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Manual de Condutas Proibidas Pela Legislacao Eleitoral 1 SP

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2024

MANUAL DE
CONDUTAS
PROIBIDAS PELA
LEGISLAÇÃO
ELEITORAL
ORIENTAÇÕES PARA OS AGENTES PÚBLICOS
DO ESTADO DE SÃO PAULO
Procuradoria Geral do
Estado de São Paulo

Procuradora Geral do Estado


Inês Maria dos Santos Coimbra

Subprocuradora Geral da Consultoria Geral


Alessandra Obara Soares da Silva

Subprocuradora Geral Adjunta da Consultoria Geral


Julia Maria Plenamente Silva

Coordenação dos trabalhos


Diana Loureiro Paiva de Castro

Subscritores
André Luiz dos Santos Nakamura
Carolina Pellegrini Maia Rovina
Diana Loureiro Paiva de Castro
Elisângela da Libração
Marina de Lima Lopes
Paula de Siqueira Nunes

Licença
Este material pode ser citado, adaptado e transmitido
por qualquer meio ou formato, desde que para fins não
comerciais e com indicação de seus autores
SUMÁRIO

Conduta nº 1:
Cessão e uso de bens

01 Apresentação
08 públicos em benefício de
candidato, partido
político ou coligação

Conduta nº 2:

02 11
Uso de materiais ou
Introdução
serviços, custeados pelo
erário, que ultrapasse as
prerrogativas do agente

Conduta nº 3:

05 14
Cessão de servidores e
Condutas proibidas
empregados públicos ou uso
de seus serviços para comitês
de campanha eleitoral

Conduta nº 4:

06 Agente público
17 Uso promocional de
distribuição gratuita de
bens e serviços de
caráter social

Conduta nº 5:

07 Sanções
21 Nomeação de servidor
público e outras medidas
de direito de pessoal
SUMÁRIO

Conduta nº 12:
Execução de programas
Conduta nº 6:

23 40
sociais por entidades
Transferência voluntária vinculadas ou mantidas por
candidato

Conduta nº 13:

28 Conduta nº 7:
Publicidade institucional 42 Publicidade sem caráter
educativo, informativo ou
de orientação social

Conduta nº 8: Conduta nº 14:

30
Pronunciamento em
cadeia de rádio e
televisão, fora do horário
44 Contratação de shows
artísticos pagos com
dinheiro público para
eleitoral gratuito inaugurações

Conduta nº 15:
Conduta nº 9:

32 Aumento dos gastos com


publicidade
46 Comparecimento a
inaugurações
de obras públicas

Conduta nº 10:

47
Revisão geral da

33 remuneração dos
servidores públicos além
Desincompatibilização

do limite legal

Conduta nº 11:

34
Distribuição gratuita de
bens, valores
ou benefícios
Apresentação

Qual o objetivo do manual?

O documento tem o objetivo de orientar as Consultorias Jurídicas de Secretarias de


Estado e Autarquias e a Administração pública estadual a respeito das condutas que
não devem ser praticadas durante o período eleitoral de 2024, de acordo com a Lei
das Eleições ("LE" - Lei 9.504/1997).

O manual foi elaborado no âmbito da Subprocuradoria Geral da Consultoria Geral,


em continuação ao trabalho iniciado pelo Núcleo de Estudos e Pesquisas sobre
Propriedade Intelectual e Inovação do Centro de Estudos da Procuradoria Geral do
Estado de São Paulo (PGE-SP) no ano de 2021.

Quem deve ler o manual?

Os agentes públicos do Estado de São Paulo, principalmente servidores e gestores


públicos.

Como o manual está organizado?

Em quatro partes.

Na primeira, apresentamos as condutas proibidas durante o período eleitoral e o


conceito legal de “agente público”.

Na segunda, esclarecemos as sanções que podem ser aplicadas aos agentes públicos
que praticarem conduta(s) proibida(s).

Na terceira, explicamos as condutas proibidas pela Lei das Eleições, com comentários
e exemplos.

Na quarta, relatamos os casos em que os agentes públicos precisam se afastar dos


cargos que ocupam para concorrer à eleição.

01
Introdução

1. Condutas proibidas e resultados

As previsões do artigo 73 da Lei das Eleições são infrações eleitorais de natureza


objetiva. Isso significa que basta realizar conduta proibida pela Lei das Eleições para
que o agente público que a praticou esteja sujeito à sanção.

Ou seja, não é necessária a comprovação de que conduta tenha beneficiado algum


candidato ou partido político. Em outras palavras, há presunção legal de que basta a
realização da conduta para configurar a ofensa à igualdade de oportunidade entre
os candidatos [TSE, 2021, REspEl 060030628 e Parecer PA 169/2009].

Na verdade, o resultado da conduta proibida é avaliado para determinar quais as


sanções que serão aplicadas ao agente público que a praticou. Nesse sentido, o
Tribunal Superior Eleitoral (TSE) entende que a potencialidade lesiva da conduta só
importa para fins de aplicação proporcional das sanções previstas nos §§ 4º e 5º do
artigo 73 da Lei das Eleições [TSE, 2016, RESPE 53067].

2. Limitações de tempo e local

A Lei das Eleições proíbe algumas condutas somente durante determinado período e
em determinado local. Mas não se preocupe: o Manual indicará quando e onde essas
condutas não poderão ser praticadas, ao descrever cada uma delas.

Em linhas gerais, os principais marcos para as Eleições de 2024 são:


o dia 1º de janeiro de 2024 como data de início da proibição das condutas
previstas no artigo 73, VII, §§ 10 e 11, da Lei das Eleições, descritas neste Manual
como condutas nºs 9, 11 e 12;
o dia 6 de julho de 2024 como data de início da proibição das condutas previstas
nos artigos 73, V e VI, 75 e 77, da Lei das Eleições, descritas neste Manual como
condutas nºs 5, 6, 7, 8, 14 e 15.

Atenção!

Este Manual foi elaborado antes da publicação da Resolução do Tribunal Superior


Eleitoral que prevê o calendário eleitoral de 2024. Assim, as datas acima referidas
devem ser conferidas quando for editada a Resolução pelo TSE e disponibilizada em
www.tse.jus.br.

02
Introdução

2. Limitações de tempo e local (continuação):

Quanto às condutas previstas no artigo 73, I, II, III e IV, da Lei das Eleições, descritas
neste Manual como condutas nºs 1, 2, 3, 4, recomendamos cautela ao agente público,
ainda que fora do ano eleitoral.

Quanto ao aspecto territorial, em regra, as condutas previstas no artigo 73 e seguintes


da Lei das Eleições são aplicáveis a quaisquer esferas federativas, isto é, aos
Municípios, aos Estados, ao Distrito Federal e à União.

Contudo, quando houver menção na lei à “circunscrição do pleito”, as proibições serão


dirigidas apenas aos agentes públicos vinculados ao ente federativo em que as
eleições serão realizadas, o que significa, para as Eleições de 2024, apenas aos
agentes públicos municipais.

3. Abuso do poder político e improbidade administrativa

As condutas proibidas pela Lei das Eleições também podem ser enquadradas como
abuso do poder político e improbidade administrativa.

A caracterização como abuso do poder político está prevista no artigo 22 da Lei


Complementar 64/90. Sobre isso, não importa o período em que foi realizada a
conduta proibida, mas é necessária a comprovação da gravidade da conduta e da
finalidade de obtenção de vantagem eleitoreira [TSE, 2021, RO-El 060081868].

Ou seja, a prática de abuso do poder político não está restrita à limitação temporal
do artigo 73 da Lei das Eleições. Assim, o abuso de poder pode ser reconhecido “com
base em condutas praticadas ainda antes do pedido de registro de candidatura ou do
início do período eleitoral” [TSE, 2023, RO-El nº 060313397].

