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D04 - Meio Ambiente e Sustentabilidade - U02

1) O documento discute os elementos naturais que compõem bacias hidrográficas e como eles influenciam riscos ambientais, com foco na água e no ciclo hidrológico. 2) A bacia hidrográfica é apresentada como unidade fundamental de análise para planejamento ambiental, especialmente em aspectos físicos como geologia, geomorfologia e recursos hídricos. 3) Fatores climáticos como temperatura, precipitação e ventos também afetam as condições de risco ambiental nas

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D04 - Meio Ambiente e Sustentabilidade - U02

1) O documento discute os elementos naturais que compõem bacias hidrográficas e como eles influenciam riscos ambientais, com foco na água e no ciclo hidrológico. 2) A bacia hidrográfica é apresentada como unidade fundamental de análise para planejamento ambiental, especialmente em aspectos físicos como geologia, geomorfologia e recursos hídricos. 3) Fatores climáticos como temperatura, precipitação e ventos também afetam as condições de risco ambiental nas

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DESASTRES NATURAIS: POR QUE OCORREM?

Nesta unidade vamos tratar da questão normativa em relação às áreas de


riscos, a bacia hidrográfica como unidade de análise de riscos e desastres, a
relação da bacia hidrográfica como elementos naturais - tipos de vertentes,
características de drenagem e dos fatores climáticos e do tempo que interferem
diretamente nas condições de risco ambiental.

O conceito moderno de Planejamento Ambiental Integrado contempla


uma série de dimensões a serem abordadas. Além das variáveis econômica e social,
temos como relevante a abordagem sobre o manejo das águas.

Neste âmbito, é de fundamental importância a utilização da bacia


hidrográfica como unidade central de análise, especialmente em seus aspectos físicos
– geológicos, geomorfológicos e hídricos.
Entre os elementos que compõem o meio natural, a água é o que
talvez apresente maior dinâmica e maior impacto sobre a superfície terrestre. Está
presente na forma gasosa na composição da nossa atmosfera, e também na forma
sólida, nos polos e nas geleiras, especialmente nos cumes de montanhas.

No entanto, é sob a forma líquida que se encontra a maior parte de seu


volume, e sob esta condição ocorre a maior parte de seus impactos.

Nesse contexto, é importante relembrar como se dá o ciclo da água no


nosso planeta. A evaporação, causada pela ação da energia calorífica do sol sobre
os corpos líquidos, lança enormes quantidades de vapor de água na atmosfera. Estes
volumes líquidos são movidos pelas correntes de ar, precipitando-se sobre as
distintas regiões da terra.

Ao tocar o solo, parte da água infiltra-se. Outra porção menor evapora


novamente, e grande parte percorre a superfície, formando correntes de água, que
derivam para córregos e rios.

Por conta da ação da gravidade, a água escorre sempre de pontos mais


altos do terreno (montante), para um determinado ponto mais baixo (jusante). As
águas que se juntam de vários pontos a montante e reúnem-se numa mesma jusante
vêm a formar uma bacia hidrográfica.

As bacias hidrográficas são separadas umas das outras pelos divisores de


águas, também chamados interflúvios, que podem ser planaltos, serras, cordilheiras,
ou quaisquer terrenos mais elevados que determinem a condição de corrida das águas.

Uma bacia hidrográfica é uma área formada por um rio principal e seus
afluentes e subafluentes, cujas águas são drenadas portanto, por um ou mais cursos
d’água que convergem direta ou indiretamente para um leito, ou seja, para o espaço
por onde a água corre.

