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DESASTRES NATURAIS: POR QUE OCORREM?
A prevenção e monitoramento de desastres naturais e ambientais,
bem como de suas áreas de risco, envolvem etapas de trabalho sobre as quais
discorreremos a seguir.
O diagnóstico técnico institucional envolve o levantamento e análise
histórica, os aspectos técnicos e conceituais do tipo de evento enfrentado. É
fundamental o conhecimento do meio físico e do uso e ocupação do solo, já que
eventuais movimentos de massa costumam ocorrer em lugares de fragilidade
ambiental que foram sujeitas a usos que ampliam esse perigo.
Embora as mudanças na superfície terrestre ocorram em ciclos que duram
milhares de anos, a capacidade humana de interferência no meio atingiu um patamar
nunca antes visto, no decorrer do último século. Áreas muito vulneráveis
geologicamente vêm sendo ocupadas por populações humanas, ampliando as
condições necessárias para ocorrência de riscos iminentes a estas populações.
Com a Política Nacional de Proteção e Defesa Civil (PNPDEC), o
Sistema Nacional de Proteção e Defesa Civil (SINPDEC) e o Conselho Nacional de
Proteção e Defesa Civil (CONPDEC), houve a criação de sistema de informações e
monitoramento de desastres.
Entre as inovações trazidas por esta Política Federal, estão:
• A perspectiva de integração de todas as políticas de ordenamento do
território, envolvendo o planejamento urbano, a saúde, meio ambiente, gestão
de recursos hídricos e infraestrutura.
• A elaboração e implementação de Planos de Proteção e Defesa Civil nos
três níveis de governo, com metas e prazos a cumprir;
• A criação de um Sistema Nacional de Informações e Monitoramento de
Desastres, garantindo a profissionalização e qualificação permanente de
agentes de proteção e defesa;
• A criação de um cadastro nacional de municípios suscetíveis a processos
hidrológicos ou geológicos, como inundações ou deslizamentos;
• A difusão de questões relacionadas à defesa civil por meio dos currículos
escolares de ensino médio e fundamental, relacionando o tema à educação
ambiental.
• Além disso, a Lei n°12.608/2012, que define a Política Nacional de Proteção
e Defesa Civil (PNPDEC), estabelece que todo município com ocorrências de
desastres naturais hidrológicos e de movimento de massa necessitem elaborar
um plano diretor, que defina aspectos sobre estes problemas.
A organização do Sistema Nacional de Proteção e Defesa Civil
(SINPDEC), é feita por meio de uma dinâmica horizontal e vertical no território
nacional. A Secretaria Nacional de Proteção e Defesa Civil (SEDEC) é o órgão
responsável por coordenar as ações.
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Define-se risco como a possibilidade, ou probabilidade, de ocorrência de
algum elemento perturbador que altere as condições previstas de segurança, ou que
ocasionem danos. Os riscos geodinâmicos dizem respeito a essa probabilidade de
ocorrência com relação a eventos como corridas de massa, escorregamentos e
deslizamentos.
A ocupação de áreas de encostas, principalmente em áreas das regiões
Nordeste, Sudeste e Sul do Brasil, pode ser enfrentada por políticas públicas nas áreas
de habitação, saneamento e infraestrutura, de modo a mitigar ou reduzir os impactos
socioambientais.
Uma das ferramentas disponíveis compreende o mapeamento de áreas
de risco, especialmente nas áreas urbanas. Basicamente, o processo de identificação
de uma área de risco consiste:
• Em localizar e qualificar o risco;
• Determinar os limites da área a ser estudada;
• Fazer uma descrição do local (ou locais) sujeitos ao risco;
• O mapeamento de risco deve estar numa escala mais detalhada, além de
ser necessária a atualização constante da informação por conta da
dinâmica territorial do local.
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No Brasil existe uma rede de instituições que formam o sistema de controle à
prevenção de riscos e desastres. A principal delas é o Centro de Monitoramento e
Alertas de Desastres Naturais (CEMADEN), localizado em São José dos Campos
(SP). Os alertas gerados no CEMADEN, por sua vez, são encaminhados ao Centro
Nacional de Gerenciamento de Riscos e Desastres (CENAD), ligado ao Ministério
da Integração Nacional.