03
Introdução

3. Abuso do poder político e improbidade administrativa (continuação)

O artigo 73, § 7º, da Lei das Eleições, ao tratar de improbidade administrativa, faz
referência expressa ao artigo 11, I, da Lei 8.429/1992, que foi revogado pela Lei
14.230/2021. No entanto, as condutas proibidas pela legislação eleitoral ainda podem
configurar atos de improbidade administrativa previstos nos artigos 9º a 11 da Lei
8.429/1992.

4. Instruções do Tribunal Superior Eleitoral

Até o dia 05 de março de 2024, é possível ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE) publicar
instruções sobre as Eleições de 2024. Desse modo, recomendamos a consulta a
www.tse.jus.br para verificar eventual nova orientação sobre as condutas proibidas
[art. 105, LE].

5. Proibições previstas na Lei de Responsabilidade Fiscal

As proibições previstas na Lei de Responsabilidade Fiscal (Lei Complementar


101/2000) não serão abordadas neste Manual, pois, nas Eleições de 2024, dirigem-se
apenas aos Prefeitos. Tais proibições têm como parâmetro o término do mandato do
titular do Poder Executivo, o que, em 2024, acontece com os Prefeitos.

6. Dúvidas jurídicas

Após a leitura deste Manual, caso exista dúvida jurídica não resolvida, recomendamos
a submissão da questão às Consultorias Jurídicas das Secretarias de Estado e
Autarquias, que deverão comunicar a Subprocuradoria Geral da Consultoria Geral, e,
eventualmente, a formulação de consulta ao Tribunal Regional Eleitoral - TRE, a ser
encaminhada pelo Gabinete da Procuradora Geral do Estado (art. 30, VIII, Lei
4.737/1965).

04
Condutas proibidas

Quais são as condutas proibidas?

1. Cessão e uso de bens públicos em benefício de candidato, partido político ou


coligação;
2. Uso de materiais ou serviços, custeados pelo erário, que ultrapasse as prerrogativas
do agente;
3. Cessão de servidores e empregados públicos ou uso de seus serviços para comitês
de campanha eleitoral;

4. Uso promocional de distribuição gratuita de bens e serviços de caráter social;


5. Nomeação de servidor público e outras medidas de direito de pessoal;
6. Transferência voluntária;
7. Publicidade institucional;
8. Pronunciamento em cadeia de rádio e televisão, fora do horário eleitoral gratuito;
9. Aumento dos gastos com publicidade;
10. Revisão geral da remuneração dos servidores públicos além do limite legal;
11. Distribuição gratuita de bens, valores ou benefícios;
12. Execução de programas sociais por entidades vinculadas ou mantidas por
candidato;
13. Publicidade sem caráter educativo, informativo ou de orientação social;
14. Contratação de shows artísticos pagos com dinheiro público para inaugurações;
15. Comparecimento a inaugurações de obras públicas.

05
Agente público

O que é “agente público”?

O conceito legal está no artigo 73, § 1º, da Lei das Eleições.

A lei adota conceito amplo, abrangendo todos aqueles que possuem relação com a
Administração Pública direta ou indireta, ainda que informal, com ou sem
remuneração.

Por exemplo, são considerados agentes públicos: agentes políticos, servidores


estatutários, celetistas, temporários, os ocupantes de cargo em comissão ou função
de confiança e também os militares, ainda que estejam prestando serviço
obrigatório.

O que acontece se um agente público devolver os recursos públicos


utilizados para praticar alguma das condutas proibidas?

O ressarcimento das despesas pelo agente público não descaracteriza as condutas


proibidas e as sanções previstas em lei permanecem aplicáveis [TSE, 2007, RESPE
25770].

O que acontece se uma conduta proibida for praticada conjuntamente por


diferentes agentes públicos?

Todos são corresponsáveis e deverão figurar no polo passivo de eventual ação, ao


lado do beneficiário. No entanto, cada agente público será responsabilizado de
acordo com a sua competência funcional e nos limites dela [TSE, 2018, RO 127239].

Por outro lado, é desnecessário que esteja no polo passivo de eventual ação aquele
que “pratica a ação como mero executor, na qualidade de simples mandatário” [TSE,
2022, REspEl 060153053]. É exemplo disso o servidor público com “atribuições
técnico-funcionais para gerir e atualizar o sítio eletrônico da prefeitura“, em caso de
ilegalidade em publicações feitas em tal site [TSE, 2023, RO-El 060313397].

06
Sanções

O que são sanções?


São as consequências previstas para aqueles que praticam as condutas proibidas,
nos termos dos §§ 4º a 8º do artigo 73 e dos artigos 74, 75, parágrafo único, e 77,
parágrafo único, da Lei das Eleições, bem como do artigo 1º, I, “j”, da Lei
Complementar 64/1990.

Quais são as sanções previstas para as condutas proibidas?


Imediata suspensão da conduta proibida e declaração de nulidade do ato;

Aplicação de multa no valor de 5 a 100 mil UFIRS, se não houver previsão de


outra multa específica. O Tribunal Superior Eleitoral atualiza os valores
convertidos em reais. O valor atualizado para 2024 deve ser verificado em
www.tse.jus.br, uma vez editada a respectiva Resolução do TSE;

Cassação do registro ou do diploma, que só pode ser aplicada ao candidato


comprovadamente beneficiado;
·
Enquadramento como improbidade administrativa e suspensão dos direitos
políticos;

Caracterização de abuso do poder político.

Atenção!

Os candidatos cassados também podem ficar inelegíveis por 8 anos, contados da


data da eleição [art. 1º, I, “j”, LC 64/1990].

Observação:

A referida multa no valor de 5 a 100 mil UFIRS:


será duplicada a cada reincidência (isto é, a cada vez que o agente pratica
novamente a conduta proibida) [art. 73, § 6º, LE];
pode ser cumulada com outras sanções previstas também na Lei das Eleições
(por exemplo, a cassação do registro ou do diploma);
pode ser cumulada com outras sanções previstas em diferentes leis.

07
Cessão e uso de bens públicos em benefício de
candidato, partido político ou coligação

Artigo 73, inciso I: "ceder ou usar, em benefício de candidato, partido político ou


coligação, bens móveis ou imóveis pertencentes à administração direta ou indireta da
União, dos Estados, do Distrito Federal, dos Territórios e dos Municípios, ressalvada a
realização de convenção partidária.
§ 2º A vedação do inciso I do caput não se aplica ao uso, em campanha, de transporte
oficial pelo Presidente da República, obedecido o disposto no art. 76, nem ao uso, em
campanha, pelos candidatos a reeleição de Presidente e Vice-Presidente da República,
Governador e Vice-Governador de Estado e do Distrito Federal, Prefeito e Vice-
Prefeito, de suas residências oficiais para realização de contatos, encontros e reuniões
pertinentes à própria campanha, desde que não tenham caráter de ato público".

O que é proibido?
A cessão e o uso de bens públicos de qualquer espécie, salvo os de uso
comum do povo, em benefício de candidato, partido político ou coligação
que participe do pleito eleitoral, ressalvadas as hipóteses legalmente
previstas.

A quem se aplica a proibição?


A todos: agentes públicos federais, estaduais, distritais e municipais.

Qual o período da proibição?


A qualquer tempo.

08
Comentários

É necessário que a conduta praticada possa gerar benefício a


candidato, partido político ou coligação que participe do pleito eleitoral
[TSE, 2014, Rp 160839].

