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<rss xmlns:atom="http://www.w3.org/2005/Atom" xmlns:media="http://search.yahoo.com/mrss/" version="2.0">  <channel> <title>umsoplaneta</title> <link>https://umsoplaneta.globo.com/</link> <description>Um Só Planeta é o maior movimento editorial brasileiro para promover práticas sustentáveis e enfrentar a crise climática. Não existe planeta B. #UmSoPlaneta é uma iniciativa da Editora Globo, Globo Condé Nast e CBN: o melhor do jornalismo sobre o tema mais importante deste século.</description> <language>pt-BR</language> <copyright>© Copyright Globo Comunicação e Participações S.A.</copyright> <atom:link href="https://umsoplaneta.globo.com/rss/umsoplaneta" rel="self" type="application/rss+xml"/> <image> <url>https://s2-home-globo.glbimg.com/02STlZZgd_48kL_lkpEIbvukPM4=/144x0/http://i.s3.glbimg.com/v1/AUTH_afd7a7aa13da4265ba6d93a18f8aa19e/pox/gcom.png</url> <title>umsoplaneta</title> <link>https://umsoplaneta.globo.com/</link> <width>144</width> <height>144</height> </image>  <item> <title>Com aporte de R$ 10 milhões, IDIS lança fundo de fomento para impulsionar filantropia no Brasil</title>  <atom:subtitle>Impulsionado pelo amadurecimento do setor após a pandemia, o IDIS lança Fundo de Fomento com apoio da filantropa MacKenzie Scott e destaca o crescimento dos endowments no país</atom:subtitle>  <link>https://umsoplaneta.globo.com/financas/negocios/noticia/2026/08/28/com-aporte-de-r-10-milhoes-idis-lanca-fundo-de-fomento-para-impulsionar-filantropia-no-brasil.ghtml</link> <guid isPermaLink="true">https://umsoplaneta.globo.com/financas/negocios/noticia/2026/08/28/com-aporte-de-r-10-milhoes-idis-lanca-fundo-de-fomento-para-impulsionar-filantropia-no-brasil.ghtml</guid> <description>  <![CDATA[ <img src="https://s2-umsoplaneta.glbimg.com/i_Iay1ZI8VdS8_x6JdbmVChdoLE=/i.s3.glbimg.com/v1/AUTH_7d5b9b5029304d27b7ef8a7f28b4d70f/internal_photos/bs/2026/C/R/Qt3nDATOGXoBELc00BJA/a4cea0df-1c8d-4dea-b409-8a648e7ba557.jfif" /><br /> ]]>    O setor filantrópico brasileiro vive um momento de consolidação e expansão, incentivando a cultura de doação no país. O Fórum Brasileiro de Filantropos e Investidores Sociais completou 15 anos de atuação e em sua mais recente edição, realizada ontem (27), em São Paulo, celebrou o marco com o lançamento do novo Fundo de Fomento à Filantropia, gerido pelo Instituto para o Desenvolvimento do Investimento Social (IDIS), que já captou R$ 10 milhões para garantir a continuidade de projetos sociais.
Inspirado pelo Global Philanthropy Forum, o evento brasileiro nasceu há uma década e meia com a missão de criar um ecossistema mais robusto para o investimento social no país. Para Paula Fabiani, CEO do IDIS, a construção desse espaço foi fundamental para o amadurecimento das práticas nacionais.
“Para uma comunidade crescer, ela precisa se sentir como uma comunidade. E as pessoas sentindo que pertencem a essa comunidade", disse Fabiani, ressaltando o papel do fórum como um ambiente seguro para troca de conhecimentos.
Mudança de mentalidade e o impacto da pandemia
O cenário da filantropia no Brasil passou por um ponto de virada recente. Segundo Fabiani, a crise sanitária acelerou a urgência do investimento social, mostrando a importância de apoiar quem está na linha de frente. “Ficou claro que a gente tinha que doar, apoiar as organizações, porque as organizações foram as primeiras a reagir e chegar nas pessoas que mais precisam”, relembra.
Além disso, a executiva indica que o Brasil tem conseguido sustentar as agendas ESG (Ambiental, Social e Governança) e de equidade racial e de gênero, resistindo de forma mais firme às retrações globais nessas pautas. Contudo, ainda há desafios: o engajamento financeiro do brasileiro ainda é baixo quando comparado à capacidade de renda das famílias.
A mudança passa por uma transformação cultural. “Os problemas da sociedade vão ser resolvidos por todos nós, o governo não é capaz de fazer isso sozinho e precisa do apoio do setor privado e das organizações da sociedade civil”, alerta.
Paula Fabiani, CEO do IDIS
Divulgação
Fundo de Fomento e o modelo de match funding
Para garantir que as iniciativas de apoio ao setor não dependam de captações de curto prazo, o IDIS estruturou seu próprio fundo, com a meta de alcançar R$ 15 milhões. O projeto ganhou força com uma doação de US$ 1,5 milhão (cerca de R$ 7,5 milhões) da filantropa norte-americana MacKenzie Scott.
Em vez de absorver o valor integralmente de forma passiva, o IDIS usou o aporte internacional como alavanca para engajar investidores locais, destinando R$ 5 milhões do recurso de Scott para um modelo de financiamento pareado (match funding). “Não vamos criar um fundo de fomento à filantropia brasileira com recurso só de fora. Então a gente fez uma estrutura de matching”, explica Fabiani. A estratégia tem funcionado, e o instituto conseguiu captar outros R$ 5 milhões com doadores brasileiros, batendo a marca dos R$ 10 milhões iniciais.
O boom dos Fundos Patrimoniais (Endowments)
Outro avanço significativo para a sustentabilidade do terceiro setor é a consolidação dos fundos patrimoniais, conhecidos como endowments. O IDIS teve papel ativo no advocacy para a aprovação da Lei 13.800/2019, considerada um divisor de águas no Brasil.
A legislação permitiu, por exemplo, que universidades, hospitais e museus públicos pudessem captar recursos privados de forma eficiente e transparente. “Uma vez que cai na conta, é dinheiro público, você não consegue fazer a destinação. Com a lei, agora as organizações públicas podem criar entidades privadas que vão abrigar esse recurso”, esclarece a CEO do IDIS.
Segundo Fabiani, desde a aprovação da lei, o número de fundos patrimoniais no Brasil dobrou, movimentando bilhões de reais que são reinvestidos no mercado financeiro e têm seus rendimentos destinados a causas de interesse público.
Mais Lidas  </description>  <media:content url="https://s2-umsoplaneta.glbimg.com/i_Iay1ZI8VdS8_x6JdbmVChdoLE=/i.s3.glbimg.com/v1/AUTH_7d5b9b5029304d27b7ef8a7f28b4d70f/internal_photos/bs/2026/C/R/Qt3nDATOGXoBELc00BJA/a4cea0df-1c8d-4dea-b409-8a648e7ba557.jfif" medium="image"/>   <media:description>Fórum Brasileiro de Filantropos e Investidores Sociais 2026</media:description>   <media:credit>Divulgação</media:credit>  <category>umsoplaneta</category> <pubDate>Fri, 28 Aug 2026 19:17:56 -0000</pubDate>  </item>  <item> <title>Crise ambiental já afeta saúde mental de brasileiros, aponta estudo da Natura</title>  <atom:subtitle>Pesquisa com mais de 1.750 pessoas identifica sinais clínicos de ansiedade em 44,7% dos participantes e valida escala inédita para medir sofrimento associado à degradação da natureza</atom:subtitle>  <link>https://umsoplaneta.globo.com/clima/noticia/2026/08/28/crise-ambiental-ja-afeta-saude-mental-de-brasileiros-aponta-estudo-da-natura.ghtml</link> <guid isPermaLink="true">https://umsoplaneta.globo.com/clima/noticia/2026/08/28/crise-ambiental-ja-afeta-saude-mental-de-brasileiros-aponta-estudo-da-natura.ghtml</guid> <description>  <![CDATA[ <img src="https://s2-umsoplaneta.glbimg.com/dHFBPcmpRIYdqnjnhTmJJXtnU0Y=/i.s3.glbimg.com/v1/AUTH_7d5b9b5029304d27b7ef8a7f28b4d70f/internal_photos/bs/2023/s/a/qwPCthRBGDiWLu4qaXzw/gettyimages-1317360251.jpg" /><br /> ]]>    A crise ambiental pode estar deixando marcas não apenas nos ecossistemas, mas também na saúde emocional da população. Um estudo realizado pela Natura em parceria com a Faculdade de Ciências Médicas da Santa Casa de São Paulo (FCMSCSP) identificou que 44,7% dos participantes apresentaram pontuação acima do limiar clínico para ansiedade em uma pesquisa que investigou os efeitos emocionais da degradação ambiental.
O levantamento faz parte do Projeto Apoena, desenvolvido pela área de Ciências do Bem-Estar &amp; Neurociências da Natura, e combinou conhecimentos de neurociência e psicologia com inteligência artificial para investigar a relação entre saúde mental e problemas como eventos climáticos extremos, perda de biodiversidade e degradação dos ecossistemas.
O estudo também validou a primeira escala científica brasileira voltada à mensuração da solastalgia, termo usado para descrever o sofrimento psicológico provocado pela deterioração do ambiente em que a pessoa vive.
Batizada de BSS-Br (Brief Solastalgia Scale – versão brasileira), a ferramenta foi aplicada a mais de 1.750 participantes de diferentes regiões e faixas etárias do país. Segundo a pesquisa, a média nacional foi de 3,90 em uma escala de 1 a 5, indicando níveis moderados a altos de sofrimento associado à perda da natureza.
Entre os sinais avaliados, a preocupação com o desaparecimento definitivo de elementos únicos da natureza foi o mais frequente, mencionada por 88% dos participantes.
As maiores pontuações de sofrimento foram observadas em áreas urbanizadas das regiões Centro-Oeste, Sudeste e Sul. O estudo relaciona esse padrão à exposição a fenômenos como queimadas, poluição e eventos climáticos extremos.

Marcas na voz
Uma das frentes mais inovadoras do projeto foi investigar se o sofrimento relacionado à degradação ambiental poderia ser identificado também por meio da voz.
Os pesquisadores analisaram pequenos áudios gravados pelos participantes e compararam 68 características acústicas entre pessoas com níveis altos e baixos de solastalgia. Foram identificados dez fatores capazes de explicar 57% da variação nos indicadores de bem-estar subjetivo.
Os resultados apontam uma associação entre determinados padrões vocais e níveis mais elevados de sofrimento ecoafetivo, abrindo uma frente de pesquisa para o desenvolvimento de ferramentas de monitoramento da saúde mental.
“A voz registra mudanças fisiológicas e emocionais que muitas vezes passam despercebidas. O que observamos é que experiências relacionadas ao sofrimento ambiental também deixam marcas nesses padrões vocais”, afirma Lucas Murrins, professor da Faculdade de Ciências Médicas da Santa Casa de São Paulo.
Segundo o pesquisador, a descoberta pode contribuir para pesquisas sobre formas mais acessíveis e preventivas de acompanhamento de populações vulneráveis ou afetadas por eventos extremos, como enchentes e secas prolongadas.
O estudo também identificou fatores associados a maior bem-estar e formas de enfrentamento diante das incertezas ambientais.
Rotina e contato com a natureza
Permanecer em casa para descanso e lazer foi apontado como a principal fonte de lazer por 47,9% dos participantes. Entre as mulheres entrevistadas, o banho diário apareceu como uma das principais práticas associadas ao bem-estar, citado por 87% delas. Práticas de autocuidado com pele e cabelos vieram em seguida, com 71,9%.
O levantamento também encontrou uma associação positiva entre o cultivo de plantas em casa e indicadores de bem-estar. Para a Natura, os resultados reforçam a importância de ampliar o contato cotidiano com a natureza e de incorporar práticas de autocuidado às estratégias de prevenção e promoção da saúde emocional diante das mudanças ambientais.
“O Projeto Apoena traduz a forma como a Natura entende a ciência, conectada aos desafios reais da sociedade. Ao unir diferentes áreas do conhecimento, conseguimos transformar um fenômeno ainda pouco mensurado em evidências capazes de orientar pesquisas e novas formas de promover bem-estar”, afirma Manuel Rios, diretor executivo de Pesquisa, Desenvolvimento e Inovação da companhia.
O projeto dá continuidade à atuação da empresa em pesquisas sobre bem-estar, comportamento humano e relação com a natureza. A Natura afirma que desenvolve, há mais de 25 anos, cadeias produtivas com comunidades amazônicas e mantém iniciativas relacionadas a populações afetadas por eventos climáticos extremos e à regeneração ambiental.
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As duas iniciativas colocam uma pergunta que deveria vir antes de qualquer grande obra de infraestrutura: quem decide o que tem valor quando um empreendimento chega a um território? Para a expansão da Hidrovia Tocantins-Araguaia, as formações rochosas do Lourenção dificultam a passagem de grandes embarcações durante a estiagem. A solução prevista é explodir 35 quilômetros do Pedral para abrir um canal permanente, em meio a planos de expansão da hidrovia que projetam multiplicar em 17 vezes o transporte de cargas, principalmente grãos e minérios, pelo rio Tocantins até 2035. Para quem vive ali, porém, as mesmas pedras formam um berçário para os peixes, moldam correntezas e orientam a pesca e os caminhos pelo rio. O que para a logística é obstáculo é, para o rio e para quem depende dele, parte da infraestrutura da vida.
Rio Tocantins
Rodrigo Correia
Diante dessa ameaça, o tombamento popular busca mostrar o que existe ali antes que seja perdido. Nas últimas semanas, arqueólogas do Museu Paraense Emílio Goeldi e da Universidade Federal do Oeste do Pará (Ufopa) percorreram comunidades do entorno do Lourenção e identificaram sítios arqueológicos vinculados ao Pedral. Pesquisas sobre a biodiversidade local também já registraram espécies ameaçadas e peixes ligados aos ambientes rochosos do Tocantins. Quanto mais se conhece o Lourenção, mais difícil é tratá-lo apenas como um conjunto de rochas no caminho da navegação.
Ainda estamos descobrindo a história desse território que já perdeu parte dela para uma grande obra. A Usina Hidrelétrica de Tucuruí, construída entre 1974 e 1984, inundou a mesma região. Agora, outro projeto pretende alterar profundamente o rio. Essas populações reivindicam participar das decisões antes que seja tarde.
Em diferentes bacias amazônicas, dragagens, explosões de rochas, portos e hidrovias fazem parte da expansão dos corredores de exportação de commodities. Tocantins, Tapajós e Madeira são rios diferentes, mas enfrentam uma mesma pressão. Suas profundidades e seus ciclos são adaptados para uma logística que pretende funcionar durante o ano todo. A lógica acaba se invertendo. Em vez da logística se adaptar às características dos rios, transformam-se os rios para se atender à logística.
Não é que a Amazônia não precise de transporte, infraestrutura ou oportunidades econômicas. Mas que tal perguntar qual infraestrutura queremos, para atender a quais necessidades e com a participação de quem? Afinal, uma política de transportes não pode medir seus resultados apenas por toneladas movimentadas, custos logísticos ou capacidade de exportação. Precisa considerar, desde o início, o que já existe, os efeitos de obras anteriores e aquilo que pode desaparecer com uma nova intervenção. 
Também é preciso reconhecer que quem vive nesses territórios produz conhecimento. Saber onde o peixe se reproduz, como a corrente muda, por onde passar ou lançar uma rede são conhecimentos forjados na convivência com o rio. Quando as comunidades dizem “Lourenção somos nós”, mostram que Pedral e o rio são partes de suas vidas, como alimento, trabalho, memória e cultura. Ouvi-las só depois que as principais decisões já foram tomadas significa deixar de fora o conhecimento de quem vive há gerações nesse território, e decidir sobre o futuro do rio sem conhecer todas as vidas que estão em jogo.
No muro da Vila Tauiry, essas relações agora aparecem pintadas. O mural nasceu do encontro entre moradores da Amazônia e artistas da Fearless Foundation, da Índia, numa aproximação entre territórios do Sul Global em torno da ideia de confluência: águas que se encontram carregando suas próprias histórias.Talvez essa também seja uma imagem para o desenvolvimento que devemos construir. O futuro dos rios amazônicos não deveria exigir que a vida seja tratada como algo a se retirar do caminho. Se queremos uma infraestrutura compatível com o mundo que queremos, algumas coisas precisam permanecer justamente para que exista futuro.
Sobre as autoras
Emily Costa é jornalista com mais de dez anos de experiência na cobertura sobre direitos humanos, Amazônia e questões socioambientais. Integra a equipe de comunicação do Grupo de Trabalho Infraestrutura e Justiça Socioambiental, rede de organizações da sociedade civil que atua no debate sobre grandes obras de infraestrutura e seus impactos nos territórios amazônicos.
Daleth Oliveira é jornalista paraense, formada pela Universidade Federal do Pará (UFPA), e atua com comunicação e jornalismo socioambiental na Amazônia, com foco nos direitos dos povos indígenas e comunidades tradicionais. É consultora de comunicação da Amazon Watch no Brasil, organização que integra a Aliança Chega de Soja, coalizão formada por mais de 40 organizações.
Mais Lidas  </description>  <media:content url="https://s2-umsoplaneta.glbimg.com/6eK_f30GUoKHT1eayo1RqqNSMec=/i.s3.glbimg.com/v1/AUTH_7d5b9b5029304d27b7ef8a7f28b4d70f/internal_photos/bs/2026/l/y/BwOdIqTK2r8jqzjXRL7Q/rjc07108-1-.jpg" medium="image"/>   <media:description>Pedral do Lourenção, comunidades do rio Tocantins</media:description>   <media:credit>Rodrigo Correia</media:credit>  <category>umsoplaneta</category> <pubDate>Fri, 28 Aug 2026 10:19:15 -0000</pubDate>  </item>  <item> <title>Depois de seis anos, GRI volta a priorizar Brasil e mira agricultura e mineração</title>  <atom:subtitle>Organização reforça equipe e prepara programa para capacitar até 150 pequenas e médias empresas no país para coletar e reportar dados e informações ESG</atom:subtitle>  <link>https://umsoplaneta.globo.com/financas/negocios/noticia/2026/08/27/depois-de-seis-anos-gri-volta-a-priorizar-brasil-e-mira-agricultura-e-mineracao.ghtml</link> <guid isPermaLink="true">https://umsoplaneta.globo.com/financas/negocios/noticia/2026/08/27/depois-de-seis-anos-gri-volta-a-priorizar-brasil-e-mira-agricultura-e-mineracao.ghtml</guid> <description>  <![CDATA[ <img src="https://s2-umsoplaneta.glbimg.com/EI22hq6H3FcmcdwmlnePHjNvU2w=/i.s3.glbimg.com/v1/AUTH_7d5b9b5029304d27b7ef8a7f28b4d70f/internal_photos/bs/2026/b/l/qpxdZQStCJDknGhRl2Cg/bk0b9460.jpg" /><br /> ]]>    Depois de seis anos, a Global Reporting Initiative (GRI), organização responsável por um dos principais padrões globais de relato de sustentabilidade, volta a colocar o Brasil entre suas prioridades estratégicas. A entidade anunciou nesta quinta-feira (27) a ampliação de sua atuação no país e nomeou Danielly Mello Freire como diretora para o Brasil. Entre os setores que estarão no radar da nova estratégia estão agricultura e mineração.
A mudança ocorre em um momento de transformação do mercado de informações corporativas sobre sustentabilidade, com a chegada de novas normas, o avanço da regulamentação e a pressão crescente de investidores, bancos e grandes empresas para que suas cadeias de fornecedores produzam dados ambientais e sociais.
E o GRI prepara uma novidade para marcar essa nova fase. Em novembro, durante um evento que será realizado em São Paulo, a organização pretende apresentar uma ferramenta baseada em inteligência artificial capaz de ajudar empresas a identificar quais exigências regulatórias e compromissos de sustentabilidade se aplicam aos seus negócios.
A ferramenta está sendo desenvolvida a partir de um mapeamento jurídico-regulatório que o GRI conduz em países da América Latina. No Brasil, o levantamento reúne exigências relacionadas a temas como governança, direitos humanos, educação, meio ambiente e ESG. A ideia é transformar a matriz em um agente de inteligência artificial que, a partir das informações fornecidas pela empresa, consiga indicar as obrigações que ela precisa atender. No país, este trabalho está sendo feito em parceria com o escritório de advocacia Demarest.
"A ideia é que a empresa consiga, a partir da ferramenta, organizar e estruturar uma matriz de prioridades, de acordo com a sua organização", explica Danielly.
Segundo a executiva, a ferramenta deverá considerar tanto exigências obrigatórias — como licenças e normas trabalhistas — quanto requisitos volu,ntários ou compromissos assumidos pelas companhias. O objetivo é facilitar o trabalho das empresas, que hoje precisam buscar essas informações em diferentes fontes.
A expectativa é concluir a ferramenta em outubro e apresentá-la publicamente no evento institucional do GRI em novembro. O encontro deve reunir a CEO global da organização, Robin Hodess, a presidente do conselho do GRI e o embaixador da Suíça no Brasil, além de representantes de empresas e outras instituições.

A aposta renovada no Brasil ocorre apesar de o país já estar entre os mercados mais avançados na adoção dos padrões GRI. Uma análise global publicada em junho colocou o Brasil em quinto lugar entre 132 jurisdições em adoção das normas e em terceiro quando considerada a capitalização de mercado. Entre as grandes empresas brasileiras listadas em bolsa, 71% utilizam os padrões GRI. No levantamento, as organizações brasileiras que fazem relatos com base no GRI representam 73% da capitalização de mercado e 71% das 194 empresas brasileiras avaliadas.
O desafio agora é ampliar essa maturidade para empresas que ainda estão fora desse universo, especialmente as pequenas e médias.
"Brasil não é apenas um dos mercados mais avançados do mundo em relato de sustentabilidade", disse Danielly no comunicado do GRI. Segundo ela, o país também tem uma oportunidade de usar a sustentabilidade como vantagem competitiva e transformar os relatos em mudanças efetivas nos negócios.
Programa para até 150 pequenas e médias empresas
Uma das principais frentes da nova estratégia será o programa de capacitação de pequenas e médias empresas para passar a utilizar os parâmetros do GRI para coletar e reportar dados sobre ESG (ambientais, sociais e de governança). O programa terá foco em empresas de diferentes setores e pretende ensinar não apenas como produzir um relatório, mas como incorporar a sustentabilidade à estratégia do negócio. 
Segundo Danielly, com apoio da Secretaria de Estado de Assuntos Econômicos da Suíça (SECO), o GRI pretende trabalhar inicialmente com pelo menos 100 empresas brasileiras, mas sua meta pessoal é chegar a 150. Há um financiamento suíço para apoiar o desenvolvimento da iniciativa, que está previsto até fevereiro de 2029. 
A execução será feita em parceria com consultorias e instituições que já atendem pequenas e médias empresas. A ideia é selecionar cerca de dez parceiros implementadores, que poderão oferecer os treinamentos e apoiar as companhias na elaboração de seus relatos.
Outra frente prevista é trabalhar com grandes empresas para desenvolver fornecedores de suas cadeias de valor. Nesse modelo, uma companhia âncora poderá selecionar de dez a 15 pequenos e médios fornecedores considerados prioritários e levá-los para o programa de capacitação.
A estratégia responde a uma demanda que vai além da produção de relatórios. Grandes companhias, bancos e investidores precisam cada vez mais de informações sobre suas cadeias de valor para avaliar riscos e oportunidades relacionados à sustentabilidade.
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O evento termina oficialmente nesta sexta-feira (28), mas um grupo de países já deixou claro que não haverá acordo sobre o tema. A oposição é liderada principalmente pelos Estados Unidos (EUA) e pela União Europeia (UE), mas é compartilhada por outros países sul-americanos como Argentina, Chile e Paraguai.
O que está acordado até o momento é a apresentação de uma decisão procedimental ao fim da conferência, deixando novas discussões sobre o tema para a COP18, em 2028, que provavelmente será realizada no Egito. Algo igual ocorreu na COP16, em Riad, na Arábia Saudita.
O Brasil se coloca a favor da criação do regime das secas, mas entende que, como não será possível chegar a um consenso mais uma vez, o melhor é manter o tema na agenda para futuras discussões.
Até mesmo esse encaminhamento precisou ser mediado durante a semana, principalmente pelo Brasil e a Arábia Saudita. Enquanto representantes dos Estados Unidos queriam a exclusão total do tema dos documentos finais, países da África insistiam na criação efetiva do mecanismo.
A proposta é defendida por africanos há, pelo menos, três conferências. Historicamente afetados pela escassez hídrica e expansão de desertos, eles exigem um mecanismo multilateral para enfrentar de forma coordenada esses problemas.
Isso demandaria ajuda financeira para os países mais vulneráveis serem capazes de se antecipar e se recuperar dos eventos extremos. Eles entendem que mecanismos internacionais, como o Fundo Global para o Meio Ambiente (GEF, na sigla em inglês), são estruturados sob o tema de degradação das terras, algo mais amplo do que a seca.
Os países mais ricos, porém, não querem se comprometer com um acordo obrigatório e defendem adesão voluntária. A União Europeia não quer se comprometer com gastos externos, principalmente quando precisa enfrentar crises recentes de seca no próprio território.
Os impasses são financeiros, mas também geopolíticos. Alguns países, liderados principalmente pelos Estados Unidos, tentam enfraquecer e travar agendas multilaterais como um todo desde o primeiro dia da COP17.
Contexto geopolítico desfavorável
Uma vez que o documento final da COP17 deverá ser apresentado somente ao fim do evento, autoridades envolvidas nas negociações tentam ser otimistas. É o caso de Andrea Meza Murillo, secretária executiva adjunta da UNCCD, órgão das Nações Unidas responsável pela conferência.
Meza disse esperar por um acordo sobre as secas, porém, não escondeu que há dificuldades.
“Estamos em um momento em que o túnel está escuro, mas acho que sempre haverá uma luz no fim dele. Temos esperança e estamos trabalhando muito para isso”, disse Meza em entrevista à Agência Brasil e a cinco veículos internacionais.
“Acho que a maioria dos países não pode simplesmente voltar para suas bases eleitorais e dizer que este não é um desafio comum global e que eles não vão colaborar com a comunidade internacional para enfrentá-lo”, complementa. 
Andrea Meza, que também foi ministra do Meio Ambiente e Energia da Costa Rica, disse confiar na pressão social para que os governos assumam a urgência do tema.
“Quando governos esquecem de suas responsabilidades, uma sociedade civil forte, ONGs e o setor privado podem dar continuidade a isso. Engajamento e uma agenda de ação robusta, com muitas iniciativas, projetos e programas, são o caminho para que isso ocorra”, reflete Meza.
“Porém, neste novo contexto geopolítico, teremos cada vez mais dificuldades para alcançar resultados negociados ambiciosos”, complementa.
Urgência do problema
Relatórios da UNCCD indicam que a frequência, intensidade e alcance espacial das secas aumentaram quase 30% desde 2000. A extensão do problema é reforçada por eventos recentes na Europa, África, Ásia e América Latina. 
Segundo o coordenador do grupo de trabalho sobre seca da UNCCD, Daniel Tsegai, tratar o fenômeno como desastre imprevisível é abordagem ultrapassada. Ele defende que os países precisam instituir políticas permanentes para atuar antes, durante e após os períodos de eventos extremos.
“Para uma crise pontual, você não se prepara: apenas espera que ela chegue com força e depois tenta reagir. Mas a seca agora é uma crise constante. Precisamos mudar esse paradigma da gestão de crises para a gestão preventiva de riscos”, ponderou o especialista.
Tsegai alertou que a seca deixou de ser um problema exclusivo do setor agrícola ou de falta de chuva temporária, tornando-se um risco sistêmico que afeta hidrovias, transporte, saúde e o comércio global.
Mesmo países não atingidos diretamente pela falta de chuva sofrem as consequências econômicas e de deslocamento populacional. Eventos climáticos em um local geram impactos logísticos e econômicos em outros continentes. Tsagai cita o exemplo de como uma redução do nível da água no Canal do Panamá ou no Rio Reno podem afetar o comércio internacional e o suprimento de grãos.
O especialista enfatizou que os impactos transfronteiriços da seca exigem resposta unificada e que a preparação deve ocorrer antes que o evento extremo se materialize.
“Não devemos esperar até que a seca nos atinja para dizer se éramos resilientes ou não. Isso é tarde demais. Alcançamos um momento em que esta é a prioridade máxima. Vamos olhar para isso juntos e encontrar uma solução”, pede Tsagai.
Iniciativas paralelas de financiamento
Enquanto o regime global de secas continua sob incertezas, iniciativas paralelas sobre o tema avançam durante a COP17. Duas delas envolvem mecanismos de financiamento.
A Aliança de Riad para Resiliência Global à Seca (RGDRP, na sigla em inglês) está desenvolvendo um fundo comum para ajudar 70 países em desenvolvimento a resistir e se adaptar ao fenômeno. A primeira assembleia do grupo ocorreu na Mongólia. 
A Arábia Saudita, fundadora da aliança, se comprometeu a investir US$ 150 milhões. O Banco Islâmico de Desenvolvimento e o Fundo da Organização dos Países Exportadores de Petróleo (Opeo) prometeram aporte de US$ 2 bilhões.
Outro anúncio feito em Ulaanbaatar foi a criação do Fundo de Investimento para Resiliência à Seca (Drif, na sigla em inglês), considerada a primeira plataforma global de financiamento catalítico.
Investimentos nessa modalidade aplicam recursos públicos, filantrópicos ou subsidiados para assumir maiores riscos ou aceitar retornos financeiros menores, com o objetivo principal de atrair e destravar capital privado em larga escala.
O fundo foi criado pela UNCCD e o governo de Luxemburgo, com apoio da Aliança Internacional para Resiliência à Seca (Idra). O país europeu fez aporte inicial de US$ 2 milhões. O objetivo do fundo é mobilizar até US$ 400 milhões em capital público e privado.
Plataforma contra seca
Foi apresentada na Mongólia a Fase 2 do Observatório Internacional de Resiliência à Seca (Idro, na sigla em inglês), uma plataforma desenvolvida pela UNCCD, o Centro de Ecossistemas e Arquitetura de Yale e a Aliança Internacional de Resiliência à Seca (Idra).
A nova etapa marca uma transição entre a versão piloto apresentada na COP16 e a plataforma online que promete ajudar os países a irem além do simples monitoramento dos riscos de seca.
Ela se baseia no Índice de Resiliência à Seca (DRI), que define a capacidade dos países de antecipação, preparação e adaptação ao fenômeno. O objetivo é identificar vulnerabilidades e fundamentar políticas e investimentos mais eficazes.
Há recursos com inteligência artificial para ajudar formuladores de políticas, especialistas técnicos e o público em geral a interpretar dados complexos. A plataforma inclui oito estudos de caso detalhados de países em cinco continentes. Ela está aberta para revisão por usuários do mundo todo, que podem ajudar a aprimorar a ferramenta.
* O repórter viajou para a Mongólia a convite da Convenção das Nações Unidas de Combate à Desertificação (UNCCD), após seleção entre jornalistas de diversos continentes.
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Mas, alguns segundos depois, lembro das conexões da cidade. Dos amigos, dos colegas, das infinitas possibilidades de troca. E volto para o Rio de Janeiro e para São Paulo — de volta ao meio da multidão.
Porque eu adoro o ambiente da cidade grande que favorece os encontros.
Essa percepção pessoal tem respaldo na ciência urbana. Edward Glaeser, professor de Economia em Harvard e autor de 'Os Centros Urbanos: A Grande Invenção da Humanidade', defende que as cidades são o maior motor de aprendizado e inovação porque a proximidade física reduz vertiginosamente o custo da circulação de ideias. Para ele, o verdadeiro diferencial urbano está nas "colisões fortuitas": encontros presenciais, desestruturados e sem agenda, nos quais profissionais de diferentes bagagens se cruzam por acaso em cafés, praças ou calçadas ativas. É nesse atrito casual que nasce a inovação não planejada, criam-se redes de confiança e aceleram-se carreiras.
Como brasileiro e carioca, acrescento que não se trata apenas de esbarrões com colegas profissionais, mas também de encontros inesperados com amigos. E da facilidade de marcar um papo aqui, um passeio ali, um sorvete acolá. Um economista diria que isso reduz o custo de transação de criar e manter uma amizade — e de criar e desenvolver uma ideia. Que pode ser um negócio inovador. Ou apenas (e isso não é pouco) uma nova aventura da vida, como aprender a nadar no mar ou entrar para um grupo de música.
Esse ecossistema de encontros não é apenas um motor econômico — é também nossa principal defesa contra os choques climáticos. Cidades em que as pessoas se conhecem e confiam umas nas outras respondem melhor a enchentes, ondas de calor e apagões, porque ativam redes de apoio mútuo que nenhum sistema de drenagem ou ar-condicionado central pode substituir. A resiliência não está nos muros, está nos laços.
No entanto, pouquíssimas cidades no mundo de fato proporcionam essa dinâmica. A maioria dos centros urbanos modernos sofre com o espalhamento, a dependência do automóvel e o zoneamento rígido — criando espaços segregados que eliminam a vida de pedestre. Cidades que realmente favorecem encontros espontâneos — como Nova York, Londres, a área central de Paris ou bairros centrais do Rio — exigem uma combinação rara de alta densidade, uso misto do solo, infraestrutura caminhável e espaços públicos acolhedores. Sem esse desenho intencional, a cidade vira um aglomerado de dormitórios e escritórios isolados, condomínios cercados habitados por pessoas que têm medo da rua e só saem em carros blindados — perdendo sua vitalidade e sua capacidade de gerar inteligência coletiva.
Essa capacidade das cidades é preciosa. A socióloga Saskia Sassen, professora na Universidade Columbia, revolucionou os estudos urbanos ao formular o conceito de Cidade Global. Em sua tese, essas metrópoles funcionam como centros de comando da economia capitalista internacional — nós estratégicos onde se concentram mercados financeiros, sedes corporativas e serviços altamente especializados. No topo da hierarquia estão as chamadas Cidades Alfa, com Nova York e Londres no nível absoluto (Alfa++), seguidas por Tóquio, Paris, Hong Kong, Cingapura, Xangai e Pequim.
No Brasil, São Paulo e Rio de Janeiro são os dois únicos polos que se conectam diretamente a essa rede global. São Paulo figura como uma Cidade Global Alfa-, consolidada como o maior centro financeiro, corporativo e tecnológico da América Latina. O Rio de Janeiro, classificado como Beta, destaca-se como hub de energia, petróleo e commodities, além de sua projeção em pesquisa científica e seu poderoso soft power cultural e turístico.
Mas esse status de centros de encontro e inovação precisa ser mantido com carinho. Para sustentar e expandir essa posição, ambas as metrópoles dependem diretamente de sua capacidade de promover encontros presenciais. Como defende a teoria econômica urbana, a inovação e a circulação de conhecimento complexo não acontecem no isolamento digital, mas no atrito do dia a dia. Por isso, São Paulo e Rio precisam investir em densidade, uso misto do solo, segurança e mobilidade caminhável. Em São Paulo, a revitalização do Centro e as feiras orgânicas de bairro já mostram que, quando o espaço público é devolvido ao pedestre, os encontros florescem. No Rio, os bairros mais densos são laboratórios vivos de sociabilidade espontânea — mas ainda precisam de mais segurança.
Acontece que estamos vivendo uma ameaça silenciosa à vida urbana coletiva. O período pós-pandemia consolidou um encolhimento da vida pública. A combinação do trabalho híbrido, da conveniência extrema das plataformas digitais e de uma resistência acumulada ao deslocamento urbano deu origem a um comportamento crescentemente antissocial. Os chamados “terceiros lugares” — cafés de rua, praças, livrarias, clubes — viram sua frequência despencar. O esforço de sair de casa passou a ser percebido como custo alto demais, e muitos se encastelaram na segurança do ambiente doméstico e nas interações pré-agendadas por telas.
Essa retração atinge o coração da nossa própria natureza: a capacidade gregária. Historicamente, a evolução humana e o surgimento de grandes ideias sempre dependeram da nossa habilidade de nos aglomerar, de trocar olhares, de ler a linguagem corporal e de habitar o mesmo espaço físico. Ao trocar a rua pelo isolamento falsamente hiperconectado, eliminamos a serendipidade — os encontros casuais, imprevisíveis e não planejados com o diferente que alimentam a empatia, a criatividade e a coesão social. Reduzimos a rica experiência urbana a um feed de algoritmo, trocando o atrito fértil da diversidade pela ilusão de conforto. Alguns condomínios parecem presídios de luxo.
O impacto desse “efeito caverna” é profundo para as cidades e para a saúde mental coletiva. Quando a população abandona o espaço público, as ruas perdem vitalidade, os centros se esvaziam e a confiança interpessoal se deteriora, alimentando um ciclo vicioso de solidão e polarização.
Para preservar a inteligência social e a saúde de nossas metrópoles, há duas frentes de ação.
A primeira é urbanística: redesenhar os espaços para que voltem a seduzir o pedestre, tornando a rua mais segura, agradável e inevitável para o reencontro humano. Mas a segunda — e talvez mais urgente — é a nossa atitude individual. É cuidar da cultura do convívio e valorizar o encontro entre pessoas diferentes.
Esse é um assunto que abordei de outra forma em um artigo recente, sobre a capacidade de criar encontros em torno do cafezinho. Minha tese é que a verdadeira resiliência diante das crises socioambientais não está no isolamento individual ou em soluções técnicas isoladas, mas no fortalecimento da nossa capacidade gregária. Nenhuma fortaleza privada resiste ao colapso ambiental. A única estratégia real de sobrevivência e adaptação está no fortalecimento das redes de confiança, da solidariedade e do apoio comunitário.
Ao resgatar o conceito de “capital social” de Robert Putnam (Bowling Alone) e os achados do estudo centenário de Harvard sobre longevidade, o texto alerta para o risco do afastamento presencial, agravado pelo trabalho remoto e pela vida digital. O isolamento crônico opera como um veneno social, destruindo tanto a saúde física quanto a coesão comunitária. Em contrapartida, os encontros desestruturados e sem fim financeiro são fundamentais para manter a sociedade articulada e saudável.
A cultura do cafezinho — ou de qualquer encontro presencial, informal e olho no olho — surge, portanto, não apenas como um gesto de afeto ou prazer, mas como uma ferramenta política, urbana e biológica de sobrevivência. Reconectar as pessoas no cotidiano e ocupar os espaços coletivos é nossa defesa mais eficiente contra o envelhecimento, a solidão e a emergência climática. Não existe resiliência privada. A segurança do futuro é um projeto essencialmente coletivo.
E isso depende mais da nossa atitude individual do que de qualquer reforma urbana. O ponto de partida pode ser simples: criar uma agenda de encontros com amigos e colegas — e realmente insistir, porque as pessoas estão desistindo fácil de se verem. Não dar cano por qualquer motivo. Estar aberto para conversar, ouvir o outro com calma, sem medo.
E há formas mais avançadas de promover sociedades urbanas saudáveis. Existe uma prática ancestral, que está ficando rara, mas precisa ser resgatada: apresentar uma pessoa a outra. Funciona assim: você marca um almoço ou café com um amigo. E leva outra pessoa para ele conhecer. Pode confiar. Sua capacidade de identificar possibilidades de conexão é, sem dúvida, superior a qualquer aplicativo.
Não se trata de romantizar o passado, mas de escolher ativamente o presente que queremos. 
Cada café marcado, cada apresentação de um amigo a outro, cada conversa sem pauta é um tijolo na única muralha que realmente nos protege: a confiança coletiva. O algoritmo não nos salvará do colapso ambiental — mas o vizinho que te convida para um bolo, sim.
Experimenta e me conta.
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Falamos muito, e com razão, de carbono, energia limpa, eletrificação e novos modelos produtivos. Mas há uma dependência anterior a tudo isso: água, no lugar certo, na quantidade e na qualidade necessárias, quando ela é fundamental. Segundo o Banco Mundial, setores diretamente dependentes da água sustentam cerca de 1,7 bilhão de empregos no mundo. Saneamento, agricultura, energia, indústria, mineração, navegação e cidades dependem desse equilíbrio.
E isso deveria inverter a lógica. Em vez de perguntarmos apenas quanto custa investir em segurança hídrica, deveríamos perguntar: quanto da nossa economia já está vulnerável porque ainda investimos pouco nos territórios que produzem, armazenam e regulam a água?
O problema é que nos acostumamos a olhar para a água no fim da linha: apenas quando chega na torneira, quando baixa no reservatório ou quando a escassez ou o seu excesso começa a afetar a saúde e a economia. Raramente olhamos para o território que torna aquela água possível. É na bacia hidrográfica que a chuva infiltra ou escorre, a floresta permanece ou desaparece, o solo absorve ou erode, a nascente é protegida ou degradada, a cidade que abre espaço para infiltração ou impermeabiliza quase tudo. É aí que a bacia ganha outra dimensão. 
Ela não é apenas o rio e seus afluentes, mas o território que conecta água, solo, vegetação, biodiversidade, produção agropecuária, cidades, indústrias, infraestrutura, pessoas e economia por um mesmo sistema hídrico. Ela funciona como um sistema. E quando uma parte perde capacidade de desempenhar sua função, outras partes do sistema sentem.
Se queremos discutir desenvolvimento num clima mais instável, poucas unidades são tão estratégicas quanto bacia hidrográfica, pois é nela que os riscos se acumulam, os usos competem e as soluções precisam se encontrar.
Numa bacia, causa e consequência raramente ficam no mesmo lugar. Desmatamento a montante pode virar erosão e assoreamento quilômetros abaixo; impermeabilização urbana pode amplificar enchentes; nascentes degradadas podem reduzir vazões; poluição encarece o tratamento; escassez interrompe produção, compromete energia e acirra conflitos.
A conta aparece em outro ponto do território, e muitas vezes, em outro orçamento. Por isso, revitalizar bacias não é apenas recuperar ambientes degradados, mas uma estratégia territorial para reduzir riscos antes que eles se transformem em perdas econômicas, sociais e ambientais, e para reconstruir uma nova cultura de cuidado com a água e com a natureza.
Tenho atuado de perto, no âmbito federal, onde está em construção um arcabouço legal para instituir o Programa Nacional de Revitalização de Bacias Hidrográficas (PNRHB), sob coordenação do Ministério da Integração e Desenvolvimento Regional (MIDR). O desafio não é criar mais uma sigla na administração pública, mas dar direção comum, critérios de prioridade, continuidade e escala para iniciativas dispersas nos territórios. Revitalizar uma bacia, nesse desenho, significa recuperar e conservar funções ecológicas e hidrológicas que sustentam a segurança hídrica, a resiliência climática, a biodiversidade, as atividades econômicas e o bem-estar da população.
Nenhuma bacia responde ao mesmo receituário. Em cada território, infraestrutura convencional e natural, tecnologia, restauração ecológica, instrumentos econômicos, planejamento territorial, monitoramento e conhecimento local precisam formar um portfólio coerente de soluções ajustados para cada realidade. Sistemas complexos não respondem bem a respostas únicas. É justamente por isso que as Soluções baseadas na Natureza (SbN) ganham relevância.
Elas precisam ser compreendidas muito além da ideia simplificada de “plantar árvores”. E ao restaurar ecossistemas, recuperar áreas úmidas, conservar solos, proteger zonas de recarga e reconstruir conectividade ecológica são ações que podem, ao mesmo tempo, reduzir enchentes, sustentar vazões, melhorar a qualidade da água, armazenar carbono, proteger a biodiversidade e aumentar a resiliência. A natureza, assim, deixa de ser percebida apenas como patrimônio ambiental e passa a ser reconhecida também como infraestrutura essencial ao funcionamento da economia.
Mas nenhuma combinação de soluções conseguirá escalar sem uma infraestrutura ainda menos visível: a governança. É ela que ajuda a definir onde investir primeiro, conectar políticas públicas, combinar fontes de financiamento e articular União, estados, municípios, comitês de bacia, usuários, empresas, comunidades e sociedade civil. Sem isso, bons projetos continuam ilhas. Com boa governança, podem formar uma estratégia coerente de transformação territorial.
Governança não é reunião nem organograma. É capacidade de escolher prioridades com base em evidências, acompanhar resultados, medir impacto, corrigir rota e dar transparência às decisões. Um arcabouço legal, sozinho, não recupera uma nascente. Mas pode determinar se uma ação termina quando acaba o contrato ou se ganha continuidade, financiamento, responsabilidades claras e escala. É aí que a arquitetura institucional deixa de ser burocracia e passa a funcionar como infraestrutura.
O Brasil não parte do zero. Temos conhecimento técnico, experiências relevantes e uma arquitetura de gestão por bacias que, apesar de seus limites, oferece uma base importante. O que falta é fazer essas peças operarem juntas e na escala do risco hídrico que já enfrentamos. Num clima mais instável, reduzir emissões não será suficiente se faltar água para mover uma indústria, abastecer uma cidade ou sustentar uma safra.
Descarbonizar é indispensável, sem dúvida. Mas uma economia de baixo carbono que continua vulnerável à água fez apenas metade da transição. Revitalizar as bacias que sustentam cidades, produção, energia e ecossistemas não é uma agenda paralela à transição climática. É parte dela.
Na próxima vez que a pergunta for “quanto custa revitalizar uma bacia?”, vale devolver outra: quanto custa uma economia de baixo carbono quando falta a água que a mantém funcionando?
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O projeto é desenvolvido em parceria com o Ibama e executado pelo Instituto de Pesquisa Ambiental da Amazônia (IPAM). A primeira etapa abrangeu os municípios de Belterra, Mojuí dos Campos, Santarém e Tomé-Açu. O programa está dividido em três fases e prevê a recuperação de cerca de 300 hectares no Pará.
Ao todo, foram selecionadas 86 famílias para participar da iniciativa, sendo 46 delas na região da Floresta Nacional do Tapajós. Entre as culturas produzidas pelos agricultores estão abacate, açaí, acerola, bacuri, banana, cacau, cupuaçu, goiaba, graviola, laranja, limão, mamão, maracujá, murici, pimenta-do-reino, pequiá, rambutã, tangerina, uxi, andiroba, castanha-do-pará, cedro, copaíba, cumaru, ipê, mogno, bacabi, café, pupunha e ingá.
O projeto também mobilizou uma rede de parceiros locais e estaduais. Na região do Tapajós, participam organizações comunitárias, associações de agricultores, instituições de ensino rural, o ICMBio e secretarias municipais. Em Tomé-Açu, cooperativas, sindicatos rurais, a Emater e a prefeitura apoiam a execução das atividades. Em nível estadual, colaboram ainda a Secretaria de Estado da Agricultura Familiar (Seaf), a Secretaria de Estado de Meio Ambiente e Sustentabilidade (Semas) e o Incra no oeste do Pará.
Números da primeira etapa
O relatório técnico mais recente do projeto, que consolida as atividades executadas entre março de 2024 e maio de 2025, registra 91 polígonos georreferenciados para restauro e 80 arranjos produtivos elaborados, além da estimativa de necessidade de mais de 67 mil mudas florestais e frutíferas. Sessenta e três famílias, além da Casa Familiar Rural de Belterra, receberam apoio em insumos, equipamentos ou mudas. Mais de 29 mil mudas foram disponibilizadas, e 63 áreas iniciaram efetivamente o processo de restauração. O relatório também contabilizou 666 visitas técnicas de acompanhamento às famílias.
As mulheres representam 20,5% do público beneficiário do projeto. Segundo Nicolas Manfredi, diretor-presidente da Energisa Geração e Transmissão, o protagonismo feminino aparece de forma significativa na condução das áreas, com uma parcela relevante dos projetos liderada por mulheres. "Na experiência observada em campo, chama atenção a quantidade de mulheres que estão à frente dessas áreas e o nível de cuidado e dedicação demonstrado na condução dos projetos", afirma.
Proposta do projeto é aliar agricultura com restauração florestal para garantir conservação e renda às famílias
Energisa/Divulgação
Investimento de R$ 8 milhões 
Segundo o executivo, o projeto contempla frentes nas regiões do Pará, Amapá, Rio de Janeiro e Paraíba, e os valores somados destinados às iniciativas chegam a aproximadamente R$ 8 milhões. No Amapá, já há 100 hectares em execução, com previsão de implantação de mais cerca de 170 hectares. No Pará, também já foram executados 100 hectares, com outros 199 hectares em fase de implementação.
"A relevância do projeto está justamente na integração de diferentes dimensões. Embora tenha origem em uma compensação ambiental, o modelo desenvolvido no Pará, por exemplo, combina recuperação ambiental, produção de alimentos e geração de renda", diz Manfredi.  Ele afirma que o projeto leva conhecimento técnico a uma atividade que as famílias já realizavam, muitas vezes sem orientação adequada, contribuindo para o aumento da produtividade.
"Para a Energisa Transmissão e Geração, esse projeto vai além do cumprimento de uma obrigação legal. Ele cuida das pessoas e da floresta. Em vez de uma restauração florestal tradicional, focada apenas no plantio de árvores, adotamos um modelo que gera inclusão produtiva, segurança alimentar e desenvolvimento socioeconômico para as populações locais", afirma Manfredi.
De acordo com o executivo, as famílias já recebem renda de sua produção. As atividades agrícolas já eram exercidas por elas, principalmente para consumo próprio, e o projeto tem contribuído para aumentar a produtividade e, consequentemente, a rentabilidade, por meio de conhecimento técnico e novas técnicas de produção. Até o momento, as 86 famílias selecionadas já participaram da iniciativa.
Como exemplo, Manfredi cita a região de Tomé-Açu, onde uma associação de produtores, com estrutura semelhante a uma cooperativa e um mercado de produtores, possui espaço próprio para comercialização, no qual cada agricultor pode vender sua produção diretamente.
Cacau em sistema agroflorestal em Tomé-açu 
Foto: Reprodução/CAMTA
A assistência técnica citada pela companhia é executada pelo IPAM, que mantém uma rotina de acompanhamento das áreas com visitas periódicas. Segundo Manfredi, o modelo não utiliza capacitações padronizadas ou genéricas, mas uma consultoria adaptada à realidade de cada propriedade, com orientações de manejo e produção conforme o modelo produtivo de cada família.
Sobre os resultados que justificam o investimento, o executivo afirma que o principal objetivo do SAF, além da recuperação ambiental, é garantir a autossustentabilidade e a segurança alimentar das famílias, sendo o excedente da produção comercializado para geração de renda complementar.
O projeto não gera crédito de carbono nem está vinculado a mercados voluntários ou regulados de carbono. Segundo Manfredi, atualmente a iniciativa está relacionada à compensação ambiental exigida no processo de licenciamento dos empreendimentos da companhia.
Clima e logística de mudas são os principais desafios
Segundo o diretor-presidente, a adesão das famílias não é um problema. Há interesse "significativo", segundo ele, das comunidades, com fila de espera de famílias interessadas em participar dos projetos. Contudo, há desafios relevantes, principalmente os  relacionados ao clima e à logística. Como as regiões concentram chuvas durante boa parte do ano, os períodos chuvosos podem dificultar a execução e o transporte de mudas até áreas mais afastadas também reduz o custo-benefício da operação, dependendo da época do ano.
Como alternativa, o projeto passou a desenvolver viveiros próprios, o que permite aos produtores gerar suas próprias mudas e reduzir a dependência da logística de transporte.
Expansão para outros estados e biomas
A iniciativa integra uma estratégia mais ampla da Energisa Geração e Transmissão voltada à recuperação de ecossistemas em diferentes regiões do país. Além do projeto da LXTE no Pará, a companhia prevê recompor florestalmente cerca de 450 hectares nos próximos cinco anos, em áreas dos biomas Amazônia, Cerrado, Mata Atlântica e Caatinga, nos estados do Amapá, Paraíba e Rio de Janeiro. Somando todas as compensações da EGT, serão cerca de 750 hectares restaurados.
Segundo Manfredi, a metodologia se adapta à realidade geográfica de cada bioma. No Amapá, o modelo é o mesmo aplicado no Pará, com sistemas agroflorestais — já há 100 hectares em execução e previsão de implantação de mais cerca de 170 hectares. No Rio de Janeiro, será realizado plantio convencional, também vinculado a uma necessidade de compensação ambiental, com previsão de início ainda em 2026. Na Paraíba, também está previsto plantio convencional, com a iniciativa em fase de estruturação junto à Sudema, para definição das áreas com o órgão ambiental do estado.
"Os avanços comprovam que é possível gerar valor ambiental, social e econômico de forma integrada. Este é um modelo escalável, capaz de transformar realidades no território e contribuir de forma consistente para o desenvolvimento sustentável da Amazônia", avalia Manfredi.
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Segundo Saswata Sanyal, do Centro Internacional para o Desenvolvimento Integrado das Montanhas (ICIMOD), uma organização climática regional com sede em Katmandu, o avançado derretimento das montanhas geladas do Himalaia pode ter causado um “efeito dominó”, inundando rapidamente os rios.
Uma pesquisa publicada em 2023 pelo ICIMOD aponta que as geleiras da região do Hindu Kush-Himalaia, próximo de onde ocorreu a avalanche, estão derretendo em ritmo sem precedentes e podem perder até 75% de seu volume até o final deste século.
Além disso, relatório mais recente do ICIMOD aponta que a probabilidade de acontecerem essas inundações repentinas aumentará drasticamente nos próximos anos caso não ocorra uma redução nas emissões de gases de efeito estufa, responsáveis pelo aquecimento e derretimento das geleiras, tornando a região extremamente vulnerável.
Até o momento, 95 mortes foram confirmadas pelas autoridades no Nepal e mais de 500 pessoas estão desaparecidas, sendo a maioria turistas que estavam na região. No Tibete, até o momento foram confirmadas 3 mortes e 265 desaparecidos.
A imagem abaixo, publicada pelo Weather Monitor, ilustra como o derretimento pode ter contribuído para o aumento repentino do rio:
Ilustração de como o derretimento das geleiras impactou no aumento do rio
Weather Monitor
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Enxurrada repentina deixa ao menos 22 mortos e centenas de desaparecidos na fronteira entre Nepal e Tibete</title>  <atom:subtitle>Inundações repentinas no rio Bhotekoshi causam destruição no Nepal e no Tibete. Governo pede ajuda à China e à Índia para resgatar desaparecidos</atom:subtitle>  <link>https://umsoplaneta.globo.com/clima/noticia/2026/08/26/inundacoes-repentinas-deixam-ao-menos-22-mortos-e-centenas-de-desaparecidos-na-fronteira-entre-nepal-e-tibete.ghtml</link> <guid isPermaLink="true">https://umsoplaneta.globo.com/clima/noticia/2026/08/26/inundacoes-repentinas-deixam-ao-menos-22-mortos-e-centenas-de-desaparecidos-na-fronteira-entre-nepal-e-tibete.ghtml</guid> <description>  <![CDATA[ <img src="https://s2-umsoplaneta.glbimg.com/uZw5HaQArsvIkzcdDgPQoUXBiag=/i.s3.glbimg.com/v1/AUTH_7d5b9b5029304d27b7ef8a7f28b4d70f/internal_photos/bs/2026/0/G/Z3ymN3SAS0gCIUWLKrbg/image.png" /><br /> ]]>    Pelo menos 22 pessoas morreram e centenas de moradores locais e turistas estão desaparecidos após uma enxurrada devastadora atingir a região fronteiriça entre o Nepal e o Tibete. A tragédia teve início na manhã desta quarta-feira, 26, por volta das 9h no horário local, quando as águas do rio Bhotekoshi transbordaram de forma repentina e violenta. A força da correnteza varreu a área montanhosa do Himalaia, deixando um rastro de destruição que isolou comunidades inteiras e mobilizou equipes de emergência urgentemente.
O distrito de Nuwakot foi uma das áreas mais duramente castigadas pelo desastre natural. No local, o cenário relatado pelas autoridades é de catástrofe absoluta: dezenas de edifícios de vários andares, além de caminhões e vans, foram completamente soterrados por vastas quantidades de lama e detritos. A força das águas também comprometeu severamente a infraestrutura da região, varrendo do mapa diversas vilas, bloqueando estradas vitais para o transporte e danificando projetos de usinas hidrelétricas.
Diante da magnitude da tragédia e da complexidade das operações de busca em uma área de topografia acidentada, o governo nepalês precisou apelar por apoio internacional imediato. Sasmit Pokharel, porta-voz do governo do Nepal, confirmou à imprensa que o país acionou seus vizinhos para auxiliar na resposta à emergência. "Pedimos tanto à Índia quanto à China que nos ajudem com os esforços de resgate", declarou o oficial, enquanto as autoridades de segurança pública lutam contra o tempo para localizar sobreviventes em meio aos escombros e ao deslizamento de terra.
A comunidade internacional reagiu rapidamente ao desastre, manifestando apoio humanitário ao país asiático. Em um comunicado conjunto, as embaixadas do Reino Unido, Austrália, União Europeia, Finlândia, França, Noruega e Suíça localizadas na capital Katmandu expressaram profunda tristeza com a devastação registrada em Nuwakot, Rasuwa e nas áreas adjacentes. Além de prestarem solidariedade ao povo nepalês neste momento crítico, as missões diplomáticas emitiram um alerta oficial, orientando que todos os turistas e cidadãos nas zonas afetadas sigam rigorosamente as instruções de segurança e os avisos de evacuação emitidos pelas autoridades locais.
Imagens compartilhadas por moradores locais mostram a devastação relâmpago realizada pela inundação:
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A estratégia do Consórcio Nordeste é apresentar a integração entre os estados como um modelo de governança para regiões semiáridas e, ao mesmo tempo, aproximar os projetos de potenciais financiadores internacionais, como Banco Mundial, Fundo Internacional de Desenvolvimento Agrícola (FIDA) e Novo Banco de Desenvolvimento (NDB), conhecido como Banco dos Brics.
A agenda inclui iniciativas de segurança hídrica, restauração da Caatinga e bioeconomia, além de projetos ligados à transição energética e à industrialização de baixo carbono. Entre eles estão os hubs de hidrogênio verde e combustíveis renováveis de Pecém (CE), Suape (PE) e Santo Amaro das Brotas (SE).
A participação começou nesta segunda-feira (24), com o painel “Financiamento Climático para Regiões Semiáridas”, no Pavilhão Brasil, na Blue Zone. O encontro reuniu representantes do Banco Mundial, do Mecanismo Global da UNCCD, do BNDES, Banco do Brasil e Banco do Nordeste para discutir mecanismos capazes de financiar projetos nos territórios semiáridos.
O objetivo do Consórcio é buscar diferentes fontes de capital, incluindo fundos climáticos, mecanismos de garantia, grants e estruturas de blended finance — que combinam recursos de diferentes perfis para reduzir riscos e viabilizar investimentos.

Fundo Caatinga
Uma das principais novidades apresentadas na COP17 é o Fundo Caatinga, concebido como um veículo regional para receber e combinar recursos de diferentes fontes e direcioná-los para projetos no semiárido.
Segundo o Consórcio, a estrutura pode reduzir custos de transação ao concentrar em um mesmo arranjo elementos como linha de base, execução, garantias, indicadores e mecanismos de monitoramento. A ideia é facilitar a entrada de recursos que, atualmente, podem ter de ser estruturados individualmente para cada projeto.
O fundo faz parte de um arranjo mais amplo, que inclui o Plano Brasil Nordeste de Transformação Ecológica (PTE-NE), estratégia de longo prazo que reúne ações de proteção ambiental, competitividade econômica, inclusão social, inovação tecnológica e fortalecimento institucional.
A carteira de projetos será apresentada nas agendas bilaterais com instituições financeiras internacionais. A expectativa do Consórcio é criar canais para ampliar os aportes destinados ao semiárido brasileiro.
A carteira apresentada na Mongólia está organizada em três grandes frentes.
A primeira é a segurança hídrica, tratada como infraestrutura de adaptação climática. A lista inclui dessalinização, poços movidos a energia solar, reúso de água e conservação de mananciais. Segundo o Consórcio, são tecnologias conhecidas, com possibilidade de mensuração do custo por beneficiário e alinhamento às metas de neutralidade da degradação da terra.
A segunda frente é a transição energética e a industrialização de baixo carbono. Nesse eixo estão os hubs de hidrogênio verde e combustíveis renováveis de Pecém, no Ceará, Suape, em Pernambuco, e Santo Amaro das Brotas, em Sergipe. Os projetos buscam conectar a disponibilidade de recursos renováveis do Nordeste à atração de investimentos produtivos.
A terceira envolve restauração e bioeconomia da Caatinga, com ações de recaatingamento, viveiros de grande porte e fortalecimento de cadeias produtivas da agricultura familiar.
O recaatingamento, em particular, será apresentado como uma estratégia que combina restauração ecológica, adaptação climática e desenvolvimento territorial. A proposta é mostrar como experiências desenvolvidas no semiárido podem ser conectadas a mecanismos financeiros capazes de dar escala às iniciativas.
Modelo de governança
Além dos projetos, o Consórcio pretende exportar para outras regiões semiáridas a experiência de articulação entre os nove governos estaduais. A premissa é que problemas como degradação da terra, escassez hídrica e impactos das mudanças climáticas não respeitam fronteiras administrativas e, portanto, exigem planejamento coordenado.
O Plano Brasil Nordeste foi construído com participação de universidades, centros de pesquisa, organizações da sociedade civil, povos indígenas, comunidades tradicionais, agricultores familiares e setor produtivo.
A estratégia também procura combinar soluções já utilizadas historicamente no semiárido — como cisternas, barragens subterrâneas, reúso, dessalinização descentralizada e recaatingamento — com novas oportunidades econômicas relacionadas às energias renováveis e à produção de baixo carbono.
“Apresentar o Nordeste como laboratório de soluções para regiões semiáridas” é, na prática, a aposta do bloco para transformar desafios ambientais em uma agenda de desenvolvimento e financiamento.
Na terça-feira (25), o Consórcio realizou o evento “Restaurar para prosperar: Caatinga, Semiárido e Financiamento Climático”, na Blue Zone da COP17. A programação reuniu representantes do governo brasileiro, da UNCCD, do Banco Mundial, do Banco do Brasil, da Articulação Semiárido Brasileiro (ASA) e do setor privado para discutir restauração e financiamento climático.
A delegação do Consórcio Nordeste reúne representantes dos governos de Alagoas, Bahia, Ceará, Piauí, Rio Grande do Norte e Sergipe, além da equipe do bloco. A participação na COP17 busca, sobretudo, transformar a articulação regional em projetos financiáveis e ampliar o acesso do semiárido a recursos internacionais para adaptação, restauração e transição econômica.
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A mudança de estratégia ocorre a partir da demanda dos próprios empreendedores atendidos na primeira fase. Uma pesquisa realizada com essa base mostra que 77% não se consideram plenamente preparados para enfrentar uma nova emergência climática, enquanto 93% afirmam que usariam crédito para tornar seus negócios mais resilientes.
Os dados também indicam que a recuperação das empresas ainda está incompleta. Entre os empreendedores afetados direta ou indiretamente pelas enchentes, 66% ainda não recuperaram o patamar de negócios anterior aos eventos climáticos. Ao mesmo tempo, 95% dizem precisar de crédito agora ou nos próximos seis meses.

“O acesso a capital orientado e produtivo também precisa ser entendido de duas formas: além de instrumento de reconstrução, como ferramenta de prevenção”, afirma Lucas Conrado, CEO do Fundo de Impacto Estímulo.
Para o executivo, a preparação de um pequeno negócio para eventos extremos começa antes da ocorrência de uma emergência. Entre as medidas estão manutenção preventiva, proteção de estoques e equipamentos, diversificação de fornecedores, planejamento financeiro e capacidade de manter a operação durante uma interrupção.
O novo aporte eleva para R$ 30 milhões os recursos disponíveis para a nova fase do Retomada RS. O mecanismo segue o modelo de blended finance, que combina capital filantrópico e privado para reduzir riscos e ampliar o acesso a recursos por empreendedores que enfrentam dificuldades para obter crédito no sistema financeiro tradicional.
Os R$ 5 milhões do Instituto Helda Gerdau se somam aos R$ 25 milhões já disponíveis para empréstimos. As operações não exigem garantias reais e têm taxas entre 0,99% e 1,99% ao mês, de acordo com a saúde financeira da empresa. O prazo é de até 36 meses, com seis meses de carência e parcelas fixas.
Além do dinheiro, a nova etapa prevê capacitação e orientação para que os empreendedores identifiquem onde os recursos podem ser aplicados para reduzir sua vulnerabilidade diante de eventos extremos. Na pesquisa, 31% dos interessados em crédito para resiliência disseram precisar de orientação sobre onde investir.
A experiência da primeira fase mostra que o crédito também chegou a públicos historicamente menos atendidos pelo sistema financeiro. Até agora, o Fundo Retomada RS já originou R$ 68 milhões, alcançando cerca de 1 mil empreendedores em 142 municípios gaúchos e impactando mais de 12 mil empregos. Cerca de 30% dos recursos foram destinados a empresas lideradas por mulheres e 35% chegaram a empreendedores que nunca haviam acessado crédito formal.
Recuperação ainda incompleta
Entre os negócios apoiados, 51% relatam crescimento do faturamento desde que receberam crédito do Estímulo e 34% dos empreendedores afetados afirmam já ter recuperado totalmente o patamar anterior aos eventos climáticos. Os resultados, porém, não permitem afirmar que a evolução tenha sido causada exclusivamente pelo financiamento.
A pesquisa também mostra que a exposição aos riscos climáticos permanece elevada. Entre os empreendedores diretamente afetados, 61% se consideram parcialmente preparados para uma nova emergência, enquanto 23% dizem estar totalmente preparados. Outros 13% estão pouco preparados e 3% afirmam não estar preparados.
As medidas de proteção financeira também ainda são pouco disseminadas, segundo o levantamento. Isso significa que, embora parte dos negócios tenha realizado melhorias estruturais após as enchentes, mecanismos como reservas financeiras e seguros continuam alcançando uma parcela limitada dos empreendedores.
O resultado é uma demanda por capital que vai além da recuperação de perdas já ocorridas. Dos entrevistados, 93% afirmam que utilizariam crédito especificamente para medidas de resiliência.
Quem pode acessar
Podem solicitar o crédito empresas com CNPJ ativo há pelo menos dois anos, faturamento mensal entre R$ 10 mil e R$ 400 mil, sede no Rio Grande do Sul e histórico de crédito positivo. Não é ecessário ter sido diretamente atingido pelas enchentes para ser elegível.  A solicitação é feita digitalmente, com o preenchimento de sete informações básicas e análise automática.
O Fundo Retomada RS contou, em suas diferentes etapas, com a participação de instituições financeiras, empresas e organizações como Itaú Unibanco, Banrisul, Instituto Ling, Regenera, Lebes, família Gerdau e Tramontina. Também participam entidades como Federasul, Sebrae, Open Co, Pinheiro Neto Advogados, Singulare e BMP.
Na primeira fase, Localiza, Engie, Fundação Arymax e BTG Pactual também aportaram recursos. O projeto tem ainda apoio do Instituto Caldeira, em Porto Alegre, e do movimento Tamo Junto by Tinga.
Criado em outubro de 2024, o Fundo Retomada RS faz parte da atuação do Estímulo, organização criada em 2020 para apoiar pequenos negócios por meio de crédito e capacitação. Em seis anos, o Estímulo afirma ter destinado R$ 435 milhões a mais de 6,7 mil empreendedores, com impacto estimado sobre cerca de 68 mil empregos.
A nova fase do fundo gaúcho coloca em evidência uma mudança na lógica de resposta a desastres: para pequenos negócios, recuperar o que foi perdido pode não ser suficiente diante da maior frequência e intensidade dos eventos climáticos. A intenção agora é usar o crédito também para reduzir, antes da próxima emergência, a vulnerabilidade financeira e operacional dessas empresas.
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“A gente sempre tem que associar produtos, ingredientes e serviços”, resume, se referindo ao trabalho de comunidades em áreas protegidas, em especial indígenas e quilombolas.
Dez anos depois, a rede Origens Brasil reúne cerca de 5,2 mil produtores cadastrados, 43 empresas-membro e 92 organizações comunitárias e instituições de apoio, atuando em seis territórios amazônicos que somam 54 áreas protegidas. Já recebeu reconhecimentos como um prêmio de inovação da ONU e o selo de tecnologia social do Banco do Brasil. Também foi citada entre as três marcas mais conhecidas de sustentabilidade no Brasil, atrás apenas do Selo Orgânico e da Amigos do Bem. Ao todo, mais de R$ 38 milhões foram transacionados por sua plataforma, que cuida de toda a rastreabilidade, emitindo relatórios periódicos para todas as partes. 