Monitoram os seguintes eventos de desastres naturais-ambientais:
• Movimentos de massas, de diversos tipos: deslizamentos,
escorregamentos, queda de barreiras (desmoronamentos), queda de
talude, entre outros;
• Enxurradas, comuns em pequenas bacias hidrográficas acidentadas,
nas quais há um processo de concentração e alto fluxo de água,
ocasionada por chuvas intensas;
• Inundação: processo no qual há o transbordamento gradual do corpo
d’água para áreas lindeiras, motivada por chuvas intensas e outros
fatores de caráter urbano e de formas de ocupação;
• O tornado, cujo fenômeno meteorológico se apresenta como uma
coluna de ar (supercélula), que gira em grande velocidade, podendo
causar estragos materiais e perda de vidas;
• A seca, fenômeno climático, mais comum no Sertão Nordestino e no
Norte de Minas Gerais, fenômeno no qual a baixa pluviosidade
ocasiona problemas sociais, econômicos e perda da fauna, criação de
gado e na agricultura. Quando este fenômeno perdura é chamado de
estiagem.
A precipitação, ou seja, a quantidade de chuva acumulada é um dos principais
fenômenos monitorados pelo CEMADEN. Isso porque a ocorrência de chuvas está
diretamente relacionada ao risco de escorregamentos e inundações, que são alguns
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dos desastres mais comuns no Brasil. São comparados os dados de ocorrência de
chuvas com as informações disponíveis de vulnerabilidade do lugar.
Em relação aos deslizamentos, ocorrem mais comumente nas áreas de
morros e serranas da Região Sudeste, devido a fatores relacionadas às formas de
relevo, declividade e as formas de ocupação. Observe o mapa 1, de deslizamentos no
Brasil em 2013.
Figura 01 - Mapa de Deslizamentos no Brasil, 2013
Fonte: MINISTÉRIO DA INTEGRAÇÃO NACIONAL, 2014.
Outro fenômeno comum no Brasil é a estiagem. Segundo Relatório da
Secretaria Nacional de Proteção e Defesa Civil, a estiagem atingiu maior número de
municípios no Brasil, como observa-se no gráfico 1, alcançando 70,3%, sobretudo
localizados no Sertão do Nordeste e no Norte de Minas Gerais, onde há ocorrência
de clima semiárido.
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Gráfico 01 - Percentual de Municípios Atingidos por Eventos Naturais
Fonte: MINISTÉRIO DA INTEGRAÇÃO NACIONAL, 2014.
A prevenção de desastres naturais é uma política de planejamento
territorial, tendo em vista que, conhecendo as características do meio físico,
sobrepostas ao uso e ocupação do solo, evitam-se usos do solo que ocasionem perigos
ou riscos para as populações. Esse planejamento pode ser efetivado pela confecção
das chamadas cartas de risco, que subsidiam as decisões voltadas ao gerenciamento e
intervenção.
De acordo com informações do Instituto Geológico do Estado de São
Paulo, as ações relativas a desastres naturais são abordadas em momentos distintos.
Primeiro, ocorre a identificação e situação das ocorrências de processos
geodinâmicos, como deslizamentos, por exemplo. A partir dessa análise prévia,
procura-se por fatores determinantes de sua ocorrência, sejam fatores ligados ao meio
físico – declividade, alta incidência de chuvas, tipo de solo – como também aqueles
fatores ligados aos tipos de ocupação (como favelas ou lugares sem saneamento, que
permitam que materiais sejam carreados a céu aberto).
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O segundo momento é a análise de suscetibilidade a processos
geodinâmicos, ou seja, verificar onde podem ocorrer eventos. Esta é uma análise mais
complexa, já que a observação imediata nem sempre evidencia onde e quando
ocorrerão eventos geodinâmicos, sendo necessário estabelecer comparações ou
situações análogas, com informações geralmente obtidas a partir de levantamento de
campo.
Há uma diferenciação de conceitos, trabalhada pelas áreas ligadas a prevenção
de desastres naturais, no que se refere a riscos e perigos.