A bacia hidrográfica é separada de outra por um espaço chamado de


divisor de águas ou interflúvio. A figura 1 ilustra cada elemento de uma bacia
hidrográfica:

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FIGURA 01 – Elementos da Bacia Hidrográfica

• A montante: a partir de um ponto observado no curso d’água a montante é o


local de onde as águas veem;
• Nascente: onde brota o corpo d’água,
• Jusante: trata-se da região para onde as águas estão indo, ou seja, a foz de um
rio ou córrego;
• Leito ou Curso D’água: é o curso d’água em si ou o fundo de um corpo
d’água;
• Divisor de Águas: espaço que marcam o sentido do escoamento da água de
uma para outra bacia hidrográfica;
• Afluentes, são os córregos ou rios que correm para outro rio

4
Desse modo, uma bacia hidrográfica é uma área drenada por um
determinado rio ou um sistema fluvial (conjunto de rios), formada por divisores de
águas, que escoam de modo superficial, formando rios e córregos e/ou infiltrando no
solo. As águas que infiltram podem ajudar na criação de nascentes ou do aumento do
lençol freático.

As bacias hidrográficas podem ter tamanhos variados, de poucos


quilômetros a milhões de quilômetros. Muitas vezes podemos subdividí-las, para fins
de estudo ou por conveniência. Vamos dar um exemplo.

A bacia do Prata, na América do


Sul, envolve vários países, como
Brasil, Argentina, Paraguai e Uruguai.
Seus rios principais são o Paraná e o
Paraguai, que se juntam no estuário
do Prata, diante da cidade de Buenos
Aires. Cada rio que contribui para
formar o Paraná é parte também da
bacia deste. Vista aérea do Rio Paraná, fonte: [Link]

Assim, podemos separar os afluentes do rio Paraná e afirmar que formam


sua bacia hidrográfica. O rio Tietê, principal rio do estado de São Paulo, é um
importante afluente do rio Paraná, formando ele também uma bacia própria, já que
tem seus próprios contribuintes e sua rede de drenagem.

O planejamento ambiental costuma utilizar a bacia hidrográfica como


recorte territorial, variando a sua escala conforme o tipo de elemento se deseja
representar no território. Assim, se tratamos, por exemplo, da navegação na Hidrovia
Tietê-Paraná, provavelmente utilizaremos uma escala que envolva a maior parte do
curso do Tietê, enquanto que para fazer um plano diretor de drenagem talvez
precisemos recortar este território, analisando especificamente alguma de suas sub-
bacias.

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Sob o ponto de vista geográfico, a bacia hidrográfica é reconhecida assim
como unidade territorial básica, considerando a dinâmica da bacia, enquanto
sistema aberto que recebe a água pela ação do clima, e cuja energia é dissipada no
terreno, carreando sedimentos, percolando o solo e modificando a paisagem no seu
percurso, encerrando-se num ponto denominado deflúvio, ou exutório, que é o ponto
mais baixo da bacia.

À lógica do processo natural decorrente do ciclo da água, deve ser


acrescentada a lógica da ocupação humana no território. Dependendo de como as
populações humanas, com todo o seu conjunto de atividades, age sobre o espaço
geográfico, teremos variadas consequências.

Quando se trata de ocupação urbana, a impermeabilização do solo e a


construção de estruturas barram o escoamento superficial, alterando os processos
naturais decorrentes do ciclo hidrológico. As modificações na dinâmica superficial
podem alterar a quantidade e qualidade da água, entre outros efeitos.

A delimitação da bacia hidrográfica pode ser dada por uma base


cartográfica com cotas altimétricas, possibilitando uma visão da paisagem de modo
tridimensional. As cartas topográficas, com eventual sobreposição de fotos aéreas e
imagens de satélite, facilitam a visualização.

A cobertura do solo é um fator fundamental para entender a dinâmica


ambiental e hidrológica de uma bacia.

Áreas agrícolas e florestadas tendem a ser facilitadoras da infiltração,


quando comparadas a áreas urbanas. As raízes das plantas conduzem a água da chuva,
facilitando a infiltração no solo. Também contribuem para reduzir a erosão e o
carreamento de materiais em suspensão, na medida em que reduzem o impacto da
água sobre o solo – conhecido como efeito “splash”.

A vantagem de utilização da divisão por bacias hidrográficas fica evidente


quando comparamos a outros atributos, igualmente importantes, como
geomorfologia, clima e vegetação, já que estes são de difícil delimitação.