A proibição se refere a qualquer bem público:


incluindo bens móveis ou imóveis, corpóreos ou incorpóreos, e bens de
qualquer esfera federativa (isto é, do Município, do Estado, do Distrito
Federal ou da União, mesmo que as Eleições de 2024 sejam
municipais) [TSE, 2021, RO-El 060370569];
excluindo os bens de uso comum do povo (tais como rios, mares,
estradas, ruas e praças) [TSE, 2010, AI 12229].

Além das exceções previstas no § 2º do artigo 73 da Lei das Eleições,


reproduzido na página anterior, a proibição também não se aplica no
caso de realização de convenção coletiva do partido. Isso porque o
artigo 8º, § 2º, da Lei das Eleições dispõe que: “para a realização das
convenções de escolha de candidatos, os partidos políticos poderão usar
gratuitamente prédios públicos, responsabilizando-se por danos
causados com a realização do evento” [Parecer AJG 1.233/1997 e
TRE/SP, 2011, RP 753769].

A proibição se aplica a qualquer tempo, não estando limitada ao ano


eleitoral ou ao período de três meses antes do pleito [TSE, 2019, RESPE
060035327].

Para configuração da proibição, não se exige a condição de candidato,


bastando que o autor do ato seja agente público [TSE, 2023, AREspEl
060005732].

09
Art. 73, I, LE
Exemplos extraídos da jurisprudência

É conduta proibida: Não é conduta


proibida:

Utilização, por Secretário da Saúde, “A utilização de bens


de “informações obtidas em banco públicos como cenário
de dados restrito” da Secretaria da para propaganda eleitoral
é lícita, desde que
Saúde para “encaminhar mensagem
presentes os seguintes
aos servidores do órgão, contendo requisitos: (i) o local das
link de acesso à sua conta na rede filmagens seja de livre
social Twitter”, em que apoiava acesso a qualquer pessoa;
determinado candidato ao cargo (ii) o serviço não seja
de Prefeito [TSE, 2023, REspEl interrompido em razão das
060101183]; filmagens; (iii) o uso das
dependências seja
franqueado a todos os
Cessão de bens públicos durante demais candidatos; (iv) a
festividade tradicional, de caráter utilização se restrinja à
privado, mas patrocinada pelo captação de imagens, sem
Poder Público, em favor de encenação” [TSE, 2021,
campanha, pelo fato de os bens REspEl 060316840].
cedidos reverterem, indiretamente,
em favor dos candidatos [TSE, 2015,
RESPE 13433];

Utilização, por candidato à


reeleição ao cargo de vereador, de
imóvel público para gravar vídeo
com o objetivo de “ transmitir a
mensagem de que teria resolvido
problema com serviço público que,
na verdade, já estava em
funcionamento” [TSE, 2022, REspEl
060050616].

10
Art. 73, I, LE
Uso de materiais ou serviços, custeados
pelo erário, que ultrapasse as prerrogativas do agente

Artigo 73, inciso II: "usar materiais ou serviços, custeados pelos Governos ou
Casas Legislativas, que excedam as prerrogativas consignadas nos regimentos e
normas dos órgãos que integram".

O que é proibido?
O uso de materiais ou serviços custeados pelo erário, a qualquer
tempo e lugar, que ultrapasse as prerrogativas do agente público.

A quem se aplica a proibição?


A todos: agentes públicos federais, estaduais, distritais e municipais.

Qual o período da proibição?


A qualquer tempo.

11
Comentários

A proibição tem por objetivo preservar os materiais ou serviços custeados


pelo erário destinados ao exercício das prerrogativas legais conferidas
ao agente público.

Como já mencionado, o ressarcimento das despesas não desconfigura a


conduta proibida. Assim, as sanções previstas em lei permanecem
aplicáveis [TSE, 2007, RESPE 25770].

A aplicação da proibição não está sujeita ao limite da “circunscrição do


pleito”. Assim, em 2024, está proibido o uso de material ou serviço em
favor de candidatura municipal, custeado pelo Governo ou pela
Assembleia Legislativa estaduais, que exceda às prerrogativas previstas
nos regimentos e normas dos órgãos.

A proibição se aplica a qualquer tempo, não estando limitada ao ano


eleitoral ou ao período de três meses antes do pleito [TSE, 2013, RESPE
26838].

12
Art. 73, II, LE
Exemplos extraídos da jurisprudência

É conduta proibida: Não é conduta


proibida:

A utilização de sítio eletrônico


oficial do governo para atacar O uso de material ou
serviço custeado pelo
candidato adversário, sob candidato e não pelo
pretexto de prestar erário [TSE, 2005, AG
esclarecimentos à população 4246; TSE, 2021, REspEL
[TSE, 2010, Rp 295986]. 170594].

“Link na página da câmara de


vereadores”, que “serviu de
atalho para impulsionar o acesso
à rede social” de determinado
candidato, na qual eram
“promovidos atos deliberados de
campanha eleitoral“ [TSE, 2022,
AREspEl 06002439].

13
Art. 73, II, LE
Cessão de servidores e empregados públicos
ou uso de seus serviços para comitês de campanha
eleitoral

Artigo 73, inciso III: "ceder servidor público ou empregado da administração


direta ou indireta federal, estadual ou municipal do Poder Executivo, ou usar de
seus serviços, para comitês de campanha eleitoral de candidato, partido
político ou coligação, durante o horário de expediente normal, salvo se o
servidor ou empregado estiver licenciado".

O que é proibido?
A cessão de servidores e empregados públicos ou o uso de seus
serviços, de forma gratuita ou onerosa, para comitês de campanha
eleitoral de candidato, partido ou coligação, durante horário de
expediente normal, salvo na hipótese prevista em lei.

A quem se aplica a proibição?


A todos: agentes públicos federais, estaduais, distritais e municipais.

Qual o período da proibição?


A qualquer tempo.

14
Comentários

A legislação proíbe tanto a cessão quanto o uso dos servidores públicos


em comitês de campanha, realizados de forma gratuita ou onerosa.

A proibição abrange todas as categorias de agentes públicos de direito


(servidores estatuários, empregados públicos, servidores temporários
etc.), inclusive os ocupantes de cargos comissionados [TSE, 2005, MC
1636]. Por outro lado, a proibição não abrange aqueles que estiverem
licenciados ou em gozo de férias.

A aplicação da proibição não está sujeita ao limite da “circunscrição do


pleito”. Assim, em 2024, é proibido aos agentes públicos estaduais ceder
ou usar servidor ou empregado público em comitês de campanha
eleitoral de candidato ao pleito municipal.

A proibição se aplica a qualquer tempo, não estando limitada ao ano


eleitoral ou ao período de três meses antes do pleito.

A jurisprudência do Tribunal Superior Eleitoral afasta a aplicação da


proibição em questão no caso de:
servidores dos poderes Legislativo e Judiciário, porque a proibição é
destinada aos servidores do Poder Executivo (“interpretação estrita”)
[TSE, 2016, RESPE 119653];
agentes políticos, porque estes não se sujeitam a jornada fixa de
trabalho [TSE, 2019, RESPE 32372].

15
Art. 73, III, LE
Exemplos extraídos da jurisprudência

É conduta proibida: Não é conduta


proibida:

Uso feito por candidato ao


pleito, de servidor público, a fim “Participação de agente
público em campanha
de que este último, valendo-se
eleitoral”, que ocorre
das suas prerrogativas funcionais, “fora do seu horário
envie um ofício a órgão público, normal de expediente”
solicitando informações e [TSE, 2022, AREspEl
documentos para instruírem 060236545].
impugnação de registro contra
candidato adversário [TSE, 2004,
RESPE 24869];

Uso de imagem de policiais


militares, que ficaram à
disposição de equipes de
filmagem para participar, sob a
direção destas, e na condição de
atores, de vídeo de propaganda
eleitoral [TSE, 2018, RO 189673].