• Risco é a possibilidade de ocorrência de um desastre ou acidente. Pode
haver uma área de risco mapeada, que não enfrenta nenhum tipo de perigo no
momento (época de estiagem, por exemplo).
• Perigo é a ocorrência de evento ou fenômeno geológico com potencial
de provocar danos. Fortes chuvas em curto espaço de tempo podem
representar perigo, embora nem sempre incidam sobre áreas consideradas “de
risco”.
Entre os fatores de risco existem condicionantes naturais e antrópicos, que
destacamos a seguir:
• Condicionantes naturais: são divididos em agentes predisponentes e
efetivos. Os predisponentes são características próprias do meio físico, sejam
geomorfológicas (relevo), geológicas (tipos de rocha e de solo) e hidrológico-
climáticas (relacionadas ao ciclo da água e ao clima). Também se incluem a
gravidade e a vegetação natural. Os agentes efetivos são aqueles que
desencadeiam diretamente a ocorrência, como a pluviosidade, a erosão eólica
ou hidráulica, variações de temperatura e umidade, oscilação de nível dos
corpos d’água, terremotos, degelo etc.
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• Condicionantes antrópicos: são os que deflagram os desastres por meio da
ação humana, como o lançamento de águas pluviais ou esgotos em valas, a
execução de cortes e taludes em aterros, a construção de fossas, execução de
aterros ou patamares, lançamento de lixo e entulho, retirada de vegetação e/ou
de solo, entre outros.
É muito comum em favelas e outros tipos de ocupação precária que se
implantem obras ou atividades sem o devido planejamento, ocasionando
perturbações no meio físico, como a obstrução das áreas de drenagem. Também o
aterramento de áreas de várzea ou de mangues, ou ainda a retirada de areia de praias,
podem ocasionar sérios riscos de ocorrência de desastres.
Em áreas urbanas é comum ainda a disposição inadequada de resíduos
sólidos que, além de contaminar o solo e a água, pode ainda ocasionar afundamentos,
deslizamentos e risco de incêndios e explosões (devido ao gás gerado pela
decomposição dos materiais).
Existem projetos que visam a integrar a comunidade no monitoramento de
áreas de riscos. Este é o caso do projeto do CEMADEN, que pode ser multiplicado
em diferentes situações e comunidades do Brasil, chamado de “Pluviômetros nas
Comunidades”. Há a doação de pluviômetros semiautomáticos (fornece dados de
chuva) para comunidades, orientando a comunidade com instrumentos para a
observação de possibilidades de desastres relacionados à chuva.
Projeto de “Pluviômetros nas Comunidades”.
Fonte: [Link]
nas-comunidades/
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O escorregamento está ligado a uma série de tipologias de movimentos de
massa, envolvendo solo, rochas e detritos. É ocasionado pela ação da gravidade
associado a algum fator interveniente, como a infiltração de água das chuvas, em
terrenos íngremes.
Além dos fatores naturais, concorrem para a ocorrência de escorregamentos
as atividades humanas sobre o território, sem o devido planejamento ou de forma
inapropriada. Podem ser cortes no terreno para construções, lançamento de águas
pluviais sobre terrenos descobertos, estando, portanto, mais fortemente vinculados a
ocupações irregulares.
A diferenciação entre os diversos tipos de escorregamento se dá a partir da
análise das causas de sua ocorrência e de condições particulares da ocorrência. Os
eventos geodinâmicos, causados por ação humana ou por fragilização do ambiente,
são muitas vezes acelerações de processos que poderiam ocorre naturalmente num
decurso de tempo muito maior, de forma natural.
As encostas são representadas pela conformação natural do relevo, que é dada
pelo somatório de ações resultantes de agentes geológicos, climáticos e biológicos,
além da ação humana.
Além do termo encosta, que é mais usado em caracterizações em escala
regional, utiliza-se também o termo talude. Os taludes naturais são encostas de
maciços terrosos, rochosos ou de solo e rocha, que se encontram em superfícies com
algum grau de inclinação (não-horizontais).
Os taludes de corte são resultantes de processos de escavação produzidos pelo
homem. Já os taludes de aterros são originados de materiais depositados, oriundos de
atividades humanas, como mineração, deposição de rejeitos ou resíduos de
construção, industriais ou solos.
