Energisa recupera 100 hectares no Pará com agroflorestas e agricultura familiar
Projeto de compensação ambiental combina restauração de áreas degradadas, produção de alimentos e geração de renda; companhia prevê restaurar 750 hectares em quatro estados
A Energisa Geração e Transmissão (EGT) concluiu a primeira etapa de um projeto de restauração ambiental no Pará, com a recuperação de 100 hectares de áreas degradadas. A iniciativa, conduzida pela Linhas de Xingu Transmissora de Energia (LXTE), subsidiária da companhia, integra as ações de compensação ambiental dos empreendimentos da Energisa e utiliza sistemas agroflorestais (SAFs) . O modelo combina espécies florestais nativas e cultivos agrícolas , aliando recuperação de vegetação a geração de renda para agricultores familiares.
O projeto é desenvolvido em parceria com o Ibama e executado pelo Instituto de Pesquisa Ambiental da Amazônia (IPAM). A primeira etapa abrangeu os municípios de Belterra, Mojuí dos Campos, Santarém e Tomé-Açu. O programa está dividido em três fases e prevê a recuperação de cerca de 300 hectares no Pará.
Ao todo, foram selecionadas 86 famílias para participar da iniciativa, sendo 46 delas na região da Floresta Nacional do Tapajós. Entre as culturas produzidas pelos agricultores estão abacate, açaí, acerola, bacuri, banana, cacau, cupuaçu, goiaba, graviola, laranja, limão, mamão, maracujá, murici, pimenta-do-reino, pequiá, rambutã, tangerina, uxi, andiroba, castanha-do-pará, cedro, copaíba, cumaru, ipê, mogno, bacabi, café, pupunha e ingá.
O projeto também mobilizou uma rede de parceiros locais e estaduais. Na região do Tapajós, participam organizações comunitárias, associações de agricultores, instituições de ensino rural, o ICMBio e secretarias municipais. Em Tomé-Açu, cooperativas, sindicatos rurais, a Emater e a prefeitura apoiam a execução das atividades. Em nível estadual, colaboram ainda a Secretaria de Estado da Agricultura Familiar (Seaf), a Secretaria de Estado de Meio Ambiente e Sustentabilidade (Semas) e o Incra no oeste do Pará.
Números da primeira etapa
O relatório técnico mais recente do projeto, que consolida as atividades executadas entre março de 2024 e maio de 2025, registra 91 polígonos georreferenciados para restauro e 80 arranjos produtivos elaborados, além da estimativa de necessidade de mais de 67 mil mudas florestais e frutíferas. Sessenta e três famílias, além da Casa Familiar Rural de Belterra, receberam apoio em insumos, equipamentos ou mudas. Mais de 29 mil mudas foram disponibilizadas, e 63 áreas iniciaram efetivamente o processo de restauração. O relatório também contabilizou 666 visitas técnicas de acompanhamento às famílias.
As mulheres representam 20,5% do público beneficiário do projeto. Segundo Nicolas Manfredi, diretor-presidente da Energisa Geração e Transmissão, o protagonismo feminino aparece de forma significativa na condução das áreas, com uma parcela relevante dos projetos liderada por mulheres. "Na experiência observada em campo, chama atenção a quantidade de mulheres que estão à frente dessas áreas e o nível de cuidado e dedicação demonstrado na condução dos projetos", afirma.
Investimento de R$ 8 milhões
Segundo o executivo, o projeto contempla frentes nas regiões do Pará, Amapá, Rio de Janeiro e Paraíba, e os valores somados destinados às iniciativas chegam a aproximadamente R$ 8 milhões. No Amapá, já há 100 hectares em execução, com previsão de implantação de mais cerca de 170 hectares. No Pará, também já foram executados 100 hectares, com outros 199 hectares em fase de implementação.
"A relevância do projeto está justamente na integração de diferentes dimensões. Embora tenha origem em uma compensação ambiental, o modelo desenvolvido no Pará, por exemplo, combina recuperação ambiental, produção de alimentos e geração de renda", diz Manfredi. Ele afirma que o projeto leva conhecimento técnico a uma atividade que as famílias já realizavam, muitas vezes sem orientação adequada, contribuindo para o aumento da produtividade.