16
Art. 73, III, LE
Uso promocional de distribuição gratuita de bens
e serviços de caráter social

Artigo 73, inciso IV: "fazer ou permitir uso promocional em favor de candidato,
partido político ou coligação, de distribuição gratuita de bens e serviços de
caráter social custeados ou subvencionados pelo Poder Público".

O que é proibido?
Fazer ou permitir uso promocional de distribuição gratuita de bens e
serviços de caráter social custeados ou subvencionados pelo Poder
Público, em favor de candidato, partido político ou coligação.

A quem se aplica a proibição?


A todos: agentes públicos federais, estaduais, distritais e municipais.

Qual o período da proibição?


A qualquer tempo.

17
Comentários

É recomendada a leitura conjunta desta previsão com o § 10 do artigo 73


da Lei das Eleições, descrito neste Manual como conduta nº 11, porque os
dois tratam da “distribuição gratuita”.

Porém, há diferenças importantes entre a conduta nº 4 em análise e a


conduta nº 11 abaixo.

Para a configuração da conduta nº 4 em análise deve ocorrer,


diferentemente da conduta nº 11 abaixo (art. 73, IV x art. 73, § 10):
o uso promocional de distribuição gratuita de bens e serviços de
caráter social custeados ou subvencionados pelo Poder Público;
em favor de candidato, partido político ou coligação.

Além disso, o uso promocional deve se dar concomitantemente à entrega


dos benefícios. Não configura a conduta proibida se a divulgação se deu
em mês ou ano anterior [TSE, 2021, REspEl 20914].

Não se exige, para a configuração da conduta nº 4 em análise, a


interrupção ou não instituição de programas sociais que contemplem a
distribuição gratuita de bens durante o ano eleitoral, como pode ocorrer
em relação à conduta nº 11. A conduta nº 4 tem por finalidade proibir a
utilização da distribuição gratuita em favor de candidato, partido político
ou coligação [Parecer PA 169/2009].

Uma vez que a lei exige que “a distribuição” de bens e serviços seja
“gratuita”, a presença de contrapartida por parte do beneficiário afasta a
infração, como ocorre na doação com encargo [TSE, 2014, RESPE 34994].

18
Art. 73, IV, LE
Comentários

Como se extrai da jurisprudência do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), a


configuração da conduta nº 4 em análise pressupõe “três requisitos
cumulativos: a) contemplar bens e serviços de cunho assistencialista
diretamente à população; b) ser gratuito, sem contrapartidas; c) ser
acompanhado de caráter promocional em benefício de candidatos ou
legendas” [TSE, 2023, AREspEl nº 060004091].

A aplicação da proibição não está sujeita ao limite da “circunscrição do


pleito”. Assim, em 2024, é proibido aos agentes públicos estaduais fazer
ou permitir uso promocional em favor de candidato, partido político ou
coligação, de distribuição gratuita de bens e serviços de caráter social
custeados ou subvencionados pelo Poder Público.

A proibição se aplica a qualquer tempo, não estando limitada ao ano


eleitoral ou ao período de três meses antes do pleito.

19
Art. 73, IV, LE
Exemplos extraídos da jurisprudência

É conduta proibida:

Distribuição gratuita de lotes, em programa habitacional, por agente público


durante período eleitoral, com claro intuito de beneficiar candidato que está
apoiando, com pedido expresso de voto [TSE, 2006, RESPE 25890];

Realização, por candidato, de comício no qual faz uso promocional de obra


urbana [TSE, 2016, RO 278378];

Oferecimento de cirurgias de laqueadura de trompas em hospital particular


subvencionado pelo SUS, utilizadas como instrumento de promoção da
candidatura de determinado deputado estadual [TSE, 2015, RO 6453];

Vinculação da concessão de redução da tarifa de água à imagem de dois


candidatos, com o objetivo de obter favorecimento político-eleitoral, por meio
de divulgação de apoio político nos edifícios beneficiados, com a afixação de
placas de propaganda eleitoral, bem como de panfletos distribuídos nessas
unidades habitacionais com pedido explícito de voto para dar “continuidade”
ao “trabalho” [TSE, 2016, RO 1041768];

Uso promocional de programa social, em filmagem realizada durante um dos


atendimentos promovidos no âmbito do programa, utilizado em propaganda
eleitoral da chapa majoritariamente eleita [TSE, 2021, RO-EI 224491];

Uso promocional em favor de candidato de evento de inauguração de poço


artesiano, perfurado com recursos estatais [TSE, 2021, RO-EI 060038425];

Uso promocional em favor de candidato de evento de distribuição de cestas


básicas [TSE, 2023, AREspEl nº 060004091].

20
Art. 73, IV, LE
Nomeação de servidor público e outras medidas
de direito de pessoal
Artigo 73, inciso V : "nomear, contratar ou de qualquer forma admitir, demitir sem justa causa,
suprimir ou readaptar vantagens ou por outros meios dificultar ou impedir o exercício funcional e,
ainda, ex officio, remover, transferir ou exonerar servidor público, na circunscrição do pleito, nos
três meses que o antecedem e até a posse dos eleitos, sob pena de nulidade de pleno direito,
ressalvados:
a) a nomeação ou exoneração de cargos em comissão e designação ou dispensa de funções de
confiança;
b) a nomeação para cargos do Poder Judiciário, do Ministério Público, dos Tribunais ou
Conselhos de Contas e dos órgãos da Presidência da República;
c) a nomeação dos aprovados em concursos públicos homologados até o início daquele prazo;
d) a nomeação ou contratação necessária à instalação ou ao funcionamento inadiável de
serviços públicos essenciais, com prévia e expressa autorização do Chefe do Poder Executivo;
e) a transferência ou remoção ex officio de militares, policiais civis e de agentes penitenciários".

O que é proibido?
Nomear, contratar, admitir, demitir sem justa causa, suprimir, readaptar
vantagens, dificultar ou impedir o exercício funcional e, de ofício, remover,
transferir ou exonerar serviços públicos, com exceção das hipóteses
indicadas no próprio texto legal.

A quem se aplica a proibição?


Apenas na circunscrição do pleito.
Ou seja, nas Eleições de 2024, apenas ao agente público municipal.

Qual o período da proibição?


Desde os 3 meses que antecedem o pleito até a posse dos eleitos.
Isto é, nas Eleições de 2024, o início da proibição ocorre em 6 de julho de
2024, e vai até a posse dos eleitos.

21
Comentários

Como visto, a proibição se aplica apenas na “circunscrição do pleito”.


Assim, nas Eleições de 2024, apenas o Município estará afetado pela
proibição, ficando livres a União, os Estados e o Distrito Federal
[Parecer GPG 12/2004].

No entanto, merece atenção o posicionamento do Tribunal Superior


Eleitoral no sentido de que, ainda que praticada em circunscrição
diferente, se for demonstrada a conexão da prática da conduta nº 5 em
análise com o processo eleitoral, a infração estará configurada [TSE,
2018, RO 222952].

22
Art. 73, V, LE
Transferência voluntária

Art. 73, inciso VI - "nos três meses que antecedem o pleito:


a) realizar transferência voluntária de recursos da União aos Estados e
Municípios, e dos Estados aos Municípios, sob pena de nulidade de pleno direito,
ressalvados os recursos destinados a cumprir obrigação formal preexistente
para execução de obra ou serviço em andamento e com cronograma prefixado,
e os destinados a atender situações de emergência e de calamidade pública".

O que é proibido?
Realizar transferência voluntária de recursos, seja da União aos
Estados e Municípios, seja do Estado aos Municípios, com exceção das
hipóteses indicadas no próprio texto legal.

A quem se aplica a proibição?


A todos: agentes públicos federais, estaduais, distritais e municipais.

