Isso no jargão médico significa que praticamente todos os portadores dessa mutação hereditária desenvolverão o câncer ao longo da vida se não forem operados preventivamente. Não se tratava mais de uma condição individual, mas de um problema que envolvia toda a família.
Outro ponto importante é que o carcinoma medular pode se espalhar para outros órgãos, formando metástases. No caso de Marcos, além dos nódulos no fígado descobertos em 2008, ele também desenvolveu tumores na coluna. Nesse caso, foi possível fazer um tratamento local há cerca de dois anos e meio, usando uma técnica de ablação por criogenia. O procedimento consiste em aplicar frio extremo, por meio de uma agulha, diretamente no local da lesão, o que congela e destrói o tumor.
“A medicina mudou profundamente com o avanço da biologia molecular. A descoberta do gene RET, em 1993, revolucionou o manejo desses pacientes. Passamos de intervenções reativas para estratégias preventivas e de precisão”, afirma Ana Hoff, chefe da Endocrinologia do Icesp e da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (FM-USP). Ela é uma das autoras do artigo publicado em maio na revista CA: A Cancer Journal for Clinicians que tem a história de Marcos como linha condutora para discutir como os avanços na biologia molecular transformaram o manejo de uma doença tão específica.
Segundo Hoff, o caso de Marcos ilustra essa mudança. “Enquanto ele e o irmão enfrentaram doenças metastáticas por diagnóstico tardio, seus filhos e uma das sobrinhas, identificados pelo rastreamento genético, fizeram cirurgias profiláticas e permanecem livres da doença”, conta.
O estudo publicado na CA, revista com maior fator de impacto do mundo (232), superando publicações de todas as outras áreas da ciência, utiliza uma metodologia nova chamada Big Picture Evidence, que sintetiza décadas de conhecimento científico de forma estruturada. “Queríamos mapear tudo o que já se sabia sobre o uso do teste genético no manejo do carcinoma medular. Revisamos desde a descoberta do RET até os desafios atuais de incorporar o teste na prática clínica”, afirma Lucas Leite Cunha, professor da Escola Paulista de Medicina da Universidade Federal de São Paulo (EPM-Unifesp), orientador do Programa de Pós-Graduação em Saúde Baseada em Evidências e autor do estudo apoiado pela FAPESP.
Cunha explica que, diferentemente de estudos baseados em dados obtidos em laboratório, o artigo adota um modelo que parte de um caso clínico emblemático, o da família Vieira, para organizar uma revisão ampla da literatura. O trabalho integra a visão de vários especialistas (geneticista, endocrinologista, cirurgião, oncologista e patologista) e, de forma incomum, incorpora também a perspectiva do próprio paciente.
“Foi um trabalho de dois anos, reunindo histórias de pesquisas e de pacientes, avanços técnicos e barreiras de implementação. Essa visão panorâmica permitiu entender como a genética organiza toda a vida clínica do paciente e de sua família”, afirma Cunha.
Revisitar o passado para planejar o futuro
A confirmação da mutação levou Marcos a olhar para trás e, sobretudo, para a frente. Seu pai havia morrido nos anos 1990 de câncer de próstata. “Amostras preservadas do tumor revelaram que ele também tinha a mutação”, conta o engenheiro.
Mas o mais difícil foi encarar o que estava por vir. Seus filhos, então com 7 e 10 anos, precisavam fazer uma cirurgia preventiva de retirada completa da tireoide e só assim evitar o surgimento do câncer.
“Foi uma decisão muito difícil que se mostrou acertada. É uma herança que você não quer passar para os seus filhos. Lembro que na época perguntei o que a doutora Ana Hoff faria se fossem os filhos dela. Ela respondeu que operaria. Então operamos. Minha sobrinha também fez a retirada da tireoide”, relembra.
Hoje adultos, os dois filhos de Marcos estão estudando para se tornarem médicos. “Talvez essa história toda os tenha influenciado. Minha filha está na residência de pediatria e meu filho acabou de entrar na faculdade.”
O artigo destaca que o carcinoma medular de tireoide é um modelo ideal de oncologia de precisão. “A capacidade de identificar indivíduos em risco décadas antes da manifestação clínica permite transformar uma condição hereditária potencialmente letal em uma doença evitável”, afirma Hoff. “O desafio agora é democratizar o acesso aos testes moleculares e às terapias-alvo para além dos grandes centros acadêmicos.”