O grande feito da rede é ter provado que é possível fazer negócios, gerar emprego e renda, e conservar a floresta. O manejo do pirarucu no Médio Solimões, apoiado pelo Instituto Mamirauá, é hoje um dos casos mais citados como um dos principais cases de sucesso. Em 27 anos de trabalho, uma espécie quase extinta na região se recuperou a ponto de hoje ser manejada em 27 dos 62 municípios do Amazonas, com uma produção que se aproxima de 5 mil toneladas por ano e movimenta cerca de R$ 30 milhões.
“A gente sai de uma espécie quase extinta para, 27 anos depois, uma superpopulação de pirarucus nos territórios onde antes era escasso”, descreveu Raimundo Queiroz, pescador da comunidade de Alvarães, no Amazonas, que atua junto ao Instituto Mamirauá. Ele apresentou o case do pirarucu no evento anual de celebração dos feitos do programa Origens Brasil, chamado de “Encontrão”, e realizado em Belém, PA, na última semana. 
O evento reuniu representantes de produtores e extrativistas, empreendedores, artesãos, empresas compradoras, organizações sociais, bancos e academia. Ao todo, participaram mais de 180 pessoas. Durante dois dias, foram apresentados os principais números, lançamentos de ferramentas e guias e realizadas rodas de conversas para encontrar soluções possíveis para os persistentes desafios envolvendo o desenvolvimento sustentável da sóciobioeconomia.
Na cadeia da borracha, a parceria entre a Origens Brasil é com a marca de calçados Veja é uma das mais antigas, começando mesmo antes da rede existir formalmente. A empresa hoje trabalha com cerca de 2 mil famílias e 16 cooperativas em três estados (Acre, Amazonas e Pará) e desenvolveu uma metodologia própria, batizada de “os quatro zelos” — cuidado com a floresta, com a qualidade da borracha, com a seringueira e com a cooperativa. 
A empresa paga um valor adicional às famílias que cumprem boas práticas de manejo, além do preço já combinado pelo produto. “Ecologia sem luta de classe é apenas jardinagem”, citou Sebastião dos Santos Pereira, gerente da cadeia produtiva da borracha nativa na Amazônia da VEJA, evocando a frase do seringueiro e ambientalista Chico Mendes para explicar por que a questão social é tão relevante quanto a ambiental.
O desafio da cadeia de borracha sustentável é o mesmo de outros produtos da sociobioeconomia: não há incentivos públicos, financeiros e/ou tributários para compensar os custos bem mais altos de produção, artesanal e sustentável. A borracha nativa, extrativista, diz, recebe hoje a mesma carga tributária da borracha de cultivo, plantada em áreas já desmatadas — “uma concorrência quase que desleal”, na avaliação de Pereira.
Já a Casa Wariro, sede da Federação das Organizações Indígenas do Rio Negro, dedicada ao artesanato e à cerâmica, ilustra outra ponta da rede: negócios que nasceram de uma necessidade das próprias mulheres indígenas, não de uma demanda de mercado. Segundo uma representante da organização, o movimento começou no departamento de mulheres indígenas do Rio Negro, que viu no artesanato ancestral, especialmente na produção de cerâmicas, uma forma de gerar renda. 
Técnicas como a de cano piribá e a baniwa, cestaria, tingimento natural, entre outras, são repassadas para as jovens, que se engajam cedo na iniciativa. A comercialização é decidida em regime de cogestão, ou seja, são as próprias mulheres que definem preços e tamanhos dos produtos, em encontros periódicos com prestação de contas coletiva. A rede de mulheres também funciona como canal de informação sobre temas sensíveis do território, como a Lei Maria da Penha e riscos de exploração sexual e garimpo ilegal. “Para ter uma ciência do que acontece com a vida delas”, disse Katilcia Manoel, do Povo Baré, uma jovem representante da iniciativa, no evento.
Casos como esses reforçam um ponto que se repetiu em diferentes falas do evento: o valor da rede está tanto na comercialização em si quanto na estrutura de apoio que a cerca, como regularização fundiária, governança territorial, capacitação e, cada vez mais, proteção social das comunidades envolvidas.
Soluções para os desafios do desenvolvimento sustentável
Além de mostrar cases de sucesso, o evento também serviu para engajar os participantes em discussões sobre soluções para os desafios que ainda persistem. Um deles, que, inclusive, motivou a criação da rede, continua sem solução definitiva: fazer o valor da conservação chegar de fato a quem vive dela. “A conta não fecha. O produto é muito barato para a comunidade, e ele é muito caro para a empresa”, resumiu Brasi. 
Uma ferramenta de custo de produção que o Imaflora vem testando em campo aponta que 70% do custo de um produto extrativista está na mão de obra, que inclui o tempo dedicado por comunidades tradicionais e povos indígenas às etapas de pré-colheita, colheita e pós-colheita, item que raramente entra no preço final pago pelas empresas.
Para tentar equilibrar essa conta, a rede aposta em três frentes que já ganharam corpo nos últimos anos: uma revisão de políticas públicas de preço mínimo, que ainda não incorporam o custo da mão de obra; um novo mecanismo de pagamento por serviços ambientais (PSA), lançado oficialmente na semana passada durante o Encontrão, e já testado em fase piloto em quatro estados; e parcerias de crédito e capital de giro, sobretudo com a Conexsus (Instituto Conexões Sustentáveis), que ajudam comunidades a receber à vista mesmo quando compradores só conseguem pagar de forma parcelada. 
Esse último ponto segue sendo, segundo múltiplas fontes ouvidas no evento, um dos gargalos mais persistentes. A falta de documentação fundiária, o desinteresse de gerentes de banco em operações de pequeno valor e a ausência de linhas de crédito específicas para comunidades extrativistas são impeditivos relevantes. 
Vozes de dentro das próprias comunidades reforçam esse diagnóstico, mas acrescentam camadas que nem sempre aparecem nas discussões técnicas sobre financiamento. Um representante de organização comunitária da rede apontou que o acesso às políticas públicas esbarra na burocracia, que torna a implementação “quase inacessível”, e defendeu que as comunidades acessem diretamente as linhas de financiamento, sem depender de intermediários. 
Uma liderança ligada à extração de borracha lembrou que há limites físicos e de segurança para o volume que um extrativista consegue produzir por dia, o que exige calendários de crédito e pagamento ajustados à realidade do manejo e não ao ritmo padrão de uma linha de crédito genérica. Já uma liderança indígena relatou que sua comunidade extrai castanha há quase 40 anos e, ainda hoje, vende o produto in natura, sem qualquer industrialização, em grande parte para atravessadores, por falta também de incentivos para desenvolvimento da cadeia.
Uma das formas que a rede encontrou de diminuir, ainda que parcialmente, a diferença entre o custo da produção e o valor que as comunidades recebem é o Pagamento por Serviços Ambientais (PSA), inspirado no Fundo de Florestas Tropicais para Sempre (TFFF), fundo internacional lançado na COP30 para captar recursos com governos e investidores privados para remunerar a conservação das florestas ao redor do mundo. Com a chamada aberta, os produtores da rede que conseguirem comprovar conservação ambiental recebem uma renda extra. O piloto, que já está em andamento em oito comunidades, já pagou cerca de R$ 350 mil reais. 
Leia mais: Imaflora lança pagamento por serviços ambientais para produtores da sociobioeconomia na Amazônia
Encontrão Origens Brasil aproveitou público para discutir soluções para desafios persistentes na sociobioeconomia
Cabron Studio
 O pano de fundo político, segundo Brasi, é favorável, uma vez que o Brasil aprovou em 2023 uma lei específica de pagamento por serviços ambientais, hoje em fase de regulamentação, além de ter criado a Secretaria Nacional de Bioeconomia e lançado este ano o Plano Nacional de Bioeconomia. “É um norteador dos investimentos para os próximos 10 anos”, comenta o executivo. Ainda assim, ele reconhece que essas tecnologias e esses termos técnicos ainda não chegaram ao consumidor dos grandes centros urbanos. Ainda que o reconhecimento de marca já exista, não é suficiente, na sua avaliação, para gerar uma mudança de hábito de consumo em escala.
Questionado sobre o risco político de depender de continuidade entre governos na próxima eleição, Brasi defendeu que a agenda da sociobioeconomia deixe de ser “uma agenda de governo” e se torne “uma agenda de Estado”, capaz de atravessar mudanças de gestão sem perder o rumo. “A gente precisa dessa segurança no médio e longo prazo para que a sociobioeconomia vire, de fato, uma agenda estruturante”, disse.
Por ora, a atuação da rede segue concentrada no bioma amazônico, em territórios organizados em torno de unidades de conservação. Há discussões internas, ainda sem decisão tomada, para levar o modelo a outros biomas e a arranjos produtivos fora de áreas protegidas, como a agricultura familiar, um movimento que, segundo o executivo, deve permanecer em fase de “ensaio” até o próximo ano.
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A segunda será coletiva: escolher os representantes que definirão as políticas públicas dos próximos anos. Embora pareçam temas distintos, ambos têm um ponto em comum. As decisões que tomamos hoje influenciarão diretamente nossa capacidade de enfrentar um clima cada vez mais instável.
Nesse processo, existe um elemento frequentemente subestimado: a comunicação para a conservação da natureza. Ela não serve apenas para divulgar pesquisas, sensibilizar sobre a biodiversidade ou incentivar visitas a áreas naturais. Sua principal função é ajudar a sociedade a compreender as relações entre clima, conservação, qualidade de vida e desenvolvimento, permitindo que os cidadãos façam escolhas mais conscientes, seja no cotidiano, seja nas urnas.
A boa notícia é que a sociedade está cada vez mais interessada no tema. Um levantamento da Nexus Pesquisa mostrou que as buscas pelo termo “El Niño” cresceram mais de 900% em poucos meses, com o Paraná entre os estados que mais procuraram informações. Nas redes sociais, milhões de interações demonstram que a preocupação já não se limita aos efeitos do clima: cresce também a cobrança por ações concretas das autoridades.
Essa mudança revela a importância de um trabalho que costuma produzir resultados silenciosos, mas duradouros: comunicar a conservação da natureza. Quando a ciência é traduzida para uma linguagem acessível, as pessoas compreendem que proteger florestas, rios, manguezais e outras áreas naturais não é apenas uma pauta ambiental, mas uma estratégia para reduzir riscos, garantir água, proteger cidades e aumentar nossa capacidade de enfrentar eventos extremos.
Hoje sabemos que a natureza é uma das melhores aliadas da adaptação climática. As chamadas Soluções Baseadas na Natureza — como conservar remanescentes florestais, restaurar matas ciliares, proteger áreas úmidas e recuperar ecossistemas degradados — reduzem enchentes, estabilizam encostas, melhoram a infiltração da água no solo, conservam a biodiversidade e ajudam a regular o clima. São investimentos que produzem benefícios ambientais, sociais e econômicos ao mesmo tempo.
Nesse contexto, o Paraná ocupa uma posição estratégica. O estado abriga parte da maior área contínua de Mata Atlântica bem conservada do planeta, território conhecido como Grande Reserva Mata Atlântica, um patrimônio reconhecido internacionalmente por sua importância para a conservação da biodiversidade, a produção de água, a estabilidade climática e o desenvolvimento sustentável.
Mais do que uma delimitação geográfica, a Grande Reserva tornou-se uma iniciativa que busca justamente aproximar as pessoas desse patrimônio natural. Reunindo 60 municípios dos estados do Paraná, de Santa Catarina e de São Paulo — mais da metade deles já formalmente comprometidos com seus princípios —, a iniciativa promove uma visão compartilhada de desenvolvimento baseada na conservação da natureza, no turismo responsável, na valorização da cultura local e na cooperação entre diferentes setores.
Mas talvez sua principal contribuição esteja justamente na comunicação. Ao produzir conteúdos, campanhas, experiências de visitação, sinalização turística integrada, redes de parceiros e ações de sensibilização, a Grande Reserva procura traduzir um conceito complexo em algo que faça sentido para a vida das pessoas. Afinal, ninguém decide proteger uma floresta apenas porque ouviu falar em biodiversidade. As pessoas apoiam sua conservação quando compreendem que aquele território produz água, reduz enchentes, protege o solo, regula o clima, fortalece a economia regional, gera oportunidades para as comunidades e reduz riscos para quem vive nas cidades.
É exatamente essa compreensão que transforma a conservação em uma agenda de interesse coletivo. Dessa forma, proteger a Mata Atlântica deixa de ser apenas uma pauta ambiental para se tornar uma estratégia de desenvolvimento regional, segurança hídrica, prevenção de desastres e adaptação às mudanças climáticas.
Em ano eleitoral, esse debate torna-se ainda mais necessário. As mudanças climáticas não obedecem aos calendários eleitorais.
Elas continuarão produzindo impactos independentemente de quem estiver no poder. Mas a capacidade de resposta da sociedade depende diretamente das decisões tomadas pelos governos.
Os próximos presidente, governadores, senadores e deputados terão papel decisivo na formulação de políticas públicas, na destinação de recursos e no fortalecimento de medidas voltadas à adaptação climática, à proteção de mananciais, à gestão de riscos, ao ordenamento territorial, à restauração de ecossistemas, ao fortalecimento da defesa civil, à ampliação de áreas protegidas e aos investimentos em infraestrutura verde.
Por isso, votar também significa escolher projetos para o futuro climático do país, dos estados e das cidades.
Sobre o Autor:
Marina Cioato, profissional com formação em Direito e Comunicação Institucional, com atuação voltada à agenda ambiental e de fortalecimento institucional de organizações da sociedade civil. Sua trajetória integra conhecimento técnico e de estratégia de comunicação, com experiência em articulação institucional, produção de conteúdo, apoio a projetos de impacto e gestão de campanhas de comunicação. Mantém vínculo com a SPVS (Sociedade de Pesquisa em Vida Selvagem e Educação Ambiental), contribuindo para iniciativas relacionadas à conservação da Mata Atlântica e à produção de natureza.
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Para chegar a esse número, estão previstas iniciativas para recuperar a vegetação nativa, investimento em sistemas agroflorestais, além de ações em unidades de conservação, territórios indígenas, áreas de preservação permanente e bacias hidrográficas.
As metas LDN são compromissos voluntários que os países assumem para garantir aumento ou manutenção da quantidade de terras saudáveis e produtivas em seu território.
O Brasil usa como referência o ano de 2020, quando detinha 55,7 milhões de hectares com tendência à degradação. Ou seja, para cumprir o compromisso de neutralidade, precisa chegar em 2030 com, pelo menos, o mesmo número.
Também estão previstas ações de prevenção, conservação e manejo sustentável em outros 3,51 milhões de km². Assim, o número oficial das metas LDN é de 3,67 milhões de km², por incluir tanto a área de restauração quanto à de conservação.
O ministro do Meio Ambiente e Mudança do Clima, João Paulo Capobianco, disse que o Brasil tem sido proativo em favor da convenção, para que o grupo obtenha ainda mais capacidade de mobilizar os países.
"A cada dia que passa, crescem as áreas sujeitas à seca e à degradação da terra em vários países. Portanto, é uma ação decisiva de cooperação internacional contra a desertificação.”
A representante regional da UNCCD na América Latina e Caribe, Laura Meza, disse que a meta voluntária brasileira posiciona a América Latina como uma das regiões com o maior volume territorial de compromisso de sustentabilidade do solo do planeta. Os benefícios, segundo ela, alcançam diferentes dimensões. 
"Restaurar não tem apenas um impacto ambiental, tem impacto na agricultura e na restauração socioprodutiva. Não se pode separar esse impacto ambiental da vida das pessoas", disse Meza.
A diretora adjunta da Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO), Nora Barahona, disse que o país tem a responsabilidade de cumprir as metas e ser uma referência global.
“Precisamos do apoio do Brasil para apoiar outros países-membros, para construir uma solidariedade dentro da região e internacionalmente. Para que outros sigam o exemplo maravilhoso que vocês estão dando”, disse Nora.
Atraso
Dos 196 países membros da Convenção das Nações Unidas de Combate à Desertificação (UNCCD), 131 comprometeram-se a estabelecer metas de LDN, entre eles, o Brasil. Mas a apresentação oficial do país veio com quase 10 anos de atraso.
O conceito de LDN foi oficialmente formalizado pela ONU em 2015, e o processo de recebimento das metas dos governos nacionais começou em 2017.
O Brasil instituiu em 2015 a Política Nacional de Combate à Desertificação e Mitigação dos Efeitos da Seca por meio da Lei nº 13.153. Nesse contexto, foi criada a Comissão Nacional de Combate à Desertificação (CNCD). 
No ano seguinte, ela ficou inativa e foi extinta em 2019. A comissão foi retomada e reorganizada em 2024, por meio do Decreto nº 11.932.
*O repórter viajou para a Mongólia a convite da Convenção das Nações Unidas de Combate à Desertificação (UNCCD), após seleção entre jornalistas de diversos continentes.
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Produzidos por bactérias e arqueas como reservas de carbono e energia, esses compostos, conhecidos como polihidroxialcanoatos (PHAs), são a base dos bioplásticos modernos. Até a publicação deste estudo na revista Nature Ecology &amp; Evolution, a ciência presumia que apenas os próprios microrganismos possuíam as ferramentas biológicas para quebrar essas moléculas.
A investigação teve início com a análise de um organismo bastante peculiar: o Olavius algarvensis, um pequeno verme marinho que não possui boca nem sistema digestivo. Para sobreviver, ele depende de bactérias simbióticas que habitam sob sua pele. 
Os pesquisadores notaram que essas bactérias armazenam enormes quantidades de carbono na forma de PHA. Ao investigar como o verme se nutria, a equipe identificou uma enzima que permite ao animal quebrar esse bioplástico microbiano em moléculas menores, utilizando-o como uma rica fonte de energia.
O que inicialmente parecia ser uma adaptação evolutiva exclusiva desse verme marinho revelou-se uma característica amplamente distribuída na natureza. Ao mapearem os genomas de outros animais, os cientistas encontraram enzimas relacionadas à degradação de PHA em mais de 66 espécies pertencentes a nove filos diferentes. Testes práticos de laboratório confirmaram que enzimas de animais com parentesco muito distante — incluindo esponjas do mar, estrelas-do-mar e minhocas terrestres — também são perfeitamente capazes de digerir os PHAs.
Com a crescente demanda da indústria por alternativas ecológicas aos plásticos convencionais, os PHAs têm ganhado destaque devido à sua alta circularidade biológica. A descoberta de que animais aquáticos e terrestres vêm se alimentando dessas reservas microbianas de forma silenciosa há centenas de milhões de anos revela uma via alimentar e de reciclagem natural até então totalmente ignorada pela ciência.
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A Amazônia abriga a maior diversidade de peixes migratórios e de megafauna de água doce do mundo. Esses organismos dependem da conectividade entre rios, lagos e áreas alagadas para completar seus ciclos de vida, desempenhando funções essenciais para o equilíbrio dos ecossistemas. Por isso, a degradação desses ambientes afeta processos ecológicos de escala continental, como a dispersão de sementes e a manutenção da biodiversidade.
A pesca continua sendo um dos pilares da vida amazônica. Cerca de 95% da pesca de água doce é realizada em pequena escala, enquanto aproximadamente 75% das comunidades dependem desse recurso para alimentação. Trata-se de uma atividade que combina conservação ambiental, geração de renda, segurança alimentar e identidade cultural.
Apesar da relevância, a gestão pesqueira enfrenta um grande desafio: a escassez de informações consistentes. O Brasil ainda não dispõe de um sistema contínuo e integrado de monitoramento capaz de acompanhar a dinâmica dos estoques pesqueiros em uma bacia da dimensão amazônica. Dados permanecem dispersos entre universidades, organizações da sociedade civil e iniciativas locais, dificultando análises em larga escala e reduzindo a capacidade do poder público de formular políticas baseadas em evidências. Sem informação confiável, é mais difícil definir períodos de defeso, estabelecer tamanhos mínimos de captura, identificar áreas críticas para reprodução ou avaliar os impactos das mudanças ambientais sobre as populações de peixes.
Parte significativa das informações necessárias para preencher essa lacuna já existe. Ela está distribuída entre pescadores artesanais, ribeirinhos e povos indígenas que acompanham diariamente o comportamento dos rios, conhecem os ciclos das espécies e observam mudanças ambientais que muitas vezes levam anos para aparecer em levantamentos científicos convencionais. O desafio, portanto, é incorporar esse conhecimento aos sistemas formais de gestão.
Experiências desenvolvidas em diferentes regiões da Amazônia mostram que isso é possível. Em Manicoré, no Amazonas, protocolos comunitários de monitoramento vêm transformando observações locais em metodologias capazes de apoiar decisões públicas. O resultado é a ampliação da capacidade de gestão de territórios extensos e complexos a custos significativamente menores do que aqueles exigidos por sistemas convencionais de monitoramento.

A mesma lógica também ajuda a explicar o sucesso dos acordos de pesca construídos pelas comunidades. Esses instrumentos representam uma forma de governança baseada na participação direta daqueles que dependem dos rios para viver. Quando as regras de manejo são elaboradas coletivamente e reconhecidas pelo poder público, aumentam as chances de cumprimento, reduzem-se conflitos e fortalecem-se os resultados de conservação.
O mesmo princípio vem orientando iniciativas desenvolvidas com povos indígenas. A inclusão da gestão da pesca e da conservação da água doce nos Planos de Vida fortalece a autonomia territorial ao mesmo tempo em que amplia oportunidades de acesso direto a mecanismos de financiamento para conservação. Essa abordagem demonstra que a proteção da biodiversidade produz resultados duradouros quando parte das prioridades definidas pelas próprias comunidades, integrando segurança alimentar, fortalecimento cultural, conservação ambiental e desenvolvimento local.
A necessidade de ampliar essa visão torna-se ainda mais evidente quando observamos espécies migratórias, como os grandes bagres amazônicos. Algumas espécies percorrem milhares de quilômetros entre diferentes países ao longo de seu ciclo de vida. Sua conservação depende da capacidade do Brasil, Peru, Equador e Bolívia construírem mecanismos conjuntos de monitoramento, compartilhamento de informações e gestão dos rios. O Plano de Ação para Bagres Migratórios, apresentado na Convenção sobre Espécies Migratórias em Foz do Iguaçu, representa um passo importante nessa direção e evidencia que conservar a pesca exige cooperação internacional na mesma escala em que os próprios ecossistemas funcionam.
 Em setembro, será lançada a publicação Amazon Forgotten Fishes, dedicada aos peixes amazônicos e desenvolvida por dezenas de especialistas de mais de 30 instituições, entre universidades, centros de pesquisa, organizações da sociedade civil e órgãos públicos de diferentes países amazônicos. A publicação sintetiza o conhecimento científico disponível sobre a biodiversidade de peixes da Amazônia e propõe uma agenda para sua conservação, evidenciando que proteger esses ecossistemas deixou de ser um desafio regional para se tornar uma prioridade global. 
Entretanto, produzir conhecimento, por si só, não conservará a água doce e seus recursos associados. Essa informação precisa chegar às políticas públicas, orientar decisões de manejo e fortalecer as formas de governança já construídas por comunidades tradicionais e povos indígenas ao longo de décadas.
Na Amazônia, conservar a pesca artesanal vai muito além da gestão de estoques pesqueiros. Significa preservar a conectividade dos rios, fortalecer a segurança alimentar, reconhecer o protagonismo e o direito das comunidades e proteger processos ecológicos fundamentais para um dos maiores sistemas de água doce do planeta. Por isso, a pesca artesanal deve ser reconhecida como uma das estratégias mais completas para conservar a Amazônia.
Sobre a autora
Lucilene Amaral é coordenadora de Conservação Baseada em Comunidades da TNC Brasil.  </description>  <media:content url="https://s2-umsoplaneta.glbimg.com/hZBIN9oLFclm--LQLUzGTKuFKks=/i.s3.glbimg.com/v1/AUTH_7d5b9b5029304d27b7ef8a7f28b4d70f/internal_photos/bs/2022/Z/b/o6xoaeShiAAnkmoC04RA/260310280-5196183783743391-3318349539301128302-n.jpg" medium="image"/>   <media:description>Pesca artesanal</media:description>   <media:credit>Bernardo Oliveira</media:credit>  <category>umsoplaneta</category> <pubDate>Tue, 25 Aug 2026 10:11:15 -0000</pubDate>  </item>  <item> <title>Startup transforma lixo orgânico em crédito de carbono e mira redução imediata de metano</title>  <atom:subtitle>Com modelo que remunera toda a cadeia de reciclagem, a Carrot atua como uma "camada tecnológica" para comprovar a destinação correta de resíduos e combater um dos gases mais poluentes do planeta.</atom:subtitle>  <link>https://umsoplaneta.globo.com/financas/oportunidades-verdes/noticia/2026/08/25/startup-transforma-lixo-organico-em-credito-de-carbono-e-mira-reducao-imediata-de-metano.ghtml</link> <guid isPermaLink="true">https://umsoplaneta.globo.com/financas/oportunidades-verdes/noticia/2026/08/25/startup-transforma-lixo-organico-em-credito-de-carbono-e-mira-reducao-imediata-de-metano.ghtml</guid> <description>  <![CDATA[ <img src="https://s2-umsoplaneta.glbimg.com/6e6C5NLPi7BPzL_tTyytHhfqneA=/i.s3.glbimg.com/v1/AUTH_7d5b9b5029304d27b7ef8a7f28b4d70f/internal_photos/bs/2026/E/v/VG4HFbR5iiA7ZaCpmauA/carrot-ecoadubos-3.jpg" /><br /> ]]>    Enquanto o mundo busca soluções para a crise climática por meio da transição energética, reflorestamento e financiamento climático, uma startup aposta em uma frente com impacto quase imediato: o lixo orgânico. A Carrot, empresa que atua na união entre a economia circular e o mercado financeiro verde, estruturou um modelo de negócios capaz de transformar restos de alimentos em "créditos ambientais", combatendo diretamente as emissões de metano, que tem sido o grande vilão do aquecimento global.
O gás, gerado pelo apodrecimento do lixo em aterros sanitários sem oxigênio, é um dos maiores causadores do efeito estufa. Apesar do potencial poluidor, o descarte em aterros continua sendo a prática dominante porque ainda é a opção economicamente mais viável em comparação com a recuperação do material.
Esses resíduos orgânicos são responsáveis por cerca de 25% das emissões de metano globalmente. No Brasil, foram emitidos 21 milhões de toneladas apenas em 2024. conforme dados do Sistema de Estimativas de Emissões e Remoções de Gases de Efeito Estufa (SEEG), rede ligada ao Observatório do Clima.
Trabalhadores separando resíduos
Divulgação/Carrot
O "segredo" da separação na fonte
A solução proposta pela Carrot ataca a raiz do problema ao alterar a equação econômica que hoje favorece os lixões. A startup cria receita a partir da mitigação do metano, emitindo créditos de carbono e créditos de reciclagem. Esses ativos tornam os processos de compostagem e biodigestão viáveis financeiramente.
O gás é gerado quando o lixo orgânico apodrece sem oxigênio nos aterros sanitários. A Carrot evita a emissão conectando e desviando os resíduos para operações de compostagem ou biogás, onde o material tem uma destinação mais adequada. A quantidade de metano que deixa de ser emitida é então calculada e transformada em crédito de emissão evitada.
"O problema hoje do resíduo sólido é que, quando ele mistura, acabou, ninguém vai pagar para limpar resíduo. O grande segredo para a economia circular é separar o resíduo orgânico e os recicláveis. Se você separa isso, você potencializa toda uma nova economia que hoje não existe", diz Ian McKee, CEO da Carrot.
Além de evitar as emissões, a separação na origem resolve um problema crônico da reciclagem no Brasil. Ao eliminar o lixo orgânico, impede-se a contaminação de materiais como plástico e alumínio, melhorando drasticamente as condições sanitárias e a segurança dos trabalhadores nas cooperativas.

A urgência do metano
Diferentemente do gás carbônico, o metano permanece na atmosfera por um período mais curto, cerca de 12 anos, porém o potencial de aquecimento global é muito maior. Por isso, a redução imediata de suas emissões é vista como uma das estratégias mais eficazes para frear o aquecimento a curto prazo.
"Quando você planta uma floresta, ela leva décadas para capturar o carbono. No metano, você para de emitir nesse minuto", explica McKee. "Você vê pouca ação no óleo e gás porque politicamente é muito difícil. E no agro é mais difícil ainda. O que sobra? Resíduos sólidos. É a grande oportunidade da gente desenvolver uma indústria nova".
Impacto na prática e tecnologia
O modelo de negócios já colhe resultados expressivos. Atualmente, a Carrot atua em quatro operações de compostagem no Brasil, mitigando mais de 30 mil toneladas de CO2 equivalentes por mês. A iniciativa possui um forte viés social para além do ambiental: após os créditos serem vendidos, o valor é dividido e distribuído por toda a cadeia: 80% do valor é fica para os participantes da operação logística (o gerador de lixo, transportador, catador e os trabalhadores do pátio de compostagem) e os outros 20% vão para a Carrot.
Os principais clientes da operação são empresas com metas gerais de descarbonização (crédito de carbono) e, principalmente, empresas do setor alimentar (como supermercados e varejo) que precisam compensar o lixo orgânico que geram para cumprir regras futuras de logística reversa e Responsabilidade Estendida do Produtor (REP).
Na prática, a Carrot não opera caminhões nem pátios de compostagem. A empresa funciona como uma camada tecnológica que conecta, rastreia e valida toda a cadeia logística. "A nossa responsabilidade é garantir que o impacto ambiental aconteceu no mundo físico, validá-lo e trazer esse capital catalítico para os projetos", diz Mckee.
O movimento da startup se antecipa a uma regulação crescente. No futuro, empresas como redes de varejo e supermercados precisarão comprovar suas iniciativas de economia circular para resíduos orgânicos por meio da Responsabilidade Estendida do Produtor (REP).
Com as negociações climáticas avançando para incluir a meta de Zero Waste (lixo zero) em eventos como a Conferência das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas deste ano (COP 31), que ocorre na Turquia, a expectativa da Carrot é expandir rapidamente. Com mais 20 projetos em negociação, a empresa estima atingir a marca de 200 mil toneladas de mitigação anual de metano a partir de 2026, comprovando que é possível unir descarbonização e rentabilidade.
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The draft regulation released for public consultation by the federal government establishes an initial cap of 50 million tonnes of carbon dioxide equivalent for such transfers. It also provides for public calls to select projects and agreements with purchasing countries. These are important safeguards. The problem lies in preventing reductions achieved through the end of this decade from receiving the authorization required for international use.
This authorization is known as a corresponding adjustment. When Brazil allows an emission reduction to be transferred as an ITMO (Internationally Transferred Mitigation Outcome), the purchasing country may count it toward its climate target. To avoid double counting, Brazil no longer counts that same tonne toward the achievement of its own NDC (Nationally Determined Contribution).
This is an essential rule for preserving the integrity of the Paris Agreement. It does not mean, however, that every voluntary carbon credit should automatically become an ITMO. It simply means that high-integrity private-sector projects should have a regulated and selective pathway to request government authorization.
The government's concern is legitimate. It fears authorizing too many transfers only to discover later that it has given away emission reductions needed to meet its own target. A corresponding adjustment carries an opportunity cost. The appropriate response, however, is to manage that cost—not to shut the market until 2031.

Carbon Credits Do Not Undermine the NDC
The scale proposed by the government itself helps put the risk into perspective. Spread over the five years between 2031 and 2035, the proposed 50 million tonnes would amount to an average of 10 million tonnes per year. That represents less than 0.5% of Brazil's gross emissions in 2024 and approximately 0.02% of global emissions in that year. This is not a volume capable, by itself, of jeopardizing Brazil's NDC. The real question is how to manage a relatively small share of emissions in order to attract investments that are currently unavailable.
This discussion is particularly relevant in Brazil. In 2024, land-use change—dominated by deforestation—accounted for 42% of the country's gross emissions. SEEG (Greenhouse Gas Emissions and Removals Estimation System) also estimated an additional 241 million tonnes of emissions from forest fires, reported separately. While many countries must focus primarily on replacing power plants, vehicles, or industrial processes, a central part of Brazil's challenge is preventing trees from being cut down or burned.
High-integrity forest carbon projects operate precisely on this front. They finance satellite monitoring, field patrols, wildfire brigades, environmental compliance, economic alternatives to deforestation, and social programs. They also compensate Indigenous Peoples, traditional communities, and rural landowners for conserving forests, transforming an environmental asset into a legitimate source of income.
When a credit receives a corresponding adjustment, the right to count that tonne is transferred abroad. But the actual emission reduction occurs physically in Brazil. The forest remains here. The protected biodiversity, jobs, community income, tax revenues, and infrastructure to prevent deforestation also remain in the country.
For that reason, the proper comparison is not simply between the tonne counted by Brazil and the tonne transferred to the buyer. It is between a scenario in which foreign investment enables an additional project and another in which that project may never be implemented. Without financing, Brazil may preserve an emission reduction on paper that, in practice, never materializes.
Competing Countries Are Benefiting
Other countries have recognized that protecting an NDC does not require banning international transfers. It requires rules. The examples below come from countries that do not necessarily have the same level of regulatory maturity or an economy as large and complex as Brazil's. Even so, they provide useful benchmarks.
Peru regulated its National Registry of Mitigation Measures (Renami) in 2024 and already has Article 6 implementation agreements with Switzerland and Singapore. In February 2026, it approved its first program: Tuki Wasi, which will install more than 60,000 efficient cookstoves in rural areas and reduce 726,000 tonnes of emissions between 2021 and 2030. This example is especially relevant because it shows that Peru did not wait until the next decade to recognize mitigation outcomes generated during the current NDC period.
Chile established rules governing authorization, verification, transfer, and corresponding adjustments and has already approved its first project in cooperation with Switzerland. Authorization was made conditional on demonstrating that the emission reductions were additional to Chile's existing commitments. Rather than assuming that every transfer threatens its NDC, the Chilean government evaluates projects individually and authorizes those that generate additional mitigation and investment. The bilateral agreement covers projects developed through 2030.
Thailand adopted a quantitative solution. It limited international transfers to an additional volume equivalent to 3% of its emissions under the reference scenario—up to 16.65 million tonnes—and required that at least 10% of accumulated credits be retained throughout the period. This reserve serves as a safeguard against double counting and risks to the national target. Thailand has already authorized projects involving electric buses, solar power, and energy infrastructure.
Ghana has perhaps developed the most comprehensive model. The country has its own registry, a procedure for authorizing voluntary market projects, and a corresponding adjustment levy designed to compensate for the cost imposed on the NDC. Up to 10% of the proceeds may be used to cover administrative expenses, while the remaining 90% must finance additional mitigation activities. In addition, 1% of authorized mitigation outcomes is retained in a security account to reduce the risk of excessive authorizations. In other words, Ghana does not view the sale of an ITMO as necessarily weakening its climate target; instead, it uses part of the proceeds to generate additional emission reductions.
Indonesia offers another important lesson. After suspending international transactions for four years, the country reopened its market in 2025. The new regulation allows trading under the national standard, UN rules, or recognized international standards, supported by an integrated registry to prevent double counting. In 2026, Indonesia issued specific rules for forest-sector credits and is working to integrate its registry with international systems.
Colombia and the Democratic Republic of the Congo do not yet have ITMO systems as mature as those of Ghana or Thailand. Both, however, are moving quickly. Colombia has released broader carbon market regulations for public consultation and is already assessing ITMO sales between 2026 and 2030, including the possibility of charging a fee and reinvesting the proceeds in additional mitigation.
The Democratic Republic of the Congo submitted legislation to Parliament in July to expand regulation of its carbon market while maintaining dedicated REDD+ frameworks. Neither country has yet appeared on the UN list of Article 6.2 participants that have submitted their initial reports. Their actions nevertheless demonstrate that competition for climate finance is intensifying.
Brazil can protect its NDC without waiting until 2031. It can authorize mitigation outcomes generated during this decade, adopt a revisable annual cap, establish a list of eligible activities, require additionality beyond already funded public policies, and maintain a reserve to guard against excessive authorizations.
It could also impose a fee proportional to the opportunity cost of the corresponding adjustment and earmark those revenues for combating deforestation, strengthening enforcement, improving the national monitoring system, and financing additional mitigation activities that remain within Brazil's own carbon accounting. In this way, every tonne transferred would help finance additional tonnes toward meeting Brazil's NDC.
The government should also require robust methodologies, full traceability, environmental and social safeguards, community consent, and transparent benefit-sharing rules. The responsible approach is not to authorize every credit, but to select those that genuinely increase mitigation, mobilize new capital, and generate demonstrable public benefits.
By postponing any possibility of corresponding adjustments, Brazil freezes more than an accounting mechanism. It freezes investment decisions, hiring, monitoring systems, and long-term agreements with communities and landowners. Buyers that need to sign contracts today will not wait five years. They will choose countries that already offer regulatory certainty.
A corresponding adjustment should not be viewed as a concession Brazil makes to wealthy countries. It can instead serve as a mechanism to convert international capital into conservation, income generation, and permanent emissions-reduction capacity.
The real risk is not transferring a small and carefully managed share of mitigation outcomes. It is losing entire projects, leaving communities without income, and allowing resources intended to protect forests to flow to countries that have more quickly understood how to safeguard their climate targets without closing the door to international cooperation.
Brazil does not have to choose between meeting its NDC and participating in the international carbon market. With sound rules, it can do both—and achieve greater emissions reductions than it could on its own.  </description>  <media:content url="https://s2-umsoplaneta.glbimg.com/_I4FbgxNIzN-G1lTUmwyNHpfR0Q=/i.s3.glbimg.com/v1/AUTH_7d5b9b5029304d27b7ef8a7f28b4d70f/internal_photos/bs/2026/q/O/qehjSzRUmKp4PNGjuFxw/gettyimages-2159480414.jpg" medium="image"/>    <media:credit>Getty Images</media:credit>  <category>umsoplaneta</category> <pubDate>Mon, 24 Aug 2026 22:47:30 -0000</pubDate>  </item>  <item> <title>COP17 entra em semana decisiva com missão de destravar financiamento</title>  <atom:subtitle>Recursos para restaurar solo e combater seca estão abaixo da meta</atom:subtitle>  <link>https://umsoplaneta.globo.com/biodiversidade/noticia/2026/08/24/cop17-entra-em-semana-decisiva-com-missao-de-destravar-financiamento.ghtml</link> <guid isPermaLink="true">https://umsoplaneta.globo.com/biodiversidade/noticia/2026/08/24/cop17-entra-em-semana-decisiva-com-missao-de-destravar-financiamento.ghtml</guid> <description>  <![CDATA[ <img src="https://s2-umsoplaneta.glbimg.com/OsaRtLr7GVrXPWA6SnbSz-xiIfA=/i.s3.glbimg.com/v1/AUTH_7d5b9b5029304d27b7ef8a7f28b4d70f/internal_photos/bs/2026/v/W/qPTGVSSiKuUfMWXSWjpg/captura-de-tela-2026-07-17-121945.png" /><br /> ]]>    A 17ª Conferência das Nações Unidas de Combate à Desertificação (COP17) entrou na última e decisiva semana de negociações em Ulaanbaatar, capital da Mongólia. Os próximos quatro dias do encontro serão divididos em eixos temáticos específicos para tentar acelerar acordos.
Nesta segunda-feira (24), o foco principal são as finanças. Delegações estão mobilizadas para tentar captar mais recursos destinados à restauração dos solos e combate à seca. Os investimentos anunciados durante o dia, no entanto, mostram que os objetivos ainda estão muito longe de ser alcançados.
Os novos recursos somam US$ 1,3 bilhão, mas o déficit anual estimado pelos especialistas das Nações Unidas é de US$ 278 bilhões por ano. 
A secretária executiva da Convenção das Nações Unidas de Combate à Desertificação (UNCCD, na sigla em inglês), Yasmine Fouad, fez um apelo para que setores público e privado se engajem no processo.
“Falamos de financiamento não para doar, mas para investir. Para mobilizar recursos que invistam nas pessoas, nas economias e na prevenção. Prevenção dos conflitos que vemos em muitas das nossas áreas de pastagem. Queremos levar a resolução para além das palavras no papel e implementá-la na vida das pessoas.”

Pastagens são prioridade
O maior anúncio econômico da COP17 envolve as pastagens, que ocupam mais da metade da superfície terrestre e são fundamentais para a subsistência de centenas de milhões de pessoas.
A Rangelands Flagship Initiative, lançada em parceria pelo governo da Mongólia e a UNCCD, reúne carteira de 45 projetos e está avaliada em US$ 1,2 bilhão. Segundo os organizadores, trata-se da maior mobilização financeira da história da Convenção voltada especificamente para esses ecossistemas.
A iniciativa pretende conservar, gerir de forma sustentável e restaurar pastagens e ecossistemas de terras secas em todo o mundo. O tema é central para a Mongólia, onde a conservação das estepes está diretamente ligada à sobrevivência de comunidades que dependem da criação de animais.
O especialista em economia ambiental do Mecanismo Global da UNCCD Pablo Munõz disse que o déficit financeiro exige novas formas de atuação. Entre as alternativas discutidas estão o uso de recursos públicos que reduzam riscos para investidores privados, garantias, capital de primeira perda, seguros e novos modelos de negócios.
“Reconhecemos a importância das doações e do financiamento concessional [em condições mais favoráveis que as de mercado], mas a escala necessária exige pensar de forma diferente.”
Atualmente, o setor privado responde por apenas cerca de 6% do financiamento global destinado à restauração de terras. Para tentar ampliar essa participação, a UNCCD anunciou uma rede de centros nacionais chamada Business4Land, voltada à aproximação entre empresas, governos e investidores.
A especialista em sustentabilidade no Mecanismo Global da UNCCD Sarah Toumi afirmou que empresas começam a enxergar que também sentirão os impactos ambientais.
“Eles precisam mudar suas práticas para sobreviver do ponto de vista econômico, porque a seca e a degradação do solo representam um risco econômico, não apenas ambiental. Então, precisam pensar em como investir para o bem próprio.”
Segundo ela, setores como agricultura, moda e alimentos dependem diretamente da saúde do solo e da disponibilidade de água. A ideia é que empresas passem a medir seus impactos sobre a terra e incluam a recuperação ambiental em suas estratégias de negócio.
Nova agenda para as secas
Outra aposta da COP17 é ampliar os recursos destinados à preparação para os períodos de seca. O Fundo Global para o Meio Ambiente (GEF, na sigla em inglês) anunciou a criação de um programa integrado para gestão de terras, com previsão inicial de US$ 140 milhões.
Da Amazônia à Europa, seca avança e movimenta debates na COP17. Rio seco no Semiárido Nordestino. Crédito: ASA / Divulgação
A iniciativa pretende auxiliar países a abandonar uma lógica baseada na resposta a emergências e investir mais em prevenção, monitoramento e planejamento, explica Ulrich Appel, representante do GEF.
“Isso ajudará os países a ter um planejamento rodoviário nacional mais robusto, soluções baseadas na natureza e investimentos que fortaleçam a resiliência antes que a seca se torne um desastre”, disse Ulrich.
*O repórter viajou para a Mongólia a convite da Convenção das Nações Unidas de Combate à Desertificação (UNCCD), após seleção entre jornalistas de diversos continentes.
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</title>  <atom:subtitle>Equipe de 16 pesquisadores inicia investigação de três semanas na Serra do Aracá, no Amazonas, para ampliar o conhecimento sobre a biodiversidade dos tepuis e sua história evolutiva</atom:subtitle>  <link>https://umsoplaneta.globo.com/biodiversidade/noticia/2026/08/24/expedicao-cientifica-busca-especies-desconhecidas-em-area-isolada-da-amazonia.ghtml</link> <guid isPermaLink="true">https://umsoplaneta.globo.com/biodiversidade/noticia/2026/08/24/expedicao-cientifica-busca-especies-desconhecidas-em-area-isolada-da-amazonia.ghtml</guid> <description>  <![CDATA[ <img src="https://s2-umsoplaneta.glbimg.com/avql2-zE-sl4jOk1q6vChf0rpv0=/i.s3.glbimg.com/v1/AUTH_7d5b9b5029304d27b7ef8a7f28b4d70f/internal_photos/bs/2026/Y/2/zK2wgjRAG5LAylfbzb9A/59032.jpg" /><br /> ]]>    No extremo norte da Amazônia brasileira, próximo à fronteira com a Venezuela, uma cadeia de montanhas com altitudes entre 1.300 e 1.700 metros abriga ecossistemas ainda praticamente desconhecidos pela ciência. É para esse ambiente de difícil acesso que uma equipe de 16 pesquisadores brasileiros embarca nesta segunda-feira (24), para uma expedição de três semanas à Serra do Aracá, no Amazonas. É o que conta reportagem da Agência Fapesp.
A missão é a terceira e última etapa de um projeto de mapeamento da biodiversidade das terras altas da Amazônia brasileira, financiado pela FAPESP com apoio do Exército Brasileiro. Depois de expedições ao Pico da Neblina, em 2017, e à Serra do Imeri, em 2022, os cientistas agora chegam ao terceiro ponto do estudo em busca de espécies ainda não descritas e de pistas sobre a história evolutiva dos organismos que vivem nos chamados tepuis — platôs de altitude com condições ambientais e climáticas muito diferentes das encontradas na floresta amazônica abaixo.
“A maior parte da baixa Amazônia está a menos de 100 metros de altitude e, embora ainda haja muito a ser estudado, a biodiversidade dessa área é relativamente bem conhecida. O mesmo não ocorre com a encontrada no topo dessas montanhas, por causa da dificuldade extrema de acesso”, afirma Miguel Trefaut Rodrigues, professor emérito do Instituto de Biociências da Universidade de São Paulo (IB-USP) e líder da expedição.
Segundo o pesquisador, pequenos grupos de botânicos e zoólogos já haviam coletado plantas e animais na Serra do Aracá, mas nunca haviam alcançado áreas tão isoladas quanto as que serão investigadas agora.
O trabalho será realizado dentro do Parque Estadual da Serra do Aracá, uma Unidade de Conservação de 1,8 milhão de hectares criada em 1990.

A escolha do Aracá tem ainda importância geológica e biogeográfica. A serra é formada pela Formação Roraima, com platôs de arenito de aproximadamente 2 bilhões de anos. Diferentemente do Imeri, onde a erosão expôs rochas de granito pré-cambriano, no Aracá o antigo arenito permanece preservado. 
Aracá também está na fronteira entre duas grandes províncias dos tepuis sul-americanos, uma a leste, representada pelo Monte Roraima, e outra a oeste, associada ao Pico da Neblina. Os dois lados apresentam grupos de animais distintos. Na região leste, por exemplo, são encontrados sapos do gênero Oryophrynella. Na área oeste, esses animais não ocorrem, sendo substituídos por espécies dos gêneros Metaphryniscus e por um novo gênero descoberto pela equipe.
Montanhas como “ilhas” de biodiversidade
Os tepuis do Aracá integram um complexo maior de montanhas conhecido como Tulu-Tuloi, nome adotado oficialmente para a expedição. O acesso será feito de helicóptero pelo Exército Brasileiro, a partir de uma base em Barcelos (AM), no rio Negro, a cerca de 220 quilômetros do local de acampamento.
As expectativas são alimentadas pelos resultados das duas expedições anteriores. No Pico da Neblina, os pesquisadores identificaram e descreveram duas famílias inteiramente novas de sapos e duas espécies de lagarto do gênero Riolama. Já na Serra do Imeri, encontraram uma nova espécie de ave , um achado raro na ornitologia moderna, além de novas espécies de sapos e um gênero inédito de caranguejo de água doce.
A nova expedição pretende também entender como a formação geológica dessas montanhas contribuiu para criar uma biodiversidade tão particular. Segundo Trefaut, o norte do Planalto das Guianas, onde estão o Pico da Neblina, o Imeri e o Aracá, permaneceu praticamente inalterado durante milhões de anos. A região, originalmente um grande platô contínuo, foi esculpida pela ação da água e dos ventos a partir do Cretáceo, entre 145 milhões e 66 milhões de anos atrás. A erosão abriu vales profundos e fragmentou o antigo platô em maciços isolados. O resultado foi uma espécie de isolamento biológico. Os tepuis passaram a funcionar como “ilhas de pedra” cercadas pela floresta de baixa altitude, favorecendo processos de especiação e o surgimento de espécies endêmicas.
“Aquela região é, ao mesmo tempo, um berço e um museu de espécies”, afirma Trefaut. Algumas espécies encontradas nesses ambientes têm parentes próximos apenas em outros sistemas montanhosos, como a Mata Atlântica e os Andes.
As pesquisas anteriores já encontraram evidências de que algumas dessas montanhas estiveram conectadas no passado. A comparação entre sapos coletados no Pico da Neblina e no Imeri revelou espécies irmãs, indicando uma conexão antiga entre as duas áreas.
O isolamento também produz um padrão diferente daquele observado em algumas montanhas da Mata Atlântica. Nas serras do Caparaó e do Itatiaia, por exemplo, as espécies que vivem nos campos de altitude descendem diretamente de organismos encontrados na floresta logo abaixo. Nos tepuis amazônicos, essa relação não é observada.  “Nos tepuis, tudo o que está lá em cima não tem nada a ver com a Amazônia que está embaixo. São padrões completamente distintos de biodiversidade”, diz o pesquisador.
DNA ambiental amplia busca por espécies
A equipe reúne especialistas em botânica, palinologia, répteis e anfíbios, aves, mamíferos, invertebrados e parasitologia. Além das técnicas tradicionais, os pesquisadores utilizarão DNA ambiental (eDNA) para identificar material genético de organismos presente no solo e na água.
A estratégia foi reforçada por uma experiência na Serra do Imeri. Durante aquela expedição, os pesquisadores coletaram um girino que parecia pertencer a uma espécie conhecida. A análise genética, porém, revelou uma espécie nova de sapo— mas nenhum indivíduo adulto havia sido encontrado.
“Por meio do DNA ambiental, poderemos coletar material genético de animais que não pegarmos em campo”, explica Trefaut.
A técnica poderá ajudar na identificação de anfíbios e outros animais difíceis de capturar e no levantamento da biodiversidade microscópica dos ecossistemas. Os pesquisadores pretendem detectar vírus e bactérias presentes nesses ambientes isolados.
A investigação incluirá ainda amostras de sangue e a coleta de endo e ectoparasitas dos animais capturados. A análise de patógenos, vetores e microrganismos deverá ajudar a compreender a saúde ecológica do ambiente e identificar agentes infecciosos nativos.
Gravadores autônomos serão deixados nos dois acampamentos para registrar vocalizações de animais difíceis de observar. Também serão realizados testes de preferência térmica em répteis e análises cromossômicas de roedores diretamente em campo.
O que as montanhas podem revelar sobre o clima
Para além da descoberta de novas espécies, os pesquisadores querem entender como as populações desses ambientes montanhosos mudaram ao longo de diferentes períodos climáticos.
O material coletado no Aracá será analisado em conjunto com as amostras obtidas no Pico da Neblina e no Imeri. A expectativa é reconstruir parte da história biogeográfica das montanhas amazônicas e compreender como populações de espécies se expandiram, encolheram ou permaneceram isoladas ao longo do tempo.
“Uma das perguntas que pretendemos ajudar a responder é o que aconteceu com a história demográfica dessas populações de espécies em latitudes muito diferentes de uma região não tropical. Queremos verificar se esse padrão é o mesmo”, afirma Trefaut.
Mais Lidas  </description>  <media:content url="https://s2-umsoplaneta.glbimg.com/avql2-zE-sl4jOk1q6vChf0rpv0=/i.s3.glbimg.com/v1/AUTH_7d5b9b5029304d27b7ef8a7f28b4d70f/internal_photos/bs/2026/Y/2/zK2wgjRAG5LAylfbzb9A/59032.jpg" medium="image"/>   <media:description>Imagem aérea da Serra do Aracá registrada em maio de 2026, durante sobrevoo para planejamento de expedição científica que vai investigar a biodiversidade da região</media:description>   <media:credit>Alexandre Percequillo</media:credit>  <category>umsoplaneta</category> <pubDate>Mon, 24 Aug 2026 17:30:51 -0000</pubDate>  </item>  <item> <title>Vírus letal reduz em 83% população de pererecas em reserva da Mata Atlântica</title>  <atom:subtitle>Estudo apoiado pela FAPESP relata o primeiro caso de morte em massa de anfíbios causada por ranavirose na América do Sul. Patógeno também afeta répteis e peixes</atom:subtitle>  <link>https://umsoplaneta.globo.com/biodiversidade/noticia/2026/08/24/virus-letal-reduz-em-83percent-populacao-de-pererecas-em-reserva-da-mata-atlantica.ghtml</link> <guid isPermaLink="true">https://umsoplaneta.globo.com/biodiversidade/noticia/2026/08/24/virus-letal-reduz-em-83percent-populacao-de-pererecas-em-reserva-da-mata-atlantica.ghtml</guid> <description>  <![CDATA[ <img src="https://s2-umsoplaneta.glbimg.com/ZOPZ8Pvu4hCbrGfTgMCKLrUIXCs=/i.s3.glbimg.com/v1/AUTH_7d5b9b5029304d27b7ef8a7f28b4d70f/internal_photos/bs/2026/W/j/sNotAyRDuVk9ozoFHEpA/materiandre-1-de-1-4.jpg" /><br /> ]]>    Um patógeno altamente letal está por trás da morte em massa de girinos e do rápido declínio populacional de anfíbios na Mata Atlântica. Um grupo de pesquisadores apoiado pela FAPESP comprovou, pela primeira vez na América do Sul, que surtos recorrentes de ranavirose provocaram uma queda de 83% na reprodução da perereca-macaco (Phyllomedusa distincta) em uma lagoa de Santa Catarina. A doença é causada por um vírus que afeta também répteis e peixes.
O estudo, publicado ontem (20/08) na revista Biodiversity and Conservation, fornece a primeira evidência robusta de que o ranavírus é capaz de causar o colapso de populações silvestres sul-americanas, um risco de extinção já documentado na Europa. Os dados revelam ainda que essa ameaça se torna mais grave em períodos secos, com a baixa umidade do ar favorecendo os surtos da doença.
O ranavírus é facilmente encontrado infectando rãs-touro (Aquarana catesbeiana) em criações comerciais ou na natureza, geralmente sem causar doença. Nas últimas décadas, porém, aumentaram os relatos de mortandades suspeitas – possivelmente desencadeadas por esse patógeno – de espécies nativas nas Américas do Sul e do Norte. Pesquisadores e ambientalistas temem que outros casos de morte em massa causados pelo vírus estejam ocorrendo sem que ninguém saiba.
Nos girinos, a infecção avança de forma rápida e devastadora, causando a destruição e a necrose de tecidos em órgãos vitais, como o fígado. Os sinais clínicos visíveis a olho nu incluem inchaço abdominal (edema), vermelhidão extrema, úlceras e múltiplas hemorragias, que podem ocorrer inclusive dentro dos olhos dos animais.
“Apesar de várias mortes suspeitas documentadas no continente americano, é a primeira vez que se comprova a ranavirose, por meio de análises dos tecidos [histológicas] dos fígados dos animais e [da análise] dos vírus isolados deles, como causa das mortes em uma espécie nativa”, conta Aline Fonseca, que realizou o trabalho como parte de seu doutorado na Universidade Federal do Paraná (UFPR).
Ao menos três surtos
O primeiro evento de mortandade na lagoa ocorreu em janeiro de 2024, seguido por dois outros, entre novembro de 2024 e janeiro de 2025 e entre novembro de 2025 e março de 2026. No total, foram encontrados 324 girinos mortos, sendo 315 de perereca-macaco e nove da perereca-de-pijama Boana bischoffi.
Em apenas uma lagoa de Santa Catarina, foram encontrados 324 girinos mortos entre 2024 e 2026, a imensa maioria confirmada como vítima de ranavirose
Germano Woehl Jr./Instituto Rã-Bugio
Entre as pererecas-macaco, 279 (88,6%) testaram positivo para o ranavírus, enquanto as pererecas-de-pijama infectadas foram oito (88,9%). A carga viral das pererecas-macaco foi considerada alta, com quase 10 bilhões de cópias do vírus por microlitro de amostra, enquanto nas pererecas-de-pijama esse valor foi de cerca de 2 bilhões. O número de pererecas-de-pijama mortas, no entanto, foi considerado pequeno para caracterizar uma mortandade em massa.
Para comprovar os sinais clínicos da doença, 13 girinos tiveram os fígados analisados por histologia, técnica que verifica danos aos tecidos e às células usando um microscópio. As lesões encontradas confirmaram o quadro severo da infecção.
As mortes ocorreram na Reserva Particular do Patrimônio Natural (RPPN) Santuário Rã-Bugio, no município de Guaramirim, em Santa Catarina.
O estudo integra o projeto “Da história natural à conservação dos anfíbios brasileiros”, apoiado pela FAPESP e coordenado por Luís Felipe Toledo, professor do Instituto de Biologia da Universidade Estadual de Campinas (IB-Unicamp). Também financiaram o trabalho o Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq), do Brasil, e o Ministério da Ciência, Inovação e Universidades da Espanha.
Declínio da população
Além de comprovar a ranavirose como causa das mortes, os pesquisadores compilaram dados do clima duas semanas antes e durante os eventos de mortandade, a fim de encontrar possíveis associações com os óbitos.
“Realizamos análises estatísticas que pudessem apontar mudanças ambientais e climáticas capazes de contribuir para as mortes, mas nenhum fator teve um peso tão significativo sobre o declínio da população como a ranavirose”, explica Karla Campião, professora da UFPR que orientou o doutorado de Fonseca e que obteve o financiamento do CNPq para o trabalho.
A constatação do declínio da população foi possível graças ao monitoramento contínuo da lagoa, realizado desde 1999 por Germano Woehl Jr. e Elza Nishimura Woehl, do Instituto Rã-Bugio para Conservação da Biodiversidade, que também assinam o estudo.
Diariamente no período reprodutivo, entre junho e fevereiro, são contadas quantas massas de ovos há em torno da lagoa. As massas são depositadas sobre folhas da vegetação, que são dobradas pela fêmea ao redor dos ovos, protegendo-os do ressecamento. Quando os ovos eclodem, os girinos caem diretamente na água (leia mais em: agencia.fapesp.br/37024).
No período de agosto de 2025 a fevereiro de 2026, logo depois das mortandades, o número de massas de ovos foi substancialmente menor do que nos mesmos meses entre 1999 e 2004. A partir dos dados, o declínio da população foi calculado em 83%.
Vírus presente
Ainda que nenhum fator ambiental sozinho possa ser relacionado de forma significativa com as mortes ao longo dos anos, os pesquisadores apontam um aumento abrupto de risco de surto quando a umidade cai de 90% para 65% duas semanas antes da mortandade.
“Provavelmente, o vírus está presente no ambiente o tempo todo, sem causar doença, mas a baixa umidade pode fazer com que ele aumente a própria replicação e cause um surto. É sabido ainda que o sistema imune dos anfíbios pode ficar comprometido em baixas taxas de umidade, o que facilita a infecção”, sugere Fonseca.
Além disso, menos água no lago faz com que os girinos fiquem concentrados numa área menor, facilitando a transmissão do vírus de um indivíduo para outro.
O monitoramento da lagoa do Santuário Rã-Bugio segue sendo realizado. No futuro, as pesquisadoras da UFPR pretendem coletar amostras em áreas próximas para verificar a prevalência do ranavírus.
“Esse vírus também pode ser uma grande ameaça para a conservação dos anfíbios. Há mais de uma década estamos estudando o fungo quitrídio [Batrachochytrium dendrobatidis] como causador de mortandades e extinções de anfíbios. Porém, este vírus, que já está espalhado pela Mata Atlântica, pode também estar fazendo o mesmo. Assim, precisamos aprofundar os estudos para entender o real perigo decorrente da presença do ranavírus”, diz Toledo, da Unicamp.
Além de buscar pelo vírus em animais na natureza, o pesquisador ressalta a importância de verificar anfíbios depositados em museus de zoologia, a fim de saber o impacto do ranavírus no passado.
Em um trabalho recente, seu grupo detectou que o fungo quitrídio infectava anfíbios brasileiros já em 1916, antes mesmo da introdução da rã-touro no país. Até então, a espécie invasora era dada como a mais provável fonte do ingresso do fungo no Brasil (leia mais em: agencia.fapesp.br/56323).
“Talvez o ranavírus também esteja aqui há muito tempo. Resta saber o que mudou para ele se tornar uma ameaça”, encerra Toledo.
O artigo Population decline of a leaf frog coincident with recurrent ranavirosis outbreaks in the Atlantic Forest pode ser lido em: link.springer.com/article/10.1007/s10531-026-03433-6.
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Na Região Sul, o céu fica com muitas nuvens em toda a região e o frio diminui ainda mais a partir do meio da manhã. As geadas ocorrem apenas nos pontos mais elevados de Santa Catarina e do Rio Grande do Sul.
A temperatura mínima não passa dos 14°C em Porto Alegre e a máxima é esperada em Curitiba, de 18°C.
No Centro-Oeste, a nebulosidade volta a aumentar em Mato Grosso do Sul, oeste e norte de Mato Grosso e no sul de Goiás. Nessas áreas, o céu fica com muitas nuvens. Nas demais áreas, o tempo permanece ensolarado, com poucas nuvens.
A temperatura mínima é de 14°C em Campo Grande. e a máxima será de 35°C em Cuiabá e em Goiânia.
Na Região Norte, são esperadas pancadas de chuva e trovoadas isoladas, com o retorno das instabilidades ao centro e oeste do Acre e continuidade no oeste e noroeste do Amazonas e em Roraima. Pode haver pancadas de chuva isoladas no nordeste do Acre e no centro do Amazonas.
A temperatura mínima esperada nas capitais é de 20°C e máxima de 38°C em Palmas.
No Nordeste, há previsão de chuvas isoladas entre o litoral da Bahia e o litoral leste do Rio Grande do Norte. O céu fica com muitas nuvens em toda a faixa leste da região.
Os termômetros marcam mínima de 21°C em Aracaju e a máxima chega aos 38°C em Teresina.
No Sudeste do país, a semana começa com aumento da nebulosidade e com chuva isolada entre o litoral norte de São Paulo, Rio de Janeiro, litoral sul do Espírito Santo e na região de divisa entre Minas Gerais e Rio de Janeiro. No centro e noroeste de Minas Gerais, o céu fica com poucas nuvens.
A temperatura mínima nas capitais é de 14°C em São Paulo e a máxima de 32°C em Belo Horizonte.
Mais Lidas  </description>  <media:content url="https://s2-umsoplaneta.glbimg.com/6LHaa0mL7lSi4Z3dGWwFLckDvLo=/i.s3.glbimg.com/v1/AUTH_7d5b9b5029304d27b7ef8a7f28b4d70f/internal_photos/bs/2026/p/u/rf0ztCRa2J5bQ1cSgo8A/pint1035.webp" medium="image"/>   <media:description>Pessoas passeando em parque</media:description>   <media:credit>Paulo Pinto/Agência Brasil</media:credit>  <category>umsoplaneta</category> <pubDate>Mon, 24 Aug 2026 16:07:28 -0000</pubDate>  </item>  <item> <title>O Brasil não pode deixar seus créditos de carbono para 2031</title>  <atom:subtitle>Enquanto outros países protegem suas metas climáticas com limites, reservas e taxas, não podemos adiar investimentos nem conservação e reduções de emissões</atom:subtitle>  <link>https://umsoplaneta.globo.com/opiniao/colunas-e-blogs/janaina-dallan/post/2026/08/o-brasil-nao-pode-deixar-seus-creditos-de-carbono-para-2031.ghtml</link> <guid isPermaLink="true">https://umsoplaneta.globo.com/opiniao/colunas-e-blogs/janaina-dallan/post/2026/08/o-brasil-nao-pode-deixar-seus-creditos-de-carbono-para-2031.ghtml</guid> <description>  <![CDATA[ <img src="https://s2-umsoplaneta.glbimg.com/w3a-DvUrEKq6WdpM60oRomICEOI=/i.s3.glbimg.com/v1/AUTH_7d5b9b5029304d27b7ef8a7f28b4d70f/internal_photos/bs/2023/j/A/SXkw1dRI2JkBh86vhEeA/gettyimages-1431927994-1-.jpg" /><br /> ]]>    Há decisões regulatórias que parecem prudentes no papel, mas podem produzir o resultado oposto ao desejado. É o risco que o Brasil corre ao propor que as transferências internacionais de créditos de carbono sejam permitidas apenas para reduções ou remoções de emissões geradas entre 2031 e 2035.
A minuta colocada em consulta pública pelo governo federal estabelece um limite inicial de 50 milhões de toneladas de dióxido de carbono equivalente para essas transferências. Prevê também chamadas públicas para selecionar projetos e acordos com os países compradores. São salvaguardas importantes. O problema é impedir que reduções produzidas até o fim desta década recebam a autorização necessária para serem usadas internacionalmente.
Essa autorização é conhecida como ajuste correspondente. Quando o Brasil permite que uma redução de emissões seja transferida como ITMO (sigla em inglês para Resultado de Mitigação Transferido Internacionalmente), o país comprador pode contabilizá-la em sua meta climática. Para evitar dupla contagem, o Brasil deixa de considerar aquela mesma tonelada no cumprimento de sua própria NDC (meta de redução de emissões).
É uma regra necessária para a integridade do Acordo de Paris. Mas não significa que todo crédito do mercado voluntário deva automaticamente se transformar em ITMO. Significa apenas que projetos privados de alta integridade devem ter uma rota regulada e seletiva para solicitar a autorização do governo.
A preocupação oficial é legítima. O governo teme autorizar transferências em excesso e, depois, descobrir que entregou a outros países reduções de que necessitava para cumprir sua própria meta. O ajuste correspondente tem um custo de oportunidade. A resposta, porém, deve ser administrar esse custo, e não fechar o mercado até 2031.
Créditos não comprometem NDC
A escala proposta pelo próprio governo ajuda a colocar o risco em perspectiva. Divididas pelos cinco anos entre 2031 e 2035, as 50 milhões de toneladas representariam uma média de 10 milhões de toneladas anuais. Isso equivale a menos de 0,5% das emissões brutas brasileiras de 2024 e a aproximadamente 0,02% das emissões globais daquele ano. Não estamos diante de uma parcela capaz, por si só, de comprometer a NDC brasileira. Estamos discutindo como administrar uma fração relativamente pequena das emissões para atrair investimentos que hoje não estão disponíveis.
Essa discussão é especialmente relevante no caso brasileiro. Em 2024, a mudança de uso da terra, dominada pelo desmatamento, respondeu por 42% das emissões brutas do país. O SEEG (Sistema de Estimativas de Emissões e Remoções de Gases de Efeito Estufa) calculou ainda 241 milhões de toneladas provenientes de incêndios florestais, medidas separadamente. Enquanto outros países precisam concentrar seus esforços principalmente na substituição de usinas, veículos ou processos industriais, uma parte central do desafio brasileiro consiste em evitar que árvores sejam derrubadas ou queimadas.

Projetos de carbono florestal de alta integridade atuam justamente nessa frente. Eles financiam monitoramento por satélite, rondas, brigadas contra incêndios, regularização ambiental, alternativas econômicas ao desmatamento e programas sociais. Também remuneram comunidades tradicionais e proprietários rurais pela conservação da floresta, transformando um ativo ambiental em fonte legítima de renda.
Quando um crédito recebe ajuste correspondente, o direito de contabilizar aquela tonelada é transferido para o exterior. Mas a redução da emissão ocorreu fisicamente no Brasil. A floresta continua aqui. A biodiversidade protegida, os empregos, a renda das comunidades, os impostos e a infraestrutura de prevenção ao desmatamento também permanecem no país.
Por isso, a comparação correta não é apenas entre a tonelada contabilizada pelo Brasil e a tonelada transferida ao comprador. Deve-se comparar um cenário no qual o investimento externo viabiliza um projeto adicional com outro no qual o projeto talvez não seja implantado. Sem o financiamento, o Brasil pode preservar na contabilidade uma redução que, na prática, jamais acontecerá.
Países concorrentes se beneficiam
Outros países entenderam que a proteção da NDC não exige a proibição das transferências. Exige regras. Os exemplos que seguem são de países que não têm necessariamente a mesma maturidade regulatória nem uma economia tão grande e complexa quanto a do Brasil. Mas servem de parâmetro para a nossa discussão.
O Peru regulamentou seu Registro Nacional de Medidas de Mitigação (Renami) em 2024 e já mantém acordos de implementação do Artigo 6 com Suíça e Singapura. Em fevereiro de 2026, aprovou seu primeiro programa: o Tuki Wasi, que prevê instalar mais de 60 mil fogões eficientes em áreas rurais e reduzir 726 mil toneladas entre 2021 e 2030. O exemplo é particularmente relevante porque mostra que o país não esperou a próxima década para reconhecer resultados gerados no atual período da NDC.
O Chile criou regras para autorização, verificação, transferência e aplicação do ajuste correspondente e já aprovou seu primeiro projeto em cooperação com a Suíça. A autorização foi condicionada à demonstração de que a redução era adicional aos compromissos já assumidos pelo Chile. Em vez de presumir que qualquer transferência ameaça sua NDC, o governo chileno avalia cada atividade e permite aquelas que trazem mitigação adicional e investimento. O acordo bilateral contempla projetos desenvolvidos até 2030.
A Tailândia adotou uma solução quantitativa. Limitou as transferências internacionais a um volume adicional equivalente a 3% de suas emissões no cenário de referência — até 16,65 milhões de toneladas — e determinou a retenção de pelo menos 10% dos créditos acumulados ao longo do período. Essa reserva funciona como proteção contra dupla contagem e riscos para a meta nacional. O país já relaciona projetos autorizados de ônibus elétricos, energia solar e infraestrutura energética.
Gana construiu talvez o modelo mais completo. O país possui registro próprio, procedimento para autorizar projetos do mercado voluntário e uma taxa de ajuste correspondente destinada a compensar o custo imposto à NDC. Até 10% da arrecadação pode cobrir despesas administrativas; os 90% restantes devem financiar novas ações de mitigação. Além disso, 1% dos resultados autorizados é retido em uma conta de segurança para reduzir o risco de autorizações excessivas. Em outras palavras, Gana não considera que vender um ITMO enfraqueça necessariamente sua meta: usa parte da receita da venda para produzir reduções adicionais.
A Indonésia também oferece uma advertência importante. Depois de suspender durante quatro anos as transações internacionais, o país reabriu o mercado em 2025. A nova regulamentação permite o comércio com base no padrão nacional, nas regras da ONU ou em padrões internacionais reconhecidos, com registro integrado para evitar dupla contagem. Em 2026, publicou regras específicas para os créditos do setor florestal e trabalha na integração de seu registro com sistemas internacionais.
Colômbia e República Democrática do Congo ainda não possuem sistemas de ITMOs tão maduros quanto os de Gana ou Tailândia. Mas ambas estão acelerando. A Colômbia colocou em consulta uma regulamentação mais ampla dos mercados de carbono e já estuda cenários de venda de ITMOs entre 2026 e 2030, incluindo a cobrança de uma taxa e a reinversão das receitas em novas reduções. 
A República Democrática do Congo enviou ao Parlamento, em julho, um projeto de lei para ampliar a regulação de seu mercado, ao mesmo tempo que mantém estruturas próprias para REDD+. Nenhum dos dois países aparece ainda na lista da ONU de participantes que apresentaram o relatório inicial do Artigo 6.2. Mas os movimentos mostram que a competição pelo financiamento climático está se intensificando.
O Brasil pode proteger sua NDC sem esperar até 2031. Pode autorizar resultados gerados ainda nesta década, adotar um limite anual revisável, criar uma lista de atividades elegíveis, exigir adicionalidade em relação às políticas públicas já financiadas e manter uma reserva contra o risco de autorizações excessivas.
Pode ainda cobrar uma taxa proporcional ao custo do ajuste correspondente e destinar essa receita ao combate ao desmatamento, à fiscalização, ao sistema nacional de monitoramento e a novas ações que permaneçam na contabilidade brasileira. Dessa forma, cada tonelada transferida ajudaria a financiar outras toneladas para o cumprimento da NDC.
O governo também deve exigir metodologias robustas, rastreabilidade, salvaguardas socioambientais, consentimento das comunidades e regras transparentes de repartição de benefícios. O caminho responsável não é autorizar qualquer crédito, mas selecionar os que efetivamente ampliam a mitigação, mobilizam capital novo e geram benefícios públicos demonstrávei
Ao postergar toda possibilidade de ajuste correspondente, o Brasil não congela apenas uma operação contábil. Congela decisões de investimento, contratação de equipes, implantação de sistemas de monitoramento e acordos de longo prazo com comunidades e proprietários. Compradores que precisam fechar contratos agora não esperarão cinco anos. Escolherão países que já oferecem previsibilidade.
O ajuste correspondente não deve ser tratado como uma concessão feita pelo Brasil aos países ricos. Ele pode ser um instrumento para transformar capital internacional em conservação, renda e capacidade permanente de redução de emissões.
O verdadeiro risco não é transferir uma parcela pequena e controlada dos resultados de mitigação. É perder projetos inteiros, deixar comunidades sem receita e permitir que o dinheiro destinado à proteção das florestas seja investido nos países que compreenderam mais rapidamente como proteger suas metas sem fechar as portas para a cooperação.
Não precisamos escolher entre cumprir a NDC e participar do mercado internacional. Com boas regras, podemos fazer as duas coisas — e produzir mais redução de emissões do que conseguiríamos isoladamente.
Sobre a autora
Janaina Dallan é engenheira florestal formada pela ESALQ/USP, com MBA em Economia Ambiental pelo Ibrades. É presidente da Carbonext, membro do Conselho da Aliança Brasil de Soluções Baseadas na Natureza, representante do setor na Comissão Nacional do REDD+ (CONAREDD), membro da equipe externa de especialistas da ONU para projetos de créditos de carbono (UNFCCC/RIT), do painel de especialistas do Integrity Council for Voluntary Carbon Markets e do fórum de stakeholders do VCMI (Voluntary Carbon Market Integrity)  </description>  <media:content url="https://s2-umsoplaneta.glbimg.com/w3a-DvUrEKq6WdpM60oRomICEOI=/i.s3.glbimg.com/v1/AUTH_7d5b9b5029304d27b7ef8a7f28b4d70f/internal_photos/bs/2023/j/A/SXkw1dRI2JkBh86vhEeA/gettyimages-1431927994-1-.jpg" medium="image"/>   <media:description>Imagem ilustrativa do conceito de crédito de carbono.</media:description>   <media:credit>GettyImages</media:credit>  <category>umsoplaneta</category> <pubDate>Mon, 24 Aug 2026 10:13:15 -0000</pubDate>  </item>  <item> <title>Dez anos depois, sociobioeconomia busca sair do nicho e chegar ao consumidor brasileiro</title>  <atom:subtitle>Para Luiz Brasil, gerente de Sociobioeconomia do Imaflora, agenda avançou em políticas públicas e na formação de um ecossistema, mas ainda precisa ampliar negócios e consumo para se consolidar como estratégia de desenvolvimento</atom:subtitle>  <link>https://umsoplaneta.globo.com/financas/negocios/noticia/2026/08/24/dez-anos-depois-sociobioeconomia-busca-sair-do-nicho-e-chegar-ao-consumidor-brasileiro.ghtml</link> <guid isPermaLink="true">https://umsoplaneta.globo.com/financas/negocios/noticia/2026/08/24/dez-anos-depois-sociobioeconomia-busca-sair-do-nicho-e-chegar-ao-consumidor-brasileiro.ghtml</guid> <description>  <![CDATA[ <img src="https://s2-umsoplaneta.glbimg.com/xDDEfnHWyQno_KKf5tDhjgMAQUU=/i.s3.glbimg.com/v1/AUTH_7d5b9b5029304d27b7ef8a7f28b4d70f/internal_photos/bs/2026/h/A/P6MUCnRNCHRiWR15DAow/origens-018.jpg" /><br /> ]]>    Há dez anos, o termo “sociobioeconomia” sequer fazia parte do vocabulário usado para descrever as atividades econômicas de povos indígenas e comunidades tradicionais na floresta. A expressão substituiu conceitos como “produtos florestais não madeireiros” e “produtos da sociobiodiversidade” e passou a incorporar uma dimensão central para o futuro da Amazônia: a economia gerada pela conservação da floresta.
Em entrevista ao Um Só Planeta durante o Encontrão Origens Brasil, em Belém, Luiz Brasi, gerente de sociobioeconomia do Imaflora (Instituto de Manejo e Certificação Florestal e Agrícola), avalia que a agenda avançou na última década, com maior conhecimento sobre os produtos da floresta, novas organizações e redes, além de políticas públicas voltadas à bioeconomia e ao pagamento por serviços ambientais. O próximo desafio, segundo ele, é transformar esse ecossistema em negócios capazes de chegar a mais consumidores e gerar uma mudança efetiva de consumo.
“É possível produzir e conservar a floresta por meio da extração de produtos que estão protegendo a floresta”, afirma.
A mudança de conceito é importante porque, na avaliação de Brasi, comunidades tradicionais e povos indígenas não devem ser vistos apenas como fornecedores de produtos e ingredientes. Ao manter a floresta em pé, eles também contribuem para serviços ecossistêmicos, como regulação das chuvas, qualidade do ar e temperatura.
“Essas comunidades não são apenas provedoras de produtos e ingredientes, elas também são provedoras de serviços”, diz.