Qual o período da proibição?


Desde os 3 meses que antecedem o pleito.
Isto é, nas Eleições de 2024, o início da proibição ocorre em 6 de julho
de 2024.

23
Comentários

Este dispositivo deve ser lido em conjunto com o artigo 73, § 10, da Lei
das Eleições, descrito neste Manual como conduta nº 11.

Transferência voluntária de recursos é aquela que não decorre de


expressa determinação constitucional ou legal. Por exemplo:
concessão de empréstimos;
repasse de recursos por meio de convênios;
transferências voluntárias de imóveis ou o uso de imóveis do Estado
em favor de Municípios, bem como a entes da Administração Pública
indireta municipal [Parecer PA-3 202/2000].

Muito embora o artigo 25 da Lei de Responsabilidade Fiscal afaste do


conceito de transferências voluntárias aquelas que decorram de
determinação legal ou constitucional, e não haja jurisprudência do
Tribunal Superior Eleitoral a respeito, o Tribunal de Contas da União
recomenda que as transferências que decorram de emendas impositivas
sejam tratadas como transferências voluntárias, configurando, portanto, a
infração nº 6 em análise [TCU, Acórdão 287/2016].

Não está proibido, por essa previsão da conduta nº 6 em análise, o


repasse de recursos destinados a:
cumprir obrigação formal preexistente para executar obra ou serviço
em andamento e com cronograma já fixado [TSE, 2012, RESPE 104015;
Parecer PA 6/2022];
atender situação de emergência e de calamidade pública;
órgãos municipais do Sistema Único de Saúde (SUS), por se tratar de
transferência obrigatória;
entidades privadas ´[TSE, 2004, RCL 266].

24
Art. 73, VI, "a", LE
Comentários

No entanto, nesse último caso (entidades privadas), há situações em que


a transferência pode ser proibida, nos termos do artigo 73, § 10, da Lei
das Eleições, descrito nesse Manual como conduta nº 11 [TSE, 1999, RESPE
16040].

Para a jurisprudência do Tribunal Superior Eleitoral [Parecer SUBG-CONS


n.º 60/2022]:
“obrigação formal preexistente” pode ser aquela acordada por meio
de um convênio, assinado antes do período da proibição [TSE, 2012,
RESPE 104015];
a “execução de obra ou serviço em andamento e com cronograma
prefixado” significa que houve o início físico da execução [TSE, 2006,
RESPE 25324].

A proibição se refere ao efetivo repasse de recursos. Não importa se o


convênio foi assinado ou publicado antes do período eleitoral [TSE, 2012,
RESPE 104015].

É proibida a transferência a Municípios que não se encontrem mais em


situação de emergência ou estado de calamidade, mesmo que
necessitem de apoio para diminuir os danos decorrentes dos eventos que
deram causa à situação de emergência e ao estado de calamidade.

25
Art. 73, VI, "a", LE
Comentários

A legislação eleitoral proíbe transferências voluntárias que envolvam


repasses feitos em caráter eventual e de forma desatrelada das
obrigações permanentes do Estado [Pareceres PA 49/2010 e 70/2010].

A realização de doação única, de bem móvel, por ser incapaz de influir


no pleito eleitoral, desde que demonstrada sua destinação, não
caracteriza “distribuição”. Nesse caso, se aplica a proibição da conduta
nº 6 em análise e não a da conduta nº 11 abaixo. Por isso, essa conduta é
proibida apenas durante os três meses anteriores ao pleito e não durante
todo o ano eleitoral (art. 73, VI, “a” x artigo 73, § 10). Portanto, nessa
hipótese, a proibição se aplicará, nas Eleições Municipais de 2024,
somente a partir de 6 de julho de 2024 [Parecer SUBG-CONS 32/2016].

A aplicação da proibição da conduta nº 6 em análise não está sujeita ao


limite da “circunscrição do pleito”. Assim, em 2024, é proibido ao agente
público estadual realizar transferências voluntárias de recursos aos
Municípios, com exceção das hipóteses indicadas no próprio texto legal.

Como visto, a proibição está limitada ao período de três meses antes do


pleito (a partir de 6 de julho de 2024).

Reforçamos aqui a necessidade de leitura em conjunto da conduta nº 6


em análise com a conduta nº 11 abaixo, cuja proibição se iniciou em 1º de
janeiro de 2024 (art. 73, § 10, LE).

26
Art. 73, VI, "a", LE
Comentários

A outorga graciosa de autorizações de uso, permissões de uso, cessões de


uso, comodatos e doações pelo Estado em favor de Municípios configura
transferência voluntária de imóvel ou uso de imóvel do Estado em favor
do Município e, portanto, é proibida pela previsão da conduta nº 6 em
análise [Parecer AJG 313/2022].

Por outro lado, se os mesmos atos forem praticados pelo Município em


favor do Estado, não há proibição (transferências de bens imóveis,
autorizações de uso, permissões de uso, cessões de uso e comodatos dos
Municípios para o Estado).

A transferência voluntária de imóveis se dá com a assinatura dos


respectivos termos e escrituras. Assim, mesmo que já tenham sido
previamente editados lei ou decreto autorizativos, os termos e escrituras
não devem ser assinados nos três meses que antecedem o pleito, isto é,
para as Eleições de 2024, a partir de 6 de julho de 2024.

Também se recomenda que, nesse período, não sejam editados e


publicados quaisquer atos autorizativos de transferências voluntárias de
imóveis ou encaminhados projetos de lei que objetivem a alienação
gratuita de bens estaduais, para evitar eventual obtenção de vantagens
pelo agente público em decorrência dos atos, que podem ser
considerados benesses públicas.

27
Art. 73, VI, "a", LE
Publicidade institucional

Art. 73, inciso VI - "nos três meses que antecedem o pleito: (...)
b) com exceção da propaganda de produtos e serviços que tenham
concorrência no mercado, autorizar publicidade institucional dos atos,
programas, obras, serviços e campanhas dos órgãos públicos federais,
estaduais ou municipais, ou das respectivas entidades da administração
indireta, salvo em caso de grave e urgente necessidade pública, assim
reconhecida pela Justiça Eleitoral. (...)
§ 3º As vedações do inciso VI do caput, alíneas b e c, aplicam-se apenas aos
agentes públicos das esferas administrativas cujos cargos estejam em disputa
na eleição”.

O que é proibido?
Realizar publicidade paga com recursos públicos, mesmo que seja de
caráter educativo, informativo e orientador, independentemente do
objetivo eleitoreiro e divulgada em qualquer mídia.

A quem se aplica a proibição?


Apenas na circunscrição do pleito.
Ou seja, nas Eleições de 2024, apenas ao agente público municipal.

Qual o período da proibição?


Desde os 3 meses que antecedem o pleito.
Isto é, nas Eleições de 2024, o início da proibição ocorre em 6 de julho
de 2024.

28
Comentários

Como visto, a proibição se aplica apenas na “circunscrição do pleito”.


Assim, nas Eleições de 2024, apenas o agente público municipal estará
afetado pela proibição. Contudo, apesar de o dispositivo não mencionar,
recomendamos cautela aos agentes públicos estaduais que pretendam
disputar cargos nas Eleições Municipais de 2024.

Art. 73, VI, “b”, LE 29


Pronunciamento em cadeia de rádio e
televisão, fora do horário eleitoral gratuito

Art. 73, inciso VI - "nos três meses que antecedem o pleito: (...)
c) fazer pronunciamento em cadeia de rádio e televisão, fora do horário
eleitoral gratuito, salvo quando, a critério da Justiça Eleitoral, tratar-se de
matéria urgente, relevante e característica das funções de governo
§ 3º As vedações do inciso VI do caput, alíneas b e c, aplicam-se apenas aos
agentes públicos das esferas administrativas cujos cargos estejam em disputa
na eleição”.