Atualmente, o desenvolvimento de pesquisa sobre o manejo do carcinoma medular da tireoide no Brasil é liderado pelo Consórcio Brasileiro de Neoplasia Endócrina Múltipla (Brasmen), que envolve instituições como a Unifesp, a USP e a Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), com apoio financeiro de agências como a FAPESP.
Para Marcos, o teste molecular quebrou um ciclo que passou silenciosamente por gerações de sua família. “Expandir o acesso a esses testes permitiria que outras famílias experimentassem a esperança da intervenção precoce.”
Este artigo foi publicado originalmente pela Agência FAPESP  </description>  <media:content url="https://s2-galileu.glbimg.com/5xc5PoOgPp7-1AM3Y6G38JsMV0U=/i.s3.glbimg.com/v1/AUTH_fde5cd494fb04473a83fa5fd57ad4542/internal_photos/bs/2026/M/r/bIDHJZSPGQHiOJeQln6w/58975.jpeg" medium="image"/>   <media:description>Marcos Vieira (último à direita) com a esposa Jaqueliny (primeira à esquerda) e os filhos Henrique e Lara</media:description>   <media:credit>Arquivo pessoal</media:credit>  <category>galileu</category> <pubDate>Sun, 16 Aug 2026 16:00:13 -0000</pubDate>  </item>  <item> <title>Por que certas espécies de animais possuem um clitóris com osso </title>  <atom:subtitle>A presença do báculo (o osso peniano) já foi descrita em cachorros do mato, como este da foto, e em machos de primatas não humanos. Mas agora, estudos recentes revelam que fêmeas destas espécies podem possuir o chamado baubelo, o osso clitoriano, cuja função ainda é desconhecida</atom:subtitle>  <link>https://revistagalileu.globo.com/colunistas/the-conversation/coluna/2026/08/por-que-certas-especies-de-animais-possuem-um-clitoris-com-osso.ghtml</link> <guid isPermaLink="true">https://revistagalileu.globo.com/colunistas/the-conversation/coluna/2026/08/por-que-certas-especies-de-animais-possuem-um-clitoris-com-osso.ghtml</guid> <description>  <![CDATA[ <img src="https://s2-galileu.glbimg.com/VwfS5hp_RD3Z6V45UPRqPdzEJd4=/i.s3.glbimg.com/v1/AUTH_fde5cd494fb04473a83fa5fd57ad4542/internal_photos/bs/2026/P/t/1g9Q6DTJqQMLa5dxk91g/file-20260812-50-x9e3d4.avif" /><br /> ]]>    Quando pensamos em ossos, principalmente no que se refere aos mamíferos, certamente fazemos associação com o crânio, fêmur e vértebras, ou seja, conhecemos quais são os ossos que compõem nosso esqueleto e sabemos a sua função – sustentação, equilíbrio, mobilidade e proteção.
No entanto, ao nos referirmos à existência de um osso no pênis, a maior parte das pessoas se surpreende. Contudo, é ainda mais surpreendente quando mencionamos a existência de um osso no clitóris das fêmeas.
Sim, alguns grupos de mamíferos — como roedores, morcegos e primatas — possuem estruturas ósseas associadas à genitália. O báculo é o osso que ocorre no pênis, enquanto o baubelo é o osso presente no clitóris das fêmeas. Essas estruturas têm seus nomes com origem no latim: Baculum (em português, bastão ou cajado) e Baubellum (em português, joia).
Machismo científico
Diferente do que acontece com os machos, para os quais existem diversas publicações científicas que apresentam a morfologia da genitália, descrevem o báculo e suas funções, o estudo da genitália feminina e a estrutura presente nas fêmeas é negligenciado.
E não se trata apenas dos animais: é assim com os humanos também.
O clitóris é amplamente reconhecido como o principal ponto do prazer sexual feminino. Apesar de seu papel central, historicamente o órgão recebeu descrições imprecisas, sendo frequentemente tratado de forma simplificada como uma versão miniaturizada do pênis. Chegou a ser omitido em manuais médicos entre as décadas de 1950 e 1970.