Uma agenda que ganhou estrutura
Segundo Brasi, parte da evolução dos últimos dez anos ocorreu no campo institucional. Ele cita a criação de uma política específica de pagamento por serviços ambientais (PSA) no Brasi e da Secretaria Nacional de Bioeconomia como sinais de maior disposição do poder público para estruturar a agenda.
A política de PSA ainda está em fase de regulamentação, mas, para o gerente do Imaflora, a existência de uma legislação específica já representa uma mudança. O mesmo ocorre com a criação da Secretaria Nacional de Bioeconomia e a elaboração de planos nacionais para orientar a agenda e engajar a sociedade civil. 
Além do governo, Brasi cita a formação de um ecossistema que reúne organizações da sociedade civil, empresas, redes, iniciativas de aceleração e programas de impacto. Esse conjunto, diz, criou condições para que a sociobioeconomia avançasse para além de iniciativas isoladas. “O ecossistema está em construção.”
O momento atual, segundo ele, é de implementação. A próxima etapa seria fazer com que os produtos, ingredientes e serviços associados à conservação cheguem de forma mais clara ao consumidor.
Luiz Brasi, gerente de sociobioeconomia do Imaflora e coordena a iniciativa Origens Brasil, durante o Encontrão 2026, em Belém-PA
Cabron Studio
Da floresta ao consumidor
Para Brasi, o conhecimento do Brasieiro sobre a Amazônia e seus produtos aumentou nos últimos anos, mas ainda não o suficiente para provocar uma mudança mais ampla nos hábitos de consumo.
“A Amazônia é mais conhecida pelo brasileiro nesses últimos dez anos. Porém, apesar de conhecerem mais os produtos amazônicos, esse conhecimento ainda não se transforma em mudança de consumo", diz, se referindo à valorização sobre o trabalho mais custosa e que se traduz em um produto mais caro em relação ao convencional, que não é feito sociobioeconômico.
O mercado ainda depende, segundo ele, da iniciativa de um número restrito de empresas que conseguem comunicar ao consumidor a origem e os atributos desses produtos. A ampliação desse movimento dependeria de mais negócios compreenderem a viabilidade econômica da sociobioeconomia e conseguirem levar essa história para os centros urbanos.
A própria marca Origens Brasil seria um exemplo de que essa estratégia pode funcionar. Uma pesquisa realizada pela rede há cerca de quatro anos colocou a marca entre as três mais conhecidas de sustentabilidade no Brasi naquele momento, atrás do Selo Orgânico e do Amigos do Bem.
Para Brasi, o resultado mostrou que posicionar produtos da floresta por meio de empresas e conectá-los aos consumidores dos centros urbanos pode gerar reconhecimento. “Agora precisa de mais incentivo, mais desenvolvimento para que ela gere de fato um consumo mais ampliado e valorizado desses consumidores”, afirma.
O custo que ainda não aparece no preço
A dificuldade de ampliar esse mercado também está relacionada à estrutura de custos da produção na floresta. O Imaflora desenvolveu uma ferramenta para calcular o custo de produção da sociobioeconomia e começou a testá-la em campo.
Os primeiros resultados indicam que 70% do custo de um produto extraído da floresta correspondem à mão de obra. O cálculo considera o tempo dedicado pelas comunidades às etapas de pré-colheita, colheita e pós-colheita.
Esse trabalho, segundo Brasi, muitas vezes não é incorporado ao preço do produto. Entram na conta despesas como logística, alimentação, combustível e equipamentos, mas o tempo dedicado pela pessoa à atividade pode ficar de fora. “Como são comunidades tradicionais e povos indígenas, muitas vezes, esse tempo dessa mão de obra não é colocado no produto.”
O levantamento busca dar dimensão a um custo que, na avaliação do Imaflora, ajuda a explicar por que a economia da floresta enfrenta dificuldade para se sustentar apenas pela venda de produtos. Outro dado é que a diferença do custo de produção e do valor recebido pelo ingrediente e produto, é de 48%, evidenciando que "a conta não fecha". 
Uma das respostas em construção é reconhecer que a conservação da floresta também tem valor econômico. O Imaflora desenvolveu um mecanismo de pagamento por serviços ambientais adicional às transações comerciais da rede Origens Brasil. A iniciativa estabelece dois componentes: um pagamento de US$ 4 por hectare de floresta, alinhado ao parâmetro do TFFF (Tropical Forest Forever Facility), e um adicional de R$ 1 por quilo de produto. Para Brasi, o mecanismo ajuda a criar uma ponte entre o preço que o mercado consegue pagar pelo produto e o custo necessário para remunerar quem o produz.
O Imaflora já captou R$ 2,5 milhões para projetos-piloto e pagou R$ 350 mil em PSA a comunidades da rede. A questão, agora, é encontrar fontes capazes de sustentar esses mecanismos no médio e longo prazo. É nesse ponto que o executivo vê espaço para políticas públicas e instrumentos financeiros inovadores.
O desafio de fazer o dinheiro chegar à floresta
O financiamento continua sendo um dos principais obstáculos para ampliar a atividade. Brasi afirma que existem linhas de crédito voltadas à bioeconomia, mas que o problema está em fazer esses recursos chegarem às comunidades. Entre os obstáculos, ele cita a documentação necessária para acessar o crédito, questões fundiárias e a dificuldade de bancos dedicarem estrutura a operações de menor valor.
Uma das alternativas seria realizar um “mutirão” para regularizar os Cadastros de Atividade Familiar (CAF) das comunidades e facilitar o acesso a linhas como o Pronaf. Outra frente é a atuação de organizações como a Conexsus, que podem simplificar a chegada do crédito às comunidades.
Brasi também vê espaço para o chamado capital catalítico, usado para assumir parte do risco das primeiras perdas em operações financeiras. Segundo ele, experiências da rede mostram que esse tipo de recurso pode destravar volumes maiores de financiamento. Há cerca de três anos, R$ 100 mil em capital catalítico do Imaflora teriam destravado uma operação de R$ 600 mil. No último ano, R$ 350 mil teriam ajudado a destravar R$ 5 milhões em negociações. Os dados foram apresentados formalmente pela equipe do Imaflora durante o Encontrão.
O próximo passo é ganhar escala. Para Brasi, experiências como essas também servem para mostrar ao setor financeiro que é possível financiar negócios comunitários.  A estratégia do Imaflora é trabalhar a partir de uma abordagem territorial, e não apenas comunidade por comunidade. Para uma nova comunidade entrar na Origens Brasil, a rede faz um diagnóstico do território e avalia a existência de produção, ativos florestais conservados, cadeias estruturadas e instituições de apoio. Depois, entram as conexões de mercado, a facilitação do comércio ético, a rastreabilidade, a garantia de origem e mecanismos como crédito e PSA.
A lógica, segundo Brasi, é criar um ecossistema em torno dos territórios, com participação de organizações comunitárias, empresas, instituições de apoio, academia e políticas públicas. “Esse ecossistema de núcleos, dos territórios, vai ser chave para que o território se desenvolva”, afirma.
A consolidação dessa estrutura depende também, segundo Brasi, da continuidade das políticas públicas. Questionado sobre as eleições deste ano e os riscos de descontinuidade, ele disse que não há posicionamento político do Imaflora, mas defendeu que os avanços da agenda se tornem uma política de Estado, e não de governo. “É preciso continuidade nessas políticas. Para que se perenize como uma agenda de Estado, para que ele não seja uma agenda de governo.”
Brasi compara esse processo à escolha feita pelo país, décadas atrás, de desenvolver uma grande produção de grãos e commodities no Centro-Oeste. A estratégia permitiu estruturar uma importante atividade econômica, mas também trouxe consequências sociais e ambientais. Para ele, a sociobioeconomia exige hoje uma escolha de longo prazo semelhante, mas com outra lógica de desenvolvimento.
“Se a gente está fazendo uma agenda de escolha de Estado agora, a sociobioeconomia é uma agenda de futuro que vai gerar renda, impacto positivo para milhões de pessoas aqui no bioma amazônico, mas também nos outros biomas.”
Para que isso aconteça, afirma, é preciso segurança no médio e longo prazo. E o consumidor também teria um papel nesse processo. A intenção, segundo ele, não é apenas criar renda para as comunidades, mas aproximar os consumidores da floresta e fazer com que a sociobioeconomia seja entendida como parte de uma estratégia permanente de desenvolvimento econômico. 
“Não é apenas para gerar renda para as comunidades, mas é para que as pessoas se conectem com a floresta e entendam que isso tem que ser uma agenda de desenvolvimento econômico estável.”
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A possibilidade foi apresentada pelas pesquisadoras Toby Kiers e Burenjargal Otgonsuren, que lançaram o resultado de estudos recentes, durante encontro na Embaixada da França em Ulaanbaatar, Mongólia, no contexto da 17ª Conferência das Nações Unidas sobre Combate à Desertificação (COP17).
Conhecidos como fungos micorrízicos, por estabelecerem simbiose com raízes das plantas, esses organismos formam extensas redes no solo. Enquanto recebem carbono produzido pelas plantas durante a fotossíntese, ajudam-nas a obter água e nutrientes como fósforo e nitrogênio.
Pesquisadoras usam fungos para recuperar solo e conter crise climática.
Tomas Munita/SPUN
As redes também contribuem para agregar as partículas do solo, reduzir a erosão e aumentar a resistência das plantas à seca e a outros estresses ambientais.
A estratégia testada durante os estudos na Mongólia é simples: pequenas áreas de pastagem são cercadas para impedir temporariamente a entrada de animais e a ação humana.
Essas áreas protegidas podem funcionar como refúgios de biodiversidade subterrânea e, no futuro, como fontes de fungos locais para projetos de restauração de terras degradadas, explicou a bióloga evolucionista Toby Kiers, diretora-executiva da Society for the Protection of Underground Networks (SPUN).
“É como um banco de sementes, mas de fungos. Eles criam uma infraestrutura viva subterrânea que mantêm o solo unido. São como um sistema circulatório que conecta a vida acima e abaixo do solo.”
Um solo mais estável e com uma comunidade microbiana saudável oferece melhores condições para o retorno das plantas, que, por sua vez, alimentam novamente os fungos com carbono.
“É um ciclo. Você perde a diversidade de fungos, perde o carbono que está entrando no solo e perde parte da capacidade de manter o solo unido. Isso dificulta o crescimento das plantas e pode alimentar ainda mais a degradação”, disse Toby Kiers.
Pastagens em recuperação
A estratégia ainda está em fase experimental, com a liderança da pesquisadora local Burenjargal Otgonsuren. Ecóloga especializada em micorrizas (associação entre fungos e raízes das plantas), ela cresceu em uma região rural da província de Uvurkhangai e passou parte da infância acompanhando os avós, que eram pastores.
A experiência também influenciou sua escolha profissional. Ela contou que o avô conhecia as plantas das pastagens e sabia identificar aquelas associadas à qualidade do campo ou utilizadas para fins medicinais. “Tornei-me uma ecóloga que pode ajudar a tratar o planeta.”
A especialista instalou seis áreas cercadas em regiões de estepe e deserto para interromper temporariamente a pressão do pastoreio. Os primeiros resultados, obtidos em 2025, são promissores: a vegetação dentro das áreas protegidas já apresentava maior altura do que as plantas encontradas fora das cercas.
A pesquisadora pretende acompanhar os experimentos por pelo menos três anos. Entre as possibilidades futuras está a criação de corredores ou áreas de refúgio mais amplas para conservar os fungos.
Segundo Burenjargal Otgonsuren, pesquisas indicam que até 91% das pastagens degradadas da Mongólia poderiam ser recuperadas em algum grau. Para isso, porém, não basta replantar a vegetação.
“Para recuperar a pastagem, a questão mais importante é ter um solo saudável. E, quando falamos de solo saudável, precisamos também proteger a biodiversidade que vive dentro dele.”
Biodiversidade ainda desconhecida
A dimensão da biodiversidade encontrada nas estepes mongóis surpreendeu as pesquisadoras. Nas amostras coletadas, cerca de 90% das sequências de DNA fúngico analisadas pertenciam a espécies ainda desconhecidas pela ciência.
Foram identificadas 541 unidades taxonômicas associadas aos fungos micorrízicos apenas na região do Gobi. Parte desses organismos parece ser altamente adaptada às condições locais e pode não ocorrer em outras regiões do planeta.
Isso torna a conservação dos fungos locais particularmente importante. A ideia não é simplesmente transportar fungos de outras regiões para áreas degradadas. “Precisamos proteger essas espécies endêmicas e reproduzi-las nós mesmos para depois utilizá-las”, afirmou Otgonsuren.
Nova agenda de conservação
Para Toby Kiers, a descoberta reforça a necessidade de mudar a forma como políticas ambientais tratam a biodiversidade. Em geral, esforços de conservação se concentram em plantas e animais visíveis, enquanto os organismos subterrâneos permanecem fora das áreas prioritárias.
“Precisamos superar esse viés em favor do que está acima do solo e começar a proteger aquilo que não conseguimos ver.”
Segundo a pesquisadora, cerca de 90% dos hotspots de biodiversidade microbiana identificados pela SPUN estão fora de áreas protegidas. Ela defendeu que fungos passem a ser incorporados às políticas de combate à desertificação e aos instrumentos de monitoramento da degradação da terra.
A organização já trabalha com pesquisadores e comunidades locais em diferentes partes do mundo para mapear essas redes subterrâneas. A proposta é que o conhecimento produzido localmente seja incorporado a um atlas global e também às políticas públicas.
“Estamos convidando as pessoas a integrar os fungos às políticas”, ressaltou. “Eles são componentes vitais de como monitoramos e combatemos a desertificação”, completou.
*O repórter viajou para a Mongólia a convite da Convenção das Nações Unidas de Combate à Desertificação (UNCCD), após seleção entre jornalistas de diversos continentes.
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O aquecimento anômalo das águas superficiais, que atualmente já supera os 2ºC acima da média histórica, pode ultrapassar a assustadora marca dos 3ºC até o final deste ano. Especialistas britânicos e norte-americanos classificam a situação como "sem precedentes", alertando que a imensa quantidade de calor transferida do oceano para a atmosfera, somada ao contínuo avanço das mudanças climáticas causadas pela ação humana, torna "muito provável" que 2027 desbanque 2024 e se consagre como o ano mais quente já registrado no planeta.
Atualmente, os cientistas identificaram uma reserva de calor gigantesca nas profundezas oceânicas, com bolsões chegando a 8ºC acima do normal a 100 metros de profundidade, o que serve como um forte combustível para intensificar o evento. Os impactos dessa alteração na circulação global dos ventos já começaram a ser sentidos: as monções na Ásia estão severamente enfraquecidas e a atividade de furacões no Atlântico caiu drasticamente. Em contrapartida, há alertas iminentes para secas severas na Austrália, inundações catastróficas em países como Peru e Equador, e um risco crescente de insegurança alimentar em regiões vulneráveis, conforme alertado pela Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO).
No Brasil, o pico do fenômeno está previsto para os meses de outubro e novembro. Segundo o Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet) e o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), o El Niño tem impulsionado um calor atípico em quase todo o país. Essa dinâmica agrava severamente a seca e potencializa o risco de grandes queimadas nas regiões Norte e Nordeste. Em contraste, a Região Sul lida com precipitações contínuas e volumosas, cenário de caos que recentemente foi agravado pela passagem de um ciclone-bomba, cujos ventos ultrapassaram os 120 km/h, deixando um rastro de destruição pelo Sul e Sudeste.
Diante da magnitude sem precedentes dos dados coletados, a comunidade científica trabalha com cenários alarmantes. Enquanto as projeções oficiais do Met Office indicam um aquecimento oceânico de até 3ºC, outras equipes independentes de pesquisa climática não descartam que a anomalia atinja picos de 4ºC acima da média. 
Pesquisadores de instituições como o Berkeley Earth, nos Estados Unidos, observam que as características energéticas deste evento o colocam como um potencial recordista absoluto. Embora seja impossível aferir com precisão instrumental as temperaturas de séculos distantes, os climatologistas advertem que a Terra pode estar na rota do El Niño mais destrutivo dos últimos 500 ou até mil anos, arrastando o clima global para um território totalmente desconhecido.
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Uma decisão política dos anos 1990
As três convenções nasceram do mesmo evento, a Rio-92, realizada no Rio de Janeiro em 1992. Ali, tomou-se a decisão política de tratar clima, biodiversidade e desertificação por meio de tratados internacionais independentes. Nasceram assim a Convenção-Quadro das Nações Unidas sobre Mudança do Clima (UNFCCC) e a Convenção sobre Diversidade Biológica (CDB), ambas assinadas naquele ano, e a Convenção das Nações Unidas de Combate à Desertificação (UNCCD), concluída dois anos depois, em 1994.
Essa fragmentação trouxe um custo real. Cada convenção passou a ter sua própria governança, seu próprio calendário de negociação, seus próprios mecanismos de financiamento e, principalmente, sua própria comunidade de negociadores, cientistas e diplomatas. Isso dificulta a integração de soluções. Um país pode apresentar avanços em sua meta climática (a NDC) sem que isso dialogue automaticamente com sua estratégia nacional de biodiversidade ou com seu plano de combate à desertificação.
Por outro lado, essa separação também teve um efeito protetivo. Ao tornar as negociações independentes entre si, um impasse em uma convenção não contamina necessariamente os avanços obtidos em outra. Se as três agendas estivessem fundidas em um único regime, a paralisia crônica que costuma travar, por exemplo, as negociações de financiamento climático poderia comprometer também os avanços na proteção de espécies ou na restauração de terras degradadas. A arquitetura fragmentada, portanto, comprou resiliência política ao custo da coerência técnica.
A implementação climática não cabe dentro da UNFCCC
O problema é que a crise climática, na prática, não respeita as fronteiras jurisdicionais que desenhamos para ela nos anos 1990. A restauração de terras degradadas é um exemplo direto. Segundo a UNCCD, os países já comprometeram cerca de 1 bilhão de hectares de terras degradadas para restauração até 2030, dos quais 250 milhões de hectares são de terras agrícolas, uma meta que é, ao mesmo tempo, indispensável para a mitigação climática, porque solos saudáveis armazenam carbono, para a segurança hídrica, porque a terra regula o ciclo da água, e para a biodiversidade, porque é o habitat de que ela depende. Não existe uma "meta do clima" separada de uma "meta de terra" nesse caso. É a mesma meta, vista por três lentes institucionais diferentes.
O mesmo raciocínio vale para florestas tropicais, para a proteção de povos indígenas e comunidades tradicionais, e para a segurança alimentar diante de secas cada vez mais frequentes, tema que, aliás, é o centro da COP17 da desertificação que começou esta semana na Mongólia, sob o lema "Restaurando a Terra, Restaurando a Esperança". Ou seja, implementar a mitigação e a adaptação climáticas de forma efetiva exige, quase sempre, agir dentro do escopo da UNCCD e da CDB, ainda que formalmente essas ações não constem dos textos negociados sob a UNFCCC.

O Brasil tenta costurar as pontas
O Brasil, na condição de presidência da COP30, tem tentado dar corpo institucional a essa integração. Em novembro passado, em Belém, o Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima lançou o Pacto pela Sinergia entre as Convenções do Rio, uma plataforma de cooperação Sul-Sul voltada a alinhar, em paisagens estratégicas de países tropicais e subtropicais, as metas climáticas, de biodiversidade e de neutralidade de degradação da terra. Iniciativas como essa reconhecem, ao menos no papel, que tratar essas agendas de forma integrada é a via mais eficaz para transformar compromissos em resultados concretos.
Mas o desafio segue sendo real. Alain-Richard Donwahi, presidente da COP15 da UNCCD, resumiu bem o problema durante a Rio Nature &amp; Climate Week, em junho deste ano. Os países acumulam decisões importantes nas três convenções, mas enfrentam dificuldade crônica para transformá-las em ação coordenada, justamente porque, na prática, cada convenção segue operando como uma equipe própria dentro dos governos e da sociedade civil.
O calendário de 2026
É justamente por isso, pela dificuldade de transformar decisões em ação coordenada, que o raro alinhamento das três COPs em 2026 merece atenção redobrada. Entre agosto e novembro, três conferências das Nações Unidas vão decidir, separadamente, sobre o destino de temas que são, na origem, um único problema. Acompanhar apenas a COP do clima é obter uma fotografia incompleta da negociação ambiental internacional que, de fato, decide os rumos do planeta. As soluções mais eficazes para a crise climática exigem prestar atenção também ao que se decide nas COPs de biodiversidade e de desertificação.
A crise climática não será resolvida dentro da sala da UNFCCC. Ela também está sendo negociada, agora, na estepe mongol, e o teste real das três convenções não está no texto que sair de lá, mas nos resultados que chegarem aos territórios.
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A degradação já afeta até 40% das terras do planeta. Na Mongólia, quase 77% do território é considerado degradado. Dados do Instituto Nacional do Semiárido (INSA) mostram que cerca de 18% do território brasileiro está em Áreas Suscetíveis à Desertificação (ASD) e entorno, o equivalente a aproximadamente 1,514 milhão de km² abrangendo 1.649 municípios em 9 estados da região semiárida do Nordeste, além do Norte de Minas Gerais, Espírito Santo e, recentemente, o nordeste do Rio de Janeiro e noroeste do Mato Grosso do Sul. Quando o solo perde capacidade de infiltrar e reter água, sustentar vegetação e manter fertilidade, o problema não se mede apenas em hectares perdidos. A paisagem passa a regular pior a água, aumenta a erosão e fica mais vulnerável à seca.
É aqui que a COP17 toca num ponto decisivo, onde restauração não é apenas recuperação ambiental. É infraestrutura de resiliência. Reduz riscos e sustenta água, alimentos, energia e cadeias produtivas. Quando essa infraestrutura falha, a conta aparece no abastecimento, na agricultura, nos seguros, na energia e em obras cada vez mais caras para tentar substituir funções que a paisagem deixou de exercer.
A programação da COP confirma essa mudança de escala. A segunda semana foi organizada em quatro dias temáticos: Finanças, Água, Terra e Pessoas, e Sistemas Alimentares e Saúde do Solo. A Action Agenda foi desenhada para aproximar decisões políticas de soluções aplicáveis nos territórios. A água ter um dia próprio, em 25 de agosto, é um sinal importante. O Dia da Água - Water Day foi estruturado em torno do nexo terra–água, com discussões sobre retenção de água nas paisagens, recuperação de solos e vegetação, áreas úmidas como infraestrutura natural, agricultura resiliente à seca, governança integrada e prevenção da chamada “falência hídrica” de cidades, operadores de serviços e bacias. 
A mesma lógica chegou às negociações. O debate sobre o marco estratégico pós-2030 da UNCCD inclui gestão proativa da seca, manejo sustentável de terra e água, monitoramento, mobilização de recursos, inclusão, articulação ciência-política e coerência entre políticas. Não basta restaurar mais, será preciso criar condições institucionais capazes de sustentar resultados mensuráveis no tempo.
E aí chegamos ao outro grande teste de Ulaanbaatar: financiamento.
A avaliação financeira da UNCCD estima cerca de US$ 355 bilhões por ano necessários até 2030 para cumprir as metas globais de restauração e enfrentar desertificação, degradação e seca. Mas o investimento atual é da ordem de US$ 77 bilhões anuais, deixando um déficit de US$ 278 bilhões. O dado mais incômodo é outro, a inação que custa cerca de US$ 878 bilhões por ano, enquanto cada dólar investido em restauração pode gerar até oito dólares em benefícios sociais, econômicos e ambientais.
Esses números deveriam mudar a visão porque ainda perguntamos quanto custa restaurar. Precisamos perguntar, com a mesma precisão, quanto custa não restaurar. Quanto perde uma bacia que deixa de regular água? Quanto perde a agricultura quando o solo deixa de reter umidade, nutrientes e reduz a produção? Qual é o custo para uma cidade quando sua segurança hídrica se torna menos confiável?
Financiamento, porém, não pode entrar no fim da fila. Precisa ser parte da arquitetura da restauração desde o início. Isso implica combinar orçamento público, capital concessional, filantropia, crédito, garantias, seguros, investimento privado e pagamento por resultados; além de assistência técnica, carteiras de projetos e monitoramento e verificação de resultados. O Dia do Financiamento - Finance Day discutirá garantias, instrumentos financeiros vinculados a desempenho e financiamento combinado - blended finance, enquanto o Dia da Água - Water Day prevê o lançamento do Mecanismo de Investimento em Resiliência à Seca - Drought Resilience Investment Facility (DRIF), destinado a mobilizar capital público e privado para resiliência à seca, infraestrutura hídrica e restauração integrada de terra e água.

O gargalo não é apenas encontrar dinheiro. É transformar soluções necessárias em projetos financeiramente sustentáveis, mensuráveis e escaláveis.
Para o Brasil, essa discussão encontra uma agenda concreta: revitalizar bacias hidrográficas. Recuperar nascentes e áreas degradadas, conservar solos, proteger áreas úmidas e ampliar soluções baseadas na natureza exigem mais do que somar boas iniciativas. Exige priorização territorial baseada em risco, governança, indicadores, monitoramento e carteiras de investimento por bacia capazes de conectar políticas públicas, instrumentos da gestão das águas, fundos climáticos e ambientais, bancos de desenvolvimento, empresas e investidores.
O teste de Ulaanbaatar é menos o tamanho dos compromissos e mais sua capacidade de transformar restauração e resiliência à seca em prioridades econômicas. Criar condições institucionais e financeiras para ganhar escala, e integrar terra, água, clima, biodiversidade, produção e desenvolvimento na mesma arquitetura de decisão.
O risco já é conhecido, sair de mais uma conferência com compromissos maiores do que a capacidade de implementá-los. Mas a oportunidade também é clara. Restaurar a terra não é simplesmente recuperar hectares. É devolver à paisagem capacidade de regular água, sustentar alimentos, renda e biodiversidade. E reconhecer essa capacidade como infraestrutura essencial para economias resilientes.
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A grande oportunidade identificada pelo estudo está na criação do Fundo Nacional de Desenvolvimento Regional (FNDR), estabelecido no âmbito da Reforma Tributária. Com aportes federais previstos para iniciar em R$ 8 bilhões em 2029, alcançando R$ 40 bilhões em 2033 e atingindo R$ 60 bilhões anuais a partir de 2043, o FNDR desponta como a maior fonte estruturada de capital para o desenvolvimento sustentável da história fiscal recente do Brasil. 
Segundo o relatório, os estados poderão destinar parte desses recursos para estruturar fundos de garantia ou assumir cotas de menor prioridade de resgate (first-loss), protegendo os investidores privados contra eventuais perdas e estimulando a entrada de capital em larga escala.
O documento ressalta que o Brasil já possui um histórico consolidado na utilização de finanças mistas em programas nacionais, como no Sistema Financeiro de Habitação (SFH), nos fundos constitucionais e, mais recentemente, em iniciativas como o Eco Invest e o Fundo Clima. 
Apesar disso, as ferramentas tradicionais brasileiras focam predominantemente no barateamento do custo do crédito (subsídio de juros), deixando uma lacuna no que diz respeito à absorção direta dos riscos operacionais e de mercado. Para os especialistas do WWF-Brasil, os entraves para o avanço dessa pauta no país são eminentemente institucionais e operacionais, exigindo avanço na regulação, coordenação entre governos estaduais e federais, e padronização dos contratos.
Para que a nova arquitetura financeira seja bem-sucedida e atinja seus objetivos públicos, a análise aponta que a gestão dos recursos precisará ser pautada por regras estritas de governança. O relatório estabelece três pilares fundamentais para a aplicação do FNDR em finanças híbridas: a exigência de adicionalidade explícita e auditável (comprovar que o projeto não sairia do papel sem o apoio público), a adoção rigorosa de salvaguardas socioambientais como critério de entrada para os projetos e a transparência total na prestação de contas. Com essas diretrizes, o país poderá transformar recursos tributários em uma alavanca permanente de financiamento privado sustentável.
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A comunidade de Raimundo é uma de oito organizações que já participaram da fase piloto do PSA Origens Brasil, apresentado formalmente à rede de parceiros nesta quarta-feira (19). Passados mais de 12 meses de desenho e testes, o Imaflora anunciou durante o evento a abertura da primeira chamada oficial do mecanismo, agora aberta a qualquer associação ou cooperativa que já comercialize produtos pela rede.
A Rede Origens Brasil nasceu em 2016, criada por produtores da floresta amazônica em parceria com o Imaflora e o Instituto Socioambiental (ISA). Hoje reúne quase 5 mil produtores, 79 povos indígenas e populações tradicionais e 41 empresas compradoras em territórios como Xingu, Rio Negro, Norte do Pará, Solimões e Tupi Guaporé — uma área protegida somada de 62 milhões de hectares, organizada em torno de comércio ético, garantia de origem e rastreabilidade.
O PSA nasceu para atacar um problema recorrente nessa rede: o trabalho de conservar a floresta em pé raramente aparece precificado nos produtos vendidos por essas comunidades. Segundo Luiz Brasi, gerente de Sociobioeconomia do Imaflora, a resposta encontrada foi desenhar uma remuneração dividida em duas partes — uma pela floresta mantida em pé, outra pelo esforço produtivo de quem vive dela.

A primeira parcela é calculada por hectare de floresta sob influência das comunidades participantes: US$ 4 por hectare, valor espelhado no parâmetro adotado pelo TFFF (Tropical Forest Forever Facility), fundo internacional de conservação de florestas tropicais. A segunda soma um adicional de R$ 1 por quilo de produto efetivamente comercializado pela rede — um número construído a partir de uma ferramenta interna de custo de produção que o Imaflora ainda testa em campo, e que tenta capturar o quanto do preço de um produto extrativista deveria remunerar a mão de obra das comunidades.
O dinheiro é repassado diretamente às associações e cooperativas, sem intermediários. Antes de chegar a esse formato, a rede chegou a testar pagamentos individuais via Pix diretamente aos produtores.  
Os números do piloto
A fase de testes do PSA já passou pelas cadeias da castanha, do pirarucu e da borracha, no Amazonas, no Pará e em Rondônia, com uma aplicação mais recente também no Maranhão. Juntos, dois financiadores — a Zurich Foundation, braço filantrópico da seguradora suíça Zurich, e o Fundo Florestas, da varejista Carrefour — sustentaram a captação de R$ 2,5 milhões para o mecanismo. Desse total, R$ 350 mil já foram pagos a oito organizações comunitárias, beneficiando mais de 400 pessoas.
Com o piloto validado, o desafio agora, segundo Brasi, é fazer o mecanismo ganhar escala,  que passa por três frentes: achar fontes permanentes de financiamento, ampliar o acesso das comunidades ao crédito e, no limite, transformar o PSA em política pública. Uma das apostas do Imaflora é usar parte da chamada “linha adicional” do programa federal Ecoinvest — voltada a cobrir riscos e primeiras perdas em operações de crédito — para bancar o pagamento às comunidades. A proposta, segundo Brasi, já foi levada ao Tesouro Nacional e a empresas que devem receber parte dos recursos do programa.
“A gente precisa de uma reinvenção da engenharia do mercado financeiro”, defendeu o gerente do Imaflora, para quem instituições financeiras precisariam aceitar abrir mão de parte do retorno em troca de impactos sociais e ambientais mensuráveis — hectares protegidos, famílias, jovens e mulheres beneficiados.
Por ora, a atuação do PSA está restrita ao bioma amazônico e a territórios organizados em torno de áreas protegidas. Segundo Brasi, o Imaflora já discute internamente levar o modelo a outros biomas e a arranjos produtivos fora de unidades de conservação, como a agricultura familiar — mas a decisão de expandir ainda não foi tomada, e deve ficar em fase de “ensaio” até o ano que vem.
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Eu tinha cerca de 12 anos quando uma forte chuva atingiu a Baixada Fluminense e transformou a rotina de milhares de famílias. Minha bisavó, Cecília Souza (na foto) ,tinha 90 anos e morava na casa ao lado da minha, em Queimados. A casa havia sido construída pelo meu avô, que morreu dois anos antes daquela enchente. Era uma casa que carregava memória, afeto e a história de uma relação bonita entre os dois. Naquele dia, porém, a água entrou com força. Móveis, geladeira, botijão de gás e tudo o que havia dentro da casa começaram a boiar, a lembrança que tenho é de ver tudo boiando. Minha bisavó ficou presa. Minha mãe e meus tios precisaram arrombar a porta e carregá-la para fora. Eu não sabia falar em vulnerabilidade climática, infraestrutura resiliente ou gestão de riscos. No entanto, com apenas 12 anos sabia apenas que estava chovendo e que minha família estava com medo e eu tinha medo, minha memória era de sentir medo.
Durante muito tempo, pensei na enchente de 2013, que assolou a Baixada Fluminense, apenas como uma história da minha família. Anos depois, comecei a entender que ela também contava a história do território onde cresci e revelava como os impactos da crise climática são distribuídos de forma profundamente desigual. Mais tarde, percebi que aquilo que havia atravessado a minha família e o meu território não era um problema isolado, mas parte de uma crise global marcada por desigualdades históricas e coloniais entre o Sul e o Norte Global. 
Entendi que, enquanto minha mãe e minha avó enfrentavam os impactos da enchente e buscavam formas de reconstruir a vida, escolhas estavam sendo feitas em espaços de poder, conferências e instâncias de decisão. Elas não estavam nesses lugares decidindo sobre o futuro de seus territórios. Estavam, antes de tudo, sobrevivendo às consequências de decisões tomadas por pessoas distantes de suas realidades, que muitas vezes não conheciam seus territórios, suas urgências e o preço que essas escolhas cobrariam de suas vidas.
Naquele mesmo período, Queimados registrou 1.987 pessoas desalojadas e 116 desabrigadas. Em Nova Iguaçu, cerca de 900 pessoas precisaram deixar suas casas. Em Japeri, 18 bairros foram atingidos, afetando mais de 17 mil pessoas. Os números do balanço oficial da Defesa Civil e da Secretaria Estadual de Assistência Social ajudam a dimensionar uma tragédia, mas não conseguem contar tudo porque existe uma falha e um apagamento de dados e informações sobre a baixada fluminense que é histórica. Os dados não registram o cheiro da lama, as fotografias perdidas, os documentos levados pela água, os móveis comprados depois de anos de trabalho ou o medo que permanece quando o céu volta a escurecer.

Minha bisavó sobreviveu àquela enchente. Mas não saiu dela da mesma maneira, ela perdeu sua casa onde morava com fotos de familiares e deu seus filhos e uma boa parte dos seus documentos. Anos depois, sempre que a previsão anunciava chuva forte, ela deixava a porta de casa aberta. Tinha medo de ficar presa novamente. Hoje, quando falamos em ansiedade climática e nos efeitos emocionais dos eventos extremos, penso nela, falo dela. Ela não precisava de uma palavra para explicar o que sentia. Ela conhecia o medo da chuva. Eu também. 
Foi olhando para essa memória que comecei a compreender que adaptação climática não pode ser apenas uma discussão sobre obras, infraestrutura ou planejamento. Tudo isso é fundamental. Precisamos de drenagem urbana, sistemas de alerta, moradias seguras, infraestrutura resiliente, proteção social e políticas capazes de preparar as cidades antes que a emergência aconteça. Mas precisamos também perguntar quem está sendo protegido, quem continua exposto e por que algumas pessoas precisam desenvolver estratégias de sobrevivência que outras jamais precisarão aprender.
Uma chuva não produz o mesmo impacto em todos os territórios. O risco não está apenas na intensidade do fenômeno climático. Está também na qualidade da moradia, na infraestrutura da rua, no acesso ao transporte, à saúde, ao saneamento, à informação e à renda necessária para reconstruir a vida depois de uma perda e principalmente na memória que o território deixa.  É por isso que adaptação climática é também uma questão de desigualdade e de racialidade. E, em um país marcado por profundas desigualdades raciais e territoriais, é uma questão de preservação da memória.
Foi muitos anos depois daquela enchente que encontrei as palavras para aquilo que havia vivido: justiça climática, racismo ambiental, vulnerabilidade, adaptação. Talvez seja por isso que esses conceitos nunca sejam, para mim, apenas conceitos. Eles têm, memória e rosto os de minha bisa. Têm a memória da casa da minha bisavó. Têm a Baixada Fluminense. Têm a menina de 12 anos que assistia à água tomar uma casa sem ainda saber explicar por que algumas famílias pareciam estar sempre mais em risco do que outras.
Hoje, quando se fala que precisamos preparar as cidades para um futuro de eventos climáticos extremos e falamos sobre o El Niño, penso que, para muita gente, esse futuro já chegou. Minha bisavó não deveria ter precisado deixar a porta aberta por medo de ficar presa novamente. Nenhuma criança deveria transformar uma enchente em uma das lembranças mais marcantes da infância. 
Hoje entendo que adaptação climática é, sim, sobrevivência. Mas não deveria ser apenas isso. Adaptar também significa reduzir desigualdades, proteger direitos, poupar pessoas de viverem memórias traumatizantes e construir cidades onde sobreviver não seja o máximo que se pode esperar. Eu aprendi isso muito antes de saber o nome. Aprendi quando minha bisavó e a Baixada choraram. E talvez seja por isso que, toda vez que começa a chover forte, eu ainda pense em minha bisavó.
Maria Clara Salvador da Vieira da Silva, 25 anos, é cofundadora da Coalizão O Clima é de Mudança, graduada em Filosofia pela Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ) e pesquisadora da obra de Carolina Maria de Jesus. Atua como Assessora do Instituto 215, onde desenvolve e implementa projetos de educação climática, formação política e mobilização social, com foco em memória. 
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</title>  <atom:subtitle>Entre brasileiros que vivem em regiões afetadas por eventos climáticos, disposição para trocar de marca é maior em todas as categorias analisadas; bancos registram o maior salto na exigência ambiental</atom:subtitle>  <link>https://umsoplaneta.globo.com/sociedade/noticia/2026/08/20/mudancas-climaticas-elevam-cobranca-de-consumidores-sobre-empresas-aponta-pesquisa.ghtml</link> <guid isPermaLink="true">https://umsoplaneta.globo.com/sociedade/noticia/2026/08/20/mudancas-climaticas-elevam-cobranca-de-consumidores-sobre-empresas-aponta-pesquisa.ghtml</guid> <description>  <![CDATA[ <img src="https://s2-umsoplaneta.glbimg.com/fzubpr9TiM1XCT0REkVSU683yV0=/i.s3.glbimg.com/v1/AUTH_7d5b9b5029304d27b7ef8a7f28b4d70f/internal_photos/bs/2021/Y/k/tlC4bAQB6eE1RrTGBljQ/062-gettyimages-1211974803.jpg" /><br /> ]]>    As mudanças climáticas começam a aparecer não apenas na percepção dos brasileiros sobre o meio ambiente, mas também na relação com marcas e decisões de consumo. Pesquisa realizada pela Ilumeo, em parceria com Ecomunica e Weleda, mostra que os consumidores que afirmam viver em regiões afetadas por mudanças climáticas e desastres naturais apresentam níveis de engajamento e exigência ambiental superiores aos da média da população.
No levantamento, 30,4% dos 760 entrevistados disseram viver em regiões afetadas por mudanças climáticas e desastres naturais. Entre eles, 58% afirmaram já ter alertado amigos ou familiares para deixar de comprar de uma marca por razões ambientais, ante 47,6% na amostra total. O grupo também demonstra maior disposição para trocar de marca caso descubra que ela não é sustentável.
O resultado ganha relevância em um cenário no qual eventos extremos deixaram de ser percebidos apenas como uma ameaça distante. Enchentes, secas, ondas de calor, incêndios e outros eventos passaram a fazer parte da experiência cotidiana de uma parcela da população. No estudo, 81,2% dos entrevistados acreditam que os desastres naturais estão aumentando ao longo dos anos e o mesmo percentual considera que o cenário tende a se intensificar se nada mudar.
A pesquisa, realizada entre 10 de março e 2 de abril de 2026, ouviu pessoas de diferentes regiões do país para entender a relação entre sustentabilidade e decisão de compra. O estudo utilizou 85 perguntas e combinou análise quantitativa, segmentação por perfis comportamentais, critérios de escolha e percepção de confiança.
Consumidores que afirmam viver em regiões afetadas por mudanças climáticas e desastres naturais apresentam níveis de engajamento e exigência ambiental superiores aos da média da população
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Clima muda a régua do consumidor
A diferença de comportamento aparece em praticamente todas as dimensões analisadas. Entre os consumidores que vivem em regiões afetadas, 49,8% planejam estudar mais sobre sustentabilidade nos próximos meses, ante 41,7% na média geral. O interesse pelo tema alcança nota 7,52 em uma escala de zero a dez, contra 6,76 no conjunto dos entrevistados. A importância atribuída à sustentabilidade também é maior: 7,73, ante 7,01.
Esse grupo também se mostra mais disposto a fazer concessões para escolher produtos considerados sustentáveis. A preferência por opções sustentáveis mesmo quando elas não são as melhores chega a 6,85, contra 5,97 na média. Quando a comparação envolve preço, a diferença também aparece: a preferência por produtos sustentáveis mesmo que não sejam os mais baratos é de 7,16 entre os afetados, ante 6,43 no total da amostra.
A disposição para trocar de marca é ainda mais expressiva. Nas dez categorias analisadas pelo estudo, os consumidores que relatam viver em regiões afetadas apresentam índices superiores à média geral. A diferença chega a 12,2 pontos percentuais no setor farmacêutico, 12 pontos em cosméticos, 11,9 pontos em eletroeletrônicos e 11,2 pontos em bancos e serviços financeiros.
Em farmacêuticos, 57,9% dos consumidores afetados afirmam que trocariam de marca com certeza se descobrissem que ela não é sustentável, ante 45,7% na média geral. Em cosméticos, os índices são de 60,3% e 48,2%, respectivamente. Em alimentos e bebidas, uma das categorias tradicionalmente mais associadas à sustentabilidade, a diferença é de 10,1 pontos percentuais.
O levantamento sugere, assim, que a experiência direta com eventos climáticos pode ampliar o escopo das expectativas dos consumidores. A cobrança deixa de se concentrar apenas em setores já associados à agenda ambiental e passa a alcançar segmentos como bancos, roupas, artigos esportivos e eletroeletrônicos.
Bancos têm maior salto de exigência
O resultado mais inesperado aparece justamente em uma categoria que, segundo o estudo, apresenta a menor exigência ambiental média entre os dez segmentos analisados: bancos e serviços financeiros.
Na média geral, a categoria recebe nota 6,99 em uma escala de zero a dez para exigência ambiental. Entre os consumidores que vivem em regiões afetadas por eventos climáticos, a nota sobe para 7,56 — aumento de 0,73 ponto, o maior salto registrado entre as categorias analisadas.
Caixa eletrônico Banco 24Horas
Divulgação/Banco 24 Horas
A diferença não se restringe à percepção geral. Entre o grupo afetado, a disposição a pagar mais por opções sustentáveis no setor financeiro sobe 0,83 ponto; a importância atribuída à sustentabilidade para bem-estar e responsabilidade ambiental aumenta 0,91 ponto; a preocupação com reciclagem cresce 0,75 ponto; e a avaliação relacionada à emissão de gases poluentes sobe 0,96 ponto.
O estudo chama esse movimento de “expansão do mandato verde”: consumidores que tiveram contato mais próximo com os efeitos das mudanças climáticas passam a cobrar uma resposta ambiental de empresas que antes não estavam necessariamente no centro desse debate.
A mudança é particularmente relevante porque ocorre justamente onde a pauta ambiental ainda não estaria tão incorporada. Em categorias como alimentos e cuidados para bebês, a exigência já parte de níveis elevados e, por isso, os pesquisadores apontam para um possível “efeito teto”. Em setores como bancos, roupas e eletrônicos, há mais espaço para que a experiência climática altere a percepção do consumidor.
Rio Grande do Sul aparece entre os mais afetados
A distribuição geográfica dos entrevistados também revela o efeito de eventos recentes. O Rio Grande do Sul representa 4,3% da amostra total, mas responde por 8,2% dos entrevistados que afirmam ter sido afetados por eventos climáticos. A diferença ocorre em um contexto marcado pelas enchentes que atingiram o Estado nos últimos anos.
São Paulo apresenta movimento inverso: representa 36,2% da amostra geral, mas 30,3% entre aqueles que relatam ter sido afetados. O estudo ressalta que a percepção do impacto climático não está restrita às populações de menor renda, embora também não esteja distribuída de maneira uniforme entre os diferentes grupos socioeconômicos.
Ao todo, o grupo que declarou viver em áreas afetadas reúne 231 pessoas. Segundo o levantamento, o perfil demográfico desse grupo é semelhante ao da amostra geral em gênero e faixa etária.
Interesse existe, mas confiança ainda é baixa
A maior exigência ambiental, porém, não significa que o consumidor saiba necessariamente identificar quais produtos e empresas são de fato sustentáveis. Esse é outro ponto central do levantamento: existe interesse, mas a confiança permanece baixa.
No conjunto da amostra, 88% afirmam que gostariam de fazer mais pelo meio ambiente, mas apenas 17% dizem saber se suas compras são sustentáveis. A pesquisa aponta que o principal problema não é necessariamente falta de interesse, mas dificuldade de encontrar informações claras e confiáveis sobre os impactos das escolhas de consumo.

Apenas 18% dos entrevistados dizem confiar que as empresas cumprem o que prometem em sustentabilidade. O percentual dos que afirmam conferir informações é ainda menor, 13%, enquanto somente 11% dizem conseguir diferenciar uma promessa real de uma prática de greenwashing. Ao mesmo tempo, 80,5% acreditam que as empresas poderiam fazer mais pelo meio ambiente do que fazem atualmente.
Isso cria um desafio adicional para as empresas: a experiência com eventos climáticos pode elevar a cobrança, mas o consumidor também está mais atento à distância entre discurso e prática. Para as marcas, portanto, não basta comunicar compromissos ambientais; cresce a necessidade de apresentar evidências que permitam ao consumidor avaliar o que efetivamente está sendo feito.
Nesse sentido, o levantamento aponta que os selos e certificações ganham importância como mecanismos externos de validação. Cerca de 57% dos entrevistados dizem utilizá-los como principal fonte de informação sobre sustentabilidade, enquanto quase 68% afirmam dar preferência a produtos com selos ou consumir apenas itens certificados.
O cenário indica que a mudança climática pode estar alterando não apenas o que parte dos brasileiros espera das empresas, mas também onde essa cobrança acontece. Para quem já experimentou os efeitos de uma enchente, uma seca ou outro evento extremo, sustentabilidade deixa de ser apenas um atributo desejável de determinados produtos e passa a ser uma expectativa mais ampla sobre a atuação das empresas — inclusive de setores que, até pouco tempo, estavam fora do radar ambiental do consumidor.
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Participam da Chamada 2026 da RAMP 37 instituições financiadoras de 25 países. A FAPESP apoiará projetos com duração de 36 meses de acordo com as normas e condições da modalidade Auxílio à Pesquisa – Regular e aportará até o equivalente a 800 mil euros para apoiar propostas concedidas a proponentes do Estado de São Paulo.
De acordo com as diretrizes da Chamada RAMP 2026, as propostas devem ser elaboradas por um consórcio reunindo três pesquisadores parceiros que solicitem financiamento em três países participantes da chamada, sendo que pelo menos dois desses países devem ser Estados-membros da União Europeia ou países associados ao programa Horizon Europe.
As propostas devem definir seu principal objetivo e o impacto com base em uma das seis áreas prioritárias da chamada:
Garantir um fornecimento resiliente de matérias-primas a partir de fontes primárias;
Focar em fontes secundárias para ampliar o acesso às matérias-primas;
Uso eficiente e eficaz das matérias-primas no design e na produção;
Superar barreiras tecnológicas à circularidade;
Colocar em prática as ambições da economia circular;
Abordagens inovadoras para analisar as cadeias de valor das matérias-primas.
A adoção de abordagens inter e transdisciplinares sobre essas áreas é fortemente encorajada.
As submissões à chamada serão feitas em duas etapas. Na primeira, o pesquisador responsável (PR) do consórcio oriundo do Estado de São Paulo deverá enviar até 22 de setembro uma pré-proposta à FAPESP por meio do e-mail de atendimento criado pela Fundação para a chamada. Na mensagem, o proponente deve incluir súmula curricular em inglês, o tempo estimado de dedicação ao projeto, título, duração e orçamento previstos para a proposta e nome e instituição do PR coordenador do consórcio.
O PR paulista cuja pré-proposta for aprovada segue para a segunda fase, na qual deve enviar proposta completa exclusivamente por meio do Sistema de Apoio à Gestão (SAGe). O prazo para essa etapa é 15 de fevereiro de 2027.
A chamada na íntegra, com orientações aos pesquisadores paulistas, está disponível em fapesp.br/18256.
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O documento reúne recomendações para empresas, associações comunitárias e comunidades que integram a rede e aborda desde a autorização prévia das pessoas retratadas até as situações em que pode haver remuneração pelo uso das imagens.
Criada em 2016 por produtores da floresta em parceria com o Instituto de Manejo e Certificação Florestal e Agrícola (Imaflora) e o Instituto Socioambiental (ISA), a Origens Brasil conecta povos indígenas, populações tradicionais, organizações comunitárias, instituições de apoio e empresas em torno de negócios éticos na Amazônia. Administrada pelo Imaflora, a rede atua em territórios como Xingu, Rio Negro, Norte do Pará, Solimões e Tupi Guaporé, com foco em comércio ético, garantia de origem, transparência e rastreabilidade das cadeias produtivas.
Segundo a equipe administrativa da rede, o guia foi construído a partir de um processo participativo com comunidades tradicionais, povos indígenas, empresas e ONGs integrantes da Origens Brasil®. A demanda por orientações específicas sobre uso de imagens surgiu em 2024, durante o Grupo de Trabalho (GT) de Comércio Ético. A partir da discussão, o GT de Comunicação foi reativado para desenvolver o material, que contou ainda com consultas a especialistas, representantes de comunidades, instituições de apoio e advogados, além da análise da legislação brasileira e de tratados e acordos internacionais.
“Foi uma construção que a gente foi fazendo. Fizemos toda uma pesquisa da legislação e também do material já publicado, porque existe bastante conteúdo sobre o tema. A ideia foi trazer, de forma mais acessível, numa linguagem mais simples, menos jurídica, quais são os direitos, quais são as necessidades e como conduzir uma parceria que seja comercial, mas que também possa gerar produtos de comunicação", comenta Marianna Mugnaini , coordenadora de Comunicação da Rede Origens Brasil.
A rede também contou com o apoio da Habitat Socioambiental, empresa de educação especializada em projetos com comunidades tradicionais, no processo colaborativo e na pesquisa.

Direitos que toda parceria precisa respeitar
O guia reúne diferentes direitos que devem ser considerados em parcerias comerciais que envolvam imagens. Entre eles estão o direito autoral dos povos sobre criações, grafismos, músicas e outras expressões culturais; o direito de imagem das pessoas e comunidades retratadas; e o direito à consulta prévia sobre atividades que possam afetar direitos, valores ou práticas culturais.
O documento também trata da proteção dos conhecimentos tradicionais associados ao patrimônio genético e dos dados pessoais. Nome, imagem e voz que revelem origem étnica são considerados dados pessoais sensíveis pela Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD).
Há ainda orientações específicas para crianças e adolescentes, cuja participação exige autorização dos pais e, em alguns casos, autorização judicial, conforme o Estatuto da Criança e do Adolescente (Lei nº 8.069/1990) e o ECA Digital (Lei nº 15.211/2025).
Quando o uso de imagem precisa ser remunerado
Uma das principais questões abordadas pelo guia é quando o uso das imagens deve ser remunerado. Segundo o documento, a utilização depende sempre de autorização prévia de quem aparece no registro, inclusive quando associações comunitárias divulgam seus próprios projetos.
A remuneração, por sua vez, depende da finalidade. O uso gratuito é permitido em situações de informação e interesse público, como notícias. Já o uso comercial depende de negociação e remuneração. Quando a própria comunidade ou os produtores utilizam as imagens para divulgar e vender seus produtos, não há exigência de pagamento.
O guia também estabelece orientações para situações em que uma associação representa a comunidade. Nesses casos, deve haver acordo prévio com as pessoas e comunidades retratadas, e a remuneração varia conforme a finalidade do uso.
"Parcerias comerciais com empresas exigem cuidados adicionais, como consulta, autorização e negociação prévia de qualquer novo registro fotográfico ou audiovisual no território", comenta Marianna. 
O documento apresenta um roteiro de 20 etapas para orientar empresas e organizações antes, durante e depois de uma parceria que envolva uso de imagens. O processo começa pela definição do objetivo da parceria e pelo primeiro contato com a comunidade e inclui consulta prévia, livre e informada, produção dos registros com participação de profissionais da própria comunidade, pagamento pelos serviços prestados e acompanhamento dos desdobramentos após a divulgação do material.
Quando há pagamento pelo uso de imagem ou comercialização de produtos, o guia recomenda um Contrato de Parceria Comercial e Licenciamento de Direitos, com definição de responsabilidades, prazo, remuneração, repartição de benefícios, limites de uso, créditos de autoria e regras de renovação ou rescisão.
O termo de autorização de uso de imagem deve especificar quem utilizará as imagens, o que será coletado, a finalidade, o período e os meios de comunicação em que o material poderá ser utilizado. Segundo o documento, o consentimento pode ser revogado a qualquer momento.
O material também recomenda que, sempre que possível, as parcerias contem com profissionais que já tenham experiência de trabalho com a comunidade envolvida. O apoio é considerado especialmente importante para empresas que ainda não atuaram com povos indígenas ou comunidades tradicionais.
O guia está disponível para os membros da rede Origens Brasil e inclui modelos de autorização, contratos e referências legais. Empresas, associações e comunidades que integram a rede também podem buscar apoio do GT de Comunicação para parcerias que envolvam uso de imagem.
Segundo Marianna, essa é a primeira versão, ainda resumida, que será compartilhada com as pessoas que fazem parte da rede, comunidades, empresas e instituições, de modo a receber sugestões de aperfeiçoamento.  "As informações estão claras? Está realmente dando suporte? O que vocês têm intenção de produzir com fotos, com vídeos? A partir dessas respostas, a gente pretende seguir avançando nesse material", diz Marianna.
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Entre as ferramentas mais eficazes dessa abordagem está a observação de anomalias morfológicas em organismos, com os peixes assumindo um papel de destaque como verdadeiros "termômetros" vivos da saúde dos rios, lagos e oceanos.
Nas populações de peixes, os cientistas têm registrado um aumento expressivo de anomalias em diferentes partes do corpo, como estruturas esqueléticas, gônadas reprodutivas e, de forma muito particular, nos otólitos.
Os otólitos são pequenas estruturas localizadas no ouvido interno desses animais, fundamentais para a audição e o equilíbrio. Como o formato e a composição química dessas estruturas são diretamente moldados pelas condições da água ao redor e pelo estado de saúde geral do peixe, qualquer alteração nelas serve como um excelente indicador do nível de degradação do ambiente.
Representação dos Otolitos (sagitta) de Stellifer naso (Jordan 1899), mostrando a face interna (topo) e a face externa (parte inferior).
Reprodução
Apesar de serem marcadores valiosos de poluição, essas deformidades representam um desafio metodológico curioso para os pesquisadores de outras áreas. Nos laboratórios, a presença de otólitos anômalos acaba introduzindo "ruídos" nos bancos de dados, o que pode gerar resultados estatísticos inconsistentes em análises de escalas microecológicas ou macroevolutivas.
Por causa desse fator complicador, as estruturas que apresentam defeitos acabam sendo frequentemente descartadas das rotinas tradicionais de análise de forma, ignorando-se o fato de que elas carregam evidências cruciais sobre as condições do habitat.
Quando analisadas sob a ótica ambiental, as anomalias encontradas nos otólitos costumam ser divididas em duas categorias principais. A primeira abrange os problemas de cristalização, como a substituição mineral anômala da aragonita pela vaterita na composição da estrutura. A segunda categoria envolve as deformidades morfológicas ou estruturais diretas, incluindo malformações severas e quadros de atrofia.
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Segundo o diretor do Departamento de Mitigação e Prevenção de Risco do Ministério das Cidades, Rodolfo Moura, o próprio uso do manual por técnicos, pesquisadores e gestores municipais apontou a necessidade de uma evolução de alguns conceitos, mas a urgência climática e a chegada de um super El Niño aceleraram o processo.
 “A gente correu para antecipar o lançamento do livro entendendo que ele já pode ser um instrumento novo para identificar as áreas críticas, mas principalmente as pessoas que estão em situação de risco”, diz.
O manual atualizado está disponível online e de forma gratuita. Entre as mudanças em relação à versão anterior, a publicação trata de novos instrumentos tecnológicos para a gestão de risco e traz uma nova classificação, com foco nos riscos médio, alto e muito alto.
“Deixamos de lado outras classificações, porque se o risco é baixo ou inexistente não merece uma classificação”, explica Moura.
Novos conceitos foram abordados na versão atualizada, como a delimitação de setores de risco hidrológico, inundação, enchente e enxurrada, e também a descrição de processos erosivos, como rolamento de rochas e terras caídas – fenômeno que ocorre no Norte do país.
De acordo com Rodolfo Moura, a aplicação do manual permite que prefeituras façam o mapeamento das áreas de risco nos territórios e, a partir disso, elaborem seus planos municipais de redução de risco. Essas medidas podem retirar milhares de pessoas de zonas de risco de deslizamento, inundação e enxurrada no Brasil.
Em 2024, uma nota técnica publicada pela Casa Civil atualizou os números de municípios suscetíveis a deslizamentos de terras, alagamentos, enxurradas e inundações. São 1.942 cidades que expõem quase 9 milhões de brasileiros a esses desastres.
Segundo Moura, o caminho para enfrentar o desafio de tirar essas pessoas das áreas de risco é exatamente implementar o que o manual prevê, com ações de antecipação, identificação de riscos, fortalecimento da resiliência e adaptação das cidades.
“É por meio desse instrumento de mapeamento de risco, dos mapas, planos municipais de redução de risco, que municípios e os governos estaduais acessam recursos para essas obras”, destaca.
Mais Lidas  </description>  <media:content url="https://s2-umsoplaneta.glbimg.com/QHpCOLTi1i4B6ajLDy7FYF2xr1o=/i.s3.glbimg.com/v1/AUTH_7d5b9b5029304d27b7ef8a7f28b4d70f/internal_photos/bs/2026/V/1/3oKFQLQ0ir1r2LgX1ebA/rbr2048.jpg-0.webp" medium="image"/>   <media:description>Deslocamento de terra</media:description>   <media:credit>Tania Rego/ Agência Brasil</media:credit>  <category>umsoplaneta</category> <pubDate>Wed, 19 Aug 2026 19:03:53 -0000</pubDate>  </item>  <item> <title>Brasil lança plano com 37 soluções para reduzir emissões de metano</title>  <atom:subtitle>País emitiu 21 milhões de toneladas em 2024. Com emissões em alta, relatório aponta 37 soluções para o Brasil reduzir a poluição por gás metano</atom:subtitle>  <link>https://umsoplaneta.globo.com/clima/noticia/2026/08/19/brasil-lanca-plano-com-37-solucoes-para-reduzir-emissoes-de-metano.ghtml</link> <guid isPermaLink="true">https://umsoplaneta.globo.com/clima/noticia/2026/08/19/brasil-lanca-plano-com-37-solucoes-para-reduzir-emissoes-de-metano.ghtml</guid> <description>  <![CDATA[ <img src="https://s2-umsoplaneta.glbimg.com/Yw13hOZnsiPjIF2rP77Ds7zvX9M=/i.s3.glbimg.com/v1/AUTH_7d5b9b5029304d27b7ef8a7f28b4d70f/internal_photos/bs/2025/J/g/H1KsyjQjOBz3kuxiA56g/vaca.jpg" /><br /> ]]>    O Sistema de Estimativas de Emissões e Remoções de Gases de Efeito Estufa (SEEG), rede ligada ao Observatório do Clima, lançou nesta terça-feira, 18, um documento com 37 soluções para frear as emissões de metano (CH4) nos principais setores poluidores do Brasil. 
Considerado um dos principais vilões do aquecimento global, o gás tem um potencial de reter calor 28 vezes maior que o dióxido de carbono (CO2) em um período de cem anos. Para David Tsai, coordenador do SEEG, combater esse poluente é uma "ação crítica para retornar à normalidade climática". O especialista alerta que o país possui um amplo leque de soluções disponíveis, mas que o desafio real é "transformar esse conhecimento em ação coordenada e com escala".
Atualmente, o país é um dos responsáveis pelas maiores emissões do gás, só em 2024 foram 21 milhões de toneladas lançadas na atmosfera. O grande gargalo nacional no combate a esse gás reside na agropecuária, que responde sozinha por quase 76% das emissões brasileiras (cerca de 15,7 milhões de toneladas anuais). Desse volume, mais de 90% provém diretamente da criação de gado. Para mitigar o problema, o caderno de soluções apresenta 15 propostas voltadas ao setor produtivo, englobando desde o planejamento territorial até o aprimoramento no manejo de resíduos animais. 
Segundo Gabriel Quintana, do Imaflora, a adequação ambiental não significa prejuízo para o agronegócio. Pelo contrário, trata-se de "uma grande oportunidade para o setor, por incluir produtividade e eficiência na produção de alimentos".
O segundo setor mais poluente é o de gestão de resíduos, responsável por 16% do metano emitido no país, impulsionado principalmente por lixões e aterros sanitários. As diretrizes traçadas pelo ICLEI América do Sul sugerem a expansão acelerada da coleta seletiva e a "valorização dos resíduos orgânicos".
Ranking das 10 cidades que mais emitiram gás metano em 2024:
Rio de Janeiro (RJ)
São Félix do Xingu (PA)
São Paulo (SP)
Corumbá (MS)
Porto Velho (RO)
Cáceres (MT)
Marabá (PA)
Altamira (PA)
Novo Repartimento (PA)
Fortaleza (CE)
Em 2024, o setor da agropecuária liberou 15,7 milhões de toneladas de metano, o que corresponde a 75,8% do total das emissões brasileiras
freddy dendoktoor/PublicDomainPictures
Já na área de Energia, os especialistas apontam duas frentes distintas: o fim dos vazamentos na indústria fóssil e políticas públicas para quem ainda usa lenha em casa. "Cada emissão de metano requer uma resposta específica", defende Ingrid Graces, do Iema, ressaltando que, enquanto a população vulnerável precisa de assistência, no caso dos combustíveis fósseis "cabe responsabilizar quem lucra com a atividade".
Completando o mapeamento, o eixo de Mudança no Uso da Terra e Florestas concentra 5,5% do impacto. Nesta área, a contabilidade oficial indica que as emissões estão diretamente atreladas às queimadas na vegetação nativa. 
As propostas elaboradas pelo Instituto de Pesquisa Ambiental da Amazônia (Ipam) reforçam que é estritamente necessário "fortalecer a governança do fogo". À medida que as mudanças climáticas prolongam as secas pelo país, os pesquisadores alertam que investir em prevenção e no manejo integrado das chamas "passa a ser uma estratégia de adaptação climática" indispensável para o futuro do Brasil.
Os dados estão disponíveis no site do SEEG, onde é possível checar as emissões de metano no Brasil por bioma, estado, região e município.
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Enquanto isso, do outro lado do planeta, o desafio é exatamente o oposto. Estados Unidos e diversos países da Europa enfrentam ondas de calor extremo que vêm alterando a rotina de milhões de pessoas. Em várias cidades, os termômetros ultrapassaram os 40°C. Escolas precisaram suspender atividades, monumentos turísticos tiveram o acesso restringido, sistemas de transporte sofreram impactos e autoridades de saúde orientaram a população a evitar exposição ao sol nos horários mais quentes. São respostas paliativas a uma situação que já não é tão excepcional.

O problema agrava-se. A onda de calor extremo que castigou a Europa Ocidental na segunda quinzena de junho provocou mais de 10 mil mortes em excesso no período, sendo nove mil referentes a pessoas com 65 anos ou mais. Os dados são da EuroMOMO, rede apoiada pelo Centro Europeu de Prevenção e Controle de Doenças e pela Organização Mundial da Saúde (OMS). Somente na Alemanha, até 28 de junho, foram 5.120 mortes relacionadas ao calor, segundo o Instituto Robert Koch (RKI), órgão federal vinculado ao Ministério da Saúde. 
À primeira vista, frio rigoroso em uma região e calor sufocante em outra podem parecer fenômenos sem qualquer relação. No entanto, ambos fazem parte da mesma realidade: a instabilidade crescente do sistema climático global.
Há décadas, a comunidade científica alerta para os efeitos do aquecimento global e para as consequências do aumento da concentração de gases de efeito estufa na atmosfera. O mais recente relatório sobre o Estado do Clima Global 2025, divulgado pela Organização Meteorológica Mundial (OMM), reforça essa preocupação ao destacar que mudanças rápidas e de grande escala ocorreram em poucas décadas, mas produzirão impactos que poderão perdurar por séculos e até milênios.
Os dados apresentados pela entidade são eloquentes. O período entre 2015 e 2025 corresponde aos 11 anos mais quentes já registrados na história das medições climáticas. Em 2025, a temperatura média global ficou cerca de 1,43°C acima dos níveis pré-industriais, desafiando o Acordo de Paris e constituindo uma trajetória de aquecimento que já não pode mais ser tratada como ameaça futura. É uma dura realidade presente.
É importante compreender que aquecimento global não significa que todos os lugares do planeta ficarão simplesmente mais quentes o tempo todo. O fenômeno altera o funcionamento da atmosfera e dos oceanos, modifica a circulação das massas de ar e aumenta a frequência e a intensidade dos eventos extremos. Em outras palavras, torna o clima menos previsível e mais instável.
Por isso, podemos testemunhar simultaneamente uma onda de frio intensa em parte do Brasil e temperaturas recordes em países do Hemisfério Norte. Não são acontecimentos isolados nem meras coincidências meteorológicas. São manifestações distintas de um mesmo desequilíbrio climático.
Diante desse cenário, existe um aspecto que merece ser reconhecido: o mundo não está parado. A transição energética avança em diversas regiões, impulsionada por novas tecnologias, investimentos em fontes renováveis e pela busca por modelos de desenvolvimento menos dependentes dos combustíveis fósseis. Governos, empresas e instituições têm ampliado seus compromissos de redução de emissões, enquanto a sustentabilidade ocupa espaço cada vez mais relevante na agenda global.
Sobre o autor
Gilberto Natalini é coordenador de Meio Ambiente da AFPESP, médico gastrocirurgião e ambientalista. No setor público destacou-se como secretário do Verde e do Meio Ambiente e secretário executivo de Mudanças Climáticas da cidade de São Paulo. Eleito vereador de São Paulo pela primeira vez em 2000, cumpriu o seu quinto mandato até 2020. É autor de 419 projetos de leis e tem 147 leis aprovadas. Suas principais bandeiras de vida são a democracia, o desenvolvimento sustentável, maior equidade social e a moralidade pública.
Mais Lidas  </description>  <media:content url="https://s2-umsoplaneta.glbimg.com/xZrUb-ykYZHNyj1VQSLN2hOjyxA=/i.s3.glbimg.com/v1/AUTH_7d5b9b5029304d27b7ef8a7f28b4d70f/internal_photos/bs/2026/d/U/Ky7FA8SRCS0hmSfe3ESg/captura-de-tela-2026-07-17-122143.png" medium="image"/>   <media:description>seca</media:description>   <media:credit>GettyImages</media:credit>  <category>umsoplaneta</category> <pubDate>Wed, 19 Aug 2026 10:06:08 -0000</pubDate>  </item>  <item> <title>Programa de proteção ambiental destina R$ 3,45 milhões para comunidades indígenas em São Paulo</title>  <atom:subtitle>Vinte territórios indígenas em São Paulo receberão até R$ 172 mil cada para atuar na conservação da Mata Atlântica e do Cerrado pelo programa Guardiões das Florestas</atom:subtitle>  <link>https://umsoplaneta.globo.com/biodiversidade/noticia/2026/08/18/programa-de-protecao-ambiental-destina-r-345-milhoes-para-comunidades-indigenas-em-sao-paulo.ghtml</link> <guid isPermaLink="true">https://umsoplaneta.globo.com/biodiversidade/noticia/2026/08/18/programa-de-protecao-ambiental-destina-r-345-milhoes-para-comunidades-indigenas-em-sao-paulo.ghtml</guid> <description>  <![CDATA[ <img src="https://s2-umsoplaneta.glbimg.com/9Y77xQEc0g6hSg8iNPrsn28ftRk=/i.s3.glbimg.com/v1/AUTH_7d5b9b5029304d27b7ef8a7f28b4d70f/internal_photos/bs/2026/n/x/DoAmY4TimTe3N7rHcpuQ/whatsapp-image-2026-08-18-at-09.14.57.jpeg" /><br /> ]]>    Vinte territórios indígenas localizados no estado de São Paulo foram selecionados para integrar a terceira fase do programa Programa de proteção ambiental destina R$ 3,45 milhões para comunidades indígenas em São Paulo. A iniciativa, gerida pela Fundação Florestal, contará com um investimento total de R$ 3,45 milhões para financiar planos de conservação e remunerar agentes ambientais locais. Cada comunidade contemplada poderá receber repasses de até R$ 172 mil para executar projetos com duração de 12 meses, focados na proteção de áreas vulneráveis da Mata Atlântica e do Cerrado.
Nesta nova etapa, o programa expande geograficamente sua atuação ao incluir sete áreas inéditas, abrangendo aldeias em municípios como Itanhaém, Tapiraí e Barão de Antonina, além de dar continuidade aos trabalhos em outros 13 territórios. Os recursos serão aplicados em cinco frentes operacionais: monitoramento e fiscalização territorial, prevenção e combate a incêndios florestais, restauração de ecossistemas, estruturação do turismo socioambiental de base comunitária e valorização da cultura ancestral. Na prática, a estratégia oficializa e remunera os povos originários por atuarem como uma barreira ecológica contra o avanço do desmatamento.
Os dados acumulados desde a criação da iniciativa, em 2022, dimensionam o impacto dessa gestão compartilhada entre o poder público e os indígenas. Nas duas fases anteriores, as rondas de monitoramento percorreram mais de 1.800 quilômetros em ações de vigilância e pesquisa de biodiversidade. 
No campo da recuperação florestal, as comunidades foram responsáveis pelo plantio de 15 mil mudas nativas, além de erradicarem plantas invasoras em cerca de 15 hectares. O fomento ao turismo sustentável também já rendeu frutos, atraindo mais de 1.500 visitantes para as áreas protegidas.
Programa de proteção ambiental destina R$ 3,45 milhões para comunidades indígenas em São Paulo
O fortalecimento do modelo indica uma mudança na forma como as políticas de preservação são conduzidas no estado. Segundo a direção da Fundação Florestal, a eficácia da resiliência climática paulista depende diretamente do reconhecimento e da autonomia das populações que habitam as áreas de preservação, aliando conservação ambiental à justiça social. 
Com a consolidação desta terceira fase, os investimentos históricos no programa ultrapassam a marca de R$ 6,4 milhões, inserindo-se em uma rede mais ampla de 61 projetos de remuneração por serviços ambientais atualmente ativos no estado.
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A presidente da Petrobras, Magda Chambriard, informou que a perfuração já alcançou cerca de 3 mil metros de profundidade em lâmina d'água e outros 3 mil metros em rocha. Segundo ela, ainda falta perfurar aproximadamente 1 mil metros até o fundo do poço.
“É uma descoberta que é fruto de um trabalho de anos, com muita tecnologia embarcada, muito esforço e muito investimento, mas que até agora confirmou todas as nossas expectativas de um potencial relevante de petróleo na Margem Equatorial, mais especificamente no litoral do estado do Amapá”, afirmou Magda, durante visita ao Oiapoque.
O poço Morpho está localizado a cerca de 175 quilômetros da costa do Amapá e a aproximadamente 500 quilômetros da Foz do Amazonas. A lâmina d'água no local é de 2.886 metros.
Segundo a presidente da Petrobras, ainda não é possível estimar o volume de petróleo encontrado ou o potencial de produção da área. A previsão é de que a perfuração seja concluída em 15 a 20 dias.
De acordo com Magda, desde agosto do ano passado, quando teve início a atual campanha exploratória na região, a Petrobras já investiu US$ 3 bilhões. A presidente informou também que as operações de exploração têm custo de cerca de US$ 1 milhão por dia.
A descoberta de petróleo em um poço exploratório, no entanto, não significa, por si só, a confirmação de uma reserva comercialmente explorável. Após a conclusão da perfuração, serão necessários estudos para avaliar o volume, as características do reservatório e a viabilidade técnica e econômica de uma eventual produção.
Próximas etapas
Magda Chambriard afirmou que a descoberta reforça as expectativas da Petrobras sobre o potencial exploratório da Margem Equatorial. Segundo ela, a estatal pretende dar continuidade às atividades na região.
“Se tudo der certo, e tudo está dando certo até agora, a gente tem o condão de produzir numa área que pode ajudar de uma maneira muito importante a recomposição das reservas da Petrobras e do Brasil”, disse.
Segundo a presidente, a Petrobras tem outros poços previstos no programa exploratório da região. A estatal também protocolou no Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) pedidos de licenciamento para novas perfurações na Margem Equatorial.
A Petrobras é operadora do bloco BM-FZA-59 e detém 100% de participação na área. O bloco foi adquirido na 11ª Rodada de Licitações da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP), em 2013, sob o regime de concessão.
Transição energética
Durante visita à região nesta segunda-feira, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva destacou a importância da descoberta para o futuro da produção de petróleo no país. Ele afirmou, no entanto, que a exploração da Margem Equatorial não altera a estratégia brasileira de investimento em fontes renováveis de energia. “O país vai continuar sendo o país da inovação dos biocombustíveis e vai continuar sendo muito grande na questão do combustível renovável”, disse Lula.
Segundo Lula, o país deverá manter os investimentos em biocombustíveis e em outras fontes de energia renovável, ao mesmo tempo em que busca avaliar o potencial de novas áreas para a produção de petróleo.
Mais Lidas  </description>  <media:content url="https://s2-umsoplaneta.glbimg.com/nQS3yLI--3X4lEdsk96XsDuEZEc=/i.s3.glbimg.com/v1/AUTH_7d5b9b5029304d27b7ef8a7f28b4d70f/internal_photos/bs/2026/0/4/HkgJLHSay9eKO44IQPyw/sonda-ns-42-odn-ii-home-divulgacao-foresea.jpg" medium="image"/>   <media:description>Petrobras encontra petróleo em poço na Margem Equatorial</media:description>   <media:credit>Divulgação/Petrobras</media:credit>  <category>umsoplaneta</category> <pubDate>Tue, 18 Aug 2026 12:29:31 -0000</pubDate>  </item>  <item> <title>Fósseis antigos de pinguins revelam detalhes de Antártica quente e úmida</title>  <atom:subtitle>Estudo com escaneamento de raio-X em fósseis de pinguins revela como a Antártida fez a transição de um clima quente e úmido para o frio extremo</atom:subtitle>  <link>https://umsoplaneta.globo.com/clima/noticia/2026/08/18/fosseis-antigos-de-pinguins-revelam-detalhes-de-antartica-quente-e-umida.ghtml</link> <guid isPermaLink="true">https://umsoplaneta.globo.com/clima/noticia/2026/08/18/fosseis-antigos-de-pinguins-revelam-detalhes-de-antartica-quente-e-umida.ghtml</guid> <description>  <![CDATA[ <img src="https://s2-umsoplaneta.glbimg.com/XBuaTmZnl-fc7NSwXmUKRmuhFKo=/i.s3.glbimg.com/v1/AUTH_7d5b9b5029304d27b7ef8a7f28b4d70f/internal_photos/bs/2025/V/8/svTxztTEu2tCbzKO9j2Q/southern-ocean-sea-ice.webp" /><br /> ]]>    Uma equipe de paleontólogos da Universidade de Geociências da China, em Pequim, descobriu que ossos antigos de pinguins podem atuar como verdadeiros "arquivos químicos" das mudanças climáticas globais. Analisando fósseis encontrados na Ilha Seymour, localizada na Península Antártica, os pesquisadores conseguiram traçar a evolução do clima no continente ao longo de milhões de anos. 
O estudo, focado na época geológica do Eoceno, revela detalhes cruciais sobre a transição da Antártida, que deixou de ser um ambiente relativamente quente e úmido para se transformar no mundo gélido que conhecemos hoje.
Para examinar essas relíquias raras sem causar qualquer dano à sua estrutura, os cientistas utilizaram uma técnica de escaneamento de fluorescência de micro-raios-X. Esse método não destrutivo permitiu mapear os elementos químicos presentes na superfície dos ossos.
A equipe precisou superar desafios práticos significativos, como as formas irregulares e as superfícies curvas dos fósseis. Para garantir a precisão da leitura, os ossos foram posicionados da forma mais horizontal possível, mantendo uma distância constante entre a cabeça de escaneamento e a superfície analisada.
Os resultados das varreduras revelaram diferenças marcantes na composição química dependendo do período geológico do animal. Fósseis mais antigos, datados de aproximadamente 55 milhões de anos, apresentaram níveis substancialmente mais altos de titânio, silício e potássio. 
Segundo os pesquisadores, esse padrão químico está diretamente associado a um intenso intemperismo continental (desgaste das rochas e solos) e ao forte escoamento de água terrestre, características típicas de um clima quente e úmido. Em contrapartida, os fósseis mais recentes — originários de períodos mais frios do Eoceno médio e superior — mostraram sinais elementares muito menores.
Além de rastrear as condições meteorológicas da superfície terrestre, o escaneamento também detectou padrões de ferro, manganês e enxofre presos no interior dos ossos. Esses elementos refletem as alterações químicas que ocorreram nos sedimentos marinhos à medida que os fósseis foram sendo soterrados ao longo do tempo. 
Publicado na revista científica Fossil Record, o estudo demonstra que a geoquímica óssea se consolida como uma ferramenta inovadora e valiosa, complementando técnicas tradicionais como a perfuração de sedimentos marinhos e abrindo novas frentes para as pesquisas sobre a história ambiental do nosso planeta.
Mais Lidas  </description>  <media:content url="https://s2-umsoplaneta.glbimg.com/XBuaTmZnl-fc7NSwXmUKRmuhFKo=/i.s3.glbimg.com/v1/AUTH_7d5b9b5029304d27b7ef8a7f28b4d70f/internal_photos/bs/2025/V/8/svTxztTEu2tCbzKO9j2Q/southern-ocean-sea-ice.webp" medium="image"/>   <media:description>Antártica está perdendo gelo.</media:description>   <media:credit>University of Southampton</media:credit>  <category>umsoplaneta</category> <pubDate>Tue, 18 Aug 2026 10:09:10 -0000</pubDate>  </item>  <item> <title>Novo sistema do Ibama endurece checagem de dados ambientais para concessão de crédito rural</title>  <atom:subtitle>Nova plataforma do Ibama cruza dados do Cadastro Ambiental Rural (CAR) para auxiliar bancos na análise de risco socioambiental para a concessão de crédito rural</atom:subtitle>  <link>https://umsoplaneta.globo.com/sociedade/noticia/2026/08/18/novo-sistema-do-ibama-endurece-checagem-de-dados-ambientais-para-concessao-de-credito-rural.ghtml</link> <guid isPermaLink="true">https://umsoplaneta.globo.com/sociedade/noticia/2026/08/18/novo-sistema-do-ibama-endurece-checagem-de-dados-ambientais-para-concessao-de-credito-rural.ghtml</guid> <description>  <![CDATA[ <img src="https://s2-umsoplaneta.glbimg.com/bhbORVoHv4G8bBg5oAdVQyLVnHI=/i.s3.glbimg.com/v1/AUTH_7d5b9b5029304d27b7ef8a7f28b4d70f/internal_photos/bs/2023/z/Y/GRwytYT1AtzFFomJ9Q7w/gettyimages-832155674.jpg" /><br /> ]]>    O Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) implementou uma nova ferramenta tecnológica para aprimorar a checagem ambiental de propriedades rurais no Brasil. Oficializada pela Portaria nº 151, a plataforma, batizada de Sistema Prisma, atua cruzando as informações autodeclaradas pelos proprietários no Cadastro Ambiental Rural (CAR) com mapas e bases de dados geoespaciais oficiais.
O objetivo da iniciativa é gerar indicadores mais precisos sobre a conformidade ambiental dos imóveis, criando um filtro rigoroso que impactará diretamente o acesso a financiamentos por parte do setor agropecuário.
Gerenciado pelo Centro Nacional de Monitoramento e Informações Ambientais (Cenima), o sistema possui acesso restrito e não é aberto ao público geral. A navegação é permitida apenas para instituições públicas e privadas previamente cadastradas e autorizadas, com login via portal Gov.br, tendo os bancos e agências de fomento como os principais usuários. 
Na prática, as instituições financeiras passarão a utilizar o Prisma como uma camada extra de segurança e auditoria antes de aprovarem a concessão de crédito rural. A plataforma é capaz de emitir o "Relatório de Indicadores de Integridade Ambiental", que aponta imediatamente eventuais sobreposições de terras — como invasão de áreas de preservação ou terras indígenas — e outras inconsistências cadastrais.
Para os produtores e empreendedores rurais, a novidade acende um alerta sobre a necessidade de manter a documentação rigorosamente em dia. Especialistas do setor jurídico alertam que qualquer divergência entre o que foi declarado no CAR e o que for detectado pelos cruzamentos de dados do Ibama poderá travar a liberação de recursos. 
Dessa forma, torna-se recomendável que os proprietários revisem minuciosamente seus cadastros antes de buscarem os bancos, evitando que imprecisões técnicas, desatualizações ou falhas de sistema se transformem em barreiras financeiras e burocráticas.
Apesar de fornecer um panorama tecnológico e detalhado sobre a situação das propriedades, o governo ressalta que o relatório gerado pelo Prisma tem caráter estritamente informativo. O documento não substitui as análises técnicas ou jurídicas convencionais e não serve como uma certidão definitiva de regularidade ou irregularidade ambiental. 
Caso o sistema aponte algum problema durante a análise de crédito, o produtor rural ainda terá a oportunidade de investigar a origem do apontamento e apresentar defesas baseadas em outros documentos técnicos para comprovar a legalidade de sua área perante a instituição financeira.
Mais Lidas  </description>  <media:content url="https://s2-umsoplaneta.glbimg.com/bhbORVoHv4G8bBg5oAdVQyLVnHI=/i.s3.glbimg.com/v1/AUTH_7d5b9b5029304d27b7ef8a7f28b4d70f/internal_photos/bs/2023/z/Y/GRwytYT1AtzFFomJ9Q7w/gettyimages-832155674.jpg" medium="image"/>   <media:description>Colheita agricultura plantação agro</media:description>   <media:credit>Getty Images</media:credit>  <category>umsoplaneta</category> <pubDate>Tue, 18 Aug 2026 10:07:08 -0000</pubDate>  </item>  <item> <title>Do vinho ao queijo: o que o clima extremo na Europa pode antecipar para a produção brasileira
</title>  <atom:subtitle>Eventos extremos já afetam a qualidade e a produtividade de vinhos, queijos e outras culturas na Europa. No Rio Grande do Sul, mudanças no regime de chuvas e temperaturas colocam a produção sob pressão</atom:subtitle>  <link>https://umsoplaneta.globo.com/clima/noticia/2026/08/18/do-vinho-ao-queijo-o-que-o-clima-extremo-na-europa-pode-antecipar-para-a-producao-brasileira.ghtml</link> <guid isPermaLink="true">https://umsoplaneta.globo.com/clima/noticia/2026/08/18/do-vinho-ao-queijo-o-que-o-clima-extremo-na-europa-pode-antecipar-para-a-producao-brasileira.ghtml</guid> <description>  <![CDATA[ <img src="https://s2-umsoplaneta.glbimg.com/HaQQbDL2gT7l-WfA61Bl-a5rf0s=/i.s3.glbimg.com/v1/AUTH_7d5b9b5029304d27b7ef8a7f28b4d70f/internal_photos/bs/2025/M/k/d6bokNTf6BbUBCz8fY1g/gettyimages-1333054131.jpg" /><br /> ]]>    Incêndios, secas, ondas de calor e chuvas extremas deixaram de ser apenas uma ameaça à população e à infraestrutura. Em algumas das regiões agrícolas mais tradicionais da Europa, eventos climáticos já começam a interferir em produtos que carregam séculos de tradição — e que dependem de condições ambientais específicas para manter qualidade e produtividade.
Na França, os incêndios que consumiram mais de 115 mil hectares neste verão chegaram a regiões próximas a Bordeaux, um dos principais polos vinícolas do mundo. Mesmo quando as chamas não atingem diretamente as videiras, a fumaça pode comprometer a qualidade das uvas, cujos compostos absorvidos da atmosfera podem alterar aroma e sabor do vinho.
Na Itália, o calor extremo e a falta de chuva afetam a disponibilidade de pastagens e, consequentemente, a produção de leite utilizado no Parmigiano Reggiano. Na França, pesquisas já relacionaram períodos de seca a alterações nas características sensoriais do queijo Cantal.
O que acontece hoje na Europa funciona como um alerta para o Brasil. No Rio Grande do Sul, um dos principais polos agropecuários e vitivinícolas do país, sendo responsável por cerca de 85% a 90% de toda a produção nacional de vinhos, espumantes e sucos de uva, mudanças no regime de chuvas e temperaturas já colocam em xeque condições que durante décadas ajudaram a definir a produção local.
O problema não se resume às enchentes que devastaram o Estado em maio de 2024. Geadas fora de época, temperaturas mais elevadas, estiagens e alterações na distribuição das chuvas podem interferir no ciclo da videira e na quantidade e qualidade das uvas.
Neste mês, a Secretaria Nacional de Proteção e Defesa Civil reconheceu situação de emergência em 19 municípios gaúchos atingidos por chuvas intensas, enxurradas, tornado, vendaval e granizo desde julho. A sequência de eventos extremos inclui um ciclone-bomba e alertas do Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet) para chuva intensa e ventos de até 100 km/h.