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A Cartografia é uma técnica de produção de mapas e cartas que tem
como intuito a representação gráfica de elementos do espaço e da paisagem. Há mapas
e cartas de elementos da natureza e de formas e ocupação humana: topográficas
(diferenças de altitude e alguns elementos naturais e humanos), geológicos (evidencia
os tipos de formações geológicas), pedológico (tipos de solo), vegetação (tipos de
formação de vegetação), tipos de ocupação e uso do solo (uso agrícola, áreas
industriais, uso residencial etc.).
Há também mapas que são produzidos para retratarem a relação
sociedade-natureza e as questões ambientais, caso dos mapas de áreas de risco,
de vulnerabilidade ambiental, de áreas contaminadas, entre outros.
Tais mapas quando relacionados podem fornecer informações
importantes na análise de riscos ambientais. É interessante como metodologia,
relacionar diferentes mapas, para a partir deles construir um mapa síntese de risco.
Por exemplo, uma área tem terrenos susceptíveis a escorregamentos, dado o grau de
declividade, ao mesmo tempo no verão este município tem chuvas diárias constantes
e com alta pluviosidade, informação obtida por gráficos de chuvas, mapas de clima e
carta do tempo (meteorológica).
Desse modo, verifica-se aí uma localidade que tem probabilidade de risco de
escorregamento. Avaliam-se dados, gráficos, mapas e cartas e junta-se ao mapa de
ocupação do solo, daí pode-se afirmar considerando tais informações que população
e o grau o risco a que estão submetidas.
Atualmente, com as novas tecnologias de informação e comunicação
também é fundamental o uso de imagens de satélites que permitem vislumbrar
formas de ocupação, cobertura vegetal, relevo, entre outros.
Estas imagens associadas às imagens do Google Street View que permite
obter uma imagem mais próxima dos lugares e que cobrem muitas cidades brasileiras,
permitindo uma noção espacial das características de relevo, formas de ocupação de
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muitas cidades, permite que possa usar diversos parâmetros e informações adicionais
sobre os lugares.
Observe as imagens a seguir, que retratam um lugar visto pela imagem do
Google Maps e pelo Google Sreet View, trata-se do mesmo lugar visto sob duas
perspectivas, a segunda é mais próxima.
Figura 2: Imagem em Duas Escalas
Fonte: Imagem do Google, 2017.
As formas mais comuns de representação da Cartografia Ambiental é a
zonal, ou seja, o fenômeno representado é mostrado por zonas, podendo ser
representado por meio de cores ou figuras geométricas.
Combinando-se fatores físicos, tais como formas de relevo, declividade,
tipos de clima, temperatura, pluviosidade (chuvas), formações geológicas, tipos de
solo, cobertura vegetal, com fatores de ocupação humana, como tipos de indústria,
moradias precárias, tipos de lavoura é possível apontar os fatores e tipos de
vulnerabilidade ambiental.
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Outro site importante que pode ser usado pela Defesa Civil é o site do
“Windy” (link: [Link] que tem informações hora a hora do tempo,
com imagens evidenciando as temperaturas, ventos, nuvens, circulação das massas de
ar e frentes. Isso permite fazer previsões do tempo e ter uma ideia das possibilidades
de chuvas, por exemplo, para o próprio dia e dias vindouros. Tanto para fenômenos
como enchentes como para escorregamentos é um site que permite fazer previsões e
intervir em catástrofes.
Figura 03 - Imagem do Site Windy para parte do Brasil
Fonte: [Link]
Observem as linhas (parecem chuva) na imagem, são da direção dos ventos,
que neste dia e hora estava circulando principalmente do continente para o mar, o
que em princípio sugere que o tempo iria firmar, pois há menos umidade vindo do
continente, exceto quando é proveniente da Amazônia. Ao clicar no item vento (à
direita) aparece a animação da circulação do vento.
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Uma informação dessa pode ser usada na construção de um mapa de áreas de
risco ambiental e como tomada de decisão para as áreas de Defesa Civil e de outros
órgãos governamentais.