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Apesar disso, correlacionar o uso do solo com a gestão de recursos
hídricos nem sempre é tarefa muito fácil, haja visto que os processos seguem escalas
temporais e espaciais diferentes. Uma obra de engenharia que interfira num curso de
um rio pode não representar um problema por si só, mas ser parte de uma equação
em termos de efeitos cumulativos, por exemplo, a impermeabilização de córregos que
contribuam para um rio.

Durante um evento climático extremo, como uma tempestade, uma


quantidade muito grande de chuva pode cair sobre uma área pouco extensa. Se esta
área for de uma maior declividade, ou de maior fragilidade estrutural, pode haver um
evento geodinâmico, como erosão, escorregamento ou corrida de massa.

Deste modo, a simples aferição das médias de precipitação de uma bacia


hidrográfica, ou de um município, não dão conta de prevenir contra eventos dessa
magnitude, tornando-se necessário o mapeamento de áreas de maior incidência ou de
maior risco à ocorrência averiguada.

A seguir, vamos detalhar um pouco a questão dos fatores climáticos.

As condições climáticas são fatores naturais e que para serem analisadas é


importante considerar de maneira conjunta os seguintes elementos, tais como:
grau de umidade, a pluviosidade, a temperatura, a pressão do ar, os ventos, e as massas
de ar que são os fatores do clima.

O clima não é o mesmo que o “tempo”. O clima é uma sucessão de


tempos, que ocorre num dado lugar, considerando o conjunto de características de
pluviosidade, umidade, temperatura, dinâmica das massas de ar etc., que ocorrem num
período de pelo menos 30 anos.

7
Já a mudança diária da temperatura, chegada de uma frente fria, por
exemplo, trata-se da mudança do tempo, estudada pela Meteorologia. Logo, o que
muda diariamente é o tempo, não o clima!

Existem alguns fatores que intervêm nos elementos climáticos, são


eles: a altitude, a latitude, as características do relevo etc. Em princípio quanto maior
a altitude menor será a temperatura. Assim as grandes montanhas podem ter neve por
longos períodos devido à alta altitude.

Já a latitude é a medida que vai da linha do Equador aos polos. Considera-


se por convenção que na Linha do Equador a latitude é zero (0°) e indo aos polos
chega-se aos noventa graus (90°). Desse modo, as latitudes baixas são próximas ao
Equador, as médias próximas aos 30° aproximadamente e, por fim, as altas latitudes
mais próximas aos polos.

E o que isso tem a ver com o tempo e com o clima? Quanto mais
próximo for do Equador a tendência é que as temperaturas sejam maiores e a umidade
do ar também. Se uma massa de ar se desloca de uma área próxima ao Equador existe
a tendência que seja uma massa de ar considerada quente.

Outro fator que tem relação com a latitude são as estações do ano, que
por sua vez tem relação com a incidência solar. Nos polos, nas altas latitudes, no
inverno a incidência solar é pequena, chegando a ter dias de escuridão total, já no
verão ocorre o contrário. Por outro lado, se você está próximo do Equador, numa
baixa latitude, a amplitude térmica do verão e do inverno não é tão significativa, ou
seja, a diferença da maior e da menor temperatura não serão tão diferentes.

Observe o mapa das Zonas Climáticas do Brasil. A região Amazônica


é próxima ao Equador, e portanto, há maior umidade do ar e as temperaturas no verão
e inverno não são muito discrepantes, exceto quando chega a frente fria, ocasionando
a friagem.

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FIGURA 02– Zonas Climáticas no Brasil

Já o Sul do Brasil, as chuvas também ocorrem o ano todo, mas com regime
de tempo diferente, pois as temperaturas do verão para o inverno variam bastante,
pois está na zona subtropical.

Um fator dinâmico e que interferem na mudança do tempo são as massas


de ar, que são fundamentais para compreendermos a dinâmica diária do tempo.

FIGURA 03– Massas de Ar no Brasil (Verão e Inverno)

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As massas de ar que vêm do Oceano ou que se formam na Amazônia
são úmidas e trazem umidade que podem ocasionar chuvas, caso das massas
Equatorial Atlântica, Equatorial Continental (mesmo sendo no continente como a
Amazônia tem muito rios e a florestas que aumentam a umidade, tornando-a massa
de ar úmida), a Tropical Atlântica. No caso da massa Polar Atlântica (PA) forma a
frente fria e traz umidade e chuva de inverno, com a chuva continua que às vezes dura
dias.