O risco climático no Vale dos Vinhedos
Um estudo publicado em 2024 na Revista Observatorio de la Economía Latinoamericana avaliou a exposição climática de Bento Gonçalves, Garibaldi e Monte Belo do Sul, municípios do Vale dos Vinhedos, na Serra Gaúcha. O artigo é assinado por Annaelise Fritz Machado, Sara Fialho, Janderson Damaceno dos Reis, Tibério Alfredo Silva, Gabriel Gomes Bastos, Leonardo Chevitarese, André Luiz Lopes de Faria e Joice Lavandoski. A pesquisa, conduzida por pesquisadores da Universidade Federal de Viçosa (UFV), com colaboração da UFJF e da Unirio, utilizou dados da plataforma Adapta Brasil, do Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI).
A pesquisa utilizou dados da plataforma Adapta Brasil, do Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI), para analisar riscos relacionados às mudanças climáticas na região.
Bento Gonçalves apresentou o maior índice de exposição a chuvas intensas entre os três municípios, com 0,68 em uma escala de zero a um. O índice foi de 0,61 em Garibaldi e 0,54 em Monte Belo do Sul. Os três municípios apresentaram vulnerabilidade moderada e capacidade adaptativa entre moderada e alta.
Segundo o estudo, geadas antecipadas podem danificar brotos e flores e comprometer a safra. Já chuvas excessivas podem reduzir a concentração de açúcares e compostos fenólicos das uvas, favorecer doenças fúngicas, como míldio e oídio, e aumentar o risco de rachaduras na casca.
As enchentes de 2024 acrescentaram outro tipo de vulnerabilidade: a da infraestrutura. Além dos danos às áreas produtoras, vinícolas tiveram estruturas afetadas e enfrentaram dificuldades para receber insumos e escoar a produção.
Para André Luiz Lopes de Faria, professor da UFV e um dos autores do estudo, esse é um dos pontos centrais da discussão climática: não basta olhar para o impacto direto sobre a cultura; é preciso analisar toda a cadeia econômica e a população que depende dela.
"Não apenas pensando na atividade econômica em si, mas pensando na sociedade. Por trás da atividade econômica estão as pessoas", afirma Faria.
O que é evento extremo — e o que pode ser um novo padrão?
Para Faria, a primeira condição para preparar uma região para um clima mais instável é saber exatamente o que está mudando. Isso exige monitoramento contínuo e séries históricas capazes de distinguir uma ocorrência excepcional de uma alteração permanente.  
"Se eu não monitorar o clima num período longo, não posso falar se o evento que ocorreu está mostrando algo atípico ou normalização, exceção ou novo padrão", afirma.
O problema, segundo ele, não é apenas acadêmico. Sem dados adequados, obras de infraestrutura são planejadas com uma margem de incerteza maior. Barragens, sistemas de drenagem e outras estruturas precisam considerar a possibilidade de eventos mais intensos do que aqueles registrados no passado. "Se a gente não tem essa informação, não conseguimos fazer com qualidade. Sempre vai ter uma deficiência", diz.
A mesma lógica vale para a agricultura. Se o monitoramento mostrar que determinada variedade de uva está se aproximando do limite de tolerância ao calor, por exemplo, a pesquisa pode buscar variedades mais resistentes tanto à elevação da temperatura quanto à falta de água.
Adaptar o vinho ao clima
A adaptação, portanto, não significa apenas instalar irrigação ou reconstruir o que foi destruído. Para o pesquisador, é necessário trabalhar conjuntamente com solo, água e vegetação, recuperando nascentes e barreiras verdes e testando sistemas agroflorestais.
Nas propriedades vitivinícolas, isso pode significar introduzir outras culturas sem comprometer a produção principal. Café, manga, banana e abacate são exemplos citados pelo professor para testes em áreas como estradas internas e bordas das propriedades.
A lógica é que uma cobertura vegetal maior pode proteger o solo contra a erosão, favorecer a infiltração de água e contribuir para a ciclagem de nutrientes. Também pode ajudar a reduzir a pressão sobre os recursos hídricos. "Se o vinho é carro-chefe, o que podemos produzir com o vinho?", questiona.
A estratégia, segundo ele, combina práticas tradicionais de manejo com novas tecnologias e melhoramento genético. O objetivo não é apenas preservar a produção diante do clima atual, mas criar condições para que ela continue viável em um ambiente diferente.

A vulnerabilidade da cadeia também aparece fora da propriedade rural. No Vale dos Vinhedos, o vinho está diretamente associado ao turismo. Isso significa que uma enchente pode interromper a atividade mesmo quando a área produtora permanece relativamente preservada.
Foi o que ocorreu depois das enchentes de 2024, segundo Faria. Pontes e estradas destruídas impediram o acesso de turistas e comprometeram os diferentes modais de transporte. "Toda a cadeia produtiva parou", afirma. "Mesmo que a área do atrativo não tenha sofrido tanto impacto, mesmo que a atividade virtual [continue], o vinho é sensorial." A observação é importante porque mostra que o risco climático não se limita à lavoura. Pode atingir logística, turismo, comércio, infraestrutura e renda de uma região inteira.
A lição das enchentes de 2024
Para Faria, o desastre gaúcho também expôs os limites de uma estratégia baseada apenas em reconstrução. Ao descrever os impactos das enchentes no Vale do Taquari, o professor fala em "terra arrasada". Em alguns pontos, segundo ele, o solo foi completamente levado pela água e a superfície ficou sobre a rocha. 
A principal lição, diz, é que não basta reconstruir no mesmo lugar. "Não dá mais para agir da forma como agimos diante das mudanças que temos observado", afirma. Isso significa rever a ocupação de áreas de risco e evitar que recursos destinados à reconstrução simplesmente devolvam as pessoas às mesmas condições de vulnerabilidade. "Não adianta pegar recurso do governo e colocar as residências no mesmo local. A chance de acontecer o mesmo problema é grande."
Para o governador Eduardo Leite (PSD), a preparação do Estado passa também por ampliar a capacidade de monitoramento e antecipação dos eventos extremos. O programa Rio Grande, criado após as enchentes de 2024, reúne mais de 200 projetos de resiliência, entre eles novos radares meteorológicos, estações hidrometeorológicas e a realocação de cerca de 2.261 imóveis identificados em áreas de risco no Vale do Taquari.
Mas o governador chama atenção para um risco que, embora menos visível que uma enchente, tem provocado perdas importantes no campo gaúcho: a estiagem. Segundo Leite, o Estado enfrentou quatro períodos severos de seca nos últimos seis anos, com perdas de 30% a 40% nas safras de milho e soja. Por isso, a estratégia de adaptação também envolve aumentar a capacidade de armazenamento e uso da água.
O governo lançou o Terra Forte, programa de recuperação de solos que já recebeu R$ 300 milhões e tem meta de chegar a R$ 900 milhões, e o Irriga Mais, que subsidia parte do custo de sistemas de irrigação para produtores rurais.
No caso da vitivinicultura, Leite afirma que a preocupação não está apenas em eventos extremos isolados, mas na alteração das condições ao longo de todo o ciclo produtivo. E destacou que o principal problema para a produção de uvas é a geada. 
Um problema que vai além do vinho
A discussão sobre a vitivinicultura gaúcha é um exemplo de um desafio maior, que envolve como manter atividades econômicas em territórios onde as condições ambientais estão mudando.
O Rio Grande do Sul enfrentou quatro estiagens severas nos últimos seis anos, segundo o governador Eduardo Leite, com perdas de 30% a 40% nas safras de milho e soja. No caso das uvas, Leite afirma que a alteração das condições ao longo do ciclo produtivo — especialmente temperaturas e geadas — pode afetar quantidade e qualidade da produção.
O governo estadual respondeu com programas de recuperação de solos e incentivo à irrigação, além de investimentos em monitoramento e infraestrutura de prevenção depois das enchentes de 2024. O programa Rio Grande reúne mais de 200 projetos de resiliência, incluindo novos radares meteorológicos e estações hidrometeorológicas, além da realocação de cerca de 2.261 imóveis identificados em áreas de risco no Vale do Taquari.
Mas a preparação para um clima diferente não depende apenas de obras. Para Faria, é necessário ampliar a pesquisa científica, melhorar o acesso da população às informações e incorporar o conhecimento local às decisões. Ele defende uma participação maior de empresas, comunidades e populações tradicionais no planejamento territorial.
Os incêndios na França e na Espanha ajudam a tornar visível um fenômeno que também começa a ganhar contornos brasileiros: a mudança climática não precisa tornar uma atividade imediatamente impossível para ameaçá-la. Pode alterar a qualidade de um produto, antecipar ou atrasar uma safra, aumentar a necessidade de água, destruir uma estrada, interromper o turismo ou elevar o custo de produção.
O desafio, portanto, não é apenas proteger a videira de uma geada ou uma cidade de uma enchente. É entender como todo o sistema produtivo — solo, água, vegetação, infraestrutura, logística e pessoas — responde a um clima mais instável. E, nesse sentido, o que ocorre hoje nas tradicionais regiões produtoras europeias pode ser menos uma exceção distante do que um aviso sobre o tipo de adaptação que o Brasil precisará fazer.
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O alerta inicial foi dado pela ONG ambiental WeWhale, que monitora a vida marinha na região. Ao comparar registros fotográficos atuais com imagens capturadas semanas antes, a equipe notou as lesões. Uma análise técnica mais aprofundada, conduzida pelo Grupo de Trabalho Orca Atlântica, concluiu que os buracos são compatíveis com o impacto de disparos de espingarda. Segundo os especialistas, a disposição das marcas — agrupadas em fileiras — coincide com o padrão de dispersão de esferas de chumbo de 9 milímetros, um tipo de munição pesada frequentemente utilizada na caça de javalis.
Diante da gravidade da denúncia, o Ministério para a Transição Ecológica da Espanha abriu diligências preliminares para apurar os fatos e identificar os possíveis responsáveis. A ministra Sara Aagesen confirmou que as lesões indicam disparos de arma de fogo e reforçou o rigor da legislação. 
A população de orcas da região é classificada como vulnerável e qualquer ato de violência contra elas constitui crime grave, sujeito a responsabilidade penal e multas que podem chegar a 2 milhões de euros. O instituto científico CIRCE, que acompanha o grupo desde 1999, também participa da investigação analisando o acervo histórico de imagens de Toñi.
O suposto ataque ocorre em meio a um histórico recente de tensões nas águas ibéricas. Desde 2020, o Estreito de Gibraltar e o Golfo de Cádiz vêm registrando um aumento significativo nas interações físicas entre orcas e embarcações de pequeno e médio porte, gerando apreensão entre marinheiros e pescadores. 
Como precaução, as autoridades marítimas espanholas recomendam evitar a navegação na área crítica entre abril e agosto e orientam os navegadores a recuar pacificamente em caso de contato. Para as ONGs que atuam na região, o caso de Toñi acende um alerta perigoso sobre a possibilidade de retaliações humanas, ressaltando que esses animais necessitam de preservação, e não de violência.
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A mudança vem para encerrar o período de calor atípico qu a região enfrentava. O processo de formação do ciclone, conhecido como ciclogênese, terá início ainda na noite de quarta-feira, 19, a partir de uma área de instabilidade entre a Argentina e o Paraguai, segundo a Meteored Brasil. Segundo os especialistas, na manhã de quinta-feira, 20, um sistema de baixa pressão se estabelecerá sobre o Rio Grande do Sul, elevando o risco de temporais nas regiões Oeste, Missões e Central.
O ápice da ventania está previsto para a sexta-feira, 21. Embora o ciclone já esteja totalmente formado e comece a se afastar em direção ao oceano, as bordas do sistema continuarão influenciando o continente.
O maior risco de danos, alertam os especialistas, ocorrerá durante a madrugada de quinta para a sexta-feira, 21, com alerta de rajadas de 70 a 100 km/h no leste e nordeste do Rio Grande do Sul, estendendo-se por toda a faixa leste de Santa Catarina e Paraná. Simultaneamente, a incursão da massa polar chega na região Sul, marcando o retorno do frio rigoroso do inverno.
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A terra é o elemento que une todas as discussões. Em torno dela, giram as negociações entre representantes dos governos e da sociedade civil. O evento deste ano traz expectativas por ações mais concretas de proteção da terra e também carrega a missão de resolver pendências deixadas pela última conferência, a COP16, em Riad, na Arábia Saudita, em 2024.
A principal questão envolve avançar na criação de um novo instrumento internacional para fortalecer a governança sobre secas, tema sobre o qual não se teve acordo em Riad.
Outro ponto central são as metas de Neutralidade da Degradação da Terra (LDN, na sigla em inglês). A previsão é que os países participantes apresentem relatórios sobre como têm agido para garantir que a quantidade e a qualidade dos recursos vindos da terra se mantenham estáveis ou avancem.
Chão rachado devido ao nível baixo do rio Igarapé Tarumã-açu, na maior seca em 121 anos que Manaus sofreu em 2023
Rafa Neddermeyer/Agência Brasil
A ampliação do financiamento global para combater a degradação da terra; o fortalecimento das novas estruturas de participação social ,como grupos de gênero, juventude e povos indígenas; e a maior articulação entre as três convenções ambientais da ONU, a do clima, a da biodiversidade e a da desertificação, completam a lista de demandas principais.
A secretária-executiva da Convenção das Nações Unidas de Combate à Desertificação (UNCCD, na sigla em inglês), Yasmine Fouad, disse à Agência Brasil que espera resultados concretos na COP17.
"Há um reconhecimento crescente entre as Partes de que terras saudáveis ​​são a base para a segurança alimentar e hídrica, a resiliência econômica e o desenvolvimento sustentável", disse Fouad.
"A COP17 oferece uma oportunidade não apenas de avançar nas negociações, mas também de demonstrar que a Convenção está se tornando, cada vez mais, uma plataforma para a entrega de soluções práticas e resultados mensuráveis", complementou.
A conferência também terá o lançamento de novos relatórios globais como o The Drying Planet – Drought in Numbers 2026 (O Planeta que Seca – A Seca em Números),  a terceira edição do Global Land Outlook 3 (Perspectiva Global da Terra) e o primeiro Índice Mundial de Resiliência à Seca.
Desertificação no Brasil ameaça água, alimento, clima e biodiversidade.  Nordeste brasileiro é o mais afetado pelos processos de seca e desertificação
ASA / Divulgação
Regime global das secas
A COP de Combate à Desertificação também ainda precisa firmar um mecanismo político de peso equivalente ao das outras conferências globais pelo meio ambiente ─ a Convenção do Clima conta com o Acordo de Paris, que orienta o combate ao aquecimento global, e a Convenção da Biodiversidade tem o Marco Global Kunming-Montreal, para deter e reverter perdas da natureza.
O que mais se aproxima disso é a proposta de criar um instrumento global de combate às secas. Ele foi defendido em 2024, por países africanos, que esperavam um protocolo juridicamente vinculante, ou seja, com obrigações legais de cumprimento pelos governos. Não houve consenso por causa da resistência de alguns países desenvolvidos, que queriam algo menos rígido.
Segundo a secretária-executiva Yasmine Fouad, há motivos para otimismo nesta nova rodada de negociações. Segundo ela, desde 2013, o número de países com planos nacionais de seca passou de apenas alguns para mais de 70.
"Embora continuem avançando as discussões sobre a governança da seca, a COP17 coloca ênfase especial na implementação. Espera-se que a conferência fortaleça as ferramentas práticas, os mecanismos de financiamento e as parcerias necessárias para transformar planos de combate à seca em ações concretas", diz Fouad.
Caatinga, principal bioma brasileiro ameaçado pela desertificação.
ASA / Divulgação.
Financiamento
A diretora-gerente do Mecanismo Global da UNCCD, Louise Baker, aponta o financiamento como um dos principais desafios da conferência. Segundo ela, seriam necessários cerca de US$ 1 bilhão por dia até 2030 para alcançar os objetivos da Convenção de proteção da terra.
"O investimento atual fica muito aquém desse patamar. O financiamento público desempenha um papel essencial na redução de riscos e na viabilização de fluxos muito maiores de investimento privado. É por isso que o financiamento é um foco central na COP17", disse Baker.
Para a executiva, uma das estratégias para ampliar os recursos é aproximar o setor privado da agenda de combate à degradação da terra. Segundo ela, empresas dos setores de alimentos e bebidas, moda, farmacêutico e cosméticos dependem diretamente de matérias-primas produzidas em áreas saudáveis e, por isso, passam a ter interesse econômico na conservação e restauração.
"Cada dólar investido na restauração de terras pode gerar entre sete e 30 dólares em benefícios econômicos, tornando-a um dos investimentos de maior retorno disponíveis", afirma.
"As discussões explorarão como o financiamento misto, as garantias e outros instrumentos podem reduzir os riscos de investimento, juntamente com abordagens comuns de valoração da natureza que podem ajudar governos, bancos de desenvolvimento e investidores privados a canalizar mais capital para a restauração de terras e a resiliência à seca", complementa.
Da Amazônia à Europa, seca avança e movimenta debates na COP17. Rio seco no Semiárido Nordestino
ASA / Divulgação
Neutralidade da Degradação da Terra
Mais de 130 países já adotaram metas voluntárias de Neutralidade da Degradação da Terra (LDN, na sigla em inglês), que buscam equilibrar a degradação e a restauração do solo, para que a quantidade de terras saudáveis e produtivas se mantenha estável ou aumente. A estratégia segue uma hierarquia: evitar, reduzir e reverter a degradação.
Segundo a secretária-executiva Yasmine Fouad, as metas não podem ser vistas apenas como soluções para o meio ambiente, mas também como investimentos em economias resilientes, sistemas alimentares mais robustos e um futuro mais seguro para comunidades em todo o mundo.
"Até 2050, a agricultura precisará produzir pelo menos 50% mais alimentos, mesmo enquanto o mundo continua perdendo cerca de 100 milhões de hectares de terras saudáveis ​​e produtivas a cada ano — uma área ligeiramente maior que o estado de Mato Grosso", disse Fouad.
"Visto que as terras agrícolas representam cerca de 60% das terras degradadas em nível global, melhorar a forma como são manejadas é fundamental para alcançar a Neutralidade da Degradação da Terra", complementou.
O governo brasileiro deve apresentar à comunidade internacional seu primeiro conjunto de metas da LDN.
Segundo o diretor do Departamento de Combate à Desertificação e Mitigação dos Efeitos da Seca (DCDE) no Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima (MMA), Alexandre Pires, um levantamento realizado em parceria entre órgãos do governo e instituições de pesquisa identificou cerca de 55 milhões de hectares de terras em processo de degradação em 2020.
"O Brasil tem uma contribuição muito grande em iniciativas para evitar, reduzir ou reverter a degradação. Entre elas, estão políticas de conservação de unidades de conservação, de garantia de direitos territoriais de povos indígenas e comunidades tradicionais", diz o diretor. "Vamos apontar várias outras iniciativas que estão vinculadas ao conceito de restauração, para que possamos contribuir globalmente com as metas".
Participação
Além das negociações multilaterais, a programação oficial prevê debates sobre restauração de áreas de pastagens, segurança hídrica, sistemas alimentares, saúde dos solos e resiliência à seca, além de fóruns voltados a povos indígenas, comunidades locais, juventude, setor privado e pastoralistas.
Durante a COP16, em 2024, foi aprovada uma proposta brasileira para a criação do "Caucus Indígena e de Comunidades Tradicionais". Caucus são espaços oficiais de articulação política e troca de experiências dentro da convenção. Na Mongólia, portanto, será a primeira vez que os indígenas terão esse lugar de destaque na agenda oficial.
O diretor Alexandre Pires vê isso como um dos grandes avanços do evento. "São os povos indígenas e comunidades tradicionais que estão nos territórios semiáridos sendo afetados pela degradação da terra, pela desertificação e pelas secas. Eles precisam ter voz dentro da Convenção", diz Pires.
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A tecnologia é um avanço para o desenvolvimento de medicamentos, a avaliação da segurança de materiais e as pesquisas em ecotoxicologia (área que estuda o impacto de substâncias nos ecossistemas), além de contribuir para a redução da experimentação animal. 
O dispositivo usa microfluídica, tecnologia que permite controlar com precisão o fluxo de nutrientes, oxigênio e substâncias em testes em escala microscópica, mantendo modelos celulares tridimensionais mais próximos da estrutura e do funcionamento dos tecidos humanos. Em comparação às culturas celulares convencionais, cultivadas em superfícies planas, os modelos 3D oferecem melhores respostas sobre os efeitos de fármacos, nanomateriais e poluentes ambientais.
Produzida em PDMS – um tipo de silicone maleável, transparente, biocompatível e de baixo custo –, a plataforma permite a realização de múltiplos experimentos de forma automatizada. Um dos principais diferenciais é seu design reversível, que permite abrir o dispositivo após os ensaios e recuperar os modelos celulares intactos para análises adicionais. Dessa forma, amplia as possibilidades de investigação dos mecanismos de ação das substâncias avaliadas.
Publicado em julho na revista científica ACS Measurement Science Au, o estudo é desenvolvido no âmbito do Centro de Pesquisa em Engenharia Molecular para Materiais Avançados (CEMol), um Centro de Pesquisa, Inovação e Difusão (CEPID) financiado pela FAPESP no CNPEM.
O trabalho apresenta três avanços principais. O primeiro é o desenvolvimento de um protocolo experimental padronizado, reprodutível e de fácil utilização, permitindo que pesquisadores sem experiência prévia em microfluídica utilizem a tecnologia em ensaios celulares de rotina. 
O segundo diferencial é a possibilidade de recuperar os modelos celulares tridimensionais após os testes para análises complementares. Essa característica, incomum em plataformas microfluídicas, permite investigar com mais profundidade como fármacos e materiais interagem com as células. O terceiro avanço é a realização de ensaios sob condições de fluxo contínuo, reproduzindo de maneira mais fiel a circulação de nutrientes e moléculas observada no organismo.
Dessa forma, os resultados obtidos em laboratório tendem a refletir com maior precisão o comportamento das substâncias em sistemas biológicos reais. “Desenvolvemos um protocolo simples e reprodutível, que permitirá o uso da plataforma por pesquisadores de diferentes áreas. 
Além disso, a possibilidade de recuperar os modelos celulares após os ensaios amplia significativamente as análises que podem ser realizadas”, explica à Assessoria de Imprensa do CNPEM Iris Renata Sousa Ribeiro, pesquisadora de pós-doutorado vinculada ao Laboratório Nacional de Nanotecnologia (LNNano-CNPEM) e primeira autora do estudo.
A equipe trabalha agora para disponibilizar até o início do ano que vem a plataforma como infraestrutura aberta a pesquisadores externos de universidades, institutos de pesquisa e empresas. O objetivo é ampliar seu uso em estudos nas áreas de farmacologia, nanotecnologia, ciência dos materiais, biotecnologia e ecotoxicologia. “Queremos que pesquisadores de todo o país possam utilizar essa tecnologia para desenvolver ensaios de toxicidade mais precisos e mais próximos das condições reais encontradas em organismos vivos”, afirma Ribeiro.
O trabalho também foi apoiado pela FAPESP por meio dos projetos 22/02378-0, 23/00246-1, 24/14758-7, 25/22142-9, 25/00614-6, 25/22280-2 e 25/26623-1. O artigo Reversible microfluidic platform for spheroid culturing, downstream characterization, and dynamic anticancer susceptibility testing pode ser lido em: pubs.acs.org/doi/10.1021/acsmeasuresciau.6c00140.
Mais Lidas  </description>  <media:content url="https://s2-umsoplaneta.glbimg.com/QAh58YGFk0Yp07DuJ6WWBTwTVrs=/i.s3.glbimg.com/v1/AUTH_7d5b9b5029304d27b7ef8a7f28b4d70f/internal_photos/bs/2026/r/A/YzDmGvRTAhAM19ZMpihQ/58955.jpg" medium="image"/>   <media:description>Plataforma microfluídica durante teste de toxicologia; o design reversível permite abrir o dispositivo após os ensaios e recuperar os modelos celulares intactos para análises adicionais</media:description>   <media:credit>CNPEM</media:credit>  <category>umsoplaneta</category> <pubDate>Mon, 17 Aug 2026 13:00:21 -0000</pubDate>  </item>  <item> <title>Iniciativa promete integrar a agenda climática ao planejamento financeiro até 2027</title>  <atom:subtitle>Projeto do iCS, Cicef e C40 Cidades vai alinhar metas climáticas aos orçamentos de sete cidades brasileiras</atom:subtitle>  <link>https://umsoplaneta.globo.com/financas/noticia/2026/08/17/iniciativa-promete-integrar-a-agenda-climatica-ao-planejamento-financeiro-ate-2027.ghtml</link> <guid isPermaLink="true">https://umsoplaneta.globo.com/financas/noticia/2026/08/17/iniciativa-promete-integrar-a-agenda-climatica-ao-planejamento-financeiro-ate-2027.ghtml</guid> <description>  <![CDATA[ <img src="https://s2-umsoplaneta.glbimg.com/3Y2m5PVmKIoTVcR0vaeABfqiTVE=/i.s3.glbimg.com/v1/AUTH_7d5b9b5029304d27b7ef8a7f28b4d70f/internal_photos/bs/2024/d/x/zJNlIBS86IBIGUUtPMlA/gettyimages-1072593766.jpg" /><br /> ]]>    Uma nova parceria firmada entre o Instituto Clima e Sociedade (iCS), o Centro Internacional Celso Furtado (Cicef) e a rede global C40 Cidades promete transformar a maneira como os recursos públicos são aplicados no Brasil, visando garantir que as ações de mitigação e adaptação deixem de ser apenas promessas e passem a nortear efetivamente a gestão financeira municipal.
Até março de 2027, um projeto coordenado pela C40 e com a parceria do HUB de Economia e Clima vai apoiar as prefeituras de Salvador, Fortaleza, Recife, Curitiba, São Paulo, Rio de Janeiro e Campinas na integração de suas agendas climáticas aos processos oficiais de planejamento e orçamento.
A estratégia central do programa é capacitar o poder público para identificar, classificar e monitorar suas despesas com base em critérios ambientais e sociais. Segundo a coordenação do projeto, o cumprimento dos Planos de Ação Climática depende diretamente da alocação estratégica de recursos. 
Para isso, será adotada a metodologia de Avaliação do Orçamento Climático (BCA), que cataloga os gastos públicos em categorias que variam de favoráveis a desfavoráveis ao clima. O modelo também incorpora princípios de justiça climática, partindo da premissa de que os impactos extremos afetam de forma desigual os cerca de 16 milhões de brasileiros que hoje vivem em áreas de risco.
Para respeitar a maturidade administrativa de cada município, o trabalho foi dividido em duas frentes de atuação distintas:
Implantação inicial: Em Salvador, Fortaleza, Recife e Curitiba, o orçamento climático será estruturado a partir da análise dos dados de 2026. Essas capitais receberão painéis analíticos próprios, consultoria técnica e capacitação intensiva para seus servidores.
Aprimoramento e padronização: São Paulo, Rio de Janeiro e Campinas, que já possuem processos de avaliação climática em andamento, terão apoio para refinar suas metodologias. O foco será identificar lacunas e criar padrões que tornem os dados comparáveis entre as metrópoles.

O objetivo de longo prazo é que o orçamento climático se torne uma ferramenta institucional permanente na administração dessas cidades. O cronograma prevê a realização de edições da Academia de Orçamento Climático e workshops entre secretarias para preparar os municípios para a elaboração da Lei Orçamentária Anual (LOA) de 2028. 
Ao fim do projeto, um relatório consolidará os resultados dos sete estudos de caso, criando um roteiro prático para que outras cidades do país também possam vincular a preservação ambiental às suas decisões financeiras.
Mais Lidas  </description>  <media:content url="https://s2-umsoplaneta.glbimg.com/3Y2m5PVmKIoTVcR0vaeABfqiTVE=/i.s3.glbimg.com/v1/AUTH_7d5b9b5029304d27b7ef8a7f28b4d70f/internal_photos/bs/2024/d/x/zJNlIBS86IBIGUUtPMlA/gettyimages-1072593766.jpg" medium="image"/>   <media:description>Investimento, financiamento verde.</media:description>   <media:credit>PM Images/Getty Images</media:credit>  <category>umsoplaneta</category> <pubDate>Mon, 17 Aug 2026 12:29:08 -0000</pubDate>  </item>  <item> <title>Mulheres seguem sub-representadas nos espaços de decisão de um dos setores mais estratégicos para a agenda climática</title>  <atom:subtitle>A transição para uma economia de baixo carbono exige mais do que metas ambientais rigorosas: requer uma liderança plural. Dados mostram que a inclusão de mulheres na alta governança otimiza recursos, reduz emissões e transforma a equidade de gênero em um pilar estratégico inegociável para o setor florestal</atom:subtitle>  <link>https://umsoplaneta.globo.com/opiniao/noticia/2026/08/17/mulheres-seguem-sub-representadas-nos-espacos-de-decisao-de-um-dos-setores-mais-estrategicos-para-a-agenda-climatica.ghtml</link> <guid isPermaLink="true">https://umsoplaneta.globo.com/opiniao/noticia/2026/08/17/mulheres-seguem-sub-representadas-nos-espacos-de-decisao-de-um-dos-setores-mais-estrategicos-para-a-agenda-climatica.ghtml</guid> <description>  <![CDATA[ <img src="https://s2-umsoplaneta.glbimg.com/Kqkx1SGJZI5BlF_9nIofsOdeG1I=/i.s3.glbimg.com/v1/AUTH_7d5b9b5029304d27b7ef8a7f28b4d70f/internal_photos/bs/2026/U/p/2DyePmRKmGyfx5VlwlSg/gettyimages-1469150135.jpg" /><br /> ]]>    A sustentabilidade e os compromissos ESG são pilares consolidados do setor florestal brasileiro. Em um segmento rigorosamente pautado por normas internacionais, certificações e metas ambientais, surge a oportunidade de avançar em um indicador estratégico para a competitividade na nova economia: a ampliação da equidade de gênero nos espaços de decisão.
Os dados do Panorama de Gênero do Setor Florestal 2026, elaborado pela Rede Mulher Florestal, trazem um cenário de contrastes. Por um lado, celebramos o avanço de que as mulheres ocupam hoje 23% da força de trabalho do setor, quase o dobro dos 12,7% registrados em 2020. Por outro, ainda há espaço para uma distribuição mais equilibrada nas posições de alta gestão, onde a participação de mulheres é de 14%, com uma concentração ainda acentuada em áreas administrativas e um distanciamento das operações de campo.
Para além da questão de justiça social, essa lacuna de representação é um gargalo de eficiência. A ciência da governança já comprovou que a diversidade é um dos maiores antídotos contra o greenwashing e a ineficiência operacional. Um estudo publicado pelo Banco Central Europeu (BCE) indica que empresas com uma proporção de mulheres em cargos de gestão acima da média reduziram as suas emissões de CO₂  em cerca de 5% a mais do que aquelas com lideranças predominantemente masculinas, um impacto que se tornou ainda mais evidente após a implementação do Acordo de Paris.
No setor florestal, a transição para uma economia de baixo carbono exige visão sistêmica e uma gestão de riscos de longo prazo. As mulheres atuam como arquitetas da eficiência climática ao oferecerem perspectivas complementares que fortalecem a resiliência das cadeias produtivas. Projetar a bioeconomia e o manejo florestal sob uma liderança plural permite que as metas baseadas em ciência (SBTi) sejam implementadas de forma ainda mais assertiva, otimizando recursos e atendendo às exigências cada vez mais rigorosas do mercado global.
Apesar do potencial estratégico, barreiras persistentes drenam o capital intelectual do setor. No topo da hierarquia executiva, as mulheres recebem, em média, apenas 64% da remuneração dos homens, segundo o Panorama. Além disso, embora 90% das empresas e organizações afirmem possuir políticas não discriminatórias, há um longo caminho entre o compromisso formal e a transformação cultural necessária para garantir a permanência e a valorização dessas profissionais.
Para um setor que se posiciona como protagonista da agenda climática global, a equidade de gênero não pode ser uma política "para inglês ver". Ela deve ser integrada à gestão sustentável de forma prática, do recrutamento aos planos de sucessão e desenvolvimento de lideranças, da cultura organizacional ao chão de fábrica e ao manejo no campo.
O Fundo Monetário Internacional (FMI) estima que a inclusão plena das mulheres no mercado de trabalho é um multiplicador econômico capaz de elevar o PIB global em 35%. Para o setor florestal brasileiro, isso significa mais inovação, melhor alocação de capital verde e uma posição de liderança ainda mais robusta na bioeconomia mundial.
Não há como consolidar um setor verdadeiramente sustentável mantendo estruturas de poder excludentes. A equidade de gênero ultrapassa o campo social e se impõe como uma agenda central de governança. O setor florestal avançará com mais consistência ao incorporar, de fato, a pluralidade de vozes onde o futuro da nossa economia é desenhado.
Sobre a autora:
Bárbara Bomfim, diretora da Rede Mulher Florestal, engenheira florestal e especialista em mercados de carbono e soluções baseadas na natureza no WWF-Brasil.
Sobre a Rede Mulher Florestal:
Fundada em 2018, a Rede Mulher Florestal é uma associação independente, sem fins lucrativos e apartidária dedicada à promoção da equidade de gênero no setor florestal brasileiro. Reúne atualmente 236 pessoas físicas e 35 pessoas jurídicas associadas. Por meio de publicações, como o Panorama de Gênero, eventos, capacitações e iniciativas como o Programa de Mentoria Floresta para Todas, a Rede mobiliza empresas, profissionais e instituições para ampliar o debate, incentivar boas práticas e impulsionar mudanças nas políticas e culturas organizacionais do setor florestal.
Mais Lidas  </description>  <media:content url="https://s2-umsoplaneta.glbimg.com/Kqkx1SGJZI5BlF_9nIofsOdeG1I=/i.s3.glbimg.com/v1/AUTH_7d5b9b5029304d27b7ef8a7f28b4d70f/internal_photos/bs/2026/U/p/2DyePmRKmGyfx5VlwlSg/gettyimages-1469150135.jpg" medium="image"/>   <media:description>Ilustração de Mulheres e meninas multiculturais</media:description>   <media:credit>Getty Images</media:credit>  <category>umsoplaneta</category> <pubDate>Mon, 17 Aug 2026 12:00:15 -0000</pubDate>  </item>  <item> <title>Natura amplia estratégia de adaptação climática e passa a antecipar riscos com inteligência artificial
</title>  <atom:subtitle>Companhia usa ferramenta preditiva para mapear impactos de eventos extremos e amplia ações de proteção para consultoras e comunidades fornecedoras</atom:subtitle>  <link>https://umsoplaneta.globo.com/financas/negocios/noticia/2026/08/17/natura-amplia-estrategia-de-adaptacao-climatica-e-passa-a-antecipar-riscos-com-inteligencia-artificial.ghtml</link> <guid isPermaLink="true">https://umsoplaneta.globo.com/financas/negocios/noticia/2026/08/17/natura-amplia-estrategia-de-adaptacao-climatica-e-passa-a-antecipar-riscos-com-inteligencia-artificial.ghtml</guid> <description>  <![CDATA[ <img src="https://s2-umsoplaneta.glbimg.com/YQJtVRkgbKb0427a2mOSY8r4xkI=/i.s3.glbimg.com/v1/AUTH_7d5b9b5029304d27b7ef8a7f28b4d70f/internal_photos/bs/2025/Q/M/UfQ2Q4SwaA2aZ2UIf43g/whatsapp-image-2025-07-04-at-16.24.54-1-.jpeg" /><br /> ]]>    A Natura está ampliando sua estratégia de adaptação às mudanças climáticas com o uso de inteligência artificial para antecipar riscos e protocolos de resposta a eventos extremos. A companhia, que desde 2020 mantém um protocolo de calamidades acionado mais de 30 vezes em situações como enchentes, secas e queimadas, agora busca identificar os impactos antes que eles ocorram.
Uma das ferramentas utilizadas nessa estratégia é o Índice de Vulnerabilidade Socio-Climática (IVSC), desenvolvido em parceria com a startup MeteoIA. Segundo a empresa, o sistema combina inteligência artificial e dados climáticos para mapear áreas vulneráveis e estimar possíveis efeitos financeiros e operacionais dos eventos extremos sobre o negócio e sua rede.
A mudança ocorre diante da expectativa de maior frequência e intensidade de eventos associados às mudanças climáticas, incluindo períodos de seca e chuvas extremas. Para a Natura, a antecipação permite preparar estoques, operações e fornecedores e direcionar recursos antes da ocorrência de uma emergência.
Na cadeia de fornecimento de ativos da sociobiodiversidade, a companhia utiliza ainda a plataforma Natura-GIS, baseada em sistemas de informação geográfica. A ferramenta permite rastrear ativos utilizados pela empresa e acompanhar safras, com o objetivo de identificar riscos que possam comprometer o fornecimento de matérias-primas.

A estratégia também inclui medidas voltadas às pessoas que integram a rede da companhia. Por meio do ecossistema Emana Pay, a Natura incentiva suas Consultoras de Beleza a contratar seguros, como o Estoque+Casa, que cobre residências e estoques de produtos em situações como incêndios e enchentes. Outra modalidade, o Saúde Protegida, oferece serviços de telemedicina e descontos em medicamentos.
Nas comunidades que fornecem matérias-primas para a empresa, a Natura afirma que também pretende antecipar recursos para a compra de mantimentos e água potável em regiões sujeitas a secas severas. A lógica é reduzir a vulnerabilidade das famílias antes que uma emergência comprometa o abastecimento.
“A evolução de mitigação para antecipação de riscos climáticos reforça nossa crença de que um negócio só é resiliente se a sua rede de pessoas e o território onde ele opera também forem”, afirma Ana Costa, vice-presidente de Sustentabilidade, Jurídico e Reputação Corporativa da Natura.
Ana Costa, vice-presidente de Sustentabilidade, Jurídico e Reputação Corporativa da Natura: "Negócio só é resiliente se a sua rede de pessoas e o território onde ele opera também forem"
Natura/ Divulgação
Defesa Civil e comunidades
Outra frente é a atuação conjunta com órgãos públicos. Em abril, a Natura anunciou uma parceria com a Defesa Civil de São Paulo para criar e estruturar Núcleos de Proteção e Defesa Civil (NUPDECs) liderados por Consultoras. A proposta é capacitar mulheres da rede para atuar voluntariamente na prevenção e resposta a emergências em seus bairros.
A companhia também trabalha com o Corpo de Bombeiros na formação de brigadistas voluntários em comunidades agroextrativistas da região Norte, onde parte da cadeia de fornecimento da empresa está concentrada.
Apesar do avanço de ferramentas de previsão e monitoramento, a Natura reconhece que a capacidade de antecipar os efeitos das mudanças climáticas é limitada. “A natureza sem precedentes das mudanças climáticas impõe incertezas que ultrapassam a capacidade de previsão absoluta”, diz Costa.
A estratégia, portanto, combina tecnologia, seguros, preparação comunitária e colaboração com órgãos públicos. Para a empresa, o objetivo é reduzir não apenas os riscos para suas operações, mas também a exposição de pessoas e comunidades que integram sua cadeia de valor aos eventos climáticos extremos.
Mais Lidas  </description>  <media:content url="https://s2-umsoplaneta.glbimg.com/YQJtVRkgbKb0427a2mOSY8r4xkI=/i.s3.glbimg.com/v1/AUTH_7d5b9b5029304d27b7ef8a7f28b4d70f/internal_photos/bs/2025/Q/M/UfQ2Q4SwaA2aZ2UIf43g/whatsapp-image-2025-07-04-at-16.24.54-1-.jpeg" medium="image"/>   <media:description>Embalagens ecológicas, fórmulas seguras, ingredientes naturais e testes que passam longe dos animais são algumas das ações de Natura para produzir e cuidar de todos </media:description>   <media:credit>Getty Images</media:credit>  <category>umsoplaneta</category> <pubDate>Mon, 17 Aug 2026 10:00:30 -0000</pubDate>  </item>  <item> <title>Eventos climáticos extremos afetaram mais de 336 mil pessoas no Brasil em 2025</title>  <atom:subtitle>Relatório do Cemaden aponta chuvas intensas, secas prolongadas, ondas de calor e ciclones; Região Norte concentrou mais de 202 mil pessoas atingidas</atom:subtitle>  <link>https://umsoplaneta.globo.com/clima/noticia/2026/08/14/eventos-climaticos-extremos-afetaram-mais-de-336-mil-pessoas-no-brasil-em-2025.ghtml</link> <guid isPermaLink="true">https://umsoplaneta.globo.com/clima/noticia/2026/08/14/eventos-climaticos-extremos-afetaram-mais-de-336-mil-pessoas-no-brasil-em-2025.ghtml</guid> <description>  <![CDATA[ <img src="https://s2-umsoplaneta.glbimg.com/HPzKXj1z2OMZdvbvw2ciAJIDRns=/i.s3.glbimg.com/v1/AUTH_7d5b9b5029304d27b7ef8a7f28b4d70f/internal_photos/bs/2026/u/L/Y9aFlqRkCiWxMN4oZ04Q/54f01424d329a16f101ca9084775df4b.webp" /><br /> ]]>    Mais de 336 mil pessoas foram diretamente afetadas por desastres climáticos no Brasil em 2025, ano marcado por chuvas intensas, inundações, secas severas, ondas de calor, ciclones e tornados. Os danos materiais registrados chegaram a aproximadamente R$2,9 bilhões.
Os dados fazem parte do relatório “Estado do Clima, Extremos de Clima e Desastres no Brasil em 2025”, elaborado pelo Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais (Cemaden), unidade vinculada ao Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação.
O documento, divulgado em fevereiro de 2026, aponta que 2025 esteve entre os anos mais quentes já registrados no planeta. No Brasil, as temperaturas permaneceram acima da média histórica em grande parte do território, apesar da atuação de uma La Niña de baixa intensidade, fenômeno que normalmente contribui para a redução das temperaturas.
O cenário foi marcado por contrastes. Enquanto as regiões Sul e Sudeste enfrentaram chuvas intensas, inundações, tornados e ciclones, áreas da Amazônia, do Centro-Oeste e do Sudeste sofreram com secas prolongadas e redução dos níveis dos rios e reservatórios.
Região Norte concentrou maior número de atingidos
A Região Norte registrou mais de 202 mil pessoas diretamente afetadas por eventos hidrometeorológicos em 2025, a maior concentração de danos humanos entre as regiões brasileiras. O ano começou com níveis baixos nos rios Negro, Solimões e Madeira, ainda como reflexo da seca extrema provocada pelo El Niño de 2023 e 2024. Ao longo dos meses seguintes, porém, episódios de chuvas intensas e inundações passaram a provocar prejuízos em diferentes estados.
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No Acre, o rio Acre atingiu 14,34 metros em março, ultrapassando a cota de transbordamento e provocando inundações no oeste do estado. O nível voltou a subir de forma acentuada em dezembro.
No Amazonas, Manacapuru registrou 5.202 pessoas feridas ou afetadas por inundações em junho. No município de Beruri, 4.039 pessoas ficaram desabrigadas em julho. Apesar da recuperação de parte das bacias amazônicas ao longo do ano, o rio Negro terminou 2025 em condição de seca moderada.
Belterra registrou prejuízo de R$ 356 milhões
O município de Belterra, no oeste do Pará, apresentou os maiores prejuízos econômicos públicos do Brasil relacionados a um episódio de chuva extrema em março de 2025. Somente os gastos com assistência médica, saúde pública e atendimentos de emergência foram estimados em aproximadamente R$356 milhões.
Os valores foram reunidos a partir de informações declaradas por municípios que tiveram situação de emergência ou estado de calamidade pública reconhecidos pela União. Os impactos registrados em Belterra contribuíram para elevar os prejuízos sociais e econômicos associados aos eventos extremos na Região Norte.
Chuvas e inundações atingiram diferentes regiões
Os primeiros meses de 2025 foram marcados por fortes chuvas em vários estados. Em janeiro, eventos extremos deixaram sete mortos em Pernambuco e 12 vítimas fatais na Região Metropolitana do Vale do Aço, em Minas Gerais. Florianópolis, em Santa Catarina, acumulou mais de 350 milímetros de chuva em três dias.
Na cidade de São Paulo, foram registrados 125,4 milímetros de precipitação em 24 de janeiro, o terceiro maior volume diário desde 1961. Os alagamentos e danos na rede elétrica deixaram cerca de 180 mil pessoas sem energia.
O Rio Grande do Sul enfrentou eventos repetidos ao longo do ano. Em junho, inundações afetaram 120 municípios, enquanto novos episódios de chuvas intensas ocorreram em agosto e dezembro. Segundo o relatório, as chuvas foram responsáveis pela maior parte das mortes associadas a desastres climáticos no país, correspondendo a 86% dos óbitos registrados em eventos extremos.
Brasil enfrentou sete ondas de calor
O país registrou sete ondas de calor em 2025, concentradas principalmente no verão, no início da primavera e no final de dezembro. Em 4 de fevereiro, o município de Quaraí, no Rio Grande do Sul, atingiu 43,8 °C, a maior temperatura registrada no Brasil durante o período.
Porto Murtinho, em Mato Grosso do Sul, chegou a 42,1 °C em janeiro, enquanto Cuiabá, em Mato Grosso, registrou 41,4 °C durante uma onda de calor em setembro.
No dia 25 de dezembro, o Rio de Janeiro atingiu 40,1 °C. Em São Paulo, os termômetros marcaram 37,2 °C no dia 28 do mesmo mês, a maior temperatura para dezembro em 64 anos de registros. No estado do Rio de Janeiro, mais de 2 mil atendimentos médicos foram realizados no final de dezembro por problemas relacionados às altas temperaturas.
O verão de 2024 e 2025 foi o sexto mais quente no Brasil desde 1961, com temperatura média 0,34 °C acima do padrão histórico.
Secas atingiram Amazônia e outras regiões
Mesmo com episódios de chuva intensa, grandes áreas do país enfrentaram déficit hídrico ao longo do ano. Em novembro, oito estados registraram condições de seca em 100% de seus territórios, entre eles São Paulo, Minas Gerais, Goiás e Rio de Janeiro.
No Sistema Cantareira, principal fonte de abastecimento da Região Metropolitana de São Paulo, o volume útil caiu para 20,2% no final do ano, pior nível desde a crise hídrica de 2014 e 2015.
Na Amazônia, a seca herdada dos anos anteriores reduziu os níveis dos rios no início de 2025. As condições foram gradualmente normalizadas em parte das bacias, mas os impactos sobre o transporte, o abastecimento e as atividades produtivas permaneceram em diversas áreas.
O relatório aponta que a transição do El Niño para condições de neutralidade e, posteriormente, para uma La Niña fraca contribuiu para a irregularidade das chuvas. O aquecimento global, entretanto, manteve as temperaturas elevadas e intensificou os extremos.
Agricultura familiar sofreu com seca e chuvas
A agricultura familiar esteve entre os setores mais afetados pelos extremos climáticos de 2025, principalmente pela dependência direta das chuvas e pela baixa capacidade de adaptação de pequenos produtores. O monitoramento do Risco de Seca na Agricultura Familiar (RiSAF) identificou 236 municípios com risco alto e 563 com risco moderado de perdas, considerando os plantios realizados no primeiro semestre.
Os maiores riscos estiveram concentrados nas regiões Norte, Nordeste e Sudeste. Um município da Bahia foi classificado com risco muito alto.
A seca comprometeu a produtividade, a renda e a subsistência das famílias rurais. Já as chuvas extremas também provocaram prejuízos elevados. Em São Francisco, em Minas Gerais, as perdas na agricultura decorrentes das chuvas de dezembro foram estimadas em R$ 526 milhões.
Aquecimento global intensifica eventos extremos
O relatório atribui o cenário de 2025 a uma combinação entre mudanças climáticas, fenômenos naturais e padrões atmosféricos regionais. A La Niña apresentou baixa intensidade e não foi suficiente para neutralizar a tendência de aquecimento, com 2025 sendo apontado como o terceiro ano mais quente já registrado globalmente.
Bloqueios atmosféricos impediram a chegada de frentes frias em algumas regiões e favoreceram a permanência de massas de ar quente e seco. A Zona de Convergência Intertropical contribuiu para chuvas no Norte e no Nordeste, enquanto a Zona de Convergência do Atlântico Sul provocou precipitações intensas no Sudeste e Centro-Oeste.
Nas cidades, as ilhas de calor formadas pelo excesso de concreto, asfalto e pouca vegetação agravaram os efeitos das temperaturas elevadas. A ocupação irregular de encostas, margens de rios e áreas sujeitas a inundações também ampliou os impactos sobre a população.
O relatório estima que aproximadamente 150 milhões de brasileiros, o equivalente a 75% da população, vivem em 2.095 municípios considerados suscetíveis a deslizamentos, enxurradas e inundações.
Mais de 2,5 mil alertas foram enviados
Para elaborar o levantamento, o Cemaden reuniu informações de órgãos nacionais e internacionais, como o Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet), o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), a Organização Meteorológica Mundial e o serviço europeu Copernicus. O estudo também utilizou dados do Sistema Integrado de Informações sobre Desastres (S2iD), que reúne declarações de danos humanos, materiais e econômicos apresentadas pelos municípios. Ao longo de 2025, o Cemaden enviou 2.505 alertas para 1.133 municípios monitorados e registrou 1.493 ocorrências de desastres. O documento utilizou ainda o Índice Integrado de Seca e o Índice de Seca Bivariado chuva-vazão para acompanhar os efeitos da falta de chuva na agricultura e nos recursos hídricos.
O relatório foi coordenado pela diretora do Cemaden, Regina Célia dos Santos Alvalá, e pelo coordenador-geral de Pesquisa e Desenvolvimento, José A. Marengo. Segundo o diagnóstico, a tendência de aumento das temperaturas exige investimentos em prevenção, adaptação climática, infraestrutura urbana e proteção das populações mais vulneráveis diante da possibilidade de novos eventos extremos.
Mais Lidas  </description>  <media:content url="https://s2-umsoplaneta.glbimg.com/HPzKXj1z2OMZdvbvw2ciAJIDRns=/i.s3.glbimg.com/v1/AUTH_7d5b9b5029304d27b7ef8a7f28b4d70f/internal_photos/bs/2026/u/L/Y9aFlqRkCiWxMN4oZ04Q/54f01424d329a16f101ca9084775df4b.webp" medium="image"/>   <media:description>Seca da região amazônica</media:description>   <media:credit>Foto Pedro Alcântara/ Projeto Saúde Alegria</media:credit>  <category>umsoplaneta</category> <pubDate>Fri, 14 Aug 2026 16:31:08 -0000</pubDate>  </item>  <item> <title>O extremo da crise climática: Inundações letais no Japão contrastam com onda de calor e incêndios devastadores na Europa</title>  <atom:subtitle>Onda de extremos climáticos castiga o hemisfério norte: enquanto o Japão sofre com enchentes, Europa enfrenta calor recorde e evacuações por incêndios na Grécia.</atom:subtitle>  <link>https://umsoplaneta.globo.com/clima/noticia/2026/08/14/o-extremo-da-crise-climatica-inundacoes-letais-no-japao-contrastam-com-onda-de-calor-e-incendios-devastadores-na-europa.ghtml</link> <guid isPermaLink="true">https://umsoplaneta.globo.com/clima/noticia/2026/08/14/o-extremo-da-crise-climatica-inundacoes-letais-no-japao-contrastam-com-onda-de-calor-e-incendios-devastadores-na-europa.ghtml</guid> <description>  <![CDATA[ <img src="https://s2-umsoplaneta.glbimg.com/bwCp_Qpa62o7wATVFiie-HJ_KFg=/i.s3.glbimg.com/v1/AUTH_7d5b9b5029304d27b7ef8a7f28b4d70f/internal_photos/bs/2026/t/9/GaF8sHR56XbZ1afd4GbA/montagens-trabalho.png" /><br /> ]]>    Enquanto o leste asiático lida com inundações mortais, o continente europeu enfrenta o extremo oposto da crise climática, sofrendo com temperaturas implacáveis e uma série de incêndios florestais. No Reino Unido, os termômetros registraram 38,1ºC, marcando oficialmente o dia mais quente do ano de 2026. A temperatura recorde acende o alerta das autoridades locais para os perigos do calor extremo, reforçando o padrão de aquecimento severo que vem castigando o hemisfério norte.
Na Grécia, o clima seco aliado a ventos com força de vendaval, com rajadas que alcançam os 100 km/h, desencadeou um cenário de caos e destruição. Na cidade litorânea de Siviri, no norte do país, os bombeiros lutam intensamente para conter chamas ferozes que ameaçam a vila turística. O avanço rápido do fogo obrigou as autoridades a montarem uma operação de resgate dramática pelo mar: uma frota de 15 barcos evacuou mais de 250 turistas diretamente da praia local.
A urgência da situação foi evidenciada pelas imagens transmitidas em televisões locais, que mostraram dezenas de pessoas, muitas ainda em trajes de banho e carregando crianças pequenas, fazendo fila em píeres sob um céu completamente encoberto por uma densa fumaça escura. Moradores relataram o desespero de estarem encurralados na costa, dependendo exclusivamente do resgate marítimo para escapar do fogo.
Embora os incêndios sejam comuns na Grécia durante o verão, as autoridades alertam que o risco tem aumentado exponencialmente, à medida que o colapso climático prolonga secas e eventos meteorológicos extremos. A situação é crítica: dos 40 focos de incêndio relatados no país em apenas 24 horas, pelo menos nove seguiam totalmente fora de controle até o fim da quinta-feira.
O outro lado do mundo: Chuvas "sem precedentes" no Japão
O cenário de fogo e calor na Europa contrasta drasticamente com a tragédia vivida no leste do Japão. Pelo menos cinco pessoas morreram após uma tempestade classificada como "sem precedentes" atingir a província de Chiba, a leste de Tóquio. O volume extremo de precipitações gerou alertas de deslizamentos, apagões que deixaram 45 mil casas sem energia e forçou as autoridades a emitirem ordens de evacuação para mais de 400 mil residentes. A emergência também paralisou os transportes, deixando cerca de 7 mil passageiros ilhados no aeroporto internacional de Narita.
A força das águas no país asiático surpreendeu pela rapidez. Em apenas uma hora, choveu cerca de 115 mm — o mesmo volume esperado para todo o mês de agosto. A gravidade do cenário levou a Agência Meteorológica do Japão a emitir, pela primeira vez na história de Chiba, o alerta de nível 5 para chuvas fortes e deslizamentos de terra, o grau máximo de risco. Entre as vítimas fatais, um idoso foi encontrado em uma via inundada, enquanto outras três pessoas morreram após ficarem presas dentro de seus veículos submersos.
Os impactos na infraestrutura urbana deixaram um rastro de interrupções. Além dos viajantes que precisaram dormir no chão do aeroporto, cerca de 1.700 pessoas buscaram refúgio de emergência no prédio do governo da província. Imagens da emissora pública NHK mostraram a água jorrando de bueiros com tanta força que ultrapassou a altura de um prédio de cinco andares no centro de Chiba.
O Ministério da Terra, Infraestrutura, Transporte e Turismo do Japão advertiu que o risco de transbordamento de rios continua crítico, orientando a população a checar os avisos municipais e a evacuar preventivamente. O governador de Chiba, Toshihito Kumagai, definiu a tragédia como "extremamente incomum", confessando que, mesmo com vasta experiência em desastres, jamais presenciou um cenário igual.
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</title>  <atom:subtitle>Dois anos após as enchentes que devastaram o Estado, governo e BNDES mapeiam vulnerabilidades de mais de 250 municípios na bacia do Guaíba para transformar diagnóstico em projetos de adaptação climática</atom:subtitle>  <link>https://umsoplaneta.globo.com/clima/noticia/2026/08/14/sob-ameaca-de-novo-el-nino-rio-grande-do-sul-aposta-em-diagnostico-de-risco-para-se-adaptar-ao-clima-extremo.ghtml</link> <guid isPermaLink="true">https://umsoplaneta.globo.com/clima/noticia/2026/08/14/sob-ameaca-de-novo-el-nino-rio-grande-do-sul-aposta-em-diagnostico-de-risco-para-se-adaptar-ao-clima-extremo.ghtml</guid> <description>  <![CDATA[ <img src="https://s2-umsoplaneta.glbimg.com/Z93Unok_F3hp7gC5TgtA7ABJSd8=/i.s3.glbimg.com/v1/AUTH_7d5b9b5029304d27b7ef8a7f28b4d70f/internal_photos/bs/2025/d/D/YI4wA1QV2vxL71g4Ntxw/enchente-rs.png" /><br /> ]]>    O Rio Grande do Sul entra em uma nova temporada de chuvas associada ao El Niño sob um paradoxo: ao mesmo tempo em que o fenômeno reacende o temor de novos desastres, ele também testa se as lições aprendidas com as enchentes de 2023 e 2024 — que deixaram 185 mortos e 20 desaparecidos — já se transformaram em algo mais permanente do que a reconstrução emergencial. Em entrevistas ao Prática ESG, do Valor, o governador Eduardo Leite (PSD) e os responsáveis pelo Projeto RioS, iniciativa do governo estadual com o BNDES para mapear o risco climático da bacia do Guaíba, descreveram como o Estado tenta transformar a memória recente da tragédia em um sistema permanente de prevenção e adaptação.
“O Estado está mais preparado”, resume Leite, citando episódios recentes de chuva intensa — entre 200 e 250 milímetros em 24 horas — que, segundo ele, já geraram impactos bem menores do que os das enchentes anteriores. Mas o próprio governador evita o otimismo excessivo: “Nós não teremos blindagem para que nada aconteça. Mas há um processo de evolução que vai protegendo mais a população.”
A urgência do curto prazo
O El Niño deste ano preocupa o governo gaúcho menos pelo volume de chuva em si e mais pelo momento em que ele deve ocorrer: entre setembro e dezembro, justamente a janela de plantio de culturas como milho e soja. Ainda assim, Leite pondera que, historicamente, as maiores perdas econômicas do agronegócio no Estado vieram de estiagens, não de excesso de chuva — foram ao menos quatro períodos severos de seca nos últimos seis anos, com quedas de 30% a 40% nas safras. Programas como o Terra Forte, de recuperação de solos, e o Irriga Mais, de subsídio a sistemas de irrigação, tentam responder a essa dupla ameaça de excesso e escassez de água.

Do lado do monitoramento, o Estado — que não tinha nenhum radar meteorológico próprio até recentemente — já opera um equipamento na Região Metropolitana e prevê mais três, em Alegrete, Soledade e Pelotas, além de alertas por Cell Broadcast enviados diretamente aos celulares em áreas de risco. A tecnologia, porém, tem limites: um tornado que atingiu o oeste do Estado na semana anterior à entrevista escapou justamente à área ainda sem cobertura de radar.
O diagnóstico que quer virar solução
Se o curto prazo é sobre reagir mais rápido, o longo prazo é sobre mudar a pergunta: em vez de reconstruir onde a tragédia aconteceu, mapear onde ela pode voltar a acontecer — e agir antes. É esse o objetivo do Projeto RioS (Resiliência, Inovação e Obras para o Futuro do Rio Grande do Sul), contratado pelo governo estadual e executado pelo BNDES por meio de um consórcio liderado pela Deloitte, com Mattos Filho, EBP Ambiental e Climatempo, escolhido entre mais de 11 concorrentes.
O projeto olha para toda a bacia hidrográfica do Guaíba, que reúne mais de 250 municípios gaúchos e concentra as áreas historicamente mais afetadas por cheias e estiagens. “Não queremos parar no PDF de milhares de páginas, mas sim ter projetos implementáveis e que sejam financiáveis”, diz Luiz Paulo Pereira Assis, sócio-líder de estratégia de sustentabilidade e finanças sustentáveis da Deloitte, que lidera o consórcio.
O diagnóstico, hoje em andamento, cruza modelagem hidrodinâmica da bacia, dados topobatimétricos e nove ameaças climáticas mapeadas — inundação, enxurrada, temperaturas extremas, tempestades, deslizamentos, baixa umidade e tornados — com cenários futuros do IPCC. Esses dados são combinados com a exposição de infraestrutura, população, economia e meio ambiente, e com indicadores de vulnerabilidade social, para chegar a um retrato do risco climático real de cada região — não apenas do volume de chuva que pode cair.
Mas o projeto também aposta em algo menos técnico: ouvir quem vive no território. O consórcio promove “caravanas” pelos municípios da bacia para escutar moradores, poder público local e setores produtivos, como o agronegócio. “Você tem um conhecimento do seu território, mas se você não ouvir a população que está ali presente, não adianta. Vai resolver um problema para causar outros problemas para aquela população afetada”, afirma Assis. “A vivência do território é tão importante quanto os dados.”
Um modelo para além do Rio Grande do Sul
Para o BNDES, o RioS é também um piloto para pensar risco climático em escala regional, e não apenas município a município. “O risco vai se materializar em um determinado local, mas é porque o investimento não aconteceu a quilômetros a montante, em outro município”, explica Flavio Papelbaum, chefe do Departamento de Estruturação de Soluções Imobiliárias e Requalificação Urbana do BNDES. Segundo ele, a lógica já inspirou um programa irmão em escala municipal, o BNDES Cidade Resiliente, cujo primeiro projeto — em áreas de igarapés e uma avenida importante de Manaus — começa a ser estruturado em setembro.
Diferentemente do Cidade Resiliente, que já nasce com uma pré-aprovação de financiamento do BNDES associada, o RioS ainda não tem fonte de recursos definida para os projetos que sairão do diagnóstico. “Aqui a gente tem o famoso blend de recursos possíveis para esses projetos”, diz Papelbaum, citando o próprio BNDES, bancos multilaterais e investidores de impacto como possíveis fontes.
Essa equação esbarra, no entanto, em uma restrição que o próprio governo reconhece: a classificação fiscal do Rio Grande do Sul, hoje CAPAG-C pela Secretaria do Tesouro Nacional, ainda impede o acesso direto a organismos multilaterais, que exigem nota B ou A. “Para obras, para investimentos, a gente tem uma restrição de acesso a organismos internacionais, por conta do quadro fiscal do Estado”, diz Leite — que vê no próprio RioS uma ferramenta para lidar com essa limitação, ao organizar as centenas de iniciativas em andamento em uma carteira única. “Nos ajuda a mapear todos esses projetos que já estão em andamento para poder trazer coerência e uma visão sistêmica.”
É esse encontro entre urgência e planejamento que resume o momento do Rio Grande do Sul: enquanto o Estado se prepara para a próxima chuva forte com radares e alertas de celular, tenta também garantir que a próxima década de eventos climáticos extremos encontre menos gente morando onde a água já provou que vai voltar.
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A 17ª Conferência das Partes (COP17) é o evento principal da Convenção das Nações Unidas para o Combate à Desertificação (UNCCD, na sigla em inglês), em que são discutidas a degradação dos solos e a seca. O tema deste ano é “Restaurando a terra. Restaurando a esperança”.
Até o dia 28 de agosto, participarão dos debates chefes de Estado, ministros, membros da comunidade científica, organizações da sociedade civil e representantes do setor privado. Duas mulheres têm papel destacado de liderança: a egípcia Yasmine Fouad, secretária-executiva da UNCCD, e a ministra das Relações Exteriores da Mongólia, Battsetseg Batmunkh, presidente designada para a COP17.
O Brasil será representado por diferentes lideranças do setor público e privado especializadas nos temas da conferência. Um espaço na área principal da conferência (Blue Zone), o Pavilhão Brasil, sediará debates, apresentará tecnologias, divulgará políticas públicas, projetos de ONGS e de instituições de pesquisa.
No país, a desertificação atinge regiões áridas, semiáridas e subúmidas secas, com destaque para o bioma Caatinga, que abrange todos os estados do Nordeste e parte de Minas Gerais. Dados mais recentes apontam que 18% do território nacional está sujeito à desertificação e que cerca de 39 milhões de pessoas são impactadas pelo problema.
Desertificação é um tipo de degradação da terra que ocorre em regiões mais secas, onde a quantidade de chuva anual é menor do que a evaporação. Quando esse processo acontece, o solo e o ecossistema perdem progressivamente a capacidade produtiva, biológica e econômica. O fenômeno é causado principalmente por atividades humanas, como desmatamento e agricultura inadequada, e variações climáticas.
Caatinga, principal bioma brasileiro ameaçado pela desertificação.
ASA / Divulgação.
Por que Mongólia?
A COP17 acontece no Ano Internacional das Pastagens e dos Pastores (IYRP 2026, na sigla em inglês), iniciativa da Organização das Nações Unidas (ONU) para aumentar a visibilidade dos ecossistemas e desses povos, que são estratégicos na segurança alimentar e na conservação ambiental. O tema será destaque nos debates da conferência.
Para marcar a transição entre a última conferência e a atual, uma caravana com cientistas, pesquisadores e representantes oficiais da UNCCD percorre o trajeto histórico entre Riade, na Arábia Saudita (sede da COP16), e Ulaanbaatar, na Mongólia (sede da COP17). A expedição começou em maio e culmina com o início do evento.
Paisagem campestre na Mongólia, sede da COP17 da Desertificação.
Divulgação UNCCD
A iniciativa busca reviver simbolicamente as antigas rotas de conectividade nômade que, desde o Século 2 a.C., foram estabelecidas por povos pastoralistas que cruzavam as estepes eurasianas em busca de água e forragem para seus rebanhos. Historicamente, essas rotas não eram apenas caminhos comerciais, mas corredores de intercâmbio cultural.
Ao longo do percurso, a jornada tem destacado os esforços de diversos países no manejo sustentável e na restauração de terras degradadas, servindo como uma plataforma para advogar por maior apoio político e investimentos financeiros.
A escolha da Mongólia como sede da COP17 é justificada pelo fato de o país ser um epicentro dos impactos globais da desertificação, degradação da terra e seca.
Atualmente, cerca de 77% do território mongol está afetado pela degradação, uma crise que ameaça o desenvolvimento econômico e o modo de vida de aproximadamente um terço da sua população.
A Mongólia enfrenta um desastre climático conhecido como dzud, um ciclo de seca severa no verão seguido de invernos glaciais. Entre 2023 e 2024, esse fenômeno causou a morte de mais de 7 milhões de cabeças de gado, devastou a economia rural e forçou a migração de famílias para assentamentos em Ulaanbaatar.
Programação
A primeira semana do evento é marcada por sessões de abertura, distribuição de tarefas entre comitês e pela apresentação de minutas de decisão sobre a restauração de terras e a resiliência à seca.
Também ocorrem fóruns paralelos sobre grupos e temas com demandas específicas, como associações de juventude, organizações de gênero, povos indígenas e comunidades pastoreiras.
Na segunda semana, estão previstos os chamados eventos de alto nível com os líderes dos países membros da UNCCD, que incluem diálogos ministeriais sobre mecanismos financeiros, metas de combate à degradação da terra, restauração de pastagens naturais e bem-estar de comunidades pastoreiras.
A programação também prevê quatro dias temáticos para gerar impulso político, mobilizar parcerias e apoiar ações práticas: Finanças (24/08); Água (25/08); Terra e Povo (26/08); Sistemas Alimentares e Saúde do Solo (27/08).
Panorama global
Segundo relatórios da UNCCD, a degradação da terra afeta diretamente o bem-estar e a subsistência de 1,5 bilhão de pessoas em todo o mundo. Quase 40% das terras do planeta já estão degradadas, com impactos nos recursos naturais que sustentam quase metade do Produto Interno Bruto (PIB) global.
Outro problema central debatido na COP17 é a aridificação, quando uma região anteriormente úmida passa a apresentar características permanentes de terra seca. Aproximadamente 77% da superfície terrestre livre de gelo têm enfrentado condições mais secas desde 1990 e a projeção é de que, até o ano 2100, cinco bilhões de pessoas viverão em zonas áridas.
A secretária-executiva da UNCCD, Yasmine Fouad, disse à Agência Brasil que a conferência ocorre em um momento em que a seca ocupa, como nunca antes, um lugar de destaque na agenda global.
"O desafio não é mais reconhecer a seca como um risco global, mas, sim, agir com antecedência suficiente para evitar que seus impactos se propaguem em cascata por comunidades, economias e fronteiras", analisa Fouad.
Yasmine Fouad, presidente da UNCCD, e Antonio Gutérres, secretário-geral da ONU.
Divulgação UNCCD
O custo combinado da degradação da terra e da seca ultrapassa 878 bilhões de dólares por ano. A UNCCD estima que são necessários 2,6 trilhões de dólares em investimentos até 2030 para restaurar 1 bilhão de hectares de terras degradadas e promover resiliência à seca. Esforço que, segundo a diretora-executiva do Mecanismo Global da UNCCD, Louise Baker, precisa envolver tanto os setores públicos quanto privados.
"Terras saudáveis ​​vêm sendo cada vez mais reconhecidas como um ativo que gera retornos econômicos, sociais e ambientais mensuráveis. O desafio agora é garantir que o investimento acompanhe esse reconhecimento", diz Baker.
Histórico da UNCCD
A UNCCD faz parte do chamado “Trio do Rio”, um conjunto de três convenções nascidas durante a Rio-92 (Conferência das Nações Unidas sobre Meio Ambiente e Desenvolvimento). As outras duas são a Convenção sobre Diversidade Biológica (CDB, sigla em inglês) e a Convenção sobre Mudanças Climáticas (UNFCCC, sigla em inglês).
Os eventos principais das três convenções, as Conferências das Partes (COP), têm frequências diferentes. A COP contra a desertificação e a COP da biodiversidade ocorrem a cada dois anos desde 2001. Ambas estão na 17ª edição. A próxima COP da biodiversidade acontecerá em outubro deste ano, em Yerevan, na Armênia.
As conferências do clima acontecem anualmente desde 1995. A última, a COP30, foi realizada em novembro de 2025 na cidade de Belém, no Brasil. A próxima está marcada para novembro de 2026, em Antalya, Turquia.
O Brasil já sediou uma conferência sobre desertificação, em 1999, na cidade de Recife: a COP3. Durante eventos de preparação para o evento deste ano, organizações ambientais e lideranças políticas defenderam que o país se candidate para receber a COP18, em 2028, na Região Nordeste.
Cobertura da COP17
A Agência Brasil vai acompanhar as duas semanas da COP17 da Desertificação diretamente da Mongólia. A viagem é uma parceria com a UNCCD, que selecionou seis repórteres de diferentes continentes com uma bolsa de jornalismo para cobrir o evento.
Nos próximos dias, a Agência Brasil publica uma série de matérias com informações sobre a conferência e como os temas debatidos nela afetam o Brasil.
Mais Lidas  </description>  <media:content url="https://s2-umsoplaneta.glbimg.com/fAYvKVeujVck0EjXEqSyIWQpfqo=/i.s3.glbimg.com/v1/AUTH_7d5b9b5029304d27b7ef8a7f28b4d70f/internal_photos/bs/2026/E/A/GTSBu8RVALvyPo8Jz9Kw/menino-e-alce-na-mongolia-pais-que-sediara-a-cop17-da-desertificacao.webp" medium="image"/>   <media:description>Menino e alce na Mongólia</media:description>   <media:credit>Divulgação UNCCD</media:credit>  <category>umsoplaneta</category> <pubDate>Fri, 14 Aug 2026 12:30:08 -0000</pubDate>  </item>  <item> <title>Menos ostentação, mais propósito: a nova era do turismo de luxo</title>  <atom:subtitle>A hotelaria de luxo aponta para um futuro em que sustentabilidade e princípios éticos serão critérios de escolha cruciais para os viajantes</atom:subtitle>  <link>https://umsoplaneta.globo.com/sociedade/noticia/2026/08/14/menos-ostentacao-mais-proposito-a-nova-era-do-turismo-de-luxo.ghtml</link> <guid isPermaLink="true">https://umsoplaneta.globo.com/sociedade/noticia/2026/08/14/menos-ostentacao-mais-proposito-a-nova-era-do-turismo-de-luxo.ghtml</guid> <description>  <![CDATA[ <img src="https://s2-umsoplaneta.glbimg.com/rmPJL5Vg14OrKCfXNLVWEmH1R1Q=/i.s3.glbimg.com/v1/AUTH_7d5b9b5029304d27b7ef8a7f28b4d70f/internal_photos/bs/2026/J/l/DB26W5QkAdOhiXATbn8g/destino-esg-hotelaria-de-luxo-divulgacao-blta-1.avif" /><br /> ]]>    Se para a maioria dos brasileiros as práticas de ESG – sigla para Environmental, Social and Governance – ainda não são uma questão decisiva na hora de escolher a próxima viagem, em breve devem se tornar cruciais. Usado para avaliar o impacto e a responsabilidade de uma empresa sobre o ambiente e a comunidade onde atua, esse conjunto de critérios de sustentabilidade e ética tem sido tema cada vez mais recorrente no turismo de luxo, que, além de oferecer experiências exclusivas, deseja encantar os clientes com atitudes que são a “coisa certa a se fazer”, como diz Roberto Klabin, presidente da Brazilian Luxury Travel Association (BLTA). 
Zelar pela natureza é o lema da vida do empresário e ambientalista, também proprietário do refúgio ecológico Caiman, no Pantanal. Ele atua ativamente na conservação da fauna e da flora da região há quase meio século e defende parcerias com ONGs em prol do ecossistema pantaneiro. Imbuído desse sentimento de preservação, se dedica também a incentivar o turismo regenerativo. 
Uma vez por ano, a organização que preside reúne representantes de hotéis e agências de viagens associados de todo o Brasil para compartilhar experiências rumo à certificação e traçar metas. Em abril deste ano, o encontro aconteceu no hotel Unique Garden, em Mairiporã, SP, considerado um reduto de bem-estar para os hóspedes e santuário de animais silvestres e cães resgatados nas redondezas. “Acredito que a certificação é, basicamente, ganhar produtividade e trilhar a rota da eficiência e do fazer bem-feito”, explica.
A ventilação natural no bangalô da pousada Rancho do Peixe, na Praia do Preá, litoral cearense, dispensa o uso de ar-condicionado
Divulgação/BLTA
De acordo com a CEO da associação, Camilla Barretto, a preocupação ecológica na hotelaria de luxo está, aos poucos, se tornando uma demanda entre os viajantes. “Por isso, posso afirmar que a prática de ações sustentáveis deixou de ser uma opção: é uma mudança de comportamento e um caminho sem volta”, pontua. Mais do que atender às necessidades do mercado, esse olhar consciente para as comunidades e o meio ambiente visa a longevidade da atividade turística. 
“São tantos fenômenos sociais e ambientais que acompanham o turismo, que se não houver um planejamento estruturado, é possível acabar com um determinado destino em pouco tempo”, alerta Pedro Treacher, diretor do grupo hoteleiro O Canto e vice-presidente de sustentabilidade da BLTA. Dessa forma, a proposta de turismo regenerativo compartilhada entre os associados estimula o setor a pensar como essas hospedagens vão impactar os lugares onde atuam a longo prazo.
Área da piscina do Anavilhanas Jungle Lodge, que atua com diversas práticas de ESG
Divulgação/BLTA
Conseguir a chancela da certificação, no entanto, não é um processo simples nem rápido. Antes de se submeter às auditorias que levam à obtenção do título, os estabelecimentos precisam adequar seus procedimentos internos – das amenities que oferecem aos hóspedes às políticas de recursos humanos –, o que exige mudanças trabalhosas, principalmente de mentalidade. “Muitos empresários têm a visão de que ser sustentável é mais caro, o que nem sempre é verdade. É sair do jeito mais fácil para o jeito certo de fazer”, afirma Treacher. 
Atualmente, 21% dos associados da BLTA já têm certificações, 30% estão em processo de obtenção, 22% estão avaliando as opções de certificados e 27% ainda não definiram. A meta é que todos alcancem a validação até o final de 2028 – caso contrário, terão de se retirar da associação. “O luxo é indissociável da sustentabilidade. Queremos que qualquer viajante, ao escolher o Brasil como destino, saiba que está defendendo a preservação dos nossos biomas e a cultura local”, resume.
Tendências
Na aproximação do turismo de luxo com as práticas de ESG, destacam-se cinco iniciativas elencadas por Rafael Avila, CEO da empresa de consultoria Sustentabilidade Agora e correalizador do Guia de Hospitalidade Sustentável. “Ao analisar estudos de tendências globais, retirei a essência deles para chegar ao que considero insights importantes para esse mercado”, diz. 
O primeiro contempla as comunidades locais como protagonistas e incentiva a valorização da mão de obra disponível no entorno, além da aproximação com artesãos e capacitação de pessoas, mesmo que não sejam contratadas. “É preciso criar um ciclo de prosperidade para todos. O hotel pode ter uma atuação relevante na empregabilidade da região, reduzindo a desigualdade social”, afirma. Nesse quesito, o Uxua, em Trancoso, no sul da Bahia, é um exemplo por manter forte ligação com a economia criativa do entorno. 
Seus charmosos ambientes foram criados pelo designer Wilbert Das em parceria com artistas do vilarejo. Já a segunda tendência aborda a regeneração do território, que deve ser um pré-requisito para hotéis urbanos ou de natureza, como o Ibiti Projeto, próximo ao Parque Estadual do Ibitipoca, em Minas Gerais. Além de receber pessoas e compartilhar a riqueza natural e histórica do local, a propriedade tem diversos projetos de proteção à vida selvagem e de agricultura regenerativa.
Em seguida, Rafael destaca as certificações e padrões: “É a maneira de mostrar que o discurso do hotel está alinhado com o que acontece na realidade por meio de indicadores auditados”. É isso o que atesta a certificação de Empresa B, conquistada recentemente pelo Emiliano – com unidades no Rio de Janeiro e em São Paulo – ao validar as práticas sociais, ambientais e de governança promovidas pelo hotel. Em quarto lugar, está a preocupação com o desperdício de alimentos e bebidas, bastante frequente nesse setor. 
O que se descarta nos hotéis precisa ser considerado tão importante quanto o que é servido. Nesse sentido, o Anavilhanas Jungle Lodge, na Amazônia, tem um programa eficiente: as composteiras do hotel transformam 100% dos resíduos orgânicos da cozinha e bares em adubo para seu próprio sítio agroecológico. E, por último, o consultor lembra o luxo essencial, que deixa de lado a ostentação e segue o caminho das experiências, exclusividade e bem-estar, a exemplo do que oferece o Unique Garden. No meio da Serra da Cantareira, o hotel propõe a dose ideal de ócio, com spa, jardins coloridos, gastronomia e silêncio a poucos minutos da agitação de São Paulo.
Espalhar a palavra
De acordo com os especialistas da BLTA, o momento é de educação de todas as pessoas envolvidas na cadeia do turismo de luxo. Responsáveis por garantir aos clientes uma viagem sustentável do começo ao fim, agências e operadoras se deparam com um novo desafio. “Precisamos orquestrar e influenciar todos os fornecedores, que incluem hotel, transfer, guia e as experiências”, afirma Caroline Vaslin, head da operadora Matueté. Para isso, a divulgação de informações é fundamental. 
Ao todo, a BLTA tem oito operadoras de turismo associadas que se uniram com o objetivo de criar um padrão na oferta desses serviços aos viajantes. E, em vez de trocarem um fornecedor que não esteja alinhado às boas práticas de ESG, auxiliam na formação dos prestadores de serviços. “Procuramos agregar, porque, se excluirmos alguém, essa mesma pessoa vai continuar fazendo sua atividade de forma errada para outro contratante, o que acaba trazendo impacto negativo à comunidade e ao meio ambiente. É melhor a gente acolher e orientar. É mais trabalhoso, porém muito mais eficiente a longo prazo”, diz.
Acima, banheira de uma das acomodações do Ibiti Projeto, no Parque Estadual do Ibitipoca, em Minas Gerais
Divulgação/BLTA
Do outro lado, estão os viajantes, que se dividem entre aqueles que não querem fazer parte do movimento de turismo exploratório e os que ainda não foram sensibilizados pelo assunto. “Hoje em dia, há também o cliente que deseja saber qual impacto positivo sua estadia pode causar. E, nisso, o mercado europeu é bem forte”, avalia Guilherme Padilha, proprietário da operadora Auroraeco e vice-presidente de Relações Institucionais da BLTA. 
No Brasil, esse desejo ainda não é tão explícito no momento da reserva. Para mudar o cenário, o desafio é propor experiências memoráveis dentro das práticas de ESG sem apelar para um tom catequizador, com o objetivo de encantar os viajantes. “Precisamos envolvê-los em um momento de reflexão, como levá-los a uma comunidade para fazer uma refeição enquanto escutam sobre a origem daquele alimento delicioso que está no prato”, reflete Caroline. 
Algumas decisões impopulares também fazem parte do processo educativo dos hóspedes, mas costumam trazer bons resultados no futuro. Proprietário da Pousada Literária de Paraty, Pedro Treacher revela que retira o camarão do menu no período de defeso, em vez de congelar o alimento previamente, como fazem outros hotéis, o que acarretaria uma sobrepesca. “Resolvemos contar a história da importância do defeso para os hóspedes e incluímos outra receita no cardápio durante esse período. No começo, houve estranhamento, mas a maioria das pessoas avalia essa decisão como algo positivo”, conclui.
O papel da arquitetura
Além dos serviços, as instalações também dizem muito sobre o comprometimento de um hotel com as práticas de ESG. Atualmente, mais do que expressar uma marca, empreendimentos que seguem essa linha usam a arquitetura e o design como ferramenta de integração com o meio ambiente e transformação cultural por meio de vivências genuínas proporcionadas aos hóspedes. 
“Dentro de uma abordagem biofílica, a arquitetura pode reconectar as pessoas aos sistemas vivos dos quais fazem parte. Sustentabilidade não deveria ser apenas uma camada técnica ligada à eficiência energética ou a materiais certificados, embora isso seja essencial. O que realmente transforma é quando o espaço gera uma experiência sensorial e emocional profunda de interconexão”, defende o arquiteto Marko Brajovic, autor de projetos como o Mirante do Madadá, na Amazônia, previsto para ser concluído em dezembro de 2027. 
Restaurante Blaise, do Rosewood São Paulo, hotel cujo projeto integrou a antiga (e tombada) Maternidade Condessa Filomena Matarazzo à Torre Mata Atlântica, projetada por Jean Nouvel
Ruy Teixeira
Às margens do Rio Negro, o hotel terá acomodações pensadas como sementes enormes, “plantadas” entre as clareiras existentes no terreno, oferecendo vistas panorâmicas e uma imersão na floresta nativa. “Quando o hóspede sente no próprio corpo o silêncio, a ventilação natural, a luz, os materiais e o ritmo da natureza, ele entende intuitivamente o valor da preservação ambiental”, completa.
O viés sentimental é outro ponto importante nessa questão. Atualmente, o viajante busca cada vez mais significado, autenticidade e regeneração emocional durante as viagens. Por isso, projetos verdadeiramente integrados com a natureza e a comunidade criam um vínculo muito mais forte com o lugar. Com ambientes assinados pela designer de interiores Marina Linhares, a hospedaria Oiá Casa Lençóis, em Santo Amaro do Maranhão, faz exatamente isso: conecta os visitantes com uma identidade nacional por meio de uma curadoria de peças idealizadas por artesãos da região ou designers contemporâneos. 
O conceito é reforçado pelas tramas de bordados e trançados. Do lado de fora, a arrebatadora paisagem dos Lençóis Maranhenses; por dentro, um recorte sensível da arte produzida na região. No fim, a busca também é por experiências para guardar para sempre na memória.  </description>  <media:content url="https://s2-umsoplaneta.glbimg.com/rmPJL5Vg14OrKCfXNLVWEmH1R1Q=/i.s3.glbimg.com/v1/AUTH_7d5b9b5029304d27b7ef8a7f28b4d70f/internal_photos/bs/2026/J/l/DB26W5QkAdOhiXATbn8g/destino-esg-hotelaria-de-luxo-divulgacao-blta-1.avif" medium="image"/>   <media:description>Vista aérea do Arquipélago de Anavilhanas, no Rio Negro, Amazônia, onde está localizado o Anavilhanas Jungle Lodge – o hotel tem a sustentabilidade como premissa básica</media:description>   <media:credit>Divulgação/BLTA</media:credit>  <category>umsoplaneta</category> <pubDate>Fri, 14 Aug 2026 12:00:15 -0000</pubDate>  </item>  <item> <title>Captura de Carbono: nova regra destrava investimentos, mas passivo ambiental vitalício gera críticas</title>  <atom:subtitle>O novo decreto de captura e estocagem de carbono (CCS) viabiliza projetos no Brasil. Entenda as regras da ANP e os alertas do mercado sobre passivo ambiental.</atom:subtitle>  <link>https://umsoplaneta.globo.com/financas/negocios/noticia/2026/08/13/captura-de-carbono-nova-regra-destrava-investimentos-mas-passivo-ambiental-vitalicio-gera-criticas.ghtml</link> <guid isPermaLink="true">https://umsoplaneta.globo.com/financas/negocios/noticia/2026/08/13/captura-de-carbono-nova-regra-destrava-investimentos-mas-passivo-ambiental-vitalicio-gera-criticas.ghtml</guid> <description>  <![CDATA[ <img src="https://s2-umsoplaneta.glbimg.com/TIldSrp67zbizdF2AJg30vQTcdw=/i.s3.glbimg.com/v1/AUTH_7d5b9b5029304d27b7ef8a7f28b4d70f/internal_photos/bs/2023/P/B/UAFZPlTiSANk03rwgYrw/ccs.jpg" /><br /> ]]>    O Decreto nº 13.095/2026, publicado nesta quinta-feira, 13, regulamenta oficialmente as atividades de captura, transporte e estocagem geológica de dióxido de carbono (CCS) no Brasil. A medida, que viabiliza a execução de projetos do setor, era aguardada desde a sanção da Lei do Combustível do Futuro, em 2024. Com o novo texto, a Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) assume oficialmente a atribuição de autorizar, regular e fiscalizar a atividade, preenchendo a lacuna jurídica que impedia a atração de investimentos para novos empreendimentos climáticos no país.
A legislação estabelece parâmetros técnicos e prazos para o ciclo de vida dos projetos. As autorizações concedidas pelo poder público terão validade de 20 anos, contados a partir do início da injeção do gás no subsolo, sendo obrigatório que o carbono permaneça confinado por um período mínimo de 50 anos. 
Para dar mais segurança aos investidores, o texto adotou um modelo de autorização em fases, garantindo que a empresa responsável pelos custos da exploração inicial da área tenha prioridade na etapa comercial de injeção. O documento também confirma a integração da atividade ao Sistema Brasileiro de Comércio de Emissões de Gases de Efeito Estufa (SBCE).
Do ponto de vista estratégico, o marco encarrega o Ministério de Minas e Energia (MME), em conjunto com a Empresa de Pesquisa Energética (EPE), de elaborar um plano nacional para mapear e desenvolver a infraestrutura de CCS no território brasileiro. A regulamentação foi desenhada para abranger seis rotas tecnológicas diferentes, que incluem desde a bioenergia com captura de carbono (BECCS) até a captura direta do ar (DACCS). Essa estrutura normativa permite que a ANP supervisione futuras inovações do setor de forma dinâmica, sem a necessidade de criação de novas leis específicas para cada tecnologia que venha a surgir.
Apesar do avanço regulatório, a definição sobre a gestão do passivo ambiental gerou forte ressalva entre os agentes do mercado. O decreto determina que as empresas operadoras manterão a responsabilidade integral por eventuais danos de forma vitalícia, mesmo após o encerramento definitivo das atividades, o descomissionamento da infraestrutura e o cumprimento do monitoramento obrigatório de 20 anos. Representantes da indústria apontam que a decisão diverge da prática regulatória internacional, que costuma prever a transferência desse risco de longo prazo para o Estado, e alertam que o peso desse passivo permanente pode inviabilizar economicamente os projetos e afastar o capital privado.
“Esse não é o modelo que o mundo vem adotando. A tendência internacional é prever, legal ou regulatoriamente, a transferência dessa responsabilidade de longo prazo. Tínhamos expectativa de que o decreto seguisse esse modelo, o que não ocorreu. É um ponto que precisaremos endereçar para reduzir o risco econômico dos operadores, um risco relevante, já que o armazenamento de CO2 é pensado para durar para sempre, e não por 10, 20 ou 30 anos”, avaliou Isabela Morbach, cofundadora da CCS Brasil, associação que visa estimular as atividades de captura e armazenamento de carbono no país.
Mais Lidas  </description>  <media:content url="https://s2-umsoplaneta.glbimg.com/TIldSrp67zbizdF2AJg30vQTcdw=/i.s3.glbimg.com/v1/AUTH_7d5b9b5029304d27b7ef8a7f28b4d70f/internal_photos/bs/2023/P/B/UAFZPlTiSANk03rwgYrw/ccs.jpg" medium="image"/>   <media:description>Imagem conceitual de captura e armazenamento de carbono.</media:description>   <media:credit>GettyImages</media:credit>  <category>umsoplaneta</category> <pubDate>Thu, 13 Aug 2026 20:07:44 -0000</pubDate>  </item>  <item> <title>Observação de baleias atrai turismo no RJ, mas deve ser feito com cuidado</title>  <atom:subtitle>A recuperação da espécie é considerada um verdadeiro marco ambiental, mas especialistas alertam para aumento no fluxo de embarcações próximas à área de observação marinha</atom:subtitle>  <link>https://umsoplaneta.globo.com/biodiversidade/noticia/2026/08/13/observacao-de-baleias-atrai-turismo-no-rj-mas-deve-ser-feito-com-cuidado.ghtml</link> <guid isPermaLink="true">https://umsoplaneta.globo.com/biodiversidade/noticia/2026/08/13/observacao-de-baleias-atrai-turismo-no-rj-mas-deve-ser-feito-com-cuidado.ghtml</guid> <description>  <![CDATA[ <img src="https://s2-umsoplaneta.glbimg.com/5KLUQJFZqEcyK4nD9z7pNizgFWQ=/i.s3.glbimg.com/v1/AUTH_7d5b9b5029304d27b7ef8a7f28b4d70f/internal_photos/bs/2024/6/p/pfkCXSSjipItXT3HjH4A/file-20240730-21-xxzsek.jpg" /><br /> ]]>    As baleias-jubarte estão de volta à costa do Rio de Janeiro, atraindo turistas e residentes que buscam observar a beleza do gigante mamífero marinho e suas acrobacias, transformando a região em um novo polo de turismo de observação. Somente neste ano, foram mais de 18 registros de uma mesma baleia jovem nadando pela Baía de Guanabara.
Apesar do aumento no número de observações e um retorno triunfal após a espécie quase entrar em extinção pela caça ilegal, especialistas ouvidos pelo The Guardian, alertam que é preciso tomar precauções e tentar manter equilibrar o crescente interesse turístico com as necessidades de conservação marinha.
A recuperação da espécie é considerada um verdadeiro marco ambiental. Antes da proibição global da caça comercial entrar em vigor em 1986, a população de jubartes que passava pelo Brasil contava com menos de mil indivíduos. Hoje, estimativas do projeto de conservação Amigos da Jubarte apontam que esse número saltou para algo entre 30 mil e 35 mil. 
Tradicionalmente, essas baleias utilizam o litoral brasileiro como rota migratória entre junho e novembro, viajando das áreas de alimentação no Atlântico Sul em direção às águas quentes do Banco de Abrolhos, na Bahia, para se reproduzirem. Contudo, pesquisadores já começaram a registrar nas águas fluminenses comportamentos típicos de áreas de reprodução, como a presença de filhotes recém-nascidos, disputas entre machos e o canto característico da espécie.