Outro mapa usado para verificação de análise de risco são os mapas
geotécnicos, produzidos a partir de dados geológicos, pedológicos (solos) e
geomorfológicos (das características do relevo- do terreno). Todo município
brasileiro que tiver risco de eventos naturais como deslizamentos, inundações de
grande impacto deve ter uma carta geotécnica.
É possível também mapear áreas com potencial de serem contaminadas,
devido à ocupação de antigas ou atuais indústrias que possam causar impacto
ambiental, bem como de postos de gasolina, por exemplo.
Para isso é necessário que existam dados disponibilizados por pesquisadores
ou por órgãos governamentais para que se possam construir tais mapas. Estes mapas
podem ser produzidos por geoprocessamento, usando alguns programas específicos,
ou mesmo a partir de programas existentes e disponibilizados em sites de órgãos
governamentais que permitem a criação, uso e elaboração de mapas. Geralmente estes
sites governamentais são denominados de GIS (Global Information Sýstem) ou Geo,
mais comumente associados às Secretarias de Planejamento ou de Meio Ambiente.
Este é o caso do site da Secretaria Estadual de Meio Ambiente de São Paulo,
com o site [Link] que no item
visualizador de mapas permite o uso de fotografias aéreas e a construção de mapas de
regiões do Estado de São Paulo. Basta para isso clicar nas camadas disponíveis à
direita e nos ícones (+), que abrem diferentes temas que podem ser produzidos mapas
(primeiramente defina o item limites administrativos).
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Figura 04 - Declividade do Estado de São Paulo
Fonte: [Link]
A partir da leitura de um mapa de declividade como este é possível verificar
que há trechos de maior declividade. Neste caso, observa-se que as declividades acima
de 45° ocorrem principalmente em trechos da no sentido Sul-Leste, o que permite
saber a priori áreas que tenham maior declividade são mais sujeitas a escorregamentos.
O Instituto de Pesquisas Tecnológicas (IPT), por exemplo, elaborou uma
carta geotécnica, na forma de um documento cartográfico, com informações dos
aspectos físicos, assim como orientações sobre medidas estruturais e não estruturais
que devem ser adotadas para prevenir os riscos.
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Compreender e saber representar diferentes fenômenos num mapa é essencial,
bem como saber fazer uma leitura adequada. O fundamental num mapa é ter: título,
legenda (onde estão representados em cores, símbolos ou figuras geométricas os
fenômenos e temas dos mapas), a escala, a fonte dos dados e a orientação do
mapa.
Outro aspecto fundamental é trabalhar com mapas de diferentes escalas. A
escala cartográfica refere-se à medida entre o terreno e o mapa. Sendo representada
de maneira numérica ou gráfica. A escala numérica é representada dessa forma,
seguem alguns exemplos:
• 1: 10.000 (lê-se um por dez mil), escala grande, pois o mapa foi menos
diminuído em relação ao terreno e sua medida real;
• 1: 250.000 (lê-se um por duzentos e cinquenta mil), trata-se de uma escala
média;
• 1:1.000.000 (lê-se um por um milhão), é uma escala considerada pequena, pois
o mapa é menos detalhado e houve grande diminuição em relação ao terreno.
O mapa com uma escala 1:10.000 significa que é mais detalhado, trata-se de uma
escala grande. Logo, você pode começar analisando o mapa de um Estado, por
exemplo, e depois ir buscando uma escala grande onde terá possibilidades de verificar
as informações mais próximas. Num mapa de escala 1:10.000 cada 1 cm no mapa
equivale a 100 metros (100m); na escala 1:25.000 (cada 1 cm equivale a 250m); na
escala 1:500.000 (cada 1 cm equivale a 5.000m ou 5km), na escala 1:1.000.000 (cada 1
cm equivale a 10 km).
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O mapa deve, antes de tudo, representar estaticamente elementos que,
naturalmente, são dinâmicos. Ou seja, deve lançar mão de métodos e mecanismos de
trabalho que possam proporcionar essa interpretação.
É importante que, ao elaborar o mapa, tenha-se em conta as variáveis
envolvidas. Ao mapear um rio, por exemplo, é necessário saber situar a localização da
nascente, a existência de afluentes, os divisores de águas.