Então no verão na região Sudeste do Brasil, situado na Zona Tropical,


assistimos a chuvas torrenciais quase sempre no final da tarde, possibilitando a
ocorrência de enchentes e no outono-inverno as chuvas de vários dias que podem
ocorrer com a chegada da frente fria e da Massa Polar (vide figura 3). Dias seguidos
de chuvas podem propiciar a ocorrência de deslizamentos e outros eventos que
podem induzir ao risco.

À medida em que a umidade do ar (vapor d’água do ar) aumenta e há uma


saturação, esta pode se precipitar como chuva ou outros tipos de precipitação.

Os tipos de precipitação mais comuns no Brasil são as chuvas, cuja


intensidade pode variar bastante ocasionando fenômenos de enchentes e
escorregamentos de vários tipos. É importante verificar dados sobre as chuvas nas
diferentes regiões do Brasil.

A seguir, vamos tratar das áreas de risco no Brasil, vinculadas aos


processos naturais e de formas de ocupação.

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O que é uma área de risco? Entende-se por área de risco àqueles espaços
que podem ocasionar riscos à saúde e à vida do ser humano.

Em geral, o que leva uma determinada população a viver em áreas de risco


tem relação com sua condição socioeconômica, principalmente daquelas classes
sociais que devido à valorização do espaço urbano procuram formas de moradia
inadequadas do ponto de vista socioambiental.

Desse modo, compreende-se uma área de risco aquela que ponha em risco
as pessoas que a habitem, ficando sujeitas a danos à sua integridade física, bem como
a perdas materiais e patrimoniais.

Existem fatores naturais que podem influir na existência e aumento do


risco, caso de vertentes (encostas) íngremes, principalmente acima de 45°, chuvas
torrenciais por vários dias, assim como por fatores humanos, tais como ocupações
em encostas, lixões aterrados em locais inapropriados, entre outros fatores.

Para que ocorram deslizamentos são necessárias algumas condições mais


comuns e integradas, entre elas destacamos: vertentes íngremes, chuvas contínuas
(por vários dias), construções inadequadas que dificultem o processo de drenagem
natural da água, como pode ser observado na figura 4.

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FIGURA 04 – Ocupação em Vertente Íngreme- RMSP-SP

Imagem: Vivian Fiori, 2011

O deslizamento pode ser um indicador ambiental de risco, comuns em


regiões serranas, de morros e morrotes, no qual há movimento de solo, rochas e
detritos.

Fique Atento: Deslizamento é...

Deslizamento, em síntese, pode ser definido como o fenômeno de


movimentação de materiais sólidos de várias naturezas ao longo de
terrenos inclinados. Dados os ambientes e condições mais propícios para
a ocorrência de deslizamentos, tais como terrenos com relevos íngremes
e/ou encostas modificadas pela ação humana, e simples verificar que
existem áreas com maior possibilidade de serem afetadas pela ocorrência
desses processos. Assim, as localidades situadas em regiões serranas, bem
como as áreas de intensa urbanização, constituem os ambientes mais
propícios para a ocorrência de deslizamentos. Além disso, áreas onde foram
instaladas obras de engenharia de grande porte, tais como rodovias,
ferrovias, dutovias, linhas de transmissão e outros equipamentos de
infraestrutura urbana, também constituem ambientes favoráveis a
ocorrência desse tipo de fenômeno

(Fonte: VEDOVELLO; MACEDO, 2011, p. 76).


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Algumas evidências podem ser observadas e indicar a possibilidade de
possíveis movimentos de massa, entre elas: paredes e pisos das casas trincados; trinca
no solo; blocos ou partes de rochas soltos ou instáveis; árvores, postes e elementos
da própria casa que estejam inclinados; água minando da encosta etc.

Se observamos a figura 5, principalmente as casas que estão circundadas,


verifica-se um movimento de terra na base das casas, o que aumenta a possibilidade
de novos deslizamentos.