Mas a identificação do órgão remonta à Antiguidade clássica. Autores como Rufo de Éfeso — responsável por introduzir o termo kleitoris — e Sorano de Éfeso já documentavam a anatomia feminina por volta do século II depois de Cristo. Em contrapartida, figuras de grande influência como Galeno, o mais famoso médico da Antiguidade depois de Hipócrates, negligenciaram o tema. E o próprio pai da Medicina interpretou o clitóris, erroneamente, como um mecanismo de proteção.
Na Idade Média, a estrutura anatômica sofreu forte repressão moral e religiosa, recebendo denominações pejorativas no manual inquisitorial, como o “mamilo do diabo” Malleus Maleficarum.
No século XVI, o anatomista Matteo Realdo Colombo divulgou em sua publicação De re anatomica a definição do clitóris como o foco central do prazer feminino. Mas foi apenas entre os séculos 17 e 19 que o rigor científico em torno do órgão ganhou força.
Regnier De Graaf desempenhou um papel central ao detalhar o clitóris, surpreso por nenhum anatomista tê-lo descrito até o momento, pois “se trata de uma estrutura perceptível a visão e ao tato”.
George Ludwig Kobelt realizou o mapeamento detalhado da rede nervosa, vascular e interna. Mas esse período foi marcado também por práticas médicas retrógradas, como a realização de clitoridectomias (remoção cirúrgica do clitóris) para conter supostos transtornos mentais e neurológicos.
No século XX, o assunto retornou aos debates médicos por intermédio das teorias de Sigmund Freud sobre o desenvolvimento psicossexual. Apesar disso, o tema permaneceu sob forte tabu social: a edição número 25 do renomado manual “Gray’s Anatomy”, lançada em 1948, omitiu completamente ilustrações anatômicas do órgão.
Historicamente, a anatomia feminina foi quase exclusivamente documentada por homens, tratada como um tabu por séculos e com forte influência de paradigmas culturais, religiosos e científicos.
Este cenário só mudou drasticamente em 2005, quando Helen O'Connell e sua equipe apresentaram o mapeamento mais abrangente da estrutura até então, recorrendo a exames de ressonância magnética, análises histológicas e modelagem em 3D.
Esta pesquisa revolucionou o entendimento científico ao descrever o clitóris como um sistema complexo e unificado — que inclui a glande, as hastes, o corpo, os bulbos e seções adjacentes à uretra e à vagina —, consolidando-o como o eixo principal da resposta orgástica feminina.
Conhecendo o baubelo de carnívoros
Assim como a genitália das mulheres vem sendo mais estudada, também os corpos das fêmeas de muitas espécies estão recebendo mais atenção de pesquisadores — e sobretudo pesquisadoras.
Um grupo de pesquisa italiano, especialmente duas cientistas, tem se dedicado a descrever a morfologia do baubelo de algumas espécies de primatas. Os resultados obtidos revelam que muitos primatas não humanos possuem báculo e a maior parte das fêmeas destas espécies possuem baubelo.
As pesquisas do grupo reforçam grandes questões relacionadas à evolução: por que os primatas não humanos, tão próximos de nós, possuem báculo e baubelo? Por que os primatas humanos os perderam? O que pode ter levado a essa perda?
Alguns pesquisadores sugerem que diferentes pressões seletivas possam ter influenciado na manutenção, assim como na perda e mudança desses ossos, dentre elas, o tipo de sistema de acasalamento.
Os primatas não humanos, em sua maioria poligâmicos, possuem estas estruturas. É possível que a sua presença favoreça, de alguma forma, o sucesso reprodutivo das espécies poligâmicas que as possuem. Isso levanta a hipótese de que, provavelmente, por termos um comportamento tendenciosamente monogâmico, estas estruturas teriam se perdido. Será?
Fascinada por estas questões, tenho me dedicado e este estudo, contando com parcerias de pesquisadores da PUC Minas e da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG). A princípio, a questão básica da minha pesquisa se concentra na identificação da presença ou ausência do báculo e baubelo em algumas espécies de carnívoros para, posteriormente, inferir nas possíveis causas da sua existência ou não.