A análise dos elementos pode ocorrer pela visualização de imagens aéreas ou
de satélite, sendo que, atualmente, é bem comum a utilização de veículos aéreos não-
tripulados (VANTs), popularmente conhecidos como “drones” (palavra inglesa que
significa “zangão”).
Figura 05 - Exemplo de Trecho de Carta topográfica IBGE
Fonte: IBGE, 1974.
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A carta topográfica (vide figura 5), por exemplo, contém elementos de relevo,
facilitando a compreensão da dinâmica ambiental estudada. Nela podemos ver as
curvas de nível, representadas por linhas marrons. A distância entre as curvas
determina a declividade do terreno: quanto mais próximas as curvas, maior declive
tem o terreno.
Da mesma forma, linhas mais distantes entre si representam terrenos mais
planos. Isso porque cada linha da curva de nível – a qual chamamos de “isolinha” –
representam os pontos de igual altitude no terreno. As isolinhas (isoípsas) estão
representadas por números que indicam a altitude.
Observe no trecho da carta topográfica que os locais da “Serra do Ouro Fala”,
as curvas estão bem próximas, denotando que são áreas mais íngremes. As linhas em
azul são as representações de rios e córregos, observe que sabemos qual é o caminho
dos rios (da nascente para a jusante), considerando as altitudes do terreno, dos pontos
mais altos para os mais baixos.
Os topos de montanha, ou pontos mais altos do terreno, representam, de
modo geral, os divisores de águas, pontos que demarcam a divisão das redes de
drenagem de diferentes bacias hidrográficas.
As cartas topográficas são importantes por apontar os elementos do terreno
que são mais relevantes para o planejamento do uso e ocupação. Terrenos em declive
alto podem representar risco para a ocupação humana, assim como os terrenos muito
baixos e próximos a áreas inundáveis. Também a busca por fontes de recursos
naturais, como mananciais de abastecimento, pode ser influenciada por essa variável.
Outro aspecto importante é a leitura da legenda dos mapas ou cartas,
mostrando o que está sendo representado e de que maneira. No mapa a seguir, de
áreas contaminadas, é possível verificar que as tipologias relacionadas à contaminação
e sua fase estão representadas por círculos, com cores distintas para mostrar as
situações em que se encontram as áreas de contaminação.
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Figura 06 - Mapa de Áreas Contaminadas no Estado de São Paulo, 2017
Fonte: [Link] Organizado por Vivian Fiori, 2018.
A forma de representação é pontual, ou seja, em cada lugar há um ponto,
representado por círculos e cores dentro dos círculos. Observe que onde há maiores
problemas de contaminação as cores são vermelhas e amarelas e onde houve
processos de remediação ou reabilitadas são azuis. Esta é uma característica de uma
boa representação cartográfica, pois quando pensamos em perigo associamos às cores
vermelhas e amarelas comumente.
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Para a elaboração de um mapa de risco, primeiramente procede-se ao mapa
de inventário, que é um mapa no qual se registra a distribuição espacial dos eventos,
o conteúdo, o tipo e estado da atividade, as informações de campo em geral. É de
fundamental importância a documentação por meio de fotografias, e eventualmente
de croquis, que descrevam elementos necessários à descrição da área.
A partir do inventário elabora-se o mapa de suscetibilidade, no qual se
elaboram medidas preventivas e de planejamento da ocupação do solo, indicando
potenciais áreas de risco para ocorrência de desastres.
O mapa de suscetibilidade deve estabelecer correlações entre fatores de risco
e eventos, classificando a região mapeada de acordo com graus ou níveis de
suscetibilidade.
A terceira etapa do trabalho envolve a confecção do mapa de risco. O critério
deve ser a probabilidade de ocorrência de processos geológicos naturais ou induzidos,
envolvendo: probabilidade temporal e espacial, tipologia e comportamento do
fenômeno e a vulnerabilidade dos elementos em risco (edificações, áreas urbanas,
construções, populações).
Neste mapa de risco é importante destacar se possível a probabilidade espacial
e temporal do risco, os tipos de risco e suas características e comportamento, o grau
de vulnerabilidades dos elementos do risco.