Uma situação comum em bairros periféricos populares que se encontra


em vertentes mais íngremes é a existência de bananeiras. As bananeiras, devido às
raízes armazenarem muita água, ampliam os riscos de deslizamento, assim como as
casas situadas exatamente por onde a água passa, possibilitando maior acúmulo de
água e de possibilidade de deslizamento.

FIGURA 05 – Área de Risco em Encostas

Imagem: Vivian Fiori, 2011

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É importante ressaltar que as áreas de risco não são ocasionadas somente
pela habitação popular em áreas de encostas. Conforme explicam os especialistas em
áreas de risco:

Há que se pontuar, porém, que não é somente o quadro de


desigualdade ao acesso à terra, o único responsável pela degradação
ambiental. O desrespeito à legislação, muitas vezes motivado pela
especulação imobiliária, o mau uso do solo, o desmatamento tem
gerado um quadro de degradação responsável pela potencializarão a
processos de risco (MAFRA, MAZZOLA, 2011, p. 11).

Há também áreas de risco situadas próximas a corpos hídricos,


podendo causar de enchentes ou inundações. Tais processos também podem ser
naturais, contudo devido ao processo de urbanização, à impermeabilização do solo
(construções de prédios, ruas e calçadas que dificultam a infiltração d'água no solo), à
ocupação das áreas de várzeas, todas estas situações tornam-se possibilidade de risco
para os moradores e de perdas materiais de diferentes tipos.

Outro problema ambiental que possibilita a criação de uma área de risco


são os lixões, tanto em encostas quanto em áreas próximas às várzeas. Como o
material do lixão ainda que aterrado não seja consolidado é mais fácil de deslizar, além
de poder ocasionar explosões devido ao gás metano (CH4).

Nas áreas próximas a rios e lagos, o lixo pode ampliar o assoreamento


destes corpos hídricos ocasionando enchentes, aumentando a possibilidade de
doenças a moradores que sejam atingidos por esta água poluída pelos resíduos.

Tais situações levam a perdas materiais e humanas, bem como podem


ocasionar as doenças de veiculação hídrica, tais como: leptospirose, cólera, hepatite,
febre tifóide, verminoses, entre outras.

14
Por isso, é fundamental um planejamento territorial das cidades
brasileiras, levantando os problemas existentes e propondo ações para minimizá-los
ou até eliminá-los. Sobre isso as pesquisadoras comentam:

Todos estes casos refletem as deficiências do planejamento territorial e


a prevenção de desastres é um elemento fundamental para diminuir a
fragilidade das comunidades em risco. A variabilidade climática atual
está relacionada a um aumento de extremos climáticos. Nessa situação,
os eventos de temporais, chuvas intensas, tornados ou estiagens
severas, entre outros, podem tornar-se mais frequentes, aumentando a
possibilidade de incidência de desastres naturais
(AMARAL; GUTJAHR, 2011, p. 25).

Após os grandes desastres ocorridos em cidades serranas do Estado do


Rio de Janeiro, principalmente em Teresópolis e Petrópolis, o governo federal criou
a Lei nº 12.608, de 10 de abril de 2012, que “Institui a Política Nacional de
Proteção e Defesa Civil - PNPDEC; dispõe sobre o Sistema Nacional de
Proteção e Defesa Civil - SINPDEC e o Conselho Nacional de Proteção e
Defesa Civil - CONPDEC; autoriza a criação de sistema de informações e
monitoramento de desastres” (BRASIL, 2012).

Por meio desta Lei os governos federal, estadual e municipal ficam


comprometidos em relação ao planejamento e gestão de áreas de riscos, conforme
previstos na lei.