"Para a Energisa Transmissão e Geração, esse projeto vai além do cumprimento de uma obrigação legal. Ele cuida das pessoas e da floresta. Em vez de uma restauração florestal tradicional, focada apenas no plantio de árvores, adotamos um modelo que gera inclusão produtiva, segurança alimentar e desenvolvimento socioeconômico para as populações locais", afirma Manfredi.
De acordo com o executivo, as famílias já recebem renda de sua produção. As atividades agrícolas já eram exercidas por elas, principalmente para consumo próprio, e o projeto tem contribuído para aumentar a produtividade e, consequentemente, a rentabilidade, por meio de conhecimento técnico e novas técnicas de produção. Até o momento, as 86 famílias selecionadas já participaram da iniciativa.
Como exemplo, Manfredi cita a região de Tomé-Açu, onde uma associação de produtores, com estrutura semelhante a uma cooperativa e um mercado de produtores, possui espaço próprio para comercialização, no qual cada agricultor pode vender sua produção diretamente.
A assistência técnica citada pela companhia é executada pelo IPAM, que mantém uma rotina de acompanhamento das áreas com visitas periódicas. Segundo Manfredi, o modelo não utiliza capacitações padronizadas ou genéricas, mas uma consultoria adaptada à realidade de cada propriedade, com orientações de manejo e produção conforme o modelo produtivo de cada família.
Sobre os resultados que justificam o investimento, o executivo afirma que o principal objetivo do SAF, além da recuperação ambiental, é garantir a autossustentabilidade e a segurança alimentar das famílias, sendo o excedente da produção comercializado para geração de renda complementar.
O projeto não gera crédito de carbono nem está vinculado a mercados voluntários ou regulados de carbono. Segundo Manfredi, atualmente a iniciativa está relacionada à compensação ambiental exigida no processo de licenciamento dos empreendimentos da companhia.
Clima e logística de mudas são os principais desafios
Segundo o diretor-presidente, a adesão das famílias não é um problema. Há interesse "significativo", segundo ele, das comunidades, com fila de espera de famílias interessadas em participar dos projetos. Contudo, há desafios relevantes, principalmente os relacionados ao clima e à logística. Como as regiões concentram chuvas durante boa parte do ano, os períodos chuvosos podem dificultar a execução e o transporte de mudas até áreas mais afastadas também reduz o custo-benefício da operação, dependendo da época do ano.
Como alternativa, o projeto passou a desenvolver viveiros próprios, o que permite aos produtores gerar suas próprias mudas e reduzir a dependência da logística de transporte.
Expansão para outros estados e biomas
A iniciativa integra uma estratégia mais ampla da Energisa Geração e Transmissão voltada à recuperação de ecossistemas em diferentes regiões do país. Além do projeto da LXTE no Pará, a companhia prevê recompor florestalmente cerca de 450 hectares nos próximos cinco anos, em áreas dos biomas Amazônia, Cerrado, Mata Atlântica e Caatinga, nos estados do Amapá, Paraíba e Rio de Janeiro. Somando todas as compensações da EGT, serão cerca de 750 hectares restaurados.
Segundo Manfredi, a metodologia se adapta à realidade geográfica de cada bioma. No Amapá, o modelo é o mesmo aplicado no Pará, com sistemas agroflorestais — já há 100 hectares em execução e previsão de implantação de mais cerca de 170 hectares. No Rio de Janeiro, será realizado plantio convencional, também vinculado a uma necessidade de compensação ambiental, com previsão de início ainda em 2026. Na Paraíba, também está previsto plantio convencional, com a iniciativa em fase de estruturação junto à Sudema, para definição das áreas com o órgão ambiental do estado.
"Os avanços comprovam que é possível gerar valor ambiental, social e econômico de forma integrada. Este é um modelo escalável, capaz de transformar realidades no território e contribuir de forma consistente para o desenvolvimento sustentável da Amazônia", avalia Manfredi.