O que é proibido?
Fazer pronunciamento em cadeia de rádio e televisão, fora do horário
eleitoral gratuito, com exceção das hipóteses indicadas no próprio
texto legal.

A quem se aplica a proibição?


Apenas na circunscrição do pleito.
Ou seja, nas Eleições de 2024, apenas ao agente público municipal..

Qual o período da proibição?


Desde os 3 meses que antecedem o pleito.
Isto é, nas Eleições de 2024, o início da proibição ocorre em 6 de julho
de 2024.

30
Comentários

Como visto, a proibição se aplica apenas na “circunscrição do pleito”.


Assim, nas Eleições de 2024, apenas o agente público municipal estará
afetado pela proibição. Contudo, apesar de o dispositivo não mencionar,
recomendamos cautela aos agentes públicos estaduais que pretendam
disputar cargos nas Eleições Municipais de 2024.

31
Art. 73, VI, "c", LE
Aumento dos gastos com publicidade
Art. 73, inciso VII: "Empenhar, no primeiro semestre do ano de eleição, despesas
com publicidade dos órgãos públicos federais, estaduais ou municipais, ou das
respectivas entidades da administração indireta, que excedam a 6 (seis) vezes
a média mensal dos valores empenhados e não cancelados nos 3 (três) últimos
anos que antecedem o pleito" (Redação dada pela Lei nº 14.356, de 2022).
§ 14. “Para efeito de cálculo da média prevista no inciso VII do caput deste
artigo, os gastos serão reajustados pelo IPCA, aferido pela Fundação Instituto
Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), ou outro índice que venha a
substituí-lo, a partir da data em que foram empenhados” (Incluído pela Lei nº
14.356, de 2022)

O que é proibido?
Aumentar os gastos com publicidade no primeiro semestre do ano da
eleição.

A quem se aplica a proibição?


Apenas na circunscrição do pleito.
Ou seja, nas Eleições de 2024, apenas ao agente público municipal.

Qual o período da proibição?


A proibição se aplica para os gastos realizados no primeiro semestre
do ano de eleição.

32
Revisão geral da remuneração dos
servidores públicos além do limite legal

Art. 73, inciso VIII: "fazer, na circunscrição do pleito, revisão geral da


remuneração dos servidores públicos que exceda a recomposição da perda
de seu poder aquisitivo ao longo do ano da eleição, a partir do início do
prazo estabelecido no art. 7º desta Lei e até a posse dos eleitos".

O que é proibido?
Fazer revisão geral da remuneração dos servidores que ultrapasse o
limite da simples recomposição da perda do poder aquisitivo.

A quem se aplica a proibição?


Apenas na circunscrição do pleito.
Ou seja, nas Eleições de 2024, apenas ao agente público municipal.

Qual o período da proibição?


Desde os 180 dias que antecedem o pleito até a posse dos eleitos.

33
Distribuição gratuita de bens, valores
ou benefícios

Art. 73, § 10: "No ano em que se realizar eleição, fica proibida a distribuição
gratuita de bens, valores ou benefícios por parte da Administração Pública,
exceto nos casos de calamidade pública, de estado de emergência ou de
programas sociais autorizados em lei e já em execução orçamentária no
exercício anterior, casos em que o Ministério Público poderá promover o
acompanhamento de sua execução financeira e administrativa".

O que é proibido?
A distribuição gratuita de bens, valores ou benefícios no ano em que se
realizar as eleições, com exceção das hipóteses indicadas no próprio
texto legal.

A quem se aplica a proibição?


A todos: agentes públicos federais, estaduais, distritais e municipais.

Qual o período da proibição?


Durante o ano em que se realizar a eleição.
Isto é, para as Eleições de 2024, a partir de 1º de janeiro de 2024.

34
Comentários

Este dispositivo trata da distribuição gratuita de bens, valores ou


benefícios de caráter social. O dispositivo não se aplica nos casos em
que as obrigações decorrem de deveres constitucionais e
contrapartidas decorrentes de transferência voluntária. Esse último
caso, da transferência voluntária, pode configurar a conduta nº 6,
analisada acima (art. 73, VI, “a”, LE) [Parecer AGI 29/2016].

A expressão “distribuição” pressupõe a entrega a várias pessoas,


entidades, etc. Assim, a doação de um único bem não tem a grandeza
suficiente para configurar a “distribuição”. Isso não impede que, se
comprovada a possibilidade de desequilíbrio do pleito, esta doação
seja considerada como transferência, conforme a conduta nº 6 acima
(art. 73, VI, “a”, LE), ou, caso não seja direcionada pelos Estados aos
Municípios, configure abuso de poder político (arts. 19 e 22 da LC
64/1990) [Parecer SubG-Cons 32/2016; TSE, 2016, RESPE 27008].

A “gratuidade” se configura pela ausência de contraprestação por


parte do beneficiário. Assim, se do beneficiário é exigida
contrapartida, seja financeira, seja na forma de bens ou serviços, a
“gratuidade” estará afastada [TSE, 2012, RO 1717231]. Isso ocorre, por
exemplo, na doação com encargo, afastando-se a proibição.

Por outro lado, não se exige a comprovação de caráter eleitoreiro ou


promoção pessoal do agente público, bastando a prática da conduta
nº 11 em questão [TSE, 2011, RESPE 36026].

35
Art. 73, § 10, LE
Comentários

A proibição não se aplica nos seguintes casos, previstos no próprio


texto legal como exceções:
calamidade pública;
estado de emergência [TSE, 2015, CTA 5639];
existência de programas sociais autorizados em lei e já em
execução orçamentária no exercício anterior.

Nesse último caso (programas sociais autorizados em lei e já em


execução orçamentária no exercício anterior), é necessária a
demonstração de:
existência de política pública específica;
prevista em lei, não sendo suficiente a mera previsão em lei
orçamentária anual [TSE, 2015, RESPE 54588];
em execução desde o exercício anterior, isto é, já antes de 2024
para as Eleições Municipais em análise [TSE, 2021, RO 149655].

Conforme o entendimento fixado no Parecer PA 169/2009, não se


proíbe a instituição de novos benefícios ou a ampliação de benefícios
existentes, desde que configurem prestação de serviços púbicos. A
prática que o legislador buscou proibir é a da distribuição de bens ou a
prestação de serviços a particulares de caráter episódico,
desvinculada das obrigações permanentes do Estado e, por isso mesmo,
que possa atender a conveniências eleitorais.

36
Art. 73, § 10, LE
Comentários

Com relação às doações realizadas pelo Fundo Social do Estado de São


Paulo – FUSSP:
(a) quando o FUSSP for mero depositário dos bens que lhe são doados
por pessoas físicas e jurídicas e posteriormente repassados aos
segmentos mais necessitados da população, como ocorre na “Campanha
do Agasalho”, não há configuração das condutas nº 6 e 11 deste Manual,
pois os “recursos” não se qualificam como “próprios” (art 73, VI, “a” e § 10,
LE);
(b) quando o FUSSP realizar a transferência gratuita de bens ou recursos
que constitua patrimônio do Estado, a Municípios, por meio de convênio
ou não, será configurada a conduta nº 6 acima, e, assim, somente poderá
ser realizada até 3 meses antes do pleito, de acordo com o calendário
eleitoral (art. 73, VI, “a”, LE);
(c) por fim, no caso de transferência de bens próprios do Estado a
particulares, deve ser realizada consulta à Justiça Eleitoral a respeito da
suficiência de inclusão do programa social correspondente apenas em lei
orçamentária anual [Parecer AJG 447/2010].