Entre os métodos utilizados para mapear áreas de risco, ou seja, assentamentos
humanos precários, ou áreas sujeitas a escorregamentos, solapamentos ou inundações,
há o Zoneamento, que envolve a identificação dos processos com potencial
destruidor, avaliando assim o risco de ocorrência de acidentes e delimitando a sua
distribuição em função da probabilidade de ocorrência.
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Figura 07 - Zoneamento de Ameaça de Inundação – Alenquer (PA)
Fonte: QUINTAIROS, M.V.R. Anais do IX Simpósio de Geomorfologia, Rio de Janeiro, 2012.
Assim, cada zona, como assim chamamos, pode ter suas características
individualizadas, gerando uma classificação de acordo com suas características, dentro
de uma gradação.
Observe o mapa de Zoneamento de Ameaça de Inundação. Há uma
classificação em áreas de alta, média e baixa possibilidade de inundação.
Já o cadastramento de risco é uma fonte de informações mais específica, como
por exemplo a quantidade de moradias existentes em cada setor de risco. Ela é uma
etapa complementar ao zoneamento. Se o zoneamento é parte do diagnóstico e
monitoramento, o cadastramento está relacionado às ações efetivas sobre o território.
A partir daí constrói-se o mapa de risco.
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Todo o trabalho de zoneamento inicia-se com a divisão prévia da área em
setores, ou pré-setorização. Nessa etapa, são observados parâmetros como
declividade e inclinação, tipologia dos processos, a situação da ocupação em relação
à encosta, tipo de ocupação (qualitativo), entre outras.
Tanto as intervenções antrópicas (posição e qualidade da ocupação; presença
de cortes e aterros) quanto as condições naturais (declividade, litologia,
geomorfologia) são fatores determinantes das possibilidades de risco.
A declividade é um fator natural, que pode ser potencializado por condições
antrópicas, como a construção de aterros, barramentos, taludes etc. Existem valores
de referência para declividade, que condicionam a ocupação.
Áreas com declividade acima de 30%, ou 17 ° de inclinação, tem sua ocupação
condicionada à inexistência de riscos, que são apontados em laudo geológico-
geotécnico.
Áreas com declividade entre 20° e 25° apresentam menos risco. Porém,
dependendo do tipo de terreno, essa inclinação já é suficiente para produzir
escorregamentos, em lugares com grande pluviosidade, caso da Serra do Mar no litoral
de SP e RJ.
Os tipos de escorregamentos mais comuns no Brasil são os escorregamentos
planares, em corte e aterro, na região sudeste; e os escorregamentos da Formação
Barreiras, na região Nordeste.
Os escorregamentos planares são causados por rupturas repentinas entre
horizontes de solo, causadas por enxurradas de fortes chuvas. A água penetra no solo,
encharcando o horizonte superficial até a rocha-mãe. Essa “lubrificação” causada pela
água promove literalmente um escorregamento do pacote de sedimentos,
eventualmente levando consigo vegetação e ocupações humanas.
Finalizando esta unidade, verifica-se que existem diferentes maneiras de
monitorar áreas de risco e de desastres naturais-ambientais, bem como o uso da
Cartografia e Imagens é muito importante para a análise de riscos. Para isso existem
metodologias que podem auxiliar no monitoramento de áreas sujeitas a riscos
naturais-ambientais.
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BITAR, Omar Yazbek; FREITAS, Carlos Geraldo Luz de; MACEDO, Eduardo Soares de.
Guia cartas geotécnicas: orientações básicas aos municípios. São Paulo: IPT, 2015. 3Mb,
PDF (IPT. Publicação 3022) (livro eletrônico)
MARANDOLA JR., Eduardo & HOGAN, Daniel J. Natural Hazards: o Estudo
Geográfico dos Riscos e Perigos. Ambiente & Sociedade – Vol. VII nº. 2, p. 95-110,
jul./dez. 2004.
MINISTÉRIO DA INTEGRAÇÃO NACIONAL. Anuário brasileiro de desastres
naturais: 2013. Secretaria Nacional de Proteção e Defesa Civil. Centro Nacional de
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[Link]
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QUINTAIROS, M.V.R. (INSTITUTO FEDERAL DO AMAPÁ). Mapeamento de área
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[Link]
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Windy: link: [Link]
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[Link]
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