Para aproveitar esse espetáculo natural, agências de turismo passaram a oferecer expedições especializadas a partir da capital fluminense, buscando aliar lazer e ciência. Em parcerias fomentadas por ONGs ambientais, diversas embarcações operam com estudantes ou profissionais de biologia a bordo para garantir o cumprimento de regras estritas, como manter uma distância mínima de 100 metros dos animais e limitar o tempo de observação a 30 minutos por grupo de baleias, seguindo o que é proibido pela portaria 117 do Ibama. 
Além de orientarem os passageiros e a tripulação, esses pesquisadores coletam dados comportamentais e populacionais. Defensores deste modelo afirmam que a união entre o turismo e a academia gera um volume de informações valiosas que servem de base para a formulação de novas políticas de proteção.
No entanto, embora o crescimento populacional das jubartes seja motivo de celebração, ele vem inevitavelmente acompanhado de um aumento nos conflitos entre humanos e animais. O corredor de migração próximo às Ilhas Cagarras, na zona sul do Rio, está cada vez mais congestionado por barcos de passeio, o que se soma a ameaças preexistentes como a atividade pesqueira, a poluição química e o intenso ruído de grandes navios comerciais.
Especialistas ressaltam que, apesar de o Brasil possuir leis de proteção relativamente robustas, a legislação precisa de atualizações e de uma fiscalização muito mais rigorosa, advertindo que o estresse contínuo causado por operadores que ignoram as boas práticas pode gerar efeitos nocivos graves e de longo prazo para esses animais.
Mais Lidas  </description>  <media:content url="https://s2-umsoplaneta.glbimg.com/5KLUQJFZqEcyK4nD9z7pNizgFWQ=/i.s3.glbimg.com/v1/AUTH_7d5b9b5029304d27b7ef8a7f28b4d70f/internal_photos/bs/2024/6/p/pfkCXSSjipItXT3HjH4A/file-20240730-21-xxzsek.jpg" medium="image"/>   <media:description>Baleias-jubarte nas águas do litoral fluminense</media:description>   <media:credit>Liliane Lodi</media:credit>  <category>umsoplaneta</category> <pubDate>Thu, 13 Aug 2026 19:37:49 -0000</pubDate>  </item>  <item> <title>Ondas de calor: saiba como proteger bebês e crianças dos perigos climáticos</title>  <atom:subtitle>Riscos à saúde gerados pelo aumento da temperatura são ainda mais graves em bebês e crianças pequenas</atom:subtitle>  <link>https://umsoplaneta.globo.com/clima/noticia/2026/08/13/ondas-de-calor-saiba-como-proteger-bebes-e-criancas-dos-perigos-climaticos.ghtml</link> <guid isPermaLink="true">https://umsoplaneta.globo.com/clima/noticia/2026/08/13/ondas-de-calor-saiba-como-proteger-bebes-e-criancas-dos-perigos-climaticos.ghtml</guid> <description>  <![CDATA[ <img src="https://s2-umsoplaneta.glbimg.com/xJLEaxPX6ov6QadnOouFrC6mVqg=/i.s3.glbimg.com/v1/AUTH_7d5b9b5029304d27b7ef8a7f28b4d70f/internal_photos/bs/2026/T/2/uZRtBBTGALmxkjeWwDtA/ffraz-abr-30011911023.webp" /><br /> ]]>    O aumento das temperaturas tem se tornado cada vez mais frequente no Brasil, com a chegada do El Niño, essas mudanças acendem um alerta para a saúde das pessoas, em especial bebês e crianças pequenas, por serem mais vulneráveis às ondas de calor do que os adultos saudáveis.
Essa fragilidade se deve principalmente a fatores biológicos específicos, como o hipotálamo, a região do cérebro que atua como o principal "termostato" do nosso corpo. Em crianças, especialmente naquelas com menos de cinco anos, esse sistema regulador ainda não está totalmente desenvolvido.
Como resultado, elas suam menos e frequentemente não percebem quando estão desidratadas. Além disso, a proporção entre a superfície e a massa corporal das crianças faz com que elas absorvam o calor do ambiente de forma muito mais acelerada, problema que é agravado pela alta intensidade de suas atividades físicas.
Especialistas ouvidos pelo The Guardian, recomendam a hidratação constante, pausas para descanso em locais frescos e com sombra, e o uso de roupas leves e folgadas. A situação exige tanto cuidado que, recentemente, durante as ondas de calor no Reino Unido, famílias chegaram a reservar quartos de hotel com ar-condicionado apenas para garantir o conforto térmico de seus filhos, fugindo de casas superaquecidas.
No caso dos recém-nascidos e lactentes, a atenção deve ser redobrada, pois dependem inteiramente das adaptações feitas pelos adultos. Em dias muito quentes, é necessário oferecer amamentação ou mamadeiras extras. Os pais devem evitar deixá-los dormir em carrinhos, que se tornam abafados com facilidade.

É recomendado manter o quarto do bebê em uma temperatura entre 16ºC e 20ºC. Caso opte por um ventilador, ele deve ser usado apenas para circular o ar pelo ambiente, nunca apontado diretamente para a criança. Na falta de ventilação mecânica, aplicar panos úmidos e frescos no corpo do bebê é uma alternativa eficaz, desde que monitorada para que ele não acabe sentindo frio.
Sinais de alerta
É preciso estar atento aos sinais de alerta nos pequenos, a exposição prolongada ao sol pode desencadear a exaustão por calor, cujos sintomas incluem suor excessivo, pele pálida e pegajosa, tontura, irritabilidade extrema e até náuseas ou vômitos.
Se não houver uma ação rápida, o quadro pode evoluir para insolação (ou choque térmico). Esta fase crítica ocorre quando o termostato cerebral falha, causando pele seca e quente, confusão mental, perda de consciência e febre acima de 40ºC. Para os bebês, o superaquecimento é particularmente perigoso, pois eleva consideravelmente o risco da Síndrome da Morte Súbita Infantil (SMSL).
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Segundo Nielsen, o número de US$ 100 bilhões que surgiu em Copenhague não teve, à época, um cálculo técnico robusto por trás — foi estabelecido politicamente. Hoje, avalia, a meta de US$ 1,3 trilhão é entendida como uma combinação de finanças públicas e privadas, aproximadamente na proporção de metade para cada lado.
Um dos entraves, segundo ele, é que o financiamento público para o desenvolvimento — um dos pilares dessa conta — está encolhendo em diversos países, justamente no momento em que deveria crescer. Diante disso, a aposta é reforçar o chamado blended finance, mecanismo que combina recursos públicos e privados em uma mesma estrutura. 
Como exemplo prático, Nielsen citou uma operação em andamento no Nordeste do Brasil, sem entrar em muitos detalhes. "Nós gerenciamos, atualmente, 500 milhões de dólares para os governos nordestinos em finanças públicas, para desfazer fundos que enviamos para gestores de empréstimos privados." Para ele, esse tipo de mecanismo ainda precisa evoluir para conseguir escalar de fato a participação do setor privado.
Nielsen também apontou uma oportunidade que, segundo ele, está sendo subaproveitada: o volume de investimento em energia limpa já superou o de combustíveis fósseis no último ano, mas grandes investidores institucionais — como fundos de pensão — seguem hesitantes em migrar capital para tecnologias fora de sua zona de conforto. "Eles preferem se dedicar a uma tecnologia que eles já sabem. E isso é frequentemente o que o mercado nos diz", afirmou, defendendo que encontrar mecanismos que deem mais conforto a esse tipo de investidor é um caminho para destravar mais capital.

Taxonomia como "língua comum" entre países
A discussão sobre financiamento no painel também passou pela taxonomia sustentável — o sistema de classificação que define quais atividades econômicas podem ser consideradas sustentáveis. Rafael Dubeux, assessor especial do Ministério da Fazenda, incluiu a interoperabilidade entre taxonomias nacionais como uma das três prioridades da pasta para a COP31, ao lado do fundo florestal TFFF e da coalizão de mercados regulados de carbono. "A terceira é justamente a ideia de a gente ter a interoperabilidade entre as taxonomias sustentáveis dos países, deixando mais fácil o diálogo entre esses critérios de classificação dos países", disse.
Para Nielsen, que acompanhou a experiência de outros países que já implementaram suas próprias taxonomias, o principal ganho desse tipo de padronização é justamente permitir que diferentes mercados "conversem" entre si. "Do lado bom, é, como você disse, basicamente, a taxonomia é uma língua comum. E você precisa de uma língua comum porque investimento ou financiamento não acontece sozinho — geralmente é feito em parceria e depende de uma proximidade ou estabilidade que geralmente o governo quer garantir", afirmou.
Essa busca por um vocabulário comum também aparece na forma como bancos internacionais vêm adaptando seus próprios critérios internos. Silvia Menicucci, líder de Relações Institucionais e Governamentais do Santander, explicou que o sistema de classificação de investimentos sustentáveis do banco, criado em 2022, nasceu no contexto do debate regulatório da União Europeia, mas precisou evoluir para dialogar com padrões internacionais e as realidades de mercados emergentes como o Brasil — caso do biocombustível, ausente na taxonomia europeia, mas incorporado ao sistema do banco por aqui. "Tem um olhar para países mais emergentes, economias emergentes, e levar um olhar de transição para esse sistema nosso", disse.
Questionado sobre quais indicadores vão mostrar, na COP31, se os compromissos assumidos em Belém estão de fato se traduzindo em resultados, Nielsen defendeu que o setor precisa ir além de anunciar metas e passar a comprovar movimentação real de capital. "Nós precisamos agora provar que as coisas estão se movimentando, especialmente quando falamos sobre a implementação" das metas climáticas nacionais, afirmou.
Segundo ele, há dois cenários distintos a monitorar: nos setores em que o capital já flui com naturalidade — caso da energia solar e eólica —, o desafio é identificar e replicar os modelos de colaboração entre público e privado que já funcionam. Já nos setores em que o dinheiro ainda não chega, é preciso construir colaboração entre reguladores, financiadores e fornecedores de soluções para criar demanda e escala.
Para Nielsen, essa colaboração precisa acontecer também entre países — e não necessariamente entre pares do mesmo perfil econômico. "Não tem que ser um fundo de pensão alemão com o governo alemão, tem que ser um fundo de pensão alemão com o governo africano. E essa colaboração é muito importante", concluiu.
Mais Lidas  </description>  <media:content url="https://s2-umsoplaneta.glbimg.com/_yrKDwz-I-mOdJv3CfGj_CldvGI=/i.s3.glbimg.com/v1/AUTH_7d5b9b5029304d27b7ef8a7f28b4d70f/internal_photos/bs/2026/m/b/yDXpyGQR28MqrwJR2xdQ/gettyimages-1455774449.jpg" medium="image"/>   <media:description>Finanças sustentáveis</media:description>   <media:credit>Getty Images</media:credit>  <category>umsoplaneta</category> <pubDate>Thu, 13 Aug 2026 12:00:23 -0000</pubDate>  </item>  <item> <title>Bancos de desenvolvimento ampliam financiamento a estados e municípios para adaptação climática</title>  <atom:subtitle>Depois das enchentes no Rio Grande do Sul, Banco Mundial apoia Santa Catarina em prevenção de inundações; BNDES amplia recursos para adaptação e governo federal prevê capacitação de 581 municípios</atom:subtitle>  <link>https://umsoplaneta.globo.com/financas/noticia/2026/08/13/bancos-de-desenvolvimento-ampliam-financiamento-a-estados-e-municipios-para-adaptacao-climatica.ghtml</link> <guid isPermaLink="true">https://umsoplaneta.globo.com/financas/noticia/2026/08/13/bancos-de-desenvolvimento-ampliam-financiamento-a-estados-e-municipios-para-adaptacao-climatica.ghtml</guid> <description>  <![CDATA[ <img src="https://s2-umsoplaneta.glbimg.com/_yrKDwz-I-mOdJv3CfGj_CldvGI=/i.s3.glbimg.com/v1/AUTH_7d5b9b5029304d27b7ef8a7f28b4d70f/internal_photos/bs/2026/m/b/yDXpyGQR28MqrwJR2xdQ/gettyimages-1455774449.jpg" /><br /> ]]>    O financiamento para adaptação aos eventos climáticos extremos começa a ganhar escala no Brasil, com bancos de desenvolvimento ampliando o apoio a estados e municípios para reduzir riscos antes que novos desastres aconteçam. Depois das enchentes que atingiram o Rio Grande do Sul em 2024, o Banco Mundial anunciou um projeto de US$ 119,2 milhões para reduzir o risco de inundações em Santa Catarina, enquanto o BNDES ampliou os recursos do Fundo Clima destinados a projetos de adaptação.
O projeto catarinense deve beneficiar cerca de 420 mil pessoas em 54 municípios, principalmente moradores de áreas de baixa renda expostas a alto risco de inundação. A iniciativa combina obras de infraestrutura, sistemas de alerta precoce e soluções baseadas na natureza para reduzir a vulnerabilidade do Estado a enchentes e deslizamentos.
A região tem peso relevante para a economia catarinense: responde por cerca de um terço dos empregos do Estado e abriga o Porto de Itajaí, o segundo maior do Brasil em movimentação de contêineres. Segundo o Banco Mundial, enchentes e deslizamentos de terra provocaram mais de US$ 7,2 bilhões em perdas econômicas em Santa Catarina entre 1991 e 2023 e afetaram mais de 20 milhões de pessoas ao longo do período.

O risco também tem impacto direto sobre a atividade econômica. A enchente de 2008, por exemplo, submergiu 90% da cidade de Itajaí e provocou perdas estimadas em US$ 35 milhões por dia em receitas portuárias, segundo o Banco Mundial.
Os recursos do novo projeto serão destinados a obras de melhoria fluvial no Rio Itajaí-Mirim, incluindo dragagem de canais, reforço de diques e comportas, além da construção de barragens a montante. Também estão previstas a expansão de sistemas de alerta precoce e a adoção de soluções baseadas na natureza combinadas às medidas tradicionais de controle hídrico.
O projeto integra o programa estadual “Proteção Levada a Sério”, que prevê um compromisso plurianual de US$ 1 bilhão em resiliência climática, e foi estruturado com apoio técnico do Fundo Global para a Redução e a Recuperação de Desastres (GFDRR).
“A continuidade da geração de empregos e da prosperidade local na região dependerá de estratégias sustentáveis de adaptação ao crescente risco de enchentes”, disse Jorge Coarasa, diretor interino do Banco Mundial para o Brasil, no anúncio do projeto.
Depois das enchentes, foco passa da resposta à prevenção
A estratégia adotada agora em Santa Catarina tem um precedente recente no Rio Grande do Sul, onde as enchentes de abril e maio de 2024 levaram bancos multilaterais a combinar recursos emergenciais com financiamento para reconstrução e preparação para futuros eventos extremos.
Em maio de 2024, ainda durante a emergência, o Banco Mundial liberou cerca de US$ 125 milhões de projetos já em andamento para realocação emergencial. Quase um ano depois, em abril de 2025, a instituição aprovou um novo empréstimo de US$ 359,6 milhões para o Empréstimo para Desenvolvimento de Políticas de Recuperação Sustentável e Resiliência Climática do Rio Grande do Sul.
O financiamento tem dois pilares: apoiar a recuperação dos danos provocados pelas enchentes de 2024 e fortalecer a capacidade do Estado de resistir a futuros choques climáticos, com atenção às populações mais vulneráveis. Os recursos apoiam o Plano Rio Grande, estrutura criada pelo Estado para coordenar ações de gestão de emergências, reconstrução e resiliência, e o Fundo do Plano Rio Grande (Funrigs), criado para financiar essas iniciativas.
A dimensão dos prejuízos ajuda a explicar a mudança de abordagem. Um relatório conjunto do Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID), da Comissão Econômica para a América Latina e o Caribe (Cepal) e do Grupo Banco Mundial estimou em R$ 88,9 bilhões os danos provocados pelas enchentes no Rio Grande do Sul. Divulgado em novembro de 2024, o estudo também mostrou o impacto econômico da resposta pública: sem as transferências a famílias e os repasses a Estados e municípios, a queda do PIB gaúcho naquele ano teria sido de 2,4%, em vez de 1,3%.
O caso gaúcho mostra como o financiamento climático pode evoluir de uma primeira resposta emergencial para investimentos voltados à reconstrução e, posteriormente, à redução dos riscos de novos eventos extremos.
Fundo Clima amplia recursos para adaptação
A expansão não ocorre apenas nos bancos multilaterais. No Brasil, os recursos aprovados pelo Fundo Clima para projetos de adaptação climática saltaram de R$ 547 milhões em 2024 para R$ 2,4 bilhões em 2025, alta de 438%, segundo dados divulgados pelo BNDES. O volume passou a representar 19% do orçamento do fundo.
O BNDES também mantém o programa “BNDES Cidades Resilientes”, voltado a apoiar municípios na estruturação de projetos de adaptação e redução do risco de desastres. A linha financia a implementação dos investimentos resultantes desses projetos e prevê mecanismos para incentivar a adesão dos municípios, como a redução dos custos de remuneração cobrados pelo banco.
Na esfera federal, o programa Adapta Cidades, anunciado pelo governo brasileiro durante a COP29, em Baku, prevê capacitação técnica e apoio ao acesso a financiamento climático por Estados e municípios, em articulação com o fortalecimento do Fundo Clima.
A iniciativa integra as Contribuições Nacionalmente Determinadas (NDCs) do Brasil, documento apresentado à Organização das Nações Unidas em novembro de 2024 que reúne compromissos de redução de emissões e de adaptação às mudanças climáticas.
O movimento ocorre em um momento de aumento da demanda por recursos para adaptação. O anuário “Política Climática por Inteiro 2025”, do Instituto Talanoa, aponta que o BNDES passou, em meados de 2025, a analisar um volume inédito de projetos de adaptação apresentados por Estados e municípios, depois de os empréstimos nessa área terem permanecido em valores insignificantes em 2024.
Segundo o levantamento, 581 municípios considerados prioritários, que reúnem cerca de 53 milhões de habitantes — 26% da população brasileira — devem receber capacitação em 2026 para elaborar planos locais de adaptação. A iniciativa envolve o governo federal, os 26 Estados e o Distrito Federal. No Rio Grande do Sul, a seleção de municípios foi ampliada para incluir consórcios municipais, em razão da emergência climática vivida pelo Estado em 2024.
Da emergência à prevenção
Os projetos de Santa Catarina e do Rio Grande do Sul mostram uma mudança importante na forma como o financiamento climático começa a ser estruturado no país. Recursos que antes eram mobilizados principalmente depois dos desastres passam a financiar também obras, planejamento, sistemas de alerta e capacidade técnica para reduzir os danos antes que eles ocorram, aumentando a chamada resiliência climática.
O movimento ainda é recente e está concentrado em algumas iniciativas, mas a combinação entre financiamento multilateral, expansão do Fundo Clima e capacitação de municípios indica uma tentativa de transformar a adaptação em política permanente — e não apenas em resposta às próximas tragédias.  </description>  <media:content url="https://s2-umsoplaneta.glbimg.com/_yrKDwz-I-mOdJv3CfGj_CldvGI=/i.s3.glbimg.com/v1/AUTH_7d5b9b5029304d27b7ef8a7f28b4d70f/internal_photos/bs/2026/m/b/yDXpyGQR28MqrwJR2xdQ/gettyimages-1455774449.jpg" medium="image"/>   <media:description>Finanças sustentáveis</media:description>   <media:credit>Getty Images</media:credit>  <category>umsoplaneta</category> <pubDate>Thu, 13 Aug 2026 10:30:08 -0000</pubDate>  </item>  <item> <title>A qualidade do ar no Brasil e o desafio do financiamento
</title>  <atom:subtitle>Concentração dos poluentes atmosféricos monitorados ultrapassa, no Brasil, frequentemente, os limites aceitáveis de acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS)</atom:subtitle>  <link>https://umsoplaneta.globo.com/financas/noticia/2026/08/13/a-qualidade-do-ar-no-brasil-e-o-desafio-do-financiamento.ghtml</link> <guid isPermaLink="true">https://umsoplaneta.globo.com/financas/noticia/2026/08/13/a-qualidade-do-ar-no-brasil-e-o-desafio-do-financiamento.ghtml</guid> <description>  <![CDATA[ <img src="https://s2-umsoplaneta.glbimg.com/scVE6AwNJwfkAb3WsuXAmeFfb7A=/i.s3.glbimg.com/v1/AUTH_7d5b9b5029304d27b7ef8a7f28b4d70f/internal_photos/bs/2024/s/u/PYUnqlQr6g1RMOp5NnHQ/gettyimages-2170395943-1-.jpg" /><br /> ]]>    Atualmente é difícil questionar que as mudanças climáticas são uma realidade, mesmo entre aqueles que não acompanham de perto o tema ou que ainda têm uma postura mais reticente. Contribuem para essa mudança o agravamento dos seus impactos e os eventos cada vez mais perceptíveis, como o verão extremamente quente deste ano na Europa, que causou mais de 10 mil mortes, ou os desastres climáticos frequentes que têm ocorrido no Brasil.  
Se por um lado as mudanças climáticas recebem cada vez mais foco, por outro há outros desafios ambientais que ainda demandam maior atenção da sociedade e do poder público, entre eles o da poluição atmosférica. Embora os impactos dessas duas problemáticas não estejam diretamente relacionados, as suas fontes possuem aspectos comuns. O Dia Interamericano da Qualidade do Ar, celebrado esta semana, deve chamar a atenção para esse problema não apenas ambiental, mas também de saúde pública. 
No Brasil, historicamente a principal fonte de emissões de gases do efeito estufa (GEE) é o desmatamento florestal, sendo as queimadas uma parte relevante nesse processo. As queimadas são também uma fonte relevante de poluentes atmosféricos, com casos que se destacam, como em 2022, quando a fumaça resultante de queimadas na Amazônia pôde ser percebida em São Paulo. 
Dados do Ministério da Saúde mostram que em 2024 os estados com a maior média anual de material particulado fino (MP 2,5) foram Rondônia, Acre e Mato Grosso, justamente estados que se situam no chamado Arco do Desmatamento. 
Para além das queimadas, fontes relevantes para as emissões de MP 2,5 são os transportes e os processos industriais, devido a fatores como a queima de combustíveis fósseis. 
Um relatório de acompanhamento da qualidade do ar divulgado no início deste ano pelo Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima (MMA) trouxe dados mostrando que em 2024 a concentração dos poluentes atmosféricos monitorados ultrapassou frequentemente os limites aceitáveis de acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS). No período de 2022 a 2024, o número de óbitos atribuíveis à concentração de material particulado fino acima da média foi de quase 300 mil pessoas, segundo os dados do Ministério da Saúde. 
Os números mostram um cenário alarmante, mas houve avanços institucionais importantes nos últimos anos, incluindo a publicação da Política Nacional de Qualidade do Ar, lançada também em 2024, e que tem entre seus objetivos a redução progressiva das emissões e concentrações de poluentes atmosféricos. Também se observou um aumento significativo do número de estações de monitoramento. Um aspecto fundamental abordado na política diz respeito aos incentivos financeiros, estabelecendo que o poder público tem o dever de instituir medidas de indução e linhas de financiamento para apoiar iniciativas como a prevenção e a redução dos poluentes. 

Entretanto, o desafio relacionado ao financiamento das ações necessárias vai além da disponibilidade de recursos, esbarrando também na lacuna da elaboração de projetos financiáveis. No setor de transportes, uma medida importante é a substituição das frotas de ônibus de transporte público a combustão por modelos elétricos. O gargalo neste caso está no desenvolvimento de modelos de negócio que possam viabilizar a mudança, os quais devem envolver diversos atores, desde os fabricantes até as concessionárias, passando por fornecedores de serviços de recarga e tendo a coordenação do poder público. Esse tipo de medida envolve alterações que vão muito além da mera substituição dos veículos, exigindo, por exemplo, adequações nas redes de distribuição elétrica. No Brasil, os municípios de São Paulo e de Belo Horizonte já elaboraram modelos que podem servir de exemplo para outras cidades, embora cada uma precise desenvolver o seu de acordo com suas especificidades. 
Já no setor industrial, tendo como exemplo a siderurgia, os elevados investimentos envolvidos tornam qualquer mudança significativa da estrutura produtiva um desafio. Um fator de indução relevante para o setor tem sido a regulamentação referente às emissões de GEE, tais como o Mecanismo de Ajuste de Fronteira de Carbono (CBAM) da União Europeia e o Sistema Brasileiro de Comércio de Emissões (SBCE), que obrigam as indústrias a se adequarem. 
Em qualquer um dos casos, o desafio que ainda permanece diz respeito à adequação de projetos aos requisitos de financiadores, sejam eles nacionais, como o BNDES, ou internacionais, como o Banco Mundial ou o Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID). Este tem sido um dos principais aspectos debatidos por especialistas do tema e tem sido fruto de cooperação internacional para apoiar o desenvolvimento de projetos que estejam prontos para o financiamento. 
Diante desse cenário, torna-se cada vez mais claro que garantir avanços na qualidade do ar no Brasil não depende apenas de metas ambiciosas ou de marcos regulatórios bem desenhados – ainda que ambos sejam indispensáveis. O caminho passa, sobretudo, pela capacidade de transformar boas intenções em projetos concretos, capazes de atrair o financiamento necessário para sua implementação. Nesse sentido, o fortalecimento de capacidades técnicas para a estruturação de projetos financiáveis, aliado à articulação entre poder público, setor privado e instituições financeiras nacionais e internacionais, é condição essencial para que a Política Nacional de Qualidade do Ar se traduza em resultados efetivos. 
Em um ano marcado pela intensificação do El Niño e pelos riscos que ele impõe à qualidade do ar em diversas regiões do país, a urgência de destravar esse financiamento se torna ainda mais evidente. O Dia Interamericano da Qualidade do Ar é, assim, uma oportunidade para reafirmar que o combate à poluição atmosférica não é apenas uma questão de saúde pública, mas também um desafio de governança e de engenharia financeira – e que o tempo para agir é agora. 
Sobre o autor
Guilherme Lima é economista, mestre e doutorando em Planejamento Energético pela Coppe/UFRJ. Gerente de Projetos do Centro Brasil no Clima, atua com financiamento climático, indicadores de MRV e NDC brasileira.  </description>  <media:content url="https://s2-umsoplaneta.glbimg.com/scVE6AwNJwfkAb3WsuXAmeFfb7A=/i.s3.glbimg.com/v1/AUTH_7d5b9b5029304d27b7ef8a7f28b4d70f/internal_photos/bs/2024/s/u/PYUnqlQr6g1RMOp5NnHQ/gettyimages-2170395943-1-.jpg" medium="image"/>   <media:description>Poluição é agravada por queima de combustíveis fósseis e queimadas</media:description>   <media:credit>Fabio Vieira/FotoRua/NurPhoto via Getty Images)</media:credit>  <category>umsoplaneta</category> <pubDate>Thu, 13 Aug 2026 10:29:08 -0000</pubDate>  </item>  <item> <title>Sem adaptação, mudanças climáticas podem custar até 50% do PIB global até 2070, aponta relatório
</title>  <atom:subtitle>Estudo da Morphosis Solutions com FGVces, Instituto Itaúsa, Paulson Institute e Basilinna propõe framework de sete eixos de políticas públicas para destravar mercados de adaptação</atom:subtitle>  <link>https://umsoplaneta.globo.com/clima/noticia/2026/08/13/sem-adaptacao-mudancas-climaticas-podem-custar-ate-50percent-do-pib-global-ate-2070-aponta-relatorio.ghtml</link> <guid isPermaLink="true">https://umsoplaneta.globo.com/clima/noticia/2026/08/13/sem-adaptacao-mudancas-climaticas-podem-custar-ate-50percent-do-pib-global-ate-2070-aponta-relatorio.ghtml</guid> <description>  <![CDATA[ <img src="https://s2-umsoplaneta.glbimg.com/K6wRzb99xSs2t4v8-MqMtKZbOj4=/i.s3.glbimg.com/v1/AUTH_7d5b9b5029304d27b7ef8a7f28b4d70f/internal_photos/bs/2026/5/b/X0S0AcS1uIASUyIyxnPg/captura-de-tela-2026-07-17-122055.png" /><br /> ]]>    Incêndios florestais, tempestades, inundações e secas ligados às mudanças climáticas causaram, em 2024, perdas econômicas globais superiores a US$ 300 bilhões — o equivalente a menos de 0,3% do PIB (Produto Interno Bruto) global. É o que aponta o relatório “O surgimento da economia de adaptação: Investindo em Adaptação e Resiliência em um mundo com temperatura média acima de 1,5°C”, divulgado em novembro de 2025 pela Morphosis Solutions em parceria com o Centro de Estudos em Sustentabilidade da Fundação Getulio Vargas (FGVces), o Instituto Itaúsa, o Paulson Institute e a Basilinna.
Segundo o documento, essas perdas, que estão concentradas majoritariamente em 55 países, onde vivem 3,6 bilhões de pessoas consideradas altamente vulneráveis pela ONU, são apenas o começo. Sem uma resposta ambiciosa de adaptação, o relatório projeta que os prejuízos podem chegar a 20% do PIB global até 2050 e a 50% até 2070.
Os autores alertam que o risco não se resume a números, mas envolve competição crescente por recursos essenciais como água e alimentos, exclusão de países mais vulneráveis do acesso a capital em condições favoráveis e erosão da governança e da solidariedade internacionais, um cenário que resultaria em uma economia global menor, mais frágil e mais desigual.
O relatório soma-se a um sinal de mudança de prioridades. Depois de uma década de foco quase exclusivo em metas de redução de emissões, a experiência recente com eventos climáticos extremos tem levado governos, empresas e sociedade civil de diferentes orientações políticas a cobrar ações também no campo da adaptação.

O documento define a “economia da adaptação” como o conjunto de atividades, políticas e instituições que entregam bens, serviços e sistemas capazes de sustentar prosperidade inclusiva em um mundo impactado pelo clima. 
Apesar do crescente interesse do mercado — fundos como o soberano de Singapura (GIC) já projetam esse mercado saltando de US$ 1 trilhão hoje para US$ 4 trilhões até 2050 —, o relatório descreve um cenário de financiamento ainda insuficiente e concentrado em poucos setores.
Em 2023, do total de US$ 1,9 trilhão em fluxos financeiros climáticos globais, apenas 3,4% (cerca de US$ 65 bilhões) foram destinados à adaptação, concentrados principalmente em água e saneamento, mudança do uso da terra e gestão de riscos de desastres. Para efeito de comparação, os países em desenvolvimento precisariam, segundo o estudo, de US$ 222 bilhões por ano até 2030 apenas para reduzir os impactos econômicos das mudanças climáticas.
O relatório também aponta que tratar a adaptação apenas como um desafio de financiamento tem sido pouco eficaz. Uma análise de quase 50 mil artigos e relatórios científicos sobre ações de adaptação já implementadas no mundo tentou responder a uma pergunta simples: o que, de fato, tem sido feito na prática — e não apenas planejado ou anunciado? Do total analisado, apenas uma parcela pôde ser verificada de forma robusta, ou seja, com comprovação real de que a ação ocorreu e teve efeito. Essa parcela verificada mostrou um padrão consistente: as adaptações eram, em sua maioria, fragmentadas (iniciativas isoladas, sem conexão entre si), locais (restritas a uma comunidade, bairro ou município, sem alcance regional ou nacional) e incrementais (ajustes pontuais, como elevar uma casa ou trocar uma cultura agrícola, em vez de mudanças estruturais mais profundas). 
O levantamento encontrou poucas evidências de "adaptação transformadora", ou seja, de mudanças que reorganizam sistemas inteiros, como o replanejamento urbano de uma cidade para conviver com enchentes. Também identificaram poucas evidências de que essas ações, de fato, reduziram o risco das populações afetadas. Para os autores do relatório, esse retrato reforça a tese de que tratar a adaptação apenas como um problema de financiamento não tem sido suficiente: falta uma estrutura de políticas públicas capaz de sustentar essas ações em maior escala.
Solução: framework de 7 eixos de políticas públicas
Em vez de recomendar medidas isoladas, o relatório propõe o primeiro framework de políticas públicas de aplicação geral voltado a catalisar mercados de adaptação, estruturado em sete campos:
resiliência econômica; 
expectativas de risco e mudança comportamental; 
capacidade do mercado financeiro; 
empreendedorismo, inovação e difusão tecnológica; 
qualidade e robustez da infraestrutura; 
eficiência e integridade da governança; 
coesão social.
A lógica é a mesma que, segundo os autores, transformou a energia renovável em um mercado de trilhões de dólares nas últimas décadas. Citam tarifas feed-in, contratos de compra de energia e padrões técnicos, entre outras políticas, como indutoras de previsibilidade a investidores e , consequentemente, contribuíram para reduzir o risco percebido e ampliar a possibilidade de investimento. Para a adaptação, ainda não existe um “manual” equivalente, o que, segundo o relatório, não deveria ser motivo para abordagens improvisadas, mas sim a justificativa para padronizar políticas.
O documento traz exemplos concretos de países que já aplicam, mesmo sem usar o termo, alavancas alinhadas ao framework. No Brasil, o Programa de Subsídio ao Prêmio do Seguro Rural (PSR) reduziu o custo dos seguros agrícolas e ajudou a direcionar o comportamento de produtores para escolhas mais resilientes ao clima. Na China, a Estratégia de Dupla Circulação priorizou a resiliência de cadeias de suprimento domésticas em setores como agricultura e infraestrutura hídrica. No Quênia, reformas regulatórias no seguro agrícola indexado ampliaram o acesso de pequenos produtores a instrumentos de proteção contra riscos climáticos.
Segundo o relatório, quando governos oferecem a combinação certa de políticas, instituições e incentivos, conseguem atrair o talento, a tecnologia e o capital necessários para expandir esses mercados, reduzindo, ao mesmo tempo, a dependência de fundos públicos cada vez mais escassos: a dívida pública média dos países da OCDE, por exemplo, mais que dobrou na última década, e a ajuda internacional ao desenvolvimento caiu 7,1% em termos reais em 2024.
Investimento privado em adaptação ainda é baixo
Apesar do apetite crescente de investidores por exposição a soluções de adaptação, o relatório mostra que o sentimento predominante do mercado ainda é de que esses investimentos não são lucrativos nas condições atuais. As barreiras identificadas incluem dados insuficientes sobre risco climático, sinais de preço distorcidos, subsídios que favorecem práticas insustentáveis e expectativas de consumidores pouco desenvolvidas.
Esse ciclo, segundo o documento, cria subvalorização e subinvestimento em empresas e ativos de soluções de adaptação, o que restringe inovação e escala. Assim, na prática, limita o acesso de famílias de baixa e média renda a soluções básicas, da refrigeração residencial ao acesso à água potável.
Essa distância entre o desenho de políticas e a realidade de quem já convive com os efeitos das mudanças climáticas aparece de forma direta no projeto Retrato das Enchentes, conduzido pelo Instituto Decodifica com apoio do Instituto Itaúsa. A pesquisa, de caráter preliminar, combinou grupos focais, oficinas territoriais e 718 entrevistas domiciliares em quatro comunidades — Acari e Kennedy, no Rio de Janeiro, e Passarinho e Dois Carneiros, em Pernambuco —, alcançando 2.177 pessoas.
Os dados revelam alta vulnerabilidade socioeconômica: quase 70% dos entrevistados vivem com até dois salários mínimos, e um terço sobrevive com até um salário mínimo mensal. Em relação às enchentes, 64,1% relataram já ter tido a casa invadida pela água e, em 53,3% dos casos, o nível chegou a ultrapassar um metro dentro das residências.
O estudo conclui que as enchentes são um problema estrutural nas periferias brasileiras, agravado pela baixa renda, pela falta de saneamento e pela oferta insuficiente de serviços públicos. Cerca de 40% dos moradores afirmaram já ter feito adaptações por conta própria — como elevar o térreo, ampliar escadas ou construir novos pavimentos —, mas o apoio institucional segue limitado e desigual: em vários territórios, a maior parte da ajuda recebida chega apenas em situações emergenciais e é considerada insuficiente pela maioria dos moradores.
Para os autores do relatório, a adaptação não deve ser tratada como mais um segmento vertical ao lado de baixo carbono e natureza, mas como uma lente sistêmica sobre como toda a economia precisará se reorganizar diante de um mundo com aquecimento superior a 1,5°C — muito provavelmente, acima dos 2°C. 
O relatório defende que as finanças precisam estar a serviço dessa transformação mais ampla. Décadas de trabalho sob a bandeira das “finanças sustentáveis” mostraram o potencial, mas também os limites, de tentar resolver a adaptação apenas pelo lado da oferta de financiamento.
Os investidores, argumenta o estudo, precisam entender onde estará a fonte de valor do futuro em um mundo com impactos climáticos severos. Esse valor, destaca  os autores, só deve ser alcançado em nações resilientes e em empresas e ativos de soluções de adaptação capazes de entregar os produtos e serviços que as pessoas vão precisar e conseguir pagar.
O framework proposto é apresentado como uma primeira iteração, ainda em construção, que continuará sendo testado, revisado e detalhado, inclusive com o desenvolvimento de uma versão indexada que permita comparar o progresso de políticas entre diferentes países ao longo do tempo. 
Mais Lidas  </description>  <media:content url="https://s2-umsoplaneta.glbimg.com/K6wRzb99xSs2t4v8-MqMtKZbOj4=/i.s3.glbimg.com/v1/AUTH_7d5b9b5029304d27b7ef8a7f28b4d70f/internal_photos/bs/2026/5/b/X0S0AcS1uIASUyIyxnPg/captura-de-tela-2026-07-17-122055.png" medium="image"/>   <media:description>clima</media:description>   <media:credit>Getty Images</media:credit>  <category>umsoplaneta</category> <pubDate>Thu, 13 Aug 2026 10:00:40 -0000</pubDate>  </item>  <item> <title>Do Sul do Brasil à China e à Europa, eventos extremos expõem riscos climáticos
</title>  <atom:subtitle>Chuvas intensas, ventos fortes, inundações e incêndios florestais provocam danos, deslocamentos e interrupções em diferentes regiões; no Rio Grande do Sul, 19 municípios tiveram situação de emergência reconhecida</atom:subtitle>  <link>https://umsoplaneta.globo.com/clima/noticia/2026/08/12/do-sul-do-brasil-a-china-e-a-europa-eventos-extremos-expoem-riscos-climaticos.ghtml</link> <guid isPermaLink="true">https://umsoplaneta.globo.com/clima/noticia/2026/08/12/do-sul-do-brasil-a-china-e-a-europa-eventos-extremos-expoem-riscos-climaticos.ghtml</guid> <description>  <![CDATA[ <img src="https://s2-umsoplaneta.glbimg.com/gUFOEJ7YXCH_0u2GxnlOmCKYUvE=/i.s3.glbimg.com/v1/AUTH_7d5b9b5029304d27b7ef8a7f28b4d70f/internal_photos/bs/2023/c/W/XARK2qSAS4C4NuE17VPg/alta-19004029-64133-gdo-jv.jpeg" /><br /> ]]>    Uma sequência de eventos extremos vem impondo riscos a populações de diferentes regiões do mundo, com episódios que vão de chuvas intensas, vendavais e tornados no Sul do Brasil a incêndios florestais de grandes proporções na Europa e precipitações torrenciais associadas à passagem do tufão Dolphin pela China.
No Rio Grande do Sul, a Secretaria Nacional de Proteção e Defesa Civil reconheceu situação de emergência em 19 municípios afetados por desastres naturais registrados em julho. A Portaria nº 2.579, publicada nesta terça-feira (11), contempla ocorrências de chuvas intensas, enxurradas, tornado, vendaval e granizo, traz a Agência Brasil. 
Entre os municípios atingidos por chuvas intensas estão Arroio do Tigre, Campina das Missões e Cerro Grande do Sul. Boqueirão do Leão foi afetado por enxurradas; Giruá, por um tornado; Itaqui, por vendaval; e Ubiretama, por granizo. O reconhecimento federal permite que as prefeituras solicitem recursos da União para assistência à população, restabelecimento de serviços essenciais e recuperação de áreas danificadas.
Os temporais não ficaram restritos a episódios pontuais. Segundo a Defesa Civil gaúcha, mais de 2,6 mil pessoas estavam desalojadas em 118 municípios após as tempestades que atingem o Estado desde julho, com registros de destelhamentos, quedas de árvores e postes e elevação de rios, incluindo o Guaíba. A passagem de um ciclone bomba também deixou uma pessoa morta e cinco feridas, segundo informações da Defesa Civil divulgadas pela Agência Brasil.
O risco permanece nesta quarta-feira (12). De acordo com o Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet), uma área que se estende pelo centro do Rio Grande do Sul até o centro-sul de Santa Catarina está sob alerta laranja para grandes volumes de chuva e ventos intensos, que podem chegar a 100 km/h. Há ainda alerta amarelo para partes do Rio Grande do Sul e de Santa Catarina. O Inmet havia indicado, no início de julho, previsão de chuva acima da média em grande parte da Região Sul e episódios de chuva intensa ao longo do mês.
Enquanto o Sul brasileiro enfrenta excesso de chuva, outras regiões convivem com riscos de natureza diferente. No Centro-Oeste, o Inmet mantém alerta para baixa umidade relativa do ar, abrangendo áreas de Goiás, Distrito Federal, Mato Grosso, Tocantins, Maranhão, Piauí, Bahia, Minas Gerais e Mato Grosso do Sul. No Norte, há previsão de pancadas de chuva e trovoadas em partes do Amazonas e de Roraima. No Nordeste, a previsão inclui chuva no litoral e calor intenso no interior.
Tufão leva chuva intensa à China
 Na China, os impactos são associados à passagem do tufão Dolphin, que atingiu a costa do país no domingo (9) e, mesmo depois de perder força, continuou levando umidade para áreas do interior. É o que conta reportagem da Agência Brasil. 
Em Pequim, as chuvas provocaram alagamentos e interrupções no transporte. A cidade suspendeu 250 linhas de ônibus, fechou 150 atrações turísticas e reduziu a velocidade em dez linhas de metrô. No distrito de Changping, foram registrados 90,7 milímetros de chuva em apenas uma hora, segundo dados citados pela Reuters.
O sistema percorreu mais de 6 mil quilômetros antes de atingir a China e provocou recordes de precipitação em diferentes províncias. Mesmo enfraquecido, seus remanescentes continuaram alimentando o transporte de umidade para o interior, aumentando o risco de novas inundações.
A Reuters também relata que cientistas associam a ocorrência cada vez mais frequente de fenômenos climáticos destrutivos na China às mudanças climáticas e observa que, neste ano, o padrão emergente de El Niño contribui para temperaturas mais elevadas e para condições favoráveis a tufões mais frequentes e intensos. Essa relação, porém, não significa que o evento individual tenha sido causado exclusivamente pelo aquecimento global.
Incêndios avançam pela Europa
Na Europa, o principal risco é o fogo. Segundo dados do European Forest Fire Information System (Effis) citados por veículos europeus, cerca de 435 mil hectares já haviam sido queimados na União Europeia neste ano. O número foi registrado antes da metade da temporada de incêndios e se aproxima dos níveis observados em anos particularmente severos.
França e Espanha estão entre os países mais atingidos. Mais de 300 mil pessoas precisaram ser evacuadas nos dois países durante a última semana, segundo levantamento citado pelo Fantástico. Em Bordeaux, no sudoeste francês, moradores tiveram de deixar suas casas enquanto bombeiros e aeronaves trabalhavam para conter as chamas.
A situação também se espalhou pelo Mediterrâneo. Na Grécia, incêndios atingiram diferentes áreas do país e cinco pessoas — quatro bombeiros e o piloto de um helicóptero de combate ao fogo — morreram nas últimas semanas, segundo a Euronews. Na Espanha, um incêndio na província de Huelva havia destruído cerca de 20 mil hectares, enquanto a Itália registrava mais de 80 mil hectares queimados desde o início do ano, de acordo com dados citados pela publicação. França e Albânia também enfrentavam incêndios de grandes proporções.
A combinação de seca, temperaturas elevadas e ventos fortes aumenta a dificuldade de controlar os incêndios. O Fantástico também destacou a formação das chamadas nuvens de fogo, geradas pelo calor intenso das queimadas e capazes de produzir raios e rajadas de vento que podem favorecer a propagação das chamas.
Os dados europeus dão dimensão do problema. Uma análise baseada no Effis apontou que os incêndios haviam queimado cerca de 435 mil hectares na União Europeia, número quase três vezes superior à média para o período, em um cenário marcado por condições de calor, secura e vento.
Eventos extremos ampliam pressão sobre cidades e infraestrutura
Apesar de ocorrerem em contextos meteorológicos diferentes, os episódios têm em comum os impactos sobre infraestrutura, mobilidade e população. No Rio Grande do Sul, municípios precisam lidar com danos provocados por chuva, vento, granizo e enxurradas. Na China, o excesso de água interrompeu transportes e obrigou autoridades a adotar medidas emergenciais. Na Europa, incêndios levaram milhares de pessoas a deixar suas casas e pressionaram sistemas de emergência.
O cenário também reforça um dos desafios da adaptação climática: os riscos não se manifestam de uma única forma. Em diferentes lugares, cidades e comunidades podem ser expostas simultaneamente a chuvas extremas, inundações, calor, seca, incêndios e ventos fortes — com consequências para moradia, transporte, energia, agricultura, abastecimento de água e serviços públicos.
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Com base em dados do Sistema Único de Saúde (SUS) de 14 regiões metropolitanas do país, a pesquisadora afirma que foram identificadas 50 mil mortes motivadas por ondas de calor entre os anos 2000 e 2020. Apesar do número expressivo, o problema ainda não recebe a devida importância, na avaliação da pesquisadora.
"Esse número é 20 vezes maior do que o número de mortes por deslizamentos de terra no mesmo período. Isso significa que as ondas de calor ainda são um desastre completamente negligenciado no nosso país. Não têm o impacto de outros tipos de tragédia, em que as mortes são imediatas. Estamos acostumados a achar que, por morarmos em um país tropical, estamos acostumados com calor. E isso não é verdade", disse Renata Libonati.
A afirmação foi feita durante o painel O que esperar do El Niño, realizado nesta terça-feira (11) no Museu do Amanhã, no Rio de Janeiro. Também participaram os pesquisadores Paulo Artaxo, da Universidade de São Paulo (USP), e José Marengo, do Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais (Cemaden).
O fenômeno climático, que altera a circulação dos ventos e o clima em todo o planeta, deve fazer com que 2026 registre temperaturas excepcionalmente altas, disseram os especialistas.
Além dos impactos sobre a saúde, Renata Libonati apresentou dados que relacionam El Niño, ondas de calor, secas e incêndios. Segundo ela, o fenômeno pode favorecer o acoplamento desses eventos, aumentando as condições para propagação do fogo.
“Nos últimos 40 anos, as condições de perigo elevado de fogo aumentaram cerca de 18% durante anos de El Niño nas regiões Norte, Nordeste e Centro-Oeste. Temos um contexto de mudança climática com um acoplamento maior entre seca, fogo e ondas de calor”, afirmou.
Impactos variam entre regiões
José Marengo, do Cemaden, ressaltou que os efeitos do El Niño não serão iguais em todo o país. No Sul, o fenômeno costuma estar associado ao aumento das chuvas e, consequentemente, ao maior risco de enchentes.
No Norte e no Nordeste, a tendência é de redução das chuvas e aumento do risco de seca. No Centro-Oeste, pode haver atraso no início da estação chuvosa e mais ondas de calor. No Sudeste, a expectativa é de temperaturas elevadas e maior irregularidade das chuvas.
“O El Niño não cria problemas. Ele agrava a situação de problemas que já existem”, resumiu Marengo.
O pesquisador também destacou que os efeitos do fenômeno ultrapassam o campo meteorológico e podem atingir a produção de alimentos, o transporte, o fornecimento de energia e a economia.
“Não vemos o El Niño só como um fenômeno climático que aquece as águas do Oceano Pacífico. É um choque climático que afeta todos esses setores, portanto, tem impacto sobre a vida de todas as pessoas", disse.
Preparação
Paulo Artaxo participou dos três últimos relatórios do Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (IPCC), principal órgão científico global das Nações Unidas. Segundo o pesquisador, o Brasil precisa acelerar a adaptação a um clima que já apresenta temperaturas mais elevadas e maior frequência de eventos extremos. O país já registra aquecimento médio próximo de 2°C, acima da média global.
Para Artaxo, experiências anteriores de desastres deveriam ter servido de lição para governos municipais, estaduais e federal.
“A gente tinha que mais bem preparado para a chegada de um próximo El Niño, para não repetir sofrimentos iguais aos que tivemos em 2024”, afirmou.
Ele destacou também que os processos de adaptação climática nas cidades devem levar em consideração as desigualdades sociais, porque os efeitos dos eventos extremos não atingem a população de maneira uniforme.
“Esses fenômenos impactam principalmente os mais vulneráveis, os mais pobres”, afirmou.
A vulnerabilidade está relacionada, entre outros fatores, ao acesso desigual aos serviços de saúde, às condições de moradia, à exposição ao ar livre e à possibilidade de utilização de mecanismos de refrigeração. O pesquisador citou a diferença entre pessoas que podem utilizar ar-condicionado durante períodos de calor extremo e moradores de comunidades que vivem em casas com telhados de zinco, que podem permanecer expostas a temperaturas elevadas durante a noite.
"É responsabilidade nossa cuidar para minimizar esses danos na população", disse Artaxo. "O Brasil é a nona maior economia do planeta. Nós não somos um país pobre. Nós não precisamos nem podemos passar por esses problemas que temos passado por falta de estratégia de adaptação climática."
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</title>  <atom:subtitle>Ao longo de 40 anos, áreas preservadas foram menos afetadas</atom:subtitle>  <link>https://umsoplaneta.globo.com/clima/noticia/2026/08/12/mapbiomas-menor-vegetacao-nativa-aumenta-exposicao-do-pais-ao-el-nino.ghtml</link> <guid isPermaLink="true">https://umsoplaneta.globo.com/clima/noticia/2026/08/12/mapbiomas-menor-vegetacao-nativa-aumenta-exposicao-do-pais-ao-el-nino.ghtml</guid> <description>  <![CDATA[ <img src="https://s2-umsoplaneta.glbimg.com/wCUrM_ClpvIMApT-YgNa893gJqI=/i.s3.glbimg.com/v1/AUTH_7d5b9b5029304d27b7ef8a7f28b4d70f/internal_photos/bs/2021/C/p/2BW5qnS9KxmDM7n2fQ5A/gettyimages-157628429.jpg" /><br /> ]]>    Em 41 anos, a vegetação nativa foi reduzida a 65% do território brasileiro, aponta a Coleção 11 dos mapas anuais de cobertura e uso da terra do MapBiomas, divulgada nesta quarta-feira (12). 
Ao longo dessas quatro décadas, áreas onde as florestas permaneceram foram menos afetadas pelo fenômeno El Niño ─ aquecimento da superfície equatorial do Oceano Pacífico que causa eventos climáticos extremos na América do Sul.
A nova coleção traz resultados do mapeamento do território nacional, de 1985 até 2025, a partir de 33 classes de cobertura da terra, como biomas, atividades humanas, tipos de vegetação e superfície de água, por exemplo.
Nesta edição, os dados foram cruzados aos da plataforma MapBiomas Atmosfera, que monitora o clima e a qualidade do ar no país. Os pesquisadores observaram especialmente a ocorrência de extremos climáticos, como secas e temporais, no trimestre de setembro a novembro, durante os anos com El Niño – 1997/98, 2015/16, 2023/24.
Na análise, os pesquisadores puderam observar que, nesses anos em que o fenômeno foi mais intenso, a maior parte dos biomas brasileiros foi afetada por secas e ausência de chuva. As exceções foram nos biomas Pampa e em parte da Mata Atlântica, onde houve um aumento da precipitação.
Impacto por bioma
A Amazônia foi o bioma mais afetado pelo déficit de chuvas nos três El Niño, sendo que, no último, ocorrido em 2023/2024, os efeitos mais intensos registrados foram nas áreas de agropecuária. Essas regiões, onde o ser humano deu outro tipo de uso à terra que antes abrigava floresta, sofreram uma redução de 178 milímetros de precipitação em relação à média histórica.
O Pantanal foi drasticamente afetado pelo último El Niño ocorrido, o que levou o bioma a registrar o ano mais seco da série histórica em 2024. No Cerrado e na porção norte da Mata Atlântica, a seca foi ficando mais intensa a cada novo fenômeno. As áreas de vegetação nativa foram as mais afetadas nesses biomas.
As áreas de agropecuária também foram as mais afetadas no Pampa pelos extremos climáticos ocorridos durante o El Niño. Mas, diferentemente da Amazônia, o bioma foi impactado pelo excesso de chuva, especialmente nos últimos dois fenômenos analisados.
Vegetação
Em 1985, a vegetação nativa do país ocupava 79% do território brasileiro e, em 2025, esse percentual caiu para 65%.  Durante esses 41 anos, a formação florestal foi o tipo de vegetação que perdeu mais área pela ação humana. Foram menos 65 milhões de hectares, seguido da formação savânicas, com menos 46 milhões de hectares, e dos campos alagados, que perderam 6,3 milhões de hectares.
“Embora a perda tenha sido maior em florestas, proporcionalmente a perda maior foi das formações savânicas, que perderam 30% de toda a sua área nesse período”, diz o coordenador-geral do MapBiomas, Tasso Azevedo.
Em todo o período estudado, 557 milhões de hectares mapeados mantiveram a mesma classe de cobertura ou uso da terra. Desse total, a maioria, 335 milhões de hectares, foram florestas mantidas em pé.
Atividades humanas
A agropecuária é a classe que mais ocupou área no país, sendo que, em 2025, já representava 32% do território do país, enquanto que, em 1985, estava presente em apenas 18% do Brasil.
A pastagem cresceu em 61,6 milhões de hectares ao longo do período estudado, enquanto a agricultura cresceu sobre 48 milhões de hectares.
Essas atividades ocuparam áreas antes de vegetações nativas dos seis biomas brasileiros de forma desigual. A Amazônia e o Cerrado foram os que mais perderam em tamanho de área, com reduções de 53,9 milhões e 51,7 milhões de hectares, respectivamente.
Caatinga, Mata Atlântica, Pampa e Pantanal perderam respectivamente 10,1; 4,9; 4 e 1,9 milhões de hectares.
“A Mata Atlântica perdeu menos porque já tinha perdido anteriormente e também porque está em uma trajetória, nos últimos 20 anos, que estabilizou e, em alguns lugares, cresceu a área de vegetação nativa, especialmente florestas”, explica Tasso Azevedo.
Já proporcionalmente, Cerrado e o Pampa apresentam as maiores reduções com perdas de 34% e 32%, respectivamente.
Estados e DF
No recorte por estados, a nova coleção aponta que, entre 1985 e 2025, 25 dos 26 estados brasileiros e o Distrito Federal reduziram a participação da vegetação nativa em seus territórios. O Rio de Janeiro foi a única exceção, após recuperar 1% da cobertura verde de seu território.
Nesses 41 anos, os estados que mais perderam vegetação nativa proporcionalmente aos seus territórios foram Rondônia com redução da vegetação nativa de 92% para 59%, entre 1985 e 2025. Maranhão, que passou de 91% para 61%; Mato Grosso e Tocantins, ambos com redução de 90% para 61%.
Novidade
As marismas, áreas pantanosas sob influência de água salobra foram mapeadas pela primeira vez no estudo do Mapbiomas, ainda em versão beta. Em 2025, foram mapeados 6,9 mil hectares de marismas, apenas no bioma Pampa.
 As principais vegetações presentes nas marismas são herbáceas, formadas por gramíneas e juncos adaptados à água salgada, já que esses ecossistemas ocorrem nas margens dos estuários e recebem tanto água doce de rios ou lagunas, quanto a água do mar.
As que entraram no estudo, estão localizadas nas zonas estuarinas das lagoas Tramandaí-Armazém, Lagoa do Peixe, Laguna dos Patos e na foz do Arroio Chuí.
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</title>  <atom:subtitle>Concessionária ampliou de cinco para 85 veículos elétricos e híbridos em pouco mais de um ano e pretende chegar a 125 até o fim de 2026; combustão móvel ainda responde por 69% do escopo 1 da companhia</atom:subtitle>  <link>https://umsoplaneta.globo.com/financas/negocios/noticia/2026/08/12/motiva-investe-r-50-milhoes-em-eletrificacao-de-frota-e-mira-reducao-de-emissoes.ghtml</link> <guid isPermaLink="true">https://umsoplaneta.globo.com/financas/negocios/noticia/2026/08/12/motiva-investe-r-50-milhoes-em-eletrificacao-de-frota-e-mira-reducao-de-emissoes.ghtml</guid> <description>  <![CDATA[ <img src="https://s2-umsoplaneta.glbimg.com/FA4w2DHLs10rvA3n9jhMOlWFC9U=/i.s3.glbimg.com/v1/AUTH_7d5b9b5029304d27b7ef8a7f28b4d70f/internal_photos/bs/2021/3/h/DBzzeHStAMOuy37IVCeg/gettyimages-1003369244.jpg" /><br /> ]]>    A Motiva, empresa que opera rodovias, metrôs, trens, VLTs e aeroportos, está investindo cerca de R$ 50 milhões na eletrificação de sua frota operacional, em um movimento que busca reduzir as emissões associadas aos veículos usados na operação dos ativos. O número de automóveis elétricos e híbridos passou de cinco, no fim de 2024, para 85 atualmente, e a companhia prevê chegar a 125 veículos até dezembro. O plano inclui carros de inspeção, guinchos leves e veículos de resgate utilizados nas concessões rodoviárias. 
O investimento prevê a aquisição de 126 veículos, dos quais 59 serão totalmente elétricos e 67 híbridos. A estratégia já alcançou diferentes concessões da companhia, incluindo o sistema Anhanguera-Bandeirantes, a Rodovia Presidente Dutra, o RodoAnel Oeste, a BR-163/MS e a BR-101 Sul. No caso da AutoBAn, a empresa instalou em Nova Odessa (SP) a primeira base operacional 100% elétrica no setor, com guincho, viatura de resgate e veículo de inspeção eletrificados, além de infraestrutura de recarga apenas com esta fonte de energia. 