A conduta nº 11 em questão é proibida a partir de 1º de janeiro de 2024 e


se aplica aos agentes públicos estaduais, por não haver restrição legal à
“circunscrição do pleito”.

37
Art. 73, § 10, LE
Exemplos extraídos da jurisprudência

É conduta proibida: Não é conduta


proibida:
Instituição de benefícios fiscais, no Distribuição de chips de
ano em que se realizarem as internet durante situação
eleições, deve ser apreciada com excepcional de
base no quadro fático-jurídico calamidade pública
extraído do caso concreto [TSE, causada pela pandemia
2018, RO 171821]; da Covid – 19 [TSE, 2023,
AREspEl 060096095].
Distribuição de cestas-básicas,
ferramentas agrícolas e o sorteio
de brindes (eletrodomésticos e
cédulas de dinheiro) durante a
celebração das festividades do
aniversário da cidade e
comemoração do Dia do Trabalho
[TSE, 2019, RESPE 57611];

Distribuição de auxílio financeiro


em ano eleitoral, por meio da
entrega de cheques, quando não
comprovada a configuração das
exceções previstas no dispositivo
legal [TSE, 2023, AREspEl
060029152];

Distribuição gratuita e
indiscriminada de auxílios
financeiros em ano eleitoral com
base em lei municipal genérica [TSE,
2023, AC 060045424].

38
Art. 73, § 10, LE
Jurisprudência do TSE em matéria imobilária

Destacamos a seguir precedentes do TSE relacionados à matéria


imobiliária:
a proibição da conduta nº 11 em questão não se aplica às cessões,
autorizações, permissões e concessões de uso. Isso porque a
“distribuição gratuita de bens” pressupõe a transferência da
propriedade. No entanto, aplica-se, para tais atos praticados, a
proibição da conduta nº 6 acima, quando forem realizados em favor
de Municípios (art. 73, VI, “a”, LE) [Parecer AJG 313/2022];
não configura a conduta nº 11 em questão a doação de imóvel público
a associação esportiva, em virtude da alteração do local de sua sede,
a qual já funcionava em bem público informalmente cedido à
entidade particular [TSE, 2014, RESPE 53283];
não configuração da conduta proibida por existir regramento
específico para a concessão de direito real de uso, a ser realizada
de modo oneroso, o que não se compatibiliza com a gratuidade
exigida pela proibição [TSE, 2016, RESPE 15297].

39
Art. 73, § 10, LE
Execução de programas sociais
por entidades vinculadas ou
mantidas por candidato

Art. 73, § 11. "Nos anos eleitorais, os programas sociais de que trata o § 10 não
poderão ser executados por entidade nominalmente vinculada a candidato ou
por esse mantida".

O que é proibido?
Entidades vinculadas ou mantidas por candidato não podem executar
programas sociais de distribuição gratuita de bens, valores ou
benefícios.

A quem se aplica a proibição?


A todos: agentes públicos federais, estaduais, distritais e municipais.

Qual o período da proibição?


Durante o ano em que se realizar a eleição.
Isto é, para as Eleições de 2024, a partir de 1º de janeiro de 2024.

40
Comentários

Os programas sociais de que trata o § 10 do artigo 73 da Lei das


Eleições (conduta nº 11) não poderão ser executados por entidade
nominalmente vinculada a candidato ou por esse mantida.

É proibida a execução, em ano eleitoral, de programa social de


distribuição gratuita de bens, valores ou benefícios, realizado por
entidade mantida por candidato, independentemente da existência de
autorização legal ou execução orçamentária prévia [TSE, 2016, RO
244002], ou ainda de convênio [TSE, 2013, RO 505393].

41
Art. 73, § 11, LE
Publicidade sem caráter educativo,
informativo ou de orientação social

Art. 74. "Configura abuso de autoridade, para os fins do disposto no art. 22 da


Lei Complementar nº 64, de 18 de maio de 1990, a infringência do disposto no
§ 1º do art. 37 da Constituição Federal, ficando o responsável, se candidato,
sujeito ao cancelamento do registro ou do diploma".

O que é proibido?
Realizar publicidade sem caráter educativo, informativo ou de
orientação social, ou com a utilização de nomes, símbolos ou imagens
que caracterizem promoção pessoal de autoridades ou servidores
públicos.

A quem se aplica a proibição?


A todos: agentes públicos federais, estaduais, distritais e municipais.

Qual o período da proibição?


A qualquer tempo.

42
Comentários

A previsão em questão não faz referência ao período em que a


propaganda institucional ilícita é veiculada. Assim, basta que haja
promoção pessoal com reflexos nas eleições. No entanto, se a prática da
conduta proibida se der fora do período eleitoral, o fato deve ser
apurado de acordo com a Lei de Improbidade Administrativa, sendo
competente a Justiça Comum.

A aplicação dessa proibição não se limita à “circunscrição do pleito”. Por


isso, em 2024, é proibido ao agente público estadual o emprego de
publicidade sem caráter educativo, informativo ou de orientação social,
ou com a utilização nomes, símbolos ou imagens que caracterizem
promoção pessoal de autoridades ou servidores públicos, em prejuízo à
igualdade de oportunidades dos pleitos municipais.

43
Art. 74, LE
Contratação de shows artísticos pagos
com dinheiro público para inaugurações

Art. 75. "Nos três meses que antecederem as eleições, na realização de


inaugurações é vedada a contratação de shows artísticos pagos com recursos
públicos.
Parágrafo único. Nos casos de descumprimento do disposto neste artigo, sem
prejuízo da suspensão imediata da conduta, o candidato beneficiado, agente
público ou não, ficará sujeito à cassação do registro ou do diploma".

O que é proibido?
Contratar shows artísticos pagos com dinheiro público para
inaugurações.

A quem se aplica a proibição?


A todos: agentes públicos federais, estaduais, distritais e municipais.

Qual o período da proibição?


Desde os 3 meses que antecedem o pleito.
Isto é, nas Eleições de 2024, o início da proibição ocorre em 6 de julho
de 2024.

44
Comentários

A regra proíbe apenas shows artísticos pagos com recursos públicos em


inaugurações.

O descumprimento da regra sujeita o candidato beneficiado “à


cassação do registro ou do diploma”, sem prejuízo da suspensão
imediata do ato (art. 75, parágrafo único, LE).

Há também a incidência da sanção de inelegibilidade (art. 1º, I, “j”, da LC


64/90), e a conduta do agente público pode ser enquadrada como ato
de improbidade administrativa.

A proibição se aplica a qualquer ente federativo. Por isso, nas Eleições


de 2024, é proibida a contratação de shows artísticos pagos com
recursos públicos estaduais na realização de inaugurações.

45
Art. 75, LE
Comparecimento a inaugurações
de obras públicas

Art. 77. "É proibido a qualquer candidato comparecer, nos 3 (três) meses que
precedem o pleito, a inaugurações de obras públicas.
Parágrafo único. A inobservância do disposto neste artigo sujeita o infrator à
cassação do registro ou do diploma".

O que é proibido?
Candidatos não podem comparecer a inaugurações de obras públicas
durante os três meses antes da eleição.

A quem se aplica a proibição?


A proibição se aplica ao comparecimento de candidato à
inauguração de obra pública localizada na mesma circunscrição em
que o candidato disputa cargo eletivo, independentemente de a
obra ser federal, estadual ou municipal [TSE, 2004, RESPE 24122].

Qual o período da proibição?


Desde os 3 meses que antecedem o pleito.
Isto é, nas Eleições de 2024, o início da proibição ocorre em 6 de julho
de 2024.

46
Desincompatibilização

Considerações gerais

Algumas pessoas não podem concorrer a cargos eletivos porque estão em


situação de incompatibilidade. O exercício de cargo, emprego ou função pública
é uma das causas de incompatibilidade.