Trecho da Lei nº 12.608, de 10 de abril de 2012

15
Art. 22. A Lei nº 12.340, de 1o de dezembro de 2010, passa a vigorar
acrescida dos seguintes arts. 3o-A, 3o-B e 5o-A:
Art. 3º-A. O Governo Federal instituirá cadastro nacional de municípios
com áreas suscetíveis à ocorrência de deslizamentos de grande impacto,
inundações bruscas ou processos geológicos ou hidrológicos correlatos,
conforme regulamento.
§ 1o A inscrição no cadastro previsto no caput dar-se-á por iniciativa do
Município ou mediante indicação dos demais entes federados, observados
os critérios e procedimentos previstos em regulamento.
§ 2o Os Municípios incluídos no cadastro deverão:
I - elaborar mapeamento contendo as áreas suscetíveis à ocorrência de
deslizamentos de grande impacto, inundações bruscas ou processos
geológicos ou hidrológicos correlatos;
II - elaborar Plano de Contingência de Proteção e Defesa Civil e instituir
órgãos municipais de defesa civil, de acordo com os procedimentos
estabelecidos pelo órgão central do Sistema Nacional de Proteção e Defesa
Civil - SINPDEC;
III - elaborar plano de implantação de obras e serviços para a redução de
riscos de desastre;
IV - criar mecanismos de controle e fiscalização para evitar a edificação
em áreas suscetíveis à ocorrência de deslizamentos de grande impacto,
inundações bruscas ou processos geológicos ou hidrológicos correlatos; e;
V - elaborar carta geotécnica de aptidão à urbanização, estabelecendo
diretrizes urbanísticas voltadas para a segurança dos novos parcelamentos
do solo e para o aproveitamento de agregados para a construção civil.

Fonte: BRASIL. Lei nº 12.608, de 10 de abril de 2012. Brasília, Casa Civil- PR, 2012.
Disponível em: [Link]
Acesso em 08/03/2015.

Desse modo, é fundamental verificar se em seu município há problemas


com áreas de risco e se estão sendo cumpridos os aspectos da referida lei.

16
A lei federal 12.608, de 2012, instituiu a Política Nacional de Defesa Civil.
Nela estão contidos princípios, objetivos e instrumentos de gestão de riscos e
desastres no Brasil. Seu propósito é garantir a segurança econômica e social da
população, além do desenvolvimento sustentável.

Além de ter como objetivo reduzir a ocorrência de desastres, compreende


ainda ações de prevenção (visando evitar a possibilidade de ocorrências), mitigação
(que são técnicas de redução de danos, após a ocorrência), preparação, resposta e
recuperação.

Para obter sucesso, as ações precisam ser operacionalizadas de forma


integrada, entre entes federativos (União, Estados e Municípios), e também por
representantes da sociedade civil, tantos quantos se fizerem possíveis. Como a
ocorrência de desastres – especialmente os geológicos e hidrológicos – se dá de forma
localizada, a difusão de informações, de tecnologia e o treinamento em escala
municipal são fundamentais para o sucesso das ações.

No Brasil, as ocorrências mais comuns relacionadas à defesa civil dizem


respeito a seca no semiárido nordestino, além de desastres tecnológicos relacionados
ao crescimento urbano desordenado e ocupação inapropriada de encostas declivosas
e planícies inundáveis.

17
Outro problema, nas grandes cidades, em relação às áreas de risco são as
enchentes. Nesse caso, é importante conceituar, já que enchente ou planície de
inundação é um processo natural que ocorre no período das cheias dos rios, córregos
ou lagos.

Vamos imaginar que você precise explicar o fenômeno denominado de


enchente ou inundação numa cidade fictícia chamada de Santo Amaro. Primeiramente
é essencial conceituar e ter uma definição para estes termos. Sem uma definição como
saber como explicar se há ou não inundação ou enchente?

Segue um conceito da geógrafa Vanderli Custódio para tais termos:

[...] ambas definições contém a dimensão natural, sobre a qual se


construiu a dimensão social. Em razão disto, neste trabalho são
utilizados os termos enchente e inundação como fenômenos similares,
no sentido de representarem o extravasamento das águas de um rio do
seu leito menor para o maior e o excepcional [...]
(CUSTÓDIO, 2002, p. 9).