A eletrificação também começa a avançar nas operações ferroviárias e metroviárias. A Linha 4-Amarela do metrô de São Paulo recebeu os três primeiros veículos leves elétricos para uso operacional, enquanto o Metrô Bahia passou a utilizar três ônibus elétricos no transporte entre a estação Aeroporto e o Aeroporto Internacional de Salvador. Segundo a companhia, o serviço, em funcionamento desde o início de 2025, evitou a emissão de 140 toneladas de CO₂ equivalente em comparação com ônibus convencionais a diesel. 
A medida faz parte de um plano mais amplo de descarbonização. A Motiva afirma ter reduzido em 61% as emissões dos escopos 1 e 2 entre 2019 e 2025 e estabeleceu metas, ultrapassando as metas aprovadas pela Science Based Targets initiative (SBTi), de reduzir 59% dos escopos 1 e 2. Contudo, ainda tem o desafio de reduzir em 27% as emissões do escopo 3 até 2033. A companhia também estabeleceu o objetivo de atingir neutralidade de carbono nos escopos 1 e 2 até 2035. 
A empresa afirma que a expansão da frota elétrica contribuiu para uma redução de 8% nas emissões da plataforma de rodovias em 2025, ante 2024. 
O desafio, porém, é maior do que substituir veículos. A combustão móvel ainda representa cerca de 69% das emissões de escopo 1 da companhia, enquanto emissões fugitivas respondem por outros 22%. Por isso, além da eletrificação, o plano prevê ampliar o uso de combustíveis de baixo carbono nos veículos que não podem ser eletrificados e adotar sistemas de refrigeração mais eficientes nas operações metroferroviárias. 
A estratégia ocorre ao mesmo tempo em que a empresa amplia sua operação. Nos últimos dois anos, a Motiva conquistou três novas concessões rodoviárias — Paraná, Sorocabana e Fernão Dias — e prevê novas estações e linhas de metrô nos próximos anos. Isso significa que parte da redução da intensidade de carbono terá de ocorrer em um cenário de crescimento da quantidade de ativos operados, o que torna a substituição de combustíveis fósseis uma das principais alavancas para evitar que a expansão operacional se traduza em aumento das emissões. 
Nos aeroportos, a eletrificação também começa a ganhar espaço. O BH Airport, em Confins (MG), investiu cerca de R$ 5 milhões na compra de dois ônibus elétricos para transporte de passageiros, com estimativa de redução de 42,1 toneladas de CO₂ equivalente por ano. O terminal já havia substituído quatro veículos a combustão por modelos elétricos para deslocamento das equipes no pátio, iniciativa que, segundo a empresa, evitou outras 40 toneladas de CO₂ equivalente. Em Goiânia, a companhia utiliza um ônibus elétrico com capacidade para até 80 passageiros. 
A eletrificação é apontada pela Motiva como uma das principais frentes para reduzir suas emissões diretas justamente porque o transporte rodoviário e ferroviário ainda depende de combustíveis fósseis em parte significativa de suas operações. A empresa participa da Coalizão para Descarbonização dos Transportes, que reúne mais de 120 organizações e identifica a eletrificação de frotas como uma das principais medidas para reduzir as emissões do setor. O plano da coalizão estima que a eletrificação possa evitar 145 milhões de toneladas de CO₂ equivalente nas próximas décadas. 
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</title>  <atom:subtitle>Como o rematamento pode conciliar prosperidade econômica e conservação ambiental aproveitando o que a região já sabe produzir</atom:subtitle>  <link>https://umsoplaneta.globo.com/opiniao/colunas-e-blogs/o-mundo-que-queremos/post/2026/08/o-mercado-de-us-230-bilhoes-que-a-amazonia-deixa-na-mesa.ghtml</link> <guid isPermaLink="true">https://umsoplaneta.globo.com/opiniao/colunas-e-blogs/o-mundo-que-queremos/post/2026/08/o-mercado-de-us-230-bilhoes-que-a-amazonia-deixa-na-mesa.ghtml</guid> <description>  <![CDATA[ <img src="https://s2-umsoplaneta.glbimg.com/uFJEI94y3HNKqAdmQVGgPYwDZAo=/i.s3.glbimg.com/v1/AUTH_7d5b9b5029304d27b7ef8a7f28b4d70f/internal_photos/bs/2025/k/1/HpqMwcQtABo6onAZWzIA/img-20251104-wa0067.jpg" /><br /> ]]>    A Amazônia não precisa inventar um novo mercado para gerar riqueza. Ele já existe. Produtos compatíveis com a floresta - como o açaí,  o cacau, a castanha, o óleo de palma e o café - movimentam cerca de US$ 230 bilhões por ano no Brasil e no exterior. A participação da região nesse mercado, porém, ainda é tímida. Empreendimentos sediados na Amazônia brasileira capturam apenas US$ 7,2 bilhões anuais, uma fatia de cerca de 3%. 
Os números escondem desafios estruturais de logística, processamento, crédito e regularização fundiária, mas também mostram o tamanho da oportunidade. Ampliar essa participação de acordo com o potencial produtivo da floresta pode gerar uma expansão econômica muito maior do que qualquer programa de conservação isolado já conseguiu entregar, com mais empregos, renda e qualidade de vida para a população amazônida. Além de, claro, mais árvores em pé. É essa a aposta do rematamento.
	O rematamento produtivo é uma estratégia apresentada no estudo “Rematamento Produtivo, Conservação e Desenvolvimento Econômico na Amazônia Brasileira”, publicado pelo projeto Amazônia 2030 e assinado pelo pesquisador Salo Coslovsky. A ideia é conciliar prosperidade econômica e conservação ambiental, transformando áreas já desmatadas e pastagens degradadas em sistemas produtivos baseados em espécies perenes. Isso pode incluir atividades como sistemas agroflorestais, reflorestamento para produção de fibras, madeira e biomassa, restauração florestal remunerada por créditos de carbono e agricultura de alto valor agregado. 

A principal diferença em relação a outras iniciativas de conservação tradicionais está na métrica de resultado - enquanto elas mensuram sucesso por hectare de floresta mantido em pé, o rematamento prioriza a geração de emprego e renda.
O desmatamento acumulado reforça a urgência de encontrar novos usos para as áreas abertas. Mais de 85 milhões de hectares da Amazônia Legal já foram desmatados, o que equivale à soma dos territórios de Rio Grande do Sul, Santa Catarina, Paraná e São Paulo. Parte dessas terras poderia ganhar novos usos produtivos sem colocar mais pressão sobre a floresta. A intensificação da pecuária em áreas já abertas, por exemplo, poderia liberar cerca de 37 milhões de hectares para outras atividades, sem prejuízo à produção de carne. Segundo estimativas citadas no estudo, dois hectares restaurados podem gerar, em média, um emprego direto, enquanto sistemas produtivos permanentes tendem a gerar ainda mais postos de trabalho. 
	Além de gerar empregos, essas áreas podem ampliar a presença da Amazônia em mercados que já movimentam bilhões de dólares. O estudo também mapeou cinco segmentos de produtos compatíveis com o rematamento. Os dois maiores estão no mercado internacional e concentram a principal oportunidade para a região. Produtos frescos ou pouco processados, como café não torrado, cacau, pimenta-do-reino e frutas tropicais, movimentam US$ 111,6 bilhões por ano, mas a Amazônia responde por apenas 0,26% desse mercado, cerca de US$ 288 milhões. Nos produtos processados destinados à exportação, como óleo de palma, palmiste e sucos concentrados, o cenário se repete. São US$ 101,5 bilhões em negócios, dos quais a participação da região é ainda menor: 0,13%, ou US$ 137 milhões. 
Os três segmentos restantes representam mercados menores, mas importantes.  No mercado doméstico de agricultura tropical e piscicultura, que movimenta US$ 20,5 bilhões, a região responde por 32%. No extrativismo florestal não madeireiro, responde por 97% de um mercado de US$ 253 milhões. Já o segmento premium, formado por produtos com certificação de origem sustentável e comércio justo, movimenta apenas US$ 42 milhões e enfrenta dificuldades para ganhar escala. 
Os números mostram que o rematamento pode ser uma alternativa real de desenvolvimento socioeconômico para todo o país, com a Amazônia como principal beneficiada. Para transformar esse potencial em uma política de escala, é preciso adaptar o ambiente regulatório, ampliar acordos comerciais e mobilizar o sistema de inovação. Poder público e iniciativa privada também precisam atuar juntos para destravar gargalos de infraestrutura, crédito, tecnologia, logística e regularização. O mercado já existe, agora precisamos nos movimentar para que a Amazônia também chegue a ele com força.
Sobre a autora
Luna Galera é jornalista e especialista em comunicação socioambiental que atua na equipe da O Mundo Que Queremos, uma agência e instituto brasileiro focado em sustentabilidade, causas ambientais e cobertura de pautas sobre o clima, biodiversidade e a Amazônia.  </description>  <media:content url="https://s2-umsoplaneta.glbimg.com/uFJEI94y3HNKqAdmQVGgPYwDZAo=/i.s3.glbimg.com/v1/AUTH_7d5b9b5029304d27b7ef8a7f28b4d70f/internal_photos/bs/2025/k/1/HpqMwcQtABo6onAZWzIA/img-20251104-wa0067.jpg" medium="image"/>   <media:description>Cacau é grande aposta de sistemas agroflorestais na região de Paraupebas, PA</media:description>   <media:credit>Naiara Bertão/ Um Só Planeta</media:credit>  <category>umsoplaneta</category> <pubDate>Wed, 12 Aug 2026 10:30:13 -0000</pubDate>  </item>  <item> <title>Dezenas de organizações e institutos se unem para coordenar ações diante de possível 'Super El Niño'</title>  <atom:subtitle>Articulação liderada pelo Instituto Itaúsa reúne cerca de 40 organizações filantrópicas corporativas e prevê ações em nas frentes de educação, apoio a municípios, comunicação de risco e repasse de recursos a organizações comunitárias</atom:subtitle>  <link>https://umsoplaneta.globo.com/clima/noticia/2026/08/12/dezenas-de-organizacoes-e-institutos-se-unem-para-coordenar-acoes-diante-de-possivel-super-el-nino.ghtml</link> <guid isPermaLink="true">https://umsoplaneta.globo.com/clima/noticia/2026/08/12/dezenas-de-organizacoes-e-institutos-se-unem-para-coordenar-acoes-diante-de-possivel-super-el-nino.ghtml</guid> <description>  <![CDATA[ <img src="https://s2-umsoplaneta.glbimg.com/xZrUb-ykYZHNyj1VQSLN2hOjyxA=/i.s3.glbimg.com/v1/AUTH_7d5b9b5029304d27b7ef8a7f28b4d70f/internal_photos/bs/2026/d/U/Ky7FA8SRCS0hmSfe3ESg/captura-de-tela-2026-07-17-122143.png" /><br /> ]]>    Enquanto instituições filantrópicas e empresas se preparam para possíveis impactos de um novo episódio de El Niño, uma articulação liderada pelo Instituto Itaúsa tenta mudar a lógica de resposta a eventos climáticos extremos no Brasil. Em vez de esperar a emergência acontecer para então mobilizar recursos, a proposta é coordenar previamente ações, investimentos e capacidade de resposta.
O movimento reúne cerca de 40 organizações, entre institutos e fundações empresariais e áreas de responsabilidade social de companhias com atuação em diferentes regiões do país, incluindo o Valor Social,  quem coordena as ações de responsabilidade social e compromisso público da Globo. O grupo se encontrou há cerca de duas semanas, em uma reunião promovida pelo Instituto Itaúsa, para discutir como a filantropia poderia atuar de forma coordenada diante de um eventual agravamento dos impactos associados ao fenômeno climático.
Em entrevista ao Um Só Planeta, Marcelo Furtado, responsável pela área de sustentabilidade da Itaúsa, contou que a discussão partiu de uma questão central, sobre como fazer com que os recursos destinados a emergências tenham maior impacto quando são mobilizados de forma conjunta.
"A gente juntou 40 filantropias no nosso escritório, a maioria filantropias corporativas que têm operações pelo Brasil afora, que sabem que se tiver um cenário muito catastrófico, vão fazer aportes emergenciais", afirmou Furtado.
A proposta, segundo ele, é ir além da simples soma de esforços. "Será que a gente consegue fazer o um mais um dar onze?", questionou. A ideia é que organizações que já teriam de qualquer forma destinado recursos a uma emergência climática possam coordenar previamente suas ações para evitar sobreposição, ampliar a eficiência dos investimentos e fazer com que o dinheiro chegue mais rapidamente aos territórios afetados.

Quatro frentes de ação
Do encontro saíram quatro frentes de atuação que já começaram a ser estruturadas pelas entidades participantes. A articulação é coordenada por Natália Cerri, gerente de projetos do Instituto Itaúsa, que também participou da conversa com o Um Só Planeta.
A primeira proposta é criar um pacto para evitar que eventos climáticos extremos provoquem a interrupção da trajetória escolar de crianças. A experiência das enchentes no Rio Grande do Sul, em 2024, mostrou como escolas podem ser utilizadas como abrigos emergenciais, comprometendo a continuidade das aulas. Uma das alternativas discutidas é utilizar estruturas como quadras esportivas para essa finalidade, preservando os espaços destinados à educação.
A segunda frente é o apoio a municípios pequenos e médios, que muitas vezes não dispõem de equipes, dados e ferramentas suficientes para elaborar planos de emergência e adaptação climática. A ideia é contribuir para que essas cidades estejam mais preparadas antes da chegada de eventos extremos.
A terceira envolve comunicação de risco. Segundo Cerri, empresas com grande capacidade de comunicação e capilaridade, como a Globo e a rede de farmácias RD Saúde, que poderiam participam da articulação para ajudar a levar informações à população sobre os riscos associados ao fenômeno e sobre como se preparar.
A quarta frente busca fortalecer as organizações comunitárias que atuam diretamente nos territórios atingidos. A experiência da pandemia de covid-19 mostrou, segundo Cerri, a importância de fazer com que os recursos cheguem rapidamente a organizações que conhecem as comunidades e conseguem mobilizar respostas locais.
"Garantir que esse recurso vai chegar onde precisa, com rastreabilidade e com confiança", afirmou Cerri, ao descrever o desafio dessa frente.
Coordenação antes da emergência
Após o encontro, o grupo fez uma relatoria com o mapeamento dos principais temas e territórios identificados durante a discussão. A próxima etapa é formar grupos de trabalho temáticos entre as organizações participantes.
A intenção é que essas estruturas estejam funcionando antes do verão, período com maior risco de enchentes no Sul do país, entre dezembro deste ano e março de 2026. O encontro também contou com uma apresentação do pesquisador Gilvan Sampaio, coordenador geral da área ambiental do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) sobre o fenômeno.
A lógica, segundo Furtado, não é criar uma nova estrutura filantrópica, mas melhorar a coordenação de recursos que as organizações já destinariam a situações de emergência. "Você já iria investir de qualquer jeito. A gente só está querendo dar mais qualidade para esse investimento, mais governança, coordenação e planejamento", afirmou ao Valor.
Cerri deu um exemplo do tipo de ineficiência que a articulação busca evitar. Em situações de emergência, diferentes empresas podem acionar simultaneamente a Defesa Civil ou identificar, de forma isolada, necessidades como veículos para combater incêndios florestais. A proposta do grupo é justamente coordenar essas iniciativas para evitar sobreposição de esforços e direcionar os recursos para onde sejam mais necessários.
Furtado retomou o exemplo para reforçar a ineficácia de decisões tomadas de forma isolada. Segundo ele, durante os incêndios no Pantanal, por exemplo, ficou evidente que a resposta mais eficiente não necessariamente passa pela compra de equipamentos pelas empresas. "Em incêndios florestais, a rapidez para chegar ao local é determinante, e brigadas voluntárias e indígenas costumam estar mais próximas das áreas afetadas", afirmou. Por isso, na avaliação do executivo, financiar e estruturar essas brigadas pode ser mais eficiente do que cada empresa adquirir individualmente um caminhão de bombeiros.
Cerri completou dizendo que já existem estruturas capazes de direcionar esse tipo de investimento com mais eficiência, como o Fundo Casa Socioambiental, que treina brigadas antes de mobilizá-las. 
Segundo ela, apesar de a articulação ter nascido em resposta ao El Niño, o grupo saiu do encontro com a percepção de que emergências climáticas se tornaram "o novo normal" para as filantropias, o que exige uma arquitetura permanente de resposta, e não apenas mobilizações pontuais.  Questionada sobre a participação de organizações do setor de seguros, um dos mais impactados pelas mudanças do clima, ela comenta que esta é uma lacuna já identificada e que deve ser trabalhada nas próximas rodadas de discussão.
Filantropia como capital de risco
Para Furtado, a articulação também está relacionada a uma discussão mais ampla sobre o papel da filantropia no financiamento de soluções para problemas sociais e ambientais que ainda não encontram espaço suficiente nos mercados tradicionais.
Na avaliação do executivo, o capital filantrópico pode assumir riscos e testar soluções antes que elas estejam maduras o suficiente para receber recursos privados ou públicos em maior escala.
"As estruturas normais não vão tirar o dinheiro do bolso. Para isso, esse é talvez o nicho, o locus mais importante da filantropia", afirmou Furtado.
A estratégia se aproxima do conceito de blended finance, no qual diferentes tipos de capital são combinados de acordo com o risco e a finalidade de cada projeto. Nesse modelo, recursos filantrópicos podem ajudar a testar ou reduzir riscos de iniciativas que, posteriormente, tenham condições de atrair investimentos privados ou financiamento público.
Para Furtado, o Brasil já possui uma rede relevante de organizações filantrópicas e mecanismos de transparência que podem ajudar a ampliar a confiança nas doações. O desafio, na visão do executivo, é fazer com que esse capital seja utilizado de forma mais coordenada e estratégica diante de problemas que tendem a exigir respostas cada vez mais rápidas, como os eventos climáticos extremos.
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</title>  <atom:subtitle>Para enfrentar as crises climática e de biodiversidade, doações e investimentos sociais precisam ir além da resposta emergencial e fortalecer a autonomia econômica de povos indígenas e quilombolas</atom:subtitle>  <link>https://umsoplaneta.globo.com/financas/negocios/post/2026/08/o-papel-da-filantropia-na-economia-regenerativa.ghtml</link> <guid isPermaLink="true">https://umsoplaneta.globo.com/financas/negocios/post/2026/08/o-papel-da-filantropia-na-economia-regenerativa.ghtml</guid> <description>  <![CDATA[ <img src="https://s2-umsoplaneta.glbimg.com/Cxx-xJbztFsL6eRqwDRfN4vJmtA=/i.s3.glbimg.com/v1/AUTH_7d5b9b5029304d27b7ef8a7f28b4d70f/internal_photos/bs/2025/R/n/Am5glrS2KI4HmGEbZJhQ/gettyimages-1347304123.jpg" /><br /> ]]>    Por muito tempo, a relação entre a humanidade e os recursos naturais foi sustentada pela ideia de que o progresso humano não teria limites. Essa visão antropocêntrica pautou uma lógica extrativista e linear, baseada no ciclo de extração, produção e descarte. Com a intensificação das crises climática e social e da perda de biodiversidade, o modelo de desenvolvimento global dominante começa a dar sinais claros de esgotamento, colocando em xeque o alcance da sustentabilidade tradicional.
Neutralizar o dano, reduzir o impacto ou simplesmente manter o status quo já não bastam. No cenário atual, é preciso ir além e restaurar o que foi degradado.
É nesse horizonte que emerge a chamada economia regenerativa, cuja abordagem vai além da conservação passiva: ela desenha sistemas produtivos que restauram ativamente os ecossistemas, geram resiliência ecológica e criam condições para que a vida humana e a biodiversidade prosperem de forma harmônica. Embora o termo seja debatido como a mais nova fronteira da inovação nos ecossistemas globais de negócios, sua essência não é inédita.
Há séculos, comunidades indígenas e quilombolas aplicam o manejo regenerativo do solo, das águas e das florestas. A chamada "bioeconomia", ou "economia da floresta em pé", é um patrimônio de sabedoria ancestral que mantém biomas intactos por meio de cadeias produtivas de uso equilibrado dos recursos naturais e de baixo impacto climático.

Revisão de premissas
No campo da filantropia, esse novo cenário exige uma revisão das premissas que orientam a atuação do setor. Historicamente, a filantropia corporativa e familiar operou sob um viés de gerenciamento de crises de curto prazo, com uma abordagem eminentemente assistencialista, focada na mitigação de sintomas.
Embora necessárias em situações de urgência, essas ações não alteram a dinâmica estrutural de vulnerabilidade socioambiental. A transição necessária aponta para a construção de parcerias estratégicas de longo prazo, voltadas à promoção da autonomia das comunidades mais vulneráveis, como as indígenas e quilombolas.
Esse modelo estratégico pode ser aplicado, por exemplo, na estruturação das cadeias de valor dos produtos da sociobiodiversidade, como o açaí, a castanha-do-pará e o pirarucu manejados de forma sustentável. Tradicionalmente, comunidades isoladas sofrem com a exploração de atravessadores, que compram a matéria-prima bruta a preços irrisórios e capturam toda a margem de lucro nas etapas seguintes da cadeia de suprimentos.
Para inverter essa lógica, a filantropia pode atuar como capital catalisador, direcionando recursos de risco para que as próprias associações construam pequenas agroindústrias locais de processamento. Um exemplo é o Fundo Baobá, primeiro e maior fundo patrimonial brasileiro dedicado exclusivamente à promoção da equidade racial para a população negra. Seu patrimônio é formado por doações de empresas, organizações não governamentais e pessoas físicas.
Outra iniciativa semelhante é o Fundo Podáali, primeiro mecanismo financeiro criado e gerido por organizações indígenas no Brasil. Financiado por doações da filantropia nacional e internacional, incluindo fundações globais, institutos privados e agências de cooperação internacional, o fundo apoia iniciativas produtivas que fortalecem a autonomia econômica e a conservação territorial.
Com o aporte financeiro estratégico, as comunidades conseguem financiar o capital de giro para a safra, adquirir maquinário para beneficiamento e organizar a logística de escoamento. O resultado prático é a agregação de valor ao produto final dentro do próprio território.
Apoiar e financiar economias regenerativas lideradas por povos indígenas e quilombolas não significa substituir o Estado nem transformar empresas em organizações filantrópicas. Em um planeta à beira de pontos de não retorno ecológico, a preservação desses territórios é um dos mecanismos mais eficientes e menos onerosos para conter o colapso climático global.
Ao garantir a segurança territorial, a soberania e a prosperidade econômica dos povos tradicionais, empresas e grandes fortunas não estão apenas protegendo culturas ancestrais, mas também contribuindo para a estabilidade climática.
Sobre a autora
Joana Guimarães é professora e ex-reitora da Universidade Federal do Sul da Bahia e membro do Conselho Deliberativo do Instituto Arapyaú.
Mais Lidas  </description>  <media:content url="https://s2-umsoplaneta.glbimg.com/Cxx-xJbztFsL6eRqwDRfN4vJmtA=/i.s3.glbimg.com/v1/AUTH_7d5b9b5029304d27b7ef8a7f28b4d70f/internal_photos/bs/2025/R/n/Am5glrS2KI4HmGEbZJhQ/gettyimages-1347304123.jpg" medium="image"/>   <media:description>Filantropia</media:description>   <media:credit>Getty Images</media:credit>  <category>umsoplaneta</category> <pubDate>Tue, 11 Aug 2026 10:30:11 -0000</pubDate>  </item>  <item> <title>Coalizão de países e mercado regulado devem mudar a lógica do carbono, diz assessor da Fazenda</title>  <atom:subtitle>Para Rafael Dubeux, regulamentação do mercado de carbono pode reposicionar Brasil na economia de baixo carbono. Para ele, país reúne condições para exportar créditos, biocombustíveis e outras soluções climáticas, enquanto busca fortalecer a integridade do sistema</atom:subtitle>  <link>https://umsoplaneta.globo.com/financas/negocios/noticia/2026/08/11/coalizao-de-paises-e-mercado-regulado-devem-mudar-a-logica-do-carbono-diz-assessor-da-fazenda.ghtml</link> <guid isPermaLink="true">https://umsoplaneta.globo.com/financas/negocios/noticia/2026/08/11/coalizao-de-paises-e-mercado-regulado-devem-mudar-a-logica-do-carbono-diz-assessor-da-fazenda.ghtml</guid> <description>  <![CDATA[ <img src="https://s2-umsoplaneta.glbimg.com/ol91s4x_k2Du9lWjS1_A1SYWDmg=/i.s3.glbimg.com/v1/AUTH_7d5b9b5029304d27b7ef8a7f28b4d70f/internal_photos/bs/2021/A/8/PlqeZSQDCstc8Jw66trQ/cni-mercado-de-carbono-gettyimages-1302537648.jpg" /><br /> ]]>    O avanço do mercado regulado de carbono e a articulação de uma coalizão internacional entre os principais sistemas de precificação podem reposicionar o Brasil como exportador de soluções de baixo carbono, e não apenas como comprador de tecnologias desenvolvidas no exterior. A avaliação é do assessor especial do Ministério da Fazenda, Rafael Dubeux, que coordenou por mais de dois anos, como secretário-executivo adjunto da pasta, o Plano de Transformação Ecológica. Ele conversou com o Um Só Planeta durante evento organizado pela AMCHAM na SP Climate Week, na última quarta-feira (05).
sobre o avanço da coalizão internacional do mercado de carbono, a implementação do mercado regulado doméstico e a mudança que essas iniciativas devem provocar na percepção de integridade dos créditos de carbono.
Dubeux destacou a coalizão internacional do mercado de carbono na coordenação de atividades para promover o segmento. “Eu sou entusiasta de todas [as iniciativas], mas essa é uma das propostas que eu mais me entusiasmo.” A proposta nasce de um problema estrutural das negociações climáticas: o processo tradicional da COP exige unanimidade, que, segundo ele, tem travado iniciativas mais ambiciosas. Para ser aprovada, a proposta acaba esvaziada até virar consenso. A coalizão contorna esse impasse ao reunir, de forma plurilateral, apenas os países realmente engajados em estabelecer um teto de emissões declinante no tempo. “Ela possibilita a gente aprovar algo sem exigir a unanimidade dos presentes, só os países que estão realmente engajados participam dela”, explicou.

Segundo o assessor, a coalizão é ao mesmo tempo “politicamente viável” e “eficiente”, por representar a solução de menor custo para descarbonizar em escala planetária. No longo prazo, a meta é somar a ela um mecanismo de precificação do carbono para os países que não aderirem, de forma que quem ficar de fora e quiser acessar o mercado dos participantes tenha de pagar um ônus — um incentivo, segundo ele, para que mais países se somem ao grupo.
Desde o lançamento da iniciativa, na COP do ano passado, a coalizão avançou em ritmo acelerado, na descrição de Dubeux. União Europeia e China — os dois maiores mercados de carbono do mundo, além do Brasil — declararam apoio, seguidas por Reino Unido, Noruega, Canadá, México e Coreia do Sul, entre outros países. Em maio, uma reunião em Florença, na Itália, definiu a governança do grupo, incluindo secretariado executivo e comitê gestor. Em setembro, um novo encontro na China deve fechar o plano de trabalho dos próximos entregáveis, a começar pela harmonização dos critérios de MRV (mensuração, reporte e verificação) entre os países participantes, um passo que Dubeux considera pré-requisito para qualquer integração futura dos mercados de carbono.
Para o Brasil, o assessor vê um potencial direto de geração de receita e de protagonismo tecnológico. “O Brasil tem potencialmente um grande fornecedor de crédito de carbono de baixo preço para o mundo, tanto florestal, quanto industrial”, afirmou. Cita a possibilidade de o país vender não apenas créditos, mas soluções de baixo carbono, como biocombustíveis, energia renovável, economia circular e minerais estratégicos. 
“O desafio é como é que a gente descarboniza sem ser um mero comprador de soluções tecnológicas industriais de fora, mas o Brasil ser um partícipe, um ator direto na criação dessas soluções de baixo carbono”, disse.
Questionado sobre as críticas de falta de integridade dos créditos de carbono e o risco de greenwashing, Dubeux atribuiu o problema ao mercado voluntário, hoje o único em operação efetiva no Brasil, concentrado em créditos florestais de preservação ou reflorestamento. Sem um regulador único, disse, “alguns [critérios eram] muito rigorosos, alguns nem tanto”, o que ele descreve como “uma falha natural” do modelo voluntário. 
O mercado regulado, no entanto, segue outra lógica, ao impor um teto de emissões que declina ao longo dos anos, obrigando toda atividade econômica emissora a comprar ou receber uma cota dentro desse limite. Assim, para o assessor da Fazenda, ele depende de sistemas de MRV (mensuração, reporte e verificação) de alta integridade para funcionar, condição para que um crédito florestal possa eventualmente ser usado como compensação (offset) de emissões industriais.
“Com a implantação do mercado regulado de carbono, e a gente está no meio desse processo no Brasil agora, eu acho que vai mudar por completo essa percepção de integridade de crédito de carbono”, avaliou Dubeux, “inclusive porque deixa de ser uma questão florestal, vira uma questão de indústria, de atividade econômica”.
No plano doméstico, o Brasil avança na regulamentação do próprio mercado de carbono. A lei que instituiu o sistema foi sancionada há dois anos, e, no ano passado, o governo criou a Secretaria Extraordinária do Mercado de Carbono, comandada por Cristina Reis. 
Agora, segue aberta uma consulta pública para definir os setores que, na primeira fase de implementação, terão de apresentar sistemas de MRV — a expectativa é de cerca de sete setores, entre eles papel e celulose, refino, alumínio, aço e aviação, escolhidos por concentrarem parcela relevante das emissões nacionais, um número relativamente pequeno de empresas reguladas e sistemas de MRV já maduros, já que costumam publicar relatórios de sustentabilidade. 
Uma segunda fase de setores está prevista para 2029, e uma terceira, para 2031. Depois de fechada a consulta pública, segundo Dubeux, o cronograma prevê ainda a criação de um órgão gestor do sistema, entre outras medidas.
Mais Lidas  </description>  <media:content url="https://s2-umsoplaneta.glbimg.com/ol91s4x_k2Du9lWjS1_A1SYWDmg=/i.s3.glbimg.com/v1/AUTH_7d5b9b5029304d27b7ef8a7f28b4d70f/internal_photos/bs/2021/A/8/PlqeZSQDCstc8Jw66trQ/cni-mercado-de-carbono-gettyimages-1302537648.jpg" medium="image"/>   <media:description>Mercado de carbono pode ajudar a reduzir emissões</media:description>   <media:credit>Getty Images</media:credit>  <category>umsoplaneta</category> <pubDate>Tue, 11 Aug 2026 10:00:38 -0000</pubDate>  </item>  <item> <title>A paz e a conservação das florestas tropicais</title>  <atom:subtitle>Na Amazônia, existe uma violência muitas vezes invisível aos olhos do mundo, manifestada em diversas frentes, desde as ameaças à lideranças comunitárias, passando pelo garimpo ilegal, até a ausência de serviços básicos</atom:subtitle>  <link>https://umsoplaneta.globo.com/opiniao/colunas-e-blogs/virgilio-viana/post/2026/08/a-paz-e-a-conservacao-das-florestas-tropicais.ghtml</link> <guid isPermaLink="true">https://umsoplaneta.globo.com/opiniao/colunas-e-blogs/virgilio-viana/post/2026/08/a-paz-e-a-conservacao-das-florestas-tropicais.ghtml</guid> <description>  <![CDATA[ <img src="https://s2-umsoplaneta.glbimg.com/IgFQBK5CPtmJ2KkBA4qi3RdKvPk=/i.s3.glbimg.com/v1/AUTH_7d5b9b5029304d27b7ef8a7f28b4d70f/internal_photos/bs/2024/O/M/Zqs3aTS3qZxh81BdAoyw/pexels-pok-rie.avif" /><br /> ]]>    Quando pensamos na conservação das florestas tropicais, é comum direcionarmos a atenção para o desmatamento, as queimadas, a perda da biodiversidade e as emissões de gases de efeito estufa. Esses temas são fundamentais, mas não esgotam a complexidade do problema. As florestas não existem separadas da sociedade humana. Sua conservação depende, em grande medida, da qualidade das relações sociais, econômicas e institucionais construídas nos territórios.
Por isso, não haverá floresta em pé de forma duradoura onde predominarem a violência, a desigualdade e a ausência de políticas públicas. 
A paz deve ser compreendida não apenas como ausência de guerra, mas como a presença de condições concretas para que as pessoas possam viver com dignidade, segurança e esperança.
Na Amazônia, existe uma violência muitas vezes invisível aos olhos do mundo. Ela se expressa nas ameaças à lideranças comunitárias, nos conflitos fundiários, no avanço do garimpo ilegal, da grilagem, do narcotráfico, da exploração predatória de madeira e na ausência de serviços básicos, como água potável, energia, saúde e educação de qualidade. Essa violência produz sofrimento humano, mas também compromete diretamente a conservação ambiental.
O crime organizado prospera onde a presença do poder público é frágil e as alternativas econômicas legais são escassas. Em muitos territórios, atividades ilegais se articulam em uma verdadeira economia da violência, que controla áreas, movimenta recursos, fragiliza organizações comunitárias e ameaça a governança local. A degradação ambiental, portanto, não pode ser tratada como um problema isolado. Ela está conectada à segurança pública, aos direitos humanos, ao desenvolvimento econômico e à qualidade da democracia.
Essa realidade afeta diretamente povos indígenas, ribeirinhos, extrativistas, quilombolas e outras populações tradicionais. São comunidades que historicamente protegem a floresta, mas que muitas vezes convivem com insegurança, pobreza e falta de oportunidades. Em alguns casos, a ausência de alternativas acaba dividindo comunidades e tornando pessoas vulneráveis ao aliciamento por economias ilegais. Por isso, conservar florestas tropicais exige muito mais do que fiscalização ambiental. Exige presença qualificada do Estado, fortalecimento das organizações locais e caminhos reais de prosperidade.
 
As ações de comando e controle são necessárias. Fiscalização, inteligência policial, sistema de Justiça eficiente e combate ao crime ambiental são partes indispensáveis da solução. No entanto, isoladamente, não bastam. A construção da paz nas florestas tropicais exige também investimentos em educação, saúde, infraestrutura, conectividade, acesso à água, energia limpa, geração de renda e valorização da bioeconomia. A floresta em pé precisa ser mais vantajosa, justa e segura do que a floresta destruída.
Nesse contexto, a ecologia integral, tão fortemente difundida pelo Papa Francisco, oferece uma referência essencial. Ela nos lembra que as crises social e ambiental estão profundamente conectadas. Não é possível proteger a biodiversidade enquanto as pessoas que vivem nos territórios florestais permanecem submetidas à exclusão. Da mesma forma, não é possível construir uma cultura de paz em ambientes marcados pela degradação dos recursos naturais, pela concentração de riqueza e pela ausência de direitos.
Essa é também uma questão de justiça climática. Povos indígenas e populações tradicionais estão entre os que menos contribuíram para a mudança do clima, mas estão entre os mais afetados por secas extremas, grandes cheias, incêndios florestais e alterações no regime das chuvas. Ao mesmo tempo, desempenham um papel essencial na conservação de áreas estratégicas para o equilíbrio climático do planeta.
Construir uma cultura de paz nas florestas tropicais significa substituir a lógica da exploração pela lógica do cuidado. Significa reconhecer que rios, biodiversidade e clima não podem ser protegidos sem que sejam protegidas também as pessoas que vivem nesses territórios. A paz, portanto, não é um tema periférico na agenda ambiental. É uma condição indispensável para a conservação.
O futuro das florestas tropicais dependerá da nossa capacidade de compreender essa relação. Onde predominam o medo, a injustiça e a ausência de oportunidades, o crime e a degradação encontram terreno fértil. Onde existem direitos, participação social, renda sustentável e instituições fortalecidas, aumentam as possibilidades de manter as florestas em pé. 
Conservar não é apenas impedir que árvores sejam derrubadas. É criar territórios onde as pessoas possam viver com dignidade, segurança e esperança. A paz é, nesse sentido, uma das infraestruturas mais importantes para a conservação da natureza.
Mais Lidas  </description>  <media:content url="https://s2-umsoplaneta.glbimg.com/IgFQBK5CPtmJ2KkBA4qi3RdKvPk=/i.s3.glbimg.com/v1/AUTH_7d5b9b5029304d27b7ef8a7f28b4d70f/internal_photos/bs/2024/O/M/Zqs3aTS3qZxh81BdAoyw/pexels-pok-rie.avif" medium="image"/>   <media:description>É preciso avaliar se as florestas colhidas para bioenergia crescerão novamente. E o quão rápido!</media:description>   <media:credit>Pexels / Pok Rie / Criative Commons</media:credit>  <category>umsoplaneta</category> <pubDate>Mon, 10 Aug 2026 14:58:42 -0000</pubDate>  </item>  <item> <title>A jornada 6X1 e a fragilização da democracia
</title>  <atom:subtitle>Estudos mostram que o acesso a jornada flexível ajuda a distribuição mais igualitária das tarefas domésticas entre os gêneros, entre outros benefícios</atom:subtitle>  <link>https://umsoplaneta.globo.com/opiniao/colunas-e-blogs/nelmara-arbex/post/2026/08/a-jornada-6x1-e-a-fragilizacao-da-democracia.ghtml</link> <guid isPermaLink="true">https://umsoplaneta.globo.com/opiniao/colunas-e-blogs/nelmara-arbex/post/2026/08/a-jornada-6x1-e-a-fragilizacao-da-democracia.ghtml</guid> <description>  <![CDATA[ <img src="https://s2-umsoplaneta.glbimg.com/Hy8s81BsLjeiiROkB_c9BrvwDmE=/i.s3.glbimg.com/v1/AUTH_7d5b9b5029304d27b7ef8a7f28b4d70f/internal_photos/bs/2026/q/K/YIvIK6SqeB28c1NJMfOQ/carteira-de-trabalho-digital.jpeg" /><br /> ]]>    No início da década de 90 ganhei uma bolsa de estudos para fazer o doutorado na Alemanha. A bolsa tinha a duração de 4 anos e eu ainda teria mais 6 meses para aprender alemão. Era a realização de um sonho para uma estudante que vivia de bolsas de pesquisa que mal garantiam o aluguel em São Paulo.
Esta experiência mudou a minha vida de várias formas. Primeiramente porque o mundo cotidiano alemão da época, logo após a queda do muro de Berlin que foi em 1989, era cheio de discussões políticas, campanhas e inovações sociais e ambientais. 
O Brasil vivia também um momento muito interessante, pois a ditadura - quando nós discutíamos política as escondidas e não podíamos fazer campanha sobre quase nada – havia terminado em 1984. Assim, quando sai do Brasil vivíamos uma democracia fresca, logo após a preparação de uma nova constituição que nos fez discutir e pensar como ela poderia nos ajudar a construir o futuro que tínhamos imaginado por 20 anos. E foi neste contexto que a jornada de 44 horas semanais foi definida na constituiçao.  Parecia um grande avanço.

Descobri quando cheguei lá que a jornada dos trabalhadores alemães era de 38 a 40 horas semanais, com dois dias de descanso. Esse foi o acordo feito para combinar os direitos que o lado ocidental – capitalista – e oriental -comunista- tinham antes da unificação da Alemanha. 
Anos mais tarde, em 2006 voltei a viver na Europa, desta vez na Holanda, co-liderando uma organização global – a GRI, Global Reporting Initiative. Uma das minhas responsabilidades era montar uma nova área de trabalho. Me deparei com pessoas acostumadas a uma jornada de 36 horas semanais. Em 2010, sindicatos e governo fizeram um novo acordo e a jornada flexível de trabalho passou a ser permitida e regras foram criadas para que empresas contratassem profissionais com diversos tipos de jornadas.
Hoje a Holanda tem uma jornada de 29 a 32 horas de trabalho semanal, o que na prática significa que a maioria dos trabalhadores trabalha 4 dias por semana. 75% das profissionais mulheres e 25% dos homens registrados tem jornada flexível.
Mas, o aspecto mais interessante sobre esta discussão, sobre qual jornada de trabalho melhor atende aos trabalhadores e a sociedade, se relaciona com os estudos sobre os impactos amplamente positivos que a redução da jornada traz. Allguns deles surpreendentes, como explico a seguir.
Do ponto de vista econômico, sabemos que o trabalhador holandês produz mais valor por hora do que a media global. Isso se deve à inserção de tecnologias, claro, mas também a uma sensação de necessidade de ser eficiente que a redução da jornada traz. Além disso, hoje sabemos que quem tem mais tempo livre e está empregado aquece o comércio local e aprende e utiliza mais serviços.
Mas é do ponto de vista social e ambiental que o tema fica realmente interessante. Estudos mostram que o acesso a jornada flexível ajuda a distribuição mais igualitária das tarefas domésticas entre os gêneros, melhora todos os indicadores de doenças causadas por excessos, e o engajamento em atividades comunitárias aumentam, assim como a prática de esportes, o que de novo contribui para uma melhora clara na saúde mental e física.
Mas, para mim, foi o sociólogo alemão Harald Welzer que matou a parte mais importante da charada, tocando em aspectos muito relevantes para os dias atuais. No seu livro Selbst Denken (Pense com a sua cabeça) de 2013 ele explica que, entre os que querem fragilizar a democracia há grande interesse em jornadas exaustivas. Sem tempo para cuidar da saúde, da família, interagir com a comunidade ou se dedicar a resolver os problemas que podem garantir ou melhorar a sua qualidade de vida, os trabalhadores só tem tempo para trabalhar. Assim, sem tempo para nada, eles se afastam dos fóruns que oferecem espaço para a resolução de problemas em conjunto, das discussões que pedem maior tempo de reflexão e da formação de alianças para construção do mundo que ela/ele desejam.
Então, há uma relação extremamente importante entre as discussões sobre a definição da jornada dos profissionais registrados no Brasil e o tipo de sociedade e participação comunitária que queremos ter. Acho este o aspecto mais relevante desta conversa, além, claro do fato de que não deveríamos ter dúvidas de que o papel dos legisladores deve ser, em qualquer circunstância, proteger a saúde dos trabalhadores brasileiros e seu direito ao descanso, ao lazer, à vida em família, e em comunidade. Que, vale dizer, tem também impacto na redução da criminalidade e a violência. 
A atual discussão sobre a jornada de trabalho estão conectadas com uma visão de mundo, e estão longe de ter em seu centro aspectos somente econômicos e técnicos. Pensemos nisso.
 Sobre a autora
Nelmara Arbex é especialista na área de sustentabilidade, com mais de 20 anos de experiência nacional e internacional e leciona no Boston College Center for Corporate Citizenship. É PhD em Física Teórica pela University of Marburg (Alemanha) e pós-graduada em Business and Sustainability pela University of Cambridge (Reino Unido)
Mais Lidas  </description>  <media:content url="https://s2-umsoplaneta.glbimg.com/Hy8s81BsLjeiiROkB_c9BrvwDmE=/i.s3.glbimg.com/v1/AUTH_7d5b9b5029304d27b7ef8a7f28b4d70f/internal_photos/bs/2026/q/K/YIvIK6SqeB28c1NJMfOQ/carteira-de-trabalho-digital.jpeg" medium="image"/>   <media:description>Carteira de trabalho</media:description>   <media:credit>Marcelo Camargo/Agência Brasil</media:credit>  <category>umsoplaneta</category> <pubDate>Mon, 10 Aug 2026 11:00:17 -0000</pubDate>  </item>  <item> <title>Da Amazônia para o mundo: um modelo de adaptação climática guiado pelas comunidades
</title>  <atom:subtitle>Os grupos que melhor desempenham o papel de conservação da maior floresta tropical do planeta também são os mais vulneráveis</atom:subtitle>  <link>https://umsoplaneta.globo.com/opiniao/colunas-e-blogs/virgilio-viana/post/2026/08/da-amazonia-para-o-mundo-um-modelo-de-adaptacao-climatica-guiado-pelas-comunidades.ghtml</link> <guid isPermaLink="true">https://umsoplaneta.globo.com/opiniao/colunas-e-blogs/virgilio-viana/post/2026/08/da-amazonia-para-o-mundo-um-modelo-de-adaptacao-climatica-guiado-pelas-comunidades.ghtml</guid> <description>  <![CDATA[ <img src="https://s2-umsoplaneta.glbimg.com/mNaYJR13ToaCOvj0J3jkoOIqCjA=/i.s3.glbimg.com/v1/AUTH_7d5b9b5029304d27b7ef8a7f28b4d70f/internal_photos/bs/2026/w/n/w08S0sTwApKLQo9QYsOQ/ubim-drone-26.jpg" /><br /> ]]>    Os povos indígenas, quilombolas, pescadores, extrativistas, ribeirinhos e outras populações tradicionais desempenham um papel essencial na conservação da maior floresta tropical do planeta. São eles que mantêm vivos saberes ancestrais, práticas e formas de ocupação do território fundamentais para proteger a Amazônia e, consequentemente, contribuir para o equilíbrio climático global.
Paradoxalmente, essas mesmas populações estão entre as mais vulneráveis aos impactos da mudança do clima. Secas severas, cheias extremas e incêndios florestais têm quebrado recordes históricos. As alterações no regime de chuvas comprometem a segurança alimentar, dificultam o transporte fluvial — principal meio de deslocamento em boa parte da região — e ampliam os desafios enfrentados por quem vive na floresta. Apesar disso, essas populações continuam tendo acesso limitado aos mecanismos nacionais e internacionais de financiamento climático.
Esse paradoxo nos leva a uma pergunta fundamental: como fazer com que os recursos destinados à adaptação climática cheguem efetivamente às comunidades mais vulneráveis e que, ao mesmo tempo, são as principais responsáveis pela conservação da floresta?
Essa foi uma das questões centrais debatidas tanto em Belém, na COP30, quanto recentemente, em Bonn, durante a pré-COP que prepara o caminho para a COP31, na Turquia. Mais do que discutir novos compromissos internacionais, o desafio agora é transformar recursos financeiros em soluções concretas para quem está na linha de frente da crise climática.
Foi justamente para responder a essa pergunta que surgiu, em 2025, a Jornada COP30 : um amplo processo participativo voltado à construção de Planos de Ação Climática Territorial em toda a Amazônia. A iniciativa mobilizou 1.285 participantes de todos os estados da Amazônia Legal, envolvendo comunidades e aldeias de povos da floresta na identificação de prioridades e na construção de propostas concretas para fortalecer a adaptação climática em seus territórios. O processo partiu de três perguntas simples e fundamentais:
Como cada comunidade percebe as mudanças no clima?
Quais problemas essas mudanças provocam em seu cotidiano?
Quais são as soluções prioritárias para minimizar esses impactos?
O resultado foi a elaboração de 99 planos. Desses, 60 foram selecionados com base em critérios objetivos e receberam assistência técnica para o detalhamento das prioridades e dos custos de implementação. O conjunto constitui uma das mais abrangentes bases de evidências já produzidas sobre adaptação climática protagonizada por comunidades de povos da floresta.
Esse processo teve seu momento de convergência durante a COP30, com o Banzeiro da Esperança , iniciativa que reuniu, a bordo de uma embarcação na Amazônia, cerca de 200 participantes — entre lideranças indígenas e de populações tradicionais, cientistas, educadores, ativistas, empresários, representantes de governos e outros atores da agenda climática.
No centro desse encontro estavam as próprias lideranças comunitárias, que apresentaram os Planos de Ação Climática Territorial construídos em seus territórios. Mais do que um evento, o Banzeiro da Esperança simbolizou uma nova forma de construir políticas climáticas: partindo do conhecimento de quem vive a floresta, e não apenas de decisões tomadas em gabinetes ou conferências internacionais.
Mais do que produzir planos de ação climática, esse processo revelou que a Amazônia pode funcionar como um verdadeiro laboratório vivo de adaptação climática. As soluções construídas pelas próprias comunidades demonstram que as respostas mais eficazes surgem quando o conhecimento local orienta o planejamento e a implementação de planos de ação. Ao mesmo tempo, mostram que experiências desenvolvidas na Amazônia podem inspirar outras florestas tropicais e contribuir para estratégias de adaptação em diferentes territórios ao redor do mundo.
Um dos aprendizados mais importantes foi a constatação de que a adaptação climática precisa ser construída de forma participativa, a partir das percepções, dos saberes e das prioridades de cada território. Afinal, são as pessoas que vivem nesses lugares que conhecem, na prática, os problemas que enfrentam e também as soluções necessárias para superá-los. 
Ao mesmo tempo, ficou evidente que diferentes comunidades convergem em necessidades comuns. Água potável, energia solar, segurança alimentar e conectividade apareceram como prioridades. Depois disso, o próximo passo é criar uma ponte ideológica entre os saberes ancestrais e as tecnologias mais modernas disponíveis. Assim, podemos reduzir custos e aumentar a eficácia das soluções priorizadas.
Esses quatro elementos formam o coração da Mandala de Adaptação Climática , construída a partir da jornada do Banzeiro da Esperança. A Mandala vai além dessas prioridades e propõe uma abordagem sistêmica, incorporando também ações de educação, saúde, conservação ambiental, empoderamento das instituições locais e geração de renda. Mais do que organizar prioridades, ela oferece um método e uma base conceitual capazes de orientar estratégias de adaptação em diferentes contextos, alinhados aos 17 Objetivos de Desenvolvimento Sustentável e tendo a dignidade humana como princípio orientador.
A análise dos planos permitiu estimar que seriam necessários aproximadamente R$ 21,6 bilhões, ao longo de dez anos, para implementar ações de adaptação climática em cerca de 5 mil comunidades de povos da floresta. Trata-se da primeira estimativa para o custo da justiça climática na Amazônia.
À primeira vista, esse valor pode parecer elevado. No entanto, quando distribuído ao longo de uma década e comparado às cifras nacionais e internacionais, revela-se um investimento relativamente pequeno. No Brasil, equivale a cerca de 0,3% do Plano Safra do Governo Federal (R$ 610 bilhões em 2026). Nas negociações internacionais, corresponde a pouco mais de 1% dos USD 300 bilhões já comprometidos e cerca de 0,3% dos USD 1,3 trilhão previstos para o financiamento das ações climáticas acordadas na COP30.
As prioridades definidas pelos próprios territórios concentram-se em soluções práticas e transformadoras: sistemas comunitários de abastecimento de água, saneamento básico, energia solar, conectividade digital, fortalecimento da bioeconomia, sistemas agroflorestais, proteção territorial e prevenção de incêndios. Essas não são apenas ações de adaptação climática. São investimentos em dignidade humana, qualidade de vida, desenvolvimento sustentável e justiça climática.
Durante décadas, discutimos como melhor proteger a Amazônia. Hoje, porém, já dispomos de um caminho prático e replicável. Sabemos que proteger a floresta passa, necessariamente, por cuidar de quem cuida da floresta. A metodologia foi construída. A estratégia está estruturada. Os resultados já demonstram que é possível transformar prioridades definidas pelas próprias comunidades em ações concretas e investimentos capazes de produzir resultados duradouros.
As negociações realizadas em Bonn reforçam que o verdadeiro sucesso das COPs vai além dos acordos firmados nas conferências internacionais. Ele será medido pela capacidade de transformar compromissos globais em água potável, energia limpa, segurança alimentar, conectividade, fortalecimento das organizações locais, geração de renda, saúde e educação, fortalecendo a resiliência climática daqueles que cuidam da Amazônia.
Agora temos a oportunidade de ampliar a escala dessas soluções, mobilizando recursos para que essa metodologia alcance milhares de comunidades. O que está sendo desenvolvido na Amazônia já oferece uma referência concreta para inspirar outras florestas tropicais e orientar estratégias de adaptação em diferentes territórios.
Dignidade humana, justiça climática e adaptação climática caminham juntas. Cuidar de quem cuida da floresta é uma das formas mais inteligentes e eficazes de manter a floresta em pé e, ao mesmo tempo, cuidar do futuro do planeta.
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</title>  <atom:subtitle>Empresário que liderou a agenda global de ação climática da conferência afirma que o sucesso do legado de Belém dependerá da implementação de projetos, da ampliação do financiamento e da integração do mercado de carbono</atom:subtitle>  <link>https://umsoplaneta.globo.com/clima/cop/noticia/2026/08/10/apos-a-cop30-desafio-e-transformar-engajamento-climatico-em-resultados-concretos-diz-dan-ioschpe.ghtml</link> <guid isPermaLink="true">https://umsoplaneta.globo.com/clima/cop/noticia/2026/08/10/apos-a-cop30-desafio-e-transformar-engajamento-climatico-em-resultados-concretos-diz-dan-ioschpe.ghtml</guid> <description>  <![CDATA[ <img src="https://s2-umsoplaneta.glbimg.com/nnZfWSBdDiW2CwLL-3YtcZbI60Y=/i.s3.glbimg.com/v1/AUTH_7d5b9b5029304d27b7ef8a7f28b4d70f/internal_photos/bs/2025/c/9/MEhKwNRZm70lokT09QaA/mg-2287.jpg" /><br /> ]]>    Passados quase oito meses da COP30, realizada em Belém (PA), o principal desafio da agenda climática internacional deixou de ser mobilizar empresas, investidores e governos em torno de compromissos e passou a ser transformar esse engajamento em resultados concretos. A avaliação é de Dan Ioschpe, empresário que atuou como Campeão Climático de Alto Nível (Climate Champion) da conferência das Nações Unidas e coordenou a agenda global de ação climática durante a presidência brasileira.
Segundo ele, a arquitetura construída na COP30 fortaleceu a participação do setor privado e criou uma estrutura permanente de colaboração entre empresas, governos locais, investidores e sociedade civil. Agora, no entanto, a credibilidade desse processo dependerá da capacidade de tirar do papel os chamados planos de aceleração de soluções, criados para impulsionar projetos em áreas como energia, cidades, indústria, transporte, agricultura e adaptação climática.
"Agora precisamos que os planos de aceleração de soluções se materializem e sejam demonstráveis. Na medida em que isso acontecer, provavelmente teremos ainda mais engajamento, porque quem tem uma visão mais cética ou cansada em relação ao processo vai ver que ele de fato entrega", afirmou Ioschpe em entrevista durante a SP Climate Week.
Hoje, segundo ele, existem cerca de 120 planos em andamento. O objetivo é que eles avancem em velocidade e escala suficientes para demonstrar que a cooperação internacional pode gerar impactos reais na economia e na transição para uma economia de baixo carbono.

Financiamento como eixo da implementação
Para Ioschpe, o avanço dessa agenda passa necessariamente pelo sistema financeiro. Ele afirma que bancos de desenvolvimento, seguradoras e investidores privados já estão incorporados ao esforço de implementação e terão papel decisivo para ampliar o volume de recursos destinados à transição climática.
Entre os exemplos citados está o Fundo Florestas Tropicais para Sempre (TFFF, na sigla em inglês), iniciativa apresentada durante a COP30 para remunerar países pela conservação de florestas tropicais. Segundo ele, o fundo já começa a receber aportes públicos e poderá ganhar escala na COP31, marcada para este ano em Antália, na Turquia.
O empresário também destaca a atuação do BNDES em projetos voltados à economia verde, como o financiamento da primeira planta de combustível sustentável de aviação (SAF) produzido a partir da macaúba, além de iniciativas ligadas ao Programa Clima e ao Ecoinvest.
Na avaliação dele, mecanismos de blended finance — que combinam recursos públicos, privados e de organismos multilaterais para reduzir riscos dos investimentos — serão cada vez mais importantes para destravar projetos climáticos de grande porte.
Segundo Ioschpe, quando instituições como o BNDES participam da estruturação de um projeto, acabam funcionando como uma espécie de selo de credibilidade para outros financiadores. Isso ajuda a atrair novos investidores e ampliar a oferta de capital para iniciativas de transição climática.
Mercado de carbono
Outro ponto considerado estratégico é a conexão do Brasil com o mercado internacional de carbono. Para Ioschpe, a regulamentação brasileira deve avançar rapidamente para permitir acordos bilaterais e multilaterais previstos no Acordo de Paris, desde que preservadas as salvaguardas necessárias para o cumprimento das metas climáticas nacionais.
"Quanto mais rápido avançarmos com o nosso sistema de carbono e quanto mais nos conectarmos ao mundo, melhor, porque vamos traduzir o valor mais rapidamente", afirmou.
Na visão do empresário, o carbono tende a se consolidar como um ativo econômico importante para financiar projetos de descarbonização e ampliar a competitividade de países capazes de ofertar reduções verificadas de emissões.
O legado da COP30
Embora a cada ano a conferência climática passe para uma nova presidência, Ioschpe acredita que o modelo construído durante a COP30 deverá garantir continuidade às iniciativas lançadas em Belém. Ele cita como exemplo a SB COP (Sustainable Business COP), coalizão empresarial criada sob liderança da Confederação Nacional da Indústria (CNI), que hoje reúne entidades representando cerca de 45 milhões de empresas e passou a integrar oficialmente a Marrakech Partnership for Global Climate Action, plataforma da Convenção do Clima da ONU responsável por coordenar a agenda de ação climática.
Segundo ele, a troca anual de presidências permite incorporar novas prioridades — como economia circular na COP31 e acesso a tecnologias de cozinha limpa na COP32, na Etiópia — sem interromper a continuidade dos programas já iniciados.
Para Ioschpe, temas que ganharam protagonismo durante a COP30, como florestas tropicais e Amazônia, devem permanecer relevantes, ao mesmo tempo em que novas agendas passam a integrar o processo. O importante, afirma, é que a estrutura criada continue atraindo parceiros e transformando compromissos em ações capazes de promover desenvolvimento socioeconômico sustentável.
Mais Lidas  </description>  <media:content url="https://s2-umsoplaneta.glbimg.com/nnZfWSBdDiW2CwLL-3YtcZbI60Y=/i.s3.glbimg.com/v1/AUTH_7d5b9b5029304d27b7ef8a7f28b4d70f/internal_photos/bs/2025/c/9/MEhKwNRZm70lokT09QaA/mg-2287.jpg" medium="image"/>   <media:description>O executivo Dan Ioschpe foi nomeado Campeão de Alto Nível do Clima da COP30 pelo Brasil.</media:description>   <media:credit>Divulgação</media:credit>  <category>umsoplaneta</category> <pubDate>Mon, 10 Aug 2026 10:00:48 -0000</pubDate>  </item>  <item> <title>Ciclone-bomba: entenda o fenômeno que atingiu o RS e veja riscos e cuidados para outras cidades</title>  <atom:subtitle>Fenômeno provocou ventos de até 120 km/h, destelhamentos e quedas de árvores e postes; frente fria ainda mantém risco de temporais no Sul e no Sudeste</atom:subtitle>  <link>https://umsoplaneta.globo.com/clima/noticia/2026/08/07/ciclone-bomba-entenda-o-fenomeno-que-atingiu-o-rs-e-veja-riscos-e-cuidados-para-outras-cidades.ghtml</link> <guid isPermaLink="true">https://umsoplaneta.globo.com/clima/noticia/2026/08/07/ciclone-bomba-entenda-o-fenomeno-que-atingiu-o-rs-e-veja-riscos-e-cuidados-para-outras-cidades.ghtml</guid> <description>  <![CDATA[ <img src="https://s2-umsoplaneta.glbimg.com/M1BHYksTM5ciZZaWOvho53m1gfw=/i.s3.glbimg.com/v1/AUTH_7d5b9b5029304d27b7ef8a7f28b4d70f/internal_photos/bs/2026/8/w/aBA5SVS0WoxbqdTjWKFg/captura-de-tela-2026-08-07-192851.png" /><br /> ]]>    A passagem de um ciclone extratropical de forte intensidade pelo Sul do Brasil já deixou um rastro de destruição no Rio Grande do Sul, com uma morte, cinco pessoas feridas e danos registrados em 118 municípios, segundo a Defesa Civil estadual. A ocorrência mais grave foi registrada em Montenegro, onde um motociclista morreu após ser atingido pela queda de uma árvore enquanto trafegava pela RS-124.
Os impactos foram provocados pela combinação do ciclone com uma frente fria que avançou pelo Estado. Segundo a Defesa Civil, os ventos registrados tiveram média de 120 km/h, enquanto as rajadas chegaram a superar 90 km/h em diferentes pontos. Em Novo Hamburgo, foram registrados 120 destelhamentos, além de ocorrências envolvendo queda de árvores, fios e estruturas.
O sistema que atingiu o Sul é associado ao fenômeno conhecido como ciclone-bomba, ou ciclogênese explosiva. A classificação ocorre quando um sistema de baixa pressão se intensifica rapidamente, com queda de pelo menos 24 milibares na pressão central em 24 horas. O fenômeno se forma a partir do encontro de massas de ar com grande diferença de temperatura, o que favorece a intensificação da baixa pressão e a aceleração dos ventos.
Embora o ciclone tenha se deslocado em direção ao oceano, seus efeitos ainda repercutem no tempo. A frente fria associada ao sistema mantém a possibilidade de chuva, temporais isolados e rajadas de vento no Sul e em áreas do Sudeste. Em São Paulo, por exemplo, a previsão inclui chuva e temperaturas mais amenas no sábado, enquanto os alertas meteorológicos também abrangem outras áreas do Estado e do Rio de Janeiro.

Risco continua mesmo depois da passagem do ciclone
Um dos principais problemas após episódios de ventania é que os riscos permanecem mesmo depois de o pior do fenômeno ter passado. Árvores parcialmente derrubadas, postes danificados, fios rompidos e estruturas comprometidas podem continuar oferecendo perigo à população.
Em entrevista ao Valor, o capitão Maxwell Souza, porta-voz da Defesa Civil de São Paulo, alertou que a população não deve se aproximar de árvores ou postes que tenham caído. A queda pode danificar a rede elétrica e deixar o solo energizado, criando risco de choque.
A recomendação vale também para quem encontra fios caídos nas ruas. A orientação é manter distância e acionar os serviços responsáveis, evitando atravessar a área, especialmente quando há chuva e o solo está molhado.
O alerta também se estende às estruturas de imóveis atingidos por ventos fortes. Segundo Souza, fissuras e rachaduras podem indicar comprometimento das paredes. Em caso de dúvida sobre a segurança da construção, a orientação é deixar o local e acionar a Defesa Civil.
Durante a tempestade, moradores de casas mais vulneráveis à força dos ventos devem procurar ambientes menores e com paredes mais resistentes. O banheiro pode funcionar como um ponto de abrigo dentro da residência, segundo a orientação citada pelo porta-voz ao Valor.
Transporte e infraestrutura ficam entre os pontos vulneráveis
A ocorrência no Rio Grande do Sul também evidencia como eventos extremos de vento podem afetar a mobilidade e a infraestrutura urbana. A morte registrada em Montenegro ocorreu justamente quando um motociclista trafegava por uma rodovia, após a queda de uma árvore.
Além das árvores, ventos fortes podem derrubar postes, placas e outras estruturas, interrompendo vias e afetando o fornecimento de energia. Em áreas urbanas, esses impactos podem se combinar com alagamentos e enxurradas provocados pela chuva intensa.
O g1 apontou que, no Rio Grande do Sul, os maiores volumes de chuva se concentraram na metade oeste, no sul e no litoral sul, com possibilidade de acumulados próximos de 100 milímetros em pouco tempo. Esse volume pode provocar alagamentos, enxurradas, queda de barreiras e elevação rápida de córregos e rios menores.
O que esperar para os próximos dias
Mesmo com o afastamento do ciclone em direção ao oceano, a frente fria continua avançando pelo Sul. A previsão é de pancadas de chuva, temporais isolados, raios e rajadas de vento no Paraná, em Santa Catarina e no norte, sudeste e litoral do Rio Grande do Sul.
Em São Paulo e no Rio de Janeiro, os efeitos também devem ser sentidos com chuva, queda de temperatura e ventos fortes. A intensidade das rajadas deve diminuir gradualmente ao longo do fim de semana, segundo a previsão citada pelo Valor, embora permaneça a possibilidade de ressaca marítima.
O episódio reforça que o risco associado a eventos extremos não termina necessariamente quando o sistema meteorológico deixa determinada região. A combinação entre vento, chuva intensa e infraestrutura vulnerável pode prolongar os impactos e exigir atenção da população mesmo após a passagem do fenômeno.
Mais Lidas  </description>  <media:content url="https://s2-umsoplaneta.glbimg.com/M1BHYksTM5ciZZaWOvho53m1gfw=/i.s3.glbimg.com/v1/AUTH_7d5b9b5029304d27b7ef8a7f28b4d70f/internal_photos/bs/2026/8/w/aBA5SVS0WoxbqdTjWKFg/captura-de-tela-2026-08-07-192851.png" medium="image"/>   <media:description>ciclone</media:description>   <media:credit>GettyImages</media:credit>  <category>umsoplaneta</category> <pubDate>Fri, 07 Aug 2026 22:33:43 -0000</pubDate>  </item>  <item> <title>Desmatamento na Amazônia cai 36,87% no último ano</title>  <atom:subtitle>Instituto avalia que é possível chegar ao desmatamento zero</atom:subtitle>  <link>https://umsoplaneta.globo.com/biodiversidade/noticia/2026/08/07/desmatamento-na-amazonia-cai-3687percent-no-ultimo-ano.ghtml</link> <guid isPermaLink="true">https://umsoplaneta.globo.com/biodiversidade/noticia/2026/08/07/desmatamento-na-amazonia-cai-3687percent-no-ultimo-ano.ghtml</guid> <description>  <![CDATA[ <img src="https://s2-umsoplaneta.glbimg.com/_yaTNRqp8oHgwtXy6Ezk9ewEGPo=/i.s3.glbimg.com/v1/AUTH_7d5b9b5029304d27b7ef8a7f28b4d70f/internal_photos/bs/2026/k/b/x7wPzKTsunAtZxeMsgQA/br-319d.webp" /><br /> ]]>    O desmatamento na Amazônia teve queda de 36,87% entre agosto de 2025 e julho de 2026. Foram 2.874,38 km² de área sob alerta. É o menor valor desde 2016, quando iniciou a série histórica. Na medição do período anterior, a área sob alerta na região foi de 4.495 km². 
O tamanho da área sob alerta é 55,6% inferior à média dos últimos dez ciclos, ou seja, de 2015/2016 a 2025/2026.
Os dados do Sistema de Detecção de Desmatamento em Tempo Real (Deter) foram apresentados na tarde desta sexta-feira (7) pelo Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), em São José dos Campos, São Paulo. 
A divulgação dos dados coincide com o aniversário de 65 anos do instituto, completados no dia 3.
O Deter também analisou áreas de desmatamento no bioma Cerrado, apontando redução de 7,8%, com 5.119,46 km² de área identificados entre agosto de 2025 e julho deste ano. Diferente da Amazônia, nas áreas de Cerrado registradas, a maior parte é de propriedade privada.
O Deter utiliza imagens de satélite para identificar alterações na cobertura vegetal em grandes áreas. Os alertas emitidos pelo sistema permitem que os órgãos ambientais atuem com maior rapidez diante de indícios de desmatamento.
Entre os estados amazônicos, os maiores volumes de alertas de desmatamento foram registrados no Pará (987,27 km²), Mato Grosso (834,41 km²), Amazonas (433,9 km²), Roraima (272,6 km²), Acre (153,8 km²) e Rondônia (114,3 km²). 
Em relação ao ciclo anterior, o Pará apresentou redução de 25,5%; o Mato Grosso, de 49%; o Amazonas, de 46,7%; o Acre, de 35,3%; e Rondônia, de 41,2%. Em Roraima, os alertas registraram aumento de 32,5%.

Desmatamento
O ano de 2025 registrou queda de 20,1% no desmatamento em todo o Brasil, em comparação com 2024.
A redução no desmatamento ocorreu em todos os biomas do país. No recorte por biomas, a queda mais expressiva no desmatamento ocorreu no Pantanal. Em 2025, foi 65,4% menor do que no ano anterior. Em seguida, o Pampa, com uma redução de 41,7%.
Na Caatinga, o desmatamento caiu 34,3%. Na Amazônia a queda foi de 15,8% e no Cerrado, a redução foi de 11,5%.
Os dados são do Projeto de Monitoramento do Desmatamento na Amazônia Legal por Satélite (Prodes), desenvolvido pelo Inpe. 
O Prodes faz o cálculo consolidado da taxa anual de desmatamento, funcionando como a referência oficial para medir a evolução da perda de vegetação ao longo do tempo.
A apresentação dos dados foi comentada pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva, presente no evento. Em sua fala, ele lembrou que o governo dos Estados Unidos usou o desmatamento no Brasil como justificativa para impor tarifas extras aos produtos brasileiros exportados aos EUA.
Lula disse, então, que queria tirar uma foto no evento, tendo como pano de fundo os dados de queda do desmatamento para “mandar para o Trump”.
“Eu vim fazer do aniversário de 65 anos do Inpe a minha bandeira de defesa contra os tarifaços dos Estados Unidos contra o Brasil. Agora, em cada correspondência que a gente mandar para os Estados Unidos, a gente manda os dados do Inpe”, afirmou.
Lula afirmou também que “ninguém, nem os Estados Unidos, levam a questão climática a sério como leva o Brasil”.
Repercussão
Em nota, o Observatório do Clima comemorou os números do Deter. 
“Os números apresentados hoje são históricos, fruto de políticas sérias de proteção ambiental, e provam que é plenamente possível cumprir o compromisso assumido pelo país de zerar e reverter o desmatamento até 2030”, disse Marcio Astrini, secretário-executivo da entidade.
O Instituto de Pesquisa Ambiental da Amazônia (Ipam) também considera os números significativos para buscar a meta de zerar o desmatamento na região.
“Os dados do Deter indicam uma consolidação da redução do desmatamento na Amazônia, o que é muito positivo. Temos a menor taxa do Prodes desde que começou a ser medida”, disse Ane Alencar, diretora de Ciência do Ipam.
“Isso mostra a possibilidade de o país realmente continuar seguindo uma trajetória para alcançar o desmatamento zero. Prova que é possível reduzir o desmatamento na Amazônia, mesmo com todas as adversidades como as mudanças climáticas e o El Niño”, avalia a diretora do Ipam.  </description>  <media:content url="https://s2-umsoplaneta.glbimg.com/_yaTNRqp8oHgwtXy6Ezk9ewEGPo=/i.s3.glbimg.com/v1/AUTH_7d5b9b5029304d27b7ef8a7f28b4d70f/internal_photos/bs/2026/k/b/x7wPzKTsunAtZxeMsgQA/br-319d.webp" medium="image"/>   <media:description>Desmatamento e estradas clandestinas causam prejuízos à natureza.</media:description>   <media:credit>Orlando K Junior/Divulgação</media:credit>  <category>umsoplaneta</category> <pubDate>Fri, 07 Aug 2026 22:02:57 -0000</pubDate>  </item>  <item> <title>Edital destina R$ 60 milhões para recuperar áreas degradadas da Caatinga
</title>  <atom:subtitle>Chamada do programa Recaatingar vai apoiar projetos de restauração ecológica e produção sustentável em nove estados, com foco no combate à desertificação e na conservação da água</atom:subtitle>  <link>https://umsoplaneta.globo.com/biodiversidade/noticia/2026/08/07/edital-destina-r-60-milhoes-para-recuperar-areas-degradadas-da-caatinga.ghtml</link> <guid isPermaLink="true">https://umsoplaneta.globo.com/biodiversidade/noticia/2026/08/07/edital-destina-r-60-milhoes-para-recuperar-areas-degradadas-da-caatinga.ghtml</guid> <description>  <![CDATA[ <img src="https://s2-umsoplaneta.glbimg.com/PTuvT0KoFDBDStnQieCaLQl-UE0=/i.s3.glbimg.com/v1/AUTH_7d5b9b5029304d27b7ef8a7f28b4d70f/internal_photos/bs/2025/S/T/FnboXSRq264LVCBsqqLg/caatinga20220429-0039.webp" /><br /> ]]>    Projetos voltados à recuperação de áreas degradadas da Caatinga poderão disputar R$ 60 milhões em recursos por meio do edital Recaatingar, iniciativa do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), do Banco do Nordeste (BNB) e do Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima (MMA). A chamada pública busca financiar ações que conciliem restauração ambiental, produção sustentável, conservação da água, segurança alimentar, geração de renda e adaptação às mudanças climáticas em municípios do Semiárido.
O primeiro ciclo de inscrições segue aberto até as 18h do dia 10 de agosto. Um segundo período para envio de propostas está previsto entre 15 de outubro e 14 de dezembro deste ano.
Ao todo, serão destinados R$ 60 milhões, divididos igualmente entre BNDES e BNB. Os recursos contemplarão projetos em municípios prioritários de Alagoas, Bahia, Ceará, Minas Gerais, Paraíba, Piauí, Pernambuco, Rio Grande do Norte e Sergipe, especialmente aqueles mais vulneráveis à seca, à degradação ambiental e ao avanço da desertificação.
A iniciativa marca o primeiro edital do programa Floresta Viva 2, nova etapa da estratégia do BNDES voltada à restauração ecológica com espécies nativas, recuperação produtiva e conservação de ecossistemas em todos os biomas brasileiros, com exceção da Amazônia.

"O Recaatingar combina recuperação de áreas degradadas com geração de renda, apoio à agricultura familiar e criação de condições para que as populações do Semiárido permaneçam em seus territórios com segurança hídrica, produtiva e ambiental", afirmou o presidente do BNDES, Aloizio Mercadante, em nota.
Os projetos selecionados poderão contemplar ações de restauração ecológica, implantação de sistemas agroflorestais, produção agroecológica e manejo sustentável da Caatinga. O edital também prevê apoio à recuperação de solos, proteção e restauração de corpos hídricos, conservação da água e fortalecimento de cadeias produtivas ligadas à sociobiodiversidade e à agrobiodiversidade do bioma.
Na prática, os recursos poderão financiar atividades como recuperação de áreas degradadas com espécies nativas, produção de sementes e mudas, assistência técnica, capacitação de comunidades, implantação de práticas agroecológicas, sistemas de captação e armazenamento de água, cercamento de nascentes e ações de prevenção e combate a incêndios florestais, especialmente por meio do Manejo Integrado do Fogo.
As propostas deverão apresentar contrapartida mínima equivalente a 5% do valor solicitado. Essa contribuição poderá ser financeira ou ocorrer por meio da disponibilização de pessoal, equipamentos, infraestrutura, bens, insumos ou serviços.
Podem participar da seleção pessoas jurídicas de direito privado sem fins lucrativos sediadas no Brasil, como associações, fundações e cooperativas, além de pessoas jurídicas de direito público das esferas federal e estadual — com exceção da União e de entidades que dependam de transferências orçamentárias federais para manutenção.
No caso das organizações privadas sem fins lucrativos, será exigido pelo menos dois anos de constituição legal no país. As propostas também poderão ser desenvolvidas em parceria com universidades, instituições de pesquisa, prefeituras, órgãos ambientais, comitês de bacias hidrográficas e outras organizações envolvidas na execução das ações.
As inscrições devem ser feitas por meio de formulário eletrônico disponibilizado pela Fundação Brasileira para o Desenvolvimento Sustentável (FBDS), responsável pela gestão do Floresta Viva 2. A seleção envolverá análise preliminar, avaliação técnica por uma comissão julgadora e classificação das propostas com base em critérios como capacidade técnica, qualidade das ações de recuperação, custos, impactos ecológicos e sociais, integração com políticas públicas, salvaguardas socioambientais e aderência aos territórios considerados prioritários.
Mais Lidas  </description>  <media:content url="https://s2-umsoplaneta.glbimg.com/PTuvT0KoFDBDStnQieCaLQl-UE0=/i.s3.glbimg.com/v1/AUTH_7d5b9b5029304d27b7ef8a7f28b4d70f/internal_photos/bs/2025/S/T/FnboXSRq264LVCBsqqLg/caatinga20220429-0039.webp" medium="image"/>   <media:description>Caatinga</media:description>   <media:credit>© Gabriel Carvalho/Setur-BA</media:credit>  <category>umsoplaneta</category> <pubDate>Fri, 07 Aug 2026 13:54:15 -0000</pubDate>  </item>  <item> <title>Fundo lançado na COP30 já reúne US$ 6,7 bilhões para proteger florestas tropicais</title>  <atom:subtitle>Governo brasileiro busca atingir US$ 10 bilhões no primeiro ano do TFFF e negocia novas contribuições com diversos países</atom:subtitle>  <link>https://umsoplaneta.globo.com/clima/noticia/2026/08/07/fundo-lancado-na-cop30-ja-reune-us-67-bilhoes-para-proteger-florestas-tropicais.ghtml</link> <guid isPermaLink="true">https://umsoplaneta.globo.com/clima/noticia/2026/08/07/fundo-lancado-na-cop30-ja-reune-us-67-bilhoes-para-proteger-florestas-tropicais.ghtml</guid> <description>  <![CDATA[ <img src="https://s2-umsoplaneta.glbimg.com/eN5_CX5duT7kFXQg15-8VArm6QY=/i.s3.glbimg.com/v1/AUTH_7d5b9b5029304d27b7ef8a7f28b4d70f/internal_photos/bs/2026/A/1/60TEIpSNWrh9WHVWTBBw/img-4708.jpeg" /><br /> ]]>    O Tropical Forest Forever Facility (TFFF), o fundo de proteção às florestas tropicais lançado pelo Brasil na COP30, em Belém (PA), já soma cerca de US$ 6,7 bilhões em aportes anunciados — dois terços da meta de US$ 10 bilhões que o governo brasileiro persegue para o primeiro ano do fundo. A informação foi dada pelo assessor especial do ministro da Fazenda, Rafael Dubeux, que coordenou por mais de dois anos, como secretário-executivo adjunto da pasta, o Plano de Transformação Ecológica. Ele conversou com o Um Só Planeta durante evento organizado pela AMCHAM na SP Climate Week, na quarta-feira (05).
Segundo Dubeux, o fato de países como Turquia e Austrália , os presidentes da COP31, conferência do clima da ONU que será realizada em novembro deste ano, terem outras prioridades na agenda internacional não deve comprometer o avanço do fundo.
 “O fundo não é para o Brasil, é um fundo para florestas tropicais. Então não é só o Brasil que tem interesse em que ele se viabilize”, afirmou. Em primeiro lugar, disse, o interesse é de todos os países com florestas tropicais — mas, no fundo, de todo o planeta, já que preservar essas florestas é, em suas palavras, “uma maneira barata de a gente enfrentar o desafio da mudança do clima”.
O desenho financeiro é um dos pontos que o assessor faz questão de reforçar. Segundo ele, o TFFF não opera como um mecanismo de doação, mas como um fundo de investimento. Brasil e Indonésia inauguraram os aportes, com US$ 1 bilhão cada, seguidos por Noruega, Alemanha, França e outros países. “Todos esses aportes é como se a pessoa tivesse um capital ali, uma cota dentro do fundo, e ela recebe juros por aquele capital e, no final, recebe o capital de volta”, explicou Dubeux.
Para fechar o terço que falta até a meta de US$ 10 bilhões, o governo brasileiro mantém conversas com China, Japão, Canadá, Reino Unido, Holanda e Coreia do Sul, entre outros países, ainda sem nenhum compromisso oficial firmado. 
Segundo Dubeux, os entraves que aparecem nessas negociações costumam ser pontuais e técnicos, e variam de país para país — como definir, por exemplo, se um aporte será tratado como empréstimo ou como entrada de capital. 
“Para cada país tem pequenas peculiaridades que geram dúvidas ali, ou às vezes uma vantagem para a estrutura orçamentária de cada país”, disse. “Mas eu acho que eles são sempre superáveis”, diz. Vários países, segundo ele, aguardam o momento da própria COP para anunciar suas decisões. por isso, a COP31é, em sua opinião, o próximo grande marco de captação do fundo.

Na avaliação de Dubeux, a governança do TFFF também avançou de forma relevante desde o lançamento em Belém. O fundo está vinculado ao Banco Mundial, o que, segundo ele, “traz muita credibilidade para o funcionamento”, e teve sua estrutura financeira formalmente sediada em Luxemburgo, país escolhido, segundo o assessor, por oferecer as melhores condições para abrigar a entidade responsável pela gestão dos investimentos do fundo.
O TFFF é uma das frentes do Plano de Transformação Ecológica citadas por Dubeux ao lado de outras iniciativas sob coordenação do governo, como a coalizão internacional do mercado de carbono e o esforço de comparabilidade entre taxonomias verdes — temas que devem ganhar novos capítulos entre agora e a COP31.
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</title>  <atom:subtitle>O avanço do IPS nas redes de autoridades mostra que novos indicadores  estão ganhando espaço no debate</atom:subtitle>  <link>https://umsoplaneta.globo.com/opiniao/colunas-e-blogs/o-mundo-que-queremos/post/2026/08/quando-a-qualidade-de-vida-entra-na-politica-todos-ganham.ghtml</link> <guid isPermaLink="true">https://umsoplaneta.globo.com/opiniao/colunas-e-blogs/o-mundo-que-queremos/post/2026/08/quando-a-qualidade-de-vida-entra-na-politica-todos-ganham.ghtml</guid> <description>  <![CDATA[ <img src="https://s2-umsoplaneta.glbimg.com/ftJH16umaQRp7tjSIy2s6k4XYMc=/i.s3.glbimg.com/v1/AUTH_7d5b9b5029304d27b7ef8a7f28b4d70f/internal_photos/bs/2021/Z/k/lv0SMtSgGFeGZaLHqunw/parqueberlim.jpg" /><br /> ]]>    Durante décadas, indicadores como o Produto Interno Bruto (PIB) e a renda ocuparam posição central nas avaliações sobre desenvolvimento. Nos últimos anos, porém, métricas que procuram medir diretamente as condições de vida da população passaram a ganhar maior visibilidade no debate público. E um sinal desse movimento aparece nas redes sociais de autoridades políticas brasileiras.
Um levantamento do Autoridades Brasil identificou 346 publicações sobre o Índice de Progresso Social (IPS) entre janeiro de 2023 e junho de 2026. Na comparação entre 2024 e o primeiro semestre de 2026, o volume de conteúdos cresceu 47%, passando de 92 publicações em todo o ano de 2024  para 135 apenas nos seis primeiros meses de 2026. A análise não permite afirmar, por si só, que o IPS já esteja orientando decisões, investimentos ou políticas públicas. Ele mostra, contudo, que o índice vem aparecendo com maior frequência na comunicação de prefeitos, governadores, parlamentares e outros agentes públicos, e que indicadores sociais e ambientais começam a integrar mais claramente a linguagem utilizada para falar de desenvolvimento.
O Autoridades Brasil, political tech que acompanha mais de seis mil perfis políticos, realiza a captura diária de conteúdos publicados no Facebook, Instagram, YouTube e X.  O levantamento mostra que essa agenda nasce principalmente nos municípios. Prefeitos respondem por 27% de todas as publicações identificadas entre 2023 e 2026, seguidos por vereadores e perfis institucionais de prefeituras, com 16% cada. Autoridades estaduais representam 23% das menções, enquanto ministros, deputados federais e senadores somam 13%. O IPS mede exatamente aquilo que está mais próximo da rotina da população: acesso à saúde, saneamento, moradia, segurança, educação, inclusão social, oportunidades e qualidade ambiental. São temas que, em grande medida, passam pelas administrações municipais.
O protagonismo municipal é coerente com a própria natureza do IPS Brasil. Atualizado anualmente desde 2024, o índice avalia o desempenho social e ambiental dos 5.570 municípios brasileiros por meio de três dimensões: Necessidades Humanas Básicas, Fundamentos do Bem-estar e Oportunidades. Muitos dos aspectos avaliados fazem parte da experiência cotidiana da população e estão relacionados, ainda que não exclusivamente, à atuação das administrações municipais. Por isso, o IPS pode oferecer aos gestores uma leitura mais ampla das condições de vida em seus territórios, permitindo observar avanços e déficits que não aparecem em indicadores econômicos agregados.
Desenvolvimento para além dos resultados econômicos
O Índice de Progresso Social foi concebido justamente para complementar as métricas econômicas tradicionais. Em vez de utilizar indicadores como PIB ou renda em seu cálculo, ele mede diretamente resultados sociais e ambientais por meio de 57 indicadores públicos organizados em três dimensões: Necessidades Humanas Básicas, Fundamentos do Bem-estar e Oportunidades.
Essa escolha metodológica parte da premissa  de que uma cidade pode enriquecer sem necessariamente melhorar a vida das pessoas. Da mesma forma, crescimento econômico isolado pode coexistir com desigualdade, perda de qualidade ambiental e deterioração das condições de vida. Isso não significa que os indicadores econômicos tenham perdido relevância. Significa que eles não são suficientes para mostrar, sozinhos, se a população tem acesso a condições básicas, bem-estar e oportunidades. Ao colocar essas dimensões no centro da avaliação, o IPS ajuda a ampliar o significado de desenvolvimento.
Meio ambiente também é qualidade de vida
Um dos aspectos relevantes do IPS é incorporar a qualidade ambiental como parte das condições necessárias para que as pessoas vivam e prosperem. O meio ambiente, nessa perspectiva, não aparece como uma agenda separada, mas como um dos elementos do progresso social.
Entre os doze componentes do índice está a Qualidade do Meio Ambiente, construída a partir de indicadores como áreas verdes urbanas, emissões de CO₂ por habitante, focos de calor, vulnerabilidade climática e supressão da vegetação. Essa abordagem rompe uma falsa dicotomia ainda muito presente no debate público: a ideia de que proteção ambiental e desenvolvimento estariam necessariamente em lados contrários. A degradação ambiental afeta diretamente as condições de vida ao ampliar riscos climáticos, comprometer recursos naturais e aumentar a exposição da população a eventos extremos.
O relatório do IPS Brasil mostra que os estados da Amazônia Legal apresentam desempenho abaixo da média nacional em praticamente todos os componentes do índice. Em Qualidade do Meio Ambiente, o resultado está associado principalmente ao desmatamento acumulado e às emissões de gases de efeito estufa. Esses dados reforçam que a preservação ambiental não é apenas uma questão ecológica. Ela está diretamente relacionada à capacidade de um território oferecer segurança, saúde, bem-estar e perspectivas de futuro à sua população.
Ainda é precipitado afirmar que indicadores de progresso social já ocupam o centro das decisões políticas brasileiras. Também não é possível concluir, apenas com base nas redes sociais, que o aumento das menções esteja se convertendo em mudanças concretas na gestão pública.
Mas os dados do Autoridades Brasil sugerem que algo está mudando na comunicação política. O IPS passou de apenas duas menções registradas por gestores públicos em 2023 para 92 publicações em 2024, 117 em 2025 e 135 somente no primeiro semestre de 2026. O índice deixou de aparecer de forma pontual e passou a integrar com maior frequência as manifestações públicas de autoridades e prefeituras. 
O próximo passo é fazer com que indicadores de qualidade de vida ajudem a identificar desigualdades, definir prioridades, orientar recursos e avaliar resultados. Para isso, precisam ser tratados mais do que como instrumentos de reconhecimento político, mas como ferramentas de gestão e de controle social.
Quando saúde, bem-estar, oportunidades e meio ambiente passam a ocupar mais espaço na linguagem do poder público, o debate sobre desenvolvimento se torna mais próximo da vida concreta da população. Mas todos só ganham, de fato, quando essa mudança de linguagem também se traduz em melhores decisões.
Sobre o autor
Gustavo Nascimento é preto, faixa preta, jornalista e coordenador de projetos em O Mundo que Queremos.  </description>  <media:content url="https://s2-umsoplaneta.glbimg.com/ftJH16umaQRp7tjSIy2s6k4XYMc=/i.s3.glbimg.com/v1/AUTH_7d5b9b5029304d27b7ef8a7f28b4d70f/internal_photos/bs/2021/Z/k/lv0SMtSgGFeGZaLHqunw/parqueberlim.jpg" medium="image"/>   <media:description>IPS mede acesso à saúde, saneamento, moradia, segurança, educação, inclusão social, oportunidades e qualidade ambiental.</media:description>   <media:credit> Getty Images / Picture Alliance</media:credit>  <category>umsoplaneta</category> <pubDate>Fri, 07 Aug 2026 10:00:21 -0000</pubDate>  </item>  <item> <title>O próximo El Niño exige menos reação e mais planejamento</title>  <atom:subtitle>Riscos elevados apresentados pelo El Niño se somam aos efeitos já sentidos das mudanças climáticas e atravessam praticamente todas as agendas sociais</atom:subtitle>  <link>https://umsoplaneta.globo.com/clima/post/2026/08/o-proximo-el-nino-exige-menos-reacao-e-mais-planejamento.ghtml</link> <guid isPermaLink="true">https://umsoplaneta.globo.com/clima/post/2026/08/o-proximo-el-nino-exige-menos-reacao-e-mais-planejamento.ghtml</guid> <description>  <![CDATA[ <img src="https://s2-umsoplaneta.glbimg.com/wLvB1FLmB84UtAVWCqh9vSVDrZo=/i.s3.glbimg.com/v1/AUTH_7d5b9b5029304d27b7ef8a7f28b4d70f/internal_photos/bs/2026/A/Y/8jjN64QcqFFPD6AXALhw/captura-de-tela-2026-07-17-121945.png" /><br /> ]]>    O Brasil ainda costuma tratar eventos climáticos extremos como exceções, respondendo a eles apenas quando seus impactos já se instalaram. Este ano, porém, a previsão de um novo episódio de El Niño tem oferecido a oportunidade de substituir a lógica padrão da reação pela da prevenção. 
Instituições de monitoramento climático no Brasil e no mundo já apontam alta probabilidade de permanência do fenômeno até abril de 2027, com tendência de fortalecimento ao longo de 2026 e maior chance de intensidade muito forte entre setembro e dezembro. Com essa previsão, é imprescindível que governos, investidores sociais e organizações da sociedade civil incorporem o risco climático ao planejamento de suas ações.
Os riscos elevados apresentados pelo El Niño, que se somam aos efeitos já sentidos das mudanças climáticas, não se restringem ao meio ambiente, mas atravessam praticamente todas as agendas sociais. Saúde, educação, segurança alimentar, geração de renda, assistência social, moradia e mobilidade podem ser diretamente afetadas por ondas de calor, secas, enchentes e queimadas. Mesmo as organizações que não atuam diretamente com a pauta climática podem enfrentar aumento da demanda por atendimento, custos adicionais e dificuldades para manter suas atividades.

Nesse cenário, a adaptação climática deixa de ser uma agenda exclusivamente ambiental e passa a ser uma condição para garantir a continuidade de políticas, programas e investimentos sociais. Afinal, proteger comunidades também significa proteger a capacidade das organizações de seguir entregando resultados justamente nos momentos de maior necessidade.
O desafio é ainda maior quando se observa a capacidade de resposta dos territórios brasileiros. Dados da plataforma AdaptaBrasil, do Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação, mostram que 3.679 municípios apresentam baixa ou muito baixa capacidade adaptativa para lidar com desastres associados a inundações, enxurradas e alagamentos. O dado indica que prever esses eventos extremos não é suficiente, mas que são necessárias ações práticas de prevenção, como o fortalecimento da gestão local, ampliação da articulação junto ao poder público e mais investimentos nas capacidades de resposta das comunidades.
Assim, a justiça climática ganha dimensão prática, não se resumindo a responder aos desastres uma vez que eles já aconteceram, mas criando condições para que populações mais vulneráveis estejam mais protegidas antes que os impactos ocorram.
A preparação começa muito antes da chegada de uma frente fria, de uma enchente ou de uma onda de calor. Ela começa quando organizações transformam previsões climáticas em perguntas norteadoras para a gestão e planejamento. O que pode mudar no território? Quais públicos serão mais afetados? Quais atividades precisarão ser adaptadas? Que recursos devem estar disponíveis antes dos períodos críticos? Essas questões ajudam a incorporar o risco climático ao planejamento cotidiano, tornando programas e investimentos mais robustos diante das incertezas.
Também é importante reconhecer que o El Niño não produzirá os mesmos efeitos em todo o país. A tendência é de redução das chuvas na Amazônia e Nordeste, aumento das temperaturas em grande parte do Brasil, possibilidade de condições mais secas no Sudeste e Centro-Oeste durante a primavera e aumento das chuvas no Sul, elevando o risco de enchentes, alagamentos e deslizamentos. Essa diversidade exige respostas igualmente diversas, adaptadas às características de cada território. Isso implica na necessidade de se promover a centralidade dos territórios e suas organizações na discussão da adaptação climática.
Para o campo social, isso significa revisar programas e portfólios sob uma lente climática, elaborar planos de continuidade para serviços essenciais, investir preventivamente na adaptação de equipamentos e espaços comunitários, fortalecer redes locais de cooperação e prever mecanismos de financiamento mais flexíveis, capazes de responder rapidamente às mudanças impostas pelos eventos extremos.
Nenhuma dessas medidas elimina a possibilidade de desastres. Mas todas contribuem para reduzir danos, preservar serviços essenciais e aumentar a capacidade de resposta das comunidades. Quanto mais cedo investidores sociais e organizações incorporarem os riscos climáticos às suas decisões, maior será a possibilidade de evitar perdas humanas, sociais e institucionais.
O El Niño previsto para 2026 representa não apenas um desafio climático. Ele representa um teste sobre nossa capacidade de aprender com as crises recentes e agir antes que elas se repitam. A previsão já existe. O conhecimento também. O que ainda precisa mudar é a forma como transformamos essas informações em planejamento e ação, com embasamento científico, centralidade dos territórios, foco nas pessoas, principalmente as mais vulnerabilizadas.
Sobre a autora
Yasmin Araújo Lopes é bacharela em Gestão ambiental pela EACH/USP,  técnica em Administração pela ETEC e analista de projetos no IDIS - Instituto para o Desenvolvimento do Investimento Social, com foco em ESG. Tem experiência na mesma área na blendON, Multiplicadora B, Pesquisadora e Atora Socioambiental em Redução de Riscos de Desastres, Participação Social, Adaptação Climática e Extensão Universitária através do Adapta Keraciaba (EACH/USP), com artigos/resumos publicados.
Marcelo Modesto é gerente de projetos do  IDIS - Instituto para o Desenvolvimento do Investimento Social, com foco em consultorias relacionados à Agenda ESG.
Mais Lidas  </description>  <media:content url="https://s2-umsoplaneta.glbimg.com/wLvB1FLmB84UtAVWCqh9vSVDrZo=/i.s3.glbimg.com/v1/AUTH_7d5b9b5029304d27b7ef8a7f28b4d70f/internal_photos/bs/2026/A/Y/8jjN64QcqFFPD6AXALhw/captura-de-tela-2026-07-17-121945.png" medium="image"/>   <media:description>seca</media:description>   <media:credit>gettyImages</media:credit>  <category>umsoplaneta</category> <pubDate>Thu, 06 Aug 2026 11:00:21 -0000</pubDate>  </item>  <item> <title>Clima deve orientar novo pacto pela produtividade do Brasil, defendem especialistas</title>  <atom:subtitle>Debate reuniu representantes do setor privado, academia e sociedade civil, que defenderam a integração da agenda climática às estratégias de crescimento econômico e competitividade do país</atom:subtitle>  <link>https://umsoplaneta.globo.com/clima/noticia/2026/08/06/clima-deve-orientar-novo-pacto-pela-produtividade-do-brasil-defendem-especialistas.ghtml</link> <guid isPermaLink="true">https://umsoplaneta.globo.com/clima/noticia/2026/08/06/clima-deve-orientar-novo-pacto-pela-produtividade-do-brasil-defendem-especialistas.ghtml</guid> <description>  <![CDATA[ <img src="https://s2-umsoplaneta.glbimg.com/HGS7HoYlk9ae4uNgOyiG-2TZJaY=/i.s3.glbimg.com/v1/AUTH_7d5b9b5029304d27b7ef8a7f28b4d70f/internal_photos/bs/2026/e/f/A6cTAMTxGeOEq8v2NOEQ/whatsapp-image-2026-08-05-at-19.17.31-2-.jpeg" /><br /> ]]>    Encerrando dois dias de debates sobre produtividade e sustentabilidade promovidos pelo Instituto Itaúsa, um painel reuniu a cientista política Mônica Sodré, da Meridiana, o conselheiro independente da Itaúsa, Vicente Assis, a superentendente da Fundação Arymax, Vivianne Naigeborin, para discutir governança, compromissos e próximos passos rumo a um Brasil mais produtivo e sustentável. A mediação foi de Marcelo Furtado.
Um dos pontos centrais do debate foi o alerta de que o país ainda trata a mudança do clima como um tema ideológico, e não como uma questão econômica estrutural. "Nós continuamos em um estado de negação. O clima vai desorganizar e reorganizar absolutamente a capacidade produtiva desse país", afirmou Mônica Sodré, que atua apoiando a tomada de decisão de parlamentares brasileiros em temas de segurança alimentar, energética e mineral.
Segundo ela, partes do território vão secar e outras vão encher, sem que o país tenha hoje instrumentos de planejamento à altura desse cenário. A executiva citou que o Brasil tem quase um quarto do PIB atrelado ao agronegócio — o setor mais exposto e mais vulnerável à mudança do clima — e defendeu que qualquer "pacto pela economia do Brasil" tenha o clima como componente essencial, não apenas por razão ambiental, mas porque se tornou um elemento econômico decisivo para a resiliência do país nas próximas décadas.
Sodré também apontou a instabilidade regulatória como um entrave direto à produtividade, sobretudo em setores de ciclo longo como energia e mineração, com projetos de 20 a 30 anos. "É muito difícil fazer negócios no país porque a regra muda com muita frequência (...) Isso manda um sinal de desincentivo para o capital", disse.
A executiva relatou ainda a dificuldade de pautar o tema junto a parlamentares, citando o caso de um senador que, ao ser questionado sobre os efeitos de uma política em dez anos, respondeu que o horizonte que importava era o da eleição daquele ano. Para ela, sustentabilidade tem sido tratada por parte da classe política como discurso "ambientalista" ou "de esquerda" — o que, na sua avaliação, trava avanços em temas como biocombustíveis, hoje limitados por um debate antigo sobre concorrência com a produção de alimentos.
Governança de recursos estratégicos também entrou na pauta climática do painel. Sodré citou os minerais críticos e estratégicos — nos quais o Brasil concentra parte das reservas mundiais disputadas no processo de transição energética — como exemplo de um vácuo regulatório: a política nacional do setor ainda não foi aprovada, enquanto estados como Minas Gerais e Goiás já fazem concessões de forma autônoma a empresas estrangeiras, gerando questionamentos no Supremo Tribunal Federal. Ela citou também o descompasso entre o licenciamento ambiental, de competência estadual, e as áreas afetadas por novas linhas de transmissão de energia, muitas vezes municipais, como um exemplo do mesmo problema de coordenação federativa.
O conselheiro Vicente Assis, da Itaúsa, conectou a resposta ao desafio climático à equação da produtividade que voltou como fio condutor do painel: para ele, o único caminho para gerar riqueza — e, com ela, capacidade de enfrentar a mudança do clima — é elevar a produtividade, já que o crescimento populacional deixou de ser uma alavanca. Assis defendeu que tecnologias como a inteligência artificial só geram valor quando aplicadas a problemas concretos de produtividade, e não a iniciativas genéricas de capacitação sem foco definido.
Ao final do painel, Sodré precisou deixar o evento antes do encerramento para participar de outra sessão do fórum, e aproveitou para agradecer publicamente a equipe do Instituto Itaúsa pelo relatório Brasil 2 Graus, citado por ela como referência do trabalho da instituição na interface entre economia e clima.
Mais Lidas  </description>  <media:content url="https://s2-umsoplaneta.glbimg.com/HGS7HoYlk9ae4uNgOyiG-2TZJaY=/i.s3.glbimg.com/v1/AUTH_7d5b9b5029304d27b7ef8a7f28b4d70f/internal_photos/bs/2026/e/f/A6cTAMTxGeOEq8v2NOEQ/whatsapp-image-2026-08-05-at-19.17.31-2-.jpeg" medium="image"/>   <media:description>Evento organizado pelo Instituto Itaúsa e pela Itaúsa durante SP Climate Week 2026</media:description>   <media:credit>Naiara Bertão / Um Só Planeta</media:credit>  <category>umsoplaneta</category> <pubDate>Thu, 06 Aug 2026 10:30:08 -0000</pubDate>  </item>  <item> <title>Novo mercado global de carbono enfrenta desafios para garantir integridade e segurança regulatória, aponta estudo
</title>  <atom:subtitle>Policy brief da LACLIMA analisa a transição do antigo Mecanismo de Desenvolvimento Limpo para o Artigo 6.4 do Acordo de Paris e destaca os impactos das novas regras para governos, investidores e projetos climáticos</atom:subtitle>  <link>https://umsoplaneta.globo.com/financas/negocios/noticia/2026/08/06/novo-mercado-global-de-carbono-enfrenta-desafios-para-garantir-integridade-e-seguranca-regulatoria-aponta-estudo.ghtml</link> <guid isPermaLink="true">https://umsoplaneta.globo.com/financas/negocios/noticia/2026/08/06/novo-mercado-global-de-carbono-enfrenta-desafios-para-garantir-integridade-e-seguranca-regulatoria-aponta-estudo.ghtml</guid> <description>  <![CDATA[ <img src="https://s2-umsoplaneta.glbimg.com/Iq85HtRjZLOvXoruhmUBuhMv5y4=/i.s3.glbimg.com/v1/AUTH_7d5b9b5029304d27b7ef8a7f28b4d70f/internal_photos/bs/2025/N/e/Z9n4cWQESmgJK9JYYFTA/gettyimages-1688770502.jpg" /><br /> ]]>    A substituição do antigo Mecanismo de Desenvolvimento Limpo (MDL) pelo mecanismo previsto no Artigo 6.4 do Acordo de Paris representa uma mudança estrutural na governança dos mercados internacionais de carbono e impõe novos desafios para governos, investidores e desenvolvedores de projetos de mitigação. Essa é a principal conclusão de um novo policy brief lançado pela LACLIMA, que analisa os efeitos da transição sobre a integridade ambiental dos créditos de carbono, a previsibilidade regulatória e a implementação do novo sistema.
Intitulado “A transição do MDL ao Artigo 6.4: Integridade, Assimetrias e o Futuro do Mercado de Carbono”, o estudo argumenta que o novo mecanismo vai além de uma simples atualização das regras internacionais.
Segundo a publicação, o Artigo 6.4 redefine a relação entre os mercados de carbono e as metas climáticas nacionais, amplia o papel dos governos na autorização e transferência dos créditos e busca elevar os padrões de qualidade e credibilidade das reduções de emissões.
Para Yago Freire, coordenador de Políticas Climáticas e Mercados de Carbono da LACLIMA e coautor do relatório, trata-se de uma transformação estrutural na forma como os mercados de carbono se relacionam com as metas climáticas dos países, com o financiamento da ação climática e com os compromissos assumidos no âmbito do Acordo de Paris.
"Ao mesmo tempo em que busca corrigir fragilidades identificadas no modelo anterior, o novo mecanismo introduz desafios relacionados à governança, à previsibilidade regulatória e à capacidade institucional necessária para sua implementação”, afirma.
Uma das principais mudanças apontadas pelo estudo é que as reduções de emissões passam a estar diretamente vinculadas às Contribuições Nacionalmente Determinadas (NDCs) de cada país. Na prática, isso significa que os governos nacionais assumem um papel mais ativo na autorização, uso e transferência dos créditos de carbono, tornando o mercado mais integrado às estratégias nacionais de mitigação e desenvolvimento.
Mais integridade
O relatório organiza os principais desafios da transição em quatro grandes áreas — chamadas de "dimensões" pelo estudo. Uma delas é a integridade ambiental: garantir que os créditos emitidos correspondam a reduções de emissões reais, e não superestimadas. Um dos sinais de que o Artigo 6.4 está sendo mais rigoroso nesse ponto é a forma como vem revisando as metodologias herdadas do antigo MDL. 
Um exemplo concreto disso é o primeiro crédito emitido sob as novas regras, em fevereiro de 2026. Ele resultou em um volume cerca de 40% menor do que seria reconhecido se a mesma atividade tivesse sido avaliada pelas regras antigas do MDL. Ou seja, para o mesmo projeto, o novo sistema reconheceu bem menos créditos,  o que indica critérios mais restritivos para contar o que conta como redução de emissão.
O primeiro crédito sob o Artigo 6.4 saiu em fevereiro de 2026, de um projeto de fogões de cocção limpa em Mianmar, desenvolvido em parceria com a República da Coreia. Como ainda não existe metodologia própria do Artigo 6.4 para esse setor, o crédito foi calculado pela mesma metodologia do MDL, com apenas um parâmetro atualizado: a fração de biomassa não renovável, reduzida de 0,615 para 0,36. Foram emitidas 60 mil unidades, 40% a menos do que seria gerado sob as regras antigas.
Meses depois, porém, o caso foi contestado. Em junho de 2026, uma coligação de ONGs — Global Forest Coalition, Myanmar Policy Institute e Plan 1.5 — publicou uma análise apontando que o projeto poderia ter sido supercreditado em até sete vezes, mesmo com as metodologias mais conservadoras do novo mecanismo. As organizações também apontaram que a entidade implementadora local integra a estrutura administrativa controlada pelo regime militar do país.
Para a LACLIMA, o episódio mostra que regras mais rígidas no papel não impedem, sozinhas, que projetos controversos sejam revalidados sob o novo mecanismo, agora com respaldo institucional da ONU. O relatório recomenda cautela em tratar essa primeira emissão como prova de rigor sistêmico, já que a credibilidade do Artigo 6.4 dependerá de como o Órgão Supervisor responder a esse tipo de contestação.

Previsibilidade regulatória
Outro desafio destacado é a previsibilidade regulatória. A transição depende de uma série de etapas técnicas e administrativas que podem atrasar a migração dos projetos para o novo sistema. Até maio de 2026, apenas 13% das atividades elegíveis haviam recebido aprovação formal de seus países anfitriões. China e Índia, responsáveis por aproximadamente dois terços dos projetos aptos à migração, ainda não haviam autorizado nenhum deles.
O prazo para que os países anfitriões encaminhem essa aprovação, originalmente fixado em 31 de dezembro de 2025, foi estendido na COP30 até 30 de junho de 2026 . Este será, segundo a LACLIMA, um momento decisivo para a consolidação da oferta do mecanismo, já que projetos sem aprovação até lá não poderão mais ser registrados.
O gargalo, segundo o relatório, não está apenas do lado dos governos anfitriões, mas também na própria estrutura central do Artigo 6.4 , que enfrenta restrição de recursos. Em 2025, o Órgão Supervisor do mecanismo executou apenas 72,8% do orçamento já aprovado e manteve 11 das 63 posições de pessoal aprovadas congeladas por restrição orçamentária. Foram pedidos, então, “esforços proativos” para garantir os recursos necessários à plena operacionalização do mecanismo.
“O Artigo 6.4 inaugura uma nova fase para os mercados internacionais de carbono. A discussão já não está centrada apenas na criação de regras, mas na capacidade de assegurar que essas regras produzam resultados climáticos reais, com integridade ambiental, transparência e alinhamento às metas nacionais de redução de emissões”, afirma Freire.
Na avaliação da LACLIMA, a nova arquitetura tende a alterar também a lógica econômica do mercado. Em vez de privilegiar o volume de créditos emitidos, o sistema passa a valorizar atributos como qualidade, rastreabilidade e credibilidade das reduções de emissões. Com isso, o mercado pode se tornar mais segmentado, com diferentes níveis de demanda e valorização conforme a metodologia empregada e o contexto regulatório de cada projeto.
“A credibilidade tende a se tornar um dos principais ativos dos mercados de carbono na próxima década. A forma como países, empresas e instituições implementarem o Artigo 6.4 será determinante para a confiança dos investidores e para a capacidade do mecanismo de mobilizar recursos para a ação climática”, diz Yago Freire.
Em vez de propor soluções definitivas, o policy brief apresenta os principais dilemas que devem orientar a implementação do novo mecanismo. Entre eles estão o equilíbrio entre manter projetos já existentes e adotar critérios metodológicos mais rigorosos, além da discussão sobre aplicar exigências uniformes a todos os países ou estabelecer requisitos proporcionais às diferentes capacidades institucionais.
Na síntese final do documento, esses dilemas são organizados em cinco tensões regulatórias que, segundo os autores, não podem ser resolvidas isoladamente porque se retroalimentam:
rigor metodológico versus continuidade econômica dos projetos herdados do MDL; 
soberania das Partes anfitriãs versus harmonização do mercado; 
uniformidade de requisitos versus inclusão de países com menor capacidade institucional; 
velocidade de aprovação versus qualidade do escrutínio, sob pressão do calendário; 
e volume de créditos emitidos versus valor unitário e credibilidade do sistema. 
Segundo o estudo, não é possível maximizar todos esses objetivos ao mesmo tempo, apenas escolher, de forma deliberada, o ponto de equilíbrio em que o mecanismo deve operar.
“Não existe uma resposta certa para esses dilemas; existem escolhas, com seus respectivos custos e benefícios. O papel deste estudo é tornar essas tensões visíveis”, conclui Freire.
Além do policy brief, a LACLIMA também disponibilizou a segunda edição do Guia para Entender os Mercados de Carbono e Instrumentos de Cooperação do Artigo 6 do Acordo de Paris, atualizado com as decisões mais recentes das negociações internacionais realizadas no âmbito da Convenção-Quadro das Nações Unidas sobre Mudança do Clima (UNFCCC) e das Conferências do Clima (COPs)..
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</title>  <atom:subtitle>Quando não há igualdade de gênero nos processos decisórios, todos perdem. Perde-se o conhecimento acumulado ao longo de gerações pelas Mulheres do Mar que convivem diariamente com os ecossistemas costeiros</atom:subtitle>  <link>https://umsoplaneta.globo.com/opiniao/colunas-e-blogs/marinez-scherer/post/2026/08/oceano-clima-e-mulheres.ghtml</link> <guid isPermaLink="true">https://umsoplaneta.globo.com/opiniao/colunas-e-blogs/marinez-scherer/post/2026/08/oceano-clima-e-mulheres.ghtml</guid> <description>  <![CDATA[ <img src="https://s2-umsoplaneta.glbimg.com/OpLD3a3fjMRwhn7kdulmw_jskjs=/i.s3.glbimg.com/v1/AUTH_7d5b9b5029304d27b7ef8a7f28b4d70f/internal_photos/bs/2026/L/o/9wAkCYSKinQd55LmSRZA/captura-de-tela-2026-08-05-192047.png" /><br /> ]]>    Ao mesmo tempo em que o mundo discute a transição energética, a descarbonização e a economia do futuro, debates que ainda acontecem, em grande parte, sob liderança masculina,  milhões de mulheres trabalham diariamente para proteger aquele que é um dos maiores aliados do planeta no enfrentamento da crise climática: o oceano. De pescadoras artesanais a cientistas, de marisqueiras a empreendedoras da economia azul, elas sustentam cadeias produtivas, garantem segurança alimentar, produzem conhecimento e lideram soluções para a conservação dos ecossistemas marinhos e costeiros.
Paradoxalmente, boa parte desse trabalho permanece invisível. Barreiras culturais, desigualdades históricas e relações de poder continuam limitando o reconhecimento de seus saberes, seu acesso a financiamento, capacitação e espaços de decisão. Tornar visível essa contribuição não é apenas uma questão de justiça social, mas uma condição para construirmos uma economia oceânica verdadeiramente sustentável, inclusiva e resiliente.
E os números mostram que essa contribuição está longe de ser marginal. A economia oceânica responde por mais de 130 milhões de empregos em todo o mundo e representa uma parcela significativa do Produto Interno Bruto (PIB) global. Segundo a Organização das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura (FAO, na sigla em inglês), as mulheres representam 24% da força de trabalho na produção pesqueira e aquícola, mas sua participação é ainda mais expressiva ao longo da cadeia produtiva. 
Elas correspondem a 40% da cadeia de valor da pesca artesanal, 62% da mão de obra no processamento do pescado e 45% das pessoas envolvidas na pesca de subsistência, atividade fundamental para a segurança alimentar de milhões de famílias.
Esse protagonismo também se reflete na ciência. Dados da UNESCO mostram que as mulheres já representam cerca de 40% da força de trabalho em ciência oceânica, contribuindo para ampliar o conhecimento sobre biodiversidade marinha, mudanças climáticas, pesca sustentável, conservação costeira e diversos outros temas fundamentais para a gestão dos oceanos.
Ainda assim, a participação feminina continua subestimada. Em um artigo científico publicado recentemente, mostramos que mulheres e homens utilizam e se relacionam com o oceano de formas distintas, desempenhando papéis complementares e frequentemente invisibilizados. Também discutimos a existência de uma lacuna de gênero nos dados oceânicos, resultado de vieses históricos na coleta de informações, que levaram à subvalorização das contribuições femininas para a economia do mar e à formulação de políticas públicas pouco sensíveis às questões de gênero. Quando os dados ignoram parte da realidade, as políticas públicas também deixam de atender quem mais precisa delas.
Mulheres no protagonismo da Agenda Oceano e Clima
Embora a presença de mulheres nos espaços de decisão sobre economia, política e governança do oceano e clima ainda esteja longe da equidade, alguns avanços recentes em movimentos internacionais mostram que essa realidade começa a mudar.
A COP30 do Clima, realizada no ano passado em Belém (PA), foi um exemplo importante dessa transformação. Pela primeira vez na história das Conferências das Partes da Convenção do Clima, a Presidência da COP nomeou Enviados Especiais para temas estratégicos. Quase metade deles (45%) eram mulheres, incluindo uma Enviada Especial para Mulheres e Clima e uma Enviada Especial para os Oceanos. A própria Diretora-Executiva da COP30 também é uma mulher, refletindo um protagonismo feminino inédito na condução da agenda climática internacional.
Outro exemplo veio do Mutirão Azul, plataforma lançada durante a COP30 para identificar soluções baseadas nos ecossistemas costeiros e marinhos, desenvolvidas em diferentes escalas e regiões do mundo. Das 67 iniciativas selecionadas, mais da metade é liderada por mulheres. São experiências locais, subnacionais e internacionais, propostas por organizações da sociedade civil, povos e comunidades tradicionais, escolas, empresas e governos, demonstrando que a inovação para um oceano mais sustentável frequentemente nasce de lideranças femininas.
Essa participação também foi marcante na construção do Blue Package, conjunto de 103 soluções baseadas no oceano que integra o Plano de Aceleração de Soluções da COP30. O documento contou com uma expressiva contribuição de mulheres de instituições governamentais e não governamentais. Tive, inclusive, a oportunidade de integrar esse grupo de trabalho, testemunhando de perto a competência, a capacidade de articulação e a liderança de tantas mulheres na construção de soluções concretas para o clima e para o oceano.
Também há o esforço vindo com o Plano de Ação da Década do Oceano, que tem como objetivo desenvolver e implementar medidas e ferramentas destinadas a enfrentar questões de diversidade de gênero. O movimento, que terá sua próxima edição no Rio de Janeiro em 2027, reconhece que “as barreiras estruturais, as normas sociais e culturais e as restrições econômicas continuam a limitar a plena participação e oportunidades (para mulheres e pessoas de gênero diverso).” 
Quando as mulheres ficam fora dos processos decisórios, todos perdem. Perde-se o conhecimento acumulado ao longo de gerações por pescadoras artesanais, marisqueiras e povos e comunidades tradicionais que convivem diariamente com os ecossistemas costeiros. Perdem-se diferentes formas de compreender o território, de identificar riscos, de propor soluções e de construir consensos. Em outras palavras, perde-se a diversidade de perspectivas, um dos ingredientes mais importantes para enfrentar desafios complexos como a crise climática.
Na COP30, o oceano deixou definitivamente de ocupar um papel periférico nas questões climáticas para assumir uma posição central nas discussões sobre adaptação, mitigação e desenvolvimento sustentável. A expectativa é que a COP31, que será realizada na Turquia, consolide esse avanço e transforme o reconhecimento político em ações concretas.
Mas isso só será possível se colocarmos as pessoas no centro das soluções baseadas no oceano. E colocar as pessoas no centro significa, necessariamente, reconhecer, valorizar e ampliar o protagonismo das mulheres: na ciência, na gestão pública, na economia oceânica, nas comunidades costeiras e nos espaços onde as decisões são tomadas.
Não se trata apenas de uma questão de igualdade de gênero, embora ela seja um valor inegociável. Trata-se de construir uma governança do oceano mais inteligente, mais representativa e mais eficaz. Afinal, quando metade da população é sub-representada, não é apenas a diversidade que fica comprometida: é a qualidade das decisões e a capacidade de encontrarmos as melhores soluções para o futuro do oceano e, consequentemente, para o futuro de todos nós.
Sobre a autora
Marinez Scherer é doutora em Ciências Marinhas e professora da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), Brasil. Em 2025, foi nomeada Enviada Especial para o Oceano pela Presidência Brasileira da COP30.
Mais Lidas  </description>  <media:content url="https://s2-umsoplaneta.glbimg.com/OpLD3a3fjMRwhn7kdulmw_jskjs=/i.s3.glbimg.com/v1/AUTH_7d5b9b5029304d27b7ef8a7f28b4d70f/internal_photos/bs/2026/L/o/9wAkCYSKinQd55LmSRZA/captura-de-tela-2026-08-05-192047.png" medium="image"/>   <media:description>mulheres trabalhando na preservação e conservação dos oceanos</media:description>   <media:credit>GettyImages</media:credit>  <category>umsoplaneta</category> <pubDate>Thu, 06 Aug 2026 10:00:19 -0000</pubDate>  </item>  <item> <title>BNDES busca novos modelos para destravar investimento privado em projetos de natureza
</title>  <atom:subtitle>Representantes de instituições financeiras afirmam que falta padronização de dados, modelos de garantia e projetos mais estruturados para acelerar a mobilização de capital privado para a transição climática</atom:subtitle>  <link>https://umsoplaneta.globo.com/financas/noticia/2026/08/05/bndes-busca-novos-modelos-para-destravar-investimento-privado-em-projetos-de-natureza.ghtml</link> <guid isPermaLink="true">https://umsoplaneta.globo.com/financas/noticia/2026/08/05/bndes-busca-novos-modelos-para-destravar-investimento-privado-em-projetos-de-natureza.ghtml</guid> <description>  <![CDATA[ <img src="https://s2-umsoplaneta.glbimg.com/Ta5Pa-7hwBuf-egbsRLdmbfeTFg=/i.s3.glbimg.com/v1/AUTH_7d5b9b5029304d27b7ef8a7f28b4d70f/internal_photos/bs/2026/I/n/w9H8HiRuOLG7tNFcw1UQ/whatsapp-image-2026-08-04-at-16.56.08.jpeg" /><br /> ]]>    Dois anos depois da criação da Plataforma Brasil de Investimentos Climáticos e para a Transformação Ecológica (BIP), iniciativa liderada pelo Ministério da Fazenda e secretariada pelo BNDES para mobilizar capital privado, o principal desafio deixou de ser encontrar projetos e passou a ser torná-los financiáveis. 
A avaliação é de Julia Fontes, economista especialista em finanças climáticas e responsável pelo secretariado da plataforma BIP, que afirma que projetos ligados à restauração florestal, agricultura regenerativa e bioeconomia ainda esbarram em dificuldades para oferecer garantias, estruturar operações financeiras e reduzir a percepção de risco dos investidores.
Segundo Fontes, a BIP atua em três frentes — energia, indústria e soluções baseadas na natureza — com o objetivo de atrair capital privado para a transição ecológica. Ao longo desse período, porém, a plataforma identificou que cada setor enfrenta obstáculos distintos.  "A gente atua nesses três setores e a ideia é atrair capital privado. A gente tem observado, ao longo desses dois anos de trabalho, os gargalos de cada um desses setores", afirmou.
No caso das soluções baseadas na natureza, o primeiro ajuste foi reduzir o porte mínimo dos projetos aceitos pela plataforma. Inicialmente, a BIP trabalhava apenas com iniciativas acima de US$ 20 milhões. Segundo Fontes, o valor excluía boa parte dos projetos de restauração, agroflorestas e agricultura regenerativa, que costumam ser menores e menos estruturados do que empreendimentos dos setores de energia e indústria. "A gente via bons projetos, boas ideias, mas a gente esbarrava sempre nessa questão do tamanho", disse. Após a mudança, o piso caiu para US$ 10 milhões.
Mesmo com essa adaptação, o principal entrave continua sendo o acesso às garantias exigidas para obtenção de financiamento. Fontes explica que muitos projetos já conseguem aprovação em programas como o Fundo Clima, mas enfrentam dificuldades para apresentar cartas de fiança compatíveis com operações de longo prazo.
"Imagina: seu projeto é, você quer plantar, e daqui a dez anos vai gerar crédito de carbono. Qual é a garantia antes de você gerar esses créditos? Uma terra que não está plantada não tem valor", exemplificou.
Para enfrentar esse problema, a BIP vem estudando alternativas que possam ser aceitas pelo mercado financeiro. Entre elas estão estruturas de blended finance, nas quais os próprios desenvolvedores assumem parte do risco inicial para atrair capital concessional, além de soluções envolvendo o mercado de seguros, como apólices para proteger contratos de venda futura de créditos de carbono (offtake) e seguros paramétricos voltados a eventos climáticos.
"A gente tem conversado bastante com todo o ecossistema — o mercado de capitais, fundos, seguradoras, outros bancos. É o que a gente tem observado aí de gargalo, na parte financeira", afirmou. 
Outro desafio identificado pela plataforma está na estruturação dos próprios empreendimentos. Segundo Fontes, muitos empreendedores dominam os aspectos técnicos das atividades no campo, mas não conseguem transformar essas iniciativas em projetos capazes de acessar financiamento.
Para reduzir essa lacuna, a BIP passou a trabalhar com parceiros nacionais e internacionais oferecendo assistência técnica por meio de estruturas conhecidas como Project Preparation Facilities. A rede reúne organizações como Nature Investment Lab (NIL), Climate Ventures, Green Finance Institute (GFI) e a aliança GFANZ, além de promover intercâmbio com plataformas semelhantes criadas em outros países.
Na avaliação da economista, atrair investidores internacionais também exige reduzir incertezas sobre o ambiente regulatório brasileiro. Ela cita como prioridades a consolidação de uma taxonomia sustentável e o amadurecimento do mercado regulado de carbono, medidas que, segundo ela, tendem a reduzir a assimetria de informações e o risco percebido pelos investidores.
"É um país muito grande, com regras muito específicas. Às vezes falta uma compreensão de como funciona o investimento público, como funciona o BNDES, como funciona a regulação", afirmou.
Embora considere que a regulamentação do mercado de carbono deve estimular novos investimentos, Fontes avalia que esse mercado ainda não oferece liquidez suficiente para que créditos de carbono sejam aceitos como garantia em operações financeiras.
"Quando a gente fala de mercado de carbono, isso ainda não é uma receita suficiente para destravar esses projetos. Acho que o mercado se desenvolvendo, no futuro, seja talvez suficiente", disse.
Ao longo desses dois anos, a própria atuação da BIP também mudou. Se inicialmente a plataforma funcionava principalmente como uma vitrine para aproximar projetos e investidores, hoje passou a incorporar fundos de participação (equity) e a desenvolver soluções financeiras que possam ser adotadas de forma permanente pelo mercado.
"O mais sofisticado disso é a gente ter pensado em produtos que se sustentem para além da plataforma, que possam ser usados internamente, de forma perene, para destravar projetos e atrair capital privado", afirmou.
Segundo Fontes, a plataforma não pretende atender pequenos empreendimentos, papel que considera já desempenhado por instrumentos como o Fundo Amazônia e o Fundo Clima. O foco permanece em projetos capazes de ganhar escala e mobilizar investimentos privados. "Não é o papel da BIP. A ideia da BIP é que a gente consiga atrair capital para esses setores e dar escala — não é solucionar pequenos projetos", disse.
Para a economista, o principal resultado da iniciativa até agora foi construir conhecimento sobre os obstáculos que ainda impedem o crescimento do mercado.
Mais Lidas  </description>  <media:content url="https://s2-umsoplaneta.glbimg.com/Ta5Pa-7hwBuf-egbsRLdmbfeTFg=/i.s3.glbimg.com/v1/AUTH_7d5b9b5029304d27b7ef8a7f28b4d70f/internal_photos/bs/2026/I/n/w9H8HiRuOLG7tNFcw1UQ/whatsapp-image-2026-08-04-at-16.56.08.jpeg" medium="image"/>   <media:description>Julia Fontes, economista especialista em finanças climáticas e responsável pelo secretariado da BIP no BNDES</media:description>   <media:credit>Naiara Bertão / Um Só Planeta</media:credit>  <category>umsoplaneta</category> <pubDate>Wed, 05 Aug 2026 10:30:10 -0000</pubDate>  </item>  <item> <title>Financiamento climático avança, mas bancos apontam entraves para ampliar investimentos no Brasil 
</title>  <atom:subtitle>Representantes de instituições financeiras afirmam que falta padronização de dados, modelos de garantia e projetos mais estruturados para acelerar a mobilização de capital privado para a transição climática</atom:subtitle>  <link>https://umsoplaneta.globo.com/financas/noticia/2026/08/05/financiamento-climatico-avanca-mas-bancos-apontam-entraves-para-ampliar-investimentos-no-brasil.ghtml</link> <guid isPermaLink="true">https://umsoplaneta.globo.com/financas/noticia/2026/08/05/financiamento-climatico-avanca-mas-bancos-apontam-entraves-para-ampliar-investimentos-no-brasil.ghtml</guid> <description>  <![CDATA[ <img src="https://s2-umsoplaneta.glbimg.com/smdt1_EByAyT0Odw9jo5jrBYHwU=/i.s3.glbimg.com/v1/AUTH_7d5b9b5029304d27b7ef8a7f28b4d70f/internal_photos/bs/2026/k/d/FuL6USSuudL8DgPPBVSg/whatsapp-image-2026-08-03-at-17.13.11.jpeg" /><br /> ]]>    O mercado brasileiro de finanças sustentáveis amadureceu nos últimos anos, mas ainda enfrenta obstáculos para transformar o interesse de investidores em operações em larga escala. A avaliação é de representantes de instituições financeiras que participaram nesta segunda-feira (03) de um painel promovido pela AYA Earth Partners durante a Semana do Clima em São Paulo. Na discussão, executivos destacaram que os principais desafios passam pela estruturação de projetos, pela criação de mecanismos de garantia e pela padronização de dados e metodologias para dar mais segurança aos financiadores.
A mediação foi de Luiz Pires, gerente de Sustentabilidade e Inovação da Anbima, associação do mercado de capitais. Participaram Fabiana Costa, superintendente de sustentabilidade do Bradesco; Rafaella Dortas, sócia responsável pela área de ESG do BTG Pactual; e Julia Fontes, economista especialista em finanças climáticas do Departamento de Transição Climática do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) e responsável pelo secretariado da Plataforma Brasil de Investimento (BIP).
Julia Fontes apresentou a BIP, iniciativa vinculada ao Plano de Transformação Ecológica do Ministério da Fazenda que busca aproximar desenvolvedores de projetos e investidores privados. Segundo ela, a plataforma concentra esforços em três frentes consideradas estratégicas: energia, descarbonização da indústria e soluções baseadas na natureza.
"A ideia da BIP é destravar investimento nesses setores estratégicos, atraindo capital privado — esse é o diferencial quando a gente faz uma comparação com o Fundo Clima", disse Julia Fontes.
A economista explicou que a plataforma atua conectando projetos e instituições financeiras — "matchmaking" —, além de identificar gargalos regulatórios e estimular a participação de fundos de investimento. Segundo ela, os desafios variam conforme o setor. Enquanto a indústria demanda projetos mais bem estruturados, as soluções baseadas na natureza (SbN ou NbS, na sigla em inglês) ainda enfrentam dificuldades para ganhar escala e acessar instrumentos financeiros adequados.
"Quando a gente olha para a SbN, a gente tem uma dificuldade enorme de dar escala para esse setor", afirmou. Entre os principais obstáculos, Fontes citou o modelo tradicional de garantias exigido pelas instituições financeiras, como cartas de fiança lastreadas em caixa, além da dificuldade de mensurar riscos ambientais e climáticos em projetos que ainda não possuem fluxo de receitas consolidado.
Pela perspectiva do setor privado, Rafaella Dortas afirmou que o foco dos bancos deixou de ser apenas a criação de produtos financeiros sustentáveis para avançar em operações concretas. Ela lembrou que o BTG Pactual foi o maior vencedor privado do segundo leilão do Ecoinvest, comprometendo-se a financiar R$ 5 bilhões para recuperação de áreas degradadas, além de ter sido escolhido para gerir o fundo de descarbonização do Espírito Santo.
Segundo a executiva, também mudou o perfil da demanda dos investidores. Se antes havia interesse em produtos sustentáveis de forma ampla, hoje cresce a busca por investimentos voltados a temas específicos, como Amazônia, adaptação climática, mitigação e gênero.
"Eu até escutei de um investidor canadense, semana passada, que olhando para a América Latina, o Brasil é muito avançado no tema da agenda climática, no tema de financiamento climático", relatou.
Dortas afirmou ainda que os próximos anos devem trazer mais operações capazes de atrair capital internacional por meio de estruturas de blended finance, combinando recursos públicos e privados. Na avaliação dela, além de educar investidores estrangeiros sobre o mercado brasileiro, será necessário capacitar as próprias equipes dos bancos para lidar com novos ativos e instrumentos financeiros.
"Não adianta nada o BNDES ter uma mega linha, ter um fundo clima que é maravilhoso, se os bancos não conseguirem internamente entender plenamente sobre esse tipo de produto para conceder as fianças com todas as garantias", afirmou.
Representando o Bradesco, Fabiana Costa afirmou que o principal aprendizado dos últimos dez anos à frente da área de sustentabilidade foi entender que as finanças sustentáveis não podem ser tratadas como um produto isolado, mas como uma jornada que precisa considerar as necessidades de cada cliente.
"Eu só vou fazer negócios sustentáveis se eu conhecer a ponta. Se eu conseguir realmente trabalhar a necessidade do meu cliente", disse.
A executiva lembrou que o banco começou a medir emissões financiadas em 2019 e lançou, em 2021, a meta de mobilizar R$ 450 bilhões em negócios sustentáveis até o fim deste ano, objetivo que já atingiu cerca de 90%. Ela também destacou a participação do Bradesco nos quatro leilões do Ecoinvest e citou uma operação estruturada com o BNDES para financiar uma garantia bancária destinada a um projeto de restauração e geração de créditos de carbono.
Para Costa, o maior gargalo hoje está na falta de padronização de metodologias, indicadores e bases de dados, o que dificulta a expansão do mercado. "Eu não quero que tenha um framework Bradesco-Tesouro. Eu quero que tenha um framework Sistema Financeiro e Tesouro, e qualquer outro, para o cliente consumir", afirmou.
Durante o debate, Luiz Pires apresentou dados da Anbima mostrando que os recursos alocados em fundos classificados como investimento sustentável cresceram de pouco mais de R$ 5 bilhões, há cerca de cinco anos, para mais de R$ 46 bilhões atualmente. Segundo ele, embora esse volume não corresponda integralmente a financiamento climático, o avanço indica maior interesse dos investidores por esse tipo de estratégia.
As participantes defenderam ainda que o Brasil precisa aproveitar sua experiência para desenvolver modelos próprios de financiamento climático, sem simplesmente reproduzir estruturas adotadas em outros países. Também reforçaram a necessidade de ampliar a produção de dados, aperfeiçoar a padronização do mercado e disseminar conhecimento sobre os novos instrumentos financeiros.
"A gente precisa de dados, precisa falar mesmo a língua da taxonomia”, comenta Julia Fontes, do BNDES. “Quando a gente conseguir se apossar dessa vantagem que a gente tem de país para destravar esses investimentos, talvez a gente esteja em outro lugar daqui a três anos.
"Somos multiplicadores da sustentabilidade. Então, a gente precisa sair daqui ciente do nosso papel, de acreditar nessa agenda", afirmou Fabiana Costa.
Rafaella Dortas encerrou defendendo maior convergência entre as instituições financeiras para ampliar casos de sucesso e fortalecer o financiamento sustentável no país. "Continuem contando comigo e com o BTG Pactual, para que a gente consiga mostrar esses bons casos de sucesso, e consiga cada vez mais homogeneizar essa agenda de sustentabilidade, que é tão relevante para o desenvolvimento do país", disse.
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</title>  <atom:subtitle>Projeto-piloto apresentado durante a São Paulo Climate Week busca ampliar a rastreabilidade e a transparência da cadeia têxtil e preparar empresas para regras que entram em vigor em 2027</atom:subtitle>  <link>https://umsoplaneta.globo.com/financas/negocios/noticia/2026/08/04/moda-brasileira-testa-passaporte-digital-para-se-adaptar-as-novas-exigencias-da-uniao-europeia.ghtml</link> <guid isPermaLink="true">https://umsoplaneta.globo.com/financas/negocios/noticia/2026/08/04/moda-brasileira-testa-passaporte-digital-para-se-adaptar-as-novas-exigencias-da-uniao-europeia.ghtml</guid> <description>  <![CDATA[ <img src="https://s2-umsoplaneta.glbimg.com/9r1RqZbDdd9EQjUQxk5a4MCE5QI=/i.s3.glbimg.com/v1/AUTH_7d5b9b5029304d27b7ef8a7f28b4d70f/internal_photos/bs/2023/p/E/Jj1ywoSzSSoYmk4nQ3gg/foto-3.jpg" /><br /> ]]>    Um projeto desenvolvido em São Paulo pretende ajudar empresas brasileiras do setor da moda a se preparar para uma nova exigência do mercado internacional. Chamado "Segue o Fio: da origem ao impacto", o projeto testa a aplicação do Passaporte Digital de Produto (Digital Product Passport – DPP) na cadeia da moda. A iniciativa busca ampliar a transparência, a rastreabilidade e a circularidade do setor por meio da organização de informações sobre a origem, a produção e o ciclo de vida das peças.O pré-lançamento será na próxima sexta-feira (6), durante a São Paulo Climate Week.
O projeto foi desenvolvido no âmbito do Grupo de Trabalho de Economia Circular do SP+B e responde a uma mudança regulatória prevista para entrar em vigor na União Europeia em 2027. A partir desse ano, produtos têxteis comercializados no bloco deverão disponibilizar informações digitais sobre a origem dos materiais, a composição, os processos produtivos e o ciclo de vida dos itens. Para empresas brasileiras que exportam ou pretendem acessar esse mercado, a adaptação passa a ser necessária.

Segundo os organizadores, o objetivo do piloto é avaliar como empresas brasileiras podem estruturar informações confiáveis sobre seus produtos e utilizar esses dados como ferramenta de gestão, transparência e promoção da economia circular. A proposta parte do princípio de que cadeias produtivas mais circulares dependem da disponibilidade de informações sobre materiais, processos produtivos e possibilidades de reutilização, reparo e descarte.
"O Segue o Fio parte da premissa de que a transição para cadeias produtivas mais transparentes e circulares depende da qualidade das informações que somos capazes de produzir e compartilhar. , afirma Eloisa Artuso, coordenadora do projeto. "Nosso objetivo não é apenas implementar uma ferramenta, mas gerar conhecimento aplicado que possa apoiar empresas na adoção dessas soluções, além de fomentar o debate sobre políticas regulatórias no Brasil".
Como parte da iniciativa, foi desenvolvido um projeto-piloto com a marca paulistana AR SOMETHING, utilizando a plataforma TraceSurfer para reunir informações sobre a cadeia produtiva das peças. A ferramenta organiza dados sobre a origem das matérias-primas, os processos de fabricação, a composição dos produtos e orientações para reutilização, reparo e descarte, permitindo acompanhar a trajetória de cada item ao longo de seu ciclo de vida.
Para Antônio Gomes, fundador da AR SOMETHING, a iniciativa contribui para transformar informações que já fazem parte da rotina das empresas em dados estruturados e verificáveis. Ele comenta que para pequenas marcas, iniciativas como essa ajudam a transformar práticas que muitas vezes já fazem parte da rotina em informações organizadas e verificáveis. "Isso fortalece a gestão, amplia a transparência e aproxima consumidores da história por trás de cada peça", diz.
Na avaliação de Rennê Nunes, coordenador do Grupo de Trabalho de Economia Circular do SP+B, a experiência pode servir de referência para outras empresas brasileiras. "O Segue o Fio nasce da articulação entre diferentes organizações do ecossistema paulista de inovação e circularidade, mas foi concebido para gerar aprendizados que possam apoiar empresas em todo o Brasil. Ao testar soluções de rastreabilidade em ambiente real, criamos referências práticas para que a indústria brasileira avance nessa agenda e acompanhe as transformações do mercado internacional", afirma.
O pré-lançamento do projeto integra a programação oficial da São Paulo Climate Week, evento que reúne empresas, organizações da sociedade civil, pesquisadores, investidores e gestores públicos para discutir soluções relacionadas à emergência climática e à transição para uma economia de baixo carbono. Durante o encontro serão apresentados os primeiros resultados do projeto-piloto e debatidos os desafios da implementação da rastreabilidade na cadeia da moda, além das oportunidades para ampliar a transparência, a circularidade e a competitividade do setor.
A iniciativa pretende transformar os aprendizados obtidos nesta fase de testes em um programa de referência para empresas brasileiras interessadas em se adaptar a um cenário em que informações sobre produtos e cadeias produtivas tendem a ganhar peso crescente no comércio internacional.
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Segundo o ministro, o Brasil chega ao novo episódio do fenômeno mais preparado do que em 2024, quando, em suas palavras, o país foi "pego de surpresa". A resposta do governo está organizada em quatro frentes de atuação, coordenadas por uma sala de situação que reúne cerca de 20 ministérios e órgãos federais, e envolve investimentos superiores a R$ 30 bilhões em obras de infraestrutura, combate a incêndios, abastecimento de água e ações de resposta a desastres.
"A adaptação não pode ser vista como gasto público. A adaptação é investimento, investimento em vidas, patrimônio, atividade econômica e capacidade produtiva", afirmou.
Como principal instrumento dessa estratégia, Capobianco destacou o programa Adapta Cidades, desenvolvido no âmbito do Plano Clima para apoiar estados e municípios na identificação de riscos e na elaboração de projetos de adaptação. Segundo o ministro, o programa já reúne os 26 estados, o Distrito Federal e mais de 500 municípios, com expectativa de beneficiar cerca de 53 milhões de brasileiros até 2027. Atualmente, cerca de 600 municípios, que concentram aproximadamente 57 milhões de habitantes, já elaboram planos de adaptação com apoio da iniciativa.
Para o ministro, fortalecer a capacidade técnica dos municípios é um dos maiores desafios da agenda, já que muitas obras de prevenção dependem da elaboração de projetos e da capacidade das administrações locais de acessar recursos federais.
Quatro frentes para enfrentar o El Niño
Na coletiva, Capobianco detalhou as quatro frentes da estratégia do governo para reduzir os impactos do El Niño. A primeira é o combate aos incêndios florestais. Segundo ele, a previsão indica aumento do risco principalmente nas regiões Norte, Nordeste e em parte do Centro-Oeste, incluindo o Pantanal. Para este ano, o governo prevê o maior contingente de brigadistas da história, além da ampliação da frota de aeronaves e helicópteros destinada ao combate ao fogo.
O ministro também destacou a nova Lei do Manejo Integrado do Fogo, que amplia a responsabilidade compartilhada entre União, estados, municípios e proprietários rurais na prevenção e no combate aos incêndios.
Outra frente reúne obras de infraestrutura voltadas à redução da vulnerabilidade das cidades, como os programas PAC Drenagem e PAC Encostas, destinados à prevenção de enchentes e deslizamentos. Segundo Capobianco, porém, essa etapa ainda depende da capacidade dos municípios de estruturar projetos e captar recursos.
O governo também prepara uma força-tarefa para garantir o abastecimento de alimentos, água e itens essenciais às populações que eventualmente fiquem isoladas por secas ou enchentes. A quarta frente envolve o monitoramento em tempo real dos eventos climáticos para orientar a população e permitir respostas mais rápidas das autoridades.
Questionado sobre os recursos previstos para este ano, o ministro afirmou que os investimentos federais destinados à adaptação e resposta aos eventos extremos superam R$ 30 bilhões. O montante inclui obras de abastecimento de água no semiárido, canais e adutoras, programas de drenagem urbana, contenção de encostas e ações de prevenção e combate aos incêndios florestais.
Setor privado ainda está fora da agenda
Capobianco afirmou que um dos próximos desafios é ampliar a participação da iniciativa privada no financiamento da adaptação climática. Segundo ele, enquanto temas como transição energética e descarbonização já mobilizam empresas e investidores, a adaptação ainda é vista predominantemente como responsabilidade do setor público. "Isso ainda não entrou no radar do setor econômico", afirmou.
Na avaliação do ministro, ampliar os investimentos privados em adaptação será fundamental para reduzir os prejuízos econômicos provocados por secas, enchentes e outros eventos extremos, além de aumentar a resiliência da infraestrutura e das atividades produtivas brasileiras.
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Em discurso, ele apresentou um balanço dos principais instrumentos de financiamento da transição ecológica no país, do Ecoinvest Brasil ao Fundo Clima, passando pelo BNDES Florestas e pela nova taxonomia sustentável. Ele defendeu que financiamento, regulação, inovação e planejamento territorial precisam avançar juntos. 
Capobianco citou o Ecoinvest Brasil como uma das demonstrações mais claras da estratégia do governo de combinar financiamento público, capital privado e regras regulatórias. Segundo ele, os quatro leilões já realizados pelo programa mobilizaram cerca de R$ 41 bilhões de capital catalítico público, com previsão de atrair aproximadamente R$ 100 bilhões em capital privado, o que resultaria em R$ 141 bilhões em investimentos, direcionados a energia limpa, recuperação de terras degradadas, agricultura de baixo carbono, bioeconomia, indústria verde, infraestrutura sustentável e inovação tecnológica.
“O setor privado não está apenas demonstrando interesse pela transição ecológica no Brasil, ele está colocando capital”, disse o ministro, acrescentando que o papel do Estado não é substituir o investimento privado, mas criar condições para que ele aconteça na escala necessária.
Na avaliação de Capobianco, o financiamento precisa caminhar ao lado da regulação. Ele citou a taxonomia sustentável brasileira, que define critérios para o que pode ser considerado sustentável na economia do país e busca reduzir assimetrias de informação e combater o greenwashing, além do Sistema Brasileiro de Comércio de Emissões (SBCE), que cria um mercado regulado de carbono. 
O ministro mencionou ainda o marco regulatório dos Combustíveis do Futuro, que segundo ele, tem potencial de induzir até R$ 260 bilhões em investimentos e evitar cerca de 706 milhões de toneladas de dióxido de carbono (CO2e) até 2037, impulsionando setores como de biocombustíveis, combustíveis sustentáveis de aviação (SAF) e biometano.
Outra frente importante de evolução vem do Fundo Clima, vinculado ao Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima e gerido na sua parcela reembolsável pelo Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES). Em 2020, o fundo contava com apenas R$ 90 milhões e, este ano, deve alcançar R$ 27,5 bilhões. Segundo ele, a carteira ativa do fundo chegou a R$ 8,85 bilhões em 2025, crescimento de 216% em um ano, com R$ 6,7 bilhões já desembolsados, R$ 13,3 bilhões em operações contratadas e um pipeline de R$ 37,7 bilhões a serem financiados. 
“O que nós estamos vendo é que falta recurso diante do apetite crescente do setor privado para avançar na transformação ecológica no Brasil”, afirmou.
O tema de florestas também foi abordado pelo ministro. Ele afirmou que o BNDES Florestas consolidou uma carteira de R$ 14,1 bilhões voltada a florestas nativas, sendo R$ 8,2 bilhões em financiamento e R$ 5,9 bilhões em investimentos em participações. Segundo ele, para cada R$ 1 de crédito do banco são mobilizados R$ 1,52 do setor privado. Capobianco citou ainda o programa ProFloresta Mais, que pretende conectar compradores de crédito de carbono a desenvolvedores de projetos de restauração florestal, combinando contratos públicos, salvaguardas socioambientais e financiamento via Fundo Clima.
Capobianco lembrou também o compromisso brasileiro de reduzir emissões entre 59% e 67% até 2035 em relação a 2005, previsto na NDC do país, e disse esperar que os próximos dados de desmatamento no Brasil abram “novas perspectivas no plano internacional” para o país.
Depois da fala, o ministro respondeu a perguntas de jornalistas sobre a preparação do país para eventos climáticos extremos (LEIA AQUI), a exploração de petróleo na Foz do Amazonas e as obras de asfaltamento da BR-319. 
Perguntado se a possível abertura de uma nova fronteira de exploração de petróleo na Foz do Amazonas contradiz o discurso do Brasil sobre redução do desmatamento e atração de investimentos sustentáveis, Capobianco respondeu que não vê risco à imagem do país, desde que a atividade siga licenciamento e cuidados ambientais. 
“A política ambiental brasileira está demonstrando capacidade tanto de reduzir o desmatamento e fazer o controle ambiental quanto de licenciar obras com segurança”, disse. E acrescenta que a discussão sobre se o país deve avançar na produção de petróleo é um debate separado da questão da gestão ambiental.
Questionado ainda sobre críticas de que o governo estaria priorizando obras de infraestrutura antes de garantir salvaguardas ambientais — caso da BR-319, cujo Plano de Proteção Ambiental (PPA) só seria implementado depois do início das obras —, Capobianco rebateu a premissa. Segundo ele, não existe nenhuma obra de asfaltamento autorizada na rodovia atualmente, apenas atividades de manutenção, conduzidas pelo Dnit “há décadas”. O ministro afirmou que o eventual asfaltamento da estrada exigirá licenciamento “altamente detalhado”, com medidas de mitigação e compensação de impactos ainda em discussão, incluindo elevação do leito da rodovia, sistemas de drenagem, passagens de fauna e correção de taludes.
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O monitoramento foi realizado com Nancy, como foi apelidada a fêmea de tamanduá-bandeira resgatada pelo Projeto TamanduASAS, iniciativa coordenada pelo Instituto Estadual de Florestas (IEF), em Minas Gerais. Após ser reabilitada, ela voltou à natureza monitorada por colar GPS e um monitor cardíaco implantável, que permitiam acompanhar seus deslocamentos e parâmetros fisiológicos remotamente. 
Em setembro de 2025, alterações nesses indicadores sinalizaram problemas de saúde, levando à recaptura do animal e ao encaminhamento ao Criadouro Conservacionista da  Companhia Brasileira de Metalurgia e Mineração (CBMM), em Araxá (MG), para atendimento veterinário especializado. A CBMM é uma empresa brasileira produtora de nióbio que mantém o centro de pesquisa e conservação da fauna do Cerrado na cidade.  

 Como Nancy não pôde retornar à vida livre, passou a integrar o programa de conservação da instituição. No criadouro, ela foi pareada com um macho chamado Domingos e, em março deste ano, exames confirmaram a gestação. A partir desse momento, os pesquisadores iniciaram o acompanhamento da fêmea por meio de um colete equipado com sensores desenvolvido especialmente para o corpo do tamanduá-bandeira. O filhote nasceu em junho.
"O sistema permite o monitoramento contínuo e em tempo real de parâmetros fisiológicos e comportamentais, sem interferências no comportamento natural do animal", disse Rafael Ferraz, médico-veterinário da CBMM responsável pelo acompanhamento do animal. Para ele, o principal avanço foi a possibilidade de registrar todas as etapas da gravidez. O acompanhamento da gestação gerou uma base inédita de informações sobre as alterações fisiológicas da espécie durante o período reprodutivo, além de permitir observar sua adaptação ao ambiente e ao processo de reabilitação, e a partir do nascimento do filhote. 
Classificado como vulnerável na Lista Nacional de Espécies Ameaçadas de Extinção, o tamanduá-bandeira enfrenta desafios como a perda de habitat e apresenta baixa taxa reprodutiva, fatores que tornam mais lenta a recuperação de suas populações. Nesse cenário, ferramentas capazes de produzir informações sobre a biologia da espécie são consideradas importantes aliadas das estratégias de conservação.
"O nascimento representa um importante indicador da efetividade das ações de conservação desenvolvidas ao longo de décadas. Mais do que acompanhar um animal, buscamos produzir conhecimento científico que contribua para o aperfeiçoamento das estratégias de conservação e para a preservação de espécies ameaçadas do Cerrado", afirma Ferraz, médico-veterinário da CBMM.
Tecnologia voltada à conservação
Além de reduzir a necessidade de intervenções diretas nos animais, o diferencial da tecnologia está em permitir acompanhar de forma remota e continuamente como os indivíduos reabilitados respondem ao tratamento e à adaptação ao ambiente. As informações também ajudam a identificar alterações fisiológicas e comportamentais que podem indicar problemas de saúde ou mudanças importantes no ciclo de vida.
Segundo Ferraz, "o monitoramento contínuo amplia a capacidade de compreender como os tamanduás-bandeira respondem ao processo de reabilitação e à adaptação ao ambiente natural". Ele acrescenta que "além de apoiar o cuidado individual dos animais, os dados gerados ampliam o conhecimento sobre aspectos ainda pouco estudados da biologia do tamanduá-bandeira, como comportamento, reprodução, gestação e adaptação após a soltura", fortalecendo pesquisas e programas de conservação da fauna silvestre brasileira.
Embora o foco atual seja ampliar o conhecimento científico sobre o tamanduá-bandeira, o criadouro também desenvolve pesquisas com outras espécies do Cerrado, como lobo-guará e bugios. Segundo a instituição, a metodologia poderá contribuir para o desenvolvimento de novos estudos e tecnologias voltados ao monitoramento de outros animais silvestres.
Quatro décadas de conservação
O monitoramento faz parte das atividades do Criadouro Conservacionista da CBMM, que completa 40 anos em 2026. Instalado no Centro de Desenvolvimento Ambiental (CDA), em Araxá, o espaço reúne ações de pesquisa científica, manejo da fauna e educação ambiental.
Ao longo de quatro décadas, mais de 2.400 animais de 102 espécies passaram pelo criadouro para tratamento e reabilitação. Desde sua criação, foram registrados mais de 1.400 nascimentos, incluindo um marco para a conservação da fauna brasileira: a primeira reprodução de lobo-guará em cativeiro realizada pela instituição. Atualmente, o centro abriga 94 animais de 13 espécies encaminhados por órgãos ambientais e instituições parceiras em Minas Gerais.
Para Ferraz, o nascimento do filhote representa mais do que um sucesso reprodutivo. "O nascimento representa um importante indicador da efetividade das ações de conservação desenvolvidas ao longo de décadas. Mais do que acompanhar um animal, buscamos produzir conhecimento científico que contribua para o aperfeiçoamento das estratégias de conservação e para a preservação de espécies ameaçadas do Cerrado."
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O levantamento, batizado de “Competências para um Futuro Verde: Ligando Procura e Oferta para construir Economias Mais Verdes”, será apresentado pela CNI nesta segunda-feira (3), durante a São Paulo Climate Week, no High-Level Roundtable on Green Skills and Jobs, evento que reúne especialistas para discutir transição justa e qualificação profissional para a economia de baixo carbono.
Segundo o estudo, a transformação da indústria vai além da adoção de novas tecnologias: o cenário exige profissionais com conhecimentos técnicos atualizados, competências voltadas à inovação, gestão da sustentabilidade e capacidade de desenvolver soluções ligadas à descarbonização, à economia circular, à digitalização e à adaptação às mudanças climáticas.

“Embora a oferta de cursos no país tenha avançado em áreas como energias renováveis e gestão ESG, identificamos lacunas em áreas emergentes, mas fundamentais para a economia verde. Entre elas estão inteligência artificial aplicada à sustentabilidade, rastreabilidade ambiental, gestão de riscos climáticos, armazenamento de energia, hidrogênio de baixo carbono, mercados de carbono e economia circular”, diz Marcello Pio, especialista em Política e Indústria da CNI.
Os 16 novos perfis profissionais
A partir do mapeamento, o ONI identificou 16 perfis profissionais alinhados às demandas da transição para uma economia de baixo carbono. O resultado vai permitir ao Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial (SENAI) atualizar seu portfólio de cursos para atender às necessidades do setor. O levantamento reúne tanto novas ocupações quanto competências que passam a integrar funções já existentes, acompanhando a evolução tecnológica da indústria. São eles:
Gestor de descarbonização corporativa: responsável por inventários de emissões e estratégias de neutralidade de carbono (Net Zero).
Especialista em economia circular e valorização de recursos: atua em logística reversa e otimização dos fluxos de materiais.
Analista de dados para sustentabilidade: desenvolve painéis de indicadores ESG e sistemas de monitoramento ambiental.
Especialista em cadeias de suprimentos sustentáveis: avalia fornecedores e implementa sistemas de rastreabilidade digital.
Gestor de riscos climáticos e resiliência: coordena análises de cenários climáticos e planos de adaptação.
Especialista em tecnologias para transição energética: atua em projetos de eletrificação e integração de fontes renováveis.
Gestor de hidrogênio verde e combustíveis de baixo carbono: trabalha na viabilidade econômica e no planejamento de plantas industriais.
Especialista em IA para sustentabilidade: desenvolve sistemas preditivos e automatiza o monitoramento ambiental.
Arquiteto de sistemas de rastreabilidade ambiental: integra dados ambientais e gerencia certificações digitais com uso de blockchain.
Especialista em finanças verdes e investimentos sustentáveis: estrutura green bonds e avalia riscos climáticos financeiros.
Gestor de transformação verde organizacional: lidera mudanças organizacionais e incorpora a sustentabilidade aos processos empresariais.
Especialista em materiais sustentáveis e química verde: pesquisa novos materiais de baixo carbono e avalia seus impactos ambientais.
Especialista em eficiência energética industrial: identifica oportunidades para reduzir consumo de energia, custos e emissões.
Engenheiro de soluções de armazenamento de energia: desenvolve sistemas de baterias e tecnologias baseadas em hidrogênio.
Consultor ESG e sustentabilidade: apoia a definição de metas, estratégias de compliance e relacionamento com públicos de interesse.
Educador e facilitador para cultura da sustentabilidade: desenvolve ações de educação ambiental e engajamento de equipes.
O documento mostra ainda que a cobertura atual da oferta de formação para essas 16 ocupações é, na maioria dos casos, baixa ou muito baixa. Apenas o perfil de especialista em energias renováveis aparece classificado com alta cobertura na oferta de cursos hoje disponível. Perfis como gestor de riscos climáticos e resiliência, analista de dados para sustentabilidade, arquiteto de sistemas de rastreabilidade ambiental e especialista em IA para sustentabilidade estão entre os que têm oferta de formação muito baixa ou praticamente inexistente, segundo o levantamento.
Conhecimentos, skills e abilities
Além dos 16 perfis, o estudo do ONI detalha uma base de competências para a transição verde organizada em três blocos: 10 conhecimentos considerados mais transversais e estratégicos (entre eles ESG, economia circular, cadeias de suprimentos sustentáveis e rastreabilidade, avaliação de ciclo de vida e gestão de riscos climáticos e resiliência); 20 skills transversais essenciais (como pensamento crítico, fluência digital, análise e avaliação de dados e resolução de problemas complexos); e 20 "abilities", ou características comportamentais, essenciais (como adaptabilidade, pensamento analítico, criatividade e liderança). 
A combinação desses três elementos dá origem a dez competências estratégicas apontadas pelo estudo como necessárias para transformar conhecimento em impacto na transição verde, da gestão da descarbonização à comunicação e ao engajamento para a sustentabilidade.
Para acompanhar a velocidade das transformações tecnológicas, o SENAI tem atualizado seus perfis profissionais com competências associadas à transição verde e ampliado a oferta de formações e programas de capacitação em áreas como energia solar, eficiência energética, gestão ambiental, economia circular, hidrogênio de baixo carbono, ESG e manufatura sustentável. A instituição combina cursos modulares, microcredenciais e atualização permanente dos currículos para acelerar o desenvolvimento de competências específicas e ampliar a capacidade das empresas de qualificar profissionais conforme as necessidades do setor.
Lacunas estruturais na formação
O estudo descreve a oferta atual de cursos e programas de formação para a transição verde no Brasil como “em expansão, porém ainda fragmentada”, com avanços impulsionados por universidades, instituições do Sistema S, escolas técnicas, plataformas digitais e iniciativas corporativas. Como próximos passos, o levantamento defende a ampliação de uma oferta qualificada e acessível, o alinhamento da formação às demandas do mercado, o estímulo a microcredenciais e à requalificação contínua e o fortalecimento de parcerias e ecossistemas de inovação.
O documento identifica oito lacunas estruturais na formação oferecida atualmente no país. Entre elas estão a escassez de formação em dados, inteligência artificial e digitalização aplicada à sustentabilidade; a ausência de formação estruturada em gestão de riscos climáticos; a deficiência na formação de técnicos e tecnólogos para cadeias produtivas sustentáveis; a formação ainda insuficiente para os novos perfis profissionais emergentes; e o predomínio de cursos rápidos, MBAs e pós-graduações com pouco aprofundamento conceitual e estratégico. “Existem lacunas significativas entre a oferta atual e as competências necessárias para uma economia de baixo carbono, resiliente e competitiva”, conclui o estudo.
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A conferência chega um ano depois da COP30, sob a liderança do Brasil, realizada em novembro passado em Belém, no Pará. Além de ter sido a primeira sediada na Amazônia, foi uma conferência do clima importante na forma de organizar as negociações climáticas. 
Foi em Belém que a presidência brasileira reestruturou a Agenda de Ação Climática Global em seis eixos permanentes, válidos até 2030: transição de energia, indústria e transportes; florestas, oceanos e biodiversidade; agricultura e sistemas alimentares; resiliência de cidades, infraestrutura e água; desenvolvimento humano e social; e habilitadores transversais, como financiamento e tecnologia. 
A COP30 também foi onde os chamados "Mapas do Caminho", roteiros informais, fora da mesa oficial de negociação, para a transição para longe dos combustíveis fósseis e para o fim do desmatamento, ganharam corpo e relevância. Foi ainda palco do primeiro Pavilhão de Ciências Planetárias, espaço dedicado inteiramente à ciência. Entre os entrevistados ouvidos por esta reportagem, a COP30 marcou a passagem de uma "era de compromissos" para uma "era de implementação" do Acordo de Paris. As expectativas para a próxima, porém, não são as mais animadoras, ainda que haja um certo otimismo e esperança de surpresas positivas. 
Para entender o que esperar da COP31, o Um Só Planeta ouviu 17 especialistas — de organizações não-governamentais, consultorias, advogados, entidades empresariais, institutos de pesquisa e representantes de comunidades tradicionais — com quatro perguntas em comum: o que esperar da conferência na Turquia; quais temas devem ser prioritários e quais agendas devem ser incluídas nas discussões; o que os eventos preparatórios já realizados neste ano, como a reunião de Bonn, na Alemanha, em junho, permitem antecipar; e de que forma a geopolítica e fatores como o El Niño devem atrapalhar ou impulsionar os resultados. 
As respostas convergem em alguns pontos e divergem fortemente em outros, a começar pelo próprio nível de otimismo com que encaram os próximos cem dias.
O que está em jogo em Antália
O retrato que emerge das entrevistas é o de uma conferência que será marcada por incertezas estruturais , tais como uma presidência dividida cujos papéis ainda não estão claros na prática, uma geopolítica que interfere diretamente na sala de negociação e um fenômeno climático de intensidade inédita pressionando o calendário. 
Mas há também um ponto de convergência: praticamente todos os especialistas concordam que o teste real de Antália não será o volume de anúncios, e sim a capacidade de transformar o que já foi acordado — os mapas do caminho, os indicadores de adaptação, os seis eixos da Agenda de Ação — em resultado mensurável.
Para Gustavo Tosello Pinheiro, especialista em finanças climáticas do centro de estudos E3G e sócio da consultoria Triê, a conferência não será julgada pelo volume de novos anúncios, "mas pela distância que conseguir encurtar entre o que já foi acordado no âmbito do Acordo de Paris, e a economia real".
A seguir, conheça os principais insights para a agenda climática deste ano, que culminam na conferência de novembro.
1. Duas presidências, uma arquitetura ainda em construção
Pela primeira vez, a liderança de uma COP foi dividida entre dois países: a Turquia comanda a organização do evento e a Agenda de Ação, e a Austrália assume a costura política das negociações. Essa novidade institucional já é, para boa parte dos entrevistados, a primeira fonte de incerteza sobre Antália. "É a primeira vez que nós temos uma presidência compartilhada, com papéis que estão no papel bem definidos, mas que, na prática, pela novidade do arranjo, pode se mostrar um pouco desafiador", resume Karen Silverwood-Cope, diretora de Clima, Finanças e Economia do WRI Brasil. O sintoma mais citado é a ausência do trabalho de bastidores que normalmente cabe à presidência da COP para amadurecer consensos regionais antes da conferência.
Caroline Rocha, diretora executiva da LACLIMA, instituto voltado para a pesquisa, desenvolvimento e implementação de políticas e conhecimento climático por meio do direito, fala em "limbo" e afirma que, nem em Bonn nem na Semana do Clima de Londres, ficou claro se Turquia e Austrália já assumiram esse papel. "Não está claro para a gente que esteve em Bonn e que esteve em Londres que isso está acontecendo", afirma. Ela explica que falta à Austrália o trabalho de bastidores, de "corpo a corpo" com os grupos regionais, que normalmente cabe à presidência da COP para amadurecer consensos antes da conferência oficial. "O que a gente vê hoje é uma hesitação da Austrália de tomar posições, ter posicionamentos públicos definidos", diz.
A fragmentação institucional preocupa ainda mais no campo temático. Patricia Ellen, sócia-presidente da Systemiq LatAm e cofundadora do Instituto AYA, mapeia até três camadas de classificação rodando em paralelo: os seis eixos herdados da COP30; as dez prioridades lançadas pela presidência turca (entre elas zero waste, oceanos, segurança alimentar e industrialização verde); e mais oito grupos de trabalho do COP31 Business Forum, mobilizado pela entidade empresarial turca TOBB. "[Isso] pode produzir mobilização, mas também pode produzir fragmentação". Ela lembra ainda que não foi lançado, até o momento, um mapa público didático das prioridades turcas e como elas se conectam à arquitetura permanente criada pelo Brasil. Só o O COP31 Business Forum, por exemplo, recém-lançado, reúne mais de mil câmaras e organizações e realizará um Business and Investment Summit em 12 e 13 de novembro.
Apesar de o engajamento do setor empresarial nas COPs ter aumentado nos últimos anos, o risco, segundo Patricia, é de a Turquia focar apenas em novos grupos e não se preocupar em fortalecer os já existentes, a exemplo das plataformas internacionais formadas sob a liderança brasileira, o SB COP, WBCSD, ICC e WCF, capazes de atravessar diferentes presidências. O CEBDS, por exemplo, avança para a segunda fase das Coalizões para Descarbonização de quatro setores — Transportes, Agricultura, Energia e Mineração. Ao todo, são mais de 270 organizações. Os grupos desenvolveram uma plataforma "Brasil de Soluções", que já conecta 135 iniciativas de 58 empresas a investidores. 
"O fortalecimento do setor privado nas COPs é um movimento, que deixa de ser tratado apenas como audiência, é positivo, mas carrega o risco de que a voz empresarial global seja excessivamente intermediada por uma instituição nacional", diz Patricia Ellen.
Arthur Ramos, do BCG, acrescenta que um dos desafios centrais é levar essa mobilização além das grandes corporações e "garantir que as iniciativas climáticas alcancem também as pequenas e médias empresas, integrando toda a cadeia de valor" . A inteligência artificial pode ser usada para acelerar a transição.
Ainda assim, com percalços e obstáculos, a expectativa geral dos especialistas é de que a transição funcione. "Precisamos que a presidência brasileira da COP30 faça um bom trabalho, passe o bastão para a Austrália (liderança política e de negociação) e a Turquia (que organiza o evento) e garanta que, no mínimo, seja também uma COP de implementação, de redução de combustíveis fósseis e de aumento do financiamento climático", diz Yuri Marinho, CEO da ECCON Soluções Ambientais. 
2. Da negociação à entrega: o legado da "era da implementação"
Se há um consenso entre os especialistas ouvidos, é que a palavra que deve definir a COP31 não é "negociação", mas "implementação". "Antália vai ter que demonstrar que essa implementação é possível, mesmo sem os Estados Unidos", diz Gustavo Tosello Pinheiro, especialista em finanças climáticas do centro de estudos E3G e sócio da consultoria Triê. E lembra que o próximo Balanço Global (Global Stocktake) só deve ser concluído na COP33, em 2028. 
Arthur Ramos, diretor executivo e sócio da consultoria Boston Consulting Group (BCG), reforça que a expectativa central é a continuidade do "esforço diplomático e das negociações, mantendo o impulso gerado pela COP30 sob a liderança do Brasil". Ele cita a importância de combinar a negociação política com foco pragmático na execução dos projetos e na implementação real das ações no chão, que é o que realmente faz a diferença. 
Karen Oliveira, diretora de Políticas Públicas e Clima da TNC Brasil, resume o desafio: fechar a lacuna entre o que já foi decidido e o que sai do papel. "Os principais impasses continuam concentrados justamente onde a ação depende de recursos financeiros e decisões políticas mais complexas", algo que ficou evidente em Bonn, reunião preparatória de junho que avançou tecnicamente, mas "deixou uma grande lacuna sobre a implementação de certas decisões".
Ricardo Assumpção, sócio líder de Sustentabilidade e ESG para a América Latina e Chief Sustainability Officer da EY Brasil, propõe ir além da execução técnica. Ele espera que "o protagonismo deixe paulatinamente de ser só da agenda climática e passe a ser dos setores econômicos", discutindo carbono e natureza não isoladamente, mas como fatores de "competitividade, acesso ao mercado, custo de capital, cadeia de suprimento e geração de valor" em setores como agro, mineração, infraestrutura, energia e o sistema financeiro. Ele lembra que foi essa lógica de conexão que a EY testou na COP30 com a EY House, espaço de conexão entre setor público, privado, investidores e diplomacia que, segundo ele, "traz um engajamento muito maior do C-Level, do CEO e do CFO".
André Castro Santos, diretor técnico da LACLIMA e colunista do Um Só Planeta, aponta outro risco : ao contrário das últimas edições, a COP31 não chega com uma entrega específica definida. "A COP28 teve o balanço global; a COP29 tinha a definição da meta de financiamento, o NCQG; e a COP30 tinha os indicadores da meta de adaptação do GGA e a definição sobre o mecanismo de transição justa. A COP31, por outro lado, não tem nenhum mandato específico direcionado a ela", explica.
Isso deixa, segundo ele, "uma desconfiança de que pode ser uma COP que pode flopar, no sentido de que ela pode não ter nenhuma decisão que a gente lembre dela" , como aconteceu com o balanço global na COP28, o NCQG na COP29 e o GGA (GGA, do inglês Global Goal on Adaptation) e a transição justa na COP30. Ainda assim, ele pondera que a ausência de uma entrega centralizadora não significa uma COP vazia. "Tecnicamente deve ser muito densa, mas fragmentada entre diferentes frentes", diz. "Com as principais definições regulatórias fechadas após a COP29, agora, de fato, é o momento de implementar".
3. Adaptação: o termômetro da confiança no processo
Poucos temas concentram tanta expectativa — e tanto risco de frustração — quanto o da adaptação. Em Belém, os países aprovaram 59 indicadores para a Meta Global de Adaptação (GGA), reduzidos de uma lista inicial de cerca de dez mil, mas deixaram para 2035 a decisão sobre a triplicação do financiamento e não resolveram como operacionalizar esses indicadores. Bonn não destravou o impasse. "O El Niño vai funcionar como uma cobrança do mundo real aos negociadores de adaptação, que não conseguiram trabalhar juntos e, por isso, não entregaram nenhum resultado sobre a Meta Global de Adaptação em Bonn. Repetir esse fiasco em Antália, em meio ao 'El Niño godzilla', será o fiasco dos fiascos", diz Natalie Unterstell, presidente do Instituto Talanoa.
Segundo ela, operacionalizar a meta na Turquia depende de resolver a composição da força-tarefa técnica que vai revisar os indicadores e destravar os termos de referência dessa revisão. Por trás das discussões, países em desenvolvimento querem que a questão da adaptação seja conduzida pelas Partes das Nações Unidas, enquanto União Europeia, Noruega e Japão preferem que seja conduzida por especialistas. "Se a adaptação falhar duas vezes seguidas, o custo político recai sobre o próprio arranjo de indicadores e financiamento montado em Belém", afirma  Natalie .
André Castro Santos, da LACLIMA, reforça o ceticismo com um dado técnico, lembrando que em Bonn, a negociação da Meta Global de Adaptação foi encerrada sob a chamada "regra 16",  mecanismo que formaliza a ausência de avanço. Como a revisão dos indicadores da GGA está prevista para ocorrer em apenas quatro rodadas de negociação até a COP32, o impasse em Bonn já consumiu uma dessas oportunidades. "Uma rodada de quatro já foi perdida", diz.
O impasse tem uma raiz comum: financiamento.  Gustavo Tosello, do E3G reitera que o financiamento para adaptação e perdas e danos é, hoje, voltado para os países mais vulneráveis, "como o teste de credibilidade do regime climático". Ele defende, porém, que não basta os países desenvolvidos "repetirem grandes números": é preciso facilitar acesso aos recursos, ampliar a atuação dos bancos multilaterais e enfrentar restrições fiscais dos países em desenvolvimento. 
Flávia Martinelli, especialista em mudanças climáticas do WWF-Brasil, destaca que o debate , já em Bonn, "foi tomado pelas divergências de visões entre países sobre financiamento para adaptação". Este é o mesmo ponto citado por João Leal, gestor de política climática do CEBDS (Conselho Empresarial Brasileiro para o Desenvolvimento Sustentável), para quem a implementação dos indicadores de adaptação (Global Goal on Adaptation) deve ser o principal tema a ser priorizado em Antália.
4. Financiamento: o eterno gargalo
Financiamento é, segundo Gustavo Tosello, do think tank E3G, o tema que "nunca sai da agenda". Por um lado, é o tema que mais divide os países. Por outro, é o que traz com si a maior capacidade de construção de pontes. Ele cita como sinal positivo o anúncio recente do Fundo Verde para o Clima, cujas reformas de gestão liberaram US$ 4 bilhões em capacidade adicional de investimento para o ciclo que começa em outubro. "Isso não resolve a lacuna de financiamento, mas mostra que as instituições multilaterais estão trabalhando para fazer o dinheiro existente trabalhar melhor", diz.
Tatiana Oliveira, líder de estratégia internacional do WWF-Brasil, é mais cética quanto ao ritmo dos avanços. "Financiamento climático continua sendo uma agenda sem entregas concretas, embora seja um elemento central para viabilizar a implementação das ações de mitigação e adaptação nos países e comunidades que mais precisam". Neste ponto, Natalie Unterstell, do Talanoa, também descreve a problemática, citando, por exemplo,  a disputa na monetização de participações do Artigo 6.4 para o Fundo de Adaptação, uma lacuna no financiamento da infraestrutura do Artigo 6.2, e diálogos sobre comércio que países árabes e o Grupo Africano querem transformar em item permanente da agenda.
No campo das florestas, Karen Oliveira, da TNC, lembra do TFFF — Fundo Florestas Tropicais para Sempre como "uma oportunidade inédita para criar incentivos econômicos de longo prazo voltados à conservação das florestas em pé", com potencial de "fortalecer economias locais e ampliar o reconhecimento do papel desempenhado por povos indígenas e comunidades tradicionais". Ela cita ainda o avanço da regulamentação do Sistema Brasileiro de Comércio de Emissões (SBCE) , órgão de gestão do mercado regulado de carbono, e o desenvolvimento da governança de mercados internacionais de carbono (âmbito do Acordo de Paris) como uma frente que deve ganhar mais sofisticação nos próximos meses.
Pedro Henrique de Christo, urbanista climático e fundador do estúdio +D, amplia o leque de fontes de recursos ao defender "mecanismos de financiamento reais via não só a ONU mas também bancos multilaterais como o Novo Banco de Desenvolvimento (BRICS) e o Banco Mundial".
Rodrigo Sluminsky, sócio do escritório de advocacia Gaia, Silva, Gaede e membro do conselho da LACLIMA, chama atenção para um limite estrutural do processo. As metas globais de longo prazo, diz, não resolvem sozinhas o problema de financiamento e governança interna dos países. "Os países não conseguem nem financiar a própria transparência e a governança interna", observa. Ele reforça ainda que, na lógica bottom-up do Acordo de Paris, cabe à implementação local transformar essas diretrizes em resultado concreto.
André Castro Santos, da LACLIMA, explica que, no pano de fundo dessa desconfiança sobre as promessas de financeiramento está a situação em que países desenvolvidos pressionam os países em desenvolvimento, principalmente Índia, China, os Brics de maneira geral, por mais compromissos e maior implementação, enquanto eles próprios (países desenvolvidos) resistem a assumir metas mais robustas sem garantia de receber o financiamento já acordado na COP29. "Essa meta de financiamento já foi considerada muito aquém daquilo que se esperava" e o fluxo de recursos "não está sendo muito eficiente", afirma — uma desconfiança que, segundo ele, deve pautar "quase todas as salas" de negociação em Antália.
5. Transição energética e eletrificação como nova bandeira
Se a COP30 foi marcada pelo Mapa do Caminho dos combustíveis fósseis, o tema que deve concentrar a energia da presidência turca é a eletrificação. A meta global apresentada em Bonn ganhou nome na London Climate Action Week — "35 by 35", que propõe elevar a participação da eletricidade na demanda final de energia dos atuais 23% para 35% até 2035, com base em estudo da IRENA.
Rubens Filho, gerente executivo de Meio Ambiente do Pacto Global da ONU – Rede Brasil, descreve a eletrificação como pauta "na direção do que se discute hoje no Norte Global, já que a transição energética se torna tópico de segurança nacional". Contudo, ele reitera que não é uma solução única e duradoura, pois conflita com países que ainda têm suas matrizes elétricas altamente dependentes de combustíveis fósseis. O Brasil, neste contexto, tem espaço para "trazer soluções de biocombustíveis para a mesa". 
"O choque de Ormuz é o fato organizador deste ano climático e, não à toa, a presidência turca escolheu a eletrificação como bandeira da COP. É o assunto mais empolgante, sem dúvida, por responder ao mundo real em tempo real. Eletrificar reduz emissão, reduz a demanda por energia, baixa o custo para as famílias e agora também reduz risco geopolítico", comentou Natalie Unterstell, doTalanoa. 
O tema já havia ganhado corpo na Conferência de Santa Marta, na Colômbia, e na campanha Electrify Now, ambas lançadas neste ano. E a eletrificação, ao lado da economia circular e das cidades resilientes, está entre as prioridades já sinalizadas pela presidência turca.
André Castro Santos, da LACLIMA, conecta a escolha do tema de energia à própria ausência de mandato da COP31. Para ele, foi justamente por não haver nenhum mandato específico de negociação que a presidência turca elevou a eletrificação a ponto central da Agenda de Ação, um movimento que, segundo ele, se retroalimentou. "Eu já estou percebendo que o tema da eletrificação está pipocando em diferentes arenas", comenta. "Foi uma retroalimentação: o fato deles terem colocado esse tema como ponto central da agenda de ação também impulsionou ainda mais". 
Castro classifica a pauta como "relativamente positiva" e "menos contenciosa" porque trata, em boa parte, de eficiência energética, ou seja, substituir a combustão direta de combustíveis por eletricidade já reduz o consumo total de energia, mesmo quando essa eletricidade ainda vem de fontes fósseis. O alerta, porém, é que as metas de eletrificação sejam sempre atreladas a um compromisso real de transição para longe dos fósseis, vinculado aos mapas do caminho definidos na decisão do "mutirão" da COP30,  para que seja cada vez menos baseada em fósseis e cada vez mais em renováveis.
6. Geopolítica: de pano de fundo a protagonista
Guerras, problemas de abastecimento e logística e outras questões geopolíticas também são preocupações apontadas pelos especialistas. 
André Castro Santos, da LACLIMA, também vê correlação direta entre segurança energética e geopolítica. Os países mais dependentes de combustíveis fósseis, diz, ficam mais expostos a variações de preço do petróleo e a disputas no Oriente Médio, o que torna a transição para renováveis "uma questão de ficar menos vulnerável a tensões geopolíticas que não têm nada a ver com eles". 
Ele cita, como aposta concreta nessa direção, os roadmaps nacionais que o Brasil está elaborando — um para eliminar o desmatamento e reverter áreas degradadas, outro para reduzir a dependência de combustíveis fósseis — que também devem servir de modelo para outros países. "Se tiverem muitos países aderindo a isso, essa iniciativa do Brasil vai ser de fato histórica", diz, ponderando que ainda é cedo para saber se vai "funcionar" ou ficar como "uma iniciativa legal, mas que não funcionou".
O ponto mais grave levantado por ele, porém, vai além da guerra na Ucrânia ou da tensão no Oriente Médio. Para Castro, o multilateralismo climático enfrenta hoje "agressões explícitas de um país contra o outro de uma maneira muito maior do que a gente via antes" . Ele cita as ações dos Estados Unidos contra o Irã e as ameaças a Cuba e à Venezuela, "coisas muito mais ideológicas na raiz", e aponta como efeito mais concreto sobre as negociações a saída americana não apenas do Acordo de Paris, mas da própria Convenção-Quadro da ONU sobre Mudança do Clima, o que reduziu drasticamente o orçamento do processo negociador.  Há riscos, inclusive, que ventilam nos corredores das reuniões, de as COPs não acontecerem mais todos os anos, argumento que mistura razão técnica ("agora é momento de implementação, não mais de regulamentação") e orçamentária.
Para Alexandre Mansur, colunista do Um Só Planeta e diretor do Instituto O Mundo Que Queremos, a expectativa com a COP31 acaba sendo "muito baixa" em boa parte pela guerra na Ucrânia, pela instabilidade no Oriente Médio e pelo "efeito Trump". Para ele, esses movimentos fragilizaram o próprio sistema multilateral - a ONU, por exemplo, como promotora de pautas climáticas e como amenizadora de conflitos. "Esse sistema todo de negociação perdeu força para uma geopolítica internacional", diz.
O advogado Rodrigo Sluminsky, discorda do tom pessimista e vê toda essa pressão externa um acelerador, que pode catalisar as demandas urgentes e levar a um caminho de implementação". Para ele, a geopolítica "não é pano de fundo, é estrutural", ao afetar cadeias de suprimento. A rota do capital, neste contexto, vai fluir em busca de segurança, num momento em que blocos como o G77+China têm dificuldade de fixar posições simples. Arthur Ramos, do BCG, também pondera que "o cenário global não mudou radicalmente desde a COP30", e que a instabilidade recente "acaba favorecendo e acelerando o debate sobre energias renováveis".
João Leal , do CEBDS, e o urbanista Pedro Henrique de Christo concordam que a proximidade entre Turquia e Irã pode esfriar a participação presencial de sociedade civil e empresas, mas também evidencia "as vulnerabilidades da cadeia logística global de energia fóssil", reforçando o argumento pró-renováveis. Pedro Henrique alerta ainda para o risco de uma divisão entre economias mais focadas em fontes renováveis e as fundamentadas em combustíveis fósseis.
7. Ciência sob pressão e El niño como fonte de pressão
A ciência também deve ser posta à prova em Antália. A COP30 inaugurou, na Zona Azul da conferência, o Pavilhão de Ciências Planetárias, primeiro espaço mandatado por uma presidência de COP dedicado inteiramente à ciência, copresidido por Johan Rockström (Instituto Potsdam) e Carlos Nobre (Painel Científico para a Amazônia), reunindo mais de 250 cientistas de dezenas de países.
Caroline Rocha, da LACLIMA, descreve o fortalecimento da ciência como fruto de uma disputa em que a ciência e o IPCC (Painel Intergovernamental sobre Mudança do Clima) saíram fortalecidos de um ataque que aconteceu na COP30.  "A gente deve esperar alguma coisa também igualmente forte na COP31".
O outro lado dessa disputa é o financiamento da pesquisa, como alerta Alexandre Mansur "O governo Trump teve um efeito deletério, muito traiçoeiro, de base, de minar mesmo a pesquisa científica ao cortar recursos de filantropias", diz, se referindo a retiradas de investimentos em diversas agências públicas e ONGs voltadas a clima e meio ambiente. Ele reforça que é a legitimidade das evidências que embasam as negociações.
Os dados científicos nunca foram tão relevantes. E eles mostram que há uma expectativa de um "Super El Niño" este ano e que deve entrar na pauta da COP31. Para Karen Oliveira, da TNC, isso deixa ainda mais evidente o custo de adiar decisões sobre financiamento e adaptação. Gustavo Tosello concorda: A física do clima não espera diplomacia, não espera política, ela vai se impor", diz.
O aumento da temperatura oceânica em níveis muito maiores do que o esperado também traz consequências previstas para a Amazônia, como secas, e para o Sul (mais inundações). Ricardo Assumpção, da EY,  alerta para os efeitos econômicos de curto prazo previstos: segurança alimentar e disponibilidade hídrica afetadas, refletindo na cadeia de preço dos alimentos e exigindo "investimento adicional setorial em adaptação para infraestrutura e segurança energética".
"O fenômeno [El Niño] atrapalha, cria imensas distorções, mas, ao mesmo tempo, contra a materialidade e relevância, fica difícil argumentar", afirma Denise Hills, referência em sustentabilidade e SDG Pioneer do Pacto Global da ONU.  
O urbanista Pedro Henrique de Christo, acredita que o "Super El Niño" é uma oportunidade "para transformar em ponto de virada pelo clima na COP31", justamente por seu alcance e atenção que vai chamar dos diversos setores econômicos.  
8. Resíduos, cidades, saúde e economia circular: a marca turca
Além da eletrificação, a presidência turca imprime marca própria em outros quatro temas até então pouco explorados nas COPs: resíduos, economia circular, cidades resilientes e saúde. João Leal, do CEBDS, descreve resíduos e biometano como prioridades da Presidência da COP31. Karen Silverwood-Cope, da WRI Brasil,  lembra que a economia circular e cidades resilientes estejam entre as áreas já sinalizadas pela atual gestão entre as prioridades. Rubens Filho, do Pacto Global,  lembra que  a economia circular e a eletrificação são temas relevantes discutidos no Norte Global.
Yuri Marinho, da ECCON, lamenta que temas mais caros à agenda brasileira, como florestas e agricultura de baixo carbono, "aparentemente não serão prioridade" em Antália.  
Mas um assunto inédito que pode dominar parte das discussões é o da saúde. Pela primeira vez o assunto entra formalmente no programa de uma COP, e não apenas como um dia temático dentro dela. "A Turquia colocou 'sistemas de saúde dinâmicos e resilientes' entre os dez temas prioritários da Agenda de Ação na esteira do Plano de Ação de Saúde de Belém, com apoio da Austrália também", explica Natalie Unterstell, do Talanoa.
A questão da infraestrutura para sustentar o desenvolvimento econômico sustentável e a resiliência climática também pode ser discutida na Turquia este ano. Denise Hills, referência em sustentabilidade e SDG Pioneer do Pacto Global da ONU, fala sobre soluções baseadas na natureza como forma de "garantir condições básicas à vida". Ela lembra ainda que legislações recentes, especialmente europeias, já começam a tratar da intersecção da natureza e da infraestrutura para transição e a própria discussão da crescente dependência chinesa dos recursos naturais, como de materiais críticos, também deve fazer parte das mesas de conversas. 
Contudo, Denise chama atenção ainda para um desafio raramente discutido nas negociações: expansão da energia global para sustentar o avanço da inteligência artificial. "A gente precisa multiplicar por seis o fornecimento de energia global; isso certamente será feito num modelo de geração muito diferente do atual, senão a conta não fecha."
Do lado empresarial, Ricardo Assumpção (EY) lembra que todo este contetxo traz oportunidade específica para o Brasil, que "está fora do conflito" geopolítico atual e "oferece segurança e resiliência como provedor não só de insumo, mas de solução".
9. Território, povos indígenas e florestas
Enquanto especialistas discutiam arquitetura institucional e financiamento em Bonn ou Londres, um evento em julho, na própria Amazônia, trouxe a distância entre as negociações internacionais e os territórios que vivem seus impactos. Durante a II Semana do Clima da Amazônia, organizada pelo IPAM (Instituto de Pesquisa Ambiental da Amazônia), lideranças indígenas, quilombolas e da agricultura familiar se reuniram com os Enviados Especiais da presidência brasileira da COP30 para discutir a construção do Mapa do Caminho para o Fim do Desmatamento, documento que deve ser levado à Turquia. 
"O fim do desmatamento é desenhado em gabinetes, mas acontece no chão, no território. É nos territórios indígenas e na agricultura familiar que precisamos fortalecer quem resiste às crescentes agressões", disse André Guimarães, diretor executivo do IPAM. Aurélio Borges, da Malungu, grupo de quilombolas do Pará, foi além e questionou a própria linguagem das negociações. "Floresta em pé já não é um termo suficientemente adequado", pontua. "Precisamos falar em florestas vivas, que incluam as comunidades locais; não queremos nada para nós que não nos inclua".
A reivindicação não é apenas simbólica, mas também sobre financiamento e sobre quem senta à mesa. Sinéia do Vale, do Conselho Indígena de Roraima, lembrou que a mobilização coletiva já produziu resultado concreto, como a defesa da demarcação de terras indígenas como política de mitigação incorporada à COP30, e advertiu: "sem todos nós, esses mapas deixam de fazer sentido". Karen Oliveira (TNC) conecta o tema ao TFFF, que pode "ampliar o reconhecimento do papel desempenhado por povos indígenas e comunidades tradicionais, que historicamente estão entre os principais responsáveis pela conservação desses territórios". E Alexandre Mansur descreve uma mudança de postura do próprio governo brasileiro: depois de décadas mantendo a pauta florestal fora das negociações internacionais, o país passou a ver a recuperação de floresta como "um grande mecanismo de conservação de carbono", já que suas emissões vêm do desmatamento e da pecuária, não da matriz energética.  </description>  <media:content url="https://s2-umsoplaneta.glbimg.com/SMlQtb_MbnBAHwMt8ZiIIQ44rMI=/i.s3.glbimg.com/v1/AUTH_7d5b9b5029304d27b7ef8a7f28b4d70f/internal_photos/bs/2026/j/M/usWHjBT1AX3GYD5XVfBw/image-3278-126cb5e9e69ffc8eb234543fc36cf91e.jpeg" medium="image"/>   <media:description>O secretário-executivo da UNFCCC, Simon Stiell, o ministro do Meio Ambiente da Turquia e presidente da COP31, Murat Kurum, e o embaixador André Corrêa do Lago, presidente da COP30</media:description>   <media:credit>Felipe Werneck/COP30</media:credit>  <category>umsoplaneta</category> <pubDate>Fri, 31 Jul 2026 16:08:38 -0000</pubDate>  </item>  <item> <title>Mais da metade das aves migratórias do mundo está em declínio, aponta revisão publicada na Nature</title>  <atom:subtitle>Estudo reúne décadas de pesquisas e defende uma mudança na estratégia de conservação, com ações coordenadas ao longo de todo o ciclo de vida das espécies e maior cooperação internacional</atom:subtitle>  <link>https://umsoplaneta.globo.com/biodiversidade/noticia/2026/07/31/mais-da-metade-das-aves-migratorias-do-mundo-esta-em-declinio-aponta-revisao-publicada-na-nature.ghtml</link> <guid isPermaLink="true">https://umsoplaneta.globo.com/biodiversidade/noticia/2026/07/31/mais-da-metade-das-aves-migratorias-do-mundo-esta-em-declinio-aponta-revisao-publicada-na-nature.ghtml</guid> <description>  <![CDATA[ <img src="https://s2-umsoplaneta.glbimg.com/QZTBn8MLjOo1dgq6hyTvrAbYjR8=/i.s3.glbimg.com/v1/AUTH_7d5b9b5029304d27b7ef8a7f28b4d70f/internal_photos/bs/2023/H/r/eUP0QDTby7f6rqO3upYw/trupp-von-alpenstrandlaufern-calidris-alpina-kiebitzregenpfeifern-pluvialis-squatarola-und-vereinzelten-knutts-calidris-canutus-spiekeroog-nationalpark-niedersachsisches-wattenmeer.jpeg" /><br /> ]]>    Mais da metade das espécies de aves migratórias do planeta está com suas populações em declínio, segundo uma revisão científica publicada na revista Nature Reviews Biodiversity. O estudo estima que 51% das espécies migratórias apresentam redução populacional em diferentes regiões do mundo e alerta que, sem ações mais eficazes de conservação, novas extinções serão inevitáveis.
A revisão, intitulada Status, threats and conservation of Earth's migratory birds ("Situação, ameaças e conservação das aves migratórias da Terra", na tradução livre) foi conduzida por pesquisadores de instituições como a Universidade de Georgetown, o Instituto Smithsonian de Biologia da Conservação e especialistas de diversos países. O trabalho reúne décadas de pesquisas, programas internacionais de monitoramento e bases globais de dados para oferecer um panorama sobre a situação das aves migratórias.
Além das espécies já classificadas como ameaçadas — cerca de 300, segundo os autores —, o estudo destaca que aves antes consideradas comuns também vêm sofrendo perdas significativas de indivíduos, indicando que o problema é mais amplo do que a lista oficial de espécies em risco de extinção.
"A perda de populações ocorre em todas as regiões do planeta e levanta preocupações urgentes sobre a persistência de um dos grupos mais visíveis e ecologicamente importantes da biodiversidade", afirmam os autores na revisão.
Conservação é mais complexa para espécies migratórias
Os pesquisadores destacam que proteger aves migratórias é um desafio particularmente complexo porque esses animais percorrem milhares de quilômetros ao longo do ano, cruzando continentes, oceanos e fronteiras nacionais.
Durante esse percurso, dependem de diferentes áreas para reprodução, alimentação, descanso e invernada. Qualquer degradação em um desses ambientes pode comprometer todo o ciclo de vida da espécie.
Segundo a revisão, entre as principais ameaças estão a perda e a fragmentação de habitats, as mudanças climáticas, espécies invasoras, doenças, o uso de pesticidas e colisões com edifícios e outras estruturas construídas pelo ser humano.
Para Peter P. Marra, reitor do Earth Commons Institute, da Universidade de Georgetown, e um dos autores principais do estudo, o cenário é resultado de décadas de pressão sobre os ecossistemas.
"O que estamos vendo é a consequência previsível de décadas de degradação ambiental. No entanto, esses declínios não são inevitáveis", afirmou Marra, em comunicado divulgado pela universidade.
Segundo o pesquisador, além de diagnosticar a situação, o trabalho identifica lacunas no conhecimento científico e propõe caminhos para reverter a tendência antes que mais espécies sejam levadas à extinção.
Monitoramento ainda é insuficiente
Os autores ressaltam que ainda há muitas incertezas sobre o estado de conservação das aves migratórias. A revisão aponta que o monitoramento global enfrenta limitações técnicas, financeiras e geográficas, especialmente no Sul Global, dificultando identificar exatamente onde as populações estão diminuindo e quais fatores são responsáveis pelas perdas.
Essa lacuna ocorre porque as aves percorrem diferentes ambientes ao longo do ano, o que torna mais difícil relacionar os declínios a ameaças específicas.
Para superar esse desafio, os pesquisadores apontam o avanço de tecnologias como dispositivos de rastreamento por satélite, monitoramento acústico com inteligência artificial, modelos populacionais e iniciativas de ciência cidadã, como a plataforma eBird, que reúne observações feitas por milhões de observadores de aves ao redor do mundo.
Essas ferramentas permitem mapear rotas migratórias, compreender como diferentes populações estão conectadas e identificar os fatores que limitam a sobrevivência das espécies.
A revisão conclui que as estratégias atuais de conservação, centradas principalmente na criação de áreas protegidas e no combate a ameaças localizadas, não são suficientes para proteger muitas aves migratórias. Isso porque grande parte dessas espécies passa a maior parte de seu ciclo de vida fora de unidades de conservação.
Os autores defendem uma abordagem baseada em todo o ciclo anual das aves, capaz de identificar os fatores que limitam as populações antes que elas entrem em declínio acentuado. Essa estratégia deve ser combinada com proteção de habitats em escala de paisagem, redução de ameaças específicas, fortalecimento da cooperação internacional, ampliação do financiamento e integração entre ciência, políticas públicas e participação social.
Entre as iniciativas citadas está o programa Road to Recovery, sediado na Universidade de Georgetown, que busca identificar precocemente os fatores responsáveis pela redução das populações e implementar medidas de conservação antes que as espécies passem a integrar as listas de ameaçadas, como explica reportagem da Galileu.
Apesar do cenário preocupante, os pesquisadores destacam que há exemplos de sucesso. Programas de conservação já conseguiram recuperar populações de aves aquáticas, garças, aves limícolas e aves de rapina que chegaram a ficar próximas da extinção.
"Sabemos que a conservação funciona. Esta revisão mostra que temos o conhecimento científico necessário para reverter muitos desses declínios. O desafio agora é reunir parcerias, recursos e o compromisso político e público para implementar essas soluções na escala que as aves migratórias exigem", afirmou Marra, em comunicado da Universidade de Georgetown.
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Em 2026, a data caiu seis dias mais tarde do que no ano passado, quando ocorreu em 24 de julho. Mas isso não significa uma melhora na relação entre consumo e natureza. Segundo a organização, o adiamento ocorreu principalmente por uma revisão dos dados sobre a capacidade dos oceanos de absorver carbono, além de outros ajustes metodológicos. Considerando uma base de dados consistente ao longo do tempo, a sobrecarga ecológica registrada neste ano é a maior da história.
Hoje, a humanidade utiliza recursos naturais 73% mais rapidamente do que os ecossistemas conseguem repor. Em outras palavras, seria necessário o equivalente a 1,73 planeta Terra para sustentar o atual padrão de consumo.
A organização explica que a sobrecarga ecológica ocorre quando a emissão de gases de efeito estufa supera a capacidade da biosfera de absorvê-los, quando mais água doce é consumida do que pode ser reposta, quando o desmatamento acontece em ritmo superior ao da regeneração das florestas ou quando a pesca excede a capacidade de recuperação dos estoques pesqueiros.
Embora a data do Dia da Sobrecarga permaneça relativamente estável há cerca de 15 anos, isso não significa que a situação tenha deixado de piorar. Segundo a Global Footprint Network, os impactos são cumulativos: a cada ano, a humanidade amplia sua "dívida ecológica", reduzindo o capital natural disponível e aumentando riscos para a economia, a segurança alimentar, a disponibilidade de água e a estabilidade climática.
Desde o início da década de 1970, a humanidade vive em déficit ecológico. Naquela época, o limite anual dos recursos do planeta era alcançado apenas no fim do ano. Desde então, o marco avançou continuamente no calendário.

Governos ignoram risco econômico da sobrecarga
Além do anúncio da data, a Global Footprint Network divulgou um relatório elaborado em parceria com a organização suíça Greenings que conclui que os governos ainda não incorporam o risco da sobrecarga ecológica ao planejamento econômico.
O estudo analisou documentos estratégicos de diversos países para avaliar até que ponto reconhecem os limites físicos dos recursos naturais e adotam políticas para enfrentá-los. A pesquisa concluiu que nenhum dos países avaliados aborda de forma significativa os riscos da sobrecarga ecológica em suas estratégias nacionais. 
Entre os principais resultados, a China obteve a melhor avaliação, embora ainda distante do que os pesquisadores consideram uma resposta adequada. A Argentina ficou na última posição entre os documentos analisados. Já a União Europeia apresentou desempenho inferior ao esperado, indicando uma diferença entre seus compromissos públicos de sustentabilidade e o planejamento econômico.
"Overshoot não é uma preocupação ambiental distante. Ele já está produzindo impactos econômicos", afirma David Lin, cientista-chefe da Global Footprint Network e um dos autores do relatório. "Os países que planejarem um futuro com restrições de recursos estarão mais preparados para enfrentá-lo. Neste momento, quase nenhum está."
Segundo o estudo, a sobrecarga ecológica já contribui para problemas como insegurança alimentar e energética, pressões inflacionárias, crises sanitárias e conflitos, mas esses fatores ainda aparecem de forma periférica nas estratégias nacionais.
Para os autores, os governos deveriam criar grupos de trabalho permanentes para mapear sua dependência de recursos naturais, avaliar riscos econômicos e aumentar a resiliência antes que novos choques de oferta ocorram.
O gráfico mostra como a data do Dia da Sobrecarga da Terra mudou ao longo do tempo, de acordo com a edição mais recente das Contas Nacionais de Pegada Ecológica e Biocapacidade.
Global Footprint Network and Greenings
Como adiar o Dia da Sobrecarga
A Global Footprint Network defende que a sobrecarga ecológica pode ser revertida por meio de mudanças em diferentes setores da economia. A organização reúne mais de cem soluções distribuídas em cinco áreas: cidades, energia, alimentação, população e conservação dos ecossistemas. Entre elas estão a expansão das energias renováveis, a eletrificação dos transportes, edifícios mais eficientes, agricultura regenerativa, recuperação de florestas e mudanças nos sistemas alimentares.
Segundo os cálculos da organização, reduzir em 50% as emissões de dióxido de carbono provenientes da queima de combustíveis fósseis faria o Dia da Sobrecarga recuar cerca de três meses no calendário.
E o Brasil? Os dados da Global Footprint Network mostram que o Brasil continua entre os países cuja biocapacidade supera a pegada ecológica da própria população, graças à grande extensão territorial e à disponibilidade de áreas biologicamente produtivas. 
Isso, porém, não significa que o país esteja fora do problema. O Brasil participa da sobrecarga global e também enfrenta impactos da degradação ambiental, como desmatamento, perda de biodiversidade e eventos climáticos extremos. Se toda a população mundial consumisse recursos naturais no mesmo ritmo dos brasileiros, o Dia da Sobrecarga da Terra ocorreria em 14 de agosto. Ainda assim, seriam necessários aproximadamente 1,6 planeta Terra para sustentar esse padrão de consumo.
e toda a humanidade consumisse como a população brasileira, o Dia da Sobrecarga da Terra cairia em 14 de agosto
Global Footprint Network
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</title>  <atom:subtitle>Nova ferramenta reúne dados globais desde 2003 e permite acompanhar a evolução das emissões de carbono e da dispersão da fumaça provocadas pelos incêndios florestais</atom:subtitle>  <link>https://umsoplaneta.globo.com/clima/noticia/2026/07/30/em-meio-a-temporada-de-incendios-extremos-copernicus-lanca-plataforma-para-monitorar-emissoes-de-queimadas-em-tempo-quase-real.ghtml</link> <guid isPermaLink="true">https://umsoplaneta.globo.com/clima/noticia/2026/07/30/em-meio-a-temporada-de-incendios-extremos-copernicus-lanca-plataforma-para-monitorar-emissoes-de-queimadas-em-tempo-quase-real.ghtml</guid> <description>  <![CDATA[ <img src="https://s2-umsoplaneta.glbimg.com/wo2edIgBhGeIpBISPTA8_MdN3jA=/i.s3.glbimg.com/v1/AUTH_7d5b9b5029304d27b7ef8a7f28b4d70f/internal_photos/bs/2026/y/V/ARjEZ6Q06GDh7F4cgYBA/download.png" /><br /> ]]>    Enquanto incêndios florestais de grandes proporções avançam sobre países da Europa e da América do Norte, um dos principais programas de monitoramento ambiental do mundo acaba de lançar uma ferramenta que amplia o acesso a dados sobre os impactos desses eventos na atmosfera.
O Copernicus Atmosphere Monitoring Service (CAMS) apresentou nesta semana o Fire Emissions Watch, uma plataforma online que permite acompanhar, quase em tempo real, as emissões de carbono provenientes da queima de biomassa em diferentes regiões do planeta. A ferramenta também mostra como a fumaça se desloca pela atmosfera, compara a intensidade dos incêndios entre países e disponibiliza séries históricas de dados desde 2003.
Na plataforma, esses incêndios podem ser acompanhados diariamente por meio de mapas interativos, gráficos e estimativas das emissões. Também é possível observar a trajetória da fumaça e comparar a evolução dos incêndios em diferentes regiões.
O lançamento ocorre em um momento crítico para a temporada de incêndios no Hemisfério Norte. De acordo com o CAMS, 2026 caminha para se tornar um dos anos mais severos já registrados para incêndios florestais em partes da Europa.
É visível o agravamento dos incêndios florestais em diversas regiões do Hemisfério Norte. Nas últimas semanas, países como França, Espanha, Grécia, Itália, Portugal e Turquia enfrentaram grandes incêndios impulsionados por ondas de calor, seca e ventos fortes, que provocaram evacuações em massa, interromperam atividades econômicas e deterioraram a qualidade do ar. Segundo autoridades europeias, o risco de incêndios deve se deslocar do oeste para o sul e o leste do continente ao longo das próximas semanas, à medida que persistem as condições de calor extremo.
Os dados do serviço mostram que a França já registrou o maior volume de emissões de carbono por incêndios para o período, superando o recorde anterior, de 2022. Apenas em julho deste ano, os incêndios emitiram 0,89 megatonelada de carbono (MtC), acima das 0,64 MtC registradas no pior julho até então.
Cientistas afirmam que as mudanças climáticas provocadas pela ação humana estão tornando as ondas de calor mais intensas e frequentes, criando condições mais favoráveis para incêndios de grandes proporções. Embora o fogo faça parte da dinâmica natural de alguns ecossistemas, temperaturas mais elevadas, períodos prolongados de estiagem e baixa umidade aumentam o risco de propagação das chamas e dificultam o combate aos incêndios. Neste cenário, ferramentas capazes de monitorar emissões, fumaça e evolução dos focos em tempo quase real ganham importância para pesquisadores, autoridades e equipes de resposta a desastres.
‘Fire Emissions Watch’ mostra incêndios na França
Copernicus
Em escala global, os dados mostram que o Canadá respondeu pelo maior volume de emissões provenientes de incêndios em julho de 2026. Milhares de focos ativos contribuíram para o transporte de fumaça pelo Ártico canadense, América do Norte e Atlântico Norte. Nos dias que antecederam a final da Copa do Mundo, diversas áreas da costa leste dos Estados Unidos chegaram a emitir alertas sobre a má qualidade do ar causada pela fumaça.
Segundo Laurence Rouil, diretora do CAMS, a nova plataforma busca tornar mais acessíveis informações que antes estavam concentradas em bases de dados técnicas. "É muito oportuno que este produto seja lançado em um momento tão crítico para os incêndios em todo o mundo, com milhares de pessoas deslocadas e milhões expostas à poluição atmosférica perigosa", afirmou. Ela acrescenta que a ferramenta permite acompanhar tanto incêndios locais quanto tendências globais observadas ao longo das últimas duas décadas.
Do incêndio local ao panorama global
Além de acompanhar os eventos em andamento, a plataforma permite revisitar grandes episódios de queimadas registrados nas últimas duas décadas. Entre eles estão a onda de calor que atingiu a Europa em 2003, os incêndios na Amazônia em 2019, a temporada recorde de incêndios no Canadá em 2023 e grandes queimadas no extremo leste da Rússia.
Os usuários podem consultar informações em diferentes escalas — desde uma área específica desenhada no mapa até municípios, províncias, países ou o planeta inteiro. Também é possível baixar gráficos e imagens produzidos pela plataforma, o que facilita o uso das informações por pesquisadores, gestores públicos, jornalistas e pela sociedade.
O Fire Emissions Watch utiliza informações produzidas pelo Global Fire Assimilation System (GFAS), sistema desenvolvido pelo CAMS que estima as emissões dos incêndios a partir de observações feitas pelos sensores MODIS e VIIRS, embarcados em satélites de monitoramento da Terra.
Essas estimativas são combinadas aos modelos numéricos do Centro Europeu de Previsões Meteorológicas de Médio Prazo (ECMWF) para gerar análises e previsões sobre a composição da atmosfera. As emissões de carbono funcionam como um indicador da quantidade de poluentes liberados pela fumaça produzida pelos incêndios florestais.
O que é o Copernicus
O Copernicus é o programa de observação da Terra da União Europeia e uma das principais iniciativas globais de monitoramento ambiental. A partir de dados de satélites, medições terrestres, marítimas e modelos científicos, o programa acompanha mudanças no clima, qualidade do ar, oceanos, uso da terra e riscos naturais, como incêndios, secas e inundações.
O serviço de monitoramento da atmosfera (Copernicus Atmosphere Monitoring Service – CAMS) é operado pelo Centro Europeu de Previsões Meteorológicas de Médio Prazo (ECMWF), organização internacional responsável por desenvolver modelos de previsão do tempo e fornecer informações sobre a composição da atmosfera para governos, pesquisadores e instituições em todo o mundo.
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Na prática, o Super El Niño poderá provocar em todo o mundo eventos extremos como inundações em massa, secas severas, ondas de calor e tempestades fora do comum. Para o Brasil, isso significa um aumento de chuvas no Sul já na primavera de 2026, em setembro, calor extremo no Sul, Sudeste e Centro-Oeste, e seca extrema no Norte e Nordeste no verão e outono de 2027, consequentemente aumentando o risco de incêndios na Amazônia e Pantanal.
Em meio a esse cenário, o UNICEF lançou uma nova edição do Relatório de Riscos Climáticos para as Crianças 2026, uma base de dados globais sobre os impactos atuais das mudanças climáticas nas crianças e adolescentes. Das 2,4 bilhões de crianças e adolescentes no mundo, 1,8 bilhão são impactadas pelas secas; 1,5 bilhão já sofrem por ondas de calor e 1,2 bilhão vivem sob calor extremo. Praticamente todas são afetadas pela poluição do ar (2,3 bilhões) e pelo impacto ambiental que é exacerbado pelas mudanças climáticas. 
O relatório mostra também os efeitos da crise climática sobre os diferentes serviços de cuidado às crianças. A destruição de unidades de saúde leva à falta de vacinas e atendimento pediátrico. Em 2024, 20 milhões de crianças perderam vacinas essenciais para seu desenvolvimento. Com as secas e inundações devastando plantações, estima-se que as mudanças climáticas podem causar desnutrição aguda em 28 milhões de crianças e retardar o crescimento de mais 40 milhões até 2050. O mesmo vale para saneamento: atualmente, 1 bilhão de crianças não têm acesso ao sistema básico e estão mais suscetíveis à contaminação em caso de enchentes. Na educação, eventos extremos interromperam as aulas de pelo menos 242 milhões de alunos de 85 países apenas em 2024.  
Mapa global com exposição a múltiplos riscos climáticos por crianças, sendo vermelho mais escuro uma exposição mais intensa e vermelho claro menos intenso
UNICEF, 2026
Figura: Mapa global com exposição a múltiplos riscos climáticos por crianças, sendo vermelho mais escuro uma exposição mais intensa e vermelho claro menos intenso. Fonte: UNICEF, 2026
O relatório comprova, ainda, que crianças são impactadas desproporcionalmente pelas desigualdades, seja por renda, raça, gênero, nacionalidade ou deficiência. Enquanto apenas 14% das crianças de países de alta renda sofrem por calor extremo, em países de baixa renda essa proporção sobe para quase 50%. Crianças de nações de baixa renda são quase 2,5 vezes mais expostas a pelo menos 3 riscos climáticos que crianças de alta renda.
O Brasil também é analisado pelo relatório: das 50 milhões de crianças e adolescentes brasileiros até 18 anos, 47 milhões (93,5%) sofrem os efeitos da poluição do ar; 35,6 milhões (71%) são afetadas pelas secas; mais de 34 milhões (68%) por ondas de calor; 17 milhões (34%) são impactadas por calor extremo e quase 7 milhões (13,45%) por queimadas, e. Ao sobrepor os riscos, quase 90% de crianças e adolescentes brasileiros sofrem pelo menos 1 risco climático, 62% sofrem pelo menos 2 riscos e 31,6% pelo menos 3 riscos climáticos. A combinação de eventos que mais impactam o público infantil brasileiro é a seca e as ondas de calor. Consequentemente, essa combinação resulta em um cenário mais propício às queimadas, aumentando a poluição do ar e a perda de biodiversidade, entre outros impactos às crianças.
Segundo o especialista em clima e meio ambiente do UNICEF no Brasil, Danilo Moura, "o relatório mostra que o risco para as crianças no Brasil já é real e imediato. E a ação mais relevante que o Brasil pode tomar é fortalecer serviços essenciais — escolas, unidades de saúde, sistemas de água e saneamento, serviços de assistência social — para que sejam mais resilientes a ondas de calor, secas, enchentes: prédios escolares adaptados ao calor extremo, sistemas de saúde preparados para seguir funcionando durante enchentes, redes de água capazes de operar durante períodos longos de seca. São esses serviços que têm que garantir que crianças e adolescentes sobrevivam, e continuem aprendendo e se desenvolvendo nesse contexto de riscos." 
Conforme Danilo Moura traz, existem medidas possíveis e concretas para o Brasil responder a esses impactos às crianças e que são necessárias nesse momento em que o Super El Niño se inicia. A maneira mais imediata e de baixo custo é criar bons protocolos de resposta aos diferentes riscos climáticos, principalmente a partir da comunidade escolar. São os chamados Planos de Contingência Escolar, que passam por treinamentos com alunos, professores e famílias, sistemas de comunicação e alerta nas comunidades, mapeamento de locais seguros dentro e fora da escola, plano de evacuação, entre outras etapas. A escola deve ser considerada um epicentro de adaptação ao Super El Niño, seja por proteger um dos públicos mais vulneráveis (as crianças), seja  também por sua capacidade de servir como apoio  aos territórios em casos de desastres. 
Soluções emergenciais não podem ser o caminho para um problema sistêmico, contínuo e crescente como as mudanças climáticas, nem faz sentido esperar que cada novo El Niño ou La Niña bata recordes para agir. Os planos de contingência escolar podem ser implementados desde já, a baixo custo. Escolas, unidades de saúde e redes de água e saneamento podem ser adaptadas para seguir funcionando durante ondas de calor, secas e enchentes. E há uma agenda legislativa em curso:  o Projeto de Lei 2225/2024 em análise no Senado, o PL Criança e Natureza, apelidado de ECA Ambiental. Trata-se de uma lei estruturante para a garantia do direito de crianças e adolescentes a um ambiente saudável e à Natureza. 
O que separa as crianças brasileiras da proteção de que precisam não é falta de informação nem de alternativas. O relatório do UNICEF mostra onde estão os riscos, os planos de contingência escolar mostram como agir na ponta e o ECA Ambiental oferece a moldura legal para que isso deixe de depender de cada gestão. São necessárias políticas públicas perenes de resposta a desastres, de adaptação e mitigação ao clima, que protejam especialmente àqueles que menos participaram da construção desse cenário. 
Sobre o autor
JP Amaral é gerente de Natureza do Alana. Atua pelo direito das crianças e adolescentes à natureza. Também é conselheiro do CONAMA, conselheiro do Greenpeace Brasil, cofundador da rede Bike Anjo e bacharel em Gestão Ambiental pela Universidade de São Paulo, faz parte da rede de futuros líderes do Programa da Chanceler Alemã da Fundação Alexander von Humboldt, membro alumni da rede Red Bull Amaphiko de Empreendedores Sociais e do Young Global Changers
JP Amaral, gerente de Natureza do Alana
Camila Svenson  </description>  <media:content url="https://s2-umsoplaneta.glbimg.com/jRqnsER20ZFPo84t0eOZska1WDg=/i.s3.glbimg.com/v1/AUTH_7d5b9b5029304d27b7ef8a7f28b4d70f/internal_photos/bs/2026/w/g/PM2ZJmRAmmpBzABhwhyw/mapa-unicef.png" medium="image"/>   <media:description>seca</media:description>   <media:credit>GettyImages</media:credit>  <category>umsoplaneta</category> <pubDate>Thu, 30 Jul 2026 11:00:19 -0000</pubDate>  </item>  <item> <title>Estudo propõe integrar sistemas de rastreabilidade de carne e soja para fortalecer combate ao desmatamento</title>  <atom:subtitle>WRI Brasil defende protocolo unificado baseado na legislação nacional e em padrões internacionais para ampliar a confiança de mercados como China e União Europeia</atom:subtitle>  <link>https://umsoplaneta.globo.com/biodiversidade/noticia/2026/07/30/estudo-propoe-integrar-sistemas-de-rastreabilidade-de-carne-e-soja-para-fortalecer-combate-ao-desmatamento.ghtml</link> <guid isPermaLink="true">https://umsoplaneta.globo.com/biodiversidade/noticia/2026/07/30/estudo-propoe-integrar-sistemas-de-rastreabilidade-de-carne-e-soja-para-fortalecer-combate-ao-desmatamento.ghtml</guid> <description>  <![CDATA[ <img src="https://s2-umsoplaneta.glbimg.com/-7OOrveqGSie7SCHpXQiXrZdnbE=/i.s3.glbimg.com/v1/AUTH_7d5b9b5029304d27b7ef8a7f28b4d70f/internal_photos/bs/2024/z/A/YqiQYET7Wd1WZ5gWExVA/1020860-amazonia-1278.jpeg" /><br /> ]]>    O Brasil já dispõe de ferramentas para monitorar o desmatamento e rastrear a origem da carne bovina e da soja, mas a falta de integração entre esses sistemas pode comprometer a competitividade do agronegócio em um cenário de exigências ambientais cada vez maiores por parte dos mercados internacionais. Essa é a principal conclusão do estudo "Rastreando a responsabilidade: fortalecendo o monitoramento do desmatamento nas cadeias de suprimento de soja e carne bovina do Brasil", divulgado nesta semana pelo WRI Brasil. A notícia foi  citada no boletim diário do ClimaInfo.
A análise aponta que, em vez de desenvolver novos mecanismos de controle, o país deveria integrar as iniciativas já existentes em um protocolo comum, capaz de harmonizar critérios de rastreabilidade e monitoramento do desmatamento. Segundo a organização, isso poderia fortalecer a credibilidade das cadeias produtivas brasileiras e facilitar o acesso a mercados estratégicos, como a China e a União Europeia, que vêm ampliando as exigências relacionadas à origem dos produtos agropecuários.
"O desafio não é criar novos instrumentos, mas tornar essa base mais integrada, acessível e aplicável às decisões de produção, compra, financiamento e investimento, transformando a legalidade, a rastreabilidade e a transparência em confiança e vantagem competitiva", afirma o WRI Brasil no estudo.

A proposta é criar um marco de referência unificado que combine a legislação ambiental brasileira com padrões internacionais de cadeias livres de desmatamento e conversão da vegetação nativa (DCF, na sigla em inglês). Para a entidade, uma base técnica comum ajudaria a aproximar diferentes sistemas de monitoramento já utilizados no país e serviria de referência para negociações comerciais.
A China, principal destino das exportações brasileiras de soja e carne bovina, é apontada como um dos mercados que podem se beneficiar desse alinhamento. Segundo o estudo, um protocolo unificado poderia dar mais previsibilidade às relações comerciais, facilitar a comprovação de conformidade ambiental pelos exportadores brasileiros e embasar futuros acordos bilaterais.
Gargalos na pecuária e na soja
O estudo também identifica desafios específicos nas duas cadeias produtivas. Na pecuária, o principal obstáculo continua sendo a rastreabilidade dos fornecedores indiretos — propriedades que comercializam animais para outras fazendas antes da venda aos frigoríficos. Para ampliar a transparência da cadeia, o WRI Brasil recomenda expandir o uso das Guias de Trânsito Animal (GTA) e avançar em sistemas de identificação individual dos animais.
Já na cadeia da soja, a análise aponta que parte das iniciativas de monitoramento acompanha apenas as áreas efetivamente cultivadas, sem considerar toda a propriedade registrada no Cadastro Ambiental Rural (CAR). Segundo o estudo, mecanismos considerados mais completos já existentes no país incluem plataformas estaduais, como a desenvolvida pelo Pará, e protocolos utilizados na Amazônia e no Cerrado que cruzam informações do CAR com alertas de desmatamento e listas de áreas embargadas.
Para Mariana Oliveira, diretora do programa de Florestas e Uso da Terra do WRI Brasil, a adoção de um sistema integrado representa mais do que uma resposta às exigências dos compradores internacionais.
"Mais do que responder a exigências externas, é uma oportunidade para o Brasil transformar a transparência e a confiabilidade em pilares da estratégia de desenvolvimento", afirmou a Bloomberg Línea. "O Brasil tem condição de participar e fazer essa transformação, não apenas para seguir fornecendo commodity, mas para ser protagonista nessa construção de cadeias de produção e comércio mais resilientes, competitivas e sustentáveis."
Na avaliação do WRI Brasil, a integração dos sistemas de monitoramento pode representar uma oportunidade para que o país fortaleça sua posição nas discussões internacionais sobre comércio e sustentabilidade, ao mesmo tempo em que amplia a transparência das cadeias produtivas e contribui para reduzir o risco de desmatamento associado à produção agropecuária.
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A visualização, publicada pelo Scientific Visualization Studio da Nasa, chama atenção pelas ondulações que deformam a imagem tradicional do planeta. Mas essas irregularidades não representam montanhas ou vales. Elas refletem pequenas variações na intensidade do campo gravitacional terrestre, provocadas pela distribuição desigual de massas como rochas, magma e água no interior do planeta.
Para tornar essas diferenças perceptíveis, a escala vertical foi ampliada entre 7 mil e 10 mil vezes. Na realidade, as variações do geoide vão de cerca de 85 metros acima da superfície de referência, na Islândia, até aproximadamente 106 metros abaixo, no sul da Índia.
Segundo a Nasa, regiões onde há maior concentração de massa, como as cordilheiras dos Andes e do Himalaia, aparecem em tons avermelhados por exercerem maior atração gravitacional. Já áreas de menor densidade, como partes do Oceano Índico e da bacia do Rio Congo, são representadas em azul.
Para ver o vídeo, 3D da Terra CLIQUE AQUI

Mais de 1 bilhão de medições
O modelo foi construído com base no GOCO06s, um dos modelos globais mais detalhados do campo gravitacional terrestre. Para produzi-lo, pesquisadores reuniram mais de 1 bilhão de observações coletadas ao longo de 15 anos por 19 satélites.
Entre eles estão as missões GRACE, desenvolvidas pela Nasa em parceria com o Centro Aeroespacial Alemão (DLR), e GOCE, da Agência Espacial Europeia (ESA). Enquanto os satélites da missão GRACE detectam alterações na gravidade ao medir variações minúsculas na distância entre duas espaçonaves que voam em formação, a missão GOCE utilizou um gradiômetro para medir diretamente diferenças no campo gravitacional da Terra.
O modelo também incorpora dados obtidos por rastreamento a laser de satélites e observações de outras missões em órbita baixa, aumentando a precisão da representação.
O Brasil participou da validação do modelo por meio de medições de nivelamento realizadas pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), que foram comparadas aos resultados obtidos pelos pesquisadores.
Ferramenta para entender as mudanças no planeta
Além de representar o campo gravitacional terrestre, o geoide tem aplicações práticas importantes para a ciência e para o monitoramento ambiental. Ele serve como referência para a medição oficial de altitudes em todo o planeta, já que o chamado "nível do mar" é definido a partir dessa superfície teórica.
Os dados também permitem acompanhar mudanças na distribuição da água sobre a Terra, incluindo o comportamento de aquíferos subterrâneos, geleiras, rios e oceanos. Como a gravidade varia conforme a massa de água se desloca pelo planeta, os cientistas conseguem identificar alterações no ciclo hidrológico, estimar a disponibilidade de água subterrânea para irrigação e monitorar a elevação do nível do mar associada às mudanças climáticas.
"O campo gravitacional da Terra muda de mês para mês, principalmente devido à massa da água se movendo sobre a superfície", explicou Michael Watkins, cientista do Laboratório de Propulsão a Jato (JPL) da Nasa, em pesquisa anterior sobre o tema.
Segundo o pesquisador, medir essas pequenas alterações é uma das formas mais precisas de compreender como a água circula pelo planeta, informação considerada essencial para estudos sobre secas, enchentes, disponibilidade hídrica e os impactos das mudanças climáticas.
Além dessas aplicações, modelos globais do campo gravitacional são utilizados em pesquisas sobre oceanografia, tectônica de placas e na padronização de sistemas de referência de altitude entre diferentes países.
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</title>  <atom:subtitle>Consumo elétrico dos data centers pode mais que dobrar até 2030, impulsionado sobretudo pela IA e pelos grandes operadores de nuvem. Entenda por que esse é um grande desafio para a sustentabilidade</atom:subtitle>  <link>https://umsoplaneta.globo.com/opiniao/colunas-e-blogs/samuel-barreto/post/2026/07/a-nuvem-tem-sede-data-centers-inteligencia-artificial-e-a-nova-disputa-pela-agua.ghtml</link> <guid isPermaLink="true">https://umsoplaneta.globo.com/opiniao/colunas-e-blogs/samuel-barreto/post/2026/07/a-nuvem-tem-sede-data-centers-inteligencia-artificial-e-a-nova-disputa-pela-agua.ghtml</guid> <description>  <![CDATA[ <img src="https://s2-umsoplaneta.glbimg.com/7iW8eYk0w9Uo0z7Kctk-YFU8rAQ=/i.s3.glbimg.com/v1/AUTH_7d5b9b5029304d27b7ef8a7f28b4d70f/internal_photos/bs/2024/y/g/7QPXbGQFA1RWyF1mvjbQ/douglas-county-servers.jpg" /><br /> ]]>    A inteligência artificial parece imaterial. Chega às telas como resposta instantânea, imagem, tradução, diagnóstico, rota logística ou análise climática. Por trás dessa aparência, porém, existe uma infraestrutura profundamente física, de terrenos, cabos, minerais, chips, energia, sistemas de refrigeração e água. É aí que está o ponto, data centers não são o problema em si. No meu entendimento o risco está em expandi-los sem critérios consistentes de análise como localização adequada, transparência hídrica, avaliação por bacia e contrapartidas proporcionais aos impactos.
E essa corrida global já mudou de patamar. A Agência Internacional de Energia estima que o consumo elétrico dos data centers pode mais que dobrar até 2030, impulsionado sobretudo pela IA e pelos grandes operadores de nuvem. A Universidade das Nações Unidas projeta que a pegada hídrica do setor pode chegar a 9,3 trilhões de litros no mesmo período. Para dimensionar essa ordem de grandeza, o Sistema Cantareira, principal sistema de abastecimento da Região Metropolitana de São Paulo, armazena aproximadamente 982 bilhões de litros. E o risco hídrico depende de onde a água é usada, em qual época do ano, de qual fonte, quais picos são gerados, com qual tecnologia e em que bacia hidrográfica.
A pegada hídrica começa no próprio empreendimento, principalmente no resfriamento dos servidores por sistemas evaporativos. Eles podem reduzir o consumo de energia, mas aumentam a demanda hídrica. Alternativas a ar, em circuito fechado ou com resfriamento líquido reduzem retiradas locais, embora exijam escolhas tecnológicas e investimentos compatíveis. Há também o consumo indireto, associada à água utilizada para gerar a eletricidade que alimenta os equipamentos. A cadeia produtiva completa o quadro em que semicondutores que demandam água ultrapura, enquanto a mineração e o refino de minerais críticos podem afetar quantidade e qualidade da água. Não existe solução neutra. Existe solução adequada, ou não, à realidade de cada território.

O problema se agrava porque os empreendimentos procuram energia, fibra óptica, mercado consumidor, terra e incentivos econômicos, enquanto a disponibilidade de água muitas vezes entra tarde na decisão. Em períodos de seca e calor extremo, justamente quando cresce a necessidade de refrigeração, a oferta hídrica pode cair e a competição com o abastecimento humano, a agricultura, a indústria e os ecossistemas se intensificarem. Tratar a água apenas na etapa do licenciamento é um erro estratégico de planejamento e uma fonte previsível de conflito.
Os sinais já estão à vista. Em The Dalles, no Oregon, o consumo de água do Google chegou a cerca de 550 milhões de galões em 2025, próximo de 40% do consumo da cidade, em um contexto de baixa transparência sobre dados por instalação. No Imperial Valley, na Califórnia, um data center de 330 MW reivindica 287 milhões de galões, cerca de 1 bilhão de litros, do rio Colorado. A proposta envolve comprar terras e suas alocações de água, interromper a irrigação e transferir o volume para o resfriamento. Essa prática, conhecida como “buy and dry” (“comprar e secar”), não é apenas uma transação privada. Ela altera a distribuição territorial de um bem público e pode afetar empregos, produção de alimentos e economias locais. 
Chile e Espanha também registraram contestações por riscos a aquíferos e pelo uso de água potável em regiões sujeitas à seca. Em julho de 2026, Nova York adotou uma moratória de um ano para novos data centers de 50 MW ou mais, enquanto formula padrões comuns para uso de energia, água, qualidade do ar e contrapartidas comunitárias.
No Brasil, ainda há espaço para antecipar o problema. O país reúne vantagens potenciais, como matriz elétrica relativamente renovável, escala territorial, cabos submarinos, demanda do mercado latino-americano e capacidade de atrair capital. São Paulo e Rio de Janeiro permanecem como polos consolidados. Pecém, no Ceará, ganhou relevância pela energia renovável, pelo porto, pela Zona de Processamento de Exportação e pela conectividade. Rio Grande do Sul, Brasília e Curitiba também aparecem como novas frentes. 
Nesse contexto surgiu o Redata, proposta de regime especial de tributação para atrair investimentos em data centers. A medida provisória perdeu vigência, e sua continuidade depende de projeto de lei em tramitação no Congresso. A meu ver, esse é o ponto que o debate brasileiro não pode contornar onde o incentivo público também precisa exigir critérios verificáveis de segurança hídrica, entre outros aspectos.
A vantagem energética brasileira não pode servir de salvo-conduto para uma expansão que ignore os limites hídricos. O país já convive com secas severas, rios pressionados, perdas elevadas nos sistemas urbanos, conflitos pelo uso da água e déficits de saneamento. O Data Center Pecém tornou-se objeto de questionamentos sobre a suficiência do licenciamento, o uso da água e a consulta ao povo indígena Anacé, ainda que os empreendedores afirmem baixo consumo hídrico. Esse caso mostra por que declarações corporativas não bastam. São necessários dados por instalação, bacia, fonte, estação do ano, tecnologia de refrigeração, consumo médio e de pico, transparência, governança e acompanhamento público. A análise também deve considerar a demanda por energia do empreendimento e da sua cadeia produtiva. É importante saber como a carga será contratada e em qual dos quatro submercados do Sistema Interligado Nacional será atendida, porque isso influencia o custo e a segurança do suprimento. 
Uma política responsável precisa avaliar grandes data centers por bacia hidrográfica, e não apenas por município ou empreendimento isolado. Na prática, a decisão precisa considerar impactos cumulativos, disponibilidade presente e futura, capacidade dos sistemas de abastecimento e saneamento e cenários climáticos. Isso exige transparência sobre indicadores de eficiência hídrica e energética, fontes de água e de energia, sazonalidade e pegada indireta. Também exige prioridade ao reuso, à água não potável e a circuitos fechados, restrição ao uso de água potável em áreas de estresse e compatibilidade com planos de recursos hídricos e outorgas. E as contrapartidas precisam aparecer no território: a redução de perdas, reuso de efluentes, restauração de mananciais, recarga de aquíferos, monitoramento da qualidade da água e benefícios sociais e econômicos para as comunidades afetadas.
O conceito “water positive”, usado para indicar que uma empresa pretende repor ou gerar mais benefícios hídricos do que a água que consome, pode contribuir para esse debate. Mas, sem metas, prazos, financiamento, acompanhamento independente e resultados na mesma bacia impactada, corre o risco de se tornar apenas uma promessa de difícil verificação. Repor água em outro território não elimina a pressão exercida onde o empreendimento está instalado.
A inteligência artificial pode apoiar a modernização da economia, da ciência, da saúde, da educação, da gestão pública, da promoção da segurança hídrica e da adaptação climática. Esse potencial, porém, só se sustenta com uma governança transparente, territorializada, auditável e socialmente legitimada. E o Brasil pode se tornar um polo relevante de data centers, desde que não troque relativa vantagem energética por vulnerabilidade hídrica. 
E a reflexão que fica é sobre o teste de prova institucional e de licença social para operar, ou seja, quais serão as condições que de fato sejam efetivas para que essa nova economia fortaleça, em vez de enfraquecer a segurança hídrica, social e econômica dos territórios onde se instala?
Sobre o autor
Samuel Barreto é ambientalista, especialista em segurança hídrica, adaptação &amp; resiliência climática e engajamento multisetorial. É pesquisador associado do Observatório das Águas (OGA). Foi diretor de água e sistemas alimentares da TNC Brasil, gerente nacional do WWF-BR e coordenador da Fundação SOS Mata Atlântica impulsionando o empoderamento de lideranças socioambientais e governança participativa, com políticas públicas e iniciativas voltadas para os múltiplos benefícios e impactos gerados com a conservação e revitalização de bacias hidrográficas no Brasil.
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</title>  <atom:subtitle>Pacote prevê compra de grãos, monitoramento de rios, combate a incêndios e ações de prevenção diante dos efeitos distintos do fenômeno climático nas regiões brasileiras.</atom:subtitle>  <link>https://umsoplaneta.globo.com/clima/noticia/2026/07/29/governo-anuncia-r-13-bilhao-e-reforca-estoques-de-arroz-e-milho-para-enfrentar-impactos-do-el-nino.ghtml</link> <guid isPermaLink="true">https://umsoplaneta.globo.com/clima/noticia/2026/07/29/governo-anuncia-r-13-bilhao-e-reforca-estoques-de-arroz-e-milho-para-enfrentar-impactos-do-el-nino.ghtml</guid> <description>  <![CDATA[ <img src="https://s2-umsoplaneta.glbimg.com/bSh1aiO9SQdMPUbub87kGlji_gQ=/i.s3.glbimg.com/v1/AUTH_7d5b9b5029304d27b7ef8a7f28b4d70f/internal_photos/bs/2024/L/J/XAZpdASQi7CX9cgvlCCw/milhogm-yoki.gif" /><br /> ]]>    O governo federal anunciou nesta quarta-feira (29) um reforço orçamentário de R$ 1,335 bilhão para ampliar as ações de enfrentamento aos impactos do El Niño no Brasil. O pacote inclui a compra de 310 mil toneladas de arroz e 180 mil toneladas de milho para recompor estoques públicos e minimizar os efeitos do fenômeno sobre o abastecimento e a produção agropecuária.
O anúncio foi feito pela ministra da Casa Civil, Miriam Belchior, após reunião ministerial em Brasília. Segundo ela, a aquisição adicional de arroz foi motivada pelo risco de quebra da safra no Rio Grande do Sul, principal produtor do cereal no país, devido ao excesso de chuvas. Já o milho será destinado prioritariamente ao semiárido nordestino para garantir alimentação animal em regiões afetadas pela seca.

"Vamos ter mais 310 mil toneladas de arroz porque, com essas chuvas, há risco de quebra na safra de arroz no Rio Grande do Sul. E de milho, 180 mil toneladas também, por eventualmente haver risco de quebra de safra, para priorizar o atendimento no semiárido", afirmou a ministra.
Além da recomposição dos estoques de alimentos, os recursos serão destinados ao monitoramento de rios, ações de prevenção e combate a incêndios florestais, programas do Sistema Único de Saúde (SUS) e iniciativas de aquisição de alimentos.
Impactos diferentes pelo país
Segundo Miriam Belchior, os efeitos do El Niño já se manifestam de forma distinta entre as regiões brasileiras. Enquanto o Norte e o Nordeste enfrentam condições de seca, o Centro-Oeste registra atraso no início das chuvas. No Sul, por outro lado, a preocupação é com o excesso de precipitações, que pode comprometer a produção agrícola e aumentar o risco de enchentes.
As medidas anunciadas buscam responder a esse cenário por meio de ações voltadas tanto à segurança alimentar quanto à adaptação aos eventos climáticos extremos. No setor agropecuário, a estratégia pretende reduzir os impactos sobre a oferta de grãos e dar suporte às regiões mais vulneráveis às perdas provocadas pelo fenômeno.
O anúncio ocorre em um contexto de aumento da preocupação com os efeitos do El Niño sobre a agricultura, a disponibilidade de água e a ocorrência de eventos extremos, que têm sido intensificados pelas mudanças climáticas.
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