Por meio do afastamento do cargo, emprego ou função pública, é possível a


desincompatibilização, de modo que a pessoa afastada possa concorrer ao
cargo eletivo pretendido. O afastamento é, antes de tudo, um dever do agente
público, cujo descumprimento impede eventual diplomação [Parecer PA-3
3/1998].

O afastamento deve ocorrer no tempo determinado por lei e anteriormente à


data do pleito.

O afastamento pode ser definitivo ou provisório.

O afastamento definitivo é o ato pelo qual o servidor rompe o vínculo funcional


com a Administração Pública. Por exemplo: renúncia, exoneração.

Nesse sentido, é possível considerar o período de férias ou de gozo de licença-


prêmio como de afastamento definitivo, desde que se trate de caso de
afastamento de cargo ou função que não seja relacionado a categorias que a lei
eleitoral considera incompatíveis com a disputa do pleito [Parecer PA 193/2000;
Parecer PA-3 3/1998].

47
Desincompatibilização

Considerações gerais

No afastamento provisório, o servidor pode simplesmente licenciar-se da função


pública, cumprindo o tempo de desincompatibilização, podendo retornar a seu
posto. Isso poderá ocorrer de qualquer forma que demonstre a desvinculação
efetiva do exercício da função ou cargo, desde que não haja enquadramento na
hipótese tratada no parágrafo anterior.

A seguir, serão expostas as situações mais relevantes para a Administração


Pública envolvendo a desincompatibilização dos agentes públicos.

Serão discutidos 3 tipos de situação:

1) Situações particulares envolvendo a desincompatibilização;


2) Abrangência territorial da necessidade de desincompatibilização;
3) Efeitos funcionais do afastamento para desincompatibilização.

48
Desincompatibilização

Situações particulares

Servidor público

Os servidores públicos em geral, que pretendam se candidatar aos cargos de


Prefeito, Vice-Prefeito e Vereador, devem se afastar pelo prazo de 3 meses antes
do pleito, sendo tal afastamento remunerado (art. 1º, II, “l”, LC 64/1990).

Esse afastamento é provisório, de modo que basta o mero licenciamento do


servidor.

Quando a data-limite de desincompatibilização ocorrer em dia não útil, o pedido


de afastamento poderá ser realizado no primeiro dia útil subsequente [TSE, 2014,
RESPE 9595].

Servidor público comissionado

É caso de afastamento definitivo, que somente se dá com o rompimento do


vínculo funcional no prazo de 3 meses antes do pleito [Súmula 54, TSE; Parecer PA
193/2000; Parecer PA-3 3/1998].

Servidor temporário

É caso de afastamento definitivo, devendo o servidor romper o vínculo com a


Administração. O servidor temporário, contratado para atender necessidade
temporária de excepcional interesse público, deverá se afastar três meses antes
do pleito, segundo a jurisprudência do TSE [TSE, 2004, RESPE 22708].

Servidor do Fisco, policiais civis, militares e médico do SUS

As condições de desincompatibilização para essas carreiras são diferentes das


carreiras em geral e estão detalhadas na próxima página.

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Desincompatibilização

Situações particulares

Servidor do Fisco

O afastamento não é remunerado [Parecer PA 13/2012], devendo ser observados


os seguintes prazos de desincompatibilização (art. 1º, II, “d”, IV, “a”, VII, “b”, LC
64/1990):
no caso de Servidor do Fisco candidato a Prefeito ou Vice-Prefeito, o prazo é
de 4 meses antes do pleito;
no caso de Servidor do Fisco candidato a Vereador, o prazo é de 6 meses
antes do pleito.

Essa hipótese de inelegibilidade alcança quem tem competência ou interesse


direto, indireto ou eventual no lançamento, e não apenas quem executa o
lançamento [Parecer PA 13/2012; TSE, 2016, RESPE 12060].

Policial civil

Devem ser observados os seguintes prazos de desincompatibilização para as


“autoridades policiais” (art. 1º, IV, “c”, e VII, “b”, LC 64/90):
no caso de “autoridade policial” disputando o cargo de Prefeito ou Vice-
Prefeito, o prazo é de 4 meses antes do pleito;
no caso de “autoridade policial” disputando o cargo de Vereador, o prazo é
de 6 meses antes do pleito.

“Autoridade policial” merece interpretação restritiva para abarcar apenas os


delegados de polícia.

Para os demais policiais, que não atuam como “autoridade policial”, aplica-se o
prazo de desincompatibilização de 3 meses, como também acontece com os
servidores públicos em geral [Parecer PA 193/2000].

50
Desincompatibilização

Situações particulares

Militar

Nesse caso, como não há regramento próprio, o entendimento é o de que o


militar sem função de comando deve se afastar apenas a partir do
deferimento de seu registro de candidatura, não se aplicando o prazo de 3
meses antes do pleito do artigo 1º, II, “l”, da LC 64/1990 [TSE, 2016, RESPE
30516].

Médico do SUS

Diferenciam-se duas situações:


o médico público, remunerado pelo erário, deve se afastar no prazo de
3 meses antes do pleito, como ocorre para os servidores públicos em
geral (art. 1º, II, “l”, LC 64/1990);
o médico que presta serviço a entidade privada conveniada ao Sistema
Único de Saúde (SUS) não é igualado ao servidor público, mesmo que
seja remunerado indiretamente por recursos públicos. Desse modo, não
se aplica, nessa situação, a necessidade de desincompatibilização
[TSE, 2004, RESPE 23670].

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Desincompatibilização

Abrangência territorial

Como a Eleição de 2024 é municipal, não é necessária a


desincompatibilização de servidor público estadual que exerce suas
funções em Município diferente daquele em que pretende se candidatar a
cargo eletivo [TSE, 2021, REspEl 060009051; TSE, 2013, RESPE 12418].

Por exemplo, um delegado de polícia que atua no Município X poderá se


candidatar a Prefeito do Município Y, sem precisar se desincompatibilizar
de seu cargo [Parecer PA 250/2005; Parecer PA 186/2008; Parecer PA-3
3/1998].

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Desincompatibilização

Efeitos funcionais do afastamento

Há que se diferenciar duas hipóteses:


afastamento irregular: o período do afastamento não poderá ser
compensado com períodos de licença-prêmio ou férias a que o servidor
tenha direito [Parecer PA 70/2020];
afastamento regular: o período de afastamento não poderá ser
computado como tempo de efetivo exercício. Se, por um erro, essa
contabilização ocorrer, será o caso de se proceder à invalidação da
contagem equivocada [Parecer Referencial NDP 5/2023, Pareceres PA
43/2011, 6/2016 e 7/2016]. No mais, se a partir dessa contagem
equivocada, tiver ocorrido a fruição de período de licença-prêmio, essa
fruição indevida poderá ser compensada com os novos blocos de
licença-prêmio a serem formados [Pareceres PA 15/2003, 133/2006,
43/2014, 6/2016, 7/2016].

O afastamento também acarreta a interrupção da contagem do prazo


quinquenal para a aquisição da licença-prêmio. Ou seja, o período de 5
anos deve ser reiniciado a partir do retorno do servidor afastado ao seu
cargo de origem [Parecer PA 43/2011].

O afastamento será automaticamente encerrado quando não existir mais o


motivo que o justificou. Assim, se o servidor não reassumir imediatamente as
suas atividades funcionais, a situação pode configurar ilícito administrativo
[Parecer PA 186/2008].

Dessa forma, por exemplo, se, após a divulgação da Ata e Lista dos
Candidatos aprovados pelo partido, na qual o servidor não foi incluído, ele
não retornar ao trabalho, haverá nítida irregularidade [Parecer NDP
26/2019].

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