São investigadas espécies de cachorro-do-mato, Cerdocyon thous, raposinha, Lycalopex vetulus, cachorro-do-mato-vinagre, Speothos venaticus e lobo-guará, Chrysocyon brachyurus. A presença do báculo já foi descrita para os canídeos neotropicais, mas nenhum estudo descreve e confirma a presença do baubelo nas espécies desse grupo.
Também investigo a presença destas estruturas em onça-pintada, Panthera onca, onça-parda, Puma concolor, jaguatirica, Leopardus pardalis, gato-mourisco, Herpailurus yagouaroundi, e gato-do-mato-pequeno, Leopardus guttulus.
Uma questão especialmente desafiadora é a confirmação da presença/ausência do osso clitoriano em felídeos. O báculo já foi citado em publicações para algumas espécies do grupo, onde foi mencionado que trata-se de uma estrutura cartilaginosa, não completamente ossificada.
Vale destacar que, todas as amostras coletadas, são provenientes de carcaças de animais atropelados em estradas ou de indivíduos que vieram à óbito em criatórios ou zoológicos, devidamente autorizadas pelos órgão competentes.
E afinal, qual a função destes ossos?
Em geral, o baubelo é menor e morfologicamente menos definido quando comparado ao báculo. Na morsa (Odobenus rosmarus), por exemplo, os machos adultos têm o maior báculo conhecido dentre os mamíferos (cerca de 65 centímetros), enquanto as fêmeas têm um baubelo bem menor e de formato diferente do báculo. Por outro lado, fêmeas do esquilo-cinzento-oriental (Sciurus carolinensis), espécie comum nos Estados Unidos, possuem o baubelo semelhante, em forma e tamanho, ao báculo.
A ocorrência do osso clitoriano e do báculo pode estar associada a hormônios masculinos (no caso, a testosterona). Um estudo experimental observou o desenvolvimento do baubelo em cães, furões e ratos nos quais se administrou testosterona, mesmo que poucas espécies destes grupos possuam a estrutura naturalmente.
Por outro lado, a realização de castração em machos alterou o desenvolvimento completo do báculo, impedindo que o osso atingisse seu tamanho e forma do estágio adulto em várias espécies.
Muitas funções são propostas para o báculo, como suportar o pênis, facilitar a introdução de tampões copulatórios em posição ideal, garantir o depósito de esperma mais perto do local da fertilização, proteger a uretra da compressão durante cópulas prolongadas, ou ainda estimular a fêmea durante a cópula.
Ainda que o baubelo e o báculo geralmente estejam presentes tanto em machos quanto em fêmeas da mesma espécie, a presença do osso clitoriano é muito mais instável: ele tende a estar ausente com maior frequência e a apresentar padrões menos consistentes que o báculo. Isso indica que pode não ter uma função clara e acabar sendo perdido em algumas espécies. Ou seja, a possível função do baubelo não é conhecida e pode se tratar de uma estrutura não funcional.
Estudos que documentam a presença e descrevem a morfologia do baubelo em espécies neotropicais, sobre as quais a ciência não possui informações, são importantes para compreender quais os fatores favorecem a ocorrência desta enigmática estrutura das fêmeas de algumas espécies de mamíferos.
Este artigo foi escrito por Claudia Guimarães Costa, professora da Pós Graduação em Estudos Ambientais Aplicados à Fauna, Pontifícia Universidade Católica de Minas Gerais (PUC Minas), e publicado originalmente no site The Conversation.  </description>  <media:content url="https://s2-galileu.glbimg.com/VwfS5hp_RD3Z6V45UPRqPdzEJd4=/i.s3.glbimg.com/v1/AUTH_fde5cd494fb04473a83fa5fd57ad4542/internal_photos/bs/2026/P/t/1g9Q6DTJqQMLa5dxk91g/file-20260812-50-x9e3d4.avif" medium="image"/>   <media:description>Báculo, osso peniano, e baubelo (osso clitoriano) podem ser encontrados em algumas espécies de mamíferos. Mas para que eles servem?</media:description>   <media:credit>Claudia Guimarães Costa/Reprodução</media:credit>  <category>galileu</category> <pubDate>Sun, 16 Aug 2026 14:00:08 -0000</pubDate>  </item>  </channel>  </rss>