FIGURA 06 – Esquema de Enchente-Inundação de um Rio

Fonte: Custódio, 2002, adaptado por Vivian Fiori, 2016

18
A definição para enchente e/ou inundação, segundo a autora se refere a
um fenômeno do extravasamento da água de um corpo d’água (rio, córrego, lago ou
represa), como mostra a figura 5, acima do leito menor, extravasando-o, podendo ser
periódica ou excepcional- neste último caso quando extrapola o leito maior do rio.

Depois dentro da explicação das enchentes do município de Santo Amaro


é fundamental refletir o porquê da enchente/inundação na comunidade. Isso pode
ser explicado na escala local?

Vamos refletir: Quais os fatores que interferem no rio e contribuem para


a inundação? As pessoas jogam lixo no rio? Ele está assoreado por outros motivos?
As casas de Barreirinhas estão construídas nas várzeas do rio? As casas de Barreirinhas
apesar de longe do rio ficam numa planície? Todos estes fatores podem
eventualmente ajudar a explicar a inundação em Barreirinhas.

Figura 7: Esquema de Região Fictícia

FIGURA 07 – Esquema de Região Fictícia

Vivian Fiori, 2016

19
Pode ser que existam fatores locais, mas também que este rio ou seus
afluentes venham de outro município distante e que nesse lugar as pessoas joguem
lixo no rio, caso dos municípios de São João, Mogi, São Miguel ou Jacuí (vide figura
7). Observe que os rios correm das maiores altitudes para as menores, logo os
afluentes do Rio Jacu vêm destes outros municípios.

Dessa forma, pode ser que o problema do lixo no rio, que amplia a
possibilidade de inundações seja regional e não apenas local. Ou mesmo que as chuvas
intensas nas partes mais altas (cabeceiras) tenham ocorrido em Mogi (próximo 1.200
m de altitude) e acabem chegando aos pontos mais baixos (menor altitude), caso de
Santo Amaro (810 m de altitude).

Aliás, a unidade territorial a ser considerada quando se tratam de


fenômenos relacionados a recursos hídricos é a própria bacia hidrográfica. Não se
pode pensar no rio como um elemento espacial isolado. Se há um conjunto de rios é
essencial considerá-los.

O fundamental é descobrir a lógica do fenômeno, que neste caso é a


inundação. Se fossemos explicar a inundação no município de Jacuí (vide figura 7),
esta poderia ocorrer, por exemplo, devido às intensas chuvas nas cabeceiras do rio
Jacuí e/ou por causa da abertura das comportas da Represa de Iguaçu, assim como
também poderia ser devido às chuvas intensas em Mogi e ao excesso de lixo que os
moradores de Mogi e São João jogam nos córregos, fazendo com que o rio/córrego
fique assoreado (espaço do rio está ocupado por sedimentos ou lixo), ampliando as
possibilidades de inundações. Afinal, neste caso, os córregos vão se juntando ao Rio
Jacuí, que é o rio principal deste conjunto de rios, que formam uma Bacia
Hidrográfica.

20
Vamos pensar: Quais são as dimensões que explicam esta
enchente? Primeiramente é a natural, já que sem chuva e rio não há possibilidade de
inundação. Depois socioeducativas, pois pode haver problemas de jogarem lixo no
rio, o que ampliará a possibilidade de inundação, entre outras possibilidades e fatores.

Pode ser também devido à falta de políticas públicas e obras de engenharia


ou outras que visem a reduzir os problemas da inundação. Então, há diferentes
elementos e dimensões que precisam ser considerados: da esfera pública; da falta de
consciência da população; da dimensão natural etc.

Desse modo, é essencial observar a dinâmica climática, a variação do


tempo, as formas de ocupação que interferem nos processos da Bacia Hidrográfica,
possibilitando monitorar os problemas de áreas de riscos relativos aos
escorregamentos e também as enchentes.

AGÊNCIA NACIONAL DE ÁGUAS (ANA). MINISTÉRIO DE MEIO


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Brasília, ANA, 2015.

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BRASIL. Lei nº 12.608, de 10 de abril de 2012. Brasília, Casa Civil- PR, 2012.
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BRASIL. Lei no 10.257, de 10 de julho de 2001. Brasília, Presidência da